A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

40 O AMOR É FORTE COMO A MORTE - Capítulo 39


Notas iniciais
Olá pessoal, bom dia! Capítulo 39. Palavra de ordem: Gratidão! Ótima Leitura!

POV HENRY

Ouço Valerie dar um último grito desesperado:

— NÃO! – E então, desabar juntamente com Made e Prudence ao chão, apagadas.

Depois ouço o barulho de uma arma sendo engatilhada:

— CLIC... — Era o gatilho de um rifle sendo armado em nossa direção.

****************

Seguida de uma voz de autoridade irrompendo a casa.

— CHEGA!

E o silêncio torna-se mortífero. Percebo que, até o som foi desligado.

E agora, tio Heitor diz calma e pausadamente para mim.

— Henry meu filho, solta ele... Você é melhor do que isto... Afasta-se e saia daí... Não ceda. Pensa em tudo que você irá perder se você for até o final. Olha ao seu redor, e veja a imagem que as pessoas terão para guardar na memória, a respeito de você meu filho. Este não é você. Acalme-se!

Apesar de minhas mãos não quererem obedecer. A lucidez a esta altura já me percorre e consigo dimensionar o que e está acontecendo e o que o tio está falando. Então, pouco a pouco, meus braços cedem deixando a criatura cair ao chão, e abaixo o punhal. No entanto, eu não desvio os olhos do seu por nenhum minuto se quer. Ele faz o mesmo, e o ódio que destila em mim, eu o vejo nele. Mas, o tio tem razão, este não sou eu, ou pelo menos, a maior parte de mim.

Mas, ele precisa saber e todos precisam saber. Então, digo com firmeza e frieza...

— Está bem, mas quero que ouça Mildrad. – Digo com o indicador em riste em sua cara. — É a última vez que você ouvirá. NÃO TENTE MAIS FAZER ISTO. Pois, se você se quer chegar perto de Valerie, eu não respondo por mim. Porém, se você tocá-la, OUÇA BEM, será ultima coisa que você fará, pois, EU MESMO MATO VOCÊ COM MINHAS MÃOS, e te juro que não pensarei nas consequências. E AGORA, OUÇAM TODOS... E ouçam bem! – Digo, sem desviar os olhos de Mildrad, pois estou consciente demais para baixar minha guarda. — Eu não sou perfeito como todos pensam! E esta criatura ultrapassou todos os meus limites possíveis, portanto, LEVEM A SÉRIO MINHA PROMESSA! – Esbravejei com firmeza.

Disse as palavras finais olhando Marvel e Marverik nos olhos. Pois, estavam próximos a Mildrad agora.

E o choque estava em todos, pois, as verdades das minhas palavras nocautearam a cada um.

E Mildrad agora, totalmente de pé me encara. E sorri em escárnio para mim. E diz...

— Você não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, uma hora você falhará, e eu estarei à espreita.

Ao invés de aquilo me ameaçar eu simplesmente disse calma e friamente.

— Tente, tente... Tente e você verá eu cumprir minha promessa Mildrad.

Ele iria dizer mais alguma coisa, e bem neste momento tio Heitor diz...

— É o último aviso Mildrad. – E ele se altera agora. — DÊ O FORA DAQUI!

Tudo aconteceu da seguinte forma:

Tio Heitor, quando percebeu que o confronto poderia ganhar proporções sem volta, foi sorrateiramente até sua carruagem, em busca de seu *rifle. Pois geralmente cidadãos como ele, quando fazem viagens de diligência com a família, principalmente à noite, procuram estar armados para caso encontrem surpresas desagradáveis pelo caminho, como assaltantes por exemplo.

Ele havia buscado o rifle e agora o tinha direcionado na cabeça de Mildrad. E havia acabado de preparar o gatilho.

A criatura, além de tudo, realmente não tem amor à vida, pois se achou na condição de desafiar.

— Quem você pensa que é? – Pergunta Mildrad com nenhum pouco de respeito, ao tio Heitor.

Tio Heitor apenas sorri sombriamente e diz, com uma frieza de gelar o coração.

— Um pai que por amor aos filhos seria capaz de acabar com a raça de qualquer um sem moral que entrasse no caminho de suas crias. Henry é um filho pra mim, e agora Valerie é uma filha muito querida, então, se você ao menos tentar tocar em qualquer um deles nesta noite, eu te juro, EU MESMO MATO VOCÊ. Pois nada me impede. E ao contrário dos rapazes, eu não tenho nada a perder. Pois sou civil como você e teria inúmeras testemunhas aqui de que agi em legítima defesa do que o que é meu. Assim, como Henry também terá testemunhas para dizer que ele agiu em sua legítima defesa. Sim ou não?

Tio Heitor agora dirige a pergunta a todos, que respondem com suas cabeças, prontamente, que sim. Observo que Marvel é o primeiro.

— Não vou falar de novo, FORA! – O tio agora grita em voz de comando.

Mildrad recobra sua postura, mas, antes de sair diz olhando com fúria em meus olhos...

— Esta não é a última vez...

E eu retribuo numa intensidade e frieza feroz.

— Eu espero. Eu realmente espero! – E agora digo com toda carga de ódio e certeza que consigo reunir em mim. — PORÉM, GARANTO A VOCÊ QUE A PRÓXIMA SERÁ A ÚLTIMA PARA VOCÊ!

Ele apenas diz...

— Veremos... – E sorri com pura maldade, e vira-se e vai-se embora...

Assim que Mildrad sai, dou-me conta do meu real estado interior, eu estou um caco e um caos por dentro, parece que um tornado ocorreu dentro de mim. Tudo que aconteceu mexeu demais comigo. Eu mesmo não me reconheço. Passo nervosamente as mãos em meus cabelos. E vou até o sofá, pego meu casaco, e percebo que as mulheres desmaiadas, inclusive Valerie, já haviam sido retiradas dali, creio que para os quartos. E sigo até a porta que dá acesso ao jardim. E decido dentro de mim, que eu preciso sair dali um pouco, eu preciso respirar ar puro e espairecer, se não, corro o risco de enlouquecer!

E é o que preparo-me, silenciosamente, para fazer.

Porém, Tio Heitor, agora mais calmo e sem a arma nas mãos, percebendo minha intenção, preocupa-se e aproxima-se... Então, tocando meu ombro diz...

— Sei que precisa de um tempo, e que quer ficar só. Porém, ir para floresta neste estado, abalado em que você está, e com Mildrad solto por aí, não é uma opção considerável para se fazer, no momento. Então, eu sugiro que leve alguém. Quem você quer que vá com você? Eu, ou quer que eu envie Araon e Marvel?

Paro para refletir um pouco, e decido que será melhor o tio ficar, pois ele é o único que pode reagir caso Mildrad resolva aparecer e fazer graça novamente. O tio pode cuidar das mulheres junto com os outros.

Então, respondo...

— Prefiro Araon e Marvel, o senhor fica, caso ele resolva voltar. O senhor está armado, é civil e tem os outros com você.

— Tudo bem então. – Tio Heitor diz.

— Mas, Henry, você vai sem antes ver Valerie? – Araon perguntou assustado.

— Sim, no momento, e no estado em que eu estou, eu não tenho forças para vê-la no estado em que ela está. Sinto muito. – Digo sinceramente e troco um significativo olhar com o tio. Que compreende exatamente o que estou sentindo.

— Pai, eu vou pegar dois dos nossos cavalos da carruagem para eu e Marvel. — Araon diz a tio Heitor. — E você Henry? – Agora ele pergunta para mim.

— Eu vou com o meu. – Digo ao longe, já bem próximo de onde descansava meu cavalo.

Rapidamente soltamos nossos cavalos e andamos em direção a floresta adentro, e a única coisa que penso, é em ir para as redondezas do monte Grimor. E subir um pouco as encostas e ficar contemplando algo lá de cima. Vou fazendo isto, e os rapazes seguem-me em silêncio.

Quando já estamos no pé da primeira encosta, Araon diz. Com uma voz que está a uns vinte metros de distância, e só então, percebo que, eles tem me dado espaço...

— Grandão, sabemos que você precisa ficar sozinho, mas, temos ordem do pai, para estar com você. Então, o que posso fazer, é permitir que você suba sozinho a primeira encosta. E nós ficaremos aqui esperando. Mas, você precisa nos prometer que está mais calmo e não fará nenhuma estupidez. Certo?

O discurso de Araon me fez sorrir sem humor. E eu disse friamente.

— Tudo bem, se eu passar de vinte e cinco minutos podem ir atrás de mim, pois neste momento tenho é mais receio de ser vencido pelo entorpecimento causado pela baixa súbita da descarga de adrenalina do meu sangue.

— Tudo bem então. Qualquer coisa, estamos aqui.

— Obrigado! – Digo já seguindo caminho com meu cavalo.

Subo a primeira encosta. E embora ela não seja tão alta, já dá uma sensação de frescor do vento noturno e de liberdade.

Ao me pegar sozinho, eu coloco meu cavalo em um local para descansar e deixo minhas pernas cederem ao chão, caindo sobre meus joelhos, à única iluminação presente é a luz da lua nova.

E nesta hora permito-me entrar em contato com todos os sentimentos e emoções que estão dentro de mim. A ira e o ódio por Mildrad. A vergonha por ter me exposto tanto. A repulsa por ter permitido que Valerie me visse tão sem controle. E o medo, sim, o familiar e esgotante medo. Este que tanto me paralisa. Medo das palavras finais de Mildrad, dizendo que uma hora eu vou falhar e ele vai... Não, ele não vai, eu não irei permitir...

Bem neste momento me desespero, e o choro vem com tudo...

Toda angústia, presa em meu peito. Todas as emoções contidas, elas vem juntas, e com carga máxima. Vem também, a preocupação de como encarar Valerie e a todos, e também a Marvel. Pois, agora ele sabe que eu não estou brincando quando digo que posso mesmo matar Mildrad.

Quando o choro não é o suficiente, grito num ato de desabafo, para tentar colocar, ao menos um pouco para fora, o desespero e a agonia que parece que explodirão o meu peito...

Imagino que Marvel e Araon ouviram, mas, sinceramente não consigo me ater a isto, pois, se eu não o fizesse não suportaria. A dor é intensa demais...

E fica pior quando:

Penso no desespero de Made como irmã de Mildrad e Prudence grávida ao verem a cena que viram a ponto de desmaiarem. E penso também, naquilo que mais dilacera meu coração lembrar, o próprio desespero de Valerie. Eu creio que por me ver tão transtornado.

Assim, depois de um tempo refletindo e chorando muito. Fico entorpecido e adormeço na montanha.

***********************

Sinto uma mão acariciar meus cabelos. O toque é gostoso e bem familiar.

Porém, logo evidencio que não é o toque de minha amada.

Percebo que estou deitado de bruços sobre uma rocha fria, e quando me viro em direção à dona das carícias...

Noto a luz do luar sobre mim antes de focar seu rosto e seu olhar sempre tão terno. Porém desta vez, carregado de seriedade.

— Olá meu filho.

— Oi mãe...

— O que pensa que está fazendo Henry?

Respiro fundo e sento-me de frente para ela. Que acompanha meu gesto, pois antes estava somente abaixada.

— Estou tentando me esconder, me refugiar um pouco, antes de enfrentar a realidade... – Digo muito infeliz com tudo que aconteceu.

— Isto eu já sei meu filho, mas a pergunta é, por que está fazendo isto?

Ela me olhava de uma forma tão insondável, que eu simplesmente não conseguia compreender. Porém, também havia amor e compaixão demais naquele olhar.

— Medo, como sempre medo de encarar as pessoas, vergonha pelo que eu fiz, e principalmente medo por tê-la decepcionado e ela não me querer mais. Eu não posso perdê-la mãe! Eu não vivo sem Valerie! Eu já perdi você, e foi difícil demais. Perdi o papai...

Minha mãe me olha estranhamente. E neste momento, respira fundo...

— Henry, sinceramente meu filho, eu não consigo te acompanhar! Uma hora você acredita neste amor, e que Valerie é o presente da sua vida que ela é tudo que você precisa, em outra, você consegue não acreditar em mais nada...

— Mãe, não é isto. É claro que eu acredito, mas, é tanta coisa que parece se levantar contra nós. Parece que tudo conspira contra eu ficar com Valerie. Tenho medo mãe, medo demais de perdê-la. E quando eu vi aquele canalha hoje dizer que... Eu perdi a cabeça. Perdoe-me, sei que decepcionei você também, mas foi insuportável. Meu desejo agora mesmo é de caça-lo até encontra-lo e só descansar quando eu mesmo mata-lo. Perdoa-me mãe, mas, é o que sinto.

Ela me olha indecifravelmente. Então diz.

— Será feito Henry!

— O que? – Pergunto, pois o que ela falou me surpreende. E parece que eu não ouvi direito. – O que você disse mãe?

Bem neste momento, vejo um olhar aterrorizado dela, e percebo que ela acabou de me dizer algo que não podia, então, não perco tempo.

— Mãe, me diga o que você sabe! Por favor, me diga...

Ela me olha apavorada. Porém desvia o olhar e afasta-se de mim. Então, repentinamente vira-se e diz-me firmemente.

— Henry ouça bem, você precisa acreditar neste amor, na força dele, aconteça o que acontecer, Valerie ama você de verdade acredite! E você a ama de verdade, e o único que pode impedir de ficarem juntos é você! Portanto, nunca desista. Entende? Não importa qual motivo se levantar contra isto, medo, dor, tristeza, circunstância, ou nada mais. Somente creia que foram feitos para ficarem juntos. Acredite nisto! Você se lembra de quais os livros que eu mais gostava de ler?

Ela pergunta-me e eu respondo prontamente, pois, nunca me esquecerei...

— Sim. A Bíblia, que você sempre lia para mim inclusive. E A rainha Branca de Philippa Gregory que você sempre citava as frases que mais gostava para mim.

— Sim, está certo, e infelizmente você nuca mais leu a Bíblia não foi meu filho?

Neste momento, desvio meus olhos dos seus. Pois, ela sabia, sabia que desde que ela se foi, minha fé. A fé que ela tinha passado para mim, havia sido atingida, e eu nunca mais cri da mesma forma que antes. Eu creio sim num Deus incontestavelmente, mas por Ele tê-la tirado de mim, eu nunca mais consegui sentir o que ela sempre me ensinou, que a despeito de qualquer circunstância, Ele me ama!

Como acreditar? Se Ele levou o que eu tinha de mais precioso?

— Sei que você pensa que Ele não te ama filho. Mas, você está errado. Ele te ama muito Henry! E eu também meu filho querido. – Ela se aproxima e toca meu rosto, me mandando uma enorme sensação de alívio. – Você é um filho muito amado Henry, tudo que viveu e viverá tem um propósito. Não questione, apenas acredite. Por favor, meu filho, não aumente seu sofrimento. – Ela olha-me mais um pouco e conclui... — A frase que mais gosto de A rainha Branca você já sabe! Porém existem dois versículos na Bíblia que para mim, meu filho, é a boca Dele falando conosco. Estes versículos, sempre falaram muito ao meu coração, e quero que, os guarde com você:

* “ Guarda-me em seu coração, como uma prova de amor eterno, Por que o amor é forte como a morte... O amor é como um fogo como labaredas do Senhor.

Não há água que apague a chama do amor; nenhum rio é capaz de levá-lo na correnteza. Se alguém oferecesse toda a fortuna da sua casa para comprar o amor, seria totalmente desprezado.

Está no Capítulo 8 do Livro de Cantares de Salomão, nos versículos 6 e 7.”

Lembre-se disto Henry, meu filho querido e mui amado, e NUNCA se esqueça:

“O amor é forte como a morte...”

Aquelas palavras reverberam em meu coração...

Então, ela me olha tristemente e percebo que seu tempo acabou.

— Filho, eu não sei se volto, sinceramente. Porém, eu quero que acredite que amo você e tenho orgulho de você, e quero que ACREDITE TAMBÉM, EM VOCÊ E VALERIE JUNTOS PARA SEMPRE!

— Respiro fundo, e quando pisco meus olhos, ela não está mais lá.

E naquele exato momento me dou conta do que está por trás de suas palavras...

Se eu terei oportunidade de matar Mildrad... Quer dizer que ele vai alcançar Valerie...

***********************

POV VALERIE

Sinto minha cabeça latejar, e tento abrir os olhos lentamente... Ouço ao longe algumas vozes...

— Valerie minha filha você está bem? – É a voz de minha mãe... — Ela está acordando... – Ela diz.

— Valerie, acalme-se, você ficará bem, tudo vai ficar bem, sou eu a vovó.

Vovó? A vovó está morta... Mas, espera aí, esta não é a voz de minha avó, esta é a vós de Madame Lazar... Fecho os olhos novamente, pois a claridade faz minha cabeça latejar ainda mais.

Mas, espera aí, Madame Lazar, este nome... Não... Este nome leva a minha mente a fazer conexões, aumentando a dor...

— Ai como dói... – Digo...

— Ela esta com dor. – Aquela voz novamente. Agora eu sei... É a voz da avó de... Henry...

Bem neste momento ao lembrar-me de seu nome, vários flashes e imagens irrompem em minha mente:

“Mildrad, chegando ao jantar.”

“Mildrad provocando Henry.”

“Henry com ódio mortal nos olhos.”

“Henry enforcando Mildrad em frente a todos.”

“Mildrad pegando o punhal.”

“Henry tomando o punhal e apontando para Mildrad.”

E uma escuridão total me envolve e não vejo mais nada...

***

Minha mente agora está um pouco desperta... E eu estou em pânico...

— Não, aquele não era Henry! Aquele não é o meu Henry, o meu lindo e doce Henry. Mas, o que está acontecendo? Cadê Henry? — Eu digo com uma voz que não parece minha, pois está grossa...

— Fica calma minha filha, não se esforce, por favor, Valerie... – Era a voz de tia Clara. Que demonstrava que ela estava abalada. – Ela não pode se esforçar... Suzette me ajude aqui a contê-la!

— Cadê Mildrad? O que aconteceu? – Tento dizer me debatendo e minha voz está horrível...

E agora o choro irrompe em meu peito novamente...

— Quero o meu Henry! – Digo em meio ao choro...

— Ela está delirando... Ai meu Deus! Isto não é bom... – Ouço uma voz dizer creio que é minha mãe, pois, está embargada também por choro.

— Mas, ela não bateu a cabeça. – Agora é a vós de Madame...

— Porém, ela sofreu uma emoção muito, forte! A mente dela está se esforçando para protegê-la das lembranças. – Esta voz é de tia Clara...

Bem quando ela diz isto, a dor na cabeça volta e mil flashes de novo...

E choro novamente...

Vejo o rosto dele, eu o quero... Quero ele...

— Henry? – Tento dizer chorosa.

— Ela está chamando por ele... – Diz tia Clara.

— Porém, ele ainda não voltou, ele saiu muito abalado, deve estar na floresta ainda... – Sophie diz.

Novamente a imagem de sua expressão mortal e de pura fúria aparece para mim... Fazendo-me gritar...

— Não! Meu Henry NÃO...

— Cale-se Sophie, cuidado com o que fala! – Tia Clara diz.

Ouço as vozes se desesperarem...

Então a escuridão me envolve de novo...

POV HENRY

Ouço uma vós me chamar, enquanto sinto uma mão me sacudir.
Só que agora é uma voz grave masculina, aquilo é o suficiente para me deixar em alerta.

Sinto todo meu corpo protestar e tudo em mim enrijecido. É como se estivesse deitado sobre uma rocha fria.

— Ei irmãozão acorda. Henry... — Ouço mais uma vez, e sinto que é a voz de Araon.

Sento-me num ímpeto. E só ai eu percebo que realmente estava dormindo sobre uma rocha fria.

— Ei, Araon o que houve? — Pergunto alarmado e assustado.

— Fica calmo grandão, está tudo bem, é que você apagou e já tem mais de uma hora que saímos. E eu estou preocupado. Mas, se quiser continuar por aqui tudo bem. Só achei que deveria te perguntar. Pois, quando deu os vinte cinco minutos que você falou, eu e Marvel, viemos te procurar. Então, quando vimos que você estava dormindo, eu pedi para que ele voltasse e avisasse aos outros que estávamos bem, mas, que você tinha apagado e precisava relaxar para se tranquilizar devido a todo estresse que sofreu, e que no máximo em duas horas voltaríamos. Então, acalme-se, pois, temos tempo.

Enquanto Araon falava, eu tentava reorganizar minha mente buscando colocar as coisas em ordem.

Assim, pouco a pouco, os acontecimentos foram voltando. E de repente tudo fez sentido. Lembrei-me do sonho com minha mãe, e de todos os acontecimentos que ocorreram que me trouxeram até aqui. E assustado perguntei.

— Calma aí. Quanto tempo você disse que eu fiquei apagado?
— Bem, apagado eu não sei. Pois, não sei a que horas você dormiu. O que sei é que estamos aqui a mais de uma hora.

— Nossa precisamos voltar Araon. E a festa? E os convidados? — Eu pergunto.

— Bem Henry, de qualquer forma, eu creio que desde o momento em que Mildrad apareceu, já não houve mais festa. Então... — Araon diz pensando como sempre o lado prático da coisa.

— Mas, tem a reunião sobre o esquema de segurança com os homens. E tem também... – E a voz não saiu mais.

Bem neste momento eu me dou conta, que eu estou fugindo do foco principal. Eu preciso vê-la. Mas, ao mesmo tempo não quero, estou sem coragem de ver Valerie. Vergonha, este seria o termo correto. Tenho vergonha de olhar em seus olhos. Como ela me verá a partir de agora?

Araon percebe meu embate interno, pela expressão de seu rosto posso ver. Porém, se mantém em silêncio, para respeitar meu espaço e privacidade.
No entanto, a preocupação com ela estava me corroendo.

— Como será que ela está?

Araon agora me olha estranhamente, e com expressão de alívio em sua face.

— Ufa... Confesso que agora eu relaxei! – Araon disse e realmente com expressão de alivio. — Eu estava preocupado “imãozão”. Sério. Você saiu sem querer vê-la, e na sua lista de preocupação em voltar, que você acabou de listar agora mesmo, ela foi à última. Isto é algo anormal, Valerie sempre foi seu tudo, sua prioridade.

Não o deixo terminar. Pois, ele precisa entender... Ele ainda não compreendeu.

— E ainda é Araon. Porém, eu estou com receio de como ela vai me ver a partir de agora. — Respiro fundo, pois, sinto que terei de acessar minhas reservas, e isto ainda não é algo fácil para mim. — Na verdade, o medo da reação dela, está me fazendo querer protelar vê-la. Porém, isto não quer dizer que não estou desesperado por fazê-lo, por que eu estou. Na realidade, quando eu saí de lá, eu o fiz já com este desejo latente. Mas, o medo e a vergonha falaram mais alto. Pois, se eu mesmo me estranhei. Que dirá ela, Araon?

— Bem, já que você tocou nisto... Devo dizer grandão, que desta vez, você assustou até a mim! E você sabe que não sou fácil de se impressionar. Henry, eu nunca pensei que veria você tão sem controle. Você, por pouco não matou aquele infeliz diante de Valerie sua noiva, que você tem tanto cuidado e protege, e em frente à irmã dele e de uma mulher grávida, Deus meu Henry. Não era você grandão.

Respiro de novo.

— Eu sei Araon que foi horrível aquilo. Mas você esta errado em uma coisa. Aquele sou eu sim, é parte de mim Araon, só que é uma parte que aprendi a reprimir o tempo todo, e desde novo.

Araon parece assustado com o que eu disse, porém, para explica-lo prossigo.

— Pensa bem... Você nunca se perguntou do por que alguém como eu sempre visto de uma forma tão pacífica, gostar tanto de fazer parte da guarda?

Araon neste momento para, para poder considerar friamente. E então, eu prossigo...

— Na Guarda, em missão ou em combate, eu me sinto vivo por inteiro! Pois, ali, desempenhando aquela função, esta outra parte de mim, pode vir à superfície, é onde posso extravasa-la, sem receio. Posso canalizar toda essa agressividade que preciso reprimir o tempo todo. Na verdade acho que é por isto que aprendi a desenvolver tanto autocontrole. Para nunca permitir que isto aflore.

Araon está mudo, e pelo visto perplexo por minha revelação.

— Pensa bem Araon, o que você acha que eu senti quando minha mãe foi assassinada? Ainda que hoje eu saiba que não foi proposital, o que acha que senti quando brutalmente meu pai foi tirado de mim? O que você acha que eu senti, Quando Peter apareceu do nada e me tirou minha noiva? E como você acha que me senti quando hoje, há poucos instantes atrás, Mildrad chega querendo tomar posse do que eu lutei tanto para conseguir? Tudo que estava retido, tudo que venho contendo, se manifestou em força máxima Araon. Pois, só eu sei como Valerie fica só de ouvir o nome daquele miserável, e quando eu vi as reações que ela teve, e o seu desespero, eu não suportei, e as ameaças me enlouqueceram. Então, veio tudo de vez. Infelizmente, eu não consegui me controlar. Aliás, ultimamente ando péssimo nisto...

Araon estava mudo e pelo visto considerava cada palavra minha. E por fim disse...

— Porém, você não poderá se esconder para sempre. E tenho para mim que ela precisará de você ao acordar Henry. E você realmente vai querer estar aqui? Mas, é claro que Não, não é mesmo? É muito melhor estar lá e lidar logo com isto. Pois, e se ao invés de pensar que ela NÃO vai te querer, que eu creio ser algo pouco provável. Que tal pensar que ela pode acordar precisando desesperadamente de você. Por que, eu estou aqui considerando isto em relação à Made. – Ele disse o final sorrindo...

Uma das melhores coisas de ter alguém como Araon praticamente como um irmão, é que nestes momentos, ele conseguia com seu senso de humor, trazer um pouco de sanidade em meio ao caos para mim.

— Bem, você está certo Araon. Preciso vê-la e preciso enfrentar logo isto. O resto eu vejo depois.

Dizendo isto, nos levantamos, preparamos nossos cavalos e seguimos em direção ao bosque do Corvo Negro.

Quanto mais eu me aproximava do chalé, mais difícil se tornava encarar a realidade.

Logo eu, sempre tão contido, tão comedido nas minhas ações, de uns tempos para cá, não consigo mais ser exatamente o que eu era.

Com a queda das minhas barreiras interiores, a cada dia emerge um Henry desconhecido para mim, mas, ainda assim, familiar. Por exemplo, toda a ira que eu pude extravasar, eu sempre soube que estava aqui. Porém, não me permita entrar em contato com ela.

No entanto, quando vi tudo que eu mais amo sendo ameaçado, fluiu, emergiu de mim, em proporções que nem eu mesmo previa. E agora vem a pior parte, lidar com olhar dos outros, o medo de que as pessoas não aceitem. Principalmente ela. Ela é o mais importante. Como olhá-la de frente? E o que mais me incomoda, como ela vai olhar para mim a partir de agora?

Toda esta angústia faz comprimir meu peito. Eu amo tanto, mas tanto a Valerie, que só a possibilidade de pensar nela longe, me deixando, dói cada parte de mim. E já é algo insuportável só de se imaginar, imagina sentir.

Eu e Araon seguimos em silêncio o tempo todo, apesar de quando estamos juntos não somos assim, mas, creio que pelo tanto que me conhece, sabe o quanto eu preciso estar sozinho, neste momento.

Mas, há um momento que algo me incomoda...

— Araon e Marvel? Como ele ficou? – Pergunto, porém, muito apreensivo com a resposta.

— Olha, pode acreditar, ele disse que no fundo ficaria muito aliviado se tudo isto tivesse acabado hoje. – Olhei abruptamente para Araon, Marvel queria mesmo que eu matasse seu irmão? – Não se assuste ainda, pois ele me explicou o que ele sente e eu pude entender. Marvel tem tido que lidar anos após anos com a dor de ver a mãe definhar, a dor de ver Made sofrer, a própria dor dele e Marverik de ver o que o irmão faz, sem se importar nem com as consequências para si, que dirá para a família. E o pior, ver que todos eles têm seus fardos triplicados a cada vez que Mildrad faz algo perigoso e criminoso, com receio de a qualquer momento aquilo vir de encontro a eles de alguma forma. Ter que lidar com a vergonha de ter alguém com tal caráter no meio deles. E o pior, lidar com a possibilidade de, a cada dia, poder receber uma notícia trágica sobre o irmão, que de certa forma os fará sofrer também. Na verdade, por mais que eles não queiram o perder, ele já está perdido. Não tem volta, devido às escolhas que Mildrad fez e à proporção que as coisas tomaram. Você acha que você é o único que anseia ardentemente mata-lo? Claro que não. Isto é só questão de tempo. Então foi o que Marvel disse, pelo menos saberia que acabou, seria um pranto, um choro definitivo, não só mais um diante de tantos outros. E sinceramente Henry, eu me coloquei no lugar dele e pude entendê-lo. Não o julgo.

— Muito menos eu Araon. Porém, isto não diminui o que eu fiz, eu também, agi errado, embora as motivações estiverem corretas. Mas, minha atitude, foi deplorável. Bem, mas chegou o momento de lidar com isto.

Bem neste momento chegamos. porém, assim que descemos do cavalo, Araon vem até mim, e diz tocando meus ombros de frente para mim e olhando-me nos olhos.

— Para mim, eu quero que você saiba. O que aconteceu hoje, não anula o que sinto por você Henry, ou a forma de te ver. Você é e sempre será meu “irmãozão”. – Ele diz isto no seu jeito leve brincalhão de ser, porém com intensa seriedade no olhar. — E falo por todos nós lá em casa com convicção, amamos você, você faz parte de nós, sua dor é nossa dor. Sempre seremos uma opção como refúgio para você. Pois, realmente somos uma família. E digo o mesmo para a “branquinha”, ou melhor, sua “branquinha”, e deixa de ser tolo Henry, ela ama muito você para não desconsiderar o que aconteceu. Talvez esteja realmente na hora de enfrentar estas coisas, fugir só as torna maiores. Certo?

De certa forma, as palavras de Araon, trouxeram conforto para mim. Eu sei que ele estava usando de toda sua sinceridade e consideração de irmão comigo. E isto, começou a me desarmar. Fazer-me sentir um pouco mais leve.

— Obrigado Araon, por mais que no fundo eu saiba disto. Você não imagina o quanto é libertador ouvir. Amo muito a cada um de vocês também. Vocês realmente, são minha família. E posso garantir, que pra Valerie também. E só para saber, eu gostei do minha “branquinha”, só estava irritado àquela hora.

— E não é o que ela é? SUA, e Branca como a Neve? – Ele sorri para mim, conseguindo enfim, tirar um sorriso, ainda que contido, de minha face.

— Claro que é! – Eu disse um pouco mais convicto agora.

— Então vamos, por que além de saber como sua “branquinha” está temos a reunião ainda. E claro, eu te confesso, eu quero ver Made, pelo amor de Deus!

— Sinto te dizer que, se ela tiver ido para vila só amanhã, pois, ela deve dormir com Suzette ou Roxane.

— Nem me fale Henry! Se isto aconteceu, você está me devendo esta, grandão.

— Nada disto Araon, você é que está me pagando a vergonha e constrangimento que causou a mim e a Valerie hoje.

Eu disse sério.

— Nossa, nem me fale grandão, me perdoe mesmo por aquilo Henry, nunca me arrependi tanto de brincar com alguém, ela realmente se abalou. E obrigado por não ter falado com o pai.

— Tudo bem, e quanto ao seu pai, ele realmente mataria você Araon, tio Heitor não brinca com estas coisas, regras são regras.

— Eu sei, nem me diga, te devo mais uma então. Mas, Henry, cá para nós, se ela tem aquele fogo todo, imagina aquilo na cama?

Olho para Araon indignado, pois, por mais que o conheça e sei que ele não faz estas coisas por mal, ele precisa ter limites.

— Araon, eu já te disse, pega leve! – Digo em tom de aviso...

— Ah grandão, vou pegar leve com a branquinha, você já está acostumado. Que mal há Henry?

— Bom, deixa para você me fazer esta pergunta quando você estiver realmente apaixonado por Made, e algum homem, seja ele quem for, chegar até você para saber detalhes da intimidade de sua mulher Araon, aí você me diz que mal há.

Ele para reflexivo.

— Bem, pensando por este lado...

— Ai graças a Deus, enfim você entendeu Araon!

E rimos os dois pela tão demorada chegada de bom senso a sua cabeça e seus pensamentos.

***

Ao entrarmos no chalé, inevitavelmente, todos os olhares, voltaram-se para mim.

Algo que de certa forma eu estava preparado. Porém, o que eu não estava preparado, é para os olhares calorosos de todos os amigos presentes em mim. Aquilo foi mais difícil do que lidar com olhares de indiferença, medo sou reprovação.

Não havia como negar, minhas barreiras não valia de nada mais. Eu agora posso sentir, o quanto sou amado, não importa o que eu faça, ainda há pessoas que me amam e não desistiriam de mim, nem simplesmente virariam as costas para mim.

Eu podia errar, mas isto não fazia de mim alguém menos digno de amor, carinho e cuidado. E pensar que isto esteve evidente o tempo todo. Eu simplesmente não me permitia ver, o medo de ver o contrário não me permitia experimentar, "pagar para ver". Mas, agora que de certa forma tenho me permitido, isto tem ficado claro para mim.

E tudo isto, só tem uma motivação, ela. Como eu posso viver sem aquela que tem dado sentido a tudo para mim? Impossível. A verdade é que eu não posso. E é por este motivo que o medo dela não me aceitar e não me entender, ou até não me querer me atormenta tanto. Mas, por outro lado, é justo submetê-la a viver com um Henry que ela não conheça totalmente? Creio que não.

Pelo visto, as mulheres já haviam sido levadas embora, também pelo horário, era compreensível. Pois, já estávamos adentrando a madrugada.

Cumprimentei a todos da maneira mais casual que consegui. Dando um sorriso contido, em direção a Marvel que se mostrou extremamente receptivo, assim como Marverik, eles queriam deixar claro, que me entendem. No entanto, diferentemente, de quando eu saí dali, a primeira coisa que desejo fazer agora, é ver minha noiva. Então, quando tio Heitor se aproxima eu digo:

— Onde está Valerie? Preciso e quero vê-la tio.

— Está no quarto e sua tia ficou com ela. – O tio me responde prontamente.

Então digo aos presentes, que vamos fazer a reunião, porém antes preciso vê-la.

Todos assentem compreendendo.

Tio Heitor, pergunta-me antes de sair.

— Posso entrar com você filho? – O tio estava nitidamente muito preocupado.

— Claro tio, vamos.

Sigo para o quarto rapidamente, seguido por tio Heitor.
Assim que entramos, tia Clara sai da cadeira ao lado da cama de Valerie e vem em nossa direção, beija tio Heitor discretamente e em seguida me abraça...

— Meu filho! Você está melhor? – A tia pergunta aflita. E beijo sua testa antes de responder.

— Sim tia, obrigado. E como ela está? Ela ainda não acordou? – Eu pergunto ansioso. Olhando para figura imóvel de minha noiva naquela cama, tão indefesa, tão frágil.

— Bem, ela já tentou algumas vezes Henry, porém, ela ainda está muito agitada, pois, ela sofreu um abalo emocional muito forte. A mente dela precisa de um tempo para lidar com isto. Ela delirou muito, e durante estes delírios, chamou por você, gritou de pavor, chorou muito, e voltou apagar novamente. Ela está muito assustada e abalada, pelo que dá para perceber.

— E com medo... – Eu digo tristemente.

— É claro, muito medo, quase que palpável.

Respiro fundo com minha real preocupação me perturbando agora.

— Resta saber do que e de quem... – Eu digo com aparente frustração em minha voz.

— Meu filho... – Tia Clara agora diz com uma mão em meu ombro. — Procure compreendê-la um pouco. Pois, todos nós nos assustamos com o que aconteceu Henry. Nós conhecemos um lado seu hoje que não conhecíamos. E não há como não se assustar com isto. É mesmo muito assustador. Porém, não quer dizer que deixamos de amá-lo devido a isto, muito embora, eu confesso a você, que eu prefiro o Henry de agora. No entanto não é possível acessar o Henry de agora sem passar pelo Henry de alguns minutos atrás. Então preciso amar os dois, e incentivá-lo a cuidar do outro. De tal forma, que ele jamais venha sucumbir este. E assim, será com Valerie meu filho. Ela ama você, e teve hoje a oportunidade de conhecer um Henry desconhecido. Você precisa dar espaço a ela para se familiarizar com este outro lado seu, muito embora, eu creio que ela sempre vá desejar ter acesso a este Henry aqui. — E ela toca meu peito na altura do coração. — Então, desenvolva este lado de tal forma, que ele sempre tenha domínio sobre o outro.

— Isto mesmo meu filho. — Tio Heitor diz. — Nós não somos perfeitos, jamais seremos, mas podemos ser melhores a cada dia por quem amamos e isto requer esforço. Só que esforçar-se por quem se ama, não é um sacrifício...

Não deixo o tio terminar, eu mesmo prossigo...

— É um prazer, uma satisfação. – E como é. Ainda mais sendo Valerie.

— Exatamente. — Os dois respondem.

— Tia me responda uma coisa, qual reação que a senhora imagina que ela terá ao acordar? O que ela vai querer?

A tia troca olhares com o tio, e me olha, profunda e significativamente. E diz...

— Bem, eu serei bem sincera. Se fosse eu naquela cama depois de um susto terrível como o que Valerie passou. A única coisa que eu desejaria ao acordar era estar nos braços de seu tio Henry, o melhor lugar do mundo para mim, o mais seguro.

E ela e o tio trocaram olhares novamente, que sinceramente, me faz sentir o ser mais intruso do mundo por estar ali para presenciar, fiquei vermelho até a alma, meu rosto ficou em chamas, e instintivamente desviei o olhar. O que a tia percebeu e também ficou sem graça. Mas, usou a casualidade para tentar manter o clima, pois a voz do tio a esta altura pelo visto não saia.

— Desculpa meu filho, eu não quis constranger você, e sim ser sincera, e talvez levar você a entender que pode ser isto que Valerie vá querer. Pois, independente de qualquer coisa, ela terá de lidar com isto. Pois, é você que estará aqui para cuidar dela quando ela acordar. Pois, eu volto para vila com seu tio, e foi um dos motivos de Suzette não desejar ficar, ela também acha que vocês devem lidar com isto a maneira de vocês, afinal dentro de dois meses, vocês estarão casados e precisarão contar um com o outro para tudo. Está na hora de exercitar isto, vocês estão se conhecendo meu filho. Só que... – Percebi que a tia hesitou e me olhou estranhamente. — Só te aconselho a tomar um banho antes Henry.

A tia disse um pouco sem jeito, mas com seriedade. E só assim, parei para observar atentamente meu estado. A poeira do monte estava grudada em mim. E fiquei constrangido ao observar aquilo.

— Tudo bem Henry, só disse isto, pois, não seria muito higiênico sentar-se em uma cama neste estado. – E agora mais relaxado o tio ri com a observação tão pertinente as mulheres que a tia fez. — E pelo isto Valerie é muito caprichosa como eu. Então, é só um conselho.

— Obrigado tia. – Eu disse envergonhado.

— Henry, Tem outra coisa! Uma coisa que seu tio faria em um momento como este, é que certamente eu teria uma surpresa só nossa depois que os convidados fossem embora, seu tio sempre foi excelente com estas coisas.

— Obrigado Clarinha. – O tio diz com cara de apaixonado pela tia. E fico sem lugar para colocar minha, pois fico constrangido de novo. Mas, então para distrair eu falo logo...

— Bem, nisto então, eu não perco para o tio. Pois, eu também fiz isto, preparei algo para depois, muito embora, após o ocorrido, eu acho que pode ser que o clima não esteja bom para isto.

— Quem disse Henry? – O tio pergunta. — É agora que você tem que manter a surpresa firme. Mulheres amam isto meu filho, ela vai ficar satisfeita pode ter certeza. – O tio fala com conhecimento de causa e sorrindo para a tia que está encantada.

— É verdade Henry, não desista da surpresa. Encare como uma providência que Deus colocou no seu coração para que você conseguisse vencer este momento, pois, será um momento de alegria em meio ao caos. — A tia disse sabiamente.

Fico pensativo considerando a respeito, e em seguida digo...

— Obrigado aos dois, acho que talvez seja melhor mesmo.

— Bem, vamos Clara, para nos prepararmos para a reunião, e dar um tempinho para que ele veja Valerie com mais privacidade. – O tio disse para tia.

— Obrigado tio. – Respondo sinceramente.

E os dois saem me deixando a sós com minha noiva. Minha “branquinha” como disse Araon. Aproximo-me e ajoelho-me ao lado da cama, para contemplar de perto aquele rosto tão lindo e sereno, sem querer acordá-la, aproximo meus lábios de seu rosto, e beijo suavemente sua bochecha e em seguida em seus lábios. Sinto-a estremecer e congelo. Mas, ela permanece dormindo, porém agora sua mão começa a correr pela cama e alcança a minha, apertando-a levando-a rumo a seu peito, e ela a segura ali. Aquilo me deixa em êxtase no momento em que ela pronuncia...

— Quero o Meu Henry! Volta para mim amor. – Ela diz em seu sono, agora um pouco agitado.

Meu coração fica pequeno para conter todas as emoções que me percorre, então, toco seu rosto e selo seus lábios de novo e sussurro próximo em seu ouvido...

— Estou aqui amor! Sempre estarei aqui. Amo você princesa. Perdoe-me.

E ela dá um pequeno sorriso, e vai diminuindo pouco a pouco, o aperto de suas mãos na minha. E logo volta a aquietar-se no sono.

Entro em seu banheiro, para lavar meu rosto e secar as lágrimas de meus olhos, e assim saio do quarto para enfrentar a reunião, não sem antes admirá-la mais uma vez.

Ao entrar na sala todos me esperam. Assim, que saio do quarto, a tia retorna para ficar com Valerie para ela não ficar sozinha. Então me desculpo pelo atraso, e respiro fundo para dar início à reunião.

— Bem, a primeira coisa que eu gostaria, é pedir desculpas a vocês por tudo o que aconteceu. Na verdade, eu não retiro nada do que eu disse me perdoe por isto Marvel e Marverik. Eu realmente mantenho cada palavra minha, porém, me desculpo por ter perdido completamente o controle. E, a reunião é primeiramente para comunicar que a partir de amanhã teremos cinco guerreiros do Reino, em Daggorhorn. E eles estarão responsáveis pela segurança pessoal de Valerie e de todos nós que convivemos com ela. Farei mais ou menos uma divisão agora, para que compreendam como vai funcionar. Um será responsável pela segurança de Valerie por vinte quatro horas, será à sombra dela, inclusive com autorização de Marvel ele irá acompanhá-la na viagem a Livergoorn. E aí entra você Marvel, ela não poderá sair para canto algum sozinha, sem ele. E à noite quero que ele fique de guarda na porta do quarto. Já conversei com você por meio de Roxane sobre isto.

— Claro Henry, está tudo entendido. Vamos colaborar. – Marvel diz muito solícito.

— Obrigado. – Respondo satisfeito.

— Outro ficará responsável pelo chalé. E fará as rondas nos períodos de lua comigo; Outro com Suzette; Outro com minha avó, nossa casa e ferraria; E outro de olho no Cedrico e nas meninas, na verdade, ele será os olhos que percorrerá todos os lugares, sem exceção. Portanto, eu preciso de uma lista com horários e rotinas de todos amanhã, até onze horas. E o mais, importante, preciso que levem a sério todo o esquema de segurança. Pois estar em vulnerabilidade pode custar à vida de qualquer um de nós.

Marvel pede para dar uma palavra e passa a explicar à todos um pouco sobre Mildrad e seu terrível “curriculum criminoso”. E assim que ele termina a atmosfera ganha ainda mais seriedade.

Tio Heitor também pede uma palavra que cedo prontamente.

— Meu filho, quem são os homens? – Ele pergunta.

Esta é na verdade, a pergunta que eu mais esperava. Pois, quando eu listasse os nomes dos guerreiros, aí sim, as pessoas entenderiam na real situação.

Pois, tratavam-se de guerreiros à muito conhecidos. Verdadeiros ícones da guarda do Reino. Que depois que fizeram um futuro promissor, deixaram a corte, ou seja, a Guarda Oficial, para trabalharem como prestadores serviços particulares as famílias nobres, onde acabaram enriquecendo e muito. Pois, por serem os melhores, cobram verdadeiras fortunas por seus trabalhos. Eles realmente são extraordinários no que fazem, os melhores de verdade. Nunca perdem, e só acumulam honras e vitórias. Tornando-se quase lendas.

Então, antes de dizer, respiro fundo, já prevendo o impacto.

— Bem eles são Aquiles que será o responsável por Valerie.

— O quê? Aquiles? Henry, você contratou o melhor do Reino? — Tio Heitor disse assustado.

— Sim tio, “os melhores”. Vocês viram com quem estamos lidando? E eu sei mais ainda a respeito do que estou lidando, não é só Mildrad, é o que está por trás dele. Ao que tudo indica, ele tem aliados tio, e fortes aliados. Não vou arriscar a segurança de Valerie. Por que o senhor acha que ele veio nos provocar bem debaixo de nossos narizes? Apesar de que eu creio que ele não contava em me ver com Valerie. Ele certamente sabia que eu estaria aqui, pois, sou o melhor amigo de Marvel. E ele sabe que faço parte da Guarda, que não posso me envolver em lutas físicas com civis, que isto resultaria em severa punição pra mim. Mildrad sabe o que faz tio, ele arquiteta tudo.

Tio Heitor me olha perplexo. E então, prossigo...

— Então, são eles: Aquiles, Avalon, Camelot, Lúcius e Lucan.

O silêncio que paira no ambiente agora é letal.

E sei que pelo olhar de todos, eles sabem exatamente do que se tratam estes nomes e que com minha escolha estou provando que não estou para brincadeira. Araon e Érion então, por agora estarem na Guarda também, têm a exata noção do que aqueles nomes significam: estratégia de guerra e carnificina. Os homens são excelentes matadores.

Espero mais algum tempo por algum comentário. Porém o silêncio ainda impera. Pelo que percebo consegui surpreender a todos, pois, sem exceção, estão chocados.

— Bem, no mais é isto, preciso da colaboração de todos.

— Preciso saber uma coisa. – Enfim Tio Heitor diz. E todos o olham. – Com quantos anos está Mildrad?

— Vinte e cinco, senhor Heitor. – Marvel responde.

O tio analisa o que Marvel fala e diz.

— Ele é mais novo ainda que você e Araon, Henry?

— Sim, tio eu Araon estamos com vinte e seis. E Marvel é o mais velho de nós, e está com vinte e sete. E Marverik? – Nesta hora não lembro-me bem.

— Eu estou com vinte três. – Marverik responde.

— Um ano a menos que eu e Cedrico que temos vinte quatro. – Diz Érion que até então, estava mudo só observando. E percebo que ele cita Cedrico, para evidenciar uma proposta definitiva de paz, o que Cedrico responde com um sorriso aliviado.

— Mas, por que a curiosidade tio Heitor? — Eu perguntei tentando imaginar o que se passa na cabeça dele.

— Bem, eu não aprovo jamais, atitudes de sujeitos como Mildrad, me desculpem Marvel e Marverik por isto. Sei que é irmão de vocês. E embora vocês sejam honestos e maduros para lidar com a situação, eu sei que não é fácil, saber que se tem um irmão que mesmo merecendo, está na mira da morte. Mas, o que me intriga é justamente ele ser tão novo e não pensar em mudar de vida, ir a passos largos para um caminho sem volta. Isto é triste para mim. Tenho idade para ser pai de todos vocês, e sei de o quanto ainda podem fazer e conquistar... Então, ver um jovem com potencial, por que o miserável é inteligente, tramando como trama as coisas, é nítido isto... E desperdiçar assim, é lamentável. Eu sinceramente fico triste. Porém, como tudo na vida, envolve as escolhas que fazemos, e o preço que pagamos por elas... Sei que agora o caminho que ele tomou não tem volta. No entanto, sei que não é fácil, principalmente para vocês como família.

Eu respiro fundo. Pois, o tio tinha razão. E o peso das palavras do tio parece pairar sobre nós agora nos fazendo refletir. Porém Marvel quebra o silêncio e diz algo parecido com o que compartilhou com Araon mais cedo.

— Bem, eu estive conversando com Araon mais cedo e falei sobre isto. Pode parecer que não nos importamos com Mildrad e o que está prestes a acontecer com ele. Porém não é verdade. Temos muita tristeza de vê-lo chegar aonde chegou. Mas, não pretendemos pelo menos eu e Marverik, interferir no que virá. Tenho dado todo o meu apoio para Henry fazer o que for preciso. É claro, que eu jamais o mataria eu mesmo, afinal ele é meu irmão... A não ser que, ele ameaçasse de morte minha mãe, meus irmãos ou Rox, e somente eu estivesse ali para agir. E eu espero em Deus nunca passar por isto, pois acredito que não será algo fácil para se fazer. Porém, nós não suportamos mais lidar com o medo de alguém a qualquer minuto fazer algo contra nossa família por causa dele. Não aguentamos ver Made sofrer, e mamãe definhar naquela cama, mais ausente do que presente, eu creio que todo este quadro de esquecimento dela é por que ela não quer lidar com isto. É doloroso demais para ela. Enquanto, ela conseguiu se abstrair do que realmente acontecia com Mildrad, ela o fez. Porém, agora não tem mais como, e sinto que foi a melhor maneira que ela encontrou para lidar com nossa realidade, cedendo à enfermidade, e isto é triste. E é doloroso demais pra nós filhos, que nos importamos com ela. E sabemos que para Mildrad ser morto, é só questão de tempo. Enquanto ele não for, a cada ousadia dele, é apenas mais um choro, uma tristeza. Quando ele partir, será a última vez. Desculpem, mas, é o que sentimos, e acreditem, não é fácil para nós. – E agora ele diz olhando para mim. – Por isto tenho apoiado você Henry, e quero que saiba que entendo você plenamente. E senhor Heitor... – Ele diz agora olhando para o tio. – Obrigado por suas palavras, pois, nos mostra que realmente compreendeu o dilema em que vivemos coisa que muitas pessoas não o fazem, pelo contrário, nos julgam. Muito embora o senhor tenha seu posicionamento próprio, mostrou-se solidário a nossa dor.

O tio concorda com a cabeça, bastante comovido com a situação dos rapazes.

Toda a declaração de Marvel fez-nos compreender o real drama da família Oxford, e me faz ver o porquê Valerie querer tanto, ajudá-los. Mesmo se colocando em risco. Meu coração se compadeceu deles, pois, a situação deles é muito difícil.

Estava raciocinando uma forma de desfazer o clima denso que ficou, quando de repente, o melhor de todos nós para isto diz...

— Bem, já que estamos falando em idade, tenho uma curiosidade, e vou perguntar aqui, pois, não há nenhuma mulher presente. Pois, sei que se falar em idade para mulher é a morte. – Tinha que ser o Araon. E já sei até sua intenção, e tio Heitor também, pois, estreita os olhos para ele, que em seguida diz. – que foi pai? Estou curioso.

— Sei bem, sobre sua curiosidade Araon! – O tio diz a ele, para em seguida se dirigir a Marvel e Marverik. — Cuidado Marvel e Marverik, ele é meu filho, mas... Não deem mole não, com a Made viu?

— Ôh Pai... Obrigado viu? – Araon diz furioso com tio. – O senhor é bem sem graça viu pai?

E Marvel e Marverik só fazem rir e muito, acompanhado por mim e pelos outros.

— Ainda que, todos riam de mim, eu não ligo. Eu quero saber a idade das meninas. E claro que, a de Made também. – Araon é bem cara de pau mesmo. Quando ele quer ninguém segura.

— Bem, a Made tem vinte e Roxane tem vinte e um anos. – Marvel falou.

— Sim, obrigado Marvel, e Sophie tem dezenove. – Araon diz olhando para Marverik, pois já tinha percebido o clima entre ele e Sophie.

— Prudence tem dezenove e Rose tem vinte e um anos. – Cedrico diz.

— E Valerie tem dezenove. – Eu digo encerrando.

— O que? Valerie tem só dezenove anos Henry, idade de Sophie? – O tio pergunta.

— Sim tio por quê? – Pergunto, porém, sinto que sei a resposta.

— Ela é muito madura para a idade dela, é só tirar Sophie por referência. – Tio Heitor diz encantado com minha noiva.

— Sim, ela é tio. Mas, creio que foram suas experiências de vida, perdeu muito e muito cedo, sua irmã, sua avó, seu pai foi e nunca mais voltou (pois ninguém na vila sabia que Cesaire havia morrido, perdeu Peter, porém eu não podia mencionar também). Creio que isto ajudou um pouco.

— Imagino. Ela é uma gracinha, e ninguém diz que sofreu tanto, pois é uma moça tão doce, tinha tudo para ser mal humorada, ou até rancorosa. Mas, no entanto é muito doce e gentil. Que Deus use você para proteger mesmo esta menina, grandão, ela merece.

— E como merece senhor Heitor. – Era Marvel falando. – Ela está indo para minha casa passar quase um mês para nos ajudar com os cuidado com minha mãe. Devemos muito a ela. Henry tem uma joia valiosa.

Dou um sorriso orgulhoso por minha linda.

— Agora sou eu que recomendo a você Marvel. – O tio fala muito sério. – Cuide dela lá. Não dê brechas.

— Claro senhor Heitor, fique tranquilo. Já disse isto a Henry. – Marvel respondeu sincero.

— O que não somos capazes de fazer pelas mulheres de nossas vidas não é Henry? – Tio Heitor me pergunta.

— Ôh, tio nem me fala. Hoje principalmente, eu sei que sou capaz de fazer o que nem contava que seria! – Eu digo refletindo.

— E você Cedrico? Está tão quieto. Sendo que é tão falante. – Tio Heitor mexe com ele, e só assim, percebo o quanto Cedrico esteve mesmo ausente de tudo, porém, eu creio que foi com receio de entrar em embate com Érion, pra evitar uma briga diante do estado de Prudence.

Cedrico sorri contidamente, e então, diz.

— Bem, na verdade eu estou meio passado ainda. Num certo estado de choque. Muitas coisas acontecendo de vez. O noivado, o bebê, agora uma casa pra morar mobiliada... E claro, esta situação de Valerie e Henry com Mildrad. Como eu acompanho mais de perto, sei o quanto é difícil, eu estou apreensivo, e entendo Henry está mais cauteloso, arredio. Enfim é isto, estou saindo do choque ainda, não assimilei tudo.

— Sei. Eu entendo, é difícil mesmo. Porém, quanto à criança, apesar da situação de vocês, ser mesmo, inusitada. A chegada de um filho é sempre algo maravilhoso para um casal apaixonado. E graças a Deus todos vocês que se comprometeram aqui hoje, o são. E tem histórias belíssimas para contar para seus filhos, netos e bisnetos. E é isto que é o mais prazeroso e gostoso da vida. Então, quer um conselho? Que pode servir para todos os presentes. – O tio diz agora olhando nos olhos de cada um. — Conselho de alguém que já está entrando daqui a pouco, para segunda temporada que são os netos? Aproveitem. É o momento de vocês. Não se desesperem, pois tudo se ajeita. E mais, no caso de vocês todos aqui. Vocês tem algo valioso à disposição. Esta amizade linda que vocês todos construíram ao longo dos anos. Isto é algo muito forte e poderoso. Pois, por mais que um esteja vivenciando situação difícil, vocês sempre estão dispostos a se envolverem todos com um só objetivo, auxiliarem-se mutuamente dentro daquilo que cada um pode e isto é fantástico. No seu caso Cedrico, você talvez tenha se desesperado pelo financeiro, os recursos que poderiam faltar. Henry e Valerie foram lá se colocaram a disposição em servir como podiam. E você se colocou disponível para auxiliá-lo na ferraria neste momento de tanta precisão dele, e também na reforma. No caso de Marvel, houve a permissão de Valerie ir pra lá auxiliá-los, e em contra partida, se dispuseram na causa de Mildrad. É muito bonito isto. Deus deu um presente a cada um de vocês. Esses laços se forem bem conservados, perpassam gerações, formam povos e famílias fortes no futuro.

As palavras do tio Heitor, foi um bálsamo e fortaleceu a cada um de nós, cada um agora tinha seu semblante revigorado. E um a um foi se levantando a abraçando o tio por suas sábias palavras.

Conversamos mais um pouco... Já em um clima bem descontraído.

Assim que terminamos a rodada de conversas. Um por um se preparou para ir. O tio Heitor e Tia Clara, com tudo pronto, disseram que eu precisava descansar. E também partiram.

Rapidamente, dirijo-me a carruagem pegando tudo que preciso para preparar minha surpresa. Como as mulheres haviam deixado a cozinha em ordem e o jardim também, somente ficou para mim, a sala. Então, eu rapidamente reposicionei os móveis e organizei tudo, e instalei a pequena lareira no local que eu havia pedido para que Cedrico, juntamente com os lenhadores, preparassem no assoalho para a saída de fumaça, próximo ao sofá. Ascendendo as lenhas que trouxe dentro dela.

Em seguida, forrei o carpete no centro da sala colocando a mesinha de centro ao canto e preparando-a para receber a cesta com as frutas e o arranjo de flores. Fui até meu quarto e peguei os travesseiros da cama, quatro cobertores dois para forrar o carpete e dois para cobrir, já que a noite costuma esfriar um pouco, e no chão, a friagem é mais intensa. Coloco o som suave no canto da mesinha onde estão as frutas e o arranjo de Rosas vermelhas. E o toque final, são os marshmallows que Valerie adora, segundo Cedrico e Roxane. Coloco-os em um recipiente também na mesinha e concluo com uma jarra de água e dois copos.

Após tudo pronto, apago a luz deixando somente a luminosidade da lareira. Vou até a cozinha e preparo uma garrafa de chá, pois a tia Clara disse que Valerie pode ter dor de cabeça. Levo-a com mais duas xícaras comigo. E sigo para meu banho, passando antes para olhá-la. E ela está bem serena e tranquila. Ainda dormindo.

Sigo ao meu quarto, fechando-o, colocando as xícaras e a garrafa na mesinha de cabeceira e indo direto ao banheiro. Tomo um banho gostoso permitindo-me agora relaxar completamente. É bom demais sentir a água morna correr por cada músculo, agora dolorido, pela descarga de tensão anterior. Assim que termino. Enxugo-me e perfumo-me. Lembro-me que deixei o pijama no quarto. E saio já sem toalha para vestir-me. Assim que o faço, sigo em direção ao quarto de Valerie. Na verdade, a intenção, é pegá-la no colo, e trazê-la para este quarto, até ela acordar. E é o que faço. Porém, organizo todo seu quarto antes de pegá-la.

Assim que o faço, ela envolve seu seus braços em mim.

Chego ao meu quarto e sento-me com ela na cama. Encostado na cabeceira com ela em meu colo. Depois de tanto tempo longe, meu corpo já protestava demais sua ausência. Assim que me sento ela encolhe-se totalmente em eu colo como se estivesse refugiando ali, e instintivamente leva o nariz ao meu peito e a mão sobre o meu coração. Como é hábito dela fazer. Começo a acariciar seu rosto e pensar o quanto esta linda mulher tem passado.

Acaricio suas bochechas, seus olhos, seu nariz, sua testa. E por fim, corro meu indicador em seus lábios. Sentindo a textura, a maciez e temperatura, como é gostoso beijar estes lábios. E como o desejo de beijá-la já é insuportável, tocos os meus lábios suavemente nos seus. E de repente, ao afastar-me um pouquinho, sou surpreendido quando ela abre os lábios e suspira no meu rosto e sinto o cheiro do seu hálito delicioso.

Afasto-me para olhá-la, e sinto rapidamente, uma de suas mãos, envolver minha nuca impedindo-me de afastar-me mais. Meus lábios estão a milímetros dos seus, e seus olhos ainda estão fechados e sua respiração me mostra que ainda está dormindo. Fico em uma situação difícil, pois, quero me mexer e não posso. Então, volto a beijá-la e sinto-a estremecer violentamente e se agarrar a mim. Neste instante, pelas mudanças das batidas em seu coração, eu sinto que ela está acordando.

Ela abre os olhos, olhando-me com eles arregalados, evidenciando o quanto está assustada. Neste momento sinto-me corar, por saber que ela deve estar lembrando-se exatamente agora do que aconteceu, e meu súbito descontrole e ataque de fúria. Lanço-a uma expressão de culpa como que me desculpando. Ela toca meu rosto, minhas pálpebras, fazendo-me fechar os olhos por um instante. Toca meu rosto de novo, e agora meu queixo e lábios, e neste momento, eu abro os olhos e solto um suspiro involuntário. Então, ela corre seus dedos contornando-os como se estivesse memorizando-os com os dedos.

Agora ela desce suas mãos por meu pescoço até chegar ao meu peito descansando-a ali. E ela volta a beijar meus lábios com carinho. Assim, ela desce-os agora, ainda de olhos fechados até o meu peito e beija aquela região. Ainda que sobre a camisa do pijama, a sensação é maravilhosa.

E ela começa a explorar meu peito agora, com a pontinha de seu nariz. Depois é seguido de seus lábios novamente, só que neste exato momento, sinto seu coração acelerar as batidas, enquanto o meu já martela no peito. E fico observando-a quando de repente, ela sem abrir os olhos sobe seus beijos, até meu pescoço meu queixo, e por fim, chega aos meus lábios, e ali tomo os seus com ardor, e paixão. O beijo é intenso, molhado, feroz. Gostoso demais.

Agora suas mãos exploram meu peito com vontade. E as minhas, suas costas e sua nuca. Puxando-a junto a mim. Sinto-a tocar um botão da camisa de meu pijama e estremeço. Será que é o desespero de novo? Então ela para, hesita. Começa de novo e eu prendo a respiração. De repente ela diz em meus lábios.

— Preciso tocar você amor. – Ela diz ainda em meus lábios.

Aquilo me deixa confuso, com os pensamentos nublados, pois eu quero, quero demais, mas sei que se eu prolongar não terá volta...

— E os limites? – Pergunto a ela ainda em seus lábios.

— Não vou tirar sua camisa lindo, muito menos tocar seu ventre, prometo. Na verdade, quero sentir seu coração, mas, sentir com minha mão na sua pele. Na verdade, eu preciso e quero saborear o quanto você está vivo Henry, pois temi demais perder você hoje amor.

Meu Deus! Que difícil, mas com ela me pedindo desta forma, preciso tentar.

— Então toque amor. Toque.

Ela não hesita, abre dois botões rapidamente e desliza sua mão para altura do meu coração, e como prometeu permanece ali quietinha sentindo.

— Amo este som amor, tanto! Ele me mostra o quanto você está vivo em bem! Amo tanto você Henry... Tanto... Achei que hoje eu perderia você... – Ela não prossegue, e dá um soluço.

E agora o choro. Ela chora copiosamente em meu peito.

— Shhh... Eu estou aqui. Eu estou vivo não está vendo amor? Mas, Valerie em nenhum momento eu estive na mira da morte...

Ela não me deixa prosseguir, e em desespero diz...

— Você está errado Henry... Toda pessoa que está disposta a matar está na mira da morte... Você esteve perto hoje amor... Foi terrível ver aquilo... Ver você daquela forma tão transtornado, e ver... O quanto Mildrad agora odeia você... Tenho medo... Tenho medo de perder você Henry. Muito amor. Eu não posso... Eu não suportaria.

Ela vai falando e intercalando com choro.

Meu coração se desfaz completamente principalmente por que ela não dá nenhum indício de que vai parar. De repente...

— Ai... Ai... Amor... — Ela diz segurando a cabeça... E aumentando o choro e reclamando. Me deixando desesperado.

— O que foi? — Pergunto preocupado.

— Minha cabeça amor voltou a latejar, dói demais. Eu acho que eu não bati quando cai mais dói muito.

— Deve ser por que você sofreu emoções fortes amor, acalme-se e deite-se aqui novamente, vem.

Deito-a em meu colo, abraço-a e digo-lhe...

— Amor eu fiz o chá para aliviar a sua dor, pois, tia Clara me disse que você poderia acordar com ela, mas, não disse que seria tão forte.

— Vai passar lindo, não se preocupe. – ela diz tentando me passar confiança.

Confesso que achei aquilo estranho, Valerie não é de reclamar de nada, e agora uma dor assim.

— Como não me preocupar Valerie? Eu morro de preocupação com você, você é muito saudável, nunca reclama de nada... – Ela me olha com olhar pequenino acho que fugindo da claridade. Amor, um banho quente te relaxaria, e ai você também poderia vestir algo mais confortável.

— Lindo nem me fala, estou louca para tomar banho, ainda mais que cai no chão. Mas, eu não aguento ficar de pé no momento Henry e nem fazer movimentos bruscos, a minha cabeça está doendo muito.

Hum, aquilo me preocupou...

— Se a mamãe estivesse aqui eu pediria para ela me ajudar, mas, já está tarde.

— Te ajudar no que amor? – eu pergunto-a não compreendendo.

— A tomar banho Henry.

Pensei sobre aquilo. Será que eu conseguiria? Já fiz isto por minha avó, afinal lá em casa somos somente nós dois, só temos um ao outro. Quem mais faria? Já o fiz também, com meu pai, mas, é diferente.

Se eu oferecer o que ela vai pensar? Bem, na verdade nada, pois, em dois meses eu seria seu esposo e no mais, eu posso pedir que ela esteja vestindo algo para não piorar tanto as coisas para mim. Bem, o máximo que pode acontecer é ela dizer que melhor não. Vou arriscar.

— Princesa?

— Hum... Ela diz com olhos fechados e sua cabeça estava quietinha encolhida em meu peito.

— Eu posso fazer isto por você.

Ela abre os olhos, alarmada! E eu mantenho meu olhar calmo e sério.

— Como? – Ela diz parecendo não compreender.

— Sim, eu posso fazer isto, por você. Já o fiz por minha avó. Afinal somos somente nós dois, quem mais faria isto por ela? Respeito você amor e mais, pode vestir alguma coisa, eu até preferiria que você não estivesse totalmente nua amor. Pois realmente facilitaria um pouco as coisas para mim. Mas...

Ela me olha pensativa.

— Pensa bem em uma coisa. Eu sei que não somos casados ainda, mas, esta é uma necessidade estrema, é diferente. Que nos colocará a prova? Sim claro. Mas... Tem uma causa e justa, você não está se sentindo bem. Pense como os exercícios de mais cedo eu não tive o objetivo de provocar você, você confiou e deu tudo certo.

Ela respira fundo, analisando.

— E no mais, pensa bem, quem fará isto quando você estiver próxima de ter nossos bebês com aquele barrigão que não poderá fazer um movimento brusco se quer? Eu linda.

— Eu sei, mas, é diferente amor. – Ela me diz bastante constrangida.

— Eu sei que é, foi só uma sugestão tudo bem se não quiser eu entendo.

— Não é isto lindo. Na verdade além de medo de ser tentada claro, eu estou com vergonha amor pensa bem?

— Vergonha? De mim? De eu ver você nua? Aliás, corrigindo, por que eu espero sinceramente que não seja nua. Seminua ainda da pra tentar. E dou um sorriso sofrido a ela.

Ela me olha corando visivelmente. E continua pensativa.

— Tudo bem então. Vou precisar pegar algumas coisas em meu guarda roupa. — Ela me diz sem graça.

— Vamos, eu te levo. Só quero te pedir uma coisa, que feche os olhos quando eu disser, pois, tem algo que não quero que veja agora.

Ela sorri lindamente para depois fazer uma careta de dor.

— Ai como dói. – E segura à cabeça novamente. — É minha surpresa amor?

— Sim, é. Mas, vamos. Eu quero cuidar logo de você princesa.

— Tomo-a em meus braços e levo-a até seu quarto, mas, antes de sair do meu peço para que feche os olhos, então, só deixo-a abrir em seu quarto quando fecho a porta.

Sento-a na cama e ela protesta a dor novamente, permanece sem se mover, então ela começa a me orientar em onde estão as coisas para poder pegar tudo que precisará.

Pego seu pijama, roupas íntimas, confesso que não é nada confortável fazer isto. Embora, não consiga entender por quê. Fico impressionado como ela é organizada é fácil encontrar tudo, pois, está exatamente onde ela diz.

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— Henry pega uma camisola para mim. – Sua pergunta me assusta.

— Amor não vai dormir de pijama? – Pergunto-a sinceramente.

— Claro que vou lindo. A camisola, é por que eu vou usá-la para tomar banho.

— Ah sim. — Sinto meu rosto queimar tanto. Levanto-me e assusto-me quando vejo-a encolhidinha na cama. Ela realmente não está bem. Bem nesta hora, tenho uma ideia. Vou até a cozinha, pego uma cadeira e levo-a para o chuveiro. E ligo no morno para que ele possa aquecê-la, pois a armação é de ferro.

— Linda venha. Ajeitei tudo já. Como vamos fazer? Eu coloquei uma cadeira no chuveiro. Para facilitar, vem.

Ela me olha com os olhos pequeninos de tanto que evita olhar claridade.

— Henry abre o vestido para mim.

— Claro. – Ela realmente não está bem, pois, não faz todo o drama de fechar os olhos...

— Amor você está de olhos fechados? – Sorrio com aquilo, foi só eu pensar.

— Na verdade não. Você quer que eu feche?

— Sim, eu gostaria.

— Tudo bem.

Faço exatamente como ela me pede. E ela diz.

— Continua fechando lindo.

— Hum rum... – Ela demora um pouquinho.

— Pronto. Agora pode abrir.

Ela aproveitou tirou o vestido e colocou a camisola e já tinha tudo dobrado.

— Põe no cesto pra mim. Por favor.

— Hum, Rum... – Eu repondo.

Coloco e volto até ela.

— Obrigado lindo. Amo você!

— Também princesa, venha.

Tomo-a em meu colo, mas, então penso... E falo...

— Vai lavar os cabelos amor?

— Não Henry.

— Então espera. – Coloco-a na cama novamente.

Pego uma escova em sua cômoda e uma fivela, e lentamente e suavemente começo a penteá-la. E começo a dividir seus cabelos.

— Hum... Lindo isto é bom, suas mãos são uma delícia Henry! – Sorri com aquilo. — O que está fazendo?

Sei que ela vai sorrir e se espantar. Digo simplesmente...

— Uma trança.

— O que? – Ela grita — Aiii! Minha cabeça! Uma trança? Henry como você sabe fazer uma trança? Ai Ai, minha cabeça... – Ela realmente não está bem, mas, continuo falando para distraí-la.

— Minha mãe me ensinou, pois, quando minha vó não estava, ela não tinha quem fizesse, então pedia a mim. No início eu sofri um pouco para aprender o meu pai detestava isto, mas, eu sempre achei que não tinha nada haver. E eu até achava interessante, já fiz na vovó também. Agora em você.

— E um dia poderá fazer na Laurinha...

— Como? — Perguntei e como já tinha terminado, busquei olhar seu rosto e constatei que ela estava muito vermelha. – Não entendi amor...

— É que sempre que eu penso nos bebês, principalmente depois do seu sonho, em que temos um casal. Eu penso em colocar o nome em nossa filha caso tenhamos uma menina, de Laura, em homenagem a sua mãe. Primeiro por que sei que sente falta dela, e depois por que de certa forma, as lembranças dela estão te fazendo tão bem, está quase todo curado amor. Creio que devo isto a ela. Porém, só o farei, se você quiser e concordar.

Sorri muito emocionado com o comentário dela.

Então me abaixei para ficar de frente a ela, ajoelhei-me e envolvi seu rosto entre minhas mãos. Então disse após trocar um longo e significativo olhar com ela...

— Eu amo você Valerie! E claro que eu concordo, não só concordo como me sinto tão honrado e feliz por escolher o nome de minha mãe para nossa filha. Você é maravilhosa e realmente eu amo você!

Beijo-a, porém, com delicadeza devido a sua dor de cabeça, e não prolongo o beijo. Assim que afasto-me ela pergunta.

— Terminou a trança Henry?

— Claro. Está pronta amor. – Ela sorri maravilhada.

— Henry a cada dia ficou mais impressionada com você. Você realmente é único amor! Único e meu!

— Sim, amor, seu! Para sempre seu!

Digo-lhe dando um selinho enquanto tomo-a no colo.

— Hora do banho princesa.

— Príncipe, assim você vai acabar molhando seu pijama.

— Acabei de pensar nisto amor.

Puxo a cadeira e coloco-a nela. Porém ela pede para sentar-se de frente para o encosto, para apoiar a cabeça abaixada no mesmo. Faço como ela me pediu e empurro-a para baixo da água. Ainda de cabeça baixa, ela diz.

— Faça assim: dobre as bainhas da sua calça até onde der e... Tira a camisa, e depois que terminar, você veste novamente... – Ela levanta um pouco a cabeça para dizer aquilo, e vejo-a muito vermelha. E continuo olhando para ela alarmado com o que disse. O que motiva a ela a dizer. – Prometo que fico com as mãos quietinhas o tempo todo Henry.

Dou um sorriso com o comentário dela e faço como sugeriu. Rapidamente desabotoo minha camisa do pijama retiro-a e coloco-a perdurada na porta.

Só neste momento vejo a extensão de o quanto Valerie não está bem, o fato de me ver sem camisa no momento quase não a provoca. Ela fica quietinha e só me olha de vez em quando. Enquanto permite que a água molhe seu corpo completamente.

— Vou sair um pouco amor, para preparar algumas coisas para você, para após o banho, e para você ter privacidade. A sua toalha está aqui na pia. Assim que precisar, me chama.

— Tudo bem. Obrigado amor, e... Amo você Sr. Lazar.

— Também linda! Eu estou preocupado com você Valerie demais.

— Não fique amor, já te disse, vai passar.

Saio um pouco, com meu coração inquieto. Para mim, tem algo errado. Só não sei o que é. Ela nunca teve uma reação assim. Sinto-me angustiado.

Levo a garrafa de chá para sala. Preparo tudo para depois do banho nos deitarmos de frente para lareira, que a esta altura envia um calor delicioso através do fogo.

Passam-se alguns minutos e percebo que ela esta demorando. Chego próximo à porta do banheiro e a chamo, e tenho silêncio e só o barulho da água do chuveiro como resposta. Chamo de novo. Nenhuma resposta.

Preocupado abro a porta lentamente. Desespero-me profundamente com o que vejo, e disparo-me aflito em sua direção chamando...

— Valerie?

*********

*Capítulo 8 do Livro de Cantares de Salomão, nos versículos 6 e 7 da Versão: Nova Bíblia Viva (Mundo Cristão, 2010)

* RIFLE — Um rifle é uma arma de fogo projetado para ser disparado do ombro, com um barril que tem uma ranhura helicoidal ou padrão de ranhuras (" vasculhando ") cortado em paredes barril. As áreas em relevo do estrias são chamados de "terras", que fazem contacto com o projétil (por utilização de armas pequenas, chamado bala), dando em torno de um eixo de rotação que corresponde à orientação da arma. Quando o projétil sai do cano, esta rotação confere estabilidade giroscópica para o projétil e evita cair, da mesma forma que um bem jogado futebol americano ou de rugby bola se comporta. Isto permite o uso de marcadores de pontas aerodinamicamente eficientes (como oposta às bolas esféricas utilizadas no mosquetes ) e, assim, melhora a amplitude e precisão. A palavra "fuzil" originalmente se referia ao grooving, e um rifle foi chamado de "arma raiado." Rifles são usados ​​em guerra , de caça e tiro desportivo .

Notas finais
E aí pessoas lindas, o que acharam? Minha outra FANFIC: http://fanfiction.com.br/historia/333216/O_Triunfo_Da_Esperanca_-_Por_Peeta_Mellark