A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.

5 EXISTEM PESSOAS IMPOSSÍVEIS DE SE ENGANAR - Cap 05


Notas iniciais
Olá Pessoal, Boa Noite! capítulo 5. O capítulo hoje, é cheio de reencontros. Ótima Leitura!!!!

POV VALERIE

Mamãe só sabia sorrir. Estava clara a sua satisfação por eu estar em sua casa.

— Senti sua falta também, mãe. Como você tem passado? – Beijei seu rosto assim que terminei de falar. Antes de me responder ela ficou ali me olhando e me avaliando por um longo tempo.

— Bem minha querida, porém, com uma saudade imensa de você. E devo confessar que, por muitas vezes tive vontade de ir até o Chalé para vê-la, mas como você insiste que não é bom, acabo desistindo. Mas, em alguma hora não irei te ouvir.

— Nada disso mãe! Já combinamos!

Devido a Peter passar a maior parte do tempo comigo no Chalé, tirando as horas em que está trabalhando, eu procuro sempre desmotiva-la de ir ate lá.

Na verdade, eu temo que ela perceba algo, e descubra sobre Peter, ou sobre o que ocorreu verdadeiramente com o papai. Todavia, nem sempre, este segredo é algo fácil de carregar sozinha. Às vezes, eu fico pensando que se eu não tivesse o Peter para compartilhar, eu não suportaria.

Mamãe me olhava pensativa, até que disse...

— Há algo que gostaria de lhe falar, e quero que me ouça sem tirar conclusões precipitadas, você pode?

Mesmo já compreendendo do que se tratava, assenti para que me falasse o que desejava, não era um assunto que gostava de discutir com ela, pois, havia muitos pontos de discordância, mas, tudo bem.

— Pode falar mãe. – Enquanto conversávamos, entramos na casa, e sentamos em sua cama.

— Ah minha querida, sei que já sabe do que se trata, mas, por favor, me ouça com atenção. – Como não respondi nada, e ela prosseguiu. – Valerie, eu tenho me preocupado muito com você, na verdade com sua decisão de continuar só, a espera de Peter. – Ela dizia cada palavra com muita cautela. E eu pude perceber o quanto estava sendo sincera `a cerca de sua preocupação.

Era notório que ela não estava com implicância, ou buscando me ferir. Depois, de sondar meu animo com o olhar, ela prosseguiu:

— Não precisa me dizer que não é isto que esta a fazer, pois, eu o sei. Sou uma mulher também, eu posso sentir. Mas, minha filha, eu gostaria muito que começasse a considerar como será se ele não voltar, o que fará? O que será de sua vida? Você é muito jovem, linda, e...

Vi que ela estava hesitando, por medo de me afastar, por que, depois de tudo que aconteceu, mamãe temia demais me perder, seja a maneira que fosse. Ela temia que eu me afastasse.

— Pode falar mãe, eu prometo que irei ouvir, só não prometo concordar. – Ela assentiu, e prosseguiu.

— Você possui alguém que a ama muito Valerie, você sabe disso, sabe que Henry é alguém que sempre poderá contar. Veja bem, sei que você pensa que o principal motivo por eu sempre ter incentivado seu casamento com Henry, é o fato de ele ser rico.

Ela dizia tudo olhando nos meus olhos tentando experimentar cada mudança do meu estado de espírito em minhas afeições, mas como permaneci quieta, ela continuou.

— Esta não é uma verdade, pelo menos não toda. Não vou mentir para você, dizendo que o fato dele poder te dar uma vida sem privações materiais não me agrada, mas isto não é tudo. Veja, eu conheci muito bem Adrien, seu pai. Conheci os princípios que ele tinha, e sei que Henry também os herdou. Um homem sensato, corajoso, trabalhador, sensível, compreensivo, companheiro, capaz de qualquer sacrifício para cuidar e proteger os seus. Filha, sei que Henry será assim também como esposo, e é isto que eu gostaria de oferecer a você, queria para Lucy também. Não o Henry, e hoje você já sabe o motivo, mas outro qualquer. Com o passar do tempo, à medida que for amadurecendo, você verá como é importante ter ao nosso lado alguém com quem se possa contar. Isto hoje pode não fazer muita diferença, mas, lá na frente.... É outra historia. E mais, minha filha, Henry está sofrendo, e muito, posso ver e sentir isto. Mas, ele é tão bom, que mesmo assim, respeita sua decisão. Entretanto, na verdade, não sei até quando ele irá suportar, e o que verdadeiramente temo, é que se algum dia você, resolver mudar de ideia, isto for tarde, e será muito justo isto acontecer, pois ele merece ter alguém que o ama ao seu lado, que cuide dele. Pois, ele já sofreu muitas perdas também. Perdoe-me filha falar desta forma, mas estou tentando ser o mais realista possível, pois você já é uma mulher, e precisa entender claramente as escolhas que está fazendo, para não viver corroída por culpa e desgosto mais tarde.

Ao contrário do que mamãe pensava, eu podia entender cada palavra daquela, sempre percebi o quanto ela se sentia infeliz com a ausência e o anonimato do papai, isto requereu muitas coisas dela, ao ponto de num determinado momento, ter buscado refúgio em seu verdadeiro amor, mesmo sendo isto ilícito.

Hoje entendo que a traição de mamãe não foi só um impulso, mas, uma busca desesperada por refúgio, naquele que ela sempre soube que poderia contar, que teria tudo que precisava, para lhe oferecer. Isto não justificava sua falta e as mentiras que se seguiram disto, mas, não permitia que eu desenvolvesse sobre ela, um olhar de julgamento.

Eu sabia o quanto ela sofria por tudo que ocorreu, e este foi um dos principais motivos de eu nunca lhe contar a verdade sobre o papai, sabia que ela iria se culpar pela morte de Lucy, ter sido motivada pela descoberta de meu pai da sua traição, e pela de Adrien também, seria atormentá-la demais sem necessidade, ela já carregava culpa e tristeza além do limite suportável.

Assim, eu resolvi ser, mais sincera quanto possível, com ela:

— Embora não perceba, eu entendo cada palavra que diz mamãe. Sinto isto também, mas, não teria coragem de fazer o que você fez. Desistir de meu amor, devido aos obstáculos. Pois, eu sei, o quanto estas coisas são mais fortes do que nós, e você também sabe disto, é tanto que não conseguiu resistir por tanto tempo. Desculpe-me dizer isto, só estou tentando mostrar a você, o que penso.

Ela assentiu para mim, em sinal de que entendia o que eu estava dizendo.

— Quero que saiba que compreendo tudo que diz a respeito de Henry, e eu mesma consigo ver tudo com muita clareza, tenho pensado também sobre isto, mas meu coração não consegue decidir diferente. Infelizmente ou felizmente, não sei dizer, muitas de nossas escolhas, não às fazemos racionalmente, você sabe disto não é?

— Sim, e como sei, e só pelo fato de ver que estás ciente do que estejas fazendo, me deixa mais tranquila. Todos nós temos nossas parcelas de escolhas erradas na vida, e precisamos aprender a lidar com isto, eu só queria realmente certificá-la do que está fazendo, mas, pelo que vejo você já é madura o suficiente para isto, o que me deixa um pouco mais em Paz. – Dizendo isto, ela beijou minha testa e caminhamos até a cozinha, em busca de pegarmos alguns biscoitos para comer.

— Biscoitos da vovó? – Perguntar isto, me deixou com um nó na garganta, mas ela confirmou que sim com seu olhar. – Não tive mais coragem de fazê-los desde que... – Não suportei, a tristeza pela perda da vovó transbordou em meus olhos.

— Ah minha querida, eu também sinto uma imensa falta dela e confesso que, é a primeira vez que os faço desde que ela se foi.

Mamãe soltou um pesado suspiro, ela também sentia falta da vovó. Na verdade, elas sempre se deram muito bem. A vovó sempre reprovava os comportamentos de bebedeira do papai, dizia que a mamãe e nós não merecíamos sermos expostas daquela forma, ela era uma criatura muito doce.

Mamãe logo se recompôs e voltou a falar tranquilamente.

— E bem, esta não é a única surpresa que preparei para você. – Mal acabou de dizer, bateram a porta, o que me fez sobressaltar de susto:

— Quem será que resolveu sair em noite de Lua Cheia?

— Acalme-se querida, está tudo sob controle. – Ela foi dizendo e indo em direção à porta para abri-la, acho que sabia de quem se tratava...

— Boa noite meninas, boa noite Henry... – Meu coração saltitou de alegria, quando mamãe cumprimentou os recém-chegados.

Eram Roxane, Prudence, Rose e Henry, que pelo visto veio somente de companhia para que as meninas não saíssem em noite de lua cheia sozinhas.

Quando me avistaram, começou uma gritaria daquelas que somente amigas de infância que não se veem à muito tempo, sabem fazer. Pelo canto dos olhos, pude ver, enquanto as abraçava, mamãe e Henry rindo de satisfação com nossa farra, pareciam estar satisfeitos com o resultado de minha surpresa, na verdade, estavam muito orgulhosos.

— Obrigada mamãe, não poderia haver surpresa melhor. – Eu disse no momento em que os ânimos acalmaram um pouco.

— Não agradeça só a mim querida, Henry também tem parte nisto, pois, elas jamais poderiam vir em uma noite de lua cheia, se ele não as acompanhasse, passaremos esta noite aqui, todas juntas. – Durante a fala de mamãe, Henry somente me olhava com olhos insondáveis.

— Obrigada Henry. – Mamãe disse.

— Por nada, sempre as ordens Suzette! Agora, eu preciso ir, o dever me chama, boa noite senhoras.

Ele acenou delicadamente para mim, e saiu em direção à noite negra e fria.

Fui retirada da inércia, por mãos e braços que me tocavam, puxavam, abraçavam, enquanto as vozes de minhas amigas se misturavam perguntando e buscando se inteirar das novidades dos dias passados ausentes da vila.

— Calma meninas, uma de cada vez, teremos à noite toda. Eu também senti muito a falta de vocês. Mas, vocês sabem que às vezes, tenho que ficar muitos dias sem poder vir a vila, sendo que os cuidados com a casa e os jardins, me tomam muito tempo. E a propósito, dentro de alguns dias, eu farei uma longa viagem.

Ao ouvir meu anúncio, mamãe olhou-me aturdida, e antes mesmo que ela começasse a falar, fui explicando, na verdade, contando minha história inventada, para acobertar minha viajem de casamento com Peter.

— Lembram-se de Madeleine?

— A que se morou aqui na vila e depois se mudou, devido a uma oportunidade melhor de emprego de seu pai? Vocês eram muito amigas. – Disse Roxane, um pouco desconfiada, Rox me conhecia bem.

— Sim, ela mesma Rox, a irmã de Marvel. – Marvel era o amor de infância de Rox, assim como Peter é o meu. – Como todos sabem, a mãe dela está doente e ela pediu-me que eu fosse auxiliá-la por alguns dias, e eu achei uma falta de consideração não ir. Rox ficou me observando de um modo estranho...

Parte desta história era verdade, realmente a mãe de Madeleine estava enferma, e ela escreveu-me uma carta notificando-me e pedindo que quando tivesse tempo e oportunidade, eu fosse visitá-la, pois, seus dias estavam sendo muito penosos.

Todos ouviram atentamente. E, embora Roxane ainda parecesse desconfiada, não contestou. Senti que mais tarde me exigiria explicações, e eu precisava preparar-me para isto.

— Mas Valerie, minha filha... Made – Este era o apelido carinhoso que demos a minha amiga de infância, que agora morava longe — mora no Grande Reino, e é tão distante de Daggorhorn.

— Sim mamãe, eu sei, mas o que eu posso fazer? Ela é uma amiga e está precisando de mim, assim que eu puder, estarei de volta. – Percebi que ela não estava satisfeita, mas, resolveu não contestar minha decisão.

— Está bem, minha filha, você já está bem crescida e creio que já sabe tomar decisões. Mas, quando irá ao certo?

— Ainda não sei. – Menti. – Provavelmente após a próxima Lua Cheia, pois, tenho muitos preparativos a fazer.

— Temos muito tempo então, para aproveitarmos você. Que bom.

Mamãe disse isto ao mesmo tempo em que se aproximou para beijar minha testa.

— Eu irei dormir, para dar um pouco de privacidade para conversarem. Porém, só não quero que durmam muito tarde, porque, senão acordarão insuportáveis amanhã, e não é nada bonito estar em uma casa com quatro pessoas de mal humor.

— Tudo bem mamãe, conversaremos mais um pouco e depois iremos dormir.

Quando ela se retirou, começaram uma enxurrada de perguntas sobre como eu estava, se tinha notícias de Peter.... Na verdade, todas vinham de Prudence e Rose.

Rox, parecia querer aguardar um momento só nosso para conversarmos, verdadeiramente como duas amigas inseparáveis como sempre fomos, o que fazia-me sentir péssima, por não poder contar a verdade a ela, nunca tivemos segredo até então.

No entanto, agora era diferente, por que a segurança de Peter estava em jogo, e eu não poderia arriscar isto por nada.

Roxane já havia me traído uma vez, por uma causa nobre, eu sei, e sei também que se arrependeu, amargamente pelo que me fez. Ela me pediu perdão inúmeras vezes por isso, adoeceu por um tempo, por se sentir muito culpada pelo que a sua revelação ao Padre Solomon, sobre eu ouvir o lobo, me causou. E eu a perdoei do fundo do meu coração.

Porém, ainda assim, isto representa um risco para Peter.

— Prudence, está amando Valerie. – Disse Rose em coro com Rox.

— Como é que é? – Ah... conte-me tudo por favor, quem é, estão namorando?

— Não e Sim...- Ela gritou constrangida.

— Sim, Valerie. E ele gosta dela também, estão oficializando. Disse Rox cedendo ao clima descontraído.

— É mesmo? Que bom, quem é este sortudo?

— Lembra-se de Cedrico? – Prudence perguntou.

— Sim, é ele? Nossa que bom, vocês sempre tiveram um chamego, desde crianças, que legal Prudence.

Isto doeu meu âmago, pois me fez lembrar Peter, do quanto nos gostávamos desde que éramos crianças, é claro que naquela época era um tipo de amor diferente, ingênuo. Que dia a dia, com o passar dos anos, foi crescendo lentamente e abrasadoramente, tornando-se algo poderoso.

Conversamos por um longo tempo, e elas foram atualizando sobre os últimos acontecimentos da vila, até que Prudence e Rose pegaram no sono, e assim que isto aconteceu, sabia que não poderia mais escapar de Roxane.

— E aí, acho que tem algo a me dizer, sabemos que a história da viagem não é toda uma verdade não é mesmo?

Ao pronunciar esta sentença, seus olhos me encaravam com a mais profunda observação, ela estava atenta a tudo. Como era difícil esconder algo do olhar astuto de Rox...

Notas finais
E aí pessoas lindas, o que acharam?