A Garota da Profecia
1 Prólogo
Notas iniciais
Tarde da noite, Arquimídia.
Um vento gélido soprava como um triste lamento em meio ao silêncio incomum que fazia naquele território de guerras; era o único som presente naquela noite quieta e sem vestígios da conturbação diária existente entre anões e elfos.
De repente, como que incomodado com a quietude do lugar, o próprio vento revoltou-se com uma força de arrancar casas do chão, concentrando-se em um único ponto que quebrou o espaço tempo como vidro, fazendo surgir um buraco negro.
Mãos ensanguentadas esticaram-se para fora do buraco, carregando uma garota desacordada e igualmente ensanguentada.
– I’m so sorry, lady Deviron... (Eu sinto muito, senhorita Deviron…) – uma voz masculina falou de dentro do portal, pousando a garota no chão tão cuidadosamente quanto era possível.
O ser de traços humanos mais traços não humanos gemeu baixo quando choques machucaram os seus braços ao entrar em contato com a atmosfera daquele lugar, embora a garota permanecesse ilesa.
Assim que ela alcançou o chão, o ser retraiu os braços para dentro da escuridão, envolvendo-os e protegendo-os junto ao corpo, enquanto olhava angustiado para a garota machucada.
– I’m really sorry, lady Deviron...! (Eu realmente sinto muito, senhorita Deviron…!) – o não humano falou com um sofrimento indescritível tingindo a sua face, algo muito além da dor física, mais profundo e incomparavelmente mais doloroso.
– Khr...! – ele ofegou quando as extremidades do portal estremeceram, contraindo-se, dando sinais de que poderia fechar-se a qualquer momento. Era difícil para aquele ser manter o portal aberto nas condições frágeis em que estava.
Tentaria mantê-lo por mais algum tempo.
– Lady Deviron... I can’t help you more than this... (Senhorita Deviron... Eu não posso ajudá-la mais do que isso...) – ele disse enquanto retirava a o casaco que trazia nos braços e cobria o objeto de suas preocupações, submetendo-se aos choques do ar – From now on... The lady is by herself. (De agora em diante... A senhorita está por si mesma.)
Lágrimas escorreram pela face do não humano enquanto ele colocava os últimos pertences ao lado da garota, ignorando os choques da atmosfera, e por mais alguns poucos minutos dolorosamente insuficientes ele ficou ali, apenas observando aquela que tanto estimava. Então, um segundo antes de o portal se fechar, ele sussurrou:
– Aisha protects you. (Aisha a proteja.)
Então o buraco negro simplesmente desapareceu como se nunca tivesse existido, deixando para trás o lamento do vento, uma garota ensanguentada e um chicote esverdeado.
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