A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

49 VL - OS DIAS SEM VALERIE - POR HENRY - Capít. 47


Notas iniciais
Olá Pessoas Maravilhosas da minha Vida! Capítulo 47. Capítulo Cheio de emoções e com a Reforma do Chalé. Gratidão ao Bruno Monjardim, colega de Faculdade que tem me dado um enorme apoio para a reta final. Gratidão a todos os leitores e leitoras, pelo carinho de sempre. Em especial, a vocês Paulo César, e Mr. Magno por seu carinho nos comentários, vocês têm me surpreendido Indico minhas outras Fanfics: O Triunfo da Esperança - Minha Fanfic totalmente Petniss do Universo Jogos Vorazes: http://fanfiction.com.br/historia/333216/O_Triunfo_Da_Esperanca_-_Por_Peeta_Mellark Do Inferno ao Paraíso - Por Henry Lazar - Minha Fanfic Totalmente Henlerie do Universo A Garota da Capa Vermelha: http://fanfiction.com.br/historia/373132/Do_Inferno_Ao_Paraiso_Por_Henry_Lazar/

POV HENRY

Nunca deixar um local foi tão difícil para mim. Sair daquela estação estava me consumindo.

A cada metro que a locomotiva se afastava, um pedaço do meu peito parece que era arrancado. Até que ficasse completamente vazio. Só preenchido por uma dor, a dor da saudade.

Eu sabia que seria difícil ficar sem Valerie, mas, não esperava que fosse tanto.

A saudade e a ausência dela, faz doer cada parte de mim.

Saio da estação arrasado, Camelot percebendo meu estado, mantem-se quieto para me dar a privacidade que preciso.

Quando estou próximo de deixar a Grewnville, em direção a Daggorhorn, encontro Araon, Érion e tio Heitor a me esperarem na divisa de Grewnville com a estrada que corta pela floresta.

Ao olharem para mim percebem exatamente como estou, visto que, estou com Camelot na cabine guia.

Assim, tio Heitor desce do cavalo, e coloca-o para descansar. Os rapazes fazem o mesmo e cumprimentam a mim e a Camelot, e o chamam para dar uma volta. Creio que para dar mais privacidade a mim e tio Heitor. Apesar de estarem mais calmos com o que houve pela manhã a Érion, percebo que, o clima ainda é de introspecção.

Assim que todos saem, tio Heitor senta-se comigo na carruagem e diz...

— Grandão, mais uma vez nos perdoe por que não foi possível acompanhar vocês. E como foi?

— Não se preocupe tio, eu entendo sim. E foi bem na medida do possível, muito difícil para nós dois, na verdade.

— Eu imagino. Bem, viemos nos encontrar com você por dois motivos, um foi por que Érion disse que vai com você para Daggorhorn, e outro é que eu quero saber o que é preciso para adiantarmos a obra. Primeiro, está pensando em começar que dia?

— Bem tio, amanhã mesmo, se for possível. Pois, amanhã já tenho entregas programadas para logo cedo e as coisas que faltam terei de vir aqui durante a semana para resolver.

— Falta muita coisa?

— Não tio. Apenas detalhes, e outra coisa que preciso, é ir até ao pessoal do paisagismo para definir que dia começarão a mexer no terreno, para poder estar preparado até o casamento.

— Bem eu posso sugerir uma coisa?

— Claro tio.

— Passa tudo o que quer por escrito para mim, que amanhã mesmo, eu providencio e te poupo de vir aqui, para não perder tempo e adiantar o que pode por lá. E mais, quer que eu já libere os homens amanhã mesmo?

— Sim tio, claro, eu vou agradecer. E vou chegar lá agora e arranjar lugar para hospedá-los, pois, acho mais viável só liberá-los para irem para casa só nos fins de semana.

— Filho quer um conselho? Fica direto com eles. Eu até prefiro, pago os extras sem problemas. Pois assim, adiantaremos a obra ainda mais. Corta direto Henry. Pois, é ganho de tempo.

— Bom, para mim tudo bem. Eu me preocupo com eles, pois, eu vou estar disponível. Sem Valerie aqui estou à disposição desta reforma tio.

— Então, por mim está combinado. Hoje mesmo, eu já preparo eles, vou escolher justamente aqueles que já gostam de um extra, geralmente são os mais produtivos. E mais, Grandão, o que precisar, eu estou por aqui, você sabe. Eu só não poderei me ausentar muito, pois, como os rapazes estarão com você, eu preciso ficar, para cuidar de tudo aqui. Porém, estou a sua disposição para qualquer coisa que precisar.

— Claro tio, eu sei, e muito obrigado! Eu vou fazer a lista agora então, já que o Senhor sugeriu. Espere um pouco.

Pego o meu bloco de anotações e listo as tarefas que teria de realizar em Grewnville e dou ao tio Heitor.

E algo passa em minha mente lembrando-me que preciso de mais um favor dele, e digo...

— Tio Heitor, aproveitando o momento, eu gostaria muito de solicitar-lhe um favor.

— Claro Grandão, o que precisar.

— Primeiro eu preciso saber, o senhor vai ao Reino esta semana, como de costume?

— Claro, embora eu vá em um dia diferente do normal. Pois, como houve a iminência de Mildrad também estar nos observando, eu vou no mesmo dia em que a sua tia e Sophie vão. Pois, elas têm algo para resolver lá também esta semana. Então, ao invés de ir agora no início, eu provavelmente irei mais próximo do fim da semana com elas, pois, eu não as quero saindo sozinhas por enquanto, filho. Mas, por que? Do que precisa?

— Eu estou precisando fazer uma reserva no Bran Castle Hotel tio.

— Sério?

O tio disse surpreso.

— Sim, é para a minha lua de mel. Como ainda não tenho uma data definida, eu irei fazer a reserva para o final do próximo mês, deixando um valor calção, para caso haja necessidade de movimentar a data, todos os transtornos sejam contornados e remunerados de forma justa.

— Hum... Muito bem pensado. E nossa Grandão, que escolha! É o melhor Hotel do Reino. Eu já levei sua tia lá, logo que inaugurou, e nós precisávamos renovar nossa lua de mel. – Ele diz aquilo sorrindo. – E devo dizer, estar hospedado lá, é literalmente viver um sonho, como diria sua tia, um “Conto de fadas”. – Agora rimos os dois.

— Pois é tio, Valerie tem muita vontade de conhecer o Reino. E ao mesmo tempo, ela é apaixonada pelo tipo de arquitetura existente lá. E ainda não conhece nada além de Daggorhorn e Grewnville. E mais, é o tipo de lugar que combina com ela, quero poder dar a ela a oportunidade de desfrutar do que sempre foi privada tio, pela sua condição. Ela merece. Assim, eu resolvi unir o útil ao agradável. Por que além de tudo, eu acho o local muito propício para uma lua de mel.

— Você está corretíssimo! Em tudo o que falou, em cada palavra. Faça mesmo tudo por ela Henry, ela realmente merece. E sabe o que é mais interessante que consigo observar nela?

— O quê?

Eu pergunto curioso.

— Que embora ela fique feliz com estas coisas como qualquer mulher, é óbvio. Para ela não faz diferença, a questão dela é estar com você, não importa onde. Identifico isto demais nela, talvez por que Clara sempre foi assim, e eu admiro isto demais. Realmente ela está com você meu filho, por ser você. E estaria mesmo se não tivesse nada disto para oferece-la. E sabe, eu digo por eu mesmo, quando elas são assim, geralmente nos disponibilizamos a sempre querer fazer o melhor por elas.

— Tio, isto é a mais pura realidade. É o que eu sinto. E o senhor acertou, ela é exatamente assim. Para eu convencê-la, quando eu quero fazer algo por ela, é um custo. Até que hoje em dia, ela já melhorou um pouquinho. Porém, na época em que cogitei a reforma pela primeira vez, me rendeu muitos dias e horas de conversa. Isto sem contar, que eu tive que preparar o terreno antes.

O tio sorriu.

— É assim mesmo. Exatamente assim. E devo alertá-lo. Vai melhorar muito com o tempo. Porém, não irá se extinguir. É delas meu filho. Elas jamais querem ser, ou se sentir um fardo, ou um peso, ou um motivo de preocupações ou gastos exagerados. De certa maneira, isto, é até bom. Bem, pelo menos, eu prefiro assim, eu não gostaria que Clara fosse de outra forma.

— Nossa... E eu, eu na verdade, amo Valerie exatamente como ela é.

— Eu sei filho, é muito perceptível isto. E você deve gravar neste seu coração, que com ela não é diferente. É notável a qualquer um Henry.

— É tio, eu sei. Obrigado, por reforçar isto para mim.

— Mas voltando o assunto “lua de mel”, para quantos dias devo fazer a reserva?

— Bem, a princípio irei fazê-la para quinze dias. Porém, eu devo ficar mais tempo fora com ela. Mas, pretendo decidir lá, o local para onde vamos depois, se vamos decidir continuar por lá, ou iremos para outros lugares.

— Claro, sábia decisão, pois, por melhor que seja o local, vocês podem enjoar com os dias. Apesar de que terão muitas coisas para fazer lá, existem monumentos históricos belíssimos para se visitar, ruínas de Castelos medievais, Templos históricos, Jardins monumentais. Muita coisa. Apesar de que, eu creio que vocês irão aproveitar muito pouco estas coisa, pelo menos nos primeiros dias.

E tio Heitor disse aquilo com olhar e sorriso malicioso brincando nos lábios. E ao invés de recuar como de costume, eu digo:

— Eu também tenho certeza disto, tio!

E correspondo o sorriso.

— Filho, incrível você. Mesmo com a privacidade de dormir num mesmo quarto com ela, igual foi aqui em casa, nada?

O desagradável as vezes de se abrir um precedente para estes comentários, é isto, uma pergunta leva a outra. Embora eu saiba que, com certeza, o que move tio Heitor perguntar, não é simplesmente especulação. É curiosidade e admiração de pai mesmo. Noto que esta minha questão com Valerie é um ponto de orgulho para ele. Na verdade, tio Heitor, é muito conservador. Muito embora, ele não seja neurótico com isto. Mesmo por que, se ele não se ponderasse neste aspecto, sofreria muito com Araon, pois, é o seu filho que mais destoa disto.

Na verdade, ele é muito como a minha mãe, ele aconselha, deixa claro os princípios, e alerta para as consequências das escolhas erradas. Porém, não proíbe determinadas coisas. A não ser que realmente traga consequências irreversíveis. E todos os filhos têm isto muito evidente. E mais, o respeitam muito. Mesmo Araon que é impulsivo demais.

Todavia, o que levou o tio a ser assim, foram os seus princípios familiares, e sua crença religiosa. Tio Heitor e tia Clara, são protestantes convictos. E antes de minha mãe partir, alguns anos antes, na verdade, eles a conduziram ao protestantismo também. Porém, o que eu sempre admirei neles foi isto. Esta capacidade de ponderação. Pois, nem todos são assim. Mas, respondendo a pergunta dele:

— Não tio. Nada. Porém, como eu disse, não é fácil. Ultimamente então, eu ando em desespero!

Resolvo ser sincero, sem dar muita informação.

— Eu imagino. Não é para menos. De certa forma, a viagem vai te ajudar um pouco, embora eu particularmente temo que este afastamento todo, só piore as coisas, quando se reencontrarem. Para os dois, no caso. Aí eu entro com um conselho de quem está a anos nesta estrada: Se houver a oportunidade Grandão, antecipe o casamento.

— Nem me diga tio. Já tenho pensado nisto, por isto estarei mandando um valor calção para a reserva, pois, creio que terei de fazê-lo, e como quero uma suíte Prêmio e de preferencia na torre, e se for possível, com varandas, que são as mais luxuosas e solicitadas para lua de mel, então eu não quero correr o risco de mudar a data e não conseguir uma.

— Verdade, pensou bem Henry.

— E a propósito, eu envio o valor para o senhor até quarta-feira, vou manda-lo por alguém, ou eu mesmo venho se for o caso.

— Filho, não precisa.

— Ah não tio Heitor, de maneira alguma. Sem essa, me perdoe. Já basta a consulta. O senhor já está fazendo demais disponibilizando seus homens para trabalhar na reforma tio.

— Henry, eu o faço e com prazer. E no mais, isto não é nada para mim Henry. E eu quero dar pelo menos esta etapa da lua de mel de presente a vocês. Pois, se eu disser que a custearei toda, você irá fazer uma guerra! E ainda reclama de Valerie ser assim.

Sorri com a comparação do tio.

— Iria mesmo fazer uma guerra. Mas, tudo bem, estes quinze dias eu aceito sem relutância. E, é diferente com relação a Valerie tio.

— Eu sei Grandão, eu estou brincando!

— E tio, eu quero lhe perguntar algo, aproveitando que Araon e Érion foram dar uma volta. Como o senhor está depois do que aconteceu a Érion? Pois, eu saí de lá e no calor do momento, não foi possível conversar com o senhor. E, eu confesso que, eu estava ansioso para tirar Valerie de lá, pois, apesar de ela ser forte, sei o quanto estas coisas mechem com ela e ela não está bem. E no mais, ela já ama muito vocês e ficou muito abalada, tio Heitor. Porém, eu fiquei muito preocupado com o senhor e com a tia.

— Claro meu filho, fez bem. Eu e sua tia, até falamos sobre isto e temos certeza que ela nos ama Grandão. Ela nos deu a maior prova disto hoje. Salvando Érion. Nós nunca poderemos realmente agradecer o que vocês dois fizeram meu filho. E quanto a mim, na medida do possível, eu estou bem, sua tia é que está muito sensibilizada e Sophie então? Porém, Deus tem me confortado e eu tenho dado apoio a elas. Mas, eu digo que foi um golpe muito duro para mim. Ver o estado em que Érion estava, e por pequenas coisas que ao longo do tempo ficaram mal resolvidas, não foi algo confortável. Mas, agora, graças a Deus, está tudo caminhando. Apesar de que, eu tenho consciência plena, de que ele agora, precisará mesmo de um bom acompanhamento, e eu não penso em mais ninguém que não seja Dartanhã.

— Eu entendo tio, acredito que não deva ter sido fácil. Porém, como o senhor e minha mãe sempre costumavam dizer: “em tudo há um propósito”.

— É verdade. Obrigado Henry! Pela preocupação e apoio. E quando puder agradeça a Branquinha para mim.

— Pode deixar tio. Uma pena que irá demorar...

Eu disse melancólico e com as lágrimas já fechando minha garganta. E é claro que tio Heitor percebe...

— Ah meu filho, como você já está sofrendo não é? É muito difícil. Mas, pensa assim, agora que começou, logo irá acabar, e após isto, ela será sua esposa, pensa bem que recompensa?

— Nossa tio Heitor, nem me fala! Sonho com isto dia e noite.

— Está perto Henry, creia! E mais meu filho, eu preciso dizer. Você precisa se cuidar. No se arrisque. Eu te vejo focado demais em proteger Valerie, porém, você também é um alvo. Portanto, cuidado!

— Eu sei tio, eu estou bem centrado nisto.

— Que bom.

Enquanto eu e o tio conversávamos terminando os assuntos, Araon, Érion e Camelot estavam retornando.

Assim, converso mais um pouco com tio Heitor, até os rapazes chegarem.

Quando os rapazes se aproximam, conversamos todos um pouco. Porém, logo tio Heitor me abraça e abraça-os se despedindo.

E assim que o fazemos, ele vem me abraça mais uma vez, me passando conforto e sai.

Com Araon e Érion presentes, eu resolvo ir na cabine de passageiros com eles.

Todo o percurso é bem silencioso. Ao que parece, nós três temos motivos de sobra para estarmos introspectivos, eu por falta de Valerie, e eles, por estarem ainda se recuperando do susto com Érion pela manhã.

***

Ao chegarmos ao casarão, minha avó vem nos receber juntamente com Suzette, e aquilo foi algo que eu não esperava, pois, ao me ver, Suzette começa a chorar e muito.

Se fosse em outra época e se eu fosse o Henry antigo, por mais tocado que eu ficasse, certamente, eu correria desta situação. Porém, para este novo Henry, é impossível, me colocar de fora disto.

Eu vou até a minha sogra, e a envolvo num abraço apertado e surpreendentemente minhas lágrimas também chegam, e ali evidencio a ela que este afastamento, por mais que tenha um propósito, não é nenhum pouco confortável para mim.

Araon e Érion, consolam minha avó, porque ela também está chorosa por me ver assim e pela ausência de Valerie.

Num determinado momento, após de recuperar, Suzette disse:

— Henry, amanhã cedo, eu e sua avó vamos ao chalé, para recolher tudo, para que vocês o desocupem para a reforma.

— Sim, obrigado, será necessário pegar somente os objetos pessoais Suzette, e talvez alguma coisa que você queira, pois, até no máximo as nove horas, Cedrico vai mandar alguém pegar os móveis e as coisas que Valerie cedeu a ele e Prudence.

— Tudo bem Henry. – Suzette diz, me abraça e sai ainda chorosa.

Assim, que termino de consolar minha sogra, vou até minha avó e passo um tempo confortando-a juntamente com Araon e Érion.

Nesta noite, todos nós jantamos juntos. E se não fosse a presença dos cavaleiros, o silêncio imperaria. Cada um envolvido em suas próprias questões.

Geralmente, quando Araon e Érion vêm para cá, nós dormimos todos no meu quarto, para conversarmos e ouvirmos música até tarde. Porém, desta vez, pelo menos hoje, será diferente, porque eu preciso de um tempo só, e eles parecem, que perceberam isto.

Antes de me recolher para dormir, fui até a carruagem buscar meus presentes: seu quadro e sua carta.

Escolho um lugar estratégico em meu quarto para colocar o quadro de Valerie, e assim que identifico, eu o coloco.

Passo um longo tempo admirando a belíssima obra de arte: minha noiva da cintura para cima, vestida de vermelho, levemente maquiada.

Aquela imagem faz-me lembrar do dia maravilhoso que passamos em Grewnville, em nossa primeira ida, nossas compras juntos, o almoço nos Lancelot’s, a forma com que ela me surpreendeu, debaixo da mesa, me provocando, a maneira com que ela compreendeu minha situação em relação a Ananda, nossos momentos no lago, que foram maravilhosos e inesquecíveis.

Aliás, como eu e Valerie temos bons momentos juntos para colecionar relacionados a lagos e natureza. E pensar que eles serão cada vez melhores e mais presentes, ainda mais que o nosso terreno também terá um.

Lembrar de Valerie aquece meu coração, muito embora, também desperte a saudade por sua ausência.

Entretanto, nada me preparou para minha primeira noite sem ela: foi terrível!

Eu não encontrava posição para dormir, o sono não me envolvia. E o pior era saber que no outro dia eu não teria como matar a saudade indo ao chalé para vê-la, na verdade, eu iria para lá todos os dias, devido a reforma, porém, não poderia vê-la.

Assim, quando vi que não dormiria mesmo, troquei-me e fui para ferraria, adiantar os serviços de amanhã, para não deixar Cedrico sobrecarregado. Não demorou muito e Avalon chegou, percebendo o movimento, logo se aproximou, e eu disse...

— Pode ficar tranquilo Avalon, vou trabalhar um pouco adiantando os serviços.

— Tudo bem Sr. Lazar, se precisar, é só solicitar.

— Está certo.

É impressionante, a maneira como todo o lugar em que estou, me faz lembrar de Valerie. O meu quarto, faz-me lembrar da nossa primeira vez fazendo amor, quando a fiz minha; a ferraria, o nosso primeiro contato mais íntimo; o chalé, onde tudo começou e a nossa última vez antes do “compromisso”; o jardim, nosso primeiro beijo... Não há um lugar em que eu vá, que não seja habitado por suas lembranças.

Sem contar que, cada pedaço da minha pele está marcado pela lembrança dos seus toques e de seus beijos. Todo o meu ser é habitado e preenchido por ela.

Vou pensando, trabalhando e adiantando todo o trabalho da ferraria. Deixo tudo organizado para antecipar as coisas para Cedrico pela manhã. Após tudo pronto, vejo-me vencido pelo cansaço, então resolvo entrar.

Vou direto ao meu quarto e a primeira coisa que faço, é tomar um banho quente, para ver se consigo relaxar.

A cada correr da água quente em meu corpo, é como se eu pudesse sentir meus músculos um a um.

No entanto, estar ali sozinho, e buscando relaxamento, me fazia lembrar mais e mais dela. Principalmente do dia em que estivemos aqui juntos. E como foi bom, cada toque ou carícia trocada, cada palavra de amor, cada sensação e emoção sentida, era fantástico! Como sinto falta dela! A ponto de conseguir lembrar exatamente a intensidade de suas carícias em meu corpo.

Como eu amo aquelas pequenas mãos em mim, aqueles lábios nos meus ou passeando sobre o meu corpo. Porém, também amo me lembrar de o quanto ela se entregava, tão integralmente, quando era eu que a acariciava ou a provocava, a forma incrível dela demonstrar para mim, o quanto eu a satisfaço e a dou prazer. É maravilhoso ver o quanto ela faz questão de me deixar isto claro.

Devo dizer que, estes gestos dela, ainda aumenta mais meu desejo de tê-la e de dar o meu melhor a ela, até nestes momentos de tão profunda intimidade!

Acabo o banho e realmente pensar em Valerie me fez bem.

Vou para o quarto, coloco meu pijama novamente e deito-me. Todavia, abro a mesinha de cabeceira e pego minha carta dada por ela.

Ao Grande Amor da Minha Vida!

O Homem que é Dono Absoluto de cada parte de mim:

Você Henry Lazar, Meu Eterno Amor!

Ah meu príncipe, se você pudesse imaginar, como está meu coração ao escrever esta carta, como foi doloroso, e penoso. Pois, saber que em algumas horas eu não teria mais acesso a você a qualquer momento, foi desesperador.

Acesso aos seus braços, ao seu carinho, a sua boca que amo beijar, ao seu corpo que sempre anseio ter junto ao meu, a sua voz, dizendo coisas lindas para mim.

Foi difícil demais para mim. Porém, eu tenho me esforçado para focar em que, após o martírio que será este tempo sem você meu amor, eu o terei só para mim para sempre. Pensa bem, que delícia! Ter Meu Homem lindo e maravilhoso só para mim?

Hum... Já penso em tantas coisas e possibilidades que posso fazer com você amor... Amo demais você Henry, nunca, jamais esqueça-se disto, de o quanto você foi suficientemente competente em me fazer apaixonar-me por você!

Pois, é isto que hoje eu sou: absurdamente Apaixonada por você Henry Lazar, meu noivo! E anseio a cada dia poder desfrutar de uma vida inteira ao seu lado como: meu esposo, meu companheiro, meu amigo, meu exemplo, pai dos meus filhos, e meu amante por todo sempre, pois, também desejo demais você. E com este compromisso, uma coisa tem sido muito importante para mim. Esta espera tem me mostrado o quanto eu te desejo e o quanto eu sinto sua falta como o homem perfeito, feito sob medida para mim.

Amo mesmo você Sr. Lazar!

Sabe Henry, fico pensando que, há algum tempo atrás, eu e você pensávamos nesta viagem como uma oportunidade de eu compreender e ter certeza do que eu sinto por você.

E não é incrível? Surpreendentemente, eu já viajei totalmente consciente de o quanto eu te amo e o quanto eu te quero ao meu lado!

Nestas horas penso, em como eu pude ignorar seu amor por tanto tempo?

Só aí me lembro que, naquela época, eu realmente não estaria pronta para desfrutar disto. Realmente, há um tempo para tudo.

E hoje, eu tenho certeza, este é tempo de dizer o quanto amo a você, meu príncipe! É com você que eu realmente quero passar o resto de minha vida Henry, nunca se esqueça disto, aconteça o que acontecer, eu sempre irei te amar.

Cuide-se meu amor. E espere-me pois, estarei faminta e carente de você, quando nos encontrarmos!

Daquela que, te ama, muito e te amará para Sempre!

Sempre sua, sua Noiva: Valerie!

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Ler estas palavras, ao mesmo tempo que me conforta, trás desespero ao meu coração, pois aumenta a saudade.

Porém, não demora muito, para que o sono me envolva...

***

Tudo começou como previsto em relação a reforma.

Suzette e minha avó desceram cedo comigo ao Chalé, para a retirada das coisas pessoais. E quando vieram buscar a mudança para Cedrico, tudo já estava liberado.

Assim, quando o material da reforma chegou, o local já estava preparado para darmos início.

Tio Heitor, como sempre, foi muito pontual. Os homens que dispôs, estavam aqui logo cedo. E pelo que percebi, todos eram muito motivados a trabalhar, adiantaram o máximo que puderam, a ponto de auxiliarem desocupar logo o chalé para deixa-lo disponível para a “demolição”, pois na realidade, é isto que seria feito, todo ele seria desmontado, nenhuma madeira seria aproveitada, pois, toda a estrutura do novo, era de madeira distinta.

Eu escolhi o Abeto das altas montanhas, muito utilizado para a construções das casas de madeira em toda a Europa e Canadá, pois é conhecida como a madeira mais limpa e densa para construção. Sem contar que a durabilidade é incrível. As janelas e portas pedi que fossem feitas de Peroba Amarela, para combinar com o restante.

Eu mesmo fabricarei as grades internas. Uma grande mudança na construção, é que toda a estrutura, em termos de alicerce, primeiro andar banheiros e cozinha, serão feitos em alvenaria. Visando além de durabilidade, a estética.

A meu ver, o chalé ficará lindo e irreconhecível! Porém, nossa casa na vila, ainda será mais bela e melhor. Muito mais imponente, onde poderei ousar mais.

Uma coisa que eu quis preservar no chalé, foi a árvore, que na infância de Valerie, a motivava de chama-lo de “casa na árvore”. Das duas uma, ou ela seria cortada, ou aproveitada ao ambiente, e a segunda opção foi minha escolha, visto que eu sei que representa um pedaço do passado e das boas memórias da infância de minha amada.

Assim, no espaço em que reservei para sala de leitura e Biblioteca, ela ficará ao centro, sendo parte da decoração, pois, será a estrutura na qual em torno, estará sendo erguida uma escada que dá acesso ao segundo e ao terceiro andar e por consequência, a nossa suíte particular.

Cada detalhe da construção, foi minimamente pensado por mim, visando o conforto e bem-estar de Valerie. Sei que no início ela pode estranhar um pouco, e estou preparado para isto, pois, sei que não está acostumada a uma vida luxuosa, ou com regalias. Porém, pouco a pouco, eu irei ensiná-la. Porque eu desejo mesmo, que ela desfrute do melhor que eu tenho a oferecê-la.

De todos os seis quartos, só um será preparado como de solteiro, pelo fato de nossos amigos praticamente todos serem comprometidos.

Haverá um reservado bem grande em nossa suíte, entre o banheiro e o quarto, que, quando os bebês chegarem, será transformado no primeiro quarto deles, para os primeiros meses ou até o primeiro ano de vida, pois, algo me diz que, nem eu nem muito menos Valerie, deixaria nossos pequenos dormirem no segundo andar e tão longe de nós, ainda tão indefesos.

Assim, temos um espaço ali que facilmente pode ser transformado em um quarto para bebês, e com certeza, dará para dois bebês, se realmente acontecer como almejamos e esperamos.

Já o espaço para o ateliê de música, o faço simples e aconchegante.

As salas são espaçosas, porém, aconchegantes também.

Cada quarto tem seu banheiro, e ainda teremos um banheiro social que acabará ficando bem equipado e até com banheira, que não era a ideia inicial, ele será no primeiro andar. O que me motivou, foi o fato de eu refletir sobre o caso de Valerie querer mesmo permanecer aqui quando tivermos os bebês. Pois, ela terá que ficar subindo e descendo escadas para dar banho nas crianças, quando saírem de suas brincadeiras no quintal, para por exemplo, almoçar. E se estiver grávida novamente? Esperando outros, seria muito desgastante para ela e cansativo, sem contar no risco de ficar subindo e descendo escadas, grávida e com peso no colo. Assim, eu pensei em seu conforto e comodidade.

Todo o material que encomendei chegou dentro do prazo, inclusive a lista que passei para o tio Heitor. Tudo corre dentro do planejado. Já temos boa parte da estrutura erguida.

Devo dizer que a ferraria nestes dias tem estado mais aos cuidados de Cedrico. Mas, é claro, que, como durmo pouco a noite, geralmente nas madrugadas, vou para lá adiantar muitos serviços para ele. O que o deixa feliz, pois, acaba se empolgando a pegar ainda mais encomendas, e devo dizer, que, em breve, precisaremos treinar alguém. Porque visivelmente, não daremos mais conta, sozinhos.

Assim, Cedrico vai realmente tornando-se meu braço direito, e ainda arranja tempo para me auxiliar, em outras coisas, quando não é dia da ferraria abrir.

Araon e Érion, têm sido outro apoio perfeito para mim. Eles têm trabalhado muito, e nos poucos períodos que temos livres, eu os, treino como guerreiros.

Como Camelot e Avalon sempre estão mais próximos, eles sempre me ajudam muito nos treinamentos, eles são guerreiros incríveis, na destreza, experiência sagacidade, nas estratégias, movimentos e golpes. Confesso que tem sido um aprendizado e tanto para eu também. Apesar de eles sempre dizerem que sou muito bom desempenhado combate.

Percebo que Camelot aprecia muito lutar comigo. Ele diz que eu represento um desafio para ele, pois, meus movimentos são muito calculados, embora, devido a minha altura, acho que eu perco um pouco em agilidade, porém, com os treinos tenho melhorado muito. Avalon acaba confirmando isto. Isso me surpreende.

Enfim, nos momentos em que eu estou empenhado a treinar Araon e Érion, os guerreiros acabam se envolvendo também, o que se torna bastante prazeroso, pois, acabamos por trocar experiências. E devo dizer, que eu tenho me aperfeiçoado demais. E também tem me auxiliado a colocar para fora minha ansiedade pela ausência de Valerie.

Percebo que, quando o Cedrico tem tempo e está livre, vem para assistir e ele fica impressionado em ver a postura que assumo em combate. Mesmo os guerreiros, percebo que agora, adotam outra postura comigo.

Apesar de sempre me respeitarem, ao verem com os seus olhos, o quanto posso ser mortífero, quando motivado para tal, eles me tratam agora com uma reverência diferente. Olham-me como iguais.

Isto é uma coisa que sempre acontece comigo, por eu não ser uma pessoa muito dada a me expor, ou de demostrar ou falar a respeito do que sei, geralmente percebo que as pessoas me subestimam muito. Assim, na maioria das vezes elas acabam se surpreendendo com minhas habilidades. Porém, eu prefiro assim, não gosto muito de ser alvo de atenção.

Nestas noites em que Valerie está fora, outro lugar que tenho visitado constantemente é o Ateliê de música, e também, a Biblioteca. É óbvio que as primeiras visitas não foram fáceis. No entanto, aos poucos, eu fui me acostumando.

Me encanta notar o quanto eu tenho alcançado através de Valerie. Ela tem me ensinado a superar muito. Com ela, eu me sinto forte para enfrentar meus medos, meus receios. Este é realmente um ponto interessante na minha relação com Valerie, ela me faz forte. Talvez, por ela mesma ser assim, embora, esteja vivendo, momentaneamente, um período de fragilidade.

Valerie é uma mulher incrivelmente resiliente. Em vários aspectos. Ela tem uma capacidade de suportar as adversidades de uma forma incrível, e também de suportar a dor, até hoje, eu estou impressionado por ela ter suportado ser suturada sem anestésico algum, meu Deus! Eu tenho uma futura esposa realmente encantadora.

Os dias, com Araon e Érion aqui, são no mínimo, interessantes. Realmente, este tempo aqui em Daggorhorn, fez bem a Érion. Ele está mais recuperado a cada dia.

Outro aspecto importante, tem sido o fato de ele e Cedrico, estarem se dando a oportunidade de se reaproximar um do outro, aos poucos. Ao que parece, Érion enfim, percebeu que Cedrico fará bem a Prudence, e que, talvez, algo também já esteja preparado para ele, um alguém que também o fará feliz.

A propósito, eu percebo que suas idas a Livergoorn para o tratamento com Dartanhã, tem deixado ele cada vez melhor.

Eu confesso, que no início, eu me preocupei, com receio desta melhora ter alguma ligação a algum tipo de afeto dele, com relação a Valerie, pois, por mais que eu venha me policiando, e olha que, eu tenho mesmo me empenhado nisto, eu sinto muito ciúme.

Todavia, quando ele fala a respeito da falta que ela sente de mim, e da forma em que ela está, sem a minha presença, vejo toda a sinceridade dele em demonstrar o quanto quer que este meu tempo afastado dela, finde logo.

O mesmo acontece com Araon. Embora ele se beneficie da presença de Valerie lá. Com Valerie lá, ele pode passar mais tempo com Made e até dormir em seu quarto, visto que, minha noiva, tem passado quase todas as noites com a madame Oxford.

Assim, um belo dia, já nos meados da segunda semana de Valerie fora, ao chegar de Livergoorn, Érion começa uma longa conversa comigo, passando as notícias sobre Valerie.

— Érion, me diga com sinceridade, como está Valerie?

Ele me olha por um bom tempo, pondera e por fim, diz:

— Olha Henry, eu poderia mentir para te deixar menos preocupado, mas, eu não vou fazer isto, pois, eu sei que realmente você se importa com ela e não me perdoaria, então... ela perdeu peso visivelmente Henry, está abatida, quase não dorme. Mas, até que ela tem se esforçado, mas, é que é mesmo difícil para ela.

— Imagino. Não está sendo fácil para mim também Érion.

— E eu não vejo? Os dois estão um a cópia do outro eu até disse isto a ela.

— Érion, aproveitando o momento, e que estamos sós, e sem querer ser invasivo, eu quero conversar sobre algo com você.

— Claro, tudo bem.

— Tenho te percebido diferente, e noto que quando volta de Livergoorn você volta diferente. Será que podemos conversar a respeito?

Ele me olha com profundidade agora e diz:

— Sim, claro que podermos. Eu tenho mesmo estado diferente, e uma das motivações para isto, está Livergoorn.

Aquilo me deixou apreensivo.

— Eu posso saber se esta motivação se trata de amor?

— Claro que pode Henry. Eu não posso garantir que já se trata de amor, mas, eu creio que, eu realmente esteja me abrindo para ideia de me apaixonar novamente, e isto está atraindo mais a minha atenção a cada dia. Eu confesso, que eu tenho gastado longas horas do meu dia com estes pensamentos. Aliás, com a mulher que anda povoando os meus pensamentos.

Hum... O discurso de Érion, me preocupa um pouco, porém, eu procuro sondar mais.

— E como ela é? Eu posso saber?

— Sim. Ela é doce, meiga, inteligente, sensível... E está apaixonada por mim, o que é mais acalentador. Porque, depois de passar um longo tempo gostando muito de alguém que nunca me amou, realmente encontro-me encantado com alguém, que pelo que tudo indica, me ama. A vida é realmente impressionante!

Fico agora mais tenso com estas palavras de Érion. Porém, neste momento, eu creio que ele percebe pelas feições do meu rosto, e diz:

— Henry, fique tranquilo, eu não estou apaixonado por Valerie! Era para você ter percebido que não é ela, assim que eu disse que a mulher é apaixonada por mim, pois, Valerie não tem olhos para mais ninguém, a não ser você: ACORDA HENRY!

Ele diz aquilo sério, porém, no final ri de minha tolice... Fico constrangido pelas palavras de Érion, e com receio de ofendê-lo é claro, mas, também, muito aliviado, por ouvir aquilo em voz alta: que não é Valerie que o ama e que ela só tem olhos para mim, por mais que eu tente disfarçar, eu ainda respiro aliviado. Assim, eu falo...

— Desculpe Érion, é tão mais forte que eu. Mas, a conversa aqui é sobre você e não sobre mim...

— Eu sei, está desculpado, e eu te entendo, foram longos anos esperando por ela, e o receio de perdê-la, sempre te assola. Porém, você deve acreditar no amor dela por você, que é enorme Henry. Assim como o seu por ela.

— É eu sei, e quando caio em mim, eu fico até envergonhado, por eu acreditar em coisas tão sem lógica. Porém, voltando a você. Se você volta assim de Livergoorn, isto quer dizer, que ela é de lá, não é Érion?

— Sim, e devo te dizer que, eu devo esta bela descoberta a sua digníssima noiva, que realmente é perita nos assuntos do coração.

— Sério? Valerie atacou de cupido para você?

E eu começo a rir...

— E não é? Mas, eu confesso que gostei muito da ajuda da minha cunhadinha Henry, ela é realmente incrível para perceber e agir muito discretamente para unir casais.

— Esta eu quero saber Érion.

Digo curioso...

— Vou contar, imagino que queira mesmo. – E nós dois sorrimos. – Bem, ela tem tido alguns contatos com a pessoa na casa dos Oxford’s. E descobriu em um deles, que a pessoa já me ama há algum tempo. E aí você já viu, sempre que eu vou, Valerie tem ajudado a nos aproximar. E tem dado certo. Eu estou cada vez mais encantado. Ainda não posso afirmar, devido ao pouco tempo, porém, pela intensidade, eu creio que eu esteja realmente me apaixonando...

— Nossa que bom Érion... Isto é uma excelente notícia!

— É mesmo, graças a Valerie, devo mais uma a ela.

Dou-lhe um sorriso com aquilo. Como minha noiva faz o bem por onde ela passa. Ela realmente transmite amor. Parecendo ler meus pensamentos, Érion diz:

— Valerie é um encanto de pessoa Henry, ela irradia amor, a ponto de contagiar as pessoas. Deus realmente te deu um belíssimo presente. E vocês dois formam um belo casal Henry.

Rimos os dois com suas palavras, eu de satisfação, e ele de contentamento por eu ter conseguido absorver o que ele disse. Nossa conversa prossegue, e de forma muito agradável...

***

Tio Heitor aparece muito rapidamente em Daggorhorn, ele vem comunicar que tia Clara e Sophie vão a Livergoorn atender a uma solicitação de Valerie para auxiliar na escolha do vestido de noiva. E também, vem passar as reservas do Hotel para mim. E devo dizer que fico muito feliz, ao pegá-las em minhas mãos. Pois, a cada ato deste, tudo se revela cada vez mais real.

Ele fica impressionado com o quanto o Chalé está adiantado e está ficando perfeito. Na verdade, ele fica abismado e diz:

— Meu filho que bom gosto viu? Está muito bonito, digamos que nem dá para ser chamado de Chalé mais. É uma belíssima casa! Creio que Valerie se surpreenderá muito.

— Também acho tio. E o senhor acha que ela irá gostar?

O tio sorri e diz:

— Você ainda tem dúvida? Ela vai amar. Eu é que estou perdido, pois, eu acho que isto vai animar a sua tia para mais uma reforma... Ai, ai.

— Será tio? De novo?

— Parece até que você não conhece a sua tia... Ela neste ponto, lembra muito a sua mãe, elas sempre adoraram casas bonitas, práticas, bem arrumadas e funcionais.

— É verdade, a mamãe também era exatamente assim. Elas combinavam muito nestas coisas... Mas, o senhor vai mesmo fazer se ela pedir?

— Claro! E eu tenho alguma coragem de negar algo para sua tia? Nem posso meu filho, sua tia faz tudo por mim, e exatamente como quero e preciso, ela é totalmente solícita a mim. Então, o mínimo que eu posso fazer, é realizar estas pequenas vontades dela, que na verdade, só se manifestam em coisas que são para nós, o conforto de toda a nossa família. É impressionante como ela não liga para coisas que tenha de usufruir sozinha, ela geralmente curte tudo que trás benefício à família, ou seja, a nós dois e aos nossos filhos. E como eu posso resistir a atender uma mulher assim? Me diz?

— Eu compreendo tio. Pois, eu vejo sempre isto em relação a Valerie, acredita?

— Sim, eu já percebo isto nela. E como eu já te disse, ela gosta disto, porém, não se apega a este fato. A questão dela é estar com você.

— Eu sei tio.

— Olha Henry, devo dizer que, creio que no máximo com dezesseis ou dezessete dias você poderá busca-la, então, prepare-se, pois, está perto. Está tudo muito adiantado.

— Verdade tio e estou muito feliz com isto.

— Imagino, e não é para menos.

Conversamos bastante, e para mim, é muito bom falar com o tio Heitor, me sinto revigorado e confirmado. O tio me passa sempre a confiança de que eu preciso.

***

Os dias sem Valerie também tem me permitido usufruir mais da companhia de minha avó, e como é gostoso isto. Vejo o quanto a privei disto e me arrependo muito.

Gostaria que tudo houvesse sido diferente. Desfruto também da companhia de Suzette. Eu ela e minha avó, conversamos bastante...

— Henry, você já tem alguma previsão do término da reforma?

Suzette pergunta.

— Sim, creio que não passará de dezesseis ou dezessete dias. E assim que terminar, parto para Livergoorn Suzette, e quero lhe comunicar, que se tudo correr bem, e Valerie aceitar, a trarei antes do prazo, pois, realmente estou chegando ao meu limite de ficar sem ela, me perdoe. E mais, se ela concordar, eu pretendo antecipar o casamento. O que você acha? Eu tenho a sua permissão?

— Claro meu filho, tenho notado o quanto esta espera tem sido angustiante para você Henry, e tenho certeza que também está sendo para Valerie. Eu ficarei muito feliz em ver esta espera tendo um fim. Chegou o tempo de vocês, já sofreram muito e merecem serem felizes!

Suzette diz com sinceridade e minha avó confirma:

— Também acredito nisto Henry!

E eu respondo aliviado...

— Obrigado as duas. Então é oficial, assim que chegarmos, se este for o desejo de Valerie também, nós nos casaremos. Só que a reforma continuará sendo uma surpresa. Ela só verá aqui. Quero muito ver a sua reação.

— Henry, eu tenho uma pergunta a fazer...

— Claro, você pode fazê-la Suzette.

— Bem, quando vocês chegarem, o chalé estará reformado e minha casa estará em reforma. E, eu estou ficando com sua avó, então, como será? Valerie ficará na casa nova, mesmo antes de casar?

Suzette lançou a pergunta sobre a dúvida que vem me assolando, pois, na verdade eu gostaria que só desfrutássemos do chalé, depois de casados. Porém, é Valerie que tem que decidir, porque a casa é dela. Então, eu digo a Suzette:

— Olha Suzette, esta tem sido uma pergunta que eu tenho me feito também, porém, a única que pode nos dar a resposta é Valerie. Afinal, a casa é dela.

— Sim, eu imaginei que você falaria isto, porém, a meu ver, vocês só deveriam mudar para lá após o casamento. E deixa esta coisa, de que a casa é dela. Agora é dos dois, estão se casando, você se lembra? – O comentário de Suzette me faz corar, pois, eu sei que é verdade, mas, ainda é desconfortável para mim. De certa forma, eu entendo quando Valerie se constrange com estas coisas também. — Mas, voltando ao foco, o critério de escolha é de vocês, eu sei. Porém, se ela também pensar assim, fica outra questão, onde ela ficará, já que eu provisoriamente estou sem a minha casa e estou ficando aqui?

A minha avó foi quem respondeu desta vez...

— Aqui oras, olha o tamanho desta casa! Quartos é que não faltam... O único inconveniente, são os comentários, porém, Henry sabe que eu não me importo com isto.

— Nem eu.

Suzette afirmou.

— Porém, eu me importo, não quero as pessoas da vila dizendo coisas, ainda mais invenções, sobre a minha futura esposa.

Digo consternado.

— Henry pensa bem, é uma extrema necessidade e será por pouco tempo, é só o prazo de prepararmos o casamento. E, pelo o que soube por Araon e Érion, a Clara irá ajudar, Valerie escolheu ela e Heitor de padrinhos.

Minha avó disse, e eu vi que ela tinha razão.

— Bem, se Valerie não se importar, para mim, pode ser, mas, só dá para ter certeza de como será, após ouvirmos Valerie e ela souber sobre a reforma. Então, somente após a sua chegada.

Para mim, este arranjo não teria nada de errado, entretanto, realmente me incomoda que o povo da vila venha falar algo a respeito de Valerie. É só o que me incomoda, pois, tirando este aspecto, será até bom.

Imagina acordar e dormir no mesmo ambiente que a minha amada todos os dias? Não poderia haver coisa melhor. É claro que a nossa privacidade diminuiria muito, por que teríamos ouvidos e olhos, o tempo todo, próximos a nós.

Se bem que, de certa forma, isto seria bom, pois, nos daria mais chance de cumprirmos à risca, o nosso “compromisso", pois, algo me diz que, após esta viagem, esta não será uma tarefa fácil. Pelo menos para mim, minha necessidade de Valerie aumenta em larga escala a cada dia, é óbvio que não é só física, é emocional, é psicológica, é de tudo.

É como se estivesse faltando um pedaço de mim. Porém, procuro estar inteiro o tempo todo, pensando em minha avó e Suzette.

***

Cedrico tem procurado passar longos períodos comigo. Ele anda mais alegre do que o normal. Curtindo cada momento de satisfação por poder ser pai. Ele compartilha comigo as suas alegrias, os momentos bons com Prudence, em que curtem o bebê que está para chegar. Eu confesso que, ouvi-lo me deixa muito mais ansioso por também querer ser pai.

Fico imaginando como será a minha vida e de Valerie depois de casados. Nossa rotina, compromissos, a preparação para sermos pais. Já evidenciamos um ao outro que desejamos esperar entre um ano e meio e dois, para pararmos de evitar.

Pensar sobre isso, me remete a outra preocupação, convencê-la a vir morar na vila. Realmente não me agrada Valerie grávida e morando tão afastada. Porém, algo me diz, que para a primeira gestação, eu não irei conseguir ter êxito em convencê-la, mas, quem sabe na e/ou nas próximas.

***

Tem sido muito bom, de certa forma, estar envolvido com a reforma. É bem gostoso ver cada cômodo ser finalizado, observar como um sonho, um desejo, vai se tornando realidade, sendo gerado e construído, pouco a pouco.

Eu nem consigo expressar a alegria e o orgulho que eu sinto ao ver tudo que estou podendo oferecer a Valerie. Saber que em sua vida, ela foi privada de tanto. E que mesmo assim, ainda é tão doce, meiga, gentil e não é dada a exigências. É impressionante o quanto Valerie é satisfeita com tudo o que tem, e sabe viver e se contentar com tão pouco.

Porém, eu confesso que aos poucos eu quero auxilia-la a mudar isto. Gosto da ideia de poder leva-la para fazer compras e desfrutar delas.

Agora, eu fico maravilhado completamente, com a capacidade de escolha e de negociação que Valerie tem, e, não me canso de falar e me gabar disto. Também, me encanta o fato dela saber se sair tão bem em qualquer ambiente, ela sabe ser simples quando necessário e uma Lady quando necessário. Fico parecendo um bobo dizendo ou pensando isto, mas, é verdade. Eu fui abençoado com uma futura esposa perfeita.

***

Em uma determinada manhã, eu e Érion, saímos em direção ao terreno, com o objetivo de observar, como está saindo o preparo do mesmo para o casamento.

A equipe de paisagismo está terminando seu trabalho por lá e agora vai pegar o terreno do chalé, visto que, a reforma já está bem adiantada.

No caminho, eu e Érion conversamos muito, Araon ficou para acompanhar tudo na reforma.

Érion diz:

— Henry, como você está?

— Na medida do possível, bem Érion.

— Imagino... eu estou começando a vivenciar isto, expectativa, saudade e espera. E olha que, eu não tenho nada certo ainda, eu estou apenas no início do meu relacionamento com Elise. Imagina você e Valerie, noivos, e com esta conexão toda que vocês têm?

— Vai se preparando Érion, à medida que o tempo passa, tudo isto se intensifica muito. E consequentemente, num afastamento como o meu e o de Valerie, no momento, a saudade é muito mais ampliada.

— Imagino. Bem, mas, eu queria saber, se poderíamos conversar sobre algumas coisas específicas. Eu sei o quanto você é reservado, e não é muito diferente de mim, e, as coisas que eu queria conversar, são um pouco íntimas, mas, o meu interesse, não é saber as particularidades de sua vida, e sim, realizar trocas, dentro do que eu e você pensamos. Não dá para ter uma conversa assim com Araon, pois, pensamos de forma muito diferente neste aspecto.

Aquilo me preocupou, mas, sei o quanto Érion é tão reservado quanto eu. Assim, eu abri um pouco a guarda.

— Tudo bem Érion, porém, se eu achar o assunto invasivo demais, eu vou deixar claro, e não vou aprofundar. Tudo bem?

— Claro Henry. Bem, na verdade eu quero discutir com você a respeito de vida íntima mesmo. Como vocês fazem para lidar com desejo? Veja bem, na teoria, eu sei que você tem princípios tanto quanto eu. Porém, e na prática? Por tudo que já vivemos juntos, os bailes que já fomos e pelo nosso convívio, eu sei que você nunca foi dado a se relacionar sexualmente com alguém sem propósito. Até onde eu sei, você fez isto muito pouco, e foi mais para ceder às pressões, ou minha e de Araon, ou de seu pai. — Neste momento ele me dá um sorriso. — Porém, agora, a sua situação é diferente. Você está noivo, da mulher que você ama, aliás, sempre amou. Ela também ama você, é claro que o desejo numa situação dessas, é muito mais intenso. Daí a minha pergunta, como vocês têm lidado com isto?

A pergunta de Érion me deixou muito desconfortável, todavia, eu compreendi exatamente o que ele queria. Ele está, com certeza, começando a experiênciar isto, e quer uma referência. Porém, isto é pessoal, é uma escolha de cada um.

Então, eu resolvo ser sincero, porém, tentando não me expor.

— Bem Érion, uma coisa eu posso dizer, não é fácil lidar com o desejo, evitá-lo, quando envolve sentimento. Negligenciar o desejo, e a necessidade de satisfazê-lo, com alguém casual, é uma coisa, agora, fazer isto, com alguém que amamos, é outra bem diferente. Aí entra uma escala de coisas que precisam ser analisadas, como: prioridades, princípios, o que os dois pensam, o que os dois acreditam, como os dois se sentem em relação a isto. E se o objetivo do que querem da relação é comum aos dois. Isto é o básico para mim. Para isto, a premissa básica é o diálogo. Algo fundamental para mim em um relacionamento, para que ele seja saudável, para que conheçamos os limites da nossa parceira, e ela conheça os nossos, para que possamos vivenciar as coisas com mais possibilidades de acertos. Eu e Valerie, desde o início, conversamos sobre tudo, tudo mesmo. O que ainda não falamos, é porque não houve oportunidade ou o assunto não surgiu. Talvez, seja por isto, que a nossa conexão, que sempre existiu, tenha se ampliado tanto. Mesmo os assuntos mais constrangedores, nós tentamos falar sobre eles da forma mais natural possível. É vergonhoso? Sim. É incômodo? Demais. Mas, ainda assim, se é necessário falar, procuramos fazer. Um exemplo claro, foi a minha situação em relação ao passado com Ananda. Quando o assunto apareceu, mesmo com todos os riscos, e dificuldades, Valerie soube de tudo, exatamente tudo, e eu digo com sinceridade, nunca me senti tão aliviado, tirei um fardo de minhas costas, e ela jamais me julgou por isto.

Érion me olhava pensativo, e ele disse...

— Compreendo. Então, vai prevalecer o que for bom para os dois.

— Sim Érion, na medida do possível, sempre!

— Compreendi. Mas, aí, surge outra pergunta. Se eu quiser esperar para ter vida íntima só depois e ela não, ou vice e versa?

— Bem, depois de conversar abertamente sobre isto, e perceber que a sua decisão não afeta o bem estar dela, e vice versa. Você deve fazer sua autoanálise. O que você realmente quer?

— Compreendi. Não se ater somente a regra de cada um. Mas, ao que é melhor para os dois.

— Exatamente Érion. Até mesmo para encontrar o ponto de equilíbrio para os dois, pois, de que adianta esperar até o casamento, que para nós dentro do que acreditamos é o melhor e o mais viável, mas, se a troco disto, eu vou gerar um sofrimento enorme a minha parceira privando-a, simplesmente por que eu quero e é algo que eu acredito? E o que ela quer? E o que ela acredita? Entende? Vai mais além. E vice e versa.

— Eu compreendo Henry.

— Mas, é óbvio que geralmente, no meu caso, por exemplo, eu sempre farei as escolhas que beneficiarão mais a Valerie, o que ela deseja, ou acredita, mas, eu nem sempre consigo, pois, por outro lado, ela sempre quer fazer isto por mim. Então, através do diálogo, buscamos o ponto comum, o equilíbrio.

Érion respira profundamente, parecendo mais aliviado. E eu digo...

— Porém, Érion, esta é a minha postura, não é assim com todo mundo. Você e Elise terão de encontrar a melhor maneira, aos olhos de vocês, afinal se trata de outro casal, e, vocês possuem outras histórias de vida.

— Compreendi Henry, e obrigado! Este é um dos motivos de eu não procurar Araon, pois, Aron não se liga em regras. E parece que Made é como ele. Porém, com você, eu sei que é diferente.

— Por nada! Eu fico feliz por ter auxiliado.

— Sim, ajudou, e muito. E o melhor, não se expôs, eu estava preocupado com isto, pois, eu sei o quanto é desconfortável.

Assim encerramos o assunto...

***

Ao chegarmos ao terreno, fico maravilhado com o quanto o trabalho dos paisagistas ficou bom. Érion também.

Eu fico imaginando cada detalhe do casamento ali e involuntariamente respiro fundo. O que leva a Érion a olhar para mim e dizer...

— Você está ansioso não é Henry?

— Muito Érion, você não faz ideia de o quanto eu sonho dia e noite com este casamento.

— Imagino Henry, da para perceber, e, não é só você, Valerie também está.

Dou-lhe um sorriso leve e continuamos averiguando o trabalho feito no terreno.

Tudo foi gramado, em volta do lago há flores, as árvores foram podadas. Porém, eles tentaram preservar o que podiam do ambiente natural. E o resultado está sendo uma harmoniosa perfeição.

***

Mais no final da semana, foi preciso que eu, Camelot, Araon e Érion, fôssemos a Grewnville. Agora eu tenho um cocheiro para a carruagem, contratei um, esta semana.

Eu fui resolver algumas coisas de última hora, que surgiram, Camelot foi me acompanhar. Já Araon e Érion, foram solicitados para resolver algo na Guarda de Grewnville.

Assim, eles foram conosco na carruagem, porém, como eu terminaria mais rápido com os meus assuntos, eles disseram... na verdade, Araon disse:

— Henry, pode ir, porque eu e Érion, demoraremos um pouquinho a mais, e também queremos levar nossos cavalos para lá, estamos sentindo falta de cavalgar.

— Tudo bem então.

Digo e nos despedimos.

Assim, eu e Camelot retornamos para dentro da carruagem, e no momento em que a fechamos, o cocheiro a conduz a Daggorhorn.

No caminho, não sei explicar, mas eu comecei a sentir demais a ausência de Valerie e também um desconforto ruim.

De repente, sou retirado dos meus pensamentos, por um grito e um baque, e simultaneamente, a carruagem para.

Camelot levanta-se em estado de alerta, e olha para mim, fazendo sinal de silêncio. Ele aponta a malha de minha armadura, que tenho deixado na carruagem, para utiliza-la nos treinos. E também, me passa a minha espada, que estava escondida no compartimento secreto da carruagem.

Neste instante, sinto tudo dentro de mim se transformar, e o espírito de combate já me envolve, e ali, eu não sou mais Henry Lazar, cidadão comum e ferreiro de Daggorhorn. Ali eu sou Capitão Lazar, o Guerreiro.

No meu íntimo, eu tinha a certeza que eu e Camelot, estávamos sendo atacados.

Camelot faz sinal que abrirá a carruagem para averiguar. E eu lhe digo num sussurro...

— Eu te dou cobertura.

Ele assente com a cabeça, conta até três e sai.

Imediatamente, somos surpreendidos com quatro homens. Na verdade, guerreiros do Lado Negro, com as suas espadas, desembainhadas a nos esperar.

Assim que Camelot desce, dois já partem para cima dele, e mais dois estão a minha espera.

Antes de pousar os pés ao chão, olho pela minha visão periférica, e vejo o cocheiro morto ao chão, com uma flecha atravessada no coração.

Imediatamente, o meu instinto de autopreservação, entra em ação, procurando sinais do quinto guerreiro, que certamente é um arqueiro. Enquanto já me preparo para o ataque dos dois a minha frente.

No exato momento em que um deles se lança sobre mim, com suas duas espadas, é o momento em que identifico o brilho de uma flecha ao longe, sendo atingida por um raio de sol.

Pelo menos agora, eu sabia onde estava o arqueiro, e eu não estava no escuro.

Enquanto eu restringia as lâminas do meu oponente com a minha espada, e buscava brechas em sua defesa, o outro, buscava alguma brecha na minha.

Eu tinha a minha atenção, não sei como, em vários lugares ao mesmo tempo e isto me deixava em desvantagem, pois, eu estava de olho e golpeando meus oponentes, e também vigiava como podia, os movimentos do arqueiro, tomando o cuidado de não dar jamais, as costas para ele. E ainda tentava fazer contato visual com Camelot, para mostrá-lo discretamente o arqueiro, para que ele também, não o desse as costas.

Porém, a minha mente habilmente estratégica, trabalhou rápido. Não demorou muito e eu consegui avisar Camelot, com um olhar quando os nossos olhos se cruzaram.

Agora, com uma preocupação a menos, reuni toda a minha fúria e força para partir para cima de um dos guerreiros a minha frente. Empenhando-me mais agora, eu consegui desarmá-lo de uma de suas espadas, enquanto a outra agora, se cruzava mais vezes com a minha.

Quando ele já estava bem cansado, o outro que estava inteiro, começou a investir ainda mais, contra mim. Em um dado minuto, quando os dois mergulharam, ao mesmo tempo, para cima de mim, eu recuei rapidamente, pegando a espada do meu oponente que eu havia lançado ao chão, sem que eles percebessem, eu me levantei agora, com as duas mãos armadas, mas, enquanto eu os distraia com uma, a outra, meio oculta, ganhou força e velocidade, até que eu a transpassei no peito do meu oponente já cansado, e, ironicamente, o meu inimigo foi traído por sua própria lâmina, desabando ao chão, já morto.

Percebi que neste instante, Camelot estava ainda com os seus dois oponentes, eles eram realmente bons guerreiros em combate. Aproximei-me mais, sem me esquecer do arqueiro em prontidão, assim, outra ideia me ocorreu, eu olhei o arqueiro e olhei para Camelot e nesta troca de olhares, montamos uma estratégia em conjunto, estava claro para nós dois, que eles foram ali para matar e que eu, era o alvo maior.

Sendo assim, Camelot e eu, conjuntamente atacávamos os guerreiros e desvencilhávamos de seus golpes, dando-me condição de me expor, em minha direita para o arqueiro, e ele prontamente entendeu da maneira que eu queria: que eu estava com um ponto vulnerável as suas flechas.

Assim, enquanto lutávamos, eu e Camelot mantínhamos os olhos também no arqueiro.

Notamos quando ele preparou o arco, eu cheguei a ouvir o seu zumbido, quando a flecha o deixou. E neste exato minuto, eu e Camelot, fizemos o que já havíamos traçado em nossos pensamentos...

Eu dei uma rasteira no guerreiro mais hábil que era um dos meus, que eu não havia matado ainda, e com a minha espada, eu lancei a sua ao chão e imediatamente, eu agarrei-o contra mim e usei-o de escudo humano.

No segundo seguinte, a flecha havia perfurado suas costas na altura onde não havia o peitoral, próximo as omoplatas e pela posição que entrou em seu lado esquerdo, certamente perfurou o seu coração.

No mesmo instante, outro corpo já estava ao chão e agora, eu partia para cima de um dos oponentes de Camelot, e vi quando o arqueiro mudou a sua posição, se aproximando uns quatro metros de onde eu estava, e mais uma vez, a minha mente trabalhou rapidamente.

Em uma brecha da defesa do meu oponente, eu e Camelot em um esforço conjunto, matamos mais um, o meu. Porém, antes que ele tombasse, tomei a sua espada, e assim que ele caiu, lancei-a com toda minha fúria e força na direção do arqueiro, sabia que pela distância, não iria matá-lo, mas o distrairia me dando um tempo seguro para eu chegar até ele.

E foi como eu pensei, ele tentou se esquivar, mas, a espada rodopiou e ainda assim, o atingiu cortando na parte alta de sua coxa, fazendo-o berrar de dor.

E aquele foi o tempo que eu precisava. Em segundos, eu estava sobre ele, e antes que sacasse sua espada eu já havia cravado a minha em seu coração.

Então, Camelot grita.

— HENRY!

Uma figura se se esgueirava com fúria por detrás das árvores.
E enquanto ele fazia isto, eu voltei rapidamente para onde estava Camelot.
E como ele estava mais perto agora, já podia ver quem era meu novo oponente, e não me surpreendeu ele deixar sua entrada para o final, pois até onde sei, ele não é um grande lutador.

Portanto, ele nos cansaria bastante, deixando-nos lutar com verdadeiros guerreiros, para depois entrar em campo, achando que levaria toda a glória.

Só achando mesmo, pois, eu não estou disposto a morrer, não hoje, e deixar Valerie exposta a esta criatura deplorável que é Mildrad.

Sim, era ele, mais uma vez os sonhos de Valerie estavam certos. Ele armou esta emboscada para mim.

Incrivelmente, todo o meu corpo se retesou e se preparou instintivamente, mas, não para um embate comum, mas, com uma carga de ódio e adrenalina muito maior, simplesmente por ser Mildrad.

Eu via em seus olhos o reflexo dos meus: ódio, puro ódio, destilando a cada encontro do olhar, assim como, eu o estudava pacientemente, ele fazia o mesmo.

Quando ele se aproxima, para atacar, eu já tinha cada músculo, cada tendão e cada nervo do meu corpo, preparado.

Ele atacava com fúria, e eu retribuía na mesma fúria, seus golpes eram precisos. Eu tinha que admitir, Mildrad era bom com a espada. A cada cruzar de lâminas, ele fazia questão de mostrar que ele estava descansado e estava em condições de lutar a minha altura.

Porém, apesar de estar muito cansado, o ódio que eu tinha por ele, alimentava a minha força. Ficou mais evidente ainda, quando ele me provocou:

— Quem irá defendê-la quando eu acabar com você hein Lazar? Ninguém, simplesmente ninguém impedirá de eu tomar posse do que é meu, ELA É MINHA LAZAR, MINHA!

Suas palavras dispararam um gatilho em mim, pois, a minha ira, elevou-se a um nível impensável. Minha visão ficou turva pela descarga intensa de emoção, e vi tudo vermelho a partir daquele instante.

Minhas investidas, agora eram muito mais velozes, precisas e impiedosas, e por várias vezes, eu vi Mildrad, curvar os joelhos na busca de manter o equilíbrio.

Eu consegui levantar uma larga vantagem sobre ele agora.
Porém, eu não contava com algo...

O último oponente de Camelot, era muito forte, e, obviamente, Camelot estava cansado e seu adversário conseguiu encurralá-lo em uma posição, em que retirou totalmente a sua vantagem, e, agora, ele poderia facilmente feri-lo ou mata-lo.

Meu instinto de proteção gritou e automaticamente, eu dei um empurrão forte em Mildrad, que cambaleou, perdendo o equilíbrio, para trás, se afastando consideravelmente.

Meu objetivo foi alcançado, ele se distraiu um pouco, o que me permitiu, socorrer Camelot.

Assim, eu consegui, através de contato visual, avisar Camelot que eu iria intervir. Desta maneira, ele simplesmente, usou seu resto de energia bruta e fez uma manobra que trouxe o guerreiro para mais próximo de mim, sem que eu precisasse me virar de costas para Mildrad.

E, no momento em que ele fez isto, eu cravei minha espada de um lado e Camelot, a sua, do outro lado, no guerreiro. E assim que as retiramos ele tombou.

No entanto, meu mínimo segundo de distração ao socorrer Camelot agora, deu a Mildrad uma vantagem e ele avançou contra mim com toda a sua cólera, e conseguiu desferir um terrivelmente calculado, golpe de espada em mim, que seria mortal, se eu não fosse tão ágil.

Eu me esquivei rapidamente, mas, ainda assim, ele conseguiu atingir o meu braço, no mesmo momento em que Camelot gritou:

— Cuidado Henry!

O golpe foi tão forte, que mesmo com a malha da armadura, a espada cortou fundo, o meu braço próximo ao ombro. Rompendo a malha da armadura.

Um grunhido escapou do meu íntimo, mas, a dor, eu não sei como, simplesmente triplicou o meu ódio, e assim que, eu retirei a minha mão do ferimento, que voltou banhada em sangue, ao invés de eu me contorcer de dor, eu o ataquei com mais fúria.

Por meus golpes agora serem mais fortes, motivados pela dor, Mildrad perdeu o equilíbrio quando avancei em sua direita, seu lado mais vulnerável a ataque. E neste deslize, eu consegui ferir amplamente a sua coxa. Levando-o a berrar olhando no fundo dos meus olhos, com puro furor no olhar.

Só que, neste instante, eu e Camelot nos alarmamos com o barulho de dois cavalos que estancaram sua corrida bem atrás de nós.

Ainda preparado para o ataque, viro minimamente a minha cabeça para olhar quem eram os nossos recém-chegados. Camelot faz o mesmo.
E, a surpresa foi enorme, quando percebemos que eram Araon e Érion.

Mildrad aproveitando-se de nossa distração, com o resto da força que tem, esgueira-se pela floresta adentro, e Araon diz:

— Fique Érion, que eu vou atrás dele.

E ele assim o faz, e é Camelot que diz agora:

— Érion, Henry foi gravemente ferido no braço, me ajude aqui.

E bem no momento em que Camelot profere estas palavras eu me dou conta da dor excruciante e latejante em meu braço. Levando-me a gemer com a intensidade.

— Ele está perdendo muito sangue Érion.

Camelot diz e rapidamente, ele rasga um pedaço de sua capa e faz um torniquete em meu braço.

Ele e Érion me ajudam a subir na carruagem, para seguirmos a Grewnville pra cuidarmos do enorme ferimento. Mas, é Érion que segue comigo, guiando a carruagem, já que o cocheiro estava morto, e Camelot pega o cavalo de Érion, e sai em busca de Araon na direção em que ele seguiu.

Combinamos nos encontrar em Grewnville.

No caminho de Grewnville, enquanto o meu sangue esfriava, eu sentia a dor ir se intensificando. E cada minuto que passava, eu me tornava mais consciente dela.

Notei que Érion corria o máximo que podia com a carruagem. Certamente com o receio de eu ficar muito tempo de torniquete. Pois, em casos assim, quanto mais a demora, mais o risco de perder o membro ferido.

***

Sou rapidamente atendido, assim que chego ao pequeno hospital de Grewnville.

Eles me dão prioridade por eu ser Capitão da Guarda em Daggorhorn.

Ao fazerem toda assepsia no local, sou remetido ao dia em que Valerie e eu, nos ferimos no lago do Monte Grimor. Ela aguentou tudo aquilo sem anestésico algum, e eu aqui, resmungando pelo incômodo da anestesia. Ainda bem que ela e Aquiles não estão aqui para ver.

Pensar nela, faz-me lembrar de que eu não posso permitir que ela saiba deste episódio da emboscada, pelo menos por enquanto, porque ela não está bem, e por estar longe, ficará ainda mais preocupada, podendo piorar o seu estado de saúde.

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Após tudo encerrado no hospital, imediatamente voltamos a Daggorhorn. Eu não quis que o tio Heitor fosse avisado, para não o preocupar mais e nem a tia Clara.

Achei que não valia a pena, já que eu estava bem. Eu havia levado vários pontos, pois, o corte era bem profundo, mas em geral, eu estava bem, tomaria algumas efusões para evitar inflamações e infecções.

Durante todo o percurso, como eu fui sozinho na carruagem, visto que, Camelot estava guiando e Araon e Érion estavam em seus cavalos, eu fui refletindo tudo o que aconteceu.

O quão perto eu estive da morte hoje e o quanto o fato de estar mais consciente dos riscos devido ao sonho de Valerie, foi importante para me deixar mais alerta, o que certamente aumentou meu potencial de vida.

Chegando a Daggorhorn, eu fui direto a ferraria, pois, precisava entregar algumas coisas a Cedrico, antes mesmo de ir para casa. E como estava próximo ao horário de almoço, certamente ele ainda estaria por lá, mas, logo ele iria para casa almoçar.

Araon, Érion e Camelot, foram direto para o casarão, após eu dizer-lhes que eu não demoraria em ir.

Assim que cheguei, surpreendi-me de ver Cedrico, ainda trabalhando firme, enquanto Prudence o esperava, sentada no sofá da ferraria. Este fato me fez mais consciente ainda, de o quanto eu preciso melhorar o ambiente para trazer Valerie para cá. O local é totalmente hostil à presença de uma mulher.

Em meu coração, eu decidi que assim que priorizasse a casa da Vila, após a reforma, e as casas de minha sogra e minha avó, reformaria aqui. Mas, certamente eu não traria Valerie antes destas mudanças.
Me incomodou ver Prudence grávida, em um ambiente tão desconfortável.

Assim, eu disse...

— Bom dia Prudence e Cedrico. Como está meu afilhado ou afilhada?

— Bom dia Henry.

Responderam em coro. E, Prudence respondeu sorrindo:

— Muito bem, obrigada Henry.

Sorri para os dois em resposta e disse:

— Que bom, eu fico feliz. Cedrico, você pode deixar tudo aí, e ir logo almoçar, não deixe Prudence esperando.

— Eu não vou Henry, estou com muito trabalho para fazer e eu pedi Prudence para trazer o meu almoço.

Aquilo não me agradou. Ao contrário, me entristeceu, por ver que uma pessoa tão boa quanto Cedrico, às vezes, não percebe o quanto sua ingenuidade pode lhe causar danos. Desta forma, como nos consideramos irmãos, me senti na obrigação para orientá-lo. Assim, eu disse.

— Você já almoçou Prudence?

— Não, assim que o Cedrico terminar eu vou para casa almoçar, eu quero passar um tempo com ele antes, já que ele não vai.

O que Prudence disse, só confirmou o que estava em meu coração, ele não tinha mínima ideia de o quanto, de agora em diante, era importante ele ter uma rotina junto a ela, e eu precisava alertá-lo. Então, eu disse.

— Bem, já que eu também vou almoçar, eu gostaria que vocês me acompanhassem, e eu não aceito não como resposta.

Eles me olharam surpresos, porém, não questionaram, mas Cedrico percebeu que havia algo. E, no olhar, eu transmiti a ele que nós conversaríamos depois.

Assim, seguimos ao casarão.

Ao entrar, minha avó vem para o meu lado muito aflita e me abraça dizendo:

— Meu filho, como você está Henry? Araon e Érion me contaram, mas, devo ser justa, para dizer que, só o fizeram, por que eu os coloquei contra a parede, por ver seus semblantes ao chegarem.

Neste momento, Cedrico e Prudence me olham.
E eu digo antes de falar aquilo diante de Prudence.

— Estou bem vovó, porém, creio que não é interessante falarmos nisto antes da refeição.

Pelo tom de minha voz, todos entenderam que eu não entraria no assunto agora, e não entraria mesmo, com uma mulher grávida no recinto.
Assim, eu disse:

— Após o almoço conversamos. — E agora digo a minha avó. — Vovó eu convidei Cedrico e Prudence para almoçarem conosco.

— Ótimo meu filho, já estou me acostumando com a casa cheia.

Ela disse feliz, embora seu semblante demonstrasse preocupação. Durante o almoço, por mais que Araon como sempre tentasse manter o clima leve, sendo seguido por Cedrico, o clima ainda estava denso.

Eu estava mais lento, pois, os meus movimentos estavam limitados em um dos braços.

Assim que terminamos, minha avó e Prudence foram ajeitar a cozinha e eu convidei os rapazes para uma reunião, no escritório do casarão.

Assim que entramos e estavam presentes, eu, Araon, Érion, Cedrico, Camelot, Avalon, Lúcios e Lucan.

Assim comecei.

— Bem, primeiramente, eu quero agradecer ao Criador, por eu poder falar com vocês neste momento, pois, se não fosse Ele eu não estaria aqui agora.

Percebi espanto no olhar dos que não sabiam, inclusive Cedrico...

— Para os que ainda não o sabem, hoje, eu e Camelot sofremos um atentado homicida. Mildrad nos armou uma emboscada, e Graças ao Criador, Araon e Érion que chegaram para nos auxiliar, eu e Camelot estamos aqui. Obrigado rapazes.

Eu disse a eles, e eles assentiram.

— Bem, diante disto, eu quero que redobremos a atenção, porque para mim, ficou claro, que agora, ele não quer somente colocar as mãos em Valerie, mas, também quer me matar, tirando-me do caminho para facilitar seu acesso a Valerie. E dentro disto, que eu vivi hoje, e também, por perceber o quanto um treinamento pode nos preparar para situações como esta, diminuindo nossos riscos de vida, eu fortaleci hoje, uma ideia que vem crescendo há algum tempo no meu coração. Como é do conhecimento de quase todos ou todos aqui, assim que eu me casar, provavelmente eu não ficarei muito tempo na Guarda do Reino, devido ao fato desta situação, não trazer tranquilidade a Valerie. Porém, me preocupa deixar, o meu povo, a minha Vila vulnerável. Assim, claro que além de treinar alguém para ficar em meu lugar, eu pretendo montar uma classe de treinamento para jovens. Eu quero prepara-los para lidar com estas situações e outras, para que o povo de Daggorhorn, não viva em vulnerabilidade, dependendo de um guerreiro ou outro, mesmo por que, no futuro, eu pretendo ir embora daqui. E, esse é o motivo de eu chamar vocês. Todos aqui, são guerreiros treinados, com exceção de Cedrico, ainda, pois, eu quero treiná-lo também, Cedrico. — Ele concorda com a cabeça, visivelmente gostando da ideia. — Assim, eu preciso de vocês para organizar isto e montarmos várias turmas de treinamento, vamos definir o tempo para cada uma, o que faremos e como faremos. Mas, antes disto, eu preciso saber, eu tenho o apoio de todos, inclusive vocês, Camelot, Avalon, Lúcios e Lucan? Isto não é uma obrigação de vocês para comigo. Farão se o quiserem. No meu caso eu o farei, pois, para mim, é uma responsabilidade que eu tenho como cidadão junto ao meu povo, e eu sei que vocês não são cidadãos daqui. Então, vocês fiquem à vontade.

O primeiro a se se pronunciar foi Araon...

— Eu estou dentro, pois, eu tenho o desejo de ver Daggorhorn mais livre, como o nosso povo em Grewnville.

— O mesmo serve para mim.

Érion disse.

— Eu estou dentro também, Henry, mesmo por que, eu vejo isto como uma responsabilidade, como você mesmo disse, mas, não só com Daggorhorn, mas, com todo o nosso Reino, nossa sociedade, dar ao povo o direito de saber se defender, e não só para aqueles que se preparam a servir ao Reino para uma Guerra, ou seja, só para cumprir um propósito do Reino.

— Eu estou com Camelot.

Disse Avalon.

— Eu também.

Foi a vez de Lucan.

— Assim como eu.

Por último, Lucius disse convicto.

— Obrigado a todos, assim que eu retornar, com Valerie de Livergoorn mesmo antes do casamento, eu irei preparar junto com vocês, programas de treinamentos e como distribuiremos as turmas e as estratégias que serão ensinadas. Pois, mesmo eu viajando em lua de mel, deixarei as turmas iniciadas. Quanto a você Cedrico, nos próximos treinamentos que fizermos entre nós, eu gostaria que estivesse presente, nos momentos em que puder.

— Tudo bem.

Ele responde.

— E algo importante, principalmente para você e Érion, Araon, porque vocês têm ido a Livergoorn. De maneira alguma, eu quero que Valerie saiba do episódio de hoje. No momento certo, eu mesmo falarei com ela, mas, não agora, pois, ela ainda não está bem, e eu não quero preocupá-la.

Sinto que, Érion, não aprova a minha postura. Porém, não diz nada.

— Bem, era isto, obrigado pela participação e compressão de todos. E Cedrico, eu preciso falar a sós com você um momento, eu posso?

— Claro.

— Os demais, estão liberados. Obrigado!

Todos saem. E ficamos eu e Cedrico. E eu olho para ele e realmente o vejo com o carinho de um irmão mais velho, querendo o melhor para o irmão mais novo.

Assim, eu começo a minha conversa...

— Bom, Cedrico, o que eu vou fazer é muito constrangedor para mim, pois, você me conhece e sabe o quanto eu detesto ser invasivo, mesmo por que, eu detesto que o sejam comigo, portanto, se você não gostar e não quiser mais ouvir coisas do tipo que vou dizer, me fala, mas, saiba, eu o estou fazendo, para o seu bem.

Ele me olhava sério, porém, disse.

— Pode dizer Henry, eu quero muito ouvir. Você abe que eu considero você um irmão, e além disso, sua postura me mostra que você jamais faria isto se não fosse estritamente necessário, e para o meu bem. Então, eu quero mesmo ouvir.

— Obrigado pela consideração. Bem, eu nem preciso mencionar que te vejo como um irmão mais novo. Cedrico, eu sinceramente agradeço todo o seu apoio e dedicação na ferraria, de verdade. Você tem sido um braço direito para mim, meu apoio constante, uma excelente providência Divina para minhas necessidades, quanto ao meu trabalho neste momento. Entretanto, eu preciso te orientar acerca de algumas coisas. — Ele me olhava atento. — O trabalho é algo fundamental, mas, ele não pode ocupar o primeiro lugar em nossas vidas, a não ser, em alguns breves momentos específicos. E principalmente: quando nós não temos outras prioridades, como família, esposa ou filhos.

Pelo olhar que me lançou, eu sabia que a compreensão do cerne de nossa conversa, o atingiu. No entanto ele permaneceu me olhando com a mesma atenção.

— Olha, eu aconselho a você a não repetir o que fez hoje. Se o número de serviços a pegar, for interferir na qualidade de tempo que você passa com sua família ou Prudence, não o faça, nem agora nem depois do casamento, Cedrico. Isto me preocupa. Eu não quero ter mais qualidade de tempo com Valerie às custas de prejudicar você, isto vai contra os meus princípios, eu não seria capaz. E mais, eu acho que eu tenho liberdade de te falar isto, e só o farei uma única vez, por ser pessoal, e eu detestar invadir a privacidade das pessoas, mas, eu acho que você não se deu conta do que eu vou dizer, mesmo sendo algo óbvio, e isto é comum, devido a, talvez, você ainda não ter experiência com isto. Mas, o que eu quero dizer, é que você deve aproveitar mais seus momentos, junto a Prudence agora, antes que o bebê chegue, porque, depois que isto acontecer, durante um bom tempo, será complicado... Veja bem, por que nos casamos, de uma forma geral?

Ele me olha com mais profundidade e responde.

— Para ficarmos cada vez mais próximos da pessoa a quem amamos, construirmos mais intimidade, compartilhar tempo juntos, uma vida juntos e uma família.

— Muito boa sua definição, percebeu que família veio por último na sua ordem, mesmo que inconsciente?

— Sim.

— Você imagina o por quê?

Ele me olhava pensativo...

— Hum... Eu creio talvez, que seja por que, todos nós, na maioria das vezes, só completamos a família, depois de alcançarmos algumas coisas, intimidade, conhecimento um do outro, estabilidade... E os filhos acabam vindo como complemento, embora no meu caso, não seja assim.

— Exatamente! E isto me preocupa Cedrico. Eu e Valerie, por exemplo, acordamos que, esperaremos pelo menos um ano e meio ou dois anos para termos o nosso primeiro filho. – Eu não iria entrar em detalhes sobre a minha questão e dela a respeito de gêmeos. – Pois, entendemos que, diante de tudo o que passamos e vivemos, precisamos de um tempo para nós, para desfrutarmos um do outro, para nos curar, pelo menos um pouco, de nossas marcas, causadas pelas perdas, para depois, enfim, prepararmos a chegada dos nossos filhos.Mesmo por que, nós acreditamos, principalmente, eu acredito, ainda mais agora, depois de acompanhar todo o seu processo de adoecimento, na importância de eu estar pronto para cuidar dela, mantê-la e dar-lhe segurança. O que na gravidez, e um bom tempo após a mesma, é algo extremamente necessário. E mais, logo quando o bebê chegar, pode ter certeza que por algum tempo, nós maridos, ficaremos de lado, quase que necessariamente, no sentido que, agora existe uma criaturinha indefesa que vai precisar dos mais variados cuidados e investimento de tempo sobre ela, principalmente da mãe. Que é quem irá alimentá-la e dar os cuidados mais aprimorados. É lógico que, no meu caso específico, a única coisa que eu tenho certeza, que eu não farei, é amamentar, porque eu não tenho como. — E nesta hora, rimos os dois, para aliviar o clima. — Pois, no restante, eu pretendo dar todo o apoio e ajuda possível, principalmente fazendo algumas coisas. Mas, enfim, a prioridade para a mãe, por um bom tempo, será o bebê Cedrico, incontestavelmente, o que é algo muito comum, aceitável e saudável, e, é preocupante quando é diferente. E o pai deve ser compreensivo. Mas, na teoria, isto é muito fácil. Agora pensa na prática, você ter que dividir a atenção da mulher que você ama, deseja e venera, que antes era só para você? Por exemplo, ao chegar em casa do trabalho e quando Prudence percebe que você não está bem, o que acontece?

— Ela me cerca de cuidado e carinho, até descobrir o que está havendo para poder ver se pode me ajudar.

— Sim, é isto mesmo, exatamente assim, ela larga tudo e vai te atender não é?

— Sim, claro.

— Exatamente Cedrico, como você mesmo disse: Claro! Agora me diga, quando o bebê chegar, como você acha que será?

Ele parou, pensou e respondeu:

— Bem a meu ver, depende, se o bebê estiver dormindo, eu acredito que, se ela não estiver descansando também, ela virá, mas, se ele estiver chorando ou se ela o estiver amamentando, ela permanecerá onde está e eu terei de ir até ela.

— Sim, isto mesmo. No entanto, imagina isto acontecendo, uma vez, duas, ou por vários dias, se caso o bebê estiver doentinho, juntando a possibilidade de ela estar desesperada de ver a criança sofrendo, ou chorando, você acha que ela terá a mesma cabeça para te dar atenção do mesmo jeito?

— Acredito que não.

— E imagina isto acontecendo num período em que você estiver com algum problema precisando desabafar, como será? Você vendo que ela está frágil e cansada pelo bebê. O que você acredita que fará?

— Vou deixá-la tranquila e tentar lidar sozinho com isto, só que isto é um perigo para mim, pois nestas horas eu tenho tendência a me fechar e Prudence fica furiosa.

— Pois é, imagina este quadro, aliado a toda sensibilidade de uma gravidez ou de um período pós-parto? Não será fácil, só que eu imagino que, por mais que ninguém esteja totalmente preparado para enfrentar uma situação como esta, quando temos um tempo para nos conhecer melhor e nos organizarmos, as coisas se tornam mais suportáveis, mais fáceis, pois, com muito diálogo, nós vamos nos familiarizando e falando sobre o assunto, até este momento chegar. Mas, aí está o ponto da minha preocupação, e devo dizer que de Valerie também, em relação a você e Prudence...

E ele concluiu.

— Nós não teremos isto, este tempo de preparo.

— Exatamente, e me perdoe à intromissão e sinceridade Cedrico, mas, isto é sério, eu estou preocupado, por isto, eu não quero de maneira alguma, que o seu trabalho, que por ventura é ao meu lado, se torne um agravante a mais. Entenda-me, por favor.

— Claro Henry, eu entendo e agradeço demais, nem todos teriam coragem de me dizer, mas eu percebo que, outras pessoas têm tido esta preocupação, por alguns comentários que eu sempre ouço.

— E no mais Cedrico, eu e Valerie temos a obrigação de buscar o melhor para o nosso afilhado ou afilhada, somos seus pais de segundo plano, vocês sabem disto, não sabem? E nos escolheram, pois sabem que levaremos isto muito a sério não é?

— Claro, certamente, foi nossa melhor escolha Henry, eu garanto. E percebo que até você ficou em êxtase com isto. De Valerie eu esperava, mas, eu confesso que, eu não esperava ver tão visível contentamento em você, por causa de suas reservas Henry, e eu estou impressionado e muito feliz, obrigado!

— Por nada, é um imenso prazer para mim. Só te peço que seja mais cauteloso, e o que precisar, eu estou aqui, você sabe disto. E mais, já que eu estou vendo que o serviço está aumentando e o nosso tempo, devido as nossas novas responsabilidades está diminuindo, está na hora de delegar tarefas, e como ainda não temos a quem delegar, está na hora de contratar alguém, para treinar. E devo dizer que, nós dois treinaremos para que a pessoa se adapte ao modo de trabalho dos dois, visto que, na minha ausência será sempre você que responderá pela ferraria, até Valerie assumir seu posto, daí sempre será, eu, ela e você, nesta ordem. Sendo que no operacional, sempre eu e você, pois, ela não entende e no administrativo, ela e eu. Tudo bem para você?

— Para mim? Tudo ótimo Henry, que pergunta... Eu nunca estive tão satisfeito com algo que faço. Ter um trabalho que gosto, ao lado de pessoas que eu amo e confio, e, que são como uma família para mim? Para que melhor, me diga?

— Obrigado, eu acredito Cedrico. E você sabe, que a recíproca é a mesma?

Ele afirma com a cabeça e me abraça feliz.

Assim, concluímos nossa conversa, e saímos.

Cedrico foi levar Prudence em casa, e eu pude sentar um pouco com a minha avó para conversar sobre o ocorrido.

Ela chora muito comigo. Ela está preocupada comigo e com Valerie. Aquilo me surpreende muito, pois vovó é sempre muito centrada e forte. Vejo que ela está abalada. Eu a conforto e consolo. E mais uma vez, eu vejo a minha responsabilidade quanto a cuidar. Porque, agora eu tenho, a minha avó, Valerie e Suzette sobre minha responsabilidade e ainda viriam os filhos. Acho que a minha cota de responsabilidades nesta vida, nunca foi ou será o normal, é sempre acima da margem. E peço intimamente:

"- Dê-me forças meu Deus!"

***

Os dias passam cada vez mais rápidos, o meu coração está cada vez mais ansioso, meu desejo cada vez mais implacável e difícil de controlar.
Isto me preocupa muito, pois, se longe de Valerie é assim, imagine perto?
Precisarei do máximo do meu alto controle e imagino que não será o suficiente.

Se Valerie estiver como eu, certamente não dará certo o plano com o compromisso. Com plena certeza, acabaremos cedendo... E por mais que eu a queira, isto ainda me perturba, não resistir, e não ter mais controle.

É desagradável não reconhecer meus limites e saber controla-los.

***

A reforma está quase terminada, agora faltam apenas pequenos detalhes.

Suzette, minha avó, Roxane, Rose e até Prudence se juntaram para realizar a limpeza, pós reforma, do chalé novo. Elas estavam eufóricas para colocar tudo em ordem, para que, a partir de amanhã, os móveis começassem a chegar. Isto só foi possível, porque terminamos primeiro, toda a parte interna, inclusive a pintura, e deixamos a parte externa para o final.

Devo dizer orgulhosamente, que a nossa casa ficou linda!

Assim que os móveis forem entregues e montados, as mulheres se unirão novamente, para poderem organizar as coisas e darem mais uma limpeza.

Na verdade, todos nós, queremos deixar tudo pronto, para quando Valerie chegar, desfrutar do melhor. O que nos move é o desejo de que ela encontre tudo terminado e bem cuidado.

Só de pensar que dentro de alguns dias eu a terei de volta é um grande alívio para o meu coração.

***

Seguimos com a reforma e ao final de dezesseis dias, tudo estava pronto, móveis montados, tudo limpo e organizado.

Era interessante notar que, embora Valerie não tenha estado nem um dia sequer aqui, cada cômodo possuía seu toque de uma maneira muito especial.

Agora eu via com clareza que realmente foi uma excelente ideia pedi-la para colocar tudo o que queria e o que desejava nos desenhos, tudo saiu, o mais próximo possível do seu gosto. Cada suíte, cada sala, as varandas e a área externa. Cada ambiente tinha a presença de Valerie registrada sem ela, se quer, ter pisado ali.

Era maravilhoso notar o quanto suas escolhas para os móveis, foi espetacular. Tudo ficou perfeitamente alinhado e sofisticado, dentro do padrão rústico que nós dois desejávamos manter.

Contudo, fiquei encantado, ao constatar algo diferente, em um lugar onde, a sua presença nos objetos e no ambiente, era tão profunda. Era impressionante que, justamente o lugar que sempre registraria o nosso nível de intimidade em nossa relação, que seria “nosso lugar” pudesse ter tanto dela, tem de mim também, é claro, mas o toque delicado e cheio de vida de Valerie esta em toda parte na “nossa suíte”. A sua presença é quase palpável.

Na verdade, a nossa suíte ficou linda: ampla, arejada, bem dividida, com quarto, banheiro e um reservado, que futuramente poderá ser o primeiro quarto dos nossos filhos, e, ela se comunica com o meu Ateliê de música. Mas apesar de tudo isso, ficou muito aconchegante. Sem contar que, devido a localização, ampliou a privacidade. Algo tão estimado por nós dois.

Apesar de Valerie ser muito, extrovertida, em relação a nossa intimidade, ela realmente é muito privativa. Antes, eu achava que era só por mim, porém, eu vi que eu me enganei e muito. Ela realmente é assim. E eu nem se fala, ainda mais quando se trata de minha intimidade com ela.

Ao deixar a nossa suíte, começo a andar por cada cômodo.

As outras suítes, a de solteiro e as quatro de casal, ficaram igualmente requintadas, claro que, não como a nossa.

As salas ficaram muito confortáveis. Porém, eu amei a forma que ficou a Biblioteca de Valerie, conjugada com a sala de leitura. O fato de ter preservado a árvore, ao centro e tê-la aproveitado como parte da decoração como eixo central da escada, deu um toque muito especial ao ambiente.

A varanda da sala de estar com os pequenos lagos, deu um ar de liberdade, que a natureza sempre trás. É claro que quando as crianças chegarem, nós teremos de manter a porta de acesso a ela, sempre fechada, quando não estivermos por perto, pois, água e criança pequena, sem os olhos atentos de um adulto por perto, é um perigo e não combina.

A cozinha ficou muito funcional, sem exagero e com uma pequena área de copa para refeições rápidas. Para as mais elaboradas e com visitas, usaremos a sala de jantar.

Agora, a Varanda da frente e a área livre, eu particularmente gostei demais. Imagino que, passar as manhãs de Domingo, tomando café ali, com Valerie, vai ser excelente.

Por fim, o terreno com o jardim, o gramado, exprimem perfeição. Na realidade, a natureza é uma marca registrada para nós, algo que Valerie gosta.

Nem sei explicar, a alegria do meu interior. Cada coisa que fiz aqui, foi para ela e por ela.

E, mesmo que, eu não a tivesse para mim, como eu a tenho agora, eu o faria. Pois, ela merece cada gesto deste.

A sua bondade, sua determinação, seu cuidado e seu carinho comigo, mesmo antes de nos envolvermos, num relacionamento além da amizade, faz valer cada ato. Ela é especial, e a vida lhe ofereceu muito pouco até agora, sinto-me orgulhoso por poder mudar isto.

Porém, é óbvio, que eu tenho mais prazer ainda, de saber que desfrutaremos juntos, que enfim, ela é minha noiva, e em breve, será minha esposa, minha, para sempre minha! Agradeço demais ao Criador por isto.

Embora, eu tenha me ferido na emboscada, consegui continuar trabalhando na reforma. Engraçado que, logo que Valerie viajou, eu estava ferido e já foi um custo para cicatrizar, porque eu nunca respeitava as regras sobre não pegar peso, a não ser quando, Suzette ou minha avó, estavam por perto, afinal, elas não deixavam eu extrapolar.

Agora que eu me recuperei, completamente de uma, estou em processo de recuperação da outra. Duas cicatrizes que me lembram de Valerie. Uma ocasionada num momento de pura aflição para tirá-la do perigo. E a outra, adquirida na tentativa de matar aquele que vem a atormentando a um longo tempo.

É interessante que, tanto a minha avó, quanto Suzette, quando percebem minha dificuldade de cuidar dos meus ferimentos, sozinho, logo se prontificaram a fazê-lo, e apesar de demonstrarem toda a dedicação, o cuidado, não é o mesmo. A verdade, é que, ninguém consegue cuidar tão bem de mim, quanto a minha Valerie.

Esta noite, a minha ansiedade está fora do normal, afinal, amanhã eu irei a Livergoorn, e finalmente, poderei ver Valerie!

***

O dia começou corrido com muitas coisas a fazer.

O término da reforma do chalé, aconteceu bem antes do prazo, treze dias antes do previsto. Mais precisamente, surge então, à oportunidade de ver Valerie. Na realidade, agora não se trata mais de um chalé, e sim de uma vistosa casa.

Esta semana, recebi um chamado da Guarda do Reino, onde convocam a todos os guerreiros que são Capitães da Guarda, os guerreiros de frente e a força estratégica da guarda, para um treinamento específico, durante cinco dias.

O fato, aumenta ainda mais, a oportunidade de rever a minha noiva, e tenho que dizer que, dezessete dias sem ela, tem sido uma tortura sem fim. A maior notícia é que o treinamento será em Livergoorn.

Tenho passado noites sem dormir direito, a saudade é insuportável, leio suas cartas com o coração sempre queimando.

Araon e Érion é que têm sido meu grande suporte. Mas, enfim, eles voltaram ontem a Grewnville, devido ao fato, de à reforma ter acabado e também, devido a terem de se preparar para a nossa viagem ao Reino para o treinamento.

Neste momento, os dois fazem parte dos guerreiros de frente, e Araon esta tão bem em sua nova função, que breve fará parte da força estratégica da guarda.

A ferraria, tem ido muito bem, Cedrico aos poucos, tem se tornado mesmo o meu braço direito e já vemos a possibilidade de realmente estendermos uma filial, e o grande propósito será Grewnville.

Araon tem estado bastante interessado em assumir a filial para mim, o que seria ótimo. Pois, como eu tenho o Cedrico, que já está bem treinado, aqui em Daggorhorn, e, Araon, que também é de extrema confiança e conhece muito do meu trabalho, devido aos longos anos de convivência, na filial, eu ficarei livre para acompanhar as duas, até que os dois se tornem independentes.

Com Valerie administrando, nada impede de viajarmos juntos para acompanhar a de Grewnville, pois, é perto, e sempre poderemos aproveitar e unir o útil ao agradável. Assim, ao invés de serem somente viagens de negócios, estando juntos, poderemos transformá-las, em viagens a passeio também. Esta ideia me agrada muito, tenho que admitir isto.

Cedrico realmente vai ser pai, enfim, não há mais dúvidas, e agora que ele e Prudence se sentem apoiados, estão bem, estão felizes, amam a ideia da casa, muito embora, eles realmente não terem aceitado a nossa, e pedirem para ficar com a de Suzette mesmo.

Quando ele e Prudence convidaram a mim e Valerie para padrinhos do bebê, nós ficamos muito felizes, e isto tem sido uma alegria para ela e eu.

Hoje, desde que eu acordei, eu estou aflito. Esta noite, depois de longos dias de insônia pesada, eu consegui dormir. E eu tive um sonho muito estranho e preocupante.

Nele eu via Valerie voltar, mas, o mais incrível, é que, fisicamente era ela, mas ao mesmo tempo, não era ela.

Era estranho, ela continuava minha noiva, conversávamos, ríamos, mas, no fundo, não era ela. E eu podia ver que, por mais que eu agisse naturalmente com ela no sonho, eu estava angustiado. Eu não compreendia.

Este sonho me deixou muito apreensivo. Então, mesmo que não tivesse este treinamento para ir, eu iria assim mesmo.

E, de fato, a minha pretensão, é trazer Valerie de volta logo. Eu não suporto mais ficar longe dela, nenhum dia sequer. Sinto falta e sinto saudades de exatamente tudo nela. Tudo, das horas de conversas, das carícias, dos beijos, do sorriso, do seu olhar em mim, do seu corpo junto ao meu. Exatamente tudo. Valerie é realmente essencial em minha vida.

Araon esta muito feliz com sua ida ao Grande Reino, pois, realmente minha princesa teve êxito como “cupido”, ela conseguiu mesmo unir Araon a Made e Sophie a Marverik. E os casais não se desgrudam.

É tanto que, ao que tudo indica, ficaremos hospedados na casa de Made. Araon ou Érion sempre vão lá e trazem-me notícias de Valerie.

Eles me dizem, que ela está bem, mas, que notam que, ela está sentindo muito a minha falta e está um pouco mais abatida, embora, ela procure não demonstrar, para não preocupar ninguém. Isso é a cara dela!

Araon diz que, a cada dez palavras que ela pronuncia, nove são a respeito de mim, quando não, meu nome. E ali, eu vejo que, ela está sofrendo a minha ausência, tanto quanto, eu sofro pela dela.

***

Observo que Camelot está me rodeando apreensivo, e como já o conheço um pouco, tato quanto Aquiles. Eu pergunto.

— Alguma coisa que possa fazer por você Camelot?

— Henry, na verdade, eu estou preocupado, a cerca deste treinamento. Por que será que, o reino está precisando preparar os guerreiros? Principalmente os estrategistas? Já parou para pensar nisto?

Na verdade, sim, eu venho me questionando, porém, como a minha cabeça está focada em Valerie, permito-me pensar pouco.

— Sim Camelot, algumas vezes eu penso nisto. Porém, eu confesso que no momento, o meu foco é bem outro, e se chama Valerie. – Noto que ele sorri diante de minha confissão. Assim prossigo:

— Mas, há algo que me preocupa.

— Sim, e o que é Henry?

Camelot me pergunta...

— O que será que está para acontecer, para que, o Reino nos convoque para treinar?

Percebo que Camelot segue o meu raciocínio, e a apreensão toma o seu rosto. Porém, não falamos mais sobre isto.

Fico imaginando, o que será que está para acontecer ao Reino, que os leva a depender de nós?

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Curiosidade:

Castelo de Bran, o castelo de Drácula (ou não):

Em 8 de novembro de 1847 nasceu, em Dublin, Bram Stocker. O romancista prestou um grande serviço à economia da região da Transilvânia, Romênia. Graças ao seu romance “Drácula”, publicado em 1897, milhares de turistas visitam a região, proporcionando um bom dinheiro ao turismo local.

O primeiro registro que se tem sobre o Castelo de Bran é uma carta escrita em 1377 por Luis I da Hungria. O documento conferia alguns prilivégios aos cidadãos que habitavam a região, como a construção de uma cidadela de pedra. Em 1378, o castelo foi utilizado na defesa contra o Império Otomano e a seguir, tornou-se um posto aduaneiro entre as regiões de Transilvânia e Valáquia. O castelo também foi utilizado em algumas ocasiões por Vlad Tepes para fins militares, no século XV. Vlad, conhecido como “o empalador”, chegou a passar um tempo preso nas masmorras do castelo, enquanto os otomanos controlavam a Transilvânia.

Existem inúmeras histórias horripilantes sobre Vlad. . Uma das histórias diz que Vlad “recepcionou” seus inimigos com uma floresta macabra, com muitas e muitas pessoas empaladas. Outra história diz que Vlad proporcionou aos pobres um belo banquete. Perguntou ao povo se eles gostaram e eles lhe responderam que haviam gostado e muito e que poderiam passar o resto da vida assim, bebendo, comendo. Vlad atendeu a esse desejo trancando a todos no lugar e colocando fogo, matando-os. De fato, passaram o resto de suas vidas no banquete. Vlad gostava de fazer suas refeições olhando para pessoas morrendo lentamente empaladas. Adrian contou que Vlad sobreu diversos abusos durante a infância, o que pode ser uma das causas de sua loucura.

Lendas à parte há quem diga que Bram Stocker jamais pisou na região e nunca viu o castelo. Consta que ele escreveu seu romance baseados em histórias, lendas e descrições da região da Transilvânia.

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Notas finais
E aí o que acharam, pessoas lindas do meu coração? Esta foi a perspectiva do Henry de uma etapa da viagem. Semana que vem, capítulo com fortes emoções. Gratidão por cada Review e Recomendação. Semana que vem no Capítulo 48. Beijos, até lá.