A Garota Gelo
17 Capítulo 18
Notas iniciais
_ Senhora Melissa, eu quero que você me explique imediatamente o que acabou de acontecer naquela sala de teatro. – Diz Milena totalmente exaltada.
_ Simples. – Respondo limpando qualquer restígio de lágrimas que tenha ficado, e tentando manter a calma. – Eu simplesmente não quero participar mais da banda.
_ É por causa do Andrei né Mel? Aconteceu alguma coisa na casa dele, e você não quer me falar. Você está gostando dele. – Afirma ela, aquilo nem era uma pergunta.
_ Claro que não. – Respondo rápido demais.
_ Há, eu sabia, Mel, qual é o problema de estar gostando de um garoto? – Pergunta ela colocando suas mãos em meu rosto e limpando as lágrimas que teimavam em querer cair.
_ Todos os garotos são iguais, eu não vou conseguir sofrer novamente. – Digo.
_ Mel, todos nós estamos pré destinados a sofrer, faz parte da vida, mas tem sofrimentos que valem à pena, pois no final iremos conseguir alcançar aquilo que sempre sonhamos ter, o amor.
_ Não, não, não, não, você não irá conseguir me convencer com esse papo filosófico, não dessa vez. – Falo me desvencilhando dela, e saindo daquele banheiro abafado, eu precisava respirar entrar em contanto com o ar puro, hoje tinha sido um dia muito cheio.
Vou à diretoria e peço uma liberação, dizendo que estava com muita dor na minha perna quebrada e estava precisando ficar em repouso, ela concorda.
Como eu estava com muita vergonha de ter que ir lá na sala pegar os materiais, peço para um garoto que passava por ali, que me ajuda com prontidão.
Saio da escola e vou em direção a uma praça que ficava a dois quarteirões dali, sento-me em um balanço que estava abandonado havia algum tempo, e começo a balançar devagarzinho, ouvindo o barulho do ferro enferrujado, e sentindo a areia entre os meus pés.
Aquilo era muito bom, começo a balançar mais alto, e mais alto, era como se eu tivesse uma mínima chance de poder tocar no céu, é claro que o gesso estava incomodando, mas quem se importava?
Fecho os olhos e sinto os ventos chicoteando em meu rosto, e como sou idiota resolvo soltar os meus braços do ferro e é claro que eu acabo caindo.
Fico deitada no chão, sentindo cada parte do meu bumbum doendo.
Até que sinto alguém parando do meu lado e perguntando:
_ Você está bem?
Abro os olhos e levo um susto, sim, era ele, Lucas, o garoto mais desprezível no mundo, o cara que tinha estragado a minha vida, e feito com que eu passasse a odiar todos os garotos que eu visse na minha frente.
Ignoro o que ele tinha perguntado, pego as minhas coisas e saio andando.
_ O quê Mel? Não irá mais falar comigo? – Pergunta ele me seguindo com a maior cara de inocência, ele me dava repulsa, isso sim.
_ Como assim você quer que eu volte a falar com você como se nada tivesse acontecido? – Pergunto em resposta. – Praticamente vários meses se passaram e é agora que você vem falar comigo, esquece, eu não quero saber de você, eu tenho nojo de você, aliás, a sua existência me enoja, eu quero é que você se exploda, otário. – Viro-me, respiro fundo e começo a caminhar, até que ele me puxa pelo braço e me dá um beijo, o empurro com todas as forças possíveis e dou um tapa em sua cara, pego a minha muleta e meto em sua parte sensível, o fazendo cair de tanta dor. –Nunca. Mais. Faça. Isso.
Deixo-o para trás e vou para casa, como se nada daquilo tivesse acontecido.
Era só o que me faltava, além de ter que ficar brigada com os meus melhores amigos, ter saído da banda, agora tinha mais essa.
Mas eu não podia ficar me lamentando, a patricinha rebelde iria voltar.
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