A Grande Guerra
5 Rumo ao Imperador Kelfo! - parte 2
Notas iniciais
Spark encontrou a grande cidade de Himmel transformada em ruínas. Havia fogo, fumaça e corpos para todas as direções que seus olhos se direcionavam. Sentiu a ira percorrer seu corpo cansado, ao ver alguns soldados atacando pessoas indefesas e partiu para ajudá-los, acertando o primeiro com uma voadora nas costas e o outro com um chute no rosto sem que ao menos este pudesse revidar.
- Estão bem? – perguntou o Saiyajin aos Kelfos, um casal adolescente de no máximo dezessete anos de idade.
- Estamos sim... obrigado – disse o rapaz, com o rosto ferido.
- Por favor me digam, onde eu posso encontrar a filha do Governador Kopf, Lily Güte Seele? – Spark indagou, quase desesperado.
- A filha do Governador...? Quem... quem é você? – perguntou a garota, menos ferida mas também coberta de arranhões.
- Agora estou me lembrando! Essas roupas, essa cauda... você é um Saiyajin! – falou o rapaz, caindo sentado no chão e rastejando-se o mais longe de Spark possível. Sua namorada fez a mesma coisa.
- Ei, por favor! Me digam o que eu quero saber!
- Não nos machuque! Não nos machuque por favor... – dizia o rapaz, ainda se rastejando.
Não conseguiu se conter diante daquilo. Seu dia já estava puxadíssimo. Toda a tensão, o ataque à Fortaleza, os ferimentos e acima de tudo, a morte de sua instrutora e o medo que o mesmo destino recaísse sobre Lily o fizeram perder o controle e liberar todo seu ki, deixando-se envolver pela aura dourada do Super Saiyajin e fazendo uma forte ventania soprar.
- Mas que droga, será que vocês podem deixar de ser tão inúteis e apenas responder o que eu quero saber?! – vociferou, irado.
Mas antes que sequer os dois pudessem responder, Spark ouviu uma forte explosão vinda de trás dele. Olhou e viu uma grande catedral com um buraco imenso numa das paredes e dele saia muita fumaça, criando uma cortina preta que se elevava aos céus. E, do meio desta, um vulto saltou em altíssima velocidade, sendo indescritível ao olho de qualquer um.
- Lá... naquele lugar, o Santuário... vai encontrá-la lá! Por favor, não nos mate.
Spark olhou a expressão de pânico no rosto de ambos e sentiu-se culpado pelo que fizera, ressentido por ter assustado tanto duas pessoas inocentes. Mas não tinha tempo para se desculpar, pois sentiu um par de ki’s familiares quando aquele vulto saltou do meio da fumaça. E em seguida, um outro ki aterrorizante que vinha de dentro do Santuário e que se moveu rapidamente, passando pela cortina negra como outro vulto ainda mais rápido.
Ele liberou seu poder e decolou imediatamente em direção aonde aqueles dois vultos passaram. Sabia que eram seus amigos e que estavam em apuros. E desejou muito que seu corpo pudesse resistir mais algum tempo naquela transformação.
Enquanto isso, Simon corria desesperado por sua vida, segurando Lily firmemente pelo pulso. Estava com o rosto coberto de hematomas e sangrava pela testa, nariz e boca. Suas roupas estavam esgarçadas e a calça com um buraco no joelho. Não havia mais capa e a espada que deveria trazer à suas costas havia se partido ao meio. Lily parecia bem menos ferida que ele, com uma grande marca em sua bochecha direita e alguns outros pequenos arranhões no rosto.
Pararam de correr num beco, onde eles poderiam descansar e recuperar o fôlego.
- Acho que estaremos... a salvo aqui... – disse Simon, entre uma inspirada e outra, em ritmo acelerado.
- Simon... aquele homem... ele é muito poderoso... – afirmou Lily, falando do mesmo jeito que o guerreiro.
- Eu sei disso... se ele nos pegar, esteja certa de que não teremos chance...
- Eu tentei Simon... eu tentei e ele permaneceu imune... isso nunca aconteceu...
Simon recordou-se da breve porém violenta luta que tivera com Himmler no Santuário, minutos atrás. Ele havia saltado contra seu oponente, de espada em punho e executado um magnífico corte de cima para baixo, na vertical, mas o Krüger apenas segurou a lâmina com dois dedos. E após um rápido movimento com a mão, partiu a espada em duas. Depois pegou o guerreiro Kelfo pelo colarinho e deu-lhe duas severas cabeçadas que o deixaram tonto, sendo seguidas por vários socos no rosto do rapaz. Lily aproximou-se e após se concentrar um pouco utilizou-se da mesma técnica anterior, mas foi surpreendida quando Himmler a atingiu com um tapa no rosto, com as costas das mãos.
- Você está apenas atrapalhando – ele disse, olhando para ela com desprezo.
Mas em seguida foi surpreendido com um disparo de energia vindo de Simon, que fez não só o Krüger soltá-lo como também o mandou longe. Em seguida correu ao amparo de Lily, caída no chão.
- Lily! Você está bem? Está ferida?
- Está tudo bem Simon... foi apenas um tapa. Vou sobreviver a isso.
Quando ela estava de pé e os dois fizeram menção de deixar o lugar, Himmler ressurgiu com duas grandes quantidades de energia concentrada em suas mãos e as disparou contra os jovens Kelfos. Simon ainda teve tempo de lançar um ataque com bastante ki a fim de atrasar as técnicas de Himmler e correu, tomando Lily em seus braços. A seguir, disparou outra rajada de ki contra a parede mais próxima e em seguida precipitou-se no ar, visando encontrar um esconderijo logo. Mas Himmler vinha logo atrás e a única opção que teve foi abaixar seu ki a ponto de escondê-lo e correr pelas ruas da cidade, como um rato fugindo de um gato.
Naquele beco, porém, pareciam estar livres de Himmler. Simon não sabia ao certo se o seu inimigo conseguia ou não sentir o ki, mas preferiu não correr riscos. Lembrou-se que em seu próprio rosto estava carregando um aparelho capaz de detectar poderes de luta, então escondeu ao máximo sua presença e pediu para que Lily fizesse o mesmo. Agora, estavam ambos com o fôlego razoavelmente recuperado.
- Vamos dar o fora daqui Lily. Se continuarmos correndo nessa velocidade, logo estaremos no Palácio Imperial. Por mais violento que este inimigo seja, ele não pode fazer nada contra nós lá.
- Eu sei, os feitiços e a magia Kelfo cria uma barreira naquele lugar e apenas os de coração puro conseguem transpassar aquela barreira – disse Lily sistematicamente. Pela forma como falou, parecia ter decorado aquilo de algum lugar – Mas e se os poderes dele conseguirem superar nossa magia?
- Não diga tolices, Lily, nada pode superar as nossas defesas, nem mesmo... AH NÃO, LILY CUIDADO!
Uma bola de energia havia sido lançada dos céus contra a sacerdotisa, que fora pega de surpresa e não poderia se defender. O guerreiro saltou por cima dela, acertando um chute na bola de energia e a lançando longe, que foi atingir um prédio semi-destruído. Mas antes que tocasse o chão novamente, um pé utilizando uma bota cromada atingiu seu estômago, o lançando para fora do beco.
Lily correu ao amparo de Simon, enquanto o impiedoso Himmler gargalhava em sua frente. Estava de braços cruzados, apenas observando os esforços inúteis de Simon em se levantar.
- Mas então, é só isso que você pode fazer? – perguntou o Krüger, em meio a um meio sorriso – Pensei que você fosse ser mais... entretivo.
- Você é um monstro! – gritou Lily, ao lado de Simon que se retorcia de dor – Porque você faz isso? Porque você é tão cruel e quer nos matar?
- Há, há, há! Garota idiota! Eu não tenho nenhum motivo para matá-los, senão provar a superioridade da raça Krüger diante das demais. Vocês são vistos como os mais sábios, os seres místicos mais poderosos da galáxia, mas não passam de moscas perto do meu poder. Até mesmo seu pai, que foi morto por nosso líder não pôde fazer nada! E ele foi morto por apenas um golpe! Agora, eu quero repetir o feito do Lord Schutz e eliminar a filha de um dos homens mais influentes do governo Kelfo com as minhas próprias mãos. Contente-se garota! Serei piedoso e te darei uma morte extremamente rápida e indolor!
Ele estendeu a mão e disparou novamente, um raio brilhante de coloração laranjada. Mas antes que o ataque atingisse seu alvo, um vulto materializou-se entre Lily e Himmler, e com um simples tapa mandou o raio para outra direção.
- Ora, ora... o que temos aqui... – disse o Krüger ao recém chegado.
O uniforme Saiyajin gasto e os cabelos loiros e espetados para o alto não deixavam a menor dúvida de que aquele era Spark, o guerreiro que havia derrotado Totenkopf. Estava lá, parado e de olhar vidrado em Himmler, parecendo querer perfurar sua alma com aqueles olhos verdes.
- Deixe-os em paz, agora! – disse o Saiyajin erguendo um de seus punhos – Ou então sinta toda a minha ira!
O Krüger desabou em uma gargalhada, levando as mãos à cintura. Aquilo parecia apenas irritar mais Spark, que foi envolvido pela aura dourada. Quando finalmente começou a falar, seu tom era o mais claro deboche.
- Vou sentir a sua ira? É mesmo? Mas como isso é aterrorizante! Você não faz nem idéia de como eu estou tremendo de medo!
- Vocês todos se acham mesmo o máximo – disse Spark, cerrando os olhos – mas não se esqueça que o último de vocês que eu enfrentei agora já não está mais neste mundo.
- E você acredita mesmo que pode me vencer, moleque, só porque matou Totenkopf? Acredita mesmo que ele é o limite máximo da nossa raça?
- Espero que não... afinal eu quero me divertir na luta!
- Ora, mas como os Saiyajins são insolentes! Mas deixe-me te dizer logo, tolo guerreiro, para que depois não fique me parecendo surpreso. Você não tem a menor chance de me vencer.
- Foi o que aquele outro brutamontes repetiu até o final... Mas eu não estou com muito saco para conversas fiadas e você cometeu o erro mortal de querer fazer mal às pessoas que me são importantes! E isso eu nunca vou perdoar!!
Spark deu um poderoso impulso com os pés, indo parar quase que instantaneamente diante de Himmler, desferindo-lhe um soco. Mas não esperava que a reação do opoente fosse ser tão rápida e precisa: ele segurou o pulso do Saiyajin, após dar um simples passo para o lado e em seguida o apertou com bastante força.
- Entrar numa luta contra um oponente desconhecido, sem estar com o corpo em bom estado e ainda por cima me atacar de frente... quantos erros cometidos por um único guerreiro, não acha?
Sem dar tempo para que ele respondesse alguma coisa, Himmler atingiu Spark furiosamente com o outro punho em sua barriga, dando a impressão que seu soco iria atravessar o corpo do jovem Saiyajin, que fora mandado para os céus com um chute no queixo em seguida. O Krüger se locomoveu rapidamente um pouco à frente de onde o corpo de Spark fora lançado e girou no ar, acertando-o novamente com um chute que o mandou de volta ao chão e ressurgiu no solo, segurando Spark pela garganta antes que ele atingisse a rua pavimentada.
- Saiyajin idiota! – ele disse, segurando- o com força e se deliciando em assistir os esforços inúteis de Spark em se soltar, tanto que até lambeu os beiços antes de prosseguir – Você pode até ser muito forte, mas achou mesmo que iria conseguir me vencer após ter lutado contra Totenkopf e sequer ter ido descansar? Quem você pensa que é, hein? Deus?
Com fúria, Himmler enterrou o corpo de Spark no asfalto da rua, criando uma grande cratera no lugar e em seguida começou a pisar em seu corpo sem forças. Spark apenas gemia de dor, incapaz de se defender até o momento em que foi suspenso no ar, pela mão de Himller que o segurava pelo colarinho do uniforme. Não fazia idéia de como ainda conseguia manter-se transformado em Super Saiyajin.
- Você não passa de um maldito inútil, moleque – disse o Comandante, com umaesfera de energia preparada para ser lançada, bem próxima da barriga de Spark – Não posso acreditar que você tenha vencido Totenkopf... bem, ele sempre foi um molóide mesmo então não é de se espantar que fosse perder para vermes como vocês. Chega de conversa. Diga adeus, Saiyajin!
- Espere Himmler! Não o mate. – disse a voz de Schutz em seu comunicador no ouvido.
- Senhor Schutz!? Eu ouvi direito?
- Ouviu sim, Comandante Himmler. Isto é uma ordem. Não o mate.
- Mas senhor, foi ele quem matou Totenkopf! Eu o tenho nas minhas mãos, vou eliminá-lo agora e então...
- Você vai ousar me desobedecer, Comandante Himmler? – falou a voz de Schutz, soando macabramente sombria.
- N-não senhor! Absolutamente!
- Então solte-o agora. Eu quero poder enfrentar este moleque no futuro. Por hora poupe sua vida.
- Sim senhor, Lord Schutz... – respondeu ele, obedecendo à contragosto. Cancelou a esfera de energia logo em seguida – Você é um macaco de muita sorte! Por ordem do Lord Schutz, você ainda vai permanecer respirando por um tempo! Aproveite bem o pouco de vida que lhe resta, antes que o Lord Schutz venha acabar com sua vida pessoalmente!
Mesmo tendo recuado sua técnica, Himmler desferiu um poderoso deslocamento de ar na barriga de Spark, lançando-o contra uma casa próxima, derrubando sua parede feita de tijolos com o impacto. Em seguida correu os olhos pelo local e ficou ainda mais furioso ao ver que não havia nem sinal de Lily ou Simon.
- Malditos! Os covardes aproveitaram-se da distração minha e foram embora daqui! Terei de procurar estes ratos mais tarde, maldição!
E após praguejar por mais uns instantes ele decolou, deixando o cenário da batalha sem ao menos olhar para trás. Após passado um minuto, os corpos de Lily e Simon foram reaparecendo gradativamente, passando de um estado de transparência até parecerem finalmente sólidos de novo.
- Lily, você é um gênio – disse Simon, sentado no chão – Você usou sua magia para nos tornar invisíveis!
- Sim, e não foi só isso – ela completou, sorrindo para o amigo – Também, consegui confundi-lo, desta vez com mais concentração que antes. Ele pensa que ouviu a voz do seu líder mas na verdade era apenas eu conversando com ele através de sua própria mente. Mas não podemos perder tempo conversando agora. Temos que salvar Spark.
No meio dos escombros jazia o corpo do Saiyajin, que agora já havia perdido a transformação do Super Saiyajin, os cabelos pretos recaindo sobre seu rosto de olhos fechados. Lily aproximou-se dele, estendendo ambas as mãos em sua direção.
- Genees! – ela murmurou e ao mesmo tempo o corpo de Spark foi envolvido por um brilho esverdeado.
As feridas começaram a cicatrizar numa velocidade impressionante, assim como o ki do jovem Saiyajin foi aumentando até normalizar-se. E quando o brilho se desfez, Spark abriu lentamente os olhos. Eram imagens borradas e sem foco, mas ele sentiu-se imensamente feliz ao reconhecer Lily e Simon, sobretudo Lily.
- Que bom que você está bem! – disse ele, abraçando-a sem nem ao menos pensar – Minha nossa, eu só pensava que tinha fracassado de novo, achei que você iria morrer... achei que você tinha sido levada de mim também.
- Calma Spark... está tudo bem, estou aqui... estou aqui com você – elarespondeu, acariciando os cabelos do Saiyajin delicadamente enquanto o olhar de Simon recaia sobre ambos.
- Mas como, como sobreviveram? O que aconteceu, por quanto tempo fiquei desacordado?
- Apenas alguns segundos. Nós pudemos nos esconder graças à minha magia. Sou uma Sacerdotisa agora, como eu havia dito que seria.
- Sério? Que bom! – ele respondeu, sorrindo – Eu também cumpri minha palavra e hoje sou um Super Saiyajin, mas no entanto... para poder alcançar todo este poder, eu tive de ver a Mestra Lenia morrer diante de meus olhos... estes monstros miseráveis, ela se colocou diante de mim para proteger minha vida, mas eles mataram ela impiedosamente...! Nunca vou perdoa-los!
O Saiyajin fechou um dos punhos com força, quase perfurando sua própria palma com as unhas, mas foi confortado pela mão de Simon que pousou em seu ombro, amigavelmente.
- Agora não devemos ficar nos remoendo pelas coisas que aconteceram meu amigo – ele falou, com um certo pesar na voz – Todos nós aqui perdemos pessoas que amávamos, entes queridos. Mas devemos continuar agora, não há tempo a perder com lágrimas.
- Sim... você está certo! – disse Spark, olhando para o guerreiro Kelfo e então sorriu mesmo estando triste- Ei... você lembrou de sua promessa... e usou o rastreador!
Simon o ajudou a se levantar, sorrindo. Não fez nenhum comentário sobre a última frase de Spark, mas ficou muito contente por dentro ao saber que assim como ele, o Saiyajin não havia esquecido sua promessa. Então, após dar uma olhada nos arredores ele disse, novamente em tom sério.
- Precisamos chegar ao Palácio Imperial o mais rápido possível. Lá é um lugar supostamente protegido, mas vai saber se nossas defesas vão mesmo resistir aos Krügers... lá deixaremos Lily em segurança e planejaremos um contra-ataque. Spark, gostaria de nos ajudar?
- Sim! – respondeu o jovem prontamente – Vou me garantir que Lily estará segura e em seguida, lutarei para que as forças dos Krügers se retirem da cidade. Mas depois terei de voltar para casa, há certos assuntos inacabados por lá a serem resolvidos.
- Tudo bem. Sua ajuda já será de grande valia, meu amigo – respondeu o guerreiro Kelfo e estendeu a mão para Spark, que a apertou – Muito bem então, vamos lá!.
* * *
O alarme da Fortaleza havia disparado novamente, logo após os radares diversos sinais avançando em direção aos Saiyajins. Centenas deles, vindos de todas as direções. Mahala chegou correndo à sala de controle, com alguns curativos pelo rosto e bandagens em um dos braços. Queria saber o que estava acontecendo, mas nem ao menos se deu o trabalho de perguntar nada a ninguém: havia no telão imagens de diversos tanques de guerra, naves caça e veículos com pernas – bípedes e quadrúpedes – todos equipados com canhões imensos. E, liderando aquele exército estava uma nave do tamanho de um navio.
- Mas... mas o que é isso afinal?! – perguntou a jovem, sem querer acreditar.
- Isso não é óbvio, Mahala? – perguntou a voz de Axl vindo da porta – Nossos inimigos voltaram. Estão aqui para acabar conosco, mas dessa vez não temos Lenia, Tank, nem mesmo o guerreiro Super Saiyajin... mas que droga, onde Spark se meteu afinal?
- E isso importa? Cabe a nós agora defender a Fortaleza. Eu digo que devemos ir lá fora agora mesmo e contra-atacar diretamente. Eles estão perto demais para traçarmos algum plano estratégico e de nada vai adiantar nos escondermos. Além do mais, são apenas máquinas! Podemos destruí-los como já fizemos em diversos outros planetas.
- Tem razão... – ele disse, sorrindo – Vamos correr então, vou chamar os outros. Te encontro em cinco minutos, lá fora.
- Três, Axl. Não temos tempo à perder!
Eles se separaram. Axl correu na direção do Salão Principal, onde os Saiyajins estavam cuidando dos seus feridos. A ala hospitalar da Fortaleza havia se tornado pequena demais para atender a todos e eles tiveram de ser movidos para um lugar muito maior. Axl sabia que o resto do grupo estava lá, tratando de suas feridas e se alimentando um pouco.
Mahala no entanto, rumou ao terraço. Não apenas para poder ir ao combate com os Krügers, mas porque ela sabia muito bem que uma certa pessoa estava lá. Deparou-se com um Asus de expressão pensativa. Seus braços estavam cobertos de ataduras e sua testa totalmente enfaixada. Mas já estava trajando um novo uniforme de batalha, o colant preto sem mangas, pulseiras pretas e douradas e um peitoral de batalha sem ombreiras. Ele não tirava seus olhos do horizonte, e parecia completamente distante do mundo onde vivia.
- Asus, eles estão vindo nos atacar. – disse a jovem mulher – Precisamos de sua ajuda nesta luta.
- Não tenho mais laços com este lugar – ele respondeu secamente – Não preciso lutar por vocês, se não quiser.
- Ah, não comece com suas crises de egoísmo, Asus! Nós somos os Saiyajins e estamos a um passo de sermos esmagados por um bando de bárbaros saídos sabe-se lá de onde! Precisamos muito de sua ajuda!
- Cale a boca. Você não faz a menor idéia de como eu estou me sentindo. – ele respondeu, secamente – De que adiantou tudo isso? De que adiantou todo o meu esforço, todo o meu treinamento diante de um inimigo como aquele?
Lembrou-se da luta, dos golpes que recebera e como ficou incapaz de reagir diante de Totenkopf e seus poderes. Sentiu raiva de si mesmo. E ela aumentou ainda mais quando suas lembranças chegaram no momento em que Spark havia arriscado sua vida para protegê-lo. Seu maior rival, se colocando entre ele e a morte.
- Isso tudo foi inadmissível – continuou Asus, rangendo os dentes de raiva – Como ele pôde me proteger? Para quê ele fez isso? Spark maldito!! E ainda por cima... ainda por cima...!
- Te revolta tanto assim ter sido superado por Spark? – ela questionou, com uma das mãos na cintura – Asus, ele é o Super Saiyajin e...
- Nunca mais repita isso na minha frente! Ele não é o Super Saiyajin!! – Asus urrou de fúria, liberando bastante energia e sendo envolvido pela aura clara de sempre. Era uma energia assustadora e carregada de ressentimentos.
Mas em seguida ele se acalmou, baixando seu próprio ki. Estava se sentindo humilhado com tudo aquilo, mas mesmo não aceitando que Spark fosse de fato o Super Saiyajin, havia reconhecido que seu rival o superou em uma grande distância. Sabia que tinha que treinar, mas no momento estava sem moral demais para querer fazer qualquer coisa. Novamente, Spark havia ferido seu orgulho.
- Vá embora - disse ele, por fim – Vou voltar ao meu treinamento. Se vocês vão ganhar ou perder nesta luta, não é problema meu. Tudo que quero é vencer Spark e vou treinar duro para isto, o resto que se exploda e vá para o inferno. Não ligo mesmo.
Aquelas palavras irritaram bastante Mahala, que continuava parada diante de Asus. Como ele conseguia ser tão cabeça dura? Sua teimosia conseguia superar tudo que ela tivesse imaginado numa pessoa, assim como seu ego e orgulho. Ela caminhou a passos firmes até ficar diante dele, e em seguida travou o próprio punho e o golpeou no rosto, com força. A pancada estalou no ar, enquanto o olhar ao mesmo tempo irritado e surpreso de Asus recaia sobre ela.
- Mas o que está fazendo, sua idiota? – ele perguntou, exasperado.
- Você é um inútil. Fracote! – ela gritou, com seu temperamento forte à pleno vapor – Você é uma vergonha Asus! Um Saiyajin que simplesmente se esconde das batalhas!! Houve um tempo em que todos achávamos que você era mesmo o indicado número a ser o Super Saiyajin, até mesmo eu pensava isto! Mas hoje eu entendo porque o destino escolheu o Spark e não você! Se você não quer ajudar a Fortaleza, então você poderia lutar contra eles do mesmo jeito, mas para apenas satisfazer seu próprio ego! Ou você também não sente prazer em lutar contra oponentes mais fortes? Mas não, você prefere fugir!
Ela deu as costas para Asus, pisando firme até um dos beirais e acrescentou, virando-se novamente para o Saiyajin.
- Se você não quer vir então que seja, vai ser até melhor. Não preciso de um covarde no meu time!
Ela ganhou os céus, deixando um pensativo e surpreso Asus para trás, indo até onde os outros colegas a esperavam. Axl estava acompanhado por Dirk, Dieter, Klaus e Gyules, além do Governador Dio que havia vindo também.
- Está um minuto e meio atrasada, Mahala – falou Axl, sorrindo – Você tinha dito três minutos.
- Você tinha dito cinco – ela respondeu, enquanto passava os olhos nos pouquíssimos presentes. Apenas Gyules estava sem nenhum ferimento pelo corpo, pois havia ficado de fora da última batalha. Os demais estavam com escoriações e hematomas, além de algumas ataduras em pontos específicos – Então, onde estão os outros? Cadê o resto dos Saiyajins?!
- Eles estão gravemente feridos, jovem Mahala – disse o Governador Dio – Somos poucos e estamos morrendo. Trazer aqueles homens e mulheres feridos para o combate seria apenas apressar nossa própria extinção.
- Sim, mas e agora? – Mahala arregalou os olhos, surpresa – Asus se recusou a vir lutar, então seremos apenas nós? Sete contra um exército? Que tipo de luta desigual será essa? Isso não é um combate, é um massacre!
- Nãominha jovem – disso o Governador, olhando para o horizonte e já conseguindo ver o maquinário inimigo se aproximando – Podemos ser poucos... mas atualmente, somos os melhores. Será melhor que apenas nós, os sete guerreiros mais fortes venhamos à batalha... do que mandar toda uma população de feridos ao combate. Nem todos evoluíram na mesma proporção de Asus e Spark. Muita gente aqui não tem poder suficiente para poder enfrentar estes adversários.
- Ele está certo, Mahala – disse Klaus, tomando a frente na conversa – Seremos apenas nós. Como você disse, sete contra um exército... mas que este sete causem um grande estrago neste maldito exército que ousa marchar contra nós!
- Sim! – concordou Axl – Deixe que venham! Venham e mandem seguidas ondas de ataques contra nós! Eles podem tentar nos destruir comtudo que tiverem mas esquecem de uma coisa básica, uma frase que foi dita por Spark na última luta!
Ela lembrou-se de Spark, cercado por diversos inimigos que o seguravam e o continham com todas suas forças, mas que foram lançados longe no momento em que o garoto gritou para os demais, num chamado ao combate.
Não se esqueçam com quem estão se metendo, malditos! Nós somos os Saiyajins, os guerreiros mais bravos do Universo!
- Eles podem tentar mil vezes – falou Dirk, estendendo uma mão.
- Eles podem nos ferir em combates – Dieter pôs sua mão logo acima da do amigo.
- Eles podem disparar com todas as suas armas – Klaus fez o mesmo.
- Eles podem até mesmo destruir a Fortaleza – foi a vez de Axl repetir o ato.
- E pensar que nos venceram... – Gyules também
- Mas não importa o quanto eles tentem, o quanto eles nos ataquem – Dio também fez o mesmo, olhando para Mahala que se sentiu fortalecida por aquele ato em conjunto.
- Nós sempre seremos superiores! Pois nós somos os Saiyajins! E mais do que guerreiros egoístas que lutam apenas para satisfazer a si mesmos... – ela pôs sua mão em cima das demais e num veloz movimento, todos as ergueram quando ela completou a frase – Nós somos unidos pelo nosso sangue e orgulho! Nós não vamos perder!
Todos gritaram a plenos pulmões um grito de vitória, e mesmo estando completamente em desvantagem numérica, investiram contra o exército que vinha, correndo em altíssima velocidade.
- À vitória, Saiyajins!! – anunciou o Governador Dio, em meio ao furor – Pois ela está próxima!
E do alto da Fortaleza, Asus assistia aquilo tudo. Normalmente teria achado aquilo tudo um circo ridículo, mas algo dentro de si parecia estar mudando. Teria sido o efeito das palavras de Mahala? Ou a humilhação sofrida naquele dia, por ter sido superado por Spark? Ele não sabia ao certo, a razão daquilo, mas sentiu dentro de si todo seu orgulho e espírito de guerreiro vibrar quando ouviu as palavras de Mahala e os outros. Uma verdadeira inspiração ao combate.
Ficar aqui parado... como um covarde, enquanto os outros arriscam suas vidas para lutar pela Fortaleza? Deixar de participar, apenas por apatia? Nunca! Não mesmo! Se Spark estivesse aqui, ele teria sido o primeiro a avançar! Maldito moleque! Nunca pensei que eu diria isso... mas neste quesito em particular, eu o admiro! Podem esperar, Krügers malditos! Eu estou indo até vocês também!!
Ele liberou seu ki o máximo que podia, e em seguida decolou como um veloz avião de caça, cortando o ar em altíssima velocidade.O vento passava tão rapidamente pelos seus olhos que já se tornava um pouco difícil e mantê-los abertos, mas mesmo assim continuou a manter aquela velocidade impressionante. E passou rasgando por cima de seus companheiros que ficaram contentes ao vê-lo unir-se ao grupo, ao mesmo tempo que disparava uma poderosa onda de energia contra o primeiro veículo de batalha inimigo.
Uma forte explosão veio, seguida de incontáveis disparos das naves e tanques dos Krügers. Asus desviou de algumas, mas foi atingido por um raio vermelho do meio da cortina de fumaça em cheio e caiu dos céus, com severas queimaduras. Parecia ter sido morto por apenas um disparo, mas antes que chegasse ao chão ele planou e se recompôs. O veículo que havia disparado logo de cara estava intacto, sem um único arranhão.
- Mas... mas como é possível? – ele se perguntou, concentrando mais ki e lançando sucessivas ondas de ataques contra o mesmo veículo.
Ele percebeu que seus ataques se dissipavam antes mesmo de atingir a couraça metálica e em seguida deu um longo salto para trás, a fim de evitar um novo disparo. Tocou o chão próximo de seus colegas, que também lançavam ataques com todas as suas forças contra os veículos. Os tanques e os caças eram vaporizados com facilidade, mas os veículos bípedes e quadrúpedes, além da grande nave não sofriam nenhum dano.
- Mas e agora? Como vamos fazer para destruir aquelas coisas? – perguntou ele a Mahala, que fora salva por ele de receber um poderoso disparo vermelho de um dos quadrúpedes.
- Eu não sei! Pensei que o expert em análises de combate fosse você!
- Pensei que você fosse a líder do grupo! Ah, cuidado!
Asus a empurrou para longe, com um golpe de mão aberta no momento em que ia ser atingida por outro disparo. Olhou para cima e viu que Dirk não teve a mesma sorte, sendo atingido em cheio nas costas e caindo no chão, gemendo de dor.
Os Saiyajins nunca haviam encontrado armas tão poderosas assim em todo universo. Aqueles canhões não perdiam em nada para as técnicas que eles lançavam uns contra os outros.
Ele viu Klaus ser atingido também e cair no meio de algumas formações rochosas. Haviam muitos dos veículos e seria impossível para eles durar muito tempo naquela situação.
- Mas que merda! – ele xingou, enfurecido – Nossos ataques não conseguem fazer nada!
- Onde está o Super Saiyajin agora? Pra onde ele foi? – perguntou Axl, rebatendo um disparo vermelho com muito esforço – Se ele estivesse aqui nós com certeza teríamos uma vantagem...
- E desde quando nós dependemos daquele Spark para alguma coisa?! – Asus parecia enfurecido, coberto de inveja – Nós sempre lutamos em guerras sem o auxílio de nenhum Super Saiyajin! E eu vou mostrar para estes malditos porque somos a raça de guerreiros mais temida do Universo! Mahala! Dio! Venham comigo!! Dieter, Axl, nos dêem cobertura!
Asus liberou novamente sua energia e, envolto pela sua aura branca, voou em direção ao bípede mais próximo. Ele deveria ter maisde vinte metros de altura e seu canhão era imenso, disparando sem parar contra os três que vinham com tudo e realizavam manobras evasivas de todas as formas possíveis. Mahala pôde ver pelo canto de olho que alguns caças que haviam marcado os três como alvos haviam sido abatidos pelos seus companheiros Saiyajins encarregados de dar cobertura.
- E agora, o que faremos?! – perguntou ela ao se aproximar de Asus no ar.
- Eles são imunes à ataques de energia... mas duvido que não possam ser destruídos na base da porrada! Mire nos joelhos!
Asus precisava confirmar sua teoria, e entrou com um soco fortíssimo no joelho do veículo à frente. Ele parecia envolvido por um campo de força, que resistiu ao impacto por uns instantes. Mas a força de Asus não vinha apenas de seu punho fechado. Ele estava apostando todo seu espírito naquele golpe, lutando por outras pessoas que não fosse ele próprio pela primeira vez em sua vida. E com muito esforço, rompeu aquela barreira e atingiu a grande perna mecânica, rachando-a. Deu um outro chute, com a canela no mesmo lugar e em segundos o carro de batalha foi ao chão, sem sua perna. Enquanto ele explodia em mil pedaços Ausus voava para longe dali, indo até os demais.
- Viram? São apenas pedaços de metal retorcido! Não podemos perder para eles!
Os Saiyajins ergueram o braço, festejando a vitória que estava por vir. Ignoraram completamente que aquele era o primeiro veículo de centenas a ser destruído, apenas festejando. Se havia uma pequena centelha de esperança, era a ela que iriam se apegar. Então veio mais um disparou que envolveu a todos e os lançou longe, de volta ao chão.
O trio estava muito ferido. Baixaram a guarda por um instante e foram atingidos por um dos canhões dos quadrúpedes que lideravam o esquadrão de ataque e isso havia lhe custado muitas de suas forças.
- E agora...? Estaremos perdidos? – perguntou Mahala, jogada no chão.
- Lutamos tão bravamente... não deveríamos ser derrotados dessa forma... – lamentou-se Dio, olhando para Asus, que era o único que não estava caído, mas sim de joelhos e ofegando.
- Nem vamos... ainda temos uma salvação... nosso último trunfo... – falou ele, cansado – Quem... quem aqui consegue fazer uma lua artificial?
- Uma... lua? – perguntou Mahala.
- Sim! Com ela, venceremos esta luta! Ninguém consegue deter os Saiyajins quando transformados em macacos gigantes! Então, quem consegue fazê-la?
- Eu! Eu consigo! – gritou Gyules, já concentrando todo seu ki na palma da mão e fazendo surgir uma pequenina esfera que brilhava, branca como uma minúscula estrela e a lançou aos céus.
Ora, quem diria... vamos vencer esta luta graças aquele gorducho inútil... provou afinal não ser tão inútil assim!
Gyules sorriu, satisfeito. Havia feito algo importante na luta. Mas em seguida, seu pequeno corpo foi atingido impiedosamente por vários disparos dos veículos de batalha, sendo erguido nos céus como um pedaço de carne vestindo trapos. Ele caiu no chão novamente, fraco. E, antes de fechar seus olhos para sempre, viu que tinha lançado sua técnica a tempo e agora, após ter entrado em contato com o oxigênio do planeta, ela havia se formado: a lua artificial brilhava acima dos Saiyajins.
* * *
Eles se esgueiraram pela cidade por quase uma hora evitando as tropas dos Krügers, lutando apenas quando muito necessário e fazendo o menor estardalhaço possível, e finalmente haviam chegado diante de um imenso portão metálico, no ponto mais alto da capital, Himmel.
- Estes são os portões que conduzem ao Palácio, Spark – disse Simon – Estamos quase chegando em nosso objetivo. Agora, teremos apenas de atravessar a Grande Ponte que liga Himmel ao Palácio.
- A grande ponte? – perguntou ele.
- Sim. Lily, explique para ele, por favor enquanto digo as palavras para abrir, sim?
- Claro Simon – ela respondeu, com seu tom amável que tanto fizera falta à Spark – Quando o Palácio foi construído, centenas de anos atrás, acreditava-se que ele deveria ser como a morada dos deuses. Então foi posto no ponto mais alto de Himmel, longe da cidade que ficava do outro lado da Grande Ponte. São dois mil metros e meio de distância entre o Palácio e os portões... e daqui de cima, é possível ver toda a cidade.
Normalmente Spark teria achado tudo aquilo interessantíssimo, como na vez que ficara na capital Himmel à três anos atrás. Mas neste momento, tudo parecia sem brilho algum com a morte de Lenia, sem falar na estranha sensação que rondava seu corpo, de que algo não estava certo na Fortaleza. Sentia os ki’s de seus amigos se elevando mas não sentia nenhum ki inimigo. E pôde ter certeza que um ki havia se extinguido para sempre. Eles começaram então a andar pela grande ponte feita de pedras lapidadas. Tudo em Himmel era belo e aquela ponte não era diferente. Deveria ter mais ou menos quinhentos metros de largura e era construída de pedras, mármore e cravejada com algumas pedras preciosas imensas, como rubis do tamanho de bolas de futebol, por exemplo. Aos lados, haviam os curiosos postes que não possuíam lâmpadas, mas um cristal azulado que pairava a poucos centímetros acima dos mesmos. Eles começaram a caminhada, que seria muito bela com aquele pôr do sol, se não fosse pelo fato da cidade abaixo deles estar completamente em ruínas, alguns prédios pegavam fogo e grossas nuvens de fumaça se elevavam aos céus.
- Como... como podem ser tão cruéis... – disse Simon, olhando o cenário de destruição com imenso pesar.
- Não posso nem ao menos dizer nada – falou Spark, de cabeça baixa – Afinal, nós Saiyajins já provocamos estragos iguais a este...nós e os Krügers... não somos tão diferentes assim.
- Ei, não fale isso! – disse Lily, tocando seu ombro – É como Simon falou, você não pode se deixar abater por coisas do passado! Se você fosse mesmo tão cruel quanto eles, não estaria aqui nos ajudando! Spark, você tem bondade no coração, ninguém melhor que eu para te dizer isto...
Spark sentiu um calor percorrer seu corpo com aquelas palavras, virando-se para beijar Lily imediatamente. No entanto, ela apenas o abraçou, um abraço forte e caloroso. Mas apenas um abraço.
- Ei, olha... que estrela diferente é aquela? – ela falou, olhando por cima do ombro do rapaz.
- Estrela? Cadê?
Ele virou-se em direção à tal estrela, e a contemplou de longe. Era realmente muito bela, brilhando fortemente no céu, mais ou menos acima de onde Spark sabia ser a sua casa. Nunca havia visto ela ali e também a achou curiosa por uns instantes. Mas então, tudo mudou dentro dele. Sua cauda deu uma fisgada e em seguida, sentiu adrenalina ser lançada pelo seu corpo, descontroladamente. Seu coração pareceu bater com muito mais força, como se estivesse ficando inchado. Ele caiu de joelhos, sem nenhum compasso em sua respiração.
- Spark!? Spark, o que está acontecendo?! Spark, você está bem?! – Perguntou Lily, olhando o jovem Saiyajiin ajoelhado, que parecia se contorcer de dor e agora começava a babar.
- Lily... fuja daqui! – ele disse, em meio aos seus urros, suas pupilas agora eram vermelhas como sangue.
A agonia era crescente, e de seu interior parecia brotar uma fera. Seus sentimentos tornaram-se agressivos e sua razão começava ir embora. Caiu no chão, seu coração de fato estava inchando e fazia seu peito saltar a cada pulsação, numa tortura ritmada. Sentiu as costelas se alargando, seus membros crescerem, suas mandíbulas deformarem e seus caninos se afiarem e se tornarem ainda maiores. Foi então que seu corpo cobriu-se de pelos e agora, estava de pé, dez vezes maior e já não era mais um ser racional. O jovem Spark que Lily e Simon haviam conhecido havia se transformado numa fera selvagem. Um macaco gigante sedento por sangue.
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