A Good Shifter
1 Limites
Notas iniciais
Derek Hale só queria ser bom, ele sempre quis ser bom. Mesmo quando ainda era uma criança, aprendendo a controlar seus instintos de lobisomem, ele só queria que sua mãe o olhasse com orgulho, que seu pai o elogiasse, que todos percebessem que ele podia ser bom, mas algo o fazia se sentir pior, insuficiente, inapto, nada pronto para enfrentar o dia a dia.
Ele ainda se lembrava de ter sido um bom irmão para Cora, mesmo quando ela o mordeu por ele não poder brincar enquanto terminava sua lição de casa, ou de não ter ficado bravo com Laura por ela ter estragado sua camiseta favorita ao lavar na máquina com alvejante. Derek queria que todos que ele amava fossem feliz e ele não se importava se isso significasse fazer alguns sacrifícios, tudo bem. /mas nem todo mundo compreendia seus anseios em agradar, servir, fazer feliz. Seu pai, assim como sua avó materna, por exemplo, eram as pessoas que mais cobravam uma postura firme, mas Derek não tinha isso dentro dele, era sempre muito artificial, encenado, ele queria sorrir, acenar, ouvir que ele se saíra bem, não fazer o papel de mandão carrancudo que é constipado emocionalmente, mas ele era, para tentar fazer seu pai e avó um pouco mais felizes, não funcionava.
Talia parecia mais compreensiva, ela tinha que ser, sua alfa, sua mãe e Derek realmente tinha uma conexão e tanto com ela, mas o casamento ia mal desde o nascimento de Cora e a crianção do único filho homem, em uma visão machista de educação, deixava a mulher atordoada, em uma sinuca de bico. A verdade é que Talia nasceu para ser alfa, mas sua família foi pautada no patriarcado, afinal de contas, seu pai era o alfa poderoso e sua mãe vinda de uma espécie de casamento acertado, por causa da cidade pequena e o custo de vida, acabou nisso. Seu pai, Jacob Hale, era um amor, não era assim tão machista como se esperava, mas só teve ela e Peter, ela vinda primeiro, ela ganhando os poderes de alfa, mesmo que para sua mãe e a família dela isso fosse um absurdo.
Aaron veio de uma família onde o poder é tudo, ele tinha tudo para ser um alfa, mas era o quinto de seis irmãos e não aceitava muito bem isso. Se tornou ômega quando sua família foi massacrada e foi acolhido por Jacob Hale anos depois, Talia não podia se ajudar, não depois de conhecer o homem idealista e amoroso que Aaron foi por muito tempo, algo mudou quando Laura nasceu, ela era linda e o homem a amava muito, era um ótimo pai, mas não era suficiente, ele parecia incomodado, tudo pareceu clarear quando Derek nasceu alguns anos depois, ele era o menino, o filho que Aaron sempre quis, mas era um beta nato, isso o quebrou.
Quando Derek descobriu que seu maior incômodo em se submeter era que seu pai nunca estava satisfeito, ele descobriu igualmente que ele não tinha desejo de relutar, mas que gostava de alguma forma da dor estúpida de se sentir rebaixado, humilhado, da mesma forma que ele achava libertador quando os treinamentos físicos excediam seus limites, o deixavam ferido, cansado, com dores reais. Era estranho a princípio se ver gostando disso, ele queria parar essa sensação, os tremores, o arrepio toda vez que seu tio o fazia beijar o chão em uma luta corpo a corpo, mas era difícil.
Peter foi o primeiro a perceber o que Derek era, mas ele não podia ajudar o sobrinho, não enquanto o garoto não tivesse o mínimo de maturidade e aos doze anos ele não conseguiria nada além de ser socado por Aaron e repreendido por Talia. Com isso, Peter partiu, quando ele percebeu que em algum momento, seu estilo de vida passou a ofender e causar discórdia na família e sua irmã, engravidou de Cora. Derek nunca entendeu por quê seu tio tinha ido embora, mas ele gostou de poder passar as férias em outro lugar que não fosse a Preserve de Beacon Hills.
Quando Cora nasceu, Derek tinha acabado de conhecer Paige e ela era bonita, divertida e parecia gostar dele também. O esnobava um pouco, mas ele aprendeu algumas coisas com as garotas naquele ano, principalmente depois de entrar para o time de basquete. Ele ainda se lembrava da tarde em que ele foi ouvi-la tocar violoncelo na sala de música e então, por um impulso idiota, ele a beijou no final da música e ela o estapeou, se desculpando logo em seguida, correndo de vergonha e o deixando com uma sensação excitante no estômago, como se todo seu cérebro trabalhasse errado e ele não conseguisse odiar a garota por ter a mão tão pesada, ele queria de novo.
Quando Paige e ele se encontraram semanas depois daquele tapa, ele sabia que não importava como a garota se sentisse, ele diria que a perdoou e com sorte ela poderia ser um pouco mais dura com ele, talvez ela o entendesse. O relacionamento deu certo nas primeiras semanas, na verdade todo os dois primeiros anos foi muito bom, eles se divertiam, saíam e Paige era simplesmente fantástica, ele adorava como ela era inteligente e podia dividir muitas experiências fictícias. No verão do segundo ano de namoro, Derek precisou ficar para pagar algumas horas em créditos, ele queria um bom lugar na faculdade e seus pais viajaram, apenas alguns membros do bando ficaram e Paige o chamou para dormir em sua casa naquela noite.
Eles já tinha conversado sobre sexo, nenhum dos dois sabia muito, apenas o básico e tinham dúvidas e curiosidades demais. Derek dividiu algumas das suas vontades com a garota, mas ela achava tudo muito estranho, irreal. Ele podia entender a maior parte do medo dela, mas o seu maior medo era o fato de que ele era um lobisomem e apesar de todos na cidade saberem, ele não fazia ideia do que isso mudaria durante um relacionamento sexual. A primeira vez de Derek foi estranha, muito nervosismo, afobação, expectativa e cuidado triplicado, ele só não queria machucar Paige, mas no fim tudo o que sobrou para ele foi a frustração.
O sexo foi normal, ambos tiveram prazer, ele não vai nunca poder dizer que Paige teve um orgasmo, mas no fim ele mesmo tinha dúvidas de que gozar foi suficiente para ele. A partir daí o namoro degringolou e ele se sentiu estúpido por não conseguir fazer dar certo, funcionar. Sexo parecia muito melhor na internet e na imaginação, ele tinha certeza que sim. O fim com Paige foi tão frio quanto o sexo, eles continuaram amigos apesar de tudo e Derek passou a ficar um pouco obcecado por descobrir o que tinha de errado com ele, até conhecer alguém.
Tomy Karl era bonito, charmoso, um pouco mais velho e deixava Derek com a sensação de que o inverno estava realmente quente naquele ano. Ele nunca ligou muito se ele tinha atração por homens ou mulheres, isso nunca pareceu importante, ele foi criado para enxergar e sentir normalidade nisso, as vezes, você só nasce com esse desejo intríseco de amar a todos. Tomy Karl poderia muito bem ser uma desculpa para ele colocar todo o amor em prática, se tudo não fosse mais do mesmo. Derek começou a perceber que o problema era ele, que nunca conseguia se sentir envolvido o suficiente, completo, satisfeito.
Quando Cora cresceu e seus pais começaram a voltar a ser um pouco do que eram quando ele ainda era criança, Derek se sentia feliz por tudo se encaixar melhor. Peter o chamou para passar um verão com ele, seu aniversário de dezoito anos tinha acabado de acontecer e por algum motivo seu pai proibira Peter de aparecer, isso deixou Derek um pouco magoado, Peter queria recompensá-lo, pelo erro de Aaron, Talia não podia impedir, seria bom para Derek conhecer a cidade que ele viveria melhor.
Quando Peter o levou ao Elegance foi uma mistura estranha de choque com excitação. Ele podia ouvir, sentir o cheiro, quase o sabor do prazer que envolvia aquele lugar, era assustador. Seu tio teve paciência, mesmo quando ele explicou o motivo de Derek se sentir deslocado e o lobisomem aceitou mesmo amedrontado tudo aquilo como verdade, porque ele se sentia assim, ele era o que era, não podia mudar, mas naquele momento, as escolhas que ele fez, as pessoas que ele conheceu, isso tudo o mudou e fez dele parte de um jogo, que ele queria parar de jogar.
Derek adorou Paige, ele realmente gostou dela, só como amiga mas ele nunca esqueceria que ela foi sua primeira garota, que ela o ajudou a trilhar seu caminho, descobrir o que ele não queria para si mesmo. Ela foi importante. Kate surgiu em sua vida quando ele tinha dezesseis anos, foi casual o seu encontro com a filha do maior provedor de armas letais do país, mas eles tinham passado sua temporada em Beacon Hills e Derek ainda lembra o quanto ela o fez suar de nervoso.
Os Argent eram conhecidos por caçarem lobisomens há muito tempo atrás, mesmo que hoje, humanos e seres sobrenaturais vivam em paz, ainda existem os caçadores e aqueles que estão de olho, para o caso de algum dos lobos mostrarem suas presas. Derek cresceu ouvindo essas histórias, mas dois anos depois quando ele encontrou Kate no Elegance, ele não imaginou que ela poderia ser uma caçadora, ela cheirava bem e era sexy. Ele não tinha com o que se preocupar, tinha?
A primeira vez que ela o tocou foi em uma sessão compartilhada, não tinha muito o que acontecer, mas foi difícil encarar, era tudo muito novo e demais, mas ela o encantou, era severa, confiante e parecia ter um prazer a mais em humilhá-lo, era bom. Essa mesma sensação de liberdade se desconstruiu na primeira vez que ele atingiu o fundo do poço, seu tio o ajudou, explicou que ele precisava de prática para fazer cenas assim, em público, compartilhadas e com alguém que ele não tinha a menor confiança prévia, ele iria aprender segundo Peter, mas ele acha que não adiantou muito, ele estava fadado a errar.
Kate era a quem ele confiou seu corpo, sua segurança, sua vida e ela fez mau uso disso, em todos os sentidos. Derek era inexperiente demais quando entrou na faculdade e a relação 24/7 não parecia ideial, não era de qualquer forma. Ele acabou esperando a faculdade terminar e aprendeu algumas coisas, ele sabia da existência de um contrato, sabia que ela deveria cumpri-lo, mas ela o fez acreditar que tudo era besteira, que eles se amavam, que ele só precisava confiar nela. Ele o fez, mas não sabia que seria assim, não sabia que ela o manipularia enquanto ele precisasse de descanso, que o faria pensar que sofrer era tudo o que ele precisa, que a dor era sua amiga, que ele pertencia a quem ela quisesse.
– Você ama isso não é filhote? — a mulher murmurou enquanto intensificava o ritmo do plug que preenchia seu buraco, ele não estava autorizado a responder. — Você ama ter algo o penetrando, fazendo de você a minha cadela, não é? — Derek engoliu em seco a sensação de ardor dentro dele, seu corpo estremeceu.
Todos naquele palco tinham autorização para tocá-lo, vê-lo exposto, ferido, nu e fazer dele sua própria diversão, Kate adorava, fazia tempo que Derek não ia a público e ele não se sentia bem agora, não mais. A dor irradiou pelo corpo, ele levou alguns segundos para se dar conta de que seus mamilos foram pinçados por grampos de metal com dentes, beliscando até quebrar a pele e fazê-lo sangrar, era difícil e ele implorava a si mesmo para não fazer nenhum som, só restava chorar, mesmo que fosse mais humilhante ainda.
– Lágrimas filhote? Desse tamanho sendo um péssimo cachorro. — ela puxou um dos grampos, ele choramingou de dor. — Vou ter que puni-lo agora. — ela riu, Derek estava com medo, ele mal conseguia manter sua respiração sob a premissa de uma punição pública, ele nem conseguia imaginar algo pior do que tudo que ele passou.
Ele estava sendo movido, a coleira pressionada em sua garganta um pouco mais apertada do que ele gostaria, o ar sumindo momentaneamente cada vez que era puxado com violência e nem se manter sob as mãos e joelhos ele tinha certeza de que conseguiria, não é a toa que ele caiu.
– Odeio garotos malcriados. — a voz grossa o assustou, não era Kate e ele não conseguia reconhecer.
– Perdoe-me senhor. — ele abaixou a cabeça, mesmo que a venda não o permitisse ver e sentiu um arrepio na espinha ao sentir o plug ser arrancado de seu interior sem cuidado, o gemido de reprovação morreu em sua garganta, reclamar pioraria tudo.
– Eu vou espancá-lo duramente e quero que conte. — Derek assentiu. — Não quero ver uma única lágrima ou vou dobrar a surra, o deixando tão ferido que nem seu maldito potencial de cura vai poder ajudá-lo, me entendeu cadela? — Derek estremeceu, ele não queria apanhar, ele não queria continuar, mas assentiu mesmo assim.
A primeira pancada o fez gritar, foi um misto de susto com a dor se espalhando pela carne que era constantemente abusada, dia após dia sem nenhuma cautela. Ele demorou um pouco para lembrar de contar e o choro quebrou suas estruturas, ele entrou em pânico, não queria ver aquilo ficar pior.
– Um. — ele murmurou e sentiu o próximo açoite feito com um chicote de nove caldas. — Dois. — ele podia sentir a dor irradiar por todo seu corpo quando a terceira pancada cortou-lhe as coxas. — Três. — sua voz era firme apesar de tudo. — Quatro. — ele continuou contando.
O sangue escorria por diversos pontos do seu corpo e no vigésimo quinto açoite ele desmaiou. Ennis apenas parou ao comando de Kate e saiu, ele não ligava para o que a loirea fazia, ele só queria receber o dele no final do dia, um trabalho rentável como carrasco de Derek e outros lobisomens que os Argent mantinha, era o suficiente para pagar as contas e manter suas regalias.
Derek acordou um tempo depois, ele não sabia onde estava, ainda estava de coleira, tinha sangue seco na sua pele e sua cabeça doía, ele ouviu a voz de Kate, mas não conseguiu assimilar, não até sentir a coleira ser puxada e ele ser movimentado para fora da área privada, ele ainda estava no palco, ele nem ao menos o limpou, apenas o arrastou pelo clube, sabe se lá em que áreas, ele nem sabia o nome do maldito clube e o fez subir mais uma vez em um palco. Ele estava tão cansado, o que não faria por um descanso, uma pequena pausa?
O fato é que um submisso comum nunca suportaria a quantidade de dor que Derek vinha sendo submetido, mas ele é um lobisomem adulto, um beta forte e bem construído, não era fácil derrubá-lo, mas até ele se sentia devastados as vezes, ultimamente, o tempo todo. Ele queria chorar, se culpar pelas escolhas que fez, ir contra isso, ele só não tem forças. Com isso, se mantém de pé para sua senhora e aguenta o que tiver pela frente, sua família não se importa, seu tio lhe deu instruções suficientes para ele não ser idiota a esse ponto, ele não quer ser uma decepção. Talvez um dia Kate se livre dele também.
O Nemeton era o melhor clube de BDSM da América e todo mundo tinha o lugar como referência de boa contuda e organização, eles tinham sua reputação feita a pulsos firmes, regras apertadas e conduta ilibada contra qualquer abuso de dominadores contra seus submissos. Derek conheceu algumas pessoas do lugar, quando ainda tinha o controle de sua vida, nos primeiros anos de relacionamento com Kate, mas agora, ele nem sabia que estava ali, não fazia ideia do que aconteceria com ele.
Kate deveria começar pegando mais leve, Derek tinha saído de uma cena severa demais há menos de uma hora e ele não estava bem de saúde para estar ali, mas ela ignorou, limpou superficialmente o sangue de seu corpo com álcool e o fez ajoelhar no chão, enquanto preparava outras coisas. Ele sentiu outras pessoas o tocando, o preparando com cordas e ajustes antes de ser suspenso, ele odiava a suspensão, mas ficou quieto.
Uma voz feminina o fez lembrar de uma amiga de Kate, uma ruiva que ele nunca soube o nome e a outra voz era uma incógnita, um homem que ele nunca teve contato, tinha certeza disso. Kate queria um espetáculo, então suspenso e cansado, Derek não relutou em ser tocado por mãos desconhecidas, mesmo que fosse assustador. Ele merecia, repetiu para si mesmo, tinha sido um péssimo submisso ao desmaiar, estava errado e seria punido.
Ele não podia mais ouvir, os tampões lhe tiraram o privilégio, mesmo que Kate tenha dito que seria bom se ele pudesse ouvir os outros rindo dele, as palavras que Victória – esse era o nome da ruiva que jogaria com ele – tinha a lhe dizer, mas ele era um sub horrível, por isso, não merecia o privilégio. Melhor assim, ele pensava. A visão já tinha sido tirada muito mais cedo, ainda em casa e era reconfortante não poder ver as pessoas que se acumulavam para vê-lo descer ao inferno.
Kate lhe amordaçou, amarrou, suspendeu e deu a ele um tapa estridente no membro ainda flácido, era doloroso, mas isso significava que a cena tinha começado. Ele tentou manter a respiração, até sentir o desespero de algo grande demais o invadindo sem preparação adequada, ele não conseguia não se contorcer, tentar se livrar, afastar-se o máximo que podia, não conseguia e isso o fez chorar, ele não sabia se poderia sentir aquilo, suportar aquela cena até o final e ela tinha apenas começado.
Stiles tinha tido um dia difícil, muitos problemas com fornecedores e sua cabeça estava explodindo quando resolveu descer ao clube para beber um pouco e espairecer, talvez tivesse um bom espetáculo acontecendo, mas ao caminhar pelo clube, inspecionando com interesse cada cena, ele se deu conta de que algo estava errado, que Kate Argent estava sendo dura demais com seu submisso e era doloroso de ver aquilo.
Uma briga de casal em um dos quartos privativos o chamou atenção e mesmo com dúvida ele deixou o salão de jogos e foi resolver esse problema, o jovem adorava seu trabalho, saber que seus trinta anos se aproximavam e ele tinha uma carreira sólida e feliz o deixava estável e o fazia sentir que era capaz de lidar com qualquer coisa, ou não.
Ele voltou ao salão após expulsar e notificar o casal briguento, no calabouço, onde as cenas públicas eram feitas, Stiles viu a maior parte das pessoas envoltas em um único jogo. Ele estava curioso para ver que tipo de cena chamaria atenção de quase todo seu público e preferia que esse tipo de jogo não fosse permitido ali. Ele odiava cenas extremas, era um dominador mais contido, não acreditava em punição como forma única de exploração para seus submissos, isso o deixava avesso as práticas apresentadas ali.
Sentiu o estômago revirar várias vezes ao ver o corpo do sub tremer aos choques ocasionados em seus mamilos pela ruiva, os resmungos e lágrimas sendo despejados a cada estocada fria e dura feita pelo moreno de olhos azuis que ministrava um consolo grande demais para aquele tipo de preparação. Ele podia reconhecer a menina Argent rindo e espancando seu sub, a garota sempre excedeu os limites, ele esperava que ela soubesse o momento de parar, esperava inclusive, que aquela cena já tivesse acabado, há quanto tempo eles estavam ali?
Stiles voltou a dar algumas voltas e foi chamado em seu escritório por Scott, um problema na entrega de alguns objetos em manutenção e ele mesmo a contragosto largou a cena caminhando para atender as suas obrigações. Ele não deveria tê-lo feito no entanto, ele acredita que seus instintos deveriam ser respeitados acima de tudo, porque de fato Kate Argent não sabia a hora de parar.
– Senhor Stilinski. — Isaac entrou respeitosamente, o garoto era um dos submissos mais educado que Stiles tinha conhecido.
– Sim Lahey? — ele levantou os olhos de seus papeis, estava cansado.
– Temos um problema no banheiro. — seu estômago se contraiu, era como se ele já soubesse de tudo.
– Argent? — ele perguntou esperando que não fosse.
– Sim senhor, seu sub está inconsciente no banheiro, foi deixado lá, Kate deixou o clube tem três horas e meia. — Stiles levantou imediatamente.
– Chame Deaton, estou indo para fazer os primeiros reparos, mas ele precisa assistir esse sub, rápido Isaac. — Stiles já estava se movendo para o banheiro.
Ver aquele homem no chão do banheiro, inconsciente, sujo, ferido e ainda preso a cada uma das amarras era revoltante, fazia Stiles sentir nojo e ódio de Kate, ele queria matá-la por um momento, talvez mais que isso. Nada tinha sido removido, ele ainda tinha um console em sua bunda, cordas em todo seu corpo, venda e mordaça, apenas os protetores de ouvido tinham se perdido, mas não houve respostas nas primeiras tentativas de Stiles iniciar algum contato.
– Hey, meu bom menino. — Derek sentiu a proximidade e choramingou. — Eu sei, está tudo bem. Não vou machucá-lo, ok? — o lobo não se conteve e rosnou ao sentir o toque quase fantasma de Stiles. — Tudo bem, eu sou Stiles e estou aqui para ajudá-lo, vou livrá-lo da venda e então você pode me ver, ok? — Derek ainda estava tenso, mas sentia a necessidade de se livrar das cordas, ele estava todo dormente e sensível, por isso assentiu.
Stiles tentou não tocá-lo no entanto, era um momento tenso no qual ele precisava ter cuidado. Qualquer ação mal calculada, Derek poderia se machucar e ele também, por isso, ele tomou cuidado para não piorar o estado psicológico do shifter e apenas tirou a venda com cuidado e quase nenhum contato físico.
– Bom garoto. — Stiles murmurou vendo os olhos do homem brilhando em um azul intenso. — Posso retirar a mordaça? — Derek engoliu em seco e assentiu, sua mandíbula poderia rachar se mantivesse aquilo por mais tempo.
O toque de Stiles era delicado, a pele macia e quente dava o suficiente para ele se sentir acolhido, ele podia cheirar a preocupação e sentir o respeito do homem ao tocá-lo, isso o fez relaxar um pouco.
– Obrigado senhor. — Derek sibilou, sua voz estranha no primeiro momento, fazia tanto tempo que não a usava.
– Você é um bom menino. — Stiles resvalou os dedos na bochecha do maior e o viu hesitar. — Vou me livrar dessas cordas, você pode lidar com isso? — o tom de Stiles era carinhoso, diferente de qualquer um que já tenha usado seu corpo, isso deixava Derek confuso e com um estranho sentimento de conforto, ele não merecia. — Sub, eu te fiz uma pergunta. — Stiles tinha um tom firme apesar de tudo, isso trouxe Derek a realidade.
– Sim senhor, eu posso lidar com isso. — ele abaixou a cabeça, todos os seus músculos doíam.
– Você é um bom menino, vamos tirá-lo dessa bagunça. — Stiles usou uma faca para se livrar mais rapidamente de todo emaranhado de nós, mesmo que ele fosse capaz de desatar cada um deles, não tinha tempo a perder. — Vou massagear os pontos sensíveis, fazer o sangue circular, você está bem com isso? — Derek retesou toda a musculatura. — Eu não vou feri-lo, ninguém mais vai. — o lobo finalmente concordou.
Stiles estava triste com a situação e muito irritado com Kate, ele destruiria toda sua pouca reputação e a faria ficar longe de todos os clubes e reuniões BDSM que ele conseguisse, ele faria de tudo para enxotá-la da comunidade. Como alguém em sã consciência quebra a confiança de um submisso dessa maneira? Ele estava para cortar a cabeça daquela mulher e oferecer em uma bandeja de prata para qualquer cachorro se pudesse.
– O senhor cheira a ódio. — Derek se encolheu ao toque.
– Perdão? — Stiles não tinha prestado atenção.
– O senhor, cheira a ódio e tristeza. — Derek torceu o nariz.
– Você é um lobisomem? — Stiles perguntou um pouco surpreso, os olhos de Derek brilharam em azul elétrico e depois voltaram ao verde avelã, o dom poderia amar aqueles olhos facilmente.
– Sim senhor. — o lobo abaixou o olhar, ato de submissão excessiva demais para o gosto de Stiles.
– Me chame apenas de Stiles, tudo bem? Não sou seu senhor. Qual seu nome? — Stiles continuou a massagear a pele maltratada de Derek, tinha muito sangue seco em todo o seu corpo e um consolo enterrado em seu ânus.
– Hale, eu sou Derek Hale. — ele respondeu baixinho.
– Derek é um nome muito bonito, assim como você. — Stiles o elogiou e alisou seu rosto. — Um ótimo garoto. — os dedos de Stiles bagunçaram seu cabelo. — Você pode se mexer? — Derek tentou e choramingou, tudo doía.
– Eu não sei, isso dói. — ele reclamou sentindo as lágrimas, humilhação e dor se misturaram de um jeito amargo dentro dele.
– Tudo bem, respire Derek. Eu vou tirar isso de dentro de você, apenas continue respirando. — Stiles tentou acalmá-lo enquanto puxava o objeto fora do corpo do lobisomem.
Resmungos de dor eram o suficiente para Stiles saber que aquilo machucava, mas ele não esperava ver a mistura de sangue e detritos correr por ali também, isso o deixou assustado, como Kate poderia fazer isso com alguém que confiava nela? Quanto tempo ele tinha sido submetido a esse tipo de tratamento?
– Eu sinto muito senhor, eu sinto muito. — Derek estava chorando, Stiles sentiu a angústia e quase não conseguiu reagir, fazia muito tempo em que ele se viu travado dessa maneira.
– Hey Derek, tudo bem. Você esteve atado por muitas horas, isso é completamente aceitável. — o lobo estava tremendo e urinando, ele estava tendo um colapso nervoso. — Eu estou indo para abraçá-lo até que você se sinta confortável para mover, tudo bem? — Derek estremeceu. — Você me compreende Derek? — o lobo não tinha coragem de encarar Stiles.
– Estou sujo e fedendo. — ele se encolheu, seu corpo reclamava de frio, ele se sentia humilhado e pequeno.
– Eu posso me lavar depois, quero abraçá-lo agora, eu posso? — Stiles considerou a hesitação e então recebeu um aceno tímido. — Preciso de palavras Derek. — o lobo choramingou envergonhado.
– Sim, por favor, senhor. — Stiles suspirou e se arrastou, trazendo com o máximo de cuidado Derek para o seu colo, ignorando qualquer coisa enquanto acarinhava todo o seu cabelo.
– Shh... está tudo bem agora, meu bem. — Stiles embalava o lobo choroso, soluços de partir o coração, que o deixavam mais enraivecido.
Não demorou muito para Derek estar adormecido em seus braços e Boyd entrar no banheiro com os olhos tapados. Stiles quis rir da pilha de músculos que sempre tinha sensibilidade de compreender as situações e agir de acordo com elas, mas as vezes, ele simplesmente parecia engraçado em suas reações ao que acontecia ao redor.
– Deaton chegou? — Stiles sussurrou.
– Ele vai demorar algum tempo ainda, estava em outra cidade. — Boyd mantinha os olhos tapados.
– Tudo bem, você pode me ajudar a levá-lo? Eu preciso levá-lo para o meu quarto. — Stiles suspirou cansado, não queria ver Derek sofrendo nem mais um minuto.
– Estou indo pegar um cobertor, volto num segundo. — Stiles sorriu, Boyd sempre era incrível.
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