A Garota da Ilha Deserta- Fedemila
2 Capitulo 2
Notas iniciais
(Por Federico)
Abri os olhos devagar, acima de mim vi o teto que parecia ser de palha. Fui tentando em lembrar aonde eu estava, e logo lembrei que o navio da família real naufragou. Mas como eu fui parar ali? Ao virar a minha cabeça vi uma garota loira, olhos meio verdes ou azuis segurando uma lança em minha direção.
Automaticamente fiquei em pé em cima da cama e ergui as mãos em sinal de rendição.
– Quem é você?- Perguntou ela.
–Sou Federico Pasquarelli, o filho do Rei Paulo.
– O que veio fazer aqui.
– Juro que tudo que eu menos queria era estar aqui.
– Então porque está?
– O navio em que eu estava afundou.
– É, eu me lembro disso.
– Acho que seria melhor se conversássemos sem você ficar com essa lança apontada pra mim.- Ela abaixou a lança devagar, desconfiada.
– Prazer.- Eu disse indo saindo de cima da cama e me aproximando dela. Mas ela se afastou.
– Não vou te machucar, eu prometo. E... você quem é?
– Ludmila.
– Ludmila de que?
– Ludmila, só Ludmila.
– Mas isso é impossível. A senhorita tem que ter um sobrenome.
– Se eu tenho não me lembro.
– Como não se lem... O que aconteceu com a senhorita? Como veio parar aqui?
– Não me lembro.
– Nada?
– Nada. Só meu nome e a minha idade, e que acordei aqui, eu tinha um arranhão no braço e minha cabeça doía muito, acho que a bati. Eu era muito pequena.
– E quantos anos você tem?
– 22 e você?- Ela dizia sem sorrir, muito séria. Ainda estava com medo.
– Eu tenho 23. Foi a senhorita que me salvou?
– Mais ou menos. Você foi o único que conseguiu nadar até a ilha, eu te trouxe até a minha casa e cuidei dos seus ferimentos.
– Obrigado.
– De nada.
– Olha, não tem nada pra comer por aqui?
– Tem, como acha que sobrevivi?- Hum, garota espertinha.
– Bom, e o que tem?
– Frutas?
– Só?
– Só.
– A senhorita não come animais?
– Não! Tenho pena deles.
– Então... a senhorita pode me levar a algum lugar que tenha frutas.
– Me siga e tenha cuidado!
Ela pegou a lança novamente e saímos da casa e caminhamos um pouco, até que chegamos em um lugar, onde havia muitas árvores com muitas frutas.
– Pronto. É aqui.
Depois de comer começamos a caminhar para o meio daquela selva sem fim.
– É muito perigoso andar tão pra dentro dessa floresta senhorita, podem haver animais selvagens.
– Fique tranquilo. Conheço tudo por aqui.
– Senhorita não se mexa, tem uma cobra bem á sua frente. Só um segundo.- Tirei minha espada e entrei na frente de Ludmila.
– Pare com isso, ela não fará nada!- Disse ela tomando a espada da minha mão.
– Mas senhorita..
– Me chame de você.- Ela disse desviando da cobra e caminhado normalmente.
– Desculpe a franqueza, mas a senhorita... quer dizer, você é uma garota atrevida.
– Não sou, não. Convivo com esse bichos a mais de 10 anos, sei que se não incomoda-los e ele não fará nada pra você.
Puxa, essa garota era muito mais esperta do que parecia! Continuamos a andar, e um pouco cansado eu disse:
– Pra onde está no levando?
– Você tem que ver uma coisa.
Depois de andar um pouco mias, percebi que estávamos subindo, o chão se inclinava e eu só queria saber onde íamos parar.
– Olha só.
Dei mais uns três passos e saí numa pedra, muito alta. Ao olhar para baixo e para frente se via o mar e uma parte da ilha.
– Puxa!- Eu disse admirado.
– Não é legal!
– É... lindo.
– Eu sei.- Ela disse se sentando na ponta da pedra. Eu me sentei ao seu lado e ela me perguntou:
– Por que você usa essas roupas?
– Porque... sim.- Eu disse sem saber exatamente o que responder.
– São tão esquisitas.
– Você usa roupas iguais... só estão um pouco rasgadas.
– Tento usar a mesma roupa desde os cinco anos, remendei muitas coisas, com peles de animais e essas coisas, senão elas não iriam servir.
– Bom, pelo jeito você rasgou as minhas roupas também.
Ela sorriu. Aquele era o sorriso mais lindo que já vi.
– Já estamos juntos a mais de duas horas juntos e você não tinha sorrido nem uma vez, só agora você sorriu. E por sinal, seu sorriso é muito lindo.
Ela olhou pra baixo e corou. Eu ri e ela riu um pouco também.
– Sabe, você me admira muito. É quase extraordinário o fato de uma garota de 5 anos conseguir sobreviver por tanto tempo numa ilha deserta.
– Pois é. Me conte como é onde você mora.
– Bem, o lugar se chama Itália um grande reino, onde meu pai, o Rei Paulo, manda e desmanda em tudo.
– Se seu pai é rei, então você é um...
– Príncipe, sim.
– Não sei porque, mas as vezes lembro de escutar uma historia onde há príncipes, princesas, feiticeiras, essa coisas.
– Se chamam contos de fadas, são historias fictícias.
– Mas você é um príncipe, então não deixa de ser tão irreal assim.
– Mas os rei das histórias salvam suas princesas, as libertam de bruxa, se casam e vivem felizes para sempre, essas coisas. Mas na vida real, não é bem isso, só governamos o reino depois que o nossos pais morrem e temos que encontrar uma rainha, escolhida por quem estiver responsável por você.
– Mas você não tem que amar alguém pra se casar com ela?
– Isso é outra mentira que contam nos contos de fadas, nos casamos somente para ter herdeiros do trono, o amor é totalmente sem importância.
– Você já amou alguém?
– Não, até hoje não. E você?- Pergunta idiota né!
– Não também. Pra falar a verdade eu nunca interagi com outra pessoa, não que eu me lembre.
– Para a primeira vez você está se saindo muito bem.- Ela riu de novo.
– Obrigado. Você é muito legal.
– Você também.
– Vamos dar um mergulho do mar?
– Vamos.
....
Fale com o autor