Notas iniciais
Postando novo capitulo, mas explicando logo que esse capitulo é so pra finalizar o capitulo anterior e apresentando outros personagens. Eu também estou com bloqueio criativo enoooorme. Desculpa. Caso os links nao funcionem: Emma:https://yalealumnimagazine.com/uploads/images/4100041/1379016699/lupita_nyong_o_322x322_0_0_460.jpg Louise:http://www.beyondanxietyanddepression.com/sites/beyondanxietyanddepression.com/files/styles/large/public/amanda-seyfried-and-social-anxiety_0.jpg?itok=T8rRpzbI Sam:http://vignette1.wikia.nocookie.net/greysanatomy/images/5/5c/5x05-15.png/revision/latest?cb=20130629195554 Nolan:http://cdn04.cdn.justjaredjr.com/wp-content/uploads/pictures/2014/10/asa-scad/asa-butterfield-scad-rising-star-winner-01.jpg Mike:http://thumbs.dreamstime.com/t/happy-childhood-portrait-happy-smiling-blond-boy-child-kid-preschooler-sitting-chair-indoor-41594745.jpg

A gente sabe quando devemos tomar um rumo na vida. Quando devemos começar a olhar o futuro de forma mais preocupada e pouco otimista. Passei seis anos da minha vida pensando que eu tinha amadurecido e me tornado uma mulher, me tornado a pessoa que meus pais queriam que eu fosse. Eu vi minha melhor amiga se decepcionando com o cara que ela amava e que era meu melhor amigo, percebi que apesar das diferenças de tempo nas tragédias, mas uma vez vi que Carina estava no mesmo barco furado de decepções que eu estava por tanto tempo.

Carina estava sentada o sofá e olhava o papel da cobrança. Estava falando com o advogado e parecia que nada ia bem, ela passava a mão no cabelo e colocava na boca. Fiquei encostada na parede esperando ela desligar, olhando para o chão e vendo que meus pés estavam um pouco azulados do frio que estava. Carina desligou o telefone e prendeu o cabelo.

– É pagar ou despejar, não tem pra onde fugir.

– Eu posso vender meu apartamento no Brasil, vou receber as contas da escola. Podemos juntar com o que você tem e tentar negociar. – falei pra ela indo até o aquecedor, eu estava congelando.

– Eu acho que devo uns cinco mil dólares na conta. O hospital que o João foi levado era caro demais, foram três mil dólares a cirurgia, mil pra pagar as contas dele e mil para o enterro. – ela disse meio alto para que eu ouvisse do quartinho que ficava embutido embaixo da escada – E o dólar esta tão alto que talvez nem dê muita coisa do seu dinheiro.

– Pelo menos teríamos dinheiro para uma negociação. – disse saindo do quartinho do Harry Potter e voltando para a sala. – Posso trabalhar.

– Ana, eu sinto muito que você esteja se sacrificando por mim, se eu tivesse pra quem recorrer...

– Carina, eu disse que vim pra Seattle de vez, então eu preciso de qualquer forma de um emprego. Por ora pode ser de qualquer coisa, até garçonete em bar. – falei dando um sorriso de que ia ficar tudo bem.

– Ana você é formada em pedagogia e quer ser garçonete? – Carina disse e me olhou como se eu não fosse capaz, joguei o cabelo parecendo convencida.

– Posso ser as duas coisas. Vou naquele bar do centro, Rum’s Coffee e pedir um emprego. – falei cruzando os braços.

Carina ficou me olhando por um tempo, me avaliando talvez, ela sabia que era uma loucura minha. Uma loucura virar garçonete ou qualquer outra coisa. Ela trabalhava como enfermeira em uma escola de ensino médio perto de casa, mas por conta das férias, ela estava em casa.

– Vou ligar pra imobiliária colocar meu apartamento a venda e depois perguntar para Miranda se já posso verificar a conta. – falei e não esperei que Carina dissesse alguma coisa, subi as escadas e fui para o meu quarto.

Eu iria fazer as ligações amanhã. Deitei na cama e me senti cansada, uma dor de cabeça começava a aparecer, apenas tirei a calça e me enrolei no cobertor até o pescoço. Pensei se eu estava fazendo o certo em oferecer tanto a Carina, mas ela era a única pessoa que me restava no mundo.

Naquela noite a neve começou a cair e o frio ficou pior. Levantei para vestir um moletom e vi que no parapeito da minha janela estava se formando uma fina camada de neve tão branca e fria. Voltei para a cama e dormi novamente.

Quando amanheceu, parecia que ainda era noite de tão escuro que estava, olhei para o relógio e já eram nove horas. Levantei e fui para o banheiro tomar um banho e a casa parecia um iglu quando saí debaixo da coberta. Coloquei o chuveiro no modo mais quente que podia ter, deixando a agua quente deixar um rastro vermelho na minha pele inteira.

Arrumei-me colocando outra calça jeans, uma blusa de mangas compridas rosa bebê de lã e botas pretas. Desci até a cozinha e Carina não estava lá, havia apenas um recado de que tinha ido até o advogado e depois iria ao banco. Sentei-me à mesa e coloquei meu café, passei manteiga no pão e comecei a comer olhando pela pequena janela da cozinha a neve caindo lá fora. Quando eu terminasse de comer, iria ao bar pedir um emprego e depois ir a uma agencia para reforçar. Eu estava gostando daquele novo rumo que a vida estava me dando de sair de uma zona de conforto e começar a encarar outras coisas. O telefone tocou.

Por sorte ele ficava a poucos metros da mesa me dando o prazer de apenas me esticar e pega-lo para atender.

– Alô – falei no meu inglês e comecei a rir sozinha ao lembrar da música da Adele.

– Ana? – era Miranda.

– Ah, oi Miranda. – voltei ao velho português.

– Olha menina, ainda bem que você deixou esse telefone no e-mail, pois estou tentando te ligar no celular e não consigo. Como você está? – ela parecia não interessada e perguntou apenas por educação.

– Estou bem e você? Ia te ligar hoje mesmo. – dei um gole no meu café e uma mordida no pão.

– Liguei para avisar que já depositei em sua conta o dinheiro. Soube que colocou o apartamento para alugar, já tem alguém lá?

– Hum, não. Ainda não. Por quê? – perguntei tentando apressar a conversa.

– Vou me separar do Tom, preciso de um lugar. – ela parecia triste.

– Sinto muito, Miranda. Entra em contato com a imobiliária e passa um e-mail para mim, talvez eu o coloque a venda também. Vou ficar em Seattle definitivamente. – falei e ouvi Miranda suspirar um ‘’oh’’

– Fique bem, Ana. Entro em contato por e-mail, por favor, gruda no celular. Beijos. – ela disse e desligou.

Coloquei o telefone no lugar e pensei que já tinha resolvido dois problemas em uma ligação. Agora faltava resolver o problema chamado ‘’Conseguir um Emprego’’.

Lavei a louça do café, enxuguei e guardei já que era provável que Carina fosse passar o dia fora e eu não iria voltar para almoçar em casa. Fui pegar meu único casaco preto, peguei umas luvas e um gorro da Carina, confesso que não estava pronta para uma neve logo de primeira Mentalmente acrescentei na lista de compras as luvas, um casaco novo e gorros. Sai de casa com muito cuidado para não escorregar no gelo, conseguia me lembrar do caminho que fiz com Grant no dia anterior e que provavelmente eu não iria encontra-lo, já que ele estaria no trabalho a essa hora.

Seattle parecia se da muito bem com a neve tanto quanto a chuva, tudo fluía normalmente e pra quem era acostumada com um tumulto enorme causado quando chovia, comecei a achar que estava em outro planeta.

Comprei um jornal numa banca perto do mercado onde havia feito as compras e me sentei em um banco que tinha ali para começar a ler a parte de empregos. Quando levantei a visão, vi Grant vindo na minha direção com duas mulheres, ele sorria como um menino que tinha acabado de ganhar um brinquedo tão esperado.

– Olá, Ana. – ele falou forçando um português.

– Oi, Grant. – respondi em português também e ele riu me olhando.

– Está perdida novamente?

– Não. Estou atrás de emprego. Comprei esse jornal para ver a pagina de classificados. – respondi e levantei o jornal.

Grant tinha um jeito de me olhar que me fazia sentir-se importante. Ele olhava como se estivesse estudando a pessoa e sorria para a gente como se a vida não fosse tão horrível.

– Bem, creio que você não almoçou ainda. Está a fim de ir almoçar com a gente? – ele disse e olhou para as meninas. Olhei para as duas mulheres, uma era baixa, loira, com olhos azuis iguais os de Grant. A outra era um replica perfeita da atriz Lupita Nyong’o.

– Se você for educado o suficiente para me apresentar suas amigas, eu irei sim. – respondi e as meninas riram junto comigo.

– OK. Essa é Louise James – ele apontou para a loira. – E essa é Emma Lindsay. – e depois apontou para a negra.

– Eu sou Ana Costa. – disse sorrindo para as meninas.

– Então vamos? – Grant se levantou e me puxou, ele foi na frente com Louise enquanto eu e Emma víamos atrás.

– Então você é brasileira? – ela perguntou.

– Sim, você conhece?

– Fui uma vez quando era criança e gostei muito. Tenho muita vontade de voltar, mas essa vida adulta não me deixa pisar nem os pés fora de Seattle. – ela disse rindo e eu acompanhei.

Grant e as meninas me levaram até o Rum’s Coffee, que parecia estar bem lotado. O homem com cara de nauseado, Sam, veio até nossa mesa nos atender.

– Grant e suas meninas. — ele disse levantado o bloco de papel e a caneta.

– Esse titulo de que tem muitas mulheres ele só leva aqui, Sam. – Emma disse e Louise riu.

– Você é muito engraçadinha, Emma. – Grant disse revirando os olhos e Emma olhou para mim em um riso silencioso, do qual eu não entendi.

– O que vão querer hoje? – Sam perguntou, ele me olhou e talvez se lembrasse de mim e das minhas sacolas rasgadas.

– Salada com frango grelhado. – Louise disse e Emma repetiu que queria o mesmo.

– Purê e bife. – Grant disse e depois todos olharam pra mim. Eu não sabia o que era um almoço típico de um americano, eu geralmente almoçava arroz e feijão.

– Tem macarronada? – perguntei. Sam apenas balançou a cabeça que sim. – Então vou querer.

Quando Sam saiu voltei a olhar o bar. O lugar estava lotado, havia varias pessoas em grupo do tipo em que eu estava naquele momento. Jovens estagiários, estudantes e alguns casais que pareciam mais preocupados com o celular do que com a comida.

– Então Ana, você veio pra ficar? – Emma perguntou me tirando do transe. Percebi que Louise me olhava meio de lado, como se estivesse desconfortável comigo.

– Sim. É, ia ser apenas algumas semanas, mas minha amiga perdeu o noivo e está com problemas. – olhei pra ela – Então preferi ficar.

– Sinto muito pelo noivo da sua amiga. – Emma disse e pegou o celular que estava vibrando. – É o John. Com licença.

Dei espaço para se levantar, ficando apenas eu, Louise e Grant na mesa. Um silencio horrível estava presente, Louise mexia no celular e fazia cara de incomodo toda vez que eu me movimentava.

– Eu preciso comprar uma coisa ali no mercado antes que a comida chegue. – ela se levantou e saiu.

– Ela parece que não gostou de ter uma quarta pessoa no almoço de vocês. – falei quando ela saiu do local.

– Ela é chata mesmo. Só ando com ela porque Emma é amiga dela e eu gosto muito da Emma. – Grant disse e olhou pela janela Louise atravessando a rua. Percebi que havia alguma coisa que fazia ele e Louise se aguentarem apenas por educação e por causa de Emma.

– Entendo. Grant, você conhece alguma agencia de empregos? – perguntei me inclinando um pouco para falar.

– Hm, não. Mas você pode pedir ao Sam um emprego. – ele disse alto quando Sam trouxe os pratos.

– Não estou contratando ninguém. – ele disse quando colocou meu prato na minha frente.

– Eu sou ótima com pessoas. Eu era professora no Brasil. – respondi rapidamente.

Ele colocou a bandeja por baixo do braço e jogou o pano sobre o ombro. Ficou me avaliando e olhou para Grant.

– Ok. Eu só preciso de você três dias na semana, pois os outros dias é meu irmão que fica aqui. Então você começa na segunda e eu passo todos os horários que você tem que está aqui. – ele disse e revirou os olhos. – Me deve uma, Shepherd.

Olhei sorridente para Grant que sorria de volta. Não pude acreditar que havia conseguido meio emprego, enrolei o macarrão no garfo e coloquei na boca morrendo de felicidade. Carina iria falar horrores, mas eu não estava nem ai, eu consegui um emprego com menos de uma semana em Seattle.

– Espero que você não esteja me ajudando com segundas intenções, Grant Shepherd. – falei bebendo meu suco em seguida.

– Eu só conheço você tem dois dias. Você se acha muito, Ana Costa. – ele riu e voltou a comer.

Emma voltou e Louise chegou quando já estávamos terminando de comer, ela pediu que Sam colocasse a comida dela pra viagem porque havia perdido a fome e iria comer depois no trabalho. Ficamos conversando um pouco até que deu a hora deles voltarem ao trabalho, fiquei ali lendo meu jornal, procurando algum sinal de outro emprego.

Sam recolheu os pratos e eu pedi um café. Na hora que me levantei para ir embora, uma criança esbarrou em mim com um copo de suco de uva, espalhando aquele liquido roxo por toda minha blusa rosa.

– Você está bem? – me abaixei para ficar da mesma altura do menininho. Era o mesmo menino que estava com o rapaz loiro do dia anterior. Ele balançou a cabeça que sim.

– Mike! – um adolescente de cabelos pretos, óculos de grau e um jeito um pouco desengonçado surgiu logo atrás e fez o menino virar-se para olhar. – Moça, me desculpa. Ele saiu correndo na hora que estava lavando as mãos no banheiro e eu não vi. – Ele ajeitou os óculos e segurou a mão do pequeno.

– Tudo bem. Ele é criança, não tem problema. Ele é seu irmão? – perguntei passando a mão no cabelo do menino pequeno que era tão loiro quanto o do irmão que era tão preto.

– Sim. Ele só tem quatro anos, nome dele é Mike. – ele disse – E o meu é Nolan. Nolan e Mike Webber. – ele disse meio apressado.

– Ana Costa. – olhei para Mike e sorri. – Se comporte com seu irmão, pequeno. Não se preocupe com blusa, está tudo bem.

Nolan ficou vermelho de vergonha, sorriu pra mim e foi até uma mesa se sentar com o irmão. Observei os dois esperando que o homem loiro aparecesse para ajuda-los, mas hoje era apenas as duas crianças. Não sei por que fiquei tão interessada neles, era muito comum ver pais novos hoje em dia. Tentei não encarar muito para não parecer uma louca que sequestra crianças. Coloquei meu casaco e fui pra casa.

Carina não tinha chegado em casa, mas tinha um recado na secretaria eletrônica dizendo que estava na casa de uma amiga e que talvez não voltasse mais hoje. Subi, tomei um banho e coloquei logo a blusa pra lavar, não demorei a ir dormir. E naquela noite eu sonhei que era mãe de dois bebês, um de cabelo tão dourado quanto o sol e outro com o cabelo tão negro feito a noite.

Notas finais
Obrigadaaa por ler!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.