A Garota do Cullen
2 Capítulo I
Capítulo I
Acordei sentindo a minha cabeça pesar, fazia tempos que eu não chorava da forma que chorei ontem, é como se aquelas lembranças dolorosas continuassem martelando na minha mente. Eu tinha apenas dois anos de idade quando meus pais morreram num acidente de carro, eu estava presente, junto com eles, e nada aconteceu comigo. Sem nenhum parente próximo, eu fui enviada a um orfanato, onde vivi até os meus dezesseis anos. Enquanto ainda morava lá, consegui uma vaga pra estudar em um colégio que ficava por perto e felizmente arranjei um emprego de meio período, à tarde. Depois de certo tempo, devido à falta de verbas, o orfanato teve que fechar suas portas, transferindo para outros locais as crianças que moravam ali. Como eu já estudava e trabalhava, pude continuar na cidade por minha própria conta.
Com muito esforço, pude alugar um pequeno apartamento, na verdade estava mais pra quitinete. Apenas uma sala, banheiro, quarto e cozinha. Mudei-me pra lá com meus poucos pertences, e passei um bom tempo vivendo a base de pão e água.Sempre fui muito isolada. A garota com poucos amigos, que prefere a noite, gosta do silêncio, e que tem cada dia como uma luta.
Hoje faz um ano que moro sozinha, todo o dinheiro que juntei enquanto trabalhava e ainda morava no orfanato está guardado, tenho o grande sonho de fazer faculdade de medicina, mas isso é um caso à parte.
Minha situação está ficando cada vez mais apertada, o aluguel aumentou, tenho que comprar alguns materiais do colégio, fora as contas normais. Não quero tirar do dinheiro que venho juntando há algum tempo, tenho planos pra ele. Ontem vi um anúncio no jornal que a empresa Cullen’s está oferecendo vagas de estágios, o salário é ótimo, bem mais do que estou ganhando atualmente, e definitivamente eu tô precisando.
Levantei-me, fiz minha higiene matinal e olhei pra o relógio -08h15min.
- Droga, deveria ter me levantado mais cedo – sai bufando pela casa-.
Iria faltar aula hoje, mas seria por um bom motivo. Eu não podia perder essa oportunidade. O horário pra estar lá é as nove em ponto. Tomei banho, me arrumei rapidamente e depois de pegar minha bolsa saí de casa indo pra empresa.
08h30min
...
08h40min
...
08h55min
...
Eu já não agüentava mais andar, minhas pernas estavam doendo muito e o suor escorria pela minha testa.
Foi quando finalmente eu avistei o enorme slogan: Cullen’s.
Saí correndo em disparada a caminho do enorme edifício, cheguei à frente passei pelos seguranças dando um vago ‘ Bom dia ’ e me dirigi diretamente ao elevador. Andar 13 era o que indicava o anúncio, o último. Olhei rapidamente para o meu relógio:
- Droga, 15 minutos atrasada – murmurei-.
Ao abrir a porta e fui andando em direção à recepção.
- Oi, bom dia, já começou a fazer as entrevistas? – perguntei-lhe educadamente-
- Entrevista? Pra trabalhar nessa ala? – me respondeu com outra pergunta-
- Isso senhorita, Jéssica Stanley- olhei rapidamente em seu crachá- Já começou? Onde eu faço a ficha?
- Interessante – soltou um risinho prepotente- Já começou e já terminou. Não sei se percebeu, mas está atrasada. Uns quinze a vinte minutos para ser mais exata.
- Eu sei, mas é que – passei a mão no cabelo desordenando-o- Será que tem como me encaixar? Não tô vendo muita gente aqui e...
- Mas tinha – interrompeu-me- Eu até poderia te encaixar, o Edward vai passar o dia todo aqui e tenho certeza que ele não se importaria em entrevistar mais alguém. Mas eu não quero te encaixar. Não vou te dar uma ficha. Aprenda a chegar mais cedo.
- Por favor, eu só preciso de uma chance, uma única chance – pedi suplicando.
- Olha aqui, garota, nunca ouviu falar em algo chamado pontualidade não? – disse sarcástica.
- Por favor, é que eu moro longe daqui, fiz de tudo pra chegar cedo – disse praticamente lhe implorando.
- Se você mora longe o problema é seu. Pare de ficar insistindo, até porque, não vejo onde uma pessoa como você – falou olhando-me com desprezo- tenha alguma capacidade pra trabalhar nesta empresa.
- Deixe-me ao menos tentar, eu só quero ter a chance dessa entrevista de emprego, o que custa? – eu estava praticamente chorando.
- Eu já disse que NÃO, você por acaso é surda, garota? – gritou chamando a atenção das poucas pessoas que estavam por perto- Se não for embora agora eu vou chamar os seguranças pra te tirar daqui. Já passou do horário determinado, se atrasou, dançou. Entendeu ou quer que eu desenhe?
Um barulho de passos se aproximando me distraiu:
- Que barulho é esse aqui? O que tá acontecendo?
-Senhor Cullen, a culpa não é minha, é dessa aí – apontou pra mim com desdém- Ela foi o motivo desse barulho desnecessário, chegou atrasada pra entrevista de emprego e quer uma chance, vejo que ela jamais conseguiria uma vaga aqui, visto que a Cullen’s preza a responsabilidade, e se não consegue chegar nem no horário estipulado... – levantou-se se sentindo a dona da razão-
- E por acaso é você quem faz as avaliações, Stanley?
- Bem, me desculpe pela confusão, senhor – abaixei minha cabeça- Com licença.
E me retirei dali.
Fui saindo dali o mais rápido possível. Faltei aula, andei que nem uma condenada pra simplesmente NADA. Aquela secretária podia muito bem ter me encaixado. Ela não passa de uma ignorante. Entrei no elevador e respirei fundo, já estava pensando no longo caminho de volta ao ‘apartamento’.
Já nas ruas, andei e cheguei a casa por volta das dez horas.
- Andar é bom. É um exercício, faz muito bem pra saúde- disse pra mim mesma- Mas não tanto assim.
Passei o resto da manhã no apartamento, assistindo televisão. Olhando para os lados, fiquei reparando o quanto ele era organizado. Simples, mas organizado. Esse tempo em que me mudei pra cá confesso que foi muito difícil no começo pelo fato de não ter praticamente nada. Cheguei a gastar boa parte do dinheiro que havia juntado comprado às coisas essenciais, como cama, fogão, geladeira, cama, mas enfim, consegui me estabilizar e ficar bem organizadamente com um tempo.
Agora, um ano depois, meu apartamento-quitinete se parecia um lar ‘’normal’’, nada muito extravagante ou diferente, mas bem arrumado . Meus móveis eram na cor tabaco com branco. Na sala um pequeno sofá de três lugares, uma poltrona no lado, mesinha ao centro, rack de frente, e um tapete bem fofinho no chão.
No meu quarto tinha uma cama de solteiro encostada na parede, guarda-roupa, e uma pequena cômoda com um abajur.
A cozinha era deliberadamente normal, assim como o banheiro, mas meu ‘cantinho’ era extremamente confortável.
Eu ainda estava frustrada por não ter conseguido a entrevista, fiquei ali, perdida em pensamentos que mal vi a hora passar. Já eram 13h45min, meu turno começa 14 e vai até as 18. Eu trabalho, desde sempre, numa lanchonete que fica aqui por perto. Ela é sempre muito movimentada. Passo a tarde servindo as mesas e, às vezes, dou uma ajuda no caixa pra ganhar um dinheiro extra.
Resolvi comer alguma coisa antes de ir, fiz um sanduíche e suco de laranja bem forte.
Novamente, fui andando.
- Olá, Senhor Louis – acenei- Boa tarde.
- Olá, Bella – acenou-me de volta- Boa tarde, querida. Como vai?
- Vou bem – sorri- E o senhor?
- Nada de senhor aqui, menina- brincou- Eu estou muito bem também.
- Vou me arrumar, e já volto.
Entrei na lanchonete e fui colocar meu uniforme de garçonete, a parte de cima era uma espécie de avental na cor preta, que ia até embaixo da coxa, com uns desenhos de comida em vermelho e branco ao redor, e um short todo preto.
Fiquei servindo as mesas por um bom tempo, o local estava muito cheio.
- Isabella, mesa 7 – gritou o senhor Louis-.
E foi assim que se passou o resto do meu dia, até voltar pra casa.
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