A Good Shifter
19 The Cage
Notas iniciais
Aquela noite não era nada parecida com qualquer outra festa do clube, as coisas pareciam um pouco demais, as surras eram muito mais punitivas, o sexo brutal, o choro, o sofrimento, o prazer, Derek podia sentir tudo em um nível quase bárbaro, era difícil respirar ali, mas ele tinha feito uma escolha e não tinha a mínima intenção de voltar atrás.
– Você está bem? — Stiles tinha um chicote atado ao cinto, uma maleta e a guia da coleira entre os dedos, Derek tinha espaço suficiente para andar ereto, não era algo manipulador, ofensivo, só reconfortante.
– Aqui é bem agressivo. — Derek suspirou.
– Allison Argent não teria um lugar doce em sua lista, ela é uma dommme durona, mas é um doce de pessoa. — Derek não se sentiu melhor ao ouvir o sobrenome da garota.
– Aqui é bem movimentado. — Stiles observou Derek por alguns minutos.
– Você está com medo? Quer ir para uma cabine privativa? — Derek fez que não.
– Eu quero apresentar, só estou me adaptando. Tem cheiros e sons muito diferentes aqui, não é tão organizado, amplo e sofisticado quanto o Nemeton, o público é bem mais agressivo.
– Jogadores experientes e dentro das normas, eles são mais radicais, muito mais ligados a dor, mas Allison mantém isso aqui como eu faço com o Nemeton, rédeas curtas, são, seguro e consensual.
– Eu não duvido disso.
– Então vamos. — Stiles sorriu e voltou a caminhar um passo a frente.
The Cage era um clube e tanto, apesar de bem mais sombrio e com um ar pesado, Derek gostou de alguma forma do lugar. Era interessante ver diferentes níveis de dor sendo explorados e mesmo que ele estivesse nervoso, a segurança de Stiles o deixava sob controle.
– Você ainda quer se apresentar?
– Eu não decidi isso às pressas Stiles, estou bem.
– A última lua do mês foi ontem, eu não quero pressionar.
– É só uma surra.
– Eu vou usar um chicote, eu pensei que ele fosse um limite.
– Nós já usamos um chicote de montaria antes, você não precisa usá-lo se não for do seu agrado.
– Não seja grosseiro. — Derek revirou os olhos e levou um tapa na bunda.
– Ai! — ele reclamou.
– Revire os olhos para mim de novo e eu tenho ótimos motivos para fazê-lo sofrer. — Derek fez beicinho. — Não seja um filho da mãe insolente. — Stiles pediu.
– Você gosta. — Derek sorriu torto.
No fundo, Stiles se sentia muito ansioso em apresentar Derek pela primeira vez em público. Eles tinham combinado em fazer isso longe do Nemeton, Derek não gostava de ser lembrado e se sentia bem menos focado em resistir a sua palavra de segurança. Ambos queriam que fosse bom, mesmo que terminasse cedo demais, que fosse leve ou que alguém pedisse o fim.
– Eu espero ouvi-lo gemer apenas. — o humano começou a despir Derek com bastante calma. — Você sempre pode me pedir um momento, vermelho ou triskle nós paramos, amarelo eu te dou um momento e verde é um ótimo sinal para continuar.
– Você me quer nu, senhor? — Derek parecia ligado ao mesmo tempo que hesitou em perguntar.
– Não. Só a camisa basta. — Stiles viu os músculos do lobisomem relaxarem e então começaram a se preparar.
Derek não esperava chamar tanta atenção. Um flogger de veludo pesado fora o objeto escolhido por ele para a cena, assim como o lugar que Stiles tinha os levado parecia combinar com o clima que os cercava. Desde Beacon Hills eles não conseguiam se entender muito bem, o relacionamento cotidiano parecia correr com normalidade, mas o lobisomem não sabia o que esperar dele mesmo em uma cena, sem todos os motivos que o fazia buscar pela dor.
– Olhe quantas pessoas estão aqui só para vê-lo sofrer lobo. — Derek olhou diretamente para Stiles antes de conseguir tomar coragem e enfrentar o amontoado de gente no exterior da gaiola, um grupo excepcionalmente feminino o observando com cautela enquanto Stiles preparava a si mesmo e verificava as amarras na cruz de Santo André. — Olhe. — Stiles insistiu e pegou um par de clipes de mamilos de metal.
– Senhor. — Derek sibilou, ele não queria ser ouvido por todos.
– Cor? — Stiles o encarou com cautela.
– Amarelo, senhor. — Stiles parou, aproximou-se e alisou o rosto dele.
– Do que você precisa? — Derek respirou fundo e encarou ao redor, ele estava com medo de falhar.
– Eu não quero falhar, senhor. — Stiles sorriu.
– Respire fundo e feche os olhos. — Derek obedeceu. — Estamos só nós dois aqui, ok? — ele assentiu. — Bom. — Stiles ajeitou o flogger em sua mão. — Vamos deixar os clipes para depois, tudo bem? — Derek assentiu. — Cor? — ele pediu girando o chicote lentamente.
– Verde, senhor. — a cena não podia ter começado melhor.
Derek esperava golpes duros e ininterruptos, mas Stiles não era Kate e preferia algo diferente, melhor. O primeiro contato com as tiras grossas e pesadas de veludo macio foi gentil, apenas um leve roçar em seu estômago, como se o objeto estivesse conhecendo-o antes de atacar, era expectativa pura, ansiedade, prazer.
Quando Stiles percebeu a respiração difícil de Derek e o suor começando a brotar na superfície, ele apenas se inclinou para o lobo, depositando um beijo em sua clavícula e se afastando o suficiente para começar a trabalhar golpes por todo o torso do mais velho.
Derek testou as amarras, a dor irradiando por todo seu corpo ao mesmo tempo que a explosão de endorfinas o levava para longe. O flogger sempre foi um chicote mais suave, que costumava dividir a pressão, um objeto maleável e gostoso de ser usado em cenas públicas de prazer, diferente do chicote de equitação que era duro e próprio para o castigo.
– Você cedeu tão rápido querido, isso é tão bonito de se ver. — Derek mal ouvia, ele podia sentir a calça apertada atritar com seu membro rijo e o calor irradiando pela pele maltratada da surra, era bom.
Ele queria abrir os olhos, observar as pessoas o admirando, ver Stiles enquanto trabalhava nele, conversava com ele, mas era difícil. Se manter presente estava cada vez mais complicado, já que o lobisomem tinha entrado quase que instantaneamente no subespaço. Stiles tinha o cuidado de não romper a pele, de mantê-la ferida superficialmente, de analisar cada reação de seu companheiro, tomando o máximo de cautela com tudo.
– Você está indo tão bem. — Derek conseguiu distinguir aquelas palavras, ele mal percebia que estava gemendo e se contorcendo, que seu corpo todo pedia por mais, queria muito mais.
Stiles começou uma sucessão de golpes duros, Derek podia sentir o desconforto começando a aparecer, seus limites começando a serem testados e o orgasmos próximo. Era bom se sentir a pele esquentar e o prazer se misturar à uma dor inexplicavelmente deliciosa. Derek se sentia perdido.
– Senhor... — seu ar parecia falho, ele estava suado e completamente entregue, não demoraria muito a gozar. — Eu estou perto, tão perto... por favor. — ele se contorceu ao próximo golpe em seu estômago.
– Está tudo bem, vá em frente. Me deixe saber se isso tudo for demais, tudo bem? — Derek murmurou coisas desconexas.
Não demorou para Derek sentir-se pegajoso e cansado, os golpes eram duros e certeiros em pontos antes maltratados, o suficiente para fazê-lo reclamar mais de dor do que prazer, ele queria lembrar como pronunciava "amarelo", mas seu cérebro virou um grande amontoado de nada, ele se sentia flutuando novamente e era muito bom.
– Hey, ainda comigo? — Stiles alisou a bochecha de Derek, enquanto o mantinha em seu colo.
– O que aconteceu? — Derek não abriu os olhos, se sentia cansado e sonolento demais.
– Você foi tão fundo no subespaço que não se deu conta de que acabou. — Stiles ofereceu um pouco de água a ele.
– Você me tirou da cruz sozinho? — Derek se recostou melhor no peito do mais novo e percebeu que não havia nenhum barulho em volta.
– Nós estamos em um quarto, você parecia aéreo mas ainda obediente o suficiente para me deixar ajudá-lo a chegar aqui.
– Eu me sinto sonolento.
– São as endorfinas, você foi muito bem lá. Principalmente quando você disse amarelo no final, é bom ver que melhoramos nossa confiança. — Derek parecia confuso, ele se lembrava de tentar dizer, mas tinha dito?
– Nós já temos que ir? — ele se obrigou a abrir os olhos e agradeceu por estar escuro o suficiente.
– Não realmente, mas o clube fecha em quatro horas. Quer dormir um pouco? — Stiles começou um cafuné no lobisomem.
– Prefiro ir para casa. — Derek se remexeu e sentiu a pele quente e dolorida em seu torso.
– Dores? — o lobisomem assentiu, mas se obrigou a levantar. — Eu tenho uma pomada. — Derek se sentiu tonto e voltou a sentar.
– Eu deveria estar curando. — ele não entendia.
– Foi uma lua difícil, você está instável. — eles se entreolharam com carinho. — Venha, me deixe ajudá-lo a ir para o carro. — Derek aceitou.
Ele dormiu no caminho e muito sonolento foi direto para a cama, Stiles se encarregou de despir e acalentar suas feridas. A verdade é que Derek não tinha pensado muito sobre como seria se apresentar e no final isso tirou dele o máximo de energia, foi bom e ao mesmo tempo sobrecarregou seu sistema. Ele não estava cem por cento pronto, mas valeu como uma boa experiência, empurrou mais um trauma para longe.
Stiles deitou para dormir eram mais de quatro da manhã, ele se sentia agitado ainda e nunca tinha visto Derek tão abalado com uma cena, não por bons motivos. Isso o fez pensar demais e perceber que ultimamente tudo parecia correr, emoções, traumas e dramas familiares os deixaram confusos, sobrecarregados, sem tempo para manter o ritmo deles, a paz interior. O humano se sentia mal por isso e sabia que tudo parecia fora de controle, mas que de alguma forma iria se resolver.
Derek acordou atordoado, a luz da janela esquecida aberta o maltratou e ele resmungou ao levantar. Seu corpo estava fatigado e mesmo que sua pele não estivesse mais tão ferida, ele podia ver um ou outro local com vergões avermelhados, era estranho. O cheiro da pomada e de suor também se misturavam, assim como o som do ronco baixo de Stiles ao seu lado. O garoto vestia uma camisa e cuecas, parecia cansado e em um sono tranquilo, Derek gostava de observar isso.
– Droga. — o lobisomem resmungou ao tocar a lateral esquerda de seu corpo, doía e estava inchada. Aparentemente nenhuma de suas feridas tinham curado, ele não fazia ideia do por quê.
Ele se obrigou a ir até o banheiro e entrar no chuveiro frio, parecia uma boa ideia já que ele estava suado e se sentindo sujo. A água ajudou um pouco, as feridas abrandaram e ele sabia que muito lentamente estava curando, o que o assustava era que o ritmo parecia quase humano.
– Você está bem? — Stiles entrou no banheiro e se inclinou para levantar as tampas do vaso sanitário.
– Dolorido, curando devagar demais, confuso. — Derek deu de ombros e encostou a testa no ajulejo frio, a água batendo em sua nuca e escorrendo pelas costas. O barulho da descarga e logo depois do box sendo aberto o fez arrepiar.
– Posso ajudar? — Stiles delineou com o indicador a triskle desenhada entre suas omoplatas.
– Eu nunca curei tão devagar, só quando usei wolfsbane. — Derek se afastou e virou para o humano.
– Você acha que eu usei acônito no meu flogger? — Stiles parecia muito mais magoado do que acusador.
– Não, eu nunca pensaria isso de você. — Derek levou sua mão ao rosto de Stiles com carinho. — Eu só disse que é estranho, não entendo o que está acontecendo. — Stiles assentiu e grudou seu corpo quente do sono, na pilha de músculos fria e molhada.
– Você foi muito bom ontem, nunca o vi tão submerso. — as mãos de Stiles correram as costas de Derek, seu peito grudado ao do lobo, o fazendo resmungar.
– Isso dói. — ele se afastou.
– Estou começando a pensar que devo chamar Allan para vê-lo.
– Talvez não seja uma má ideia. — Derek encolheu os ombros, ele realmente se sentia mal para uma cena leve.
– Vamos nos limpar e sair, eu ligo para ele enquanto preparamos o café.
Allan não demorou a chegar e Derek não economizou explicações e dúvidas ao que sentia. Stiles os deixou sozinhos, achou que esse tipo de privacidade fosse bom, ele mesmo se sentia um pouco culpado pelo que estava acontecendo, ele não tinha ideia do que era mas foi ele quem desferiu os golpes, certo?
– Stiles. — Allan o chamou.
– O que aconteceu? — Derek bufou irritado, Stiles não entendia.
– Eu posso ver seu flogger? — Stiles franziu o cenho, mas consentiu.
– Algo errado com ele? — Derek estava distante.
– Não, tudo bem com ele. Quais as chances de o The Cage oferecer acônito em suas bebidas?
– Como? — Derek e Stiles falaram em uníssono.
– A garrafa de água que trouxeram de lá está cheia de wolfsbane, enquanto seu chicote está limpo, mas as roupas de ambos parecem ter entrado em contato com a planta. É uma espécie bem menos nociva aos shifters, mas ainda assim retarda a cura e pode causar sensibilidade. Explicaria a facilidade de Derek em entrar no subespaço e mais ainda ele não curar.
– Ele foi exposto a acônito por muito tempo, por isso, ele teve facilidade em absorver e reagiu mais rápido e também com mais força. — Derek abriu e fechou a boca surpreso.
– Exatamente. — Deaton começou a guardar suas coisas. — Eu tenho uma pomada que vai ajudar com a dor, mas temos que esperar seu corpo reagir normalmente.
– Tudo bem, obrigado. — Derek deu de ombros e pegou o remédio.
– Qualquer mudança, me liguem. — Derek acompanhou Deaton até a porta.
Quando Derek voltou, encontrou Stiles no escritório aos berros com Allison no telefone. Ele se encolheu, nunca tinha visto o humano tão furioso e podia ouvir a própria Argent tentando conter essa fúria, se explicar. Ele se sentia um pouco cansado ainda e achou melhor não se meter, não era como se Derek quisesse defender a caçadora, até gostava de ver Stiles lutar por ele.
Stiles estava furioso, mas algo o fez se sentir mais calmo ao ver Derek deitado na cama, sonolento enquanto assistia Friends na televisão. Seus dvd's nunca pareceram interessantes para o lobo, mas ele sabia que aquele era o jeito de Derek dizer que estava tudo bem.
– Posso? — Stiles perguntou balançando suavemente a pomada nas mãos.
– Claro. — Derek tirou a camisa e voltou a deitar.
– Eu sinto muito, não fazia ideia de que Allison era tão estúpida. — Derek sorriu.
– Eu ouvi vocês discutindo, um pouco duro da sua parte, mas eu gostei. — Stiles sorriu e se inclinou para beijá-lo nos lábios.
– Eu nunca quis machucá-lo. — Derek retribuiu o beijando e mordendo seu lábio inferior, puxando lentamente até soltá-lo.
– Eu sei disso, não se preocupe. Vou ficar bem. — Stiles sorriu e voltou a aplicar pomada em cada uma das feridas.
– Por que Friends? — Stiles limpou as mãos e deitou ao lado do namorado, Derek tinha acabado de recolocar a camisa.
– Você gosta e é o único show que eu realmente entendo o que tem de tão engraçado. — Stiles riu.
– Você é incrível. — Derek sorriu.
– Eu sei. — eles estavam bem.
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