A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

43 UMA NOVA FASE – “VOCÊ É O MEU REFÚGIO!” - Cap. 42


Notas iniciais
PESSOAS LINDAS, LEIAM NOTAS INICIAIS E FINAIS IMPORTANTES!!!

Olá Pessoas Amadas!

PERDOE O ATRASO DO CAPÍTULO EU HAVIA PROMETIDO NO SPOILER DESTA SEMANA, POR CARINHO A VOCÊS MEUS LEITORES FIÉIS ADIANTÁ-LO PARA QUARTA, PORÉM HOUVE UM IMPREVISTO E NÃO FOI POSSÍVEL!

MEU FILHO ESTÁ EM CRISE DE BRONQUITE E ESPERO QUE COMPREENDAM!

AGRADEÇO A DEUS POR ESTA SEMANA, POIS, ELE TEM SIDO VERDADEIRAMENTE COMIGO, E POR QUE ELE TEM ME DADO A GRAÇA DE EM BREVE PODER DESFRUTAR DE MAIS UMA FÉRIAS SEMESTRAL!

E AGRADEÇO AOS MEUS LEITORES E LEITORAS QUE FORAM COMPREENSIVOS POR TER ATRASADO O SPOILER POR UM DIA!

Agradeço aos meus leitores, fiéis e meus escudeiros de sempre por seu carinho e seus Reviews!

AGRADEÇO A TODOS ESTA SEMANA LEITORES ATIVOS, E ATÉ FANTASMINHAS!!!!

Indico algumas FICS:

O Triunfo da Esperança - Minha FANFIC totalmente Petniss do Universo Jogos Vorazes

http://fanfiction.com.br/historia/333216/O_Triunfo_Da_Esperanca_-_Por_Peeta_Mellark

Do Inferno ao Paraíso Por Henry Lazar Minha Fanfic Totalmente Henlerie.

http://fanfiction.com.br/historia/373132/Do_Inferno_Ao_Paraiso_Por_Henry_Lazar/

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Apenas uma Noite

http://fanfiction.com.br/historia/322586/Apenas_Uma_Noite

Historia de Nos dois

http://fanfiction.com.br/historia/319703/Historias_de_Nos_Dois

O Jardim das Cerejeiras:
http://fanfiction.com.br/historia/331501/O_Jardim_Das_Cerejeiras

Os Golpistas

http://fanfiction.com.br/historia/337306/Os_Golpistas

Apareçam por lá!

ESTAMOS NO DESFECHO FINAL DA FIC:
Comentando até DOMINGO, na SEGUNDA tem Spoiler que mando por e-mail, e NA QUINTA -FEIRA TEM CAPÍTULO NOVO!

CONHEÇAM MEU BLOG.
http://dicasdamarth.blogspot.com.br/

NESTE CAPÍTULO VAMOS COMPREENDER EM DEFINITIVO O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM VALERIE, E TEREMOS PERSONAGENS NOVOS!

Sem mais delongas, Vamos ao Capítulo 42!
Nos vemos nas notas Finais.

Mil Beijos!!!
MBGE

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POV VALERIE


Sinto-me desperta. Mas, é estranho. Pois, só há penumbra no quarto. De repente percebo duas coisas, uma é que, o quarto é estranho e estou em uma cama de solteiro. E em seguida, eu o vejo! Mesmo depois deste tempo todo, ele ainda é belo como sempre foi. Porém, há algo diferente, ele desta vez está envolto em uma áurea prateada, e eu nunca o tinha visto assim, nos outros sonhos. E seus olhos, são tão ternos, e tão pacíficos... O que deixa mais evidente agora, que ele não pertence mais a este mundo. Mas, ainda assim ele é lindo, e tenho a impressão que sempre o será...



É interessante, pois não sinto tristeza em vê-lo, muito menos angústia. Sinto paz. Paz e tranquilidade. É como se o ciclo realmente estivesse completo. E agora entendo, entendo com toda clareza. Está, está mesmo. Não o amo mais! Bem, pelo menos, não como se ama a um homem, com desejo e paixão. Pois, isto agora, eu o sinto, sinto sim, com todo meu ser, mas, é por Henry. Incrível! E mesmo com a presença de Peter aqui, isto é tão evidente e tão real. A presença de Peter não interfere mais. Meu coração agora realmente pertence a Henry, não tenho dúvidas.


O que eu sinto ao vê-lo é alegria e satisfação, por estar perto de alguém que foi tão essencial a minha vida, que a marcou tanto, mas, que agora tinha findado o tempo de sua jornada junto a mim. E no seu olhar, eu sei que ele também sabe disto... Sei por que não há separação alguma que mude isto, nem esta que divide estes dois mundos... Eu o conheço, eu ainda conheço sua alma e sua essência, como tenho certeza que ele conhece a minha. Ele também sente o mesmo. De alguma maneira estaremos ligados para sempre, faz parte do nosso destino, mas, esta ligação hoje é muito diferente.

Depois de muito observá-lo e ser observada por ele, ele vem até mim, e eu levanto-me e o abraço. E ali, exatamente ali, toda a certeza de que se fechou mesmo o nosso tempo juntos, é concretizada. E quando nos afastamos ele sorrindo me diz:

– Estou realizado! Você é feliz! Ele verdadeiramente te faz feliz!

Com lágrimas nos olhos, porém, não são lágrimas de tristeza, são de alegria de júbilo e vitória! Eu digo-lhe:

– Sim ele me faz muito feliz, você tinha razão, você sempre teve!

Ele me olha de uma forma tão singela, com um olhar tão pacífico e diz...

– Eu sabia! Já perto do fim eu sabia! Era para ser assim! São mistérios às vezes incompreensíveis a nós. Mas, está tudo perfeitamente orquestrado e preparado. A única coisa que precisamos fazer é ter muito cuidado com nossas escolhas, e quando vier os momentos difíceis, confiar...

Dou-lhe um sorriso e então ele me diz...

– Você também o faz feliz. Muito feliz, e sim, você o merece. Como merece tudo o de melhor. E saiba que, no que depender tanto de mim, quanto dele. Ele aqui, e eu lá. – E ele aponta para o céu. — Você terá sempre o melhor. E quanto a sofrer, o sofrimento faz parte da vida, e ele gera crescimento e amadurecimento, realmente é necessário. E é impossível amar e não sofrer. Por que quando amamos, há momentos de renúncias, e renunciar, nunca é fácil. Requer entrega.

Como ele me conhece mesmo, ele sabe que às vezes penso que não mereço Henry, e que eu penso constantemente que eu o fiz sofrer demais. De repente ocorre-me algo...

– Peter o que esta para acontecer conosco? Eu tenho tido sonhos tão estranhos.

Ele me olha, seu semblante ainda é sereno. Então diz...

– Não posso dizer-lhe, mesmo por que não o sei por completo. A única coisa que sei e posso sim dizer, é que vocês dois, precisam enfrentar seus maiores medos. E está perto. Vocês terão de ser fortes, muito fortes. Confiem no amor que têm um pelo outro, e quando for difícil confiar, ou até mesmo trazer a mente ou ao coração, pequenas coisas que fazem diferença, recorram ao que vocês tem guardado, as cartas, os sonhos, tudo o que tiverem Valerie, que possa trazer esperança! E eu preciso dizer: O amor de vocês é muito forte, e capaz de superar muitas coisas difíceis até de se imaginar. Porém, eu devo alertá-la, vocês precisam se curar do medo, ele paralisa vocês, estaguina vocês! Henry é o medo da perda, em especial de perder você, devido ao trauma da perda de Laura. E Você este medo de seu passado nas mãos de Mildrad retornar. Henry tem prometido que vai protegê-la Valerie! Ele tem feito o impossível para mantê-la segura. E todo este abalo, não tem feito bem a você, você precisa se cuidar, deixe Henry cuidar de você, coopere, ouça-o, seja menos teimosa!

Bem nesta hora ele sorri. Como eu e Peter nos conhecemos. Resolvo perguntar-lhe...

– Peter, eu vou continuar te vendo?

Ele me olha com sinceridade e diz...

– Bem eu não sei, pois há um limite. Porém, de uma coisa tenho certeza! Vai chegar um tempo que isto não será possível mais... Ainda estou aqui, pois, ainda sou necessário, e enquanto for eu estarei por vocês, você e ele!

– Fico feliz que esteja em paz! Sabe disto não sabe?

– Claro que sei, você nunca conseguiria mentir para mim, conheço você bem demais! – E sorrimos juntos por isto!

– Peter, você fez muitas pesquisas sobre os lobos e suas gerações em suas viagens, eu gostaria de saber o que descobriu...

Ele me olha sério agora...

– Valerie... Olha o medo de novo! Olha, você precisa entender que antes era diferente. Eu era lobo, e você era descendente e tem o sangue. Porém, agora nada é assim. Henry não tem nenhuma ligação com linhagem de lobo, e você não foi mordida! E no mais, para de sofrer por antecedência! Desfrute do que a vida tem te oferecido! E depois se os problemas chegarem ou vierem, vocês lidarão com eles da melhor maneira. Portanto, sossegue, acalme-se.

– Obrigado Peter, vou procurar não me esquecer disto!

– Eu espero, pois você precisa. Precisa se cuidar. E agora eu preciso ir tudo bem?

– Tudo. Foi muito bom te ver!

– Você não imagina o quanto o foi para mim!

E assim, ele dá-me um abraço e num piscar de olhos ele não está mais lá. E volto à inconsciência...


POV HENRY



Imediatamente, após aquele pedido silencioso em oração, meu coração é preenchido por uma calmaria, parece até que estou meio anestesiado.



Assim que chegamos à residência do Sr. Albert. Irmão de Dr. Dartanhã, o tio diz-me.


– Grandão, eu creio que é melhor você passar todo o quadro de Valerie para ele aqui, para não fazê-la reviver tudo lá de novo, assim, ela irá passar para ele a versão dela das coisas e só a parte que ela achar conveniente. E no nosso caso, nós podemos ser bem criteriosos longe dela, para facilitar o diagnóstico.

–Tudo bem, tio, eu já havia pensado nisto mesmo.

O tio toca a campainha, e pouco mais que um minuto depois, a porta é destrancada e aberta, por uma bela senhora, de cabelos castanhos e olhos dourados. Tio Heitor a cumprimenta com uma expressão de quem está revendo uma velha conhecida.

– Olá Dra. Helena. Não sei se se lembra de mim, eu sou o Sr. ...

Ela se lembra, pois termina com um enorme sorriso na face antes de o tio terminar...

– Heitor! Claro que me lembro! Como não me lembrar, de um dos melhores amigos meu e de meu marido da infância, pois nós éramos inseparáveis. Eu, você, ele o Adrian! – Meu pai, ela conhece meu pai... Bem no momento que penso isto, o tio olha para mim parecendo ler o que estou pensando e diz.

– Sim, filho eles conheceram seu pai, nós quatro eu, Dartanhã, Adrian e Helena somos amigos desde crianças. E Helena... – O tio diz agora voltando a olhá-la... – Este é Henry Lazar, filho único de Adrian.

Ela olha-me maravilhada! O sorriso em sua face intensifica-se então, ela diz...

– Meu Deus, ele é mistura exata de Laura e Adrian! Que incrível, e tem os melhores pontos da beleza dos dois com todo o respeito Henry, pois seus pais eram lindos!

Fico um pouco constrangido como elogio, e sinto meu rosto queimar. Então, de repente, uma voz masculina, diz de dentro do ambiente...

– Quem é Helena? Não vai convidá-los a entrar?

E ela responde...

– Claro que eu vou. Eu estou me recuperando do choque, pois, se você souber quem está aqui Dartanhã... Creio que ficará tão surpreso quanto eu.

– Então, deixe-os entrar querida minha, para que eu possa vê-los...

Ela abre caminho para nós, e imediatamente, ao entrarmos enquanto ela fecha a porta, o semblante daquele senhor, ganha uma fascinante expressão de contentamento ao ver tio Heitor, e o rosto do tio tem a mesma expressão. E sua esposa diz antes de qualquer coisa...

– E você não sabe a melhor parte ainda marido! Este... – Ela diz, tomando-me pela mão com carinho conduzindo-me até aquele senhor, então diz... – Este é... Henry... Lazar. Filho de Adrian e Laura! – Imediatamente, os olhos daquele homem, começam a brilhar, e identifico as lágrimas ali.

Ele não resistindo, fecha rapidamente o espaço entre nós, faz sinal para o tio para que também se aproxime e por fim, abraça a nós dois. Então diz...

– Não acredito! Hoje mesmo estava a dizer a Helena que precisava arrumar tempo para vê-lo antes de ir embora Heitor. Que saudades de você e da Clara, e que prazer imenso conhecer você Henry. Eu Heitor, seu pai e Helena, fomos amigos inseparáveis na infância. Porém, a minha vida sempre foi nocauteada de responsabilidades e trabalhos, o que me afastou muito das pessoas que eu amava. Não consegui vir despedir-me de seu pai. De sua mãe, nós conseguimos não é Helena?

– Sim, marido... Creio que você não se lembre Henry, pois era pequeno e estava deveras abalado. – Ela responde também bastante emocionada!

– Porém, ao que devo a honra da visita de vocês? Devo desculpar-me, mas, senti muita apreensão nos dois. Eu posso saber o motivo? Mas, antes de me falarem sentem-se.

E o fazemos.

Faço sinal para que o tio comece então, ele inicia...

– Na verdade, viemos em busca de uma consulta. Você sabe que eu não acredito em acaso Dartanhã, e estamos precisando de um atendimento de um especialista na sua área. E a necessidade surgiu bem na época em que você está aqui em Grewnville, então, eu vejo como uma providência Divina, pois, você é o melhor. Assim, estamos aqui. Henry está noivo e próximo a se casar... — Ele ouve atentamente, e dá um sorriso para mim assim como Helena ao escutar isto... – Sua noiva é o motivo de buscarmos o seu auxílio. Dentro de dois anos, ela sofreu algumas perdas muito significativas; Perdeu sua irmã, em ataque de lobo e sua avó, pelo mesmo motivo. O seu pai desapareceu, seu ex também... No último ataque em sua Vila, ela foi acusada de bruxa, e quase foi dada de isca ao lobo ou queimada em uma fogueira. Só que Henry impediu. E ela vive tranquilamente em relação a isto, não vive dentro da vila, mas, convive gentilmente com os moradores. E bem, ela sofreu uma tentativa de abuso na infância, foi o seu ex que era amiguinho de infância que impediu... Porém, esta pessoa que cometeu à tentativa, voltou a persegui-la... E tem tentado inúmeras aproximações, de uma forma que a tem aterrorizado. Inclusive, aparecendo no meio de seu jantar de noivado ontem. Foi terrível. E no auge, no calor das circunstâncias, ela desmaiou, e apesar de não ter batido a cabeça, demorou a voltar a consciência. E desde então, está com crises de dores de cabeça e teve mais... Quantos episódios de desmaios Henry? – O tio pergunta agora se reportando a mim, e deixando-me entrar na conversa, creio eu que, para dar os detalhes e pormenores.

– Três desmaios e uma tontura forte, e qualquer evento um pouquinho mais intenso que seja, desencadeia as dores de cabeça. Ela diz que está dolorida constantemente, e ela tenta não manter o foco na dor, para suportar. Porém, quando começa a latejar, torna-se insuportável. Bem, que eu me lembre é isto. Tem mais alguma coisa que quer saber Doutor?

– Filho, apesar de estar em busca de uma consulta, me chame Dartanhã. Nada de formalidades, por favor!

– Tudo bem então... Obrigado! E Dartanhã, eu quero saber tudo que for preciso, não quero que me poupe de nada, e mais, seja o que for, se houver qualquer recurso que seja, quero ter acesso para ela, não importa o custo, o gasto. Inclusive, eu gostaria...

Bem neste momento o tio me interrompe...

– Filho, por favor, eu te disse que esta parte é comigo...

Eu sabia que o tio havia dito que custearia todo o gasto de hoje. Porém, aquilo não é confortável para mim, e então eu digo...

– Tio eu lhe agradeço, mas, são muitos gastos e custos e não me sinto confortável com isto... – E bem neste momento, somos interrompidos por Dartanhã...

– Bem, na verdade o que irei dizer dará fim a esta discursão sem fim... Não haverá custos, eu me recuso a receber qualquer quantia que seja. E eu encararei como ofensivo se insistirem...

Hum... Aquilo me desarmou um pouco, porém, eu insisti.

– Mas, Dartanhã, eu preciso que você vá atendê-la em casa, pois, eu estou evitando locomovê-la. Por isto quero custear, não me sinto confortável assim... Perdoe-me...

Bem neste momento, ele sorri e diz-me...

– Eu sei que não se sente, pois se não fosse assim, você não seria filho de seu pai e sua mãe! Mas, terá de aprender a lidar com isto. Bem, vamos ver sua noiva?

– Sim... E Dartanhã, eu preciso de mais uma coisa...,Nna verdade com a Dra. Helena. — Ela agora me olha curiosa. — Aquiles me disse que a senhora é médica também. E que se dedica a estudos específicos com mulheres. Disse que você acompanha-as durante a gestação e dá toda a assistência ao parto. Então, eu gostaria que fosse conosco para vê-la, pois, estamos para nos casar em menos de dois meses, então...

Ela sorri e diz...

– Entendo... Os pré-nupciais... Posso ir. Porém, nesta consulta, devido ao quadro em que ela se encontra no momento, vou precisar que você esteja junto com ela. Algum problema?

– Não, claro que não, por quê?

– Bem, como se trata de coisas bem específicas, alguns homens sentem-se desconfortáveis. Porém, se para você tudo bem...

– Na verdade, até o momento sim...

– Podemos ir então? – Desta vez foi o tio que disse. Pelo que eu percebi, ele estava ansioso para compreender o quadro de Valerie.

Antes de sairmos, ocorre-me algo. Então, olho para Dartanhã que me pergunta.

– Alguma coisa Henry?

– Sim, acabo de me lembrar. Vou querer conversar com você sobre mim também. É que quando houve o atentado contra ela, eu tive um grande acesso de cólera, e na verdade eu quero saber se isto foi normal, pois eu perdi completamente o controle, a ponto de quase enforcar a criatura diante de todos, coisa que estando de cabeça fria eu jamais faria... Eu fiquei totalmente fora de mim.

Dartanhã me olhava incrédulo e enfim perguntou...

– E esta cena toda foi em frente à Valerie? Sua noiva viu isto?

– Sim, ela viu inclusive o desmaio foi exatamente no momento em que eu iria desferir um golpe de punhal no infeliz, que tentou sacar o mesmo para me ferir, mas antes disto eu o imobilizei...

– Meu Deus, como você quer que sua noiva não fique abalada? Que você me perdoe a pergunta. Mas, a menina acaba de passar por uma série de eventos traumáticos, um atrás do outro, agora ela tem que ficar lidando com um mal caráter que quer abusar dela a qualquer custo. Do nada o noivo, que pelo que percebo, representa toda a segurança que ela tem, quase enlouquece em sua frente. Se tornando irreconhecível, com um comportamento totalmente fora do normal em que está habituada... Pensa bem como ficou o coração desta menina? E a mente? Tendo que lidar com medo e angústia, sem o seu atual ponto de equilíbrio no lugar, que pelo visto é você Henry, imagina? Na verdade ela entrou em choque.

– Como assim? – Eu pergunto e percebo que tio Heitor está vidrado para ouvir o que está sendo falado.

– Veja bem, Henry, tudo que vou explicar, se você for a qualquer outro médico. Ele te dirá que sou lunático, que acredito em coisas que não existem. Bom, mas, em todas as pesquisas que tenho feito, nestes vários países que visitei. Descobri muitas coisas, em relação ao quadro de sua noiva. Devo dizer que mesmo sem vê-la, pelo relato que me fez, já tenho uma leve compreensão e até suspeita do que devemos investigar. Nós falamos muito em estresse, em estar estressado. E eu te pergunto, o que é estresse?

Hum, a pergunta dele me pega desprevenido pra elaborar algo, porém resolvo que responderei o que tenho em mente.

– Bem pra mim, é uma forma de o organismo se manifestar diante de algo que o incomoda, uma resposta orgânica, e mental, nossa, diante de uma situação estressora, ou agressora. A meu entender é isto.

– Excelente! Basicamente é isto mesmo, o que dá a entender que, é uma reação extremamente saudável de qualquer organismo. Porém, se esta reação se prolonga por muito tempo, ou seja, se nosso organismo tiver que suportar estas cargas por um tempo muito longo, isto torna-se prejudicial. Imagina seu corpo se preparando para o ataque e para a sensação de perigo o tempo todo? Pelos seus relatos, ao que parece, é o que tem acontecido com ela. Agora ela está começando a viver a pressão de uma mente que está esgotada de tantos bombardeios. Então, quais seriam os riscos disto? Ao certo, eu não posso precisar, pois cada organismo funciona de uma forma. Porém, o grande risco está em ela sofrer neste intervalo um trauma muito forte. Isto sim pode comprometer muitas coisas, e inclusive deixar sequelas emocionais graves. O que também não posso prever é como isto vai acontecer ou qual a intensidade disto e ainda, como que pode ocorrer de uma pessoa para a outra. O que ela está apresentando, é o que eu chamo de “Estresse pós-trauma” ou “Estresse pós-traumático”. Onde o seu organismo, através da mente dela, está reagindo depois de todos estes eventos que vem o bombardeando, e dizendo: “Olha, você está me sobrecarregando, eu não estou dando conta, se você não parar, eu vou dar um jeito de parar você, nem que seja te apagando”. Que no caso dela, são os nocautes com desmaios. Bem, a partir daí, não tenho como prever. Como a mente dela reagirá caso as coisas se intensifiquem mais. O que posso dizer, é que a partir de agora, precisamos evitar deixa-la experimentar eventos estressores. Esta deve ser a princípio a meta de vocês. Você tem observado se ela tem estado mais sensível, ou chorosa?

– Sim... Hoje, mesmo falamos sobre isto.

– Então...

Tudo que Dartanhã me fala, entra em meu peito de forma dolorida! Pois, me leva a realmente dimensionar, o quanto minha Valerie vem sofrendo...

Tio Heitor respira fundo, olha para mim e diz...

– Bem, a nossa responsabilidade é praticamente proporcional ao seu tamanho grandão! Ou seja, ela é enorme. Precisamos realmente cuidar muito da branquinha. E pelo menos nisto quero que saiba filho, você não está sozinho nesta. Estou com você. Aliás, eu e sua tia estamos com você tenha certeza disto.

De certa forma, as palavras de tio Heitor me deixaram mais relaxado, pois, passar uma pressão deste tamanho, totalmente sozinho. Não é fácil!

Bem neste momento eu me levanto e digo:

– Vamos...

Já com uma ânsia enorme de estar ao lado de minha noiva para protegê-la. Os outros me acompanham e seguimos em direção à casa de tio Heitor...

Ao chegarmos, todos esperam ansiosos na sala. Todos menos Valerie. A tia me disse que ela ainda esta dormindo.

Assim, eu deixo todos, pedindo licença para retirar-me, e vou até ela, no quarto. Ao entrar, tranco a porta. E observo o quanto dorme profundamente.

Chego próximo a ela e sento-me a beirada da cama. Assim, beijo seu rosto, em seguida seus lábios... Então digo...

– Amor? Princesa, infelizmente eu preciso te acordar... Temos visitas, e estão te esperando...

Ela primeiro esfrega os olhos, depois pisca algumas vezes. Porém, ao abrir olhos e focá-los um pouco se assusta ao olhar ao redor...

– Amor onde eu estou? Ela diz alarmada.

– Acalme-se Valerie, na casa dos Lancelot’s. – Ela ainda continua tensa, e por fim me olha e diz...

– Não me lembro de como cheguei...

– Eu sei, é porque você chegou dormindo e eu te trouxe no colo.

Eu disse a ela sorrindo.

– Ah sim...

– Devo dizer que tia Clara nos deu este quarto. Ela na verdade não sabia o que fazer, então, perguntou o que eu preferia? Já que eu não quis deixar você dormir sozinha esta última noite. Assim, ela fez-me escolher entre você dormir com Sophie, ou ela me daria um quarto de casal ou de solteiro. E achei melhor pedir o de solteiro, para não nos expor.

– Claro Henry, mesmo por que eu creio que as pessoas não acreditariam muito se disséssemos que usamos uma cama de casal só para dormir amor, sendo que somos noivos. – Ela sorri fazendo graça daquilo e eu entro na atmosfera.

– Hum... Mas, saiba que será por muito pouco tempo que nossa cama de casal será usada só para dormir viu amor?

Ela sorri e diz...

– Eu sei... Gosto desta ideia, pois, é muito pouca utilidade para um objeto tão útil!

E rimos juntos. E agora ela me puxa e toma meus lábios num beijo gostoso...

– Hum... Lindo, acho que posso me acostumar com isto... – Ela diz dengosa em meus lábios...

E como eu adoro aqueles lábios.

– Com o quê amor? – Pergunto-lhe curioso ainda provando seus lábios.

– Ser acordada sempre... E de um jeito tão gostoso como este... Estou ficando mal acostumada amor!

Ela diz nos meus lábios, entre beijos.

– Pois, saiba que... Para mim será um prazer... Acordá-la assim todos os dias.

Digo ainda com seus lábios nos meus.

– Hum... – Ela diz em meus lábios e puxa-me mais junto a seu corpo e diz... – Venha aqui... Deita-se só um pouquinho comigo...

– Mas, amor... – Tento dizer em seus lábios. — Temos visitas...

– Eu sei... Não vamos demorar meu amor... Só quero curtir você um pouquinho!

Não resistindo faço exatamente, o que ela está me pedindo. E no mesmo instante ela me envolve em seus braços num abraço delicioso. Levando-me a retribuir o gesto e dizer-lhe sem abandonar o beijo...

– Amo você!

– Assim como amo você Henry, e o amarei para sempre!

E bem naquele momento e naquelas palavras, minhas barreiras que ainda sustentam meu medo escondido, cedem.

Então, afasto meu rosto do seu e coloco meu braço por debaixo de sua cabeça. E olhando com total amor em seus olhos, digo-lhe.

– Valerie, eu estou com tanto medo amor, mas tanto...

Luto contra as lágrimas que a esta altura se formam em meus olhos... Ela me olha atentamente e pergunta-me com carinho...

– De quê meu amor?

Respiro fundo, e resolvo que preciso compartilhar aquilo com ela...

– De algo estar acontecendo com você... Estou tão preocupado... Tenho evitado te mostrar isto, mas, no fundo eu estou em desespero...

Bem neste momento, ela olha-me com um olhar tão amável, mas tão amável e diz...

– Eu sei lindo. Eu tenho percebido toda a sua preocupação comigo, Henry. E eu quero repetir o que sempre digo a você amor: que eu te agradeço muito por cuidar tão bem de mim. Eu tenho visto tudo o que você é capaz de fazer por mim Henry. Você só tem me dado o seu melhor, você tem feito tudo o que pode e está ao seu alcance, e até além. Porém, você precisa ter mais confiança, aliás, não só você, nós precisamos amor, acreditar. Vencer os nossos medos. Você este medo terrível de me perder e que na verdade, reflete a dor da perda de sua mãe, e eu este medo de cair novamente nas mãos de Mildrad. Só eu sei como não é tarefa fácil Henry. Porém, é algo muito necessário, se quisermos levar uma vida saudável. Pois, agora mesmo eu tenho certeza que eu estou exatamente assim, por que o medo vem me consumindo amor. E confesso, não quero viver isto à vida toda.

Como ela me conhece, por mais que eu corte voltas para dizer a ela, ela sabe que o que eu mais temo, é perdê-la...

– Sim amor, é isto. Eu nem sei por que, mas, eu estou com tanto medo de perder você Valerie. E eu não suportaria amor. Você é tudo pelo que sonhei e lutei a minha vida inteira, tudo que passei só tem sentido hoje, por que tenho você.

Bem neste momento, eu sinto, o quanto ela aumenta seu aperto sobre mim. Ela movimenta-se de uma forma, que agora tem seu corpo sobre o meu. O que me surpreende muito. Então, ela traz seu rosto a centímetros do meu e olhando-me com intensidade diz...

– Henry, eu quero que preste atenção meu amor. De tudo que eu vivi, eu nunca experimentei coisas tão maravilhosas quanto as que eu tenho experimentado com você. Eu sinceramente gostaria muito de poder viver longos anos ao seu lado. Porém, se algo me acontecesse hoje, e eu viesse a deixar este mundo, eu iria feliz, pois você foi a melhor coisa que já me aconteceu amor. Eu amo você demais da conta Henry. E, embora eu saiba que algo vai acontecer, e devido a este fato, eu também, esteja com medo do que pode ser. Eu no fundo ainda tenho esperança no nosso amor! Eu creio lá no fundo do meu coração, que Deus nos uniu com um propósito maravilhoso! E que ainda não entendemos, mas, um dia nós iremos compreender. E Henry, não importa o que eu tiver de passar, se VOCÊ, exatamente VOCÊ entendeu? Permanecer ao meu lado, eu sei que posso vencer e superar. Simplesmente por que nós estaremos juntos, e juntos eu sei que podemos qualquer coisa meu príncipe. Portanto, seja forte amor. Eu preciso que você seja forte, por mim, por nós. Pois, tenho certeza que Deus separou a VOCÊ para estar do meu lado exatamente nestes momentos que estou vivendo agora, pois, Ele sabe que, você, é o homem ideal para isto amor. Você tem tudo que eu preciso para passar por isto. Você é forte, persistente, corajoso, bom, amoroso, cuidadoso, carinhoso, e muito romântico, não posso deixar de dizer, por que eu amo isto em você. Eu amo você demais Henry. E neste momento, eu preciso deste Henry, forte e corajoso, para vencer esta fase difícil ao meu lado. Não desista amor, ainda que as coisas fiquem mais árduas. Eu preciso que você não desista, pois, se você permanecer firme, eu sei que eu também vou permanecer! “Você é o meu Refúgio!” – Ela disse este final com os olhos cheios de lágrimas.

E naquelas palavras dela, tão sinceras e verdadeiras, eu encontrei, encontrei em mim as forças que eu precisava. Pois, ali eu pude ver, o quanto realmente ela vem sofrendo com tudo isto. E pude contemplar e sentir o seus medos. E desta forma, eu noto o quanto ela vem lutando para ser forte por mim, e no fundo eu sei que por trás daquelas palavras, está um pedido de socorro, não, na verdade, está um grito desesperado por socorro dela para mim. Então, com esta compreensão agora, eu respondo...

– Do fundo do meu coração Valerie, eu te prometo, que não desistirei! Passaremos tudo que tivermos de passar juntos, hoje e sempre! Não importa o que aconteça, eu serei forte por você minha amada, por que eu realmente amo você!

E agora, envolvo sua cintura com um braço e sua nuca com uma mão. Então, tomo seus lábios nos meus e aperto seu corpo junto a mim. Beijo-a com vontade, como se minha vida dependente daquilo. E na realidade, depende mesmo, pois, minha sobrevivência depende do destino desta mulher. Imediatamente nossos corpos reagem ao contato tão próximo e tão intenso, levando-nos a gemer juntos de desejo.

De repente, viro-nos de uma forma que agora a tenho sob meu corpo, e embora não coloque todo meu peso sobre ela, ainda sim, pressiono seu corpo com o meu contra a cama. Fazendo-a gemer de puro desejo, e arranhar minhas costas e minha nuca. Porém, naquele instante, ela puxa meus cabelos, afastando meu rosto. Para em seguida deixar meus lábios e dizer...

– Desculpa Henry, eu não quis ultrapassar os nossos limites. – Dou-lhe um sorriso e respondo.

– Não tem importância! É bom sentir tudo isto de vez em quando.

Olho naqueles olhos, que me conectam com sua alma. Começo lentamente, beijar toda a sua face. Sua testa, seu nariz... Roço os lábios nos seus, beijo os seus olhos, cada um a de suas bochechas, seu queixo, e também dou uma leve mordida ali. Volto a roçar seus lábios. E agora percorro toda sua extensão com minha língua, fazendo-a separá-los. A esta altura, eu sei que está tão sedenta por um beijo quanto eu, porém, ainda não cedo. Agora eu mordo seu lábio inferior e deslizo-o entre meus dentes com delicadeza, fazendo-a geme e estremecer sob mim.

Por fim ela diz num lamento...

– Hum... Amor, eu quero um beijo, quero seu beijo Henry.

Coloco a cabeça na curva de seu pescoço e começo a sorrir ali e digo contra a sua pele.

– Estou te beijando linda. — E beijo seu pescoço...

Ela puxa meus cabelos para eu olhá-la e diz...

– Quero seus lábios gostosos no meu, quero sua boca na minha me enlouquecendo meu amor.

– Ah Valerie... Por que você pediu?

Digo-lhe e agora devoro seus lábios com paixão, fazendo-a gemer, suspirar, e me apertar cada vez mais contra si mostrando-me toda a sua necessidade de ter seu corpo junto ao meu. Que era tão forte quanto a minha.

Neste momento, eu abandono seus lábios e olho novamente em seus olhos, totalmente alterados pelo desejo, e digo-lhe...

– Amo você Valerie! Cada dia mais princesa, e te desejo demais minha futura esposa! – Beijo seus lábios agora suavemente, respiro fundo e digo... — Mas, agora, vamos. Pois, eu creio que eles já devem estar pensando, que ao invés de te acordar, eu dormi junto com você amor. – Eu disse sorrindo levando-a sorrir junto, terminando de espantar toda a tensão provocada pelo nosso desejo mútuo, que ainda estava no ar. E em seguida levantei-me junto com ela, que já se mexia para deixar o quarto organizado antes de sair.

Então, ela aproxima-se e vem até mim e diz-me:

– Henry, eu sonhei com Peter...

Aquilo de certa forma me sobressalta. Porém, disfarço, e pergunto.

– Posso saber o que sonhou amor?

– Claro Henry!

Então ela descreve-me seu sonho, e no final diz que se sente feliz por saber que Peter estava feliz por ver que ela e eu estávamos bem. Confesso que eu fiquei aliviado!

Assim que falamos sobre o sonho...

Ela pede um instante e vai até o banheiro, e quando sai de lá, os cabelos estão penteados, já sem a trança que fiz, o rosto lavado e semblante refeito. Tomo sua mão na minha, beijo seus lábios e falo...

– Como sempre, está linda minha futura esposa, a quem amo tanto!

Ela sorri e roça a pontinha de seu nariz no meu, e beija a curva do meu pescoço com suavidade e diz...

– Obrigado meu futuro maridinho perfeito e gostoso demais.

Nem preciso mencionar o ardor no meu rosto, com suas palavras. Ela sorri me vendo corado. Porém, não faz comentário algum.

Assim, nós seguimos até a sala onde todos nos aguardam.

Ao chegarmos. Vejo Dr. Dartanhã Dra. Helena, olharem Valerie admirados.

Então, apresento-lhes minha noiva.

– Dartanhã e Helena, esta é Valerie, minha noiva.

– Olá, Dr. e Dra. Tio e Tia, rapazes e Sophie, boa tarde. E a vocês dois, muito prazer.- Ela diz referindo-se ao Dr. e a Dra.

Eles respondem já totalmente absorvidos pelos encantos de minha princesa.

– Boa tarde Sta. Valerie.

Assim que terminamos os cumprimentos, Aquiles entra na sala para deixar-me um recado. Ele aproxima-se até mim e diz em tom baixo de voz...

– Senhor, eu pretendo fazer uma ronda pelo local e volto logo.

– Tudo bem Aquiles. – Digo-lhe.

Porém, quando Aquiles é notado pelo Dr. e Dra., eles se alegram e Dartanhã diz...

– Aquiles, quanto tempo! Que bom te ver! Como você anda? Nunca mais retornou...

– Aquiles o olha feliz, mas, um pouco constrangido. Então responde.

– Olá Dr. Dartanhã e Dra. Helena. O prazer é meu. E na verdade, o sumiço é devido ao trabalho. Mas, eu tenho necessidade de retornar sim. E creio que em breve o farei.

Aquilo me surpreende um pouco, então. Aquiles é paciente doe Dartanhã? Mas, por quê?

E Dra. Helena naquele instante, olha espantada de Aquiles para Valerie. Muito embora, ela tente ao máximo disfarçar. O que Aquiles nota e olha para ela com olhar de alarme. E Dartanhã, então, nota e diz.

– Meu Deus eu não tinha percebido... – Porém, ao olhar para Aquiles de novo ele vê seu desconforto e diz... – Desculpe Aquiles. Acho que os presentes não sabem...

Aquiles não o deixa terminar, e diz educadamente...

– Não senhor. E se me permite, no momento eu não gostaria de falar a respeito.

Percebo que, todos a partir disto, têm sua atenção voltada para a conversa entre os dois. E noto tio Heitor com olhar atento e observador.

– Claro Aquiles, nos perdoe. Mas, é que a surpresa e o choque, foram grandes. Bem, tenho uma sugestão. Eu ficarei na cidade até terça. Que dia você irá embora?

Aquiles olha para mim, procurando saber, e eu respondo.

– Amanhã Aquiles, provavelmente após o almoço, mas por quê? — Pergunto agora ao Dr. que responde...

– Bem, na verdade, se Aquiles quiser, eu posso atendê-lo pela manhã. Por volta das nove, aproveitando que estamos na mesma cidade.

Pela insistência de Dr. Dartanhã, tenho a impressão que Aquiles precisa daquilo, e o Dr. está tentando persuadi-lo a ceder e não recuar. Assim, eu respondo...

– Ele irá Dartanhã. Pode deixar marcado, pois, Aquiles irá.

Aquiles me olha e tenta se justificar...

– Mas, senhor, eu estarei de serviço...

Não o deixo terminar...

– Aquiles neste horário, não estará mais. Pois, você estará dispensado. Hoje, você está trabalhando por espontaneidade, e eu estou lhe retribuindo, algum problema nisto?

Por fim, rendido, Aquiles cede...

– Não. Tudo bem. Obrigado senhor Lazar. E boa tarde a todos, estou indo, com licença.

Aquiles sai, rapidamente.

Assim, pergunto aos Doutores...

– Sei que há questões pessoais envolvidas e não quero saber sobre elas. Mas, o que quero saber é: Aquiles está doente?

– Não Henry. Na verdade, houve alguns acontecimentos na vida dele há algum tempo atrás, em que ele ficou com algumas sequelas emocionais naquele nível que conversamos agora a pouco. E nesta época ele ainda fazia parte da Guarda e devo dizer que, ele era um de seus guerreiros mais valiosos. Aquiles é muito bom no que faz, e apesar de tudo que ele passou, ele ainda é o melhor. Porém, assim que ele apresentou uma melhora, e que ele resolveu se desligar da Guarda, ele sumiu do tratamento. Creio eu que, seja por que acaba tendo que lidar com aquilo que ele quer tanto esquecer. Só que eu preciso e quero reavaliá-lo para saber como ele realmente está. É só isto...

– Tudo bem então... – Eu digo. Mas, ainda assim, algumas coisas me preocupam.

Neste momento, percebo que todos estão apreensivos, embora tentem estar ocupados conversando entre si ali na sala. E sei que o motivo é o mesmo meu, preocupação com o estado de Valerie. Vejo isto em cada olhar, principalmente em tio Heitor e tia Clara que de vez em quando, disfarçadamente, olham-na com carinho e compaixão. Mais uma vez, tenho a prova de o quanto minha noiva já é amada por eles.

Então, digo ao Dr.

– Dartanhã, podemos começar? – E agora me volto à tia Clara e ao tio Heitor. — Porém, acho que precisamos de uma sala. Podemos tia e tio?

Bem neste momento, tia Clara intervém, pois percebe que precisaremos de privacidade para aquilo.

– Bem, eu creio que isto é algo muito pessoal e vocês devem sim, ter um espaço reservado para o atendimento. Assim, podemos ceder o nosso escritório não é meu bem? – Ela pergunta agora ao tio Heitor.

– Claro, fiquem a vontade. – O tio diz e nos conduz até o escritório.

Entramos no escritório. Eu, Valerie, Helena e Dartanhã. E assim que estamos todos no ambiente, Helena tranca a porta.

E Dartanhã diz...

– Bem, eu farei minha parte e assim que nós concluirmos, eu deixo vocês com Helena.

– Tudo bem. — Eu respondo.

Noto que Valerie está apreensiva e ansiosa. Primeiro, por que, eu sei que para a maioria dos moradores da Vila, ir a um médico não é uma coisa comum. Assim, esta é uma experiência estranha para ela. E sinto o leve tremor de suas mãos, que por sinal, estão geladinhas.

Desta forma, olho em seus olhos, lhe transmitindo segurança. Porém ela logo desvia os olhos do meu e sei que algo a incomoda.

Percebo que Helena observa aquilo então ela diz...

– Dartanhã querido, eu preciso conversar algo com você antes de começarmos. Você pode me acompanhar?

– Sim querida. – Ele responde e os dois saem pela porta e antes de fechá-la, a Dra. Diz...

– Dentro de cinco minutos voltamos.

E sei que ela está nos dando um tempo, pra conversarmos com privacidade.

Assim que saem, olho para Valerie e pergunto-lhe...

– O que a incomoda amor?

Ela respira e diz...

– Tudo isto Henry. Eu não estou acostumada. Isto é comum para você. Mas, para mim não.

Fico impressionado com o quanto eu já a conheço. Ela realmente está insegura.

E neste momento, eu vejo o quanto ela está assustada. Valerie é o tipo de pessoa que procura se adaptar fácil ao que colocamos a ela. Porém, ela tem sim, seus temores e inseguranças, e na maioria das vezes, tenta lidar com eles sem importunar a ninguém. Sei que esta situação deve ser um incômodo que excede seus limites, pois, senão, ela não falaria a respeito, ou procuraria não demonstrar.

Então, tomo seu queixo para que olhe para mim, e envolvo sua cintura. Assim, digo-lhe...

– Ei, me desculpa ter ignorado o quanto tudo isto é novo para você. Não faço por mau meu amor, é por que tudo isto é comum para mim. E eu acabo não considerando, que mesmo sendo algo bom que estou lhe oferecendo, é algo novo para você, e a princípio pode parecer assustador. Mas, quero que saiba que eu estou aqui, ao seu lado. E passarei tudo que tiver que passar com você meu amor. Eu prometo que vou cuidar de você o melhor que eu posso, e o meu melhor inclui estas coisas. Então, eu te peço, por mais difícil e inusitado que seja, me deixa oferecer estas coisas a você princesa. Desfrute com prazer. E pense bem, em outra oportunidade, já não será tão assustador, pois, já não será algo novo. Hum... O que me diz?

– Promete que vai ficar comigo? – Ela realmente precisava de mim, e estava deixando isto claro. Mais uma vez, ela deixa evidente isto pra mim.

– Claro amor. – Respondo com toda a convicção que posso.

– Mesmo que as coisas fiquem constrangedoras?

– Hum... Está se referindo a quando for ser atendida pela Helena?

– Sim...

Ela responde corada. Eu ficarei, sim, mesmo por que Helena já havia me colocado isto claro, quando conversei com ela interiormente.

– Tudo bem, eu prometo. Amor eu percebo que no fundo você também não gosta de falar sobre nossa intimidade não é? Não é só uma questão minha...

Espero sua resposta com curiosidade.

– Na verdade não. Eu não gosto Henry. – Ela diz sincera.

– E eu posso saber por quê?

– Sim, primeiro pelo óbvio, é constrangedor. Segundo, eu não gosto de expor você, e terceiro, eu NÃO gosto de pensar na ideia de alguém percebendo suas habilidades e despertando interesse para isto amor, apesar de que, neste caso, isto não se aplica a nossa conversa com Dra. Helena. – Ela diz aquilo extremamente corada. Por fim dou-lhe um sorriso e digo-lhe...

– Então, no fundo, tem haver com ciúmes também?

Ela acaricia meu rosto, e diz...

– Claro Henry, eu morro de ciúme de você amor, já disse, não te divido príncipe!

Ela diz aquilo com firmeza evidenciando o quanto à ideia é repugnante para ela. Então, sorrindo, e sedutoramente digo...

– Hum... Mas, eu não tenho tantas habilidades assim tenho?

– O que? Amor você é maravilhoso! Por que você acha que assim que terminamos de fazer amor pela primeira vez, eu já deixei claro que queria mais? É bom demais fazer amor com você Henry, já disse que você é delicioso Sr. Lazar, e é demais!

Sinto meu rosto queimar com aquilo. Porém, devo dizer que estou maravilhado, e meu ego de homem está nas alturas. Então, trago seu corpo mais junto ao meu e digo-lhe...

– Hum... Amor, você me enlouquece dizendo estas coisas para mim! Mas, você deve saber que você também é muito, mais muito deliciosa minha noiva! E que também morro de ciúme de você viu? Então, estou de olho.

Ela sorri mais relaxada agora e pergunto-lhe...

– Podemos prosseguir então?

– Sim Henry, podemos...

Assim, que termino de perguntar-lhe, os doutores entram na sala.

– Antes de qualquer coisa, por favor, deixem as formalidades de lado, então, nada de Dr. e Dra. Isto faz-me sentir uma velha diante da juventude de vocês, Helena diz sorrindo. E respondemos sorrindo também.

Eles sentam-se próximos, atrás da mesa, e nós sentamos também próximos. Assim, digo-lhes.

– Estamos prontos.

E com sua amabilidade e educação, Dartanhã pergunta Valerie.

– Você também, está realmente pronta, Sta. Valerie?

Ela olha para mim, e neste instante aperto sua mão para lhe evidenciar o quanto estou ali por ela e para ela. Ela sorri para mim, e olha para ele e responde.

– Sim, agora estou.

Ele e Helena sorriem e ele começa.

– Conte-me o que trás você até mim Valerie. Quais são as suas queixas?

– Bem, aconteceu algo ontem, que me deixou muito abalada. E depois deste evento, eu desmaiei e pelo que eu percebi, demorei a retornar. E depois que retornei venho tendo dores intensas de cabeça, passei por mais dois desmaios e uma tontura. Basicamente é isto.

Dartanhã a olha, assumindo agora, um tom profissional. Então, prossegue.

– Quantos anos você tem Valerie?

– Dezenove.

Percebo que ele fica bem impressionado. E creio eu que, é por ela ser tão nova e já ter experimentado tanto sofrimento.

– Hum... Você é bem novinha. E já passou por bastante coisa, segundo Henry.

Ele diz confirmando o que pensei.

– Hum Rum... — Valerie diz.

– Me fale um pouco de sua vida...

Ela olha-o desconfortável, e eu aperto sua mão dando-lhe um sinal de que, aquilo é necessário, então, ela respira e diz...

– O que especificamente quer saber?

Ele sorri e diz...

– Bem, coisas significativas para você, coisas que de alguma maneira a marcaram, podem ser boas ou ruins.

– Bem, minha vida, foi normal e comum, durante algum tempo, tirando o fato de que... – Ela hesita um pouco naquele instante e sei que é por que falará de coisas que são penosas para ela. Então afago sua mão, tentado mandar-lhe ondas de tranquilidade. – Meu pai, depois de um tempo passou a beber muito, e aquilo me incomodava demais, pois ele se tornou muito ausente, e eu sentia muito sua falta. Muita mesmo, pois ele sempre foi presente antes, e ele me transmitia muita segurança... — Aquilo foi uma surpresa para mim, nunca imaginei que a bebedeira de Cesaire o afastou tanto dela a ponto dela sentir tanto. Talvez, por isto tenha se apegado tanto a Peter então. — Tive uma grande amizade na infância, e bruscamente fomos separados por algumas circunstâncias por anos, aliás, por dez anos, na verdade. – Sabia que neste momento ela se referia a Peter, e ela me olhou, buscando os meus olhos. E tenho certeza que, era para saber o quanto aquilo me incomodava, porém procurei sorrir para que ela pudesse ver que, aquilo não me afetava. Assim, ela continuou. – Bem, quando nos reaproximamos, há dois anos, houve eventos muito significativos na minha vida: perdi brutalmente, minha irmã, depois minha avó. – Ela para e respira fundo naquele momento, e sei que é por que, rememorar aquilo ainda é muito penoso para ela. – Meu pai, logo em seguida desapareceu. E esta pessoa que significava muito para mim também. E foi a partir daí que eu e Henry nos aproximamos. Em um resumo breve, é isto...

Dartanhã a olha com admiração e carinho e diz.

– Tem mais alguma coisa significativa que deixou de mencionar?

Ela respira profundamente e então diz, com uma voz falha...

– Em meio a estas perdas, eu quase fui morta por acusação de bruxaria pelos moradores da vila. Na verdade foi Henry que não permitiu. – Ela respira de novo. Não foi fácil aquilo. – Ela respira mais uma vez, hesita... – E há alguns dias, uma pessoa que fez algo, muito ruim comigo na minha infância... – Ela para de novo e eu sei que, neste momento, ela está por um fio... E fico mais atento agora, e Dartanhã também. — Voltou a me perseguir e isto não tem sido nada fácil para mim.

Ela termina tudo num fio de voz, e quando ergue a cabeça, duas lágrimas correm de seus olhos, mostrando-nos o quanto está sendo árduo acessar tudo aquilo para ela. E sei que ela está se segurando o máximo para não desabar. Dartanhã percebe também, e a olha com compaixão. Porém, logo recobra a postura profissional e diz.

– Desculpa Valerie, por estar fazendo você falar destas coisas, mas, infelizmente, é necessário. E eu preciso saber de uma coisa, esta pessoa que você diz que te fez muito mal na infância, o quão mal foi? É possível falar sobre isto?

Neste momento ela olha para mim, e seu olhar é de súplica, eu sabia que ela queria dizer, mas, era difícil demais para ela, exigiria tudo de si. Seus olhos enchem-se de lágrimas, suas mãos começam a ficar trêmulas, e a esta altura eu sei que as imagens daquele dia terrível já percorre sua mente. E ela está num embate interior tentando dizer, mas, não consegue...

– Eu... Eu... Não consigo...

E nesta hora ela desaba! O choro vem com tudo, com força total, aproximo-me mais e ela abraça-me e chora desesperadamente, e eu vou acalmando-a passando as mãos em seus cabelos, enquanto ela tem seu rosto em meu peito.

Olho para Dartanhã e seu semblante está transtornado de tristeza pelo estado de Valerie. Ele aproxima-se e senta-se perto, pede permissão no olhar para mim se pode tomar sua mão, e eu lhe dou.

Assim, ele pega a mão de Valerie, põe sobre sua palma e diz...

– Valerie, querida, tente acalmar-se um pouco. Eu não vou forçar você a falar, eu jamais faria uma coisa desta. Você só falará o que estiver pronta para dizer. Mas, eu preciso dizer uma coisa, porém, eu antes gostaria que olhasse para mim, você pode?

Ela assente que sim com a cabeça, e aos poucos levanta o olhar...

Ela ergue a cabeça ainda soluçando, e devo dizer que é péssimo para eu ver seu estado...

– O que você sente quando fala a respeito disto?

– Hum... Muita vergonha, tristeza, revolta, medo e uma angustia enorme...

– Você percebe o quanto estas coisas mechem com você, emocionalmente e até fisicamente? Você tem consciência disto?

– Sim... — Ela simplesmente responde.

– Pois é... E eu preciso te fazer outra pergunta diante disto. – Dartanhã diz a ela.

– Pode fazer. — Ela diz.

– Bem, o que você gostaria de fazer com estas lembranças que te incomodam, caso você tivesse domínio sobre elas?

– Bem, se eu pudesse, se eu conseguisse, eu gostaria de esquecê-las.

– Isto, exatamente. É neste ponto, que agora, eu quero que você preste muita atenção. Você não tem como fazer isto voluntariamente, ou seja, por sua vontade. Porém, sua mente, que na verdade é quem domina todo o seu corpo, de certa forma ela tem todo este controle, que não depende de você. Quando passamos por muitas coisas significativas que nos geram intenso sofrimento e por tempo muito prolongado como você vivenciou, pode acontecer de, em algum momento de nossas vidas nossa mente começar a nos dar sinais de que ela não está dando mais conta de tanta pressão e de tanto estresse ou sofrimento principalmente se por um longo tempo. Assim, ela vai buscar no nosso corpo, mecanismos que nos parem de alguma maneira, ou até mesmo mecanismos que não nos permita mais acessar, ou por curto período ou por um espaço de tempo maior, as lembranças que são a fonte daquelas angustias. Assim, quando a mente percebe que algo muito intenso que possa remeter e a estas lembranças dolorosas, fazendo com que ela tenha de lidar com aquilo num momento em que ela não esteja preparada, ela usa este mecanismo como bloqueio. Então, pra mim, tudo leva a crer, que é isto que está acontecendo com você através dos desmaios e das dores de cabeça. Por exemplo, quando falou sobre estas coisas, você percebeu o quanto suas mãos ficaram trêmulas?

– Sim, e a minha cabeça voltou a doer...

– Hum... E ela está doendo agora?

– Sim, muito.

– E por que você não me disse?

Valerie da um leve sorriso, e como eu a conheço. Eu sei que é por que na verdade ela não quer incomodar, muito menos interromper. Porém, Dartanhã, compreende, e diz seriamente a ela...

– Valerie, ouça bem: o que você está passando é algo sério, e vamos falar sobre isto agora, porém, quero que desde já, guarde uma coisa para você. Seu estado hoje, neste momento, requer muitos cuidados, e a primeira coisa que vou exigir de você, é que pare de guardar suas questões e seus desconfortos, somente para você. Seu quadro inspira cautela e você terá de aprender a se permitir ser cuidada. Entende? Você vai precisar a neste momento aprender a se poupar mais. Deixar as preocupações e os estresses, a partir de agora, para o seu noivo, no momento você precisa ser preservada.

E naquele instante, ela olha alarmada para mim, e eu sei exatamente a preocupação dela. Ela está com medo de me sobrecarregar, diante de minha reação ontem. Com receio de eu não suportar. Então, digo-lhe.

– Amor, fique tranquila, já conversei com Dartanhã, vamos falar sobre isto. Assim que concluir com você. Porém, mesmo assim, ouça-o. Pois, no momento, eu estou muito melhor que você para lidar com tudo. Confia em mim.

Ela respira fortemente e diz.

– Tudo bem.

Assim, Dartanhã, volta a falar com ela.

– Eu já disse ao Henry, que se vocês forem a outros médicos e disserem o que estou falando, eles me chamarão de louco. Pois, tudo isto, que eu te disse trata-se de conhecimentos adquiridos por pesquisas minhas, nestes longos anos de estudo em várias partes do mundo. Porém, eu tenho convicção, que daqui a alguns anos, isto será uma visão comum e até muito mais abrangente. Pois, creio que teremos mais recursos para provar com mais facilidade, e até creio que poderemos realizar exames... Assim, para que você seja tratada comigo, você e o Henry precisarão confiar em mim. E aí o que me diz?

Ela olha para mim naquele momento. Então, eu lhe digo...

– Primeiro você. — Eu procuro deixar claro, que o que ela pensa e sente é muito importante para mim.

– Sim, eu confio.

Dou-lhe um sorriso e toco seu rosto.

–Também confio amor.

Digo com sinceridade.

Dartanhã agora pede a Helena, que até o momento está tão quieta observando, que nem me lembrava dela, que prepare um chá especial para a Valerie. Para as dores que ela está sentido. Ela sai para fazê-lo, mas, antes de sair dá um sorriso caloroso para Valerie.

– Diante disto... Pelo que você me relatou, e pelo que observei em suas reações de agora, no nosso contato de hoje, e também, pelo que Henry já havia observado antes. Seus desmaios e suas dores de cabeça sugestionam que sua mente está sobrecarregada com todos os eventos que você tem passado. E o fato de isto começar depois de um evento específico, pode ser por que este evento do jantar esteja ligado a algo que já aconteceu lá atrás que te marcou. E mais, Henry me disse que o desmaio, foi justamente quando você presenciou a cena dele transtornado. Não foi?

– Sim... — Ela responde olhando para mim, e fico constrangido com a lembrança nesta hora. E ela afaga meu rosto, me confortando.

– Bem, eu creio que isto está ligado, a algo. Eu preciso te fazer uma pergunta Valerie... – Ela assente que sim com a cabeça. — O que Henry representa pra você hoje?

Neste momento, ela olha para mim, e incrivelmente todo seu semblante muda. Seu sorriso é deslumbrante e seu olhar ganha vida, intensidade e exalam amor, desejo, carinho, confiança. Percebo que Dartanhã observa aquilo atentamente. O que vai me deixando encabulado, pela intensidade daquele olhar...

Por fim ela diz...

– Bem, hoje pra mim Henry representa tudo. Segurança. — Observo que aquilo, desperta a observação mais atenta de Dartanhã, porém, ele é extremamente discreto e profissional. — Esperança, cuidado, recomeço, amor, bondade, alegria, satisfação... Tudo, na verdade. Não tem como eu dizer algo diferente, Henry hoje é o meu tudo. Depois de todas as coisas que eu passei, ele foi um presente pra mim, um remédio para minhas dores, um alívio para o meu sofrimento... E muito mais...

Ela diz tudo aquilo olhando para mim. E eu fui me sentindo tão amado com aquilo. Porém, minha mente continuava atenta e trabalhando, assim, eu consegui entender onde Dartanhã queria chegar, devido ao que ele me disse na nossa conversa mais cedo. Eu represento a segurança e um referencial, dela. E o que ela disse no quarto para mim, volta a minha mente, seu grito de socorro dizendo que precisava de mim, que eu fosse forte, e não desistisse.

Então, Dartanhã diz...

– Sim. Você prestou atenção na sua primeira palavra?

– Hum... Sim, segurança?

– Sim... Bem, neste caso tudo leva a crer que quando você viu a pessoa que representa como você mesmo disse seu tudo, sua segurança, transtornado e ameaçado, sua mente assimilou aquilo como algo insuportável. E a forma que ela encontrou de lidar foi, te apagando, daí o desmaio. E as dores, podem, ouça bem, podem ser sinais da sua mente buscando te alertar: “Olha não continue seguindo por este caminho, não estou dando conta”. Veja bem, Valerie e Henry, eu estou explicando tudo de uma forma muito didática e tranquila para vocês entenderem. A coisa não é tão simples assim. É muito mais complexo só que eu preciso que entendam tudo bem?

– Sim. — Eu e ela respondemos juntos.

– Então, a primeira coisa, é reconhecer os seus limites, segundo, se permitir ser cuidada, terceiro, procurar fazer tudo que você gosta, que te dê prazer, para começar a dar a sua mente alguns motivos para que ela relaxe e saia do momento de pressão e tensão. E exatamente neste ponto, entra você Henry, como você é esta peça fundamental para que ela sinta-se em estado de bem estar, você é a figura central disto.

Valerie sorri para mim, e aperta minha mão, e tenho certeza que ela está se lembrando também de nossa conversa no quarto. E eu respondo...

– Claro, Dartanhã.

Valerie olha para mim, e acena com a cabeça e sei que ela quer trazer minha questão a tona. Então, entendo que chegou minha hora.

– Bem, acho que aqui então, surge a oportunidade de falar com você sobre a minha questão Dartanhã.

– Claro Henry. — Ele responde.

– Bem, acho que já deu para perceber que sou muito reservado e contido. Porém, como o evento que aconteceu no jantar de noivado, eu não consegui me conter. Ao contrário. Tive um acesso de fúria. E Valerie está apreensiva quanto a isto...

– Entendo... Bem, até aí é normal, porém, o que pode acontecer é que talvez, você já possa trazer todo este quadro de agressivo dentro si. Porém, num contexto de extrema pressão, ele extravasou. Se este for o caso, o que você pode fazer é canalizar isto de alguma forma para algo, uma atividade física, por exemplo.

– Eu já faço isto através da Guarda. Porém, a minha permanência na Guarda, tem sido um ponto de insegurança para Valerie. Daí a minha pergunta, o que eu faço?

– Hum... Compreendo. Bem... Basicamente, seria criar estratégias que lhe permitam lidar com isto. O que você não pode, é continuar retendo ou contendo.

Bem neste momento, Valerie olha para mim e dá um leve e pequeno sorriso, e tenho certeza que está querendo me lembrar de sua proposta de fazer isto nos nossos "momentos íntimos".

Aquilo me deixa vermelho, sinto-me corar intensamente. Mas, nenhum de nós diz nada.

– Bem, no mais, para o momento, é isto que tenho a dizer. Vou querer continuar te acompanhado Valerie só que resido em Livergoorn...

Não permito que ele complete.

– Dartanhã, ela estará viajando para lá domingo para passar quase um mês. Só gostaria de pedir que a atendesse na casa em que estiver hospedada. Pois, devido a sua segurança, suas saídas serão restringidas.

– Tudo bem para mim Henry. Agora tenho uma pergunta, vocês sabem quem é esta pessoa que a persegue?

– Sim, a família dele é de Livergoorn. Os Oxford's, inclusive, são muito amigos nossos, uma pena que o irmão...

Ele agora não me permite concluir...

– É Mildrad?

– Sim. — Eu respondo.

– Nossa... Henry, vocês precisam ter muito cuidado, ele é muito perigoso, pois, ele tem como álibis, pessoas de alto escalão, e que fique entre nós, há rumores de que ele tem acesso até de infiltrados na Guarda. E não sei se sabem, mas, ele é muito procurado, e não é fácil ter acesso a ele por causa destes álibis.

– Estou mais ou menos ciente por causa de Aquiles e sua equipe.

Declaro sinceramente.

– Preciso dizer que, Aquiles foi uma excelente escolha para o caso de vocês, juntamente com a equipe dele. Vocês estão em excelentes mãos.

Bem neste momento Dra. Helena chega.

– Que bom que chegaste Helena, nós já concluímos aqui. Agora deixarei vocês a sós, para ficarem a vontade.

– Obrigado Dartanhã.

Eu agradeço e ele sorri.

Dartanhã sai deixando-nos com Helena, e que por sua vez senta-se a nossa frente, dá o chá a Valerie e diz.

– Esta é uma porção especial preparada por um pesquisador amigo nosso, e que agora já é comercializada. Então vou deixar algumas para usar até amanhã e amanhã você compra o que eu receitar para ela Henry.

– Tudo bem. – Eu respondo e Helena agora se reporta a Valerie.

Sinto Valerie extremamente tensa, creio eu que preocupada com as perguntas que se seguirão. Eu também estou, porém procuro não evidenciar.

– Bem, a primeira pergunta, é: Para quando é o casamento Valerie?

– Para no máximo dois meses.

– Ainda não têm uma data específica?

– Na verdade não, em função desta viagem. Pois, teremos de reformar o local onde moraremos e só o faremos quando eu voltar, então, dependemos disto de certa forma.

– Tudo bem.

– O que vocês usam para evitar uma gravidez?

Hum... Ai meu Deus, e agora?

– Nada! — Valerie responde somente.

Helena nos olha surpresa. E aquilo também me surpreende, pois, eu não compreendo, porém, não intervendo, dando-lhe liberdade de conduzir tudo a sua maneira.

Então, Helena pergunta:

– Vocês não evitam?

– Não! — Valerie responde simplesmente e mais uma vez, fico sem compreender.

– Então, você corre algum risco de estar grávida neste momento?

– NÃO! – Valerie diz assustada e constrangida.

– Já tomou alguma coisa para evitar uma gravidez?

– Não!

Exatamente neste ponto consigo identificar o que ela está fazendo, ela está respondendo exatamente o que Helena pergunta, justamente tentando não nos expor. Porém, em seguida, Helena faz-lhe uma pergunta que complica sua estratégia:

– Me responda uma coisa, você é virgem Valerie?

Olho para minha noiva e ela está intensamente vermelha e pelo calor em meu rosto tenho certeza que estou da mesma forma.

Helena percebe o quanto ela está hesitante então diz...

– Você tem vergonha ou algum problema de responder estas coisas diante de seu noivo?

– Não! — Valerie diz prontamente. — Problema algum.

– Então, devo deduzir que tem dificuldade em falar de sua vida íntima é isto?

– Sim, muita. — Valerie diz com sinceridade.

– Bem, então me deixa dar uma orientação para você e que serve para os dois. Eu estou aqui como sua médica, e tudo o que for falado aqui, fica só entre nós. Eu preciso saber de algumas coisas para me direcionar em como orientar vocês. A não ser que não se importem em ter filhos logo, ou se não forem evitar. É este o caso?

– Não! Nós vamos evitar. Não pretendemos agora! — Valerie responde.

– Entendi. – Helena diz.

Naquele instante, me apercebi que talvez a grande dificuldade de Valerie fosse o medo de me expor, então, eu disse.

– Amor pode dizer tudo o que for preciso a ela, sem problemas. Tudo bem?

– Tudo bem pra você?

– Sim, tudo bem pra mim Valerie! – Digo a ela, e sinto que ela relaxa um pouco.

– Bem, então me conte, você é virgem? – Helena agora pergunta.

– Não!

E Valerie está roxa neste momento.

– Então já evitou a gravidez de alguma maneira?

– Sim. – Ela simplesmente responde.

– Qual o método?

– Camisinha.

– Sempre Camisinha?

– Sim.

– Algum problema em continuar com este método? – Helena pergunta.

– Bem, sim. Queremos tê-lo somente como uma opção. E não como método único.

– Tudo bem. Porém, devem saber que até o momento, é o método mais seguro. Há quanto tempo tem vida sexual ativa?

– Sim sabemos. Tive por cerca de um ano.

Estas palavras dela agora geram em mim desconforto, pois me remete ao seu tempo junto a Peter. Porém, não demonstro de forma alguma.

– Não tem mais?

– No momento não.

– Ah, me desculpe Valerie, agora eu estou entendendo. Desculpe Henry. – Helena me diz constrangida.

– Tudo bem, mas, para evitarmos mal entendidos, me deixa explicar algo posso? – Eu a pergunto. E olho para Valerie que me confirma que sim com seu olhar.

– Claro! – Helena responde.

– Bem, a Valerie tem um pouco de receio de falar, e tenho que admitir que de certa maneira, a culpa é minha, pois, eu sou extremamente reservado. Então, na verdade, tivemos sim, relação sexual, não estamos tendo no momento, mas, já desejamos que ela comece a evitar, pois, o casamento será logo e não desejamos correr o risco dela engravidar no início.

Vi que Helena ficou surpresa, e que Valerie estava envergonhada, e eu nem se fale.

– Bem, diante disto eu preciso fazer outra pergunta... Algum motivo específico, no sentido de dúvidas, falta de orientação ou até mesmo algum problema de saúde para não estarem com a vida sexual de vocês ativa? Pode ser falta de desejo, alguma coisa assim?

– NÃO!

Eu e Valerie respondemos juntos. O que nos leva a rir e Helena se junta a nós. Desejo é o que não falta, tem de sobra! Eu penso, e pelo olhar que Valerie direciona a mim, tenho certeza que está pensando a mesma coisa.

– Vocês me desculpem, mas, eu preciso averiguar, é assim mesmo viu?

– Tudo bem Helena. – Eu digo já sério novamente...

– Bem, é por opção nossa mesmo Helena. – Agora é Valerie quem diz.

– Ah, sim, compreendi. Mais uma vez me desculpem.

– Tudo bem. – Valerie disse.

– Bem, a primeira coisa que preciso dizer a vocês, é que dentro do quadro que você está cuidando com Dartanhã, Valerie, não é interessante mesmo, que você engravide agora, no momento. Pois, tudo que uma mãe sente, ou passa, o bebê passa junto a ela. É como se fosse um pedacinho de você, uma extensão do seu corpo entende?

– Sim, eu entendo. – Valerie diz apreensiva. — Mas, eu quero saber, o fato de eu estar passando por isto, pode ser algum impedimento para que eu engravide futuramente?

Valerie pergunta isto muito apreensiva e neste ponto, eu observo mais uma vez, o quanto é importante para ela ser mãe.

– Bem, se seu quadro não se agravar, não. Mas, se ele se agravar sim, pois, pode até mesmo dificultar para você nos cuidados como mãe. Pois, imagina você sensibilizada demais com um bebê novinho que chora toda hora, não sabe expressar o que sente... Ele vai precisar de uma mãe bem disposta para às vezes perder noites de sono. E no momento você precisa de repouso e cuidados, entende?

– Sim, eu entendo. – Valerie responde e percebo tristeza em sua voz, e noto que Helena também percebe.

– Mas, não se preocupe, pois, na hora certa, você terá seus bebês. Sou suspeita em falar, mas, confie em Dartanhã, ele sabe o que ele faz. É só você seguir todas as suas orientações, e dará tudo certo.

– Sim, claro. Mas, não é isto... – Valerie hesitava. – Eu tenho mais é receio de acontecer algo que não dependa de eu evitar entende. Só isto.

Ela diz aquilo triste, pois, na realidade, ela tem receio em relação aos acontecimentos com Mildrad.

– Sim, agora eu compreendi. Porém, você deve se concentrar em uma coisa Valerie. Pelo que percebi, Henry está fazendo tudo o que pode para garantir esta parte, ele tem disponibilizado os melhores para escolta-la e cuidar de sua segurança. Então você precisa relaxar. Entende? Aquiles é muito bom no que ele faz. E neste caso eu também posso dizer com certeza. Pois, eu também pude conhecê-lo. E acredite em uma coisa, os acontecimentos na vida dele, não o desqualificaram muito pelo contrário, o fez ficar ainda melhor.

– Tudo bem então. – Valerie diz mais receptiva agora.

– Faça assim, tenho uma ótima estratégia para você Valerie. Percebi que quer demais ter filhos, então se concentre nisto, que você precisa melhorar e ficar boa, ter estabilidade para ter seus bebês, então, faça disto sua estratégia, sua meta. O que acha?

– Acho ótimo.

E ela e Helena sorriem.

– Então, estamos combinadas, e vamos partir para a segunda etapa agora...

– Tudo bem, eu entendi.

– Bem eu, eu vou precisar examiná-la, algum problema que o Sr. Lazar fique?

– Vou precisar despir-me? – Valerie pergunta e eu fico tenso.

– Sim. – Helena responde.

– Então sim. — Valerie confirma.

– Então, Henry, por favor. – Helena diz pedindo-me licença.

– Claro!

Aproximo-me de Valerie e beijo seus lábios. E ela diz.

– Assim que terminar, eu te chamo.

– Tudo bem.

Saio do escritório, e vou de encontro aos outros, reunir-me com eles e quando tio Heitor e tia Clara me avistam dizem...

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– Algum problema? – Estão notoriamente ansiosos.

– Não, Helena irá examiná-la. – Eu respondo.

– Ah, sim... – Tia Clara diz.

Bem neste momento Dartanhã chega perto e pergunto-lhe...

– E aí Dartanhã o que você achou?

– Bem a primeira coisa que quero dizer, cuide dela Henry, pois fiquei chocado de ver uma pessoa tão nova e que já experimentou tanto sofrimento. Faça mesmo tudo o que puder para que Mildrad jamais ponha as mãos nela. E mais, ela realmente está abalada, e agora posso confirmar, é mesmo um quadro de “Estresse pós-trauma”. Então, é normal ela dar crises de choro de vez em quando, de desespero, ficar nervosa ou irritadiça, querer não ver ninguém e desejar se isolar, é importante ter paciência e não permiti-la se isolar. Mas, é comum eles desejarem isto, pois acham que estão dando muito trabalho, e que são um peso, ou um fardo na vida dos outros. Administre estas crises com sabedoria. Pois, se já estiverem acontecendo, podem se intensificar um pouco agora que ela está em no meio de um surto leve que provavelmente, foi desencadeado pelo evento do noivado.

– Claro, tenho feito e continuarei fazendo!

Digo a ele sinceramente.

– Que bom, fico feliz, e agora é sério mesmo, ela precisa repousar e ser mais poupada de aborrecimentos. Uma ótima sugestão é leva-la sempre para passear. Eu só estou preocupado com uma coisa, Heitor me disse que ela vai sozinha sem você para Livergoorn, pois, você estará envolvido com a reforma da casa de vocês...

– Sim, é verdade.

– Bem, eu tenho um conselho: se tiver um intervalo e puder ir vê-a eu aconselho. Tudo bem? Pois, como você mesmo presenciou e ouviu, você é uma peça fundamental para que ela se sinta segura e mantenha um nível saudável de bem estar.

– Claro, eu já tenho pensado sobre isto. Obrigado por tudo Dartanhã.

– Não me agradeça ainda, farei tudo o que for preciso por ela Henry.

– Obrigado, não sabe o quanto sou grato.

Assim, que termino de dizer, Valerie me solicita na sala, e despeço-me dos outros e saio.

Ao chegar, ela me recepciona com um beijo. Sento-me ao seu lado com sua mão, entrelaçada na minha. E Helena diz...

– Ela está bem Henry. Só para saber, você está ovulando Valerie, Sabe o que isto significa?

– Sim eu sei.

– Pois é, ter relação sexual neste período do início da ovulação, aumentam e muito as chances de promover uma gravidez portanto, acho interessante a partir de agora começar a acompanhar as contagens que te ensinei, para você ter uma noção melhor até o casamento. E para que isto te favoreça quando for se preparar para ter seu bebê. Tudo bem?

– Tudo bem.

Fico quieto, somente ouvindo e pelo olhar que Valerie me lança, sei que sabe do meu desconforto.

Então, ela sussurra para mim...

– Está acabando lindo!

E eu sussurro de volta.

– Sem problemas meu amor. Amo você!


POV MILDRAD



– Alô, tudo bem?



(- Tudo, e com você Mildrad?)


– Bem também. Vou ser muito objetivo. Lembra-se de quando prestei aqueles serviços para você?

(- Sim, claro, devemos a você até hoje por aquilo. Estamos ansiosos por poder retribuir.)

– Pois é. Você me disse que se eu precisasse de algum favor eu poderia solicitar, e eu disse que chegaria o momento. O momento está chegando. Quero que se preparem.

(- Claro. E o que precisará.)

– Bem, primeiro seguir os passos através da Guarda de um determinado sujeito. Ele é capitão da Guarda em um vilarejo. Eu preciso saber quando é convocado, para quais as missões, cada passo. Preciso da colaboração de seus infiltrados na Guarda do Reino...

(- Tudo bem é tranquilo para mim isto. Qual é o nome?)

– Henry Lazar, ele é de Dagoorhorn.

(- Sei quem é. Eu não o conheço pessoalmente, mas, é Guerreiro de referência, além de ser o cidadão mais nobre de Dagoorhorn.)

– Exatamente. Eu quero a cabeça dele! E esta é segunda parte, quero homens qualificados que no momento certo, vou colocar as mãos nele. Porém, tem de ser tudo minimamente orquestrado, pois, ele é esperto e está preparado. Tenho de ser paciente para agir no timing certo. Ouço rumores que contratou Aquiles e sua equipe.

(- Eu sei, comenta-se por aqui que Aquiles está responsável pela guarda de uma jovem de Dargoorhorn, a pedido do tal Lazar.)

– Pois é então, é isto, quero a cabeça dele.

(- Tudo bem, mas, preciso perguntar. O que ele te fez?)

– Ele tem algo que me pertence. E não dá para simplesmente tomar posse. Tenho de tomar posse e tirá-lo do caminho.

(Tudo bem então Mildrad, estamos à disposição e aguardamos seu contato com novas instruções.)

– Tudo bem, pode aguardar...

(Só uma Pergunta Mildrad...)

– Sim, pode fazê-la...

(Desculpe, mas você sabe mesmo o que está fazendo? O que você quer vale mesmo se arriscar tanto? É tão valioso assim que valha esta empreitada?)

– Por que desta pergunta?

(Bom, é que às vezes, nós queremos tanto uma coisa, que ficamos cegos para enxergar as consequências, só queria me certificar que esteja ciente disto.)

– Ué... Você deu para filosofar agora é? Está parecendo até minha irmã falando. – E dou uma risada de deboche.

(Não. É que à medida que os anos passam, e a idade vai chegando, a tendência é pensarmos mais nas nossas escolhas, mesmo para nós que vivemos do lado negro, a vida é boa demais, para arriscarmos deixar de desfrutá-la Mildrad. Desculpe falar isto, mas, é que... Eu não sei se percebeu, se você falhar nesta missão, não terá volta para você.)

– Por que diz isto? – Digo estarrecido.

(E não é óbvio? Você vai mexer com um cidadão de renome, um Capitão da Guarda, e com a equipe de Aquiles Mildrad. E não se esqueça que você já está sendo caçado. O que tem segurado as pontas, é por que com as infiltrações que temos, estamos sempre nos antecipando... Mas, algo me diz que depois que fizer isto, a coisa irá mudar.)

– Nossa, é engano meu, ou você está pessimista demais hein?

(Não é pessimismo Mildrad é realismo de quem já está um pouquinho mais velho, e tem muita experiência de vida, e está tentado dar um bom conselho.)

– Olha, eu agradeço sua preocupação, de verdade, mas, devo pedir que pare por aí, pois está me lembrando meu irmão mais velho querendo me dar conselho e isto me “dá nos nervos”. Pois, eu o odeio.

(Tudo bem, eu fiz a minha parte. Mas, estou aqui para o que precisar, aguardando novas instruções.)

– É só o que preciso. Obrigado.

(Tudo bem Mildrad, até mais.)

***

Pensa que é mais esperto que eu não é Lazar? Você não perde por esperar pela surpresa que estou preparando para você! Você vai se arrepender por ter entrado no meu caminho. De qualquer forma, você sai perdendo nesta, eu posso até me sacrificar, mas, sacrifico você junto, ou algo precioso seu...

Notas finais
Nossa...

MILDRAD REALMENTE ESTÁ COM ÓDIO DE HENRY...
COMO SERÁ QUE TUDO ISTO VAI SE DESDOBRAR?
ALGUM PALPITE? HUM...

E aí Pessoas o que Acharam???

Mereço Reviews e Recomendações???

Comentem e Recomendem. E se o fizerem até QUINTA no Capítulo 43!!!

Mil Beijos!!!
MBGE