Hey Mama! Look at me

I'm on my way to the promise land.


I'm on the highway to hell

Meu nome é Drew Stardust . Sou órfã. Tudo o que sei dos meus pais é que eram fanáticos por David Bowie, e que quase foram presos quando tentaram me registrar como "Ziggy Stardust", mas só conseguiram colocar o "Stardust". Eu não entendo o porquê deles terem brigado tanto para me registrar e depois me jogar num orfanato. Tenho 21 anos. Infelizmente, não tenho uma vida normal como a maioria das garotas de 21 anos. A única coisa legal que eu faço de vez em quando é ir a shows das bandas que gosto. Não tenho tempo para estudar, namorar, nem nada disso. Pra começar, não moro em lugar nenhum.

É sério. Eu vivo de um lugar pra outro, dentro do meu Mustang 1968 roxo escuro. Hoje eu posso estar em Nova York. Daqui a três dias, posso estar na Carolina do Norte. Depende muito de quando e onde sou solicitada para o meu trabalho. Trabalho com coisas sujas, e profissionais como eu só se encontram entre o submundo das cidades. Você tem que ir à pessoa certa, no bar certo. Ou ter pessoas conhecidas que já usufruiram desse tipo de serviço; nesse caso, é só pegar o telefone com elas.

Sei que a descrição está muito estranha. Mas não, eu não sou uma prostituta.

Uma caçadora.

É isso o que eu sou.

Não daquele tipo de caçador que você vê na tv, que andam com botas e roupas especias pra caça, e saem atirando em pobres animais indefesos.

Eu mato demônios, djins, cães do inferno, poltergeists, e toda a sorte de criaturas do mal que te impedem de dormir. Entrei nessa vida pensando que seria melhor do que ficar em um orfanato. Como estava enganada. Se você um dia tiver a opção de virar caçador, fuja. Para o mais longe que você puder. Essa vida não é pra pessoas com mente fraca.

Tudo começou há mais ou menos 4 anos. Eu estava em um beco escuro, fugindo do orfanato onde eu vivia. Ouvi uns passos e olhei pra trás, mas não tinha nada. Quando olhei pra frente, lá estava um cara pálido que nem um fantasma, com o rosto magro e olhos vermelhos, com muitos dentes afiados na boca aberta. Só consegui visualizar isso em menos de 5 segundos, porque depois disso ele pulou, mais precisamente com seus dentes pontudos na direção do meu pescoço.

Achei que estava alucinando. O cara parecia um vampiro. Naquela situação desesperadora, com a adrenalina correndo em minhas veias, só pude supor que era verdade, porque eu não conseguia encontrar outra explicação lógica (não que isso fosse lógico). O vampiro estava tão perto de me morder, que eu me sentia morta antes de morrer. Quando fechei os olhos esperando o momento derradeiro, só senti um esguicho de sangue no meu rosto e as mãos que segundos antes quase arrancavam meus braços se afrouxando. Ele tinha acabado de perder a cabeça. Digo, literalmente. O vampiro havia sido decapitado.

Não acreditava na minha sorte. Olhei em volta para ver se havia sido um raio, ou uma faca ninja que estava acidentalmente voando por aí. Só o que eu vi foi um homem com uma faca do tamanho de um bastão de beisebol. O cara que tinha acabado de salvar minha vida.

Atordoada como estava, demorei a perguntar o nome dele. Um homem de estatura mediana, devia ter uns 40 e poucos anos. Devo admitir que ele não era feio. Se eu fosse do tipo pegadora-de-tios, até que ficaria com ele.

- Com licença — eu disse — ,mas qual é o seu nome? Aquela coisa era um vampiro mesmo? Ou alguém colocou cogumelos alucinógenos na minha comida?

- Um: você não comeu cogumelos. Dois: era um vampiro realmente. Saia do escuro e vá pra casa.

- Mas eu não tenho casa. Moro num orfanato. É terrível. Preferia estar no inferno a voltar pra lá.

O homem misterioso se voltou e disse com uma voz increvelmente sombria:

- Não diga isso. Espero que você nunca tenha que ir ao inferno. Vai por mim.

Aquilo me assustou.- Tá, mas qual é seu nome? Por favor, me deixa ir com você? Você pode me ensinar a caçar vampiros.

- Existe muito mais por aí do que vampiros, menina. Essa vida não é fácil.

- Por favor! Qualquer coisa a voltar pro orfanato!

- Tudo bem, mas não diga que eu não avisei. Depois que você entrar nessa, nunca mais vai sair. Entendeu?

- Entendi.

Tudo bem. Você pode estar pensando que eu estava louca, indo pra um mundo cheio de monstros com um homem que acabei de conhecer... mas, ei, vocês já ouviram falar em desespero?

Estávamos chegando perto do seu carro, quando me lembrei que ainda não sabia o nome do homem.- Sem querer pertubar muito, mas... eu ainda não sei seu nome.- John.Eu dei uma risadinha. — Na sua terra não se usa sobrenome, não?- Winchester. John Winchester.

Três anos depois disso, John foi embora. Ele estava caçando um demônio que havia matado sua esposa muitos anos atrás. Por isso que ele virou caçador.

- Stardust, eu tenho uma pista quente sobre o Olhos Amarelos. Vou encontrar meus filhos. Essa caçada tem que terminar em família.

- Tudo bem, John. Eu entendo. Boa sorte.

- Qualquer coisa, ligue para o meu celular. Se eu não puder atender, na mensagem eu vou deixar o número de um dos meus filhos. Acho que você sabe o suficiente pra se virar, não?

Revirei os olhos. Ele ainda duvidava da minha capacidade. Se há alguma coisa que eu nasci pra fazer, foi ser caçadora.

- Relaxa, John. Eu vou ficar bem.

- Ok, então. Mas se houver qualquer problema...

- ... saia do caminho e vá para o Bobby. Eu sei. Você tem que se concentrar pra sua caçada.

- Me sinto meio mal em deixar você sozinha. Tudo bem que eu te ensinei o que ensinei pros meus filhos, mas você tem só 20 anos.

- Olha, você quer mandar o Olhos Amarelos pro quinto dos infernos, não quer?

- Quero.

- Quer que seja em família, certo?

- Certo.

- Você me ensinou tudo o que sei. Mas eu tenho um pontapé impressionante. Será que eu vou ter que usá-lo pra mandar você ir logo?

Foi o suficiente. John riu e me disse:- Tudo bem! Estou indo! Você é durona, Drew. Agora tenho certeza que você vai ficar bem.

Fiquei surpresa; John nunca me chamava de Drew. Só de "Stardust".

- Tchau, John. Caso a gente não se veja, muito obrigada por me acolher.

- Não fale isso ainda, Stardust. Você ainda não viu as maldições dessa nossa profissão.

E com essa declaração feliz, ele entrou em seu carro (nunca gravei o modelo do carro dele; embora ele sempre falasse do Chevy Impala 1967 que estava com seu filho, Dean). Eu não sabia que essa seria a última vez que veria John Winchester, meu mentor e amigo.

Notas finais
O nome da música é Highway To Hell, do AC/DC.
Não esqueçam dos reviews ;)