A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
21 MOMENTOS DELICADOS X VENDO ATRAVÉS DA DOR – Cap.21
Notas iniciais
POV VALERIE
Meu Deus...
Meu interior se contorce ao ver Henry seminu...
Ainda bem, que ele estava apenas sem camisa...
Mas isto, é o suficiente para fazer-nos corar juntos e arrepiarmos até o nosso último fio de cabelo, pude ver pelos cabelos dos seus braços, que ele estava tão arrepiado quanto eu.
O meu rosto estava em chamas, tanto quanto o dele... Percebi também, o quanto ele estava abalado, muito fora do normal, pois, sempre é ele quem quebra o gelo, quando surgem climas assim, adotando uma postura casual, mas, agora ele está mudo, inerte, parece que fazendo um esforço enorme para encontrar palavras. Então, eu reúno todas as minhas forças e falo.
— Desculpe, eu vou sair para você se trocar... — E ele fica ainda muito, mais vermelho e envergonhado e diz...
— Não, por favor, não precisa... eh... eu só... bem me desculpa por eu sair assim, é que eu... imaginei que... você estaria dormindo. E, eu esqueci minha camisa aqui...
Ele estende a mão e a pega no cabideiro. O seu rosto está em brasas de tão vividamente vermelho. Então, ainda que envergonhada também, eu digo.
— Tudo bem, eu sei que você não tem culpa...
Entretanto, isto não é suficiente para relaxá-lo, e, ele veste rapidamente a camisa. Acho que por perceber que minha boca estava aberta quase que salivando enquanto olhava para o seu peito nu.
Agora sou eu que estou como rosto verdadeiramente em chamas e respiro frustrada.
Henry nota, e olha para mim, embora eu observe que ele ainda não fecha o espaço entre nós. Só então, que ele percebe que eu me troquei, ele olha para mim perplexo, depois para o cabideiro, se dando conta do hobby. Então me olha de novo.
— O que houve com seu... pijama?
Sinto que no exato momento em que pergunta, ele faz a conexão, pois, suas mãos ficam ligeiramente trêmulas. Então ele me avalia cautelosamente, e o rosto ainda mais vermelho. E eu simplesmente digo sem medir as palavras.
— O que você acha? Com certeza estão no mesmo estado que o seu... – E como eu previa, ele fica roxo e literalmente ainda mais mudo...
Não consigo mais suportar, pois, a situação é tão imensamente ridícula e constrangedora, que eu começo a rir de nervoso... e, quando olho para ele, ele está ainda mais perplexo, acho que com medo de eu ter perdido a sanidade.
Eu então falo, aproveitando o surto de coragem...
— Ah Henry... Esta situação é terrível. – Ele pisca algumas vezes e parece recuperar um pouco o equilíbrio e responde:
— E eu não sei? Você fala isto para mim? Não subestimo você, de maneira alguma, mas acho que para mim, é milhões de vezes pior...
Eu já não consigo mais ficar chateada, por que eu sei que é verdade. Mas, honestamente, a culpa é dele. Ele e seus limites...
— É eu sei Henry, mas honestamente... A culpa é sua. Pois, são SEUS... Limites... – E ele me dirige agora, um olhar culpado. Não resisto, por que dói meu coração, ver a culpa em seus olhos, e digo.
— Desculpa-me, eu sei está bem? Venha cá eu fiz um chá calmante para nós. — Ele me olha, me sondando para depois falar...
— Se importa se eu ficar só mais um pouco aqui amor? — Ele estava tão desconcertado... Quando viu que eu estava me alarmando, ele apressou-se em dizer... – Calma é por minha causa, ainda não estou... totalmente em estado normal... — Ele termina finalmente a frase e bastante constrangido. Ocorre-me uma ideia.
— Sim, claro, eu também não estou bem certa, ainda... — E tento ignorar o meu rosto quente, e continuo... – Bom eu vou resolver nosso problema... — E quando ele vê que eu estou levantando, ele se desespera...
— Não Valerie... Espere, fique aí, por favor... – E eu explodo...
— Fique calmo, Henry, eu só vou para o outro quarto, pra te deixar em paz, tudo bem? — Mas então ele fica mais alarmado ainda...
— Você quer ficar longe de mim?
E vejo dor em sua voz, e não tem jeito, não consigo mais ficar com raiva dele, então eu bufo e cubro o meu rosto em frustração. E, lágrimas enchem os meus olhos. Eu luto contra elas, pois, eu não quero ficar assim, não é justo com ele..., mas, eu acho que são meus hormônios em ebulição.
— Não Henry, claro que não, é só que eu não sei o que fazer está bem? Desculpe-me... – Ele solta um suspiro pesado e percebo ele se aproximar lentamente da beira da cama. Ele se senta.
— Por favor, não fica assim meu amor... — E sua voz é bastante dolorida. – Quando eu pedi para você não se levantar, eu não estava me referindo ao fato de você se aproximar, mas ao simples fato de te ver totalmente... Descoberta... — Então entendi o que ele estava falando, eu estava sentada, mas a maior parte de meu corpo estava coberto pelo lençol. E sei que estas coisas para os homens não dependem somente de toques, muitas vezes basta o contato visual. Então, eu compreendi. Então fiz a única coisa que eu podia naquele momento.
Respirei fundo e... Olhei-o com amor, tentando através de meu olhar, transmitir que por mais que eu estivesse frustrada com aquilo eu o compreendia. Ele lentamente aproximou sua mão da minha, atento a cada uma das minhas ações e reações. E a beijou com suavidade e disse...
— Eu te amo você sabe... por favor, amor... tenha paciência. Afinal o que eu posso fazer? E eu também estou sofrendo com isto. E eu te garanto, que não é pouco...
— Eu também te amo muito Henry... E agora você sabe... Desculpe por estar fazendo você sofrer... – Ele fechou os olhos saboreando aquelas palavras. Ele sorriu... E assim, como sempre acontece, eu me derreti diante do seu sorriso. – Eu tentarei, eu prometo.... Mas eu admito que depois de hoje, passei a ter medo de... eu não sei até que ponto, eu posso me responsabilizar por isto. Suportar esta espera Henry. Eu não sou como você... – E ele me interrompeu...
— Eu sei amor, é claro que eu sei... e é isto que eu amo em você, sua espontaneidade. Adoro isto, porque foi isto que me trouxe de volta a vida Valerie... Não quero que mude, por favor. E você não me faz sofrer, muito pelo contrário, eu nunca fui tão feliz...
— Eu sei, mas... – eu tinha que falar aquilo com ele. – Bom... E o que falta agora? Você já sabe que eu te amo. Muito embora, eu ainda percebo que você não esteja totalmente convencido e não sei nem o que vou ter que fazer, para você compreender que é verdade...
Mas, então, o sonho erótico me atinge, me lembrado o que eu poderia fazer, e sou obrigada a balançar literalmente a cabeça para espantar aqueles pensamentos para bem longe. Porque certamente, eu estaria em perigo, se aquilo viesse à tona. E percebo que o Henry fica preocupado com o gesto...
— O que houve Valerie?
— Ah... São somente lembranças, que eu mandei para longe... – Eu simplesmente respondo, e ele pergunta:
— Lembranças? – E, eu respondo ainda lutando contra elas:
— Sim do meu sonho...
Digo e minha voz é um sussurro. E ele se move desconfortavelmente e é visível que naquele momento o seu tenta tomar foco em sua mente, e ele repete o meu gesto com a cabeça. E diz:
— Argh...
— É horrível, não é? – Pergunto... E ele olha para mim e responde:
— Horrível? Não amor. De maneira alguma... Horrível é acordar e ver que não é real... Mas... eu confesso que, já foi muito pior.
E então, eu me lembro, de que para mim, esta foi a minha primeira experiência, mas, para Henry, esta tortura é de longas datas.
Esta simples lembrança é o suficiente para eu conseguir me recuperar completamente.
Eu preciso estar bem, por ele. E eu agora relaxo visivelmente e acaricio a sua mão com amor, e coloco a outra mão em seu rosto delicadamente e a deixo ali quietinha, enquanto ele aperta seu rosto a ela, aconchegando-se. E, de olhos fechados vai se acalmando, e eu começo a sussurrar palavras de conforto para nós enquanto encosto minha testa na sua...
— Eu te amo Henry Lazar, vai ficar tudo bem, já enfrentamos coisas muito piores e estamos juntos agora.
Abro os meus olhos no mesmo momento que ele. Olhamo-nos, e dizemos juntos.
— PRA SEMPRE.
Então, ele me pergunta:
— Quer o chá agora Valerie?
— Sim... – Respondo.
Então, ele nos serve e agora, assim como eu, ele senta-se encostado na cabeceira da cama ao meu lado.... Enquanto tomamos segurando nas mãos livres um do outro, e de vez em quando, entre os goles, beijamos a mão um do outro.... Viro meu rosto à procura dos seus olhos e pergunto:
— Henry?
— Sim. – E ele corresponde meu olhar.
— Fico pensando o que será que eu terei de fazer para realmente você acreditar que eu te amo? — Ele continua me olhando com amor... Pensativo...
— Ah, eu acho que eu só vou consegui absorver totalmente quando... Bom, eu não sei... – E eu intensifico delicadamente o aperto em sua mão e encorajo-o...
— Quando...
— Quando... – Ele respira fundo... — Finalmente você se casar comigo amor. – Fico pensando naquilo, mas, por que para Peter não era assim?... E Henry completa, pois, parece compreender que não estou entendendo.
— Ah Valerie... Casamento é uma coisa muito séria. Porque é um compromisso, que para mim, é para vida toda... E para você se comprometer com alguém, desta maneira, é preciso ter todas as certezas possíveis. Foi por isto que, eu nunca hesitei em querer me casar com você. Já te disse você sempre foi a minha certeza absoluta.
É eu sei, ele já me disse isto. No entanto, eu me lembrei de uma coisa, ele não me pediu mais em casamento desde a última vez em que eu o neguei, então, eu me dei conta do óbvio. Não depende apenas de mim. E foi o que eu disse para ele.
— É eu sei. Então, realmente isto não depende apenas de mim, fico mais aliviada com este fato...
Eu disse isto, o olhando. Ele fez uma expressão que mostrava que estava confuso. Eu percebi que ele esta lutando para entender o que eu disse, mas, estava sem sucesso, e olhou para mim, e seus olhos me fizeram a pergunta muda. E eu perguntei...
— Não está entendendo? – ele negativou com a cabeça e disse.
— Não. — Ainda lutando para compreender...
— Bom é muito simples... – Eu só pensei, não tive coragem de falar, me pareceu oferecimento demais, sugestivo demais. “Como eu posso aceitar ou negar algo que não me foi oferecido?”Sem chance de eu pronunciar aquilo, Henry teria de descobrir sozinho...
Mas, ele ainda aguardava uma resposta e eu disse:
— Quer saber? Vamos tomar nosso chá e dormir... Pois, amanhã... Amanhã não, hoje você tem trabalho, e quanto a sua duvida, eu sinto muito Henry, você terá de descobrir sozinho.
Dei um selinho nele, desejando-o boa noite. E pela forma que eu estava constrangida ele percebeu que era algo que eu não iria falar. Mas...
— Ah Valerie, não é justo eu não deixo de falar as coisas para você, mesmo que sejam constrangedoras, eu até reluto, mas, te deixar no escuro, eu não faço isto.
Eu sabia, mas aquilo era diferente e tenho certeza que ele irá compreender quando descobrir. Então, por ora, mantenho-me firme em minha decisão, ele recolhe nossas xícaras colocando-as na mesinha.
Então, já deitados, olhando um para o outro, eu o digo suavemente:
— Mas é algo que eu não devo falar em hipótese alguma, e você sendo o cavalheiro que é, compreenderá logo que se der conta do que é. Está bem? – Ele suspira obviamente insatisfeito, mas, parece compreender...
— Tudo bem então, meu amor. Só mais uma coisa...
— Sim...
— Eu te amo, e hoje foi um dia maravilhoso, e a noite foi a melhor parte... – Antes de falar qualquer coisa, a curiosidade me consumiu...
— Por quê? – Eu perguntei, pois havia acontecido tantas coisas nesta longa noite.
— Por que você disse que me ama! – E eu sorri abertamente, e acariciei o seu rosto com carinho.
— E eu amo. AMO mesmo Henry, muito! — Dei um selinho rápido em seus lábios e me afastei para o meu lugar. Sua mão alisava delicadamente meus cabelos. E então completei:
— Eu também amei tudo... O dia, à noite, descobrir que eu te amo e... – e já uma névoa de inconsciência me tomava, enquanto ele alisava meu cabelo me relaxando... Até que, os meus olhos se fecharam. Percebi então, o quanto eu estava cansada. Entretanto, eu ainda pude o ouvir perguntar...
— E... – Ele realmente estava curioso, então, mesmo com os olhos fechados e voz sonolenta, eu disse...
— Amei muito mais o sonho desta madrugada... Pena que não era realidade... – E a total inconsciência me tomou...
POV HENRY
Como ela é definitivamente linda... Parecia um anjo dormindo. E como era decidida, determinada, e claro, teimosa. Mas, eu a amo, amo com todas as minhas forças. E como ela me surpreendeu...
Comecei a passar cada detalhe deste dia tão intenso tão imprevisível. Sim, era exatamente assim, que passaram a ser os meus dias agora que eu tenho Valerie. Tudo muda o tempo todo. Tudo é cheio de vida.
O jantar foi maravilhoso. Foi gratificante ver, o quanto esta reaproximação dela com as pessoas, têm surtido efeito sobre ela, resgatando sua juventude, tirando-a do confinamento.
É tão visível para mim que ela sente falta disto. E é tão prazeroso poder dar a ela isto. Ver o seu sorriso... Contemplar a sua alegria... Ao passo que já a vi em tantos momentos de dor, angústia, e de medo.
Então, porque é tão difícil aceitar, enxergar que realmente ela me ama? Por quê? Aquilo foi incrível, vê-la derramando seu coração para mim, mesmo no sonho, foi emocionante ouvi-la dizer que me ama....
Mas, é tão difícil acreditar.... Não tem nada haver com não acreditar nela, e sim, com aceitar que isto, em tão pouco tempo se tornou real, será que ela não está confundindo as coisas? Como sempre, o meu medo fala alto dentro de mim...
Então, eu me lembro do que ela me disse. O que ela quis exatamente dizer, quando falou que agora não depende mais só dela, sobre o casamento? Como assim? Como não depende dela?
Eu não tenho dúvidas nenhuma sobre ela, é claro que eu a quero como minha esposa. Sempre foi tudo o que eu quis. Mas e ela? Se eu a pedisse em casamento hoje, ela se casaria comigo? Então eu compreendo e percebo o óbvio. O que quer dizer...
“Realmente isto não depende só de mim, fico mais aliviada com isto.”
Como ela poderia me responder se eu não a perguntei. É claro que não somente eu, mas, todo mundo, inclusive a Valerie, sabe que o que eu mais desejo é me casar com ela.
Porém, o pedido realmente não foi feito. Mesmo por que, foi tudo tão rápido...
Então, eu me lembro de que o pedido de lá atrás não tem mais validade, porque ele foi recusado...
Certamente eu teria que fazê-lo de novo. Mas, será que ela aceitaria? Não... Esta não era mais a pergunta correta. Caso ela aceitasse, ela estaria realmente certa disto? Teria certeza?
Bom, seria melhor pensar sobre isto após a viagem, pois, eu darei a ela mais tempo para refletir e ter clareza sobre o que realmente sente por mim... E, caso ela se arrependa, os estragos seriam menores. Não há jeito, eu sabia que estar com ela envolvia riscos, e eu suportei e tenho suportado...
Porém, deixa-la ir sem um compromisso mais sério seria a melhor opção? Não daria oportunidades de outros se aproximassem? Ela é linda e vai passar uns dias em uma cidade grande, e tem o traste do Mildrad também... A terrível e temível possibilidade de reencontrá-lo.
Nossa, a minha cabeça parece dar um nó. Contudo, eu resolvo que amanhã eu irei conversar com Cedrico para ver o que ele acha. De repente, as meninas sabem de algo que me oriente a agir da melhor forma.
Então, agora me pego pensando no que ela me disse minutos antes de dormir. Sobre o seu sonho, o que me faz lembrar-me do meu... E, como este é um terreno perigoso demais, resolvo me levantar para estar longe dela caso alguma reação volte... É incrível como ela não consegue esconder o quanto me deseja.
Bem.... Mas espera aí, na verdade, ela não esconde nada do que sente. Talvez, seja por isto a sua urgência em querer me mostrar realmente que me ama. Ela não fez isto antes por que ela não sabia. Bom, realmente preciso pensar mais sobre isto.
Levanto-me pego uma xícara de chá, dou um beijo em seu rosto, e incrivelmente ela sorri na hora e diz meu nome, e eu congelo, achando que ela acordou. Mas, aí vejo que não, ela está pensando em mim enquanto dorme...
E aquilo levanta labaredas dentro do meu coração. É tão linda a minha princesa.... Acabo sorrindo com este pensamento... MINHA PRINCESA.... Mas, é o que ela é, pelo menos ela diz e eu a quero assim, minha...
E no meu mundo interior, ela é dona de tudo que há em mim, então ela é uma princesa e linda para mim. Saio do quarto com cuidado para não a acordar. Sento-me no sofá, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos, para que agora, eu possa raciocinar...
Meu Deus, que sonho foi aquele? Começo a relembrar de tudo que aconteceu desde a hora em que eu saí do banheiro, sem camisa, a reação dela, a minha. A percepção de que ela tinha passado pela mesma coisa que eu, e percebo como aquilo realmente foi engraçado e ridículo como ela mesma disse...
Ela estava irritada, e com razão.... Mas, o que ela está pensando hein? Ela só passou por isto uma vez. E eu? Há quantos anos, quantas noites? Porém, eu confesso que a de hoje foi terrível. Nunca houve uma assim, tão intensa, demorei demais a me recuperar.
Mas e ela? Como será que foi seu sonho? Será que eu teria coragem de pergunta-la? E se eu tivesse o que acho muito pouco provável, porque eu daria a ela o direito de saber do meu, eu não contaria jamais, só de pensar, o meu rosto queima de vergonha. Será que ela falaria?
A única coisa que eu sei, é que ela amou este sonho... Foi o que ela me disse antes de dormir.
Bom, posso testar o quanto ela sente minha falta e o quanto sou necessário a ela enquanto ela ainda está aqui... E pretendo fazer isto começando amanhã mesmo. Amanhã vou combinar com Suzette para dormir aqui. E eu terei de dormir em casa.
Mas, só de pensar nisto, meu coração dói. Eu já estou tão acostumado com a sua presença, em ficar aqui com ela que...
É, não tem jeito, se pretendo ter minhas certezas e desejo me casar o mais breve possível com ela, então, eu preciso agir rápido e isto inclui alguns sacrifícios, mas, que serão bem recompensados depois.
Em meio as minhas divagações, acabo tendo uma ideia, vou até minhas coisas e busco um bloco de anotações e pego uma caneta. Resolvo que irei escrever algumas cartas para ela, uma para quando ela acordar amanhã, e outras, para quando for dormir e quando acordar nos dias em que não estarei aqui, no caso amanhã e depois. Não é uma tarefa difícil para mim, porque não me falta palavras para declarar o meu amor por Valerie....
Dessa forma, impulsionado pela ideia de agora, resolvo escrever a partir de amanhã, já que não dormirei aqui, cartas para cada dia que ela ficará fora, na casa de Madelaine, uma para quando ela for dormir e outra, para quando acordar...
Passo um bom tempo escrevendo as cartas para amanha, e quando termino, mesmo sendo tarde, vou até o jardim e colho rosas brancas, entro, tranco a casa, e ajeito-as dentro de um pequeno jarro da sala, dobro todas as cartas, a de amanhã pela manhã e as dos dias que dormiremos separados.
Quando o sono me encontra e me vence, retorno ao quarto. Coloco o jarro com as rosas na mesinha do seu lado da cama, com a carta embaixo... E guardo as outras no guarda roupa, escondida no meio de minhas coisas, para entrega-la quando eu for embora amanhã a tarde...
Antes de me deitar, eu a observo. Seus cabelos estão como uma moldura em volta do seu rosto, abaixo pego alguns fios. São tão cheirosos e sedosos.
Sento-me a beira da cama, e continuo a olhá-la. Ela sorri. E mais uma vez pronuncia meu o nome, como minutos antes, e sorri novamente... Aquilo me deixa um pouco maravilhado.
Há um momento em que, ela começa a passar a mão sobre o lençol a procura de algo. E tenho a ligeira impressão que ela me procura...
Então, continuo a observá-la. Quando ela percebe que eu não estou ali, ela envolve seu próprio corpo com os braços, e mais uma vez pronuncia meu nome, e da um pequeno sorriso. Aquilo é o suficiente para doer meu coração, pois, ela sente falta de mim, até em seus sonhos... Até quando está inconsciente...
Sim, é de mim. Não é de Peter, e nem um outro, sou eu que habito os seus sonhos agora. E começo a pensar se realmente seria justo, testá-la tanto... Bom é mais fácil fazer isto, enquanto ela esta aqui. E quem sabe ela já não viaja como minha noiva. MINHA NOIVA VALERIE... Grito em meus pensamentos, saboreando a sensação destas palavras, que é deliciosa...
Mais uma vez ela se move, e procura meu corpo com as mãos, deve ser porque acostumou a dormir com a mão em meu rosto. Então congelo quando ela diz ainda inconsciente:
— Acho que Henry não quer mais casar comigo...
Como? Será que eu fiz alguma coisa, que deixei dar a ela esta impressão? Como ela pode pensar isto? Não suportando mais deito ao seu lado, e cubro-nos com o lençol.
Começo a acariciar seus cabelos conforme sempre faço. E, ela mesmo inconsciente, parece sentir, e dá um sorriso, então ela volta a procurar-me com a sua mão.
O ar foge dos meus pulmões quando de repente, ela coloca a mão sobre o meu peito. E ela começa a movê-la lentamente e só para quando alcança o meu coração. E parece que ao senti-lo, ela sorri novamente. E pronuncia meu nome.
— Henry.
Incrível isto... Parece que, com suas perdas, ela quer sempre garantir que eu esteja bem. Fecho meus olhos absorvendo a sensação. De sua mão em meu coração e da minha em seus cabelos, sinto tanta paz.
Sou tomado pela percepção de que talvez a próxima noite não seja fácil, sem ela. Mas, eu preciso permitir que isto aconteça, e afinal, nada será pior do que os vários dias que ela estará fora. A única coisa que me conforta, é que eu estarei bastante ocupado com a reforma.
Hoje, após o jantar enquanto os acompanhava até a vila, deixei tudo acertado com o Cedrico e as meninas, agora é só esperar o momento certo para começar.
Outro ponto positivo, é que tornará mais fácil manter minha meta de só fazer amor com ela, após o nosso casamento, porque a cada dia está ficando mais difícil.
Não seria tanto, se esta meta também fosse dela. Mas, como não é o caso, preciso resistir pelos dois... Uma tarefa que exigirá todos os meus esforços, e tudo do meu autocontrole. Mas eu preciso admitir, que temo fracassar, resistir a ela é difícil demais, eu a desejo sobremaneira... Jamais senti um desejo assim, e claro, nunca amei ninguém como eu a amo...
Quando estou quase dormindo, levo um susto ao ouvir:
— Henry? – Abro meus olhos rapidamente, mas constato que ela está dormindo. E fico mais sobressaltado quando ela diz com o que parece ser uma voz de pura dor.
— Eu queria tanto poder abraçar você amor... – Amor? Ela me chamou de amor? Mesmo em seu sonho, ela já me chama de amor. Ela só disse aquilo para mim uma vez antes de adormecer e termos aqueles sonhos eróticos... No entanto, aqui em seu sonho ela também me chama assim...
E eu não aguento, meu coração dói demais, ela realmente sente falta de mim.... Então, motivado por um impulso, começo a pensar na dor em sua voz, no quanto ela tem feito por mim, cedido por mim, e não hesito.
Me aproximo dela lentamente. E gentilmente, eu envolvo delicadamente sua cintura com o meu braço, enquanto com o outro, eu acaricio o seu rosto. Mas, o que realmente me surpreende é que nesta hora, ela chega ainda mais perto se aconchegando em mim, ela sorri, muito feliz e diz: – Que bom, é estar em seus braços Henry...
Era até difícil de acreditar que ela estava dormindo. Mas, o fato é que ela estava mesmo, e profundamente. E estava sonhando comigo. E, em seu sonho, ela sentia a minha falta, desejava o meu abraço e me chamava de amor, seu amor...
Quanta coisa maravilhosa havia acontecido conosco neste dia, e nesta noite também, estes verdadeiramente, seriam momentos inesquecíveis. Quando eu imaginei que a seção de palavras havia terminado, ela diz algo que me quebra completamente:
— Eu amo você Henry, muito! Mas você não acredita mesmo, não é? – Aquilo dilacerou meu coração, transformou-o em fragmentos... O fato de eu não conseguir absorver que ela realmente me ama, isto dói profundamente nela.
Eu nem percebi quando as lágrimas começaram, eu só sei que, a dor em sua voz, penetrou o meu coração, e mesmo sabendo que ela não ouviria, pronunciei:
— Eu também te amo meu amor, demais. Perdoe-me por estar fazendo-a sofrer...
E naquele momento fui tomado da certeza de que eu preciso acabar com isto de alguma forma, não é justo com ela. Ela tem se lançado verdadeiramente de corpo e alma em minha direção, assim como em seu sonho. Mas eu ainda tenho hesitado, em algumas coisas, relutado muito. Claro, que no fundo, também é receio por me machucar, mas, acontece que eu estou machucando-a, eu não posso fazer isto.
E a primeira coisa a fazer será em relação a pedi-la em casamento. Então, eu me decido, vou mesmo falar com Cedrico, e também com a sua mãe. Com esta certeza, me aproximei dela para beijar seu rosto, e tentar voltar a dormir.
Quando toco sua pele, suavemente com os meus lábios, ela estremece, e eu congelo, exatamente como estou. Então, aos poucos sua respiração vai acelerando, e eu permaneço imóvel...
Sinto a sua pulsação acelerada, mas à medida que os minutos vão passando, volta a diminuir, mas a esta altura, tudo em mim está em alerta. E se ela acordar? O que eu vou dizer?
Ela me ver desta forma, enquanto ela dorme, sendo que tenho sido tão rígido com ela, a ponto de uma vez ela me perguntar sobre movimentos involuntários durante o sono.... Sorrio involuntariamente ao me lembrar daquilo...
Acometido pela lembrança, resolvo que eu direi a verdade. Assim, como ela tem sido verdadeira o tempo todo comigo. Mas, ela não acorda. Mas, o que aconteceu, me enche de coragem para fazer algo...
Suavemente, eu levanto sua cabeça e deslizo o meu braço para que ela se deite sobre ele, como um travesseiro. E é impressionante, pois, assim que eu o faço, ela ainda dormindo, dá outro sorriso, se aconchega em meu peito, e envolve-me em um abraço delicioso, não é algo que me faça perder o controle, mas, algo que gera em mim, completude. É um abraço de carinho, que transmite, acima de tudo, amor.
Como era possível mesmo dormindo, ela exercer tal poder sobre mim? Então, deixei ruir mais uma resistência, e a abracei da mesma forma.
Fiquei perdido em pensamento mais alguns minutos, na verdade me concentrando em organizar a melhor forma de lidar com a surpresa que certamente ela terá ao acordarmos, mas, em uma coisa eu podia ficar tranquilo, ela não teria de lidar sozinha com isto, pois, tenho certeza que ao primeiro movimento que ela fizer, eu vou sentir, devido à proximidade em que estamos. Então, poderemos lidar juntos com isto. E por hora, isto me deixa mais relaxado.
E percebi que já não seria mais difícil dormir aquela noite. Eu precisava alcançar paz, e percebi que só ela, Valerie, poderia me dar isto a partir de agora.
***
Sinto um movimento leve em meus braços e em meu peito. E neste instante desperto. Mas, ainda não abro os olhos, porque, um pensamento quer ganhar foco em minha mente.
Então, depois de alguns segundos, ele vem, contudo, e antes mesmo de abrir os olhos, eu me dou conta do seu calor irradiando por cada parte do meu corpo onde estamos em contato.
Eu organizo a minha mente, os meus pensamentos, preparando-me para a sua reação, e para o que eu precisasse de lidar.
Então, eu abro lentamente os olhos, e ao fazê-lo, vejo-a acordada, verdadeiramente ruborizada e seus olhos, estão arregalados em estado de alarme. Minha alma se derrete imediatamente, pois, sei exatamente por que ela está assim, ela está com medo...
Medo de minha reação, ao ver-nos assim, tão próximos, medo de mim.... É realmente dolorosa a percepção de o quanto minhas reações podem aterrorizá-la. Então, rapidamente vasculho a minha mente, buscando uma melhor forma de lidar com isto, por ela. Então, em dois segundos, sei exatamente o que irei fazer.
Dou a ela um enorme sorriso para dizer da forma mais relaxada que consigo... Antes, aumento, suavemente, o meu aperto sobre ela. Evitando a região dos quadris, evidentemente, para esconder a minha excitação matinal, bom isto é uma coisa na qual, eu não havia pensado antes, mas vamos lá, precisarei lidar da melhor maneira com isto, então, quando discretamente observo que não está tão evidente, resolvo agir naturalmente ignorando o fato...
— Oi, bom dia meu amor! – Eu digo a ela...
Ela pisca várias vezes como se não estivesse acreditando no que estava vendo, fica ainda mais vermelha e continua muda, acho que sua mente ainda não conseguia acreditar.
Então, eu fiz o que sempre fui bom em fazer, embalei minha voz no tom mais casual possível, e disse para dissipar a tensão e o terror, que ainda era visível em seus olhos, fazendo doer o meu coração:
— Bom dia meu amor! O que você tem? Você está bem?
Ela agora ergue levemente a cabeça e percorre os olhos por toda a extensão dos nossos corpos e se demora em cada parte onde estamos nos tocando, e seus olhos voltam pros meus me fazendo uma pergunta muda.
Percebo que não estamos mais cobertos pelo lençol, talvez seja pelo calor, que tenhamos ignorando-o enquanto dormíamos.
E sua reação evidencia que, assim como eu já havia compreendido, ela não estava entendendo a minha reação diante daquilo. Então, quando percebi que ela ainda não falaria, prossegui...
— Pode ficar sossegada meu amor... Você não está em apuros, eu não vou brigar com você, não vou sair correndo, não vou ter uma reação desagradável... Eu só quero que você saiba que eu amo você!
Então lentamente vejo-a relaxar, e piscar mais algumas vezes os olhos, e aos pouquinhos, o seu rosto antes tenso, vai esboçado um leve sorriso. E ela me diz ainda timidamente:
— Bom dia, e a propósito... Eu também amo você! E... Desculpe-me por isto...
Ela diz apontando para a forma em que estávamos envolvidos um no outro, totalmente ruborizada e envergonhada, pois pensava que o fato de estarmos daquele jeito fosse apenas culpa dela. E entendi que aquela era minha deixa, para mostra-la que eu havia gostado de acordar assim com ela.
— Não precisa se desculpar Valerie, isto não foi uma decisão apenas sua, está bem? E você precisa saber que... Na verdade, eu estou muito feliz de ter acordado assim com você. – Ela sorri agora visivelmente relaxada e diz:
— É sério? Você não está chateado? Bom, por que eu na verdade estou me sentindo.... Inteira, completa, e... Feliz!
Eu sorri com as verdades que emanavam de suas palavras. E achei que era hora de explicar o que aconteceu para ela. Dei uma espiadinha no relógio discretamente, e vi que tínhamos muito tempo.
— Não. Eu não estou chateado, e diria que até estou considerando a hipótese desta situação poder virar uma rotina. Só preciso avaliar melhor as implicações desta escolha. Mas, considerando, o formidável resultado disto para o nosso humor ao acordar... Creio que possa realmente se tornar algo comum pra quando eu estiver aqui.
E ela agora realmente sorri, e leva a mão que não está em minha cintura ao meu rosto acariciando, me mandando ondas de paz com aquele toque tão singelo. Ela aproxima lentamente os lábios do meu e diz olhando em meus olhos.
— Obrigada. Eu amo você Henry!
E é em seus olhos que eu consigo achar. Achar a resposta, achar a certeza, achar o fim de meus medos. No fundo dos seus olhos, posso ver o que está em sua alma, e que ela vem tentando mostrar para mim.
Valerie realmente me ama... E não me importa agora, saber a intensidade, o tamanho, mas sim, reconhecer que eu enfim havia conseguido, eu consegui fazê-la me amar. E esta certeza, aqueceu tanto, o meu coração que as lágrimas irrompem antes que eu percebesse.
E, eu simplesmente digo...
— Eu sei. Enfim, realmente eu sei. Obrigado por ter aprendido a me amar. Obrigado por ser paciente comigo, por entender os meus medos, e por estar aqui. E por fazer parte de minha vida. Nunca se esqueça do valor que você tem para mim, nada no mundo vale mais para mim do que você. Eu a amo verdadeiramente e sempre vou amar você!
E termino de fechar o espaço entre nós beijando-a. E coloco naquele beijo, todo o amor, gratidão e adoração que tenho por esta mulher tão linda, tão doce, assim como fiz ontem no sofá.
Eu sinto que ela fez e está fazendo a mesma coisa agora, e minha suspeita é confirmada quando meus dedos que tocam o seu rosto, encontram suas lágrimas.
Embora neste beijo, não haja a intensidade do desejo, ele possui uma profundidade, uma extensão de emoções e sentimentos muito singular.... Pois dele, irradiam cura, alegria, significados e confirmação. Confirmação de que eu a amo, que Valerie também me ama. E de que nós queremos passar todos os nossos dias juntos, não importa o que nos espera lá na frente, vamos superar juntos.
E esta certeza, me da coragem de pergunta-la algo. Então, lentamente, eu me afasto dos seus lábios, beijando o seu rosto em cada parte tocada por suas lágrimas, e também sua testa, seu nariz, e fecho com um selinho em seus lábios, e continuo olhando-a, enquanto ela seca delicadamente as minhas com os seus dedos.
— Valerie, eu quero fazer uma pergunta a você, e eu sei que você não mente para mim. Mas, eu quero que você coloque toda a sinceridade do seu coração na resposta que você irá me dar, certo? É importante eu saber.
— Claro Henry. Posso fazer isto. Pois, nem que eu quisesse, eu não conseguiria mentir par você!
— Eu sei, nem eu. – Eu respondo, e ela sorri. E eu continuo:
— Eu sei que tudo foi muito rápido, e sei que isto é uma surpresa para nós dois. Mas se por um acaso, eu hoje, decidisse que eu quero assumir os riscos, as incertezas, e... que eu quero me casar com você? Por exemplo, hoje, digamos que hipoteticamente, você aceitaria?
A reação dela foi algo que eu nunca previ... Seu sorriso é tão grande, tão magnífico, seus olhos brilham como eu nunca vi, e lágrimas, verdadeiras lágrimas voltam a inundar os seus olhos. E ela me diz:
— Claro que eu aceitaria Henry! Nada neste momento, me faria mais feliz, do que me tornar sua esposa, sua oficialmente. Se é isto que você quer saber. E, mesmo que não fosse hipoteticamente.
E ela diz aquela palavra com uma pontinha de dor, e eu entendo que ela percebe que eu ainda estou hesitando. Mas, o que ela não sabe, é o motivo de minha atitude.
Minha hesitação agora, não é por falta de certeza, pois, agora eu tenho absoluta certeza que eu a pedirei. Mas, por que eu quero fazer uma surpresa, então, rapidamente decido que, hoje, ao me encontrar com Cedrico, é isto que vou acertar com ele. Ela prossegue...
— Eu quero que você saiba que eu estou pronta, sim, mas não quero que se apresse, tenha o tempo que for necessário pra você Henry, eu prometo que eu estarei esperando. Nada mais justo. Você afinal, esperou longos anos por mim...
E aquelas palavras dela me deram mais certeza ainda, de que este é o momento. E, por mais que ainda que fosse dolorido ouvi-la dizendo aquilo por que pensa que eu tenho receios a vencer, não é esta a verdade, neste momento, não mais.
Se eu fosse olhar o que quero neste momento, eu desejo pedi-la em casamento agora mesmo, mas, eu preciso seguir o meu plano. Tudo isto será recompensado quando ela souber o que estou preparando para surpreendê-la.
— Obrigado, por compreender, mas, esteja pronta então... Por que eu creio que isto não vai demorar. – Ela simplesmente responde sorrindo.
— Sinceramente, eu espero que não. Entretanto, fique tranquilo, eu estarei pronta sempre, para você. Isto é sério Henry e oficial.
E eu retribuo o sorriso e mais uma vez, eu beijo os seus lábios. Olhamos juntos para o relógio, e ficamos felizes, porque, ainda temos bastante tempo, as horas hoje, parecem estar conspirando a nosso favor.
Então, a deixo a par do que aconteceu a noite e sobre meus planos de hoje.
— Bom, acho justo te explicar por que acordamos assim... — Só que ela põe um dedo em meus lábios e diz.
— Não precisa se não quiser, ninguém poderia estar mais satisfeita do que eu com isto. Engraçado Henry, que esta noite, depois que dormirmos pela madrugada, eu tive alguns flashes.... Não foi bem um sonho completo, mas algumas cenas. E nelas eu procurava por você, mas por algum tempo eu procurei num vazio. Mas, depois de mais algum tempo eu consegui encontrar você, e foi tão boa a sensação. Tão reconfortante. Você me beijava. Mas eu só me lembro de poucas coisas, pequenos detalhes, e da sensação de felicidade por abraçar você em meu sonho. E encontrar-nos assim, agora pela manhã, dá a sensação que a coisa foi tão... como eu posso dizer? Real. Mas, enfim, eu gostei.
Os sonhos dela, realmente são incríveis, eu tenho que admitir.
— Realmente você sonhou... E eu estava acordado no momento.
Eu a observei curiosamente, para não perder suas reações, mas ela apenas me olhava e ouvia atentamente.
— E eu pude sentir e ver, o quanto você sente falta de mim, quando eu não estou perto, é claro que você pode ter a certeza que não é diferente comigo. Mas ver você daquela forma, me desarmou, e eu... Consegui compreender, enfim, que você me ama. E aí eu confesso, eu abracei você, e fui confirmado com sua reação. Você ficou exatamente como sentiu no sonho, sua reação esboçou segurança, conforto e felicidade. Então, eu fui inundado pela certeza de que eu poderia lidar com isto ao acordar. E agora, eu me sinto bastante satisfeito por ter cedido.
Dou a ela um sorriso sincero. E ela me retribui. Então, ela diz pensativa:
— Eu também fico satisfeita. Nossa que noite longa foi esta, mas é engraçado que eu não estou exausta, ao contrário, eu estou bem, meu corpo, está bem, e meu coração, bom ele não poderia estar melhor. Eu estou em paz.
— É exatamente assim que eu me sinto.
Digo a ela. Mas, agora que ela mencionou a noite, a curiosidade por seu sonho da madrugada, retorna. Mas, não sei o que dizer e permaneço calado, mas ela percebe a mudança em mim e pergunta.
— O que foi Henry? – E eu respondo...
— Não consigo deixar nada escapar de você, não é? Como você já me conhece, conhece minhas reações...
— Claro, e não é muito diferente de você, você percebe tudo...
— É eu sei. — E sorrio para ela.
— Bom... São algumas curiosidades, mas enfim, acho que este não é o momento. Existe algo mais que eu quero discutir com você. Estava pensando, eu acho melhor sua mãe dormir aqui hoje.... Sei que ela sente falta de você Valerie, e você está para viajar. E é claro, que eu vou morrer de saudades, que a noite irá ser longa para mim, e que, provavelmente, eu não irei dormir. No entanto, eu preciso lidar com isto... Afinal, não é justo com a Suzette, nem com as meninas, você precisa fazer isto com as meninas também, meu amor... Cedrico me disse que elas sentem falta demais de você, de estarem mais próximas. Ontem pude sentir isto nelas, era só o que elas falavam no retorno a vila. Elas não paravam de agradecer a oportunidade de estar aqui, senti que queriam que você soubesse... E no mais, eu estou preocupado com a vovó, quero aproveitar ainda o pouco tempo que teria com ela antes de nós nos casarmos. Mas, será só hoje e amanhã. No sábado e domingo, eu estarei aqui. E, em relação à semana que vem, nós programamos depois que marcarmos suas passagens. De certa forma, irá nos preparar pelo menos um pouquinho para o purgatório que será a sua ausência durante os dias Livergoorn.
Eu não pude deixar de mostrar o tanto que sentiria a sua falta naqueles dias, e apertei o meu abraço ao redor dela, enquanto me dava conta disto, e ela retribuiu, ao que parece tomada do mesmo sentimento.
— E a propósito, sábado passaremos o dia todo juntos, para compensar um pouquinho... Está de pé ainda nosso passeio Valerie?
— Claro, não sabe o quanto eu estou ansiosa, ainda mais agora, duas noites sem você? Hum... Será horrível, mas, eu compreendo e entendo tudo que você falou, principalmente em relação à viagem... E será terrível a sua ausência também. Mas, não posso evitar. E sei que eu preciso te dar um pouco de espaço... – E eu a interrompi subitamente.
— Não pense isto... Você não tira o meu espaço, de jeito nenhum. E no mais, eu tenho prazer em dividir tudo com você. – Ela sorriu de uma maneira tão boa e disse:
— Ah é? Pois fique sabendo que eu também. – E percebi que estava na hora de entregar-lhe a minha surpresa...
— Amor? – Ela sorriu e olhou maravilhada para mim, me deixando curioso... – O que foi Valerie por que do sorriso?
— Adoro, quando você me chama assim, é tão lindo, tão romântico, tão você Henry... – E ela estala um beijinho suave em meus lábios, que eu retribuo.
— Mas você é meu amor, minha linda, minha princesa, minha vida, meu tudo Valerie, e eu amo dizer estas coisas para você...
— Que bom, por que você também é meu lindo, meu príncipe romântico, e mais do que tudo, MEU AMOR, Sr. Lazar... Amo você... – Como era bom ouvir aquilo... Meu coração disparou com estas palavras...
— Ahhhh... Minha linda, repete para mim, por favor...
— Claro que eu repito... Você é MEU AMOR, MEU AMOR PARA SEMPRE Sr. Lazar... E eu sou sua Valerie, nunca se esqueça... – Dei um imenso sorriso enquanto ela dizia aquilo, não só com palavras, mas também pelo seu olhar penetrante...
— Nunca irei me esquecer, jamais... Eu te amo minha princesa, sempre a amei e sempre irei amá-la, e tenho algo para você!
Dizendo aquilo, ergui-me sentando-me encostado na cabeceira, puxando ela junto encostando-a em meu peito, entre minhas pernas, virei para o lado na mesinha e peguei o jarro com as rosas, que já haviam aberto mais um pouco e estavam deslumbrantes, e a carta...
— Assim que você dormiu, eu fiquei mais um pouco acordado e resolvi colhê-las e escrever-lhe esta carta amor... – Nem preciso dizer que suas lágrimas já corriam...- Mas desejo que a leia quando eu não estiver por perto, por favor...
— Ai Henry, isto é tão maravilhoso e tão romântico.... Henry, eu amei, obrigado, você realmente é um presente muito valioso que a vida me deu.... Eu te amo meu lindo!
— Que bom que gostou amor da minha vida, e você é que é valiosa demais... Aliás, seu Valor é único para mim... Nada se compara...
Então ela virou-se de frente para mim, colocando a carta e o jarro na mesinha, e disse-me com malícia no olhar.
— É mesmo? Ela deitou-se novamente ao meu lado, e eu a segui acompanhando seu olhar que era muito faceiro... — Acho que você é o valioso aqui Sr. Lazar... E não vou discutir sobre isto...
Ela novamente sorriu com malícia, e ainda sorrindo, me cutucou entre as costelas. O que me fez dar um pulo, e rir. Pois, sou extremamente sensível a cócegas naquela região.
Ela me olhou perplexa e sorriu ainda com mais malicia, enquanto eu absorvia o que ela estava pretendendo fazer, depois que notou minha reação...
E antes que eu reagisse, ela simplesmente, começou arrancando gargalhadas de mim.
Ela retribuía com sorrisos maravilhosos, espontâneos, e a esta altura ela já havia se ajoelhado sobre a cama, tentando intensificar as cócegas, e nós não parávamos de rir, e, por mais que eu tentasse imobilizar as suas mãos, eu estava indefeso, pois aquilo era demais para mim.
Houve um momento, que ela começou a investir do outro lado também, e quase que eu consigo segurar os seus braços, e ela agora, praticamente gargalhava comigo e estava roxa de rir. E eu nunca a tinha visto tão lindamente relaxada, tão solta, tão feliz...
Quando ela percebeu que eu poderia imobilizá-la, num impulso, ela pulou em cima de mim, imobilizando minhas pernas com as suas, enquanto suas mãos estavam ávidas por encontrar outras regiões em que pudesse continuar me provocando.
E conseguiu. Minha barriga, por baixo dos braços. Infelizmente, o processo é este, quando você já está sensibilizado por cócegas, nenhum esforço do mundo, é capaz de fazer aquilo parar, e até regiões que não parecem ser afetadas ficam sensíveis. E Valerie parecia saber isto, e continuou, até que perdemos as forças de tanto rir.
Eu estava exausto e acredito que ela também por que ela desabou sobre mim, enquanto aos poucos íamos parando de rir...
Mas, às vezes, a lembrança irrompia outras rodadas de risos. E ficamos assim, até que as nossas respirações foram se acalmando. Corações desacelerando...
Eu peguei o seu rosto entre minhas mãos para fazê-la olhar para mim, ela sorria ainda, e seu rosto estava tão relaxado...
Eu percebi que tanto ela quanto eu estávamos suados, ela ergueu-se um pouco, apoiando uma das mãos em meu peito, enquanto acariciava meu rosto com a outra. E me fitava sorrindo. E eu retribuía na mesma intensidade. Ficamos assim trocando palavras mudas através de nossos olhos, por um bom tempo.
Até que em um determinado momento eu disse:
— Eu amo você Valerie! E quero muito passar o resto da minha vida acordando assim com você, ao seu lado.
Ela sorriu, virando-se um pouco na direção de uma de minhas mãos que estava em seu rosto, pegou-a com a mão que antes estava em meu rosto. Beijou-a suavemente enquanto aspirava o aroma de minha pele e disse...
— Eu também te amo Henry, e também quero a mesma coisa para sempre!
Só neste momento foi que nos demos conta da posição em que estávamos. Pois, involuntariamente, eu desci uma das mãos que estava em seu rosto até sua cintura e a apertei. E ela suspirou olhando para mim, e ficando ruborizada em seguida. Senti meu rosto quente também.
Senti nossos corações acelerarem descompassadamente. Eu respirei fundo, para clarear meus pensamentos, pois ali, com ela, daquela forma... Consegui compreender, que estava em minhas mãos a escolha do que aconteceria a partir daqui. O que eu fizesse ela seguiria.
Entendi naquele momento, que Valerie me entregou não apenas o seu coração, mas também todo seu ser, a sua vida a mim e sem reservas. E eu a amava ainda mais por isto. Compreendi também, que não justificava ter reações que a aterrorizasse todas as vezes que o nosso contato se aprofundasse, eu sei, vai ter uma hora que poderá ser inevitável, tenho andado prevenido quanto a isto...
Mas eu não iria mais quebrar os nossos contatos mais íntimos, desta forma... Com terror e desespero, de maneira nenhuma eu faria isto de novo... E resolvi ponderar a respeito. Toda esta consideração não demorou um minuto, e nós ainda nos olhávamos sondando um ao outro.
Toquei o seu rosto onde estava vermelho, e ela ecoou meu gesto. Então, com algum esforço, fui subindo meu corpo para sentar-me novamente recostado na cabeceira da cama, eu posicionei um travesseiro para que ficasse confortável. Mas, eu não permiti que quebrássemos o contato, ou mudássemos a posição.
O desejo a esta hora, já queimava em mim, em minhas veias, devido à proximidade e intimidade do nosso corpo, pela forma em que se tocavam naquele momento. Mas eu continuava mantendo o foco, mesmo que tendo que reunir todo meu esforço para isto. Eu a olhava melhor agora, nossos rostos estavam a quase na mesma altura e nossos olhos estavam muito próximos.
Eu estava sentado, com as pernas esticadas sobre a cama. Ela estava sentada agora em meu colo, muito próxima a mim. As pernas dobradas uma de cada lado de minha cintura. Apesar de sua... Aí é que me dei conta de que, hoje ela estava de camisola, e não de pijama. Mas apesar de sua camisola ser mais comprida, a posição deixava boa parte de suas pernas à mostra, e por mais que ela estivesse ruborizada pela percepção daquilo, quando acompanhava meu olhar, ela não reagia.
Não, reagia porque, ela queria mostrar para mim, que estava pronta para o que eu quisesse... Valerie queria que eu soubesse que ela já era minha, ela queria que eu percebesse, que ela faria o que eu desejasse.
Mesmo ali, quieta, aguardando minhas ações, ela estava deixando claro para mim, a extensão de sua entrega. E era total.
Lentamente, eu toquei o seu rosto novamente, com uma mão, enquanto com a outra acariciava seus cabelos. Uma de suas mãos tocou novamente o meu rosto e eu retirei a minha mão de seus cabelos, e, trouxe de encontro a sua em meu rosto, deslizando-a em direção aos meus lábios beijando-a lentamente. A palma os dedos, as costas de sua mão.
Ela suspirou. Olhou profundamente para mim com amor. E suas palavras como tudo que ela faz, me surpreenderam mais uma vez:
— Obrigada! Sei o que está fazendo Henry, e agradeço com todo o meu coração. Mas eu sei, eu ainda posso sentir.... Não estamos prontos. E eu entendo... Não estou triste, muito menos angustiada. Estou em paz. Porque, eu já vejo, o quanto você já venceu. Já rompeu dentro de você. E eu sei que estamos quase lá. Isto já me alegra demais. É tudo que eu quero e que eu preciso, muito mais até do que ter você, é ver, você inteiro, curado, de uma vez por todas, meu amor.
Meu amor, amo aquelas duas palavras. E aliadas a tudo que ela estava dizendo, elas surtiram efeitos profundos sobre mim, naquele momento...
Aquilo foi demais para mim. Compreender toda a extensão do amor e da entrega de Valerie a mim, naquele instante, em cada gesto e em cada palavra, rompeu grilhões dentro de meu ser. A única coisa que consegui, foi chorar verdadeiramente...
Não consegui nem acompanhar como, mas a única coisa que eu sabia, era que as palavras de Valerie, penetraram no mais profundo de minha alma, fazendo-me sentir amado, como eu não sentia há muito tempo, aquilo preencheu um rombo enorme, à muito aberto em meu peito.
Eu afundei minha cabeça em minhas mãos, e ela me puxou de encontro a seu pescoço em meio a seus cabelos segurando minhas mãos e colocando-as ao seu redor. Enquanto me abraçava com um braço e acariciava meus cabelos com a outra mão. Acolhendo todo o meu desespero, lágrimas e soluços.
Eu chorei muito... E, era revoltante, por que eu não queria que ela me visse daquela forma... Porém, lembrei-me do dia em que, o meu pai morreu, e que ela foi à ferraria me ver, ela queria me confortar... E eu fui tão rude com ela, justamente por que, eu não queria que ela me visse daquela forma. Minhas barreiras, minhas resistências, não permitiam que eu a deixasse se aproximar das minhas fragilidades, por mais que eu já a amasse demais, eu não permiti a ela este acesso.
Então, eu percebi, que talvez, se naquela época eu não estivesse tão trancafiado em minhas dores, naquele dia, mesmo com Peter aqui ainda, eu podia tê-la aproximado de mim... E tudo poderia ter sido diferente...
Esta compreensão trouxe mais uma rodada de choro e de tristeza. Todas as perdas, todas as rejeições; a saudade de minha mãe; o ódio amortecido pelo pai de Peter, por ter sido o responsável pela morte dela, ainda que não propositadamente. O medo de não ter Valerie, de não a fazer me amar. Substituído agora pelo medo de que como eu a tenho, posso perdê-la...
Tudo, todos os meus medos, terrores, e insegurança, estavam ali, naquelas lágrimas.
Enquanto eu chorava, copiosamente, ela continuava acariciando os meus cabelos e costas, initerruptamente e beijando ora minha cabeça ora meu ombro, me amparando em minha dor.
Enquanto eu chorava, eu refletia sobre como ela tinha capacidade de ver dentro de mim...
Valerie viu que eu estava cedendo, e estava mesmo, mas compreendeu que toda minha hesitação, é por que eu ainda não estava livre totalmente, ela percebeu isto ainda antes de mim.
Incrível, realmente os laços que temos agora, são verdadeiros, e imensamente profundos. Pois, só é possível ver desta forma dentro de alguém, quando amamos muito aquela pessoa e os laços que compartilhamos com ela, são fortes.
No meu caso a única pessoa que me amou incondicionalmente a ponto de compreender cada reserva minha, e sabia como acessá-las, era minha mãe. E por isto sinto tanta falta dela. E agora Valerie... Antes de Valerie eu só me senti verdadeiramente amado, por minha mãe...
Entretanto, com Valerie, todo este sentimento e a conexão que nos envolve, é algo ainda muito mais poderoso. Talvez seja por que entre nós também há fortes laços de desejo que nutre uma relação entre um homem e uma mulher.... Ou também por minhas resistências agora serem mais profundas...
De fato, é verdadeiramente impressionante a maneira com que ela se conecta e acessa o meu interior. Sei agora, com toda a convicção, que eu nunca me curaria sem ela.
Ao perceber que o meu choro está diminuindo, ela começa a sussurrar palavras para mim:
— Henry, eu estou aqui...
— Henry, eu amo você...
— Henry, eu não vou desistir de você...
— Henry, eu não vou deixar você, mesmo por que eu não posso, eu não conseguiria, amo demais você, acredite em mim, por favor...
Mas então, palavras surgiam em meu peito, e eu não sabia por que queria dizê-las:
— Mas ela me deixou, ela sempre disse isto, mas ela se foi.
E novamente o choro... Aquilo era horrível. Eu não conseguia parar... Eu sabia que precisava completar não tinha certeza que ela tinha compreendido.
— Minha mãe Valerie, eu não consigo entregar minhas reservas totalmente, agora eu sei o por que, por que eu a amava tanto, tanto.... Ela era a única que me compreendia e me aceitava com todos os meus medos, de uma forma em que eu me sentia amado incondicionalmente, além de você, e quando eu mais precisava dela, ela se foi... E eu tenho medo...
Ela se afastou um pouquinho de mim, para olhar em meus olhos, e nesta hora eu pude ver que os seus, também estavam banhados em lágrimas. Então, ela silenciou os meus lábios com um dedo e disse:
— Eu sei meu amor.... Agora, eu compreendo.
E ela agora segurava o meu rosto com suas duas mãos olhando dentro dos meus olhos. Pude ver que seus olhos refletiam minha dor, ela estava conectada comigo de tal forma, que tudo em mim refletia nela, e tudo nela refletia em mim.
— Mas, eu quero que ouça uma coisa. Era o tempo dela Henry, aconteceu, e nada que fizermos, pode mudar isto, e sim, o meu tempo vai chegar, o seu, o de todos nós. Foi assim com Peter, meu pai, Lucy, minha vó, e seu pai. É difícil demais, doloroso demais..., mas, por favor, vamos nos concentrar em uma coisa, a vida deu a nós uma oportunidade que poucos têm Henry, eu estou aqui, você também está, e enquanto estivermos juntos, vamos viver isto, aproveitar isto, desfrutar de tudo que um pode oferecer ao outro. E deixar para sofrer no tempo certo. E não afaste as pessoas que amam você, que querem cuidar de você por medo de perdê-las, porque, todos nós iremos perder quem amamos algum dia, sabemos disto. Mas, nós precisamos desfrutar destas pessoas, deixando-as ter acesso a nós enquanto estamos aqui. Este afastamento só constrói barreiras horríveis dentro de nós, que depois se tornam difíceis demais de romper. Você sabe disto. Você vive isto meu amor. Por favor, tente Henry, eu vou te ajudar eu quero te ajudar, e me dei conta que quero fazer isto faz muito tempo... Você se lembra quando seu pai morreu?
Olhei perplexo para ela, ela também pensou e lembrou daquilo, assim como eu. Aquilo era mais uma demonstração de nossa conexão.
— Sim eu me lembro, talvez naquele dia, eu poderia ter mudado tudo, e tudo poderia ser diferente. Eu pensei nisto também. – Eu disse com mais calma, mas, ainda com lágrimas...
— Sim. É claro que eu não posso afirmar com certeza. Mas, quando eu fui ali, eu fui com a certeza que eu não poderia te abandonar num momento como aquele, pois, eu tinha acabado de sofrer uma perda também. Eu sabia que a sua era muito pior, por que você já não tinha a sua mãe e agora o seu pai. E ali eu ainda era a sua noiva Henry. Mas, a sua reação me afastou ainda mais. Veja bem, eu tenho uma natureza, que me leva a me colocar disponível as pessoas, principalmente, quando eu amo suas vidas, mas, eu não faço além do que me é permitido, quando se trata de invadir a privacidade e os sentimentos de alguém. Mas, eu sempre estarei ali, esperando uma brechinha para ajudar, para me envolver. Ali eu não tinha a mínima noção do que eu sentia por você, mas de uma coisa tenho certeza, eu me preocupava com você o bastante para não querer vê-lo naquele estado, isto me incomodava.... Mas, você não deixou meu amor, assim, como você faz com todos que te amam e tentam se aproximar, ter mais acesso a você... você os afasta, não por que não os ame, pelo contrário, é justamente por que você ama...
— Eu sei... e, também sei que... Quando você se entrega é verdadeiramente e completamente. Posso ver e sentir isto, mas você não transpõe as barreiras, até que seja permitido... Vi isto claramente hoje Valerie. Se eu estivesse pronto, você seria minha. No entanto, você percebeu exatamente o que estava acontecendo dentro de mim, antes mesmo que eu me desse, conta. Eu... nunca... serei capaz de recompensá-la por tudo o que você tem feito Valerie...
Ela começou a contestar e agora eu a silenciei com um dedo. E, prossegui:
— O que eu posso prometer, é que.... Eu passarei o resto de minha vida tentando.
E enfim, eu consegui sorrir enquanto acariciava o seu rosto e beijava ternamente os seus lábios. Ela me abraçou com tanto afeto, e eu retribui com satisfação.
Então, ocorreu-me uma ideia impulsiva para terminar de espantar a tristeza. E eu iria executá-la...
Virei-me de uma maneira que meus pés tocavam o chão, ainda com ela em meu colo da mesma maneira. Com uma mão, eu sustentava o seu peso segurando a sua cintura, e com a outra, eu fui envolvendo suas pernas em minha cintura. Então, sussurrei em seu ouvido sorrindo:
— Segure-se firme meu amor...
Ela sorriu um pouco, e ficou olhando para mim, perplexa, pela expectativa. Coloquei-me em pé, abri a porta do quarto com a mão livre, e andei com ela pela casa abrindo as janelas, depois segui até chegar à porta da sala.
Ela me olhava completamente ansiosa em expectativa, seu sorriso tímido, evidenciava que ela não sabia o que eu iria fazer. E isto me deixou ainda mais audacioso.
Mas, ela não aguentou e eu ri com sua pergunta:
— O que você vai fazer Henry?
Eu sorri maliciosamente enquanto abria a porta e descia a escada em direção ao jardim. E lá, como a área era livre e eu não corria o risco de nos machucarmos batendo em alguma coisa.... Eu comecei a girar literalmente com ela em meu colo, e ela começou a sorrir, e sorrir, e eu também.
Era como as cócegas ao acordarmos.... Nós estávamos novamente livres, alegres, agora gargalhávamos, pois, estávamos com os corações leves devido ao choro. E ela gritava:
— Para Henry! Eu estou ficando tonta. – E eu dizia:
— Eu também.
E ríamos ainda mais. Até que em um momento realmente eu não aguentei mais, e, desabei na grama com ela junto, mas, procurei cair de uma forma que o seu corpo cairia sobre o meu, e eu amorteceria todo o impacto para não a machucar.
Demorou um pouco para nos recuperarmos. E para não deixar o momento de maneira alguma desconfortável, mesmo ofegante, eu falei algo que tinha o desejo de fazer.
— Sabe... eu estive pensando... E estar aqui agora, me fez lembrar.
Ela agora descia de cima de mim, e deitava ao meu lado com a cabeça em meu braço, de forma que nós dois estávamos de costas para a grama, contemplando o céu e a floresta ao longe.
— O que? – Ela perguntou, virando o rosto para olhar para mim.
— Eu quero cercar todo o terreno.... Mas, não com muros simples ou cercas comuns... Com cercas vivas, que é bem característico do lugar, assim, não perdemos a sensação do verde e ganhamos privacidade. O que você acha?
— Adorei a ideia, mas...
Eu sabia o que ela iria perguntar e silenciei os seus lábios com o meu dedo. Ela ia questionar os gastos, mas, nós já havíamos conversado sobre isto.
— Nada de, “mas”, Valerie... Francamente de novo? Por favor, sim ou não?
— Desculpe, eu esqueci, é que hábitos antigos, não acabam facilmente. – Ela disse constrangida e eu respondi para acalmá-la.
— Eu sei, desculpe o tom que eu usei, também, amor... Mas e aí, você aprova?
— Aprovo, eu apenas queria fazer uma colocação, uma sugestão na verdade...
— Claro o que você quiser. – E ela sorriu.
— Pode ser daquelas que tem flores também, não só verde? Acho lindas aquelas quando chega à primavera.
— Sim, do jeito que você quiser... No sábado, vou leva-la ao local onde eles a fabricam. E você poderá dizer tudo o que quer. – Ela me olhou elétrica.
— Sério? Você vai fazer isto, vai me levar no local onde elas são feitas?
— Claro, se você quiser ir.
— É claro que eu quero Henry, adoro estas coisas.
— Que bom então, pode aproveitar e escolher o que vai acrescentar ao jardim, a grama e tudo mais. E o que me traz a lembrança, de que amanhã eu trago o desenho novo concluído, pois, como não estarei aqui hoje, poderei finalizá-lo. Para você ver.
Quando terminei de falar esta parte, ela fez biquinho e carinha de tristeza e eu não entendi.
— O que foi?
— Eu apenas irei rever você amanhã, então? – Assim eu compreendi.
— Claro que não... Venho aqui hoje no almoço, aliás, posso almoçar com você?
— Claro, vou amar a ideia.
— E volto quando fechar a ferraria, e vou embora quando a sua mãe chegar.
— Jante conosco. – Ela pediu, e senti que era com o desejo de prolongar nosso tempo juntos.
— Bom hoje tudo bem, mas amanhã quero dar um tempo para vocês ficarem sós. Antes de jantar eu vou. Também, preciso passar um tempo com a vovó.
— Tudo bem então. Eu quero aproveitar que você falou sobre a sua avó e te perguntar uma coisa. O que pretende fazer quando nos casarmos, desculpe se achar a pergunta precipitada, mas, é que você tinha feito um comentário, de que breve você teria sua vida, você pretende deixa-la sozinha?
— Bom, na verdade eu não sei ao certo o que eu irei fazer. Mas, realmente eu não tinha este desejo de deixa-la só, ela é idosa... Mas, esta é uma decisão que eu não posso tomar sozinho, envolve você também, e nunca falamos sobre isto... Mas, tenha certeza, que eu não irei me opor ao que você quiser, assim também, como eu não me oporia se fosse o seu caso, por exemplo, com a sua mãe... No entanto, lembre-se, eu sei que você irá tentar me agradar de todas as maneiras, mas, esta é uma decisão a ser pensada cuidadosamente, pois, ter alguém além do casal e os filhos, morando em uma mesma casa, não é algo fácil, Valerie... Sou consciente disto, porque eu vivi esta situação, com os meus pais e a minha avó, então... Pense bem. Isto envolve mil coisas, como, privacidade, criação de filhos, partidarismo... Muita coisa mesmo. Por isto eu disse que eu não decidiria sozinho. Mas quer saber, ela mesma não parece ficar muito à vontade mais, em viver isto de novo... Ainda mais, pelo fato de sermos um casal bem novo, esta questão de hábitos e privacidade, está bem distante da realidade dela.... Por exemplo, imagina ela ouvir os nossos gritos com as cócegas hoje de manhã, ela não iria saber que era apenas uma brincadeira boba dentro do quarto.
E eu tive que rir com meu comentário ao olhar para Valerie, por que ela corou tanto, que ficou roxa. E começou a me socar, pois, ela sabia que eu estava rindo dela. Mas, eu continuei falando, porque, apesar de aquilo ter sido engraçado, o assunto é sério...
— Andar pela casa neste estado... – Apontei a sua camisola. – E agarrados como estávamos, nem pensar. – Ela corou mais ainda... – Então, pense bem. Confesso que eu não quero perder a minha liberdade com você de maneira alguma... Nosso Deus, ainda mais depois de esperar tanto. Nem pensar...
— É realmente, é algo para se pensar. – Ela disse ainda muito tímida. O que me levou a falar.
— Acho tão interessante você.... Você é tão desinibida para algumas coisas, e para outras...
Ela me olhou alarmada e disse:
— O que? Eu morro de vergonha para um monte de coisas Henry. Mas com você, em algumas coisas, é diferente, não sei por que, sei lá...
Ela ficou ainda mais sem jeito, então, eu resolvi suavizar. Pensei nos sonhos, e antes de raciocinar falei.
— E os nossos sonhos da madrugada? – Ela me olhou perplexa e como rosto brilhando de um vermelho vivo, e eu ri. Enquanto ela se sentava.
— Ah não, Henry, não quero falar sobre isto, tudo bem?
— Bom, desculpe, mas é que na verdade... eu fiquei curioso... – Ela me cortou.
— Ah Henry, francamente, você acha que eu seria capaz de descrever... não, nem pensar, viver é uma coisa, que não é fácil também, no início... Bom você sabe, não é mais criança... ter... intimidade é uma coisa que leva tempo. E cá para nós falar então? Bom, se é assim tão fácil para você, fique à vontade pra falar do seu... Bom, não. Nem assim. Eu não quero saber.
Ela já estava totalmente desconfortável e eu não quis insistir, mas, eu precisava perguntar uma última coisa...
— Só uma coisa então. – Ela me olhou alarmada, e eu fiz sinal para ter calma. – É assim tão ruim?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Não, muito pelo contrário, não há nada de ruim. Bom, minto. Apenas uma coisa ruim. – E eu já sabia o que era. – Ter acordado e ver que não era real. – Acertei em cheio. Eu sabia.
— Bom, se te deixa mais tranquila, o mesmo comigo. Mas, sabe por que eu perguntei, além da curiosidade é claro?
— Posso ter uma vaga ideia.
— Sério, como?
— Acredito que pelos mesmos motivos pelo qual eu perguntaria.
— Então, no fundo você queria saber?
Acho que a curiosidade dela é a mesma minha. Saber do que gostamos, querendo ou não, ninguém é inexperiente aqui, no nosso caso. Mas, acho que é realmente constrangedor para ela por ser mulher. E querendo ou não remeteria ao que ela viveu com Peter.
— Não, abertamente assim, mas algumas coisas sim.
— Então, está, digamos que nossa curiosidade, gira em torno do que gostamos, estou certo? – Era impossível falar disto sem ficar com o rosto em chamas, via isto nela e sentia em mim.
— Sim, está. Mas, quer saber, acho que mais cedo ou mais tarde, nós iremos descobrir. Tudo bem?
— Claro, desculpa o desconforto amor... Vamos? – Então, eu me levantei e ajudei-a a se levantar. – E a propósito, vou ajuda-la com o café hoje.
— Não, de jeito nenhum... Você vai para o banho, enquanto preparo tudo, para você não se atrasar Sr. Lazar. – Ela disse aquilo com um glorioso sorriso.
— Tudo bem então, mas, venha cá. – Antes de subirmos as escadas tomei-a pela cintura.
— Obrigado por tudo. Esta manhã foi incrível. Alias, cada dia com você, cada minuto, cada segundo. É especial, nada é igual, me sinto vivo ao seu lado, completo. Amo-te de verdade!
— Sempre a disposição para você meu amor!
— É muito bom ouvir isto, e a propósito, leia a carta...
— Claro que eu lerei, eu estou muito curiosa amor...
Não consegui resistir e entrei no chalé com ela nos braços, beijando cada parte do seu rosto, finalizando em seus lábios com um delicioso beijo apaixonado...
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