A Garota Da Capa Vermelha - Continuação.
61 DIA INESPERADO – PARTE 2 - Capítulo 56
Notas iniciais
POV HENRY
Ele não a deixa terminar.
— Bem vou explicar: se sua maior fonte de angústia é esta, isto quer dizer que ao sanarmos isto, teremos algo a menos para nos preocupar, e sua mente estará com uma sobrecarga a menos também, o que é excelente para o tratamento dos dois, inclusive, isto serve para você também Henry!
Dou um enorme sorriso e Valerie corresponde. E digo:
— Então, é oficial, se, após conversarmos com Helena, ela disser o mesmo que você, que está tudo bem em relação a isto: dentro de um mês, estaremos casados então!
Até Dartanhã sorriu e disse, obviamente brincando para descontrair:
— Graças a Deus! Menos uma fonte de angústia para mim, agora!
E rimos os três.
Mas, Valerie no momento, quer perguntar algo e sinto que toda a atmosfera muda enquanto se prepara para sua pergunta, e identifico que ela está ansiosa com a resposta.
— Dartanhã, Henry me contou que da última vez que consultamos juntos, você havia deixado bem claro, e Dra. Helena também, que eu não poderia engravidar tão cedo. E eu ainda não tinha passado pelo que passei. E agora isto agrava mais ainda com meu atual estado?
Dartanhã, embora aja com bastante profissionalismo, deixa escapar para mim, um olhar breve de preocupação, antes de falar, e eu sei por que, mesmo sem as memórias é possível ver o quanto é importante para Valerie ser mãe, e aquela percepção dói em mim, por eu saber tudo que ainda teremos de enfrentar, e o quão desconhecido este passo será. Pelo olhar de Dartanhã, eu sei que ele está considerando o mesmo, então, depois de uma longa pausa, refletindo, o que fazia que a tensão que irradiava de Valerie aumentasse, falou:
— Bem, eu ainda prefiro que esperem Valerie, seu quadro dar sinais de como vai evoluir, vamos aguardando e acompanhando e com o tempo veremos, mas, eu garanto que, antes de dois anos não é o aconselhável, me perdoe.
Ela dá um olhar triste para mim, que parte meu coração, mas, diz.
— Bem, pelo menos está dentro do tempo que eu e Henry já havíamos combinado. Menos mal.
Aperto sua mão, dando-lhe força e a recebendo para mim.
O restante da consulta correu bem, ao final ele disse:
— Bem eu quero muito fazer algo, existe algo, que vocês sintam que ficou pendente que desejam dizer um ao outro? Ou acertar um com outro? Uma das coisas que faremos muito nestas seções em conjunto a partir de agora, é trabalhar a interação entre vocês, que ao meu ver já é muito boa, mas, ainda precisam de alguns ajustes o que é normal, num casal tão jovem, e que estão juntos a pouco tempo e que passaram por tantas coisas.
Olho para Valerie e digo.
— Sim, eu tenho, apesar de eu nunca esconder nada dela, há algo que preciso dizer diante de uma testemunha neste momento.
Dartanhã diz, então:
— Então, diga e se achar melhor olhe para ela.
Eu respiro profundamente e a olhos nos olhos, deixando-a ter acesso a minha alma através do meu olhar e falo:
— Valerie, eu sempre digo que você é uma escolha de uma vida toda, e é mesmo. A cada dia, tenho ainda mais certeza disto: Que você foi feita para mim! E que tudo o que passamos e que temos passado e creio que o que ainda teremos de passar, fazem parte de um propósito muito maior, que ainda está longe de nosso alcance. Mas, eu preciso que guarde em seu coração, a certeza, de que, mesmo que eu tivesse que começar hoje, minha busca incessante de alcançar seu coração, mesmo ciente de tudo que teríamos de passar, cada coisa, eu não desistiria. Pois eu amo você e te quero como minha esposa para todo o sempre! Não importa os obstáculos que eu tenha de enfrentar por isto!
A esta altura, Valerie chora. Dartanhã mantém-se profissional, mas, sinto que está tocado, e fica claro em sua voz quando diz:
— Agora é sua vez Valerie.
Ela me olha, e toma minha outra mão, também agora, e diz:
— Bem, eu primeiro quero agradecer você por existir, por ser quem é, exatamente como você é Henry. Eu quero dizer que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida! Você tem sido um presente, muito valioso, cujo valor ainda cresce a cada dia! Eu não me lembro do que vivemos antes do coma, todos dizem que naquela época, eu o amei muito e intensamente! E eu acredito. Pois, isto foi tão forte, que ficou enraizado em mim, no meu corpo, embora longe de minha mente. Porém, eu sei de uma coisa. Que este sentimento é tão poderoso, que tomou tudo em mim novamente, e hoje, após quase perder você, eu posso dizer: Eu amo você! O meu coração escolheu amar você duas vezes, e eu sei com toda a certeza, que eu te amarei por toda minha vida amor, você é exatamente tudo o que quero e preciso para mim Henry!
Impossível as lágrimas não aparecerem, elas vieram com força, e Dartanhã, muito tocado, diz:
— Eu vou sair por alguns minutos para dar privacidade a vocês, acho que precisam. Porém, eu volto, pois, tem algo que eu ainda quero fazer com vocês.
Ele levanta-se e sai.
Eu e Valerie ficamos sós e imediatamente, ela senta-se em meu colo e olhando em meus olhos diz:
— Amo você Príncipe, me perdoe por ter demorado tanto a enxergar isto!
Acaricio o seu rosto, toco os seus cabelos e digo:
— Eu é que peço amor, perdão, por que, devido ao meu medo exagerado de perder você, eu acabei ficando cego completamente a ponto de não compreender que você já me amava. Eu te amo tanto, mas, tanto que às vezes, eu me desespero com a possibilidade de te perder, e isto me enlouquece. Mas, eu aprendi muito com o que passei, você me ensinou muito com a sua perseverança, a sua coragem e determinação.
Assim que eu termino de dizer, beijo-a com uma necessidade extrema. Eu preciso dela, muito.
E, afastando-me digo:
— Amor eu preciso muito de você Valerie, do seu amor, da sua presença em minha vida, da sua forma única de me amar e me acessar, preciso do seu jeito de menina sapeca de ser e agir. Da mulher sensual que você é quando quer me seduzir. Da companheira e amiga que se tornou para mim, sempre presente nos momentos oportunos. Eu não vivo sem você!
Ela funga, e respira fundo, afugentando as lágrimas...
— Eu estou aqui meu amor, e estarei ao seu lado sempre Henry, para ser tudo o que você precisa. Mas, quero que saiba o quanto eu preciso de você também Henry, demais até. Você é o homem ideal para mim. Preciso do seu amor, do seu cuidado comigo, da sua proteção, do seu carinho, da sua forma única de me amar, de conversar comigo, me aconselhando, sendo meu companheiro e amigo, você é o meu refúgio, e estar com você é uma grande fonte de prazer para mim. Amo conversar com você, amo os momentos de descontração com você, amo os momentos intensos com você amor, neles eu me sinto desejada e amada demais por você, a maneira que você me olha e me toca, me faz sentir a mulher mais linda do mundo. Amo a sua autoridade de homem e firmeza, elas me trazem segurança. Amo você por inteiro, e te quero ao meu lado para sempre!
Dou-lhe um sorriso e digo.
— Mas você é a mulher mais linda do mundo para mim amor, eu nunca desejei uma mulher como eu desejo você. Você é perfeita para mim. Cada parte de você é sob medida para mim Valerie.
Ela cora e diz:
— Obrigada, é uma pena você poder dizer isto com tanta propriedade e eu não poder fazer o mesmo. Eu quero você, lindo. Eu quero poder dizer isto desta maneira, com propriedade.
Ela diz e beija minha orelha provocantemente, me fazendo gemer.
E eu digo-lhe:
— Hum princesa.... Falta pouco, aguenta só mais um pouquinho... Sei que está difícil e para mim também está, você não faz ideia.
Ela me olha e diz:
— Tudo bem. Eu espero amor. Mas, eu quero que saiba que, eu ficaria feliz se mudasse de ideia.
Dou-lhe um sorriso e respondo:
— Amor, eu não vou mudar de ideia, eu sinto muito.
— E se eu te convencer, hum?
Ela me diz com o jeitinho sapeca que amo e beijando a ponta do meu nariz e eu digo-lhe:
— Você poderia fazer isto facilmente Valerie, sabe disso, porque você sabe me enlouquecer de desejo quando quer, mas, isto não seria justo e honesto. E aí?
Ela faz biquinho, mas sorri em seguida e diz:
— Tudo bem, vou tentar esperar e facilitar para você amor.
— Obrigado.
— Agora eu vou voltar para meu lugar, Dartanhã deve estar quase chegando
Ela o faz, mas, eu não solto as suas mãos, e assim que ela se senta, alguém, bate a porta.
— Pode entrar.
Eu digo, e Dartanhã entra.
Ele vem e senta-se em nossa frente atrás da mesa novamente e traz duas folhas de papel e diz:
— Tenho uma tarefa para vocês.
Olhamos para ele atentamente.
— Quero que de um lado da folha, coloquem os defeitos um do outro que incomoda vocês. E no outro lado, as qualidades que agradam muito e chamam a tenção. Preciso que sejam muito sinceros.
— Vou dar alguns minutos para fazê-lo, mas, antes, vamos fazer assim, levantem-se e fiquem de pé a uns dois metros de distância um do outro.
Obedecemos e ele posiciona nossas cadeiras naquela distância. Então diz:
— Agora vocês podem sentar e começar.
Sentamos e ele nos dá a cada um, um livro, um lápis e um papel.
Assim começamos.
Noto, depois de um tempo, que Valerie escreve furiosamente, sem desviar a atenção e Dartanhã diz:
— Concentrem-se no que estão fazendo.
Continuo a minha parte.
Percebo que, as qualidades são muito mais fáceis de listar, mas, os defeitos são os mínimos. Porém, ao recordar-me de Dartanhã pedindo sinceridade, lembro-me das coisas que eu não gosto que ela já tenha feito. Ou das que eu não quero que faça, mas, ainda assim é difícil.
Depois de algum tempo, percebo que eu e Valerie terminamos e Dartanhã, agora, de onde ele está, atrás da mesa, diz:
— Aproximem a cadeira agora. Até ficarem de frente um para o outro, mas, bem próximo.
O fazemos e Dartanhã diz:
— Primeiro, eu quero perguntar: o que foi mais difícil? Listar qualidades ou listar defeitos? Primeiro o Henry agora.
— Para mim, os defeitos. Eu encontrei muita dificuldade de identifica-los.
Eu digo sinceramente.
— E você Valerie?
Dartanhã pergunta.
— Sem dúvidas, os defeitos.
— Bem, agora eu quero que, vocês, primeiro, listem as qualidades, que vocês veem um no outro, de um para o outro. Vamos.
Respiro fundo e começo a minha imensa lista de qualidades.
— Meiga, gentil, cautelosa, atenciosa, feminina, sedutora, romântica, delicada, cuidadosa, inteligente, linda, esforçada, determinada, guerreira, forte, resistente, persistente, sábia, amável, afável, ótima administradora, e... minha.
Digo a última palavra com o rosto queimando pela presença de Dartanhã e Valerie também cora.
Dartanhã diz:
— Agora, você Valerie.
Ela respira fundo e está ainda mais vermelha, mas, fala:
— Refúgio, protetor, zeloso, cauteloso, atencioso, controlado, romântico, lindo, sedutor, atraente, inteligente, esforçado, determinado, persistente, paciente, sábio, tímido, seguro, guerreiro, cavalheiro, príncipe e... meu.
Dartanhã nos olha e diz:
— Muito bom, agora vamos aos defeitos. Primeiro Henry.
Nossa, a parte mais difícil.
— Teimosa, ciumenta, e... – hesitei, pois, temi escrever este, por saber que poderia nos remeter a um tempo de dores, mas, Dartanhã nos pediu sinceridade. – Valerie tem a tendência de buscar afastamento sem considerar o quanto nos faz mau. Estes foram os únicos que eu me lembrei, que realmente me incomoda, sendo que o último, me incomoda em uma escala muito grande.
Valerie me olhou com profundo arrependimento, e sussurrou.
— Me perdoe!
Dartanhã, percebe o desconforto ao tocarmos nisto. Porém, ignora, e agora diz:
— Você Valerie.
— Ciumento, não gosta de compartilhar os fardos, este Henry me contou que já tivemos alguns problemas por ele não querer compartilhar problemas comigo. Na verdade, Henry tem somente um grande defeito, ele é perfeito demais. E amor, me perdoe, de verdade, eu jamais causarei um afastamento nosso novamente, eu prometo. Eu aprendi a minha lição Henry, de verdade!
Duas coisas, muito significativas, acontecem: meu rosto esquenta completamente, por ela me chamar de perfeito e meu coração fica aquecido e agradecido com sua promessa, que eu evidencio através de um sorriso para ela.
Dartanhã observa tudo e então, diz:
— Bem se não se importarem, eu quero ficar com estas listas e daqui a um ano vamos conversar sobre elas novamente.
Eu e Valerie o olhamos com uma interrogação. Dartanhã percebe e diz:
— Quando terminarmos o tratamento, teremos revisão de tempos em tempos. E, com isto, — ele aponta as listas. — Eu quero lembra-los de como foi o dia de hoje.
Entregamos a ele e ele disse:
— Bem, por hoje terminamos, vamos ver Helena agora. Até mais.
— Até mais.
Eu e Valerie dizemos juntos.
***
POV VALERIE
A consulta com Helena foi muito boa e esclarecedora, ela refez praticamente todas as orientações que já havia feito. Henry me acompanhou o tempo todo, perguntamos muitas coisas, inclusive sobre gravidez.
Minhas dúvidas eram muitas, a própria Helena tinha muitas anotadas em minha ficha, e repassou-as comigo e Henry, visto que quando as fiz, ainda não havia passado pelo coma, e agora, com a amnésia, eu não sabia nada daquilo mais.
Admito que, foi muito constrangedor, mas, bastante esclarecedor. Principalmente as perguntas que diziam respeito a sexualidade durante uma gravidez, Helena me disse que eu a perguntei muito sobre isto numa determinada consulta e perguntou se eu queria falar sobre aquilo, e eu disse que sim.
Henry também tinha algumas perguntas, e, embora constrangedoras, ele as fez. Helena disse-nos ao final que o que estávamos fazendo dele me acompanhar nas consultas era excelente para a construção de uma vida íntima saudável. Henry ficou orgulhoso com aquilo.
Quando terminamos com as consultas eles se foram para se prepararem para o jantar. E, eu e Henry seguimos para o nosso quarto para nos preparar.
Deixei-o tomar seu banho primeiro, enquanto preparava nossas roupas.
Ao terminar, ele destrancou a porta e saiu de roupão e veio até mim e disse:
— Posso pegar as minhas roupas, amor?
— Claro lindo, está tudo pronto.
O cheiro dele era tentador, e, não resistindo, eu me aproximei, e seus olhos se arregalaram para mim. Então, eu disse enquanto abraçava seu pescoço:
— Você cheira deliciosamente Sr. Lazar.
Ele sorri e diz:
— Tudo para você Sta. Valerie.
— Hum.... É bom saber disso príncipe!
Eu digo e beijo seus lábios, levando-o a envolver minha cintura.
Ele corresponde o beijo intensamente, mas, sinto que está hesitante e em alerta.
Não posso negar que, saber que por trás deste roupão, encontra-se um corpo que eu desejo ardentemente, mexe demais comigo, porque pertence ao homem que eu amo. E movida por estes sentimentos, digo-lhe em seus lábios.
— Amo você Henry, e, eu quero você, lindo!
Henry congela, literalmente, e, afasta seus lábios dos meus, levando-me a respirar fundo e abrir os olhos em seguida. O que me leva a constatar o desespero e espanto no seu olhar. E ele diz:
— Princesa, eu também, você sabe disto, mas...
Interrompo a ele colando os meus lábios novamente nos seus.
Ele corresponde o beijo, ainda hesitante, e, começo a correr, as minhas mãos, em seus ombros, suas costas...
E, de repente, o desespero, leva-me a afastar o meu corpo minimamente, apenas o suficiente para tocar seu peito, e ao fazê-lo, mesmo por sobre o roupão, Henry geme em meus lábios, e sei que seu desejo, naquele momento, também o está dominando, pois, sinto-o revelar-se para mim, em uma ereção semi-formada, que começa a me pressionar com força, creio que seja por que o roupão certamente a deixa mais livre que uma calça.
E, a ciência de que, seria tão simples naquele instante, leva-lo a perder o controle, pois, seria apenas remover aquela pequena barreira que nos separava, faz com que, o desejo por este homem lindo e que eu amo, se apodere de mim de uma maneira intensa. Levando-me a deslizar minhas mãos quase que involuntariamente pelas barras de abertura de seu roupão, que se cruzam.
Simultaneamente, Henry detém minhas mãos, com as suas, segurando-as firmemente, e, afasta-me para me olhar. E, ali em seus olhos, vejo, que ele precisou reunir toda a sua determinação, possível, para me afastar naquelas circunstâncias, e dizer:
— Não amor! Não podemos! Amo você, mas, isto não seria o certo agora, Valerie.
Ele diz e beija meus lábios com suavidade, ainda segurando os meus pulsos.
Então, afasta-se e olha-me para dizer.
— Desculpe sair vestido assim, eu não imaginei que seria demais para você. Vou pegar as minhas roupas para eu me trocar.
Porém sou rápida, em dizer, com uma voz cheia de desejo, e antes de ele se afastar:
— Eu quero você Henry, por favor, meu amor!
Vejo tortura em seu olhar, e sei que minha suplica mexeu com ele, então, sentindo-me poderosa por vê-lo ponderando, encosto mais ainda o meu corpo no seu e digo:
— Esta escolha não é só sua, amor, ela é minha também.
Ele me olha apavorado e diz:
— É claro que é sua também Valerie, mas, o que está em questão aqui não é isto, é o fato de eu saber que nós temos um compromisso, e para mim ele está de pé. Eu prometi algo a você e o fato de você não se lembrar, não invalida a promessa que eu te fiz, para mim, entenda isto amor...
Fico irritada, só um pouquinho, e digo:
— Você é impossível Sr. Lazar!
Mas, acabo rindo e dizendo:
— Posso te convencer Henry, quer ver?
Ele rapidamente se afasta de mim, mas, mantém meus pulsos presos em suas mãos e diz:
— Não, eu não POSSO ver. Querer eu quero, sua linda, amo você princesa.
Ele diz sorrindo, como se estivesse fazendo um jogo, e eu entro o provocando:
— Posso fazer você querer tanto, que vai “poder” rapidinho Sr. Lazar.
Ele me olha apavorado e em total alerta agora, e diz:
— Valerie, Valerie, não brinca com isto amor, pelo amor de Deus!
Começo a rir e tento me aproximar, e ele se afasta, e, aproximo-me mais e ele olha para trás e se afasta, faço de novo, e ele faz o mesmo, até que percebo que ele está se aproximando da porta do banheiro. E de repente, antes que eu possa pensar, ele solta os meus pulsos e corre, em direção a ela e eu corro atrás, mas seus passos são rápidos e grandes, e antes que eu o alcance, ele entra e tranca a porta. E começa a rir lá de dentro e eu não resisto e caio nas risadas pelo lado de fora, porém, digo:
— Não vale Henry, você correu e se escondeu de mim amor, isto é maldade!
— O QUÊ? – Ele grita de lá, e em seguida... Destranca a porta e olha só da gretinha e diz para mim... – Princesa, para o seu governo a Bíblia diz, assim, em Tessalonicenses Capítulo 5, Versículo 22: “Abstende-vos de toda a aparência do mal”.Ou seja, fugi da aparência do mal. Ela está se referindo a TENTAÇÃO amor. E você Valerie, é sem dúvida alguma, a criatura mais tentadora na face desta terra para mim, se eu deixar, você pode ser a minha perdição amor. Eu não resisto a você de maneira alguma, então, só me resta obedecer e fugir! O que eu posso fazer? Tenho que admitir que, em se tratando de resistir aos seus encantos de mulher, eu sou um fracasso! Sou muito humilde para admitir isto. Mas, me aguarde, por que, muito em breve, você vai pedir, na verdade, suplicar para que eu fique longe, porque eu vou querer você o tempo todo Valerie. Quero ver o que vai fazer.
Olho para ele com petulância e digo:
— Promessas, promessas, promessas.... Quero só ver!
— Valerie, Valerie! Não duvide amor, sei o que está fazendo, está me provocando para eu ceder, mas, eu não caio nessa, sua linda! Agora é sério amor, pega as minhas roupas, por que eu preciso me trocar. Por favor amor, não torne tudo ainda mais difícil para mim...
Eu o olho com compaixão e ternura, pois, sei que ele está sob tortura por isto e digo:
— Tudo bem príncipe! Pode se trocar aqui eu vou entrar para o meu banho amor.
Ele me olha desconfiado, com receio de eu estar jogando, porém, digo brava:
— Henry! Você está duvidando de mim?
— Amor, sinceramente? Eu estou, com medo. Só eu sei o quanto você é teimosa quando quer algo.
Olho-o pensativa, e digo.
— Tem razão! Mas, eu prometo Henry. Olhe, eu levo você a sério e respeito você como homem meu amor, se você disse não, é não príncipe!
Ele me olha e por fim sai rendido, vem até mim dá-me um beijo na testa e diz:
— Tudo bem, confio em você linda, mas, precisamos nos apressar para recebermos os que forem chegando.
Beijo ele de volta, nos lábios, e digo:
— Estou indo.
— Claro, minha linda.
Entro no banheiro...
Ao terminar meu ritual de banho, visto o meu roupão e abro a porta e olho para Henry. Ele está lindo e pronto, e a mim, só me resta vestir o vestido, porque até os cabelos, estão prontos em um coque bem feito, modelando uns poucos cachos. Fiz também uma maquiagem leve, porém que realça os meus olhos.
Vou até ele e digo:
— Você está lindo amor!
Ele dá um amplo sorriso e diz:
— Que bom que você gostou, do meu visual, princesa.
Pego o meu vestido e volto ao banheiro.
Ao estar quase pronta, dou-me conta de algo: que o fecho do vestido é lateral, e aquilo me dá uma sensação de dejavú, mas, eu não consigo identificar o por que.
Abro a porta e só apontando minha cabeça, pela fresta aberta, eu chamo:
— Henry?
Rapidamente ele se aproxima curioso, e creio que é por que estou escondida por trás da porta...
— Fala amor.
— Príncipe, eu preciso que chame a minha mãe para mim.
Ele me olha mais curioso ainda e pergunta:
— Por que amor?
— O fecho do meu vestido é lateral amor e eu não consigo fechá-lo sozinha, até onde eu conseguia, eu o fiz.
Inexplicavelmente, Henry começa a rir.
— O que foi amor?
Ele me olha sorrindo e diz:
— Francamente princesa, de novo?
— O que?
Pergunto-lhe sem entender.
— Amor, no nosso jantar de noivado, você também comprou um vestido de fecho assim, e como estávamos no chalé, eu é quem tive de te ajudar Valerie.
Fico assustada e digo;
— Como?
— Bem, você pediu que eu fechasse os olhos e conduziu minhas mãos, assim eu mesmo te ajudei, sem problemas. Posso fazer isto novamente se quiser amor, mas, se preferir a sua mãe, tudo bem, eu a chamo.
— Claro que não lindo, eu só sugeri ela, pois, eu não sabia disto! Eu confio em você Henry! Feche os olhos então, amor.
Prontamente ele o faz, e vou até ele e ele faz tudo direitinho e ao terminar, me diz:
— Posso abrir os olhos linda?
— Claro Henry, quero que seja o primeiro a me ver, estou assim para você, meu príncipe!
Ele o faz, e fica emocionado quando me olha.
— Você está mais linda do que já é meu amor, o vestido ficou maravilhoso em você Valerie.
Ele me abraça e me beija apaixonadamente, me deixando sem ar.
***
Ao deixarmos o quarto, totalmente prontos, a maioria dos convidados já nos esperam, também prontos.
Tio Heitor e tia Clara sãos os primeiros a se aproximarem com os sorrisos radiantes. Nos abraçam, me elogiam, e sei que fiquei vermelha, pois, Henry acaricia as minhas bochechas.
Em seguida a minha mãe e a vovó Lazar, aproximam-se, também muito felizes, e, nos enchem de beijos e abraços.
Depois Ananda e Camelot, que agora só andam grudados, de mãos dadas, inclusive, e acho interessante me lembrar do dia em que Henry me contou que eu sou responsável por isto, pela felicidade deles, e também, de Made e Araon, de Elise com Érion e de Sophie com Marverick.
É interessante, pois, sei que estas atitudes realmente são a minha cara, mas, é tão estranho não me lembrar. E Henry que, a cada dia me mostra o quanto somos conectados um ao outro, aproxima-se de mim, colando seus lábios em minha orelha diz:
— Ei princesa, não fique triste por não se lembrar, o importante é que eles se lembram e estão felizes e são unanimemente gratos a você, meu amor.
Dou-lhe um sorriso e viro-me de frente para beijar os seus lábios, e dizer-lhe em seguida:
— Eu amo você príncipe, muito! Não sei o que seria de mim sem você nestes momentos para me apoiar e dizer exatamente o que eu preciso ouvir nos momentos certos.
Henry sorri amplamente e diz:
— Um dia eu prometi a você, que eu seria seu refúgio, e seu amparo sempre. Eu pretendo cumprir esta promessa por todos os dias da minha vida.
— Obrigada meu amor. Eu quero que saiba que o quero ser para você também, a cada dia e para sempre!
Lágrimas já enchem os nossos olhos e Henry diz:
— Você já é minha amada, você já é Valerie, e o será para sempre sim, meu amor.
Ouvimos alguém limpar a garganta e nos afastamos, mas, Henry continua com o seu braço envolvendo a minha cintura... E ao virar-nos, vemos que é Aquiles, que exibe um imenso sorriso, para nós, algo tão raro de ver nele.
Olho para o Henry, pois, eu desejo muito fazer algo, mas, tenho medo de sua reação, pois, lembro-me de quando me contou de sua reação a minha aproximação com Érion, e justamente quando me lembro também do que o seu ciúme de Aquiles gerou em nosso tempo de afastamento, desisto do que quero fazer.
Mas, o Henry, mais uma vez me demonstra o quanto me conhece e o quanto amadureceu em relação a sua insegurança de me perder, assim, me surpreende dizendo em meu ouvido:
— Sei que você deseja abraça-lo para demonstrar toda a gratidão e carinho por tudo o que fez por nós e em especial por você amor. E seria egoísmo de minha parte, não permitir. Devo muito a Aquiles Valerie, vamos faça, que em seguida, eu também quero fazer algo.
Dou-lhe um sorriso de agradecimento, um breve beijo nos lábios e afastando-me dele, aproximo-me de Aquiles, perto o suficiente para que ele arregale os olhos.
Abro um enorme sorriso para ele. E ficando na pontinha dos pés, envolvo-o num abraço apertado, como se eu estivesse abraçando a um irmão mais velho que eu nunca tive.
Sinto Aquiles tenso, e nervoso, seu corpo está todo retesado, e eu sei o por que: medo da reação de Henry. Porém, neste exato momento, meu príncipe se aproxima e diz próximo a nós dois:
— Pode abraça-la Aquiles, tanto Valerie quanto eu, queremos demonstrar a você o quanto somos gratos por tudo o que você fez por nós e tem feito. Tem minha total permissão para fazê-lo.
Ainda relutantemente, Aquiles aos poucos vai cedendo e por fim me abraça. E me sinto naquele instante, nos braços de um irmão, de um ente querido.
E, naquele momento, eu sei, que ele fará parte da minha vida e do Henry por muito tempo, pois, aprendemos a amá-lo e agora sabemos que ele também tem o mesmo carinho conosco, fica mais claro para mim isto, quando Henry se aproxima mais e Aquiles me solta para abraça-lo e ali sinto o grande afeto que já possuem um pelo outro.
Aquiles se desarma e lágrimas correm dos seus olhos e nos de Henry também. E, meu príncipe afasta-se só um pouco, mas ainda tem seu ombro sobre Aquiles e tomando minha mão, aproxima nós três e diz:
— Quero que saiba, que eu reconheço que você teve um papel fundamental para estarmos assim novamente. Você já é muito importante para nós Aquiles, é parte desta grande família de amigos que ao longo dos anos viemos construindo. Obrigado, por fazer parte de nossas vidas.
Aquiles sorri, e mais duas lágrimas correm de seu rosto. E emocionado ele diz:
— Vocês não imaginam... a alegria que eu estou sentindo neste momento... por vê-los assim, juntos e felizes novamente, e a alegria por também tê-los como parte da minha vida.... Fazia um longo tempo... aliás, desde a partida de Irina, eu não tive momentos de sorrisos mais, eu havia até desaprendido. Mas, isto mudou ao conhecer vocês. Vocês têm me dado inúmeros motivos para voltar a sorrir. Quero que saibam, que são muito importantes para mim.
Sorrimos para ele e mais uma vez nos abraçamos em três. Assim que Aquiles se afasta, chega um casal que mexe demais comigo, ao vê-los: é Prudence e Cedrico.
Abraçamo-nos também, e o momento que temos juntos é maravilhoso. Prudence, já caminha para o sextomês de gestação, e sua barriga já está linda e bem evidente. Sinto uma imensa emoção ao tocá-la e conversar com o bebê, pois, imediatamente ele chuta as minhas mãos que o envolve através da barriga de sua mãe. Choramos as duas de emoção e digo:
— Ei bebê! A tia Valerie está ansiosa por te conhecer sabia? Você vai ser muito lindo, pois, tem pais maravilhosos, e muito abençoado, pois, tem dois padrinhos que amam muito você, a tia Valerie e o tio Henry, aguardam você viu pequenino!
Beijo a barriga de Prudence, e ao olhar para Henry sinto o quanto quer participar daquilo, porém, a sua timidez e as suas reservas, não o permite, creio que, por respeito a Cedrico. Entretanto, como Cedrico é muito atento, e gosta muito do Henry, como um irmão, também percebe, o que está havendo e surpreende-nos dizendo:
— Henry pelo amor de Deus, você está babando de vontade de sentir o meu filho! Cara, vamos lá, faz logo, estamos em família Henry, vai lá, toca logo esta barriga!
Henry está tão vermelho, mas também, tão ansioso de vontade, é visível nos seus olhos. Assim, como eu sei que será difícil para ele agir sozinho, eu vou até a sua mão livre, e tomo-a sob a minha e a levo até Prudence, que está sorrindo com o gesto, tanto quanto Cedrico. Ao tocar a mão de Henry sobre a barriga de Prudence, algumas coisas interessantes acontecem:
Primeiro eu digo:
— Bebê, quem está tocando você agora é o tio Henry, ele também já ama você, mas, é muito tímido, e você não tem ideia de o quão custoso é ele fazer isto, seu pai, sua mãe e eu tivemos um trabalhão para convencê-lo. E agora eu preciso de você lindinho, deixa o tio Henry sentir você, vamos lá!
Imediatamente o bebê dá um enorme chute, que chego a sentir através da mão de Henry. E todos rimos. E ao olhar para o meu noivo, o vejo com lágrimas correndo dos olhos, e as minhas descem na hora, pois, sei o que está o emocionando, sentir o bebê de nossos amigos, e pensar na possibilidade de que em breve seremos nós.
Cedrico e Prudence, parecem notar o mesmo, pois, trazem suas mãos naquele momento, e selam sobre as nossas, e dizem, ao olhar para nós. Primeiro Cedrico:
— Muito em breve, teremos a alegria de fazermos isto com vocês, em breve vocês estarão em nosso lugar, e, o de vocês, será tão amado por nós quanto vocês já amam o nosso filho.
E agora é Prudence:
— Somos uma família que está crescendo e breve, cremos que ela ainda ficará maior.
E para que o momento fique ainda mais emocionante, chegam Marvel e Rox e colocam suas mãos ali também e Marvel diz:
— Não nos exclua disto, afinal o elo que nos une é o mesmo, “amizade verdadeira”.
Sorrimos todos, aglomerados ali e o bebê parecendo sentir a grande atmosfera de amor, chuta desesperadamente e é Cedrico quem diz:
— É isto aí meu filho, você vai nascer no meio de pessoas que se amam, e que cuidam uns dos outros. Você terá o privilégio que o seu pai teve de ter belos amigos. A única, coisa ruim, e que você terá de aprender a suportar, é que certamente serão todos muito super-protetores, mas, a coisa boa, é que se eles tiverem todos meninas, você está feito!
Sinto o corpo de Henry, retesar inteirinho na hora! E sei que está pensando em Laurinha, pois, ele havia me contado tudo o que planejamos e sonhamos para os nossos filhos, e uma das coisas foi os nomes: Laura, se for menina e Adrien, se for menino, ou os mesmos se forem os dois. Olho-o o transmitindo tranquilidade.
Sei que terei muito trabalho para moldar o ciúme de Henry, e aquilo me deixa ciente, que está apenas começando...
Ainda bem que ninguém nota.
Mas, quando todos se afastam, eu digo:
— Ei príncipe, aquilo foi uma brincadeira Henry! Amor, Laurinha estará segura entre os nossos amigos.
Ele me olha com um olhar suplicante e diz:
— Princesa, eu não quero falar disto agora. Olha, eu estou fazendo um esforço enorme para me controlar e não pensar nisto, mas, só de imaginar que a minha filhinha que eu ainda nem tive nos braços, nos meus braços protetores de pai, um pai que esperou e vai esperar tanto, já tem pessoas fazendo planos para que algum homem a toque, ou tome posse dela, me faz ver tudo vermelho de raiva amor! Meu Deus! Eu já sofro tanto com o ciúme que eu tenho de você Valerie! Amor, eu já estou me mortificando para aprender a lidar com isto, outro homem te abraçar, outro se aproximar, tenho me esforçado amor, e você sabe, disso. Mas, agora, Laurinha é outra história...
— Eu sei príncipe, eu vejo o quanto isto mexe com você, mas, precisamos trabalhar isto. Te amo amor! Acalme-se, vamos aproveitar esta noite? Hum...
Henry respira fundo visivelmente lutando para relaxar, e toma as minhas duas mãos nas suas e beijando-as, diz:
— Obrigado Valerie, não sei o que seria de mim sem você meu amor. Obrigado por cuidar de mim e você o fazer tão bem!
— É isto que os que amam fazem Henry, cuidam uns dos outros. Você é muito valioso para mim meu amor, me angustia te ver assim príncipe.
Ele agora, visivelmente relaxa mais.
***
POV HENRY
Quando todos já estão presentes, começamos o jantar.
É maravilhoso, contemplar a grande alegria no rosto de cada um. Uma pessoa que, tornou-se próxima, por eu gostar muito dele e não pode estar presente, foi Will, mas, mandou uma carta agradecendo, e desejando-nos toda a felicidade.
Começamos com o Marvel abrindo um momento de reflexão:
— Bem é com muita alegria, que recebemos a todos aqui hoje. A satisfação de ver a nossa família de amigos crescendo, é imensa. Temos orgulho das novas adições, como Ananda e Camelot, Aquiles, Elise que tem se achegado por Érion. Constantine que também tem se achegado. Temos a felicidade de comemorar o renovo de um compromisso tão especial, que é o noivado de Valerie e Henry. Eu desejo toda a felicidade a vocês dois, e fico feliz demais de ver que o amor de vocês, superou tanto.
Marvel vem e nos abraça e em seguida, o tio Heitor assume e diz:
— Alegria e satisfação, são palavras pequenas para descrever o quanto estou realizado nesta noite. Ver os nossos filhos realizando seus propósitos é muito maravilhoso e traz êxtase ao nosso coração. Ver você Henry, meu filho, renovando seus votos aqui, é algo extraordinário para mim, depois de tudo que vocês dois viveram, chegarem até aqui, eu posso garantir: é uma dádiva!
Assim que o tio Heitor termina, Elise toca um prelúdio, dando-me sinal para me preparar. Como sempre, eu preparei algo para Valerie. Vou cantar para ela, com Elise e Érion tocando para me acompanhar. Me coloco de pé e tomo Valerie, que está sentada ao meu lado, pelas mãos e olhando-a nos olhos começo:
Valerie tem lágrima nos olhos e correndo por todo o seu rosto, quando termino. Beijo-a secando cada uma e digo, cheio de emoção:
— Sabe Valerie.... Eu tenho te amado por todos estes anos. Realmente, o meu coração escolheu amar você. E mesmo diante de todas as provações que eu passei em prol do seu amor, o meu amor por você, nunca diminuiu. Ao contrário. Somente aumentou. Todas as dificuldades que passamos apenas me fizeram enxergar o quanto eu te amava e era capaz de te amar cada vez mais. E hoje, de certa forma, eu agradeço a Deus pelos últimos acontecimentos que enfrentamos, porque, eles só me provaram o quanto amo você e o quanto quero realmente tê-la ao meu lado, independente de qualquer coisa. E como eu disse a você, eu quero você ao meu lado independente das suas memórias. Quero a você Valerie, aqui e agora, hoje, da maneira que você é, com tudo o que te formou e te forjou no que você é hoje, é isto o que eu quero, esta Valerie, forte e guerreira, é que eu amo. E novamente, eu venho fazer a pergunta, cuja resposta, fez-me sentir o homem mais amado e feliz deste mundo. Eu amo você Valerie! E quero saber, você realmente deseja ser minha esposa e estar ao meu lado para sempre? Eu já disse, e também agora, depois de tudo o que vivemos juntos, e até mesmo separados, você sabe, eu não sou perfeito, mas, eu quero que você me ensine a cada dia a ser o Henry perfeito e ideal para você, que fará de tudo, para nunca permitir que uma lágrima sua caia, mas caso isto seja inevitável, quero estar ao seu lado para secá-las e em seguida te fazer sorrir. Você me permite ser este homem?
Ela me olha cheia de lágrimas correndo pelo rosto novamente, que eu prontamente beijo para secar, e, responde:
— Não príncipe! Eu não permito, porque você já é este homem Henry! O homem ideal para mim, que eu anseio ter ao meu lado todos os dias. O homem que se tornou a razão do meu viver, do meu respirar. A forma que você me amou e cuidou de mim, em todo este período, mesmo sem saber se eu voltaria a te amar ou não, foi maravilhosa! Seu carinho e os seus gestos, foram me encantando a cada dia. Eu é que te peço, me ensine a ser a Valerie ideal para você Henry! Eu quero sim me casar com você, quero que me faça sua esposa, sua companheira, sua amiga, sua confidente, seu refúgio, pois, eu desejo demais, ser cada uma destas coisas para você! E hoje eu posso dizer que eu te amo mais, muito mais que se possa pensar, pois, o meu coração escolheu te amar duas vezes.
As lágrimas também, já me visitavam, com abundância, e, eu disse:
— Então hoje, diante destas testemunhas, de nossos amigos, e nossa família, eu renovo o meu compromisso com você, de me preparar para recebe-la como minha esposa, e enfim, agora com uma data, dentro de um mês dia 02 de Agosto, você será para sempre: minha Sra. Lazar. Minha esposa amada, aquela que irá compartilhar uma vida inteira ao meu lado! Eu amo você princesa!
Tomo a sua mão direita, e volto a colocar ali: o anel de noivado, em seu dedo médio; e a aliança em seu dedo anelar; e, o seu bracelete no pulso direito.
Assim que o faço beijo cada objeto, e em seguida, tomo a sua cintura e a sua nuca em minhas mãos e beijo os seus lábios com paixão. Valerie retribui na mesma harmonia, e aquilo me preenche de êxtase.
Ao fundo ouço palmas, gritos e manifestações de alegria...
Ao terminar, ela está radiante, e toma a minha mão, e coloca a minha aliança em meu dedo, beijando em seguida.
Beijo os seus lábios novamente, transbordando de felicidade, e sei que Valerie sente o mesmo pois, o seu olhar brilha intensamente e o seu sorriso não tem tamanho.
Assim, ao terminarmos, ainda com meu braço em sua cintura e virado de frente para todos agora, eu digo:
— Bem, primeiro eu quero agradecer a Deus pelo privilégio de estar aqui hoje, após tudo que eu e Valerie passamos, podemos nos declarar vencedores. E certamente, não conseguiríamos isto sozinhos, devemos agradecimentos por nossa vitória a cada um presente, cada um de vocês tem papel fundamental para estarmos aqui hoje. Em especial você, Aquiles, que foi uma peça importante, para restaurarmos alguns laços que foram rompidos. Tio Heitor, que foi o ombro que me sustentou em muitos momentos de aflição, Suzette com seus conselhos, minha avó com seu constante apoio diário. Cada um de vocês rapazes que usaram o tempo de vocês para me distraírem como podiam. As meninas que se fizeram tão presente confortando Valerie, Cedrico que foi meu suporte para ter forças para trabalhar a cada manhã, Dartanhã e Helena que se esforçaram e têm se esforçado para trazer-nos de volta ao estado de saúde. A Constantine, por todo apoio e suporte, principalmente em relação a minha situação junto a Guarda. E acima de tudo, a você Amor. – E agora, eu me coloco de frente pra Valerie e envolvo o seu rosto com as minhas mãos... – Por ter sido perseverante, e não ter desistido de mim, mesmo quando eu estava tão cego. Sou eternamente grato a você por me amar e me amar tanto! E quero dizer que a forma que usarei para começar a te agradecer, é me comprometendo mais uma vez diante de Deus e de todos aqui presentes, a te amar e fazer feliz enquanto eu viver!
Valerie está tão emocionada que não consegue falar, beijo rapidamente seus lábios e prossigo agora de frente para todos novamente. Mas sem soltar sua cintura, eu a quero perto, de agora para frente sempre será assim:
— E para finalizar a minha fala, eu quero passar a palavra ao meu irmão do coração, o querido Araon, que havia me pedido um momento para agradecimento também.
Afasto-me e Araon toma o meu lugar, e todos estão em expectativa, pois, somente eu Valerie, os Lancelot’s, Marvel e Marverick sabem do que se trata.
— Boa noite a todos e todas! Bem, se for colocar aqui, tudo o que estou sentindo nesta noite, o tempo que tenho não vai dar. Mas, em linhas gerais, estou muito feliz. Em relação a Henlerie... — E Araon sorri neste momento. – Eu shippei vocês.
Olho para Valerie, e ela sorri, pois, ele não sabe, mas, ela fez isso já faz tempo. Temos a prova em nossos relicários e nossa caixa de Recordações. Araon continua:
— Bem, em relação a Henlerie eu não poderia estar mais feliz, Valerie realmente foi a escolha de uma vida inteira do meu irmão, e eu sei o quanto significa para ele, tê-la alcançado. E a Branquinha, está na cara dela, que a cada dia, ela está mais apaixonada pelo Grandão, então, o que falta agora é apenas se casarem mesmo.
E todos riem naquele momento. E, após, as risadas, Araon prossegue:
— Mas, o meu maior motivo de alegria nesta noite, diz respeito a uma grande descoberta que eu fiz. Quem me conhece sabe que eu nunca fui dado a me apegar, eu sou conhecido pelo meu jeito irreverente e meio louco de viver, apesar de que, eu não abro mão de certos princípios e valores, principalmente no que se refere à família. Eu, na verdade, nunca pensei que eu iria me apaixonar, achava algo distante de mim.
Araon, transborda sinceridade no olhar, ao proferir cada palavra. Neste momento, Made arregala os olhos e Valerie aperta a minha mão. Mesmo após o coma, isto também está intocado nela, a facilidade de pegar as coisas no ar e se alegrar com a felicidade dos amigos.
— Mas, a vida é mesmo surpreendente. Através da Branquinha, eu recebi o privilégio de conhecer alguém que mudou muitas perspectivas em minha vida. Alguém que me fez ver, que vale a pena ter um porto seguro, um lugar de refúgio, e que, nem sempre é necessário estar em movimento, ou em busca de algo, pois, este algo pode estar bem ao seu lado. E isto foi exatamente o que aconteceu. – Araon respira profundamente, para então dizer: — Made, venha aqui amor.
Made vai, mas, como diria Valerie, é notável o quanto ela está atônita.
— Olhe Made, desde que eu conheci você, minha vida mudou completamente. Você me ensinou o que é amar, o que é ser perseverante, o que é cuidar. Sabe ruivinha, com este seu jeito louquinho de ser, muito semelhante ao meu, você provou pra mim, os seus grandes valores, quando a cada dia, revelou nos seus gestos, o quanto ama a sua mãe, o quanto é capaz de renunciar por ela, e o quanto podemos ser felizes, mesmo em meio às adversidades, porque, você vive em meio às adversidades diárias de cuidar de alguém totalmente dependente, mas, ainda assim, conserva o sorriso no rosto, o bom humor, o tempo para cuidar dos que ama e acolhê-los como você tem feito com Henlerie. E mais, tempo para me fazer feliz, pois, é isto que você me faz: muito feliz. E, eu quero declarar diante destas pessoas que representam tanto para nós, o quanto eu amo você, e, a partir de hoje, eu quero que saiba, que você é a única mulher, que me fez desejar estar do lado para o resto dos meus dias. O meu sonho, desde que, eu te conheci, é envelhecermos juntos.
A esta altura Made chorava, e Valerie, ao meu lado, também. A comoção era muita.
Araon prossegue:
— Baseado nisto, eu quero te perguntar, você também compartilha deste desejo? Pois, se sim, eu te faço outra pergunta. Quer se casar comigo? Quer se tornar a minha outra metade? Por que você é a única mulher que me fez considerar esta proposta. Eu quero muito poder estar ao seu lado ajudando nesta jornada com a sua mãe. Eu quero poder estar ao seu lado te dando suporte nas horas difíceis. Sendo o seu consolo e conforto. Como eu já tenho me proposto a ser, a única coisa que irá mudar é que este será um compromisso para vida toda. E aí?
Made estava muito emocionada, mas, visivelmente, muito feliz. E respondeu entre lágrimas:
— Claro que eu aceito, seu fofo! Como não aceitar? Eu amo estar ao seu lado Araon, você torna minha vida mais feliz, meus fardos mais leves, meu estado de humor sempre melhorado. E você tem se revelado o homem ideal para mim, amor. Eu sempre imaginei que tipo de homem toleraria o meu jeito espevitado e extrovertido de ser. E você, dia a dia tem se mostrado como este homem para mim, com o seu jeito também, bem-humorado, agradável, sorridente e brincalhão. Você consegue transformar uma situação de caos em algo mais leve. E isto é tudo o que eu preciso Araon, minha vida já é pesada, em função das responsabilidades que eu tenho, você a torna mais leve. Amo você! E quero sim, me casar com você! Me tornar sua companheira, é claro que eu quero, eu só me preocupo com a mamãe você sabe, eu não posso deixa-la...
Araon sorri e diz emocionado:
— Eu nunca te pediria isto meu amor. Muito pelo contrário, eu quero te oferecer todo o suporte para cuidar, cada vez melhor dela, mas, sobre isto falaremos depois. Mas, então, em posse da informação de que você me aceita como seu esposo...
Araon retira uma caixa aveludada do bolso, abre, retira algo de dentro dela, para em seguida, colocar nos dedos de Made, tanto o anel quanto a aliança de noivado. E dá a ela a sua aliança, que ela prontamente desliza sobre seu dedo.
E eles se abraçam e se beijam, oficializando o noivado.
A partir destes atos, todos abraçam-se e confraternizam-se.
Tio Heitor, toma o seu lugar, fechando o momento:
— Bem como último ato agora, nós iremos agradecer e selarmos este momento diante de Deus: “Senhor Te agradecemos por este dia, pela alegria de vermos os nossos filhos se encaminhado depois do longo percurso que passaram debaixo de nossos cuidados. É maravilhoso saber que eles estão dando continuidade as suas vidas, a partir de nossos ensinamentos. Te agradeço demais, pelo passo de Araon e Made. E eu também Te agradeço, em especial, por Henry e Valerie, pela forma maravilhosa que o Senhor tem conduzindo-os mesmo diante das provações. Agradecemos por estarmos todos reunidos neste momento, entre amigos e família. Continue sendo conosco. Em Nome de Teu filho.” Amém!
A partir daí a noite torna-se ainda muito mais alegre, o jantar é maravilhoso, as conversas são divertidas e a harmonia está em toda a parte. Elise e Érion, tocam um acústico para nós.
Após algum tempo, Araon se aproxima muito feliz, e conta, a mim e a Valerie que Made aceitou ir morar em Grewnville, após se casarem, e minha princesa quase pula de tanta alegria pelos dois.
Todos nós, dançamos muito, inclusive, desfruto demais deste momento com Valerie. Lembrando-me a todo momento o que houve da outra vez.
A noite foi linda, perfeita, e melhor foi o término dela, dormindo em paz, com o meu grande amor em meus braços. Isto foi melhor ainda.
***
Um mês se passou...
Eu nem acredito!
Um mês muito corrido. Para Valerie especialmente, que teve muito trabalho, eu tenho que admitir.
Há uma parte árdua para a noiva: Convites; trajes, comidas, bebidas, e, afins.
Os trajes, apesar de estarem todos comprados, foi preciso enviá-los a cada responsável, para que fossem colocados nas devidas medidas, pois, com todas as provações vividas, eu e Valerie, perdemos peso consideravelmente.
Ainda bem, que a tia Clara ficou a frente de tudo, porque haviam escolhas mais trabalhosas, com muitos itens a se considerar, como no caso das comidas, este simples item era subdividido em: bolos, bombons, compotas, torta, entradas, pratos principais, dentre outros. Assim, a tia, apenas deixava as escolhas essenciais para Valerie fazer, e a poupava de uma série de coisas.
No entanto, ainda assim, a minha linda esteve ocupada o tempo todo. E eu, procurei estar ao seu lado a cada momento, dando todo o suporte necessário.
Dartanhã intensificou todo o nosso tratamento, agora que estávamos juntos novamente em Livergoorn. Porém, faltando exatamente uma semana para o casamento, ele nos liberou para irmos embora para Daggorhorn. E também das consultas por dois meses, mas, nos deixando livres para procura-lo numa necessidade emergencial. Valerie estava muito melhor e eu também.
Com as mudanças de preocupações e prioridades, aos poucos, as memórias da minha linda, começaram a dar sinais.
Ela sonhava com lembranças: sonhou com nosso noivado; com a morte de Peter; alguns detalhes de nossa primeira vez juntos, nos amando. E era sempre um processo difícil, pois, ela acordava desorientada e eu tinha que me sentar com ela pela madrugada e ajuda-la a reconstruir as cenas, e aos poucos elas iam voltando e se reconfigurando em ordem, na sua mente.
Outras memórias vinham por meio de flashes, e eram sempre em momentos inusitados, ou em momentos em que fazíamos algo que remetiam aquela memória específica que vinha.
E era maravilhoso ver o seu progresso. Mas, ainda assim, era desgastante para ela, consumia muito de sua energia, mas, ela se empenhava por saber o quanto era importante para mim. Eu já estou extremamente satisfeito com ela como ela está, mas, eu confesso, é muito gratificante, vê-la pouco a pouco, passo a passo, voltando a recuperar suas memórias.
Em um dado momento, Will veio até nós, conversou bastante conosco, e, nos aconselhou a permanecermos com os serviços de Aquiles e seus homens, por cautela e precaução.
Assim, o dia em que eu me sentei para falar com Aquiles, a respeito, pois, na realidade, a minha preocupação era a lua de mel, eu realmente queria privacidade com Valerie, Aquiles me disse sinceramente:
— Olha Henry, eu tenho pensado em o quanto vocês realmente precisam deste tempo, juntos e sozinhos, mesmo. E, ocorreu-me uma ideia. Eu irei compartilhá-la, e você me diz o que pensa. Porém, eu preciso compartilhar algumas coisas, com você, que eu creio que seja o tempo.
Ele disse e eu respondi:
— Claro Aquiles, eu estou à disposição para te ouvir...
— Bem, — Aquiles disse. – Desde que, eu assumi o compromisso dessa missão junto a vocês, por algum motivo, que na época eu desconhecia, eu tinha absoluta certeza, em meu íntimo, que esta missão me colocaria muito próximo de desvendar todo o mistério por trás da morte de Irina. E também, que ela iria mudar muito o meu destino. Desde que eu vi o sentimento que moveu a você fazer tudo o que fez, e tem feito por sua Valerie, eu vi muito de mim e Irina em vocês, e claro, aprendi muito e expiei muitos dos meus erros e dos meus demônios interiores, acompanhando toda a jornada de vocês, e sei que você sabe disso. E, eu não estava errado em nada que eu senti, porque realmente tudo o que vocês passaram, me conduziram a realmente elucidar uma boa parte do que houve com Irina. Porém, você sabe que ainda falta algo...
Neste momento Aquiles hesitou, e senti que a atmosfera mudou. E, claro, todos os meus instintos, me avisaram que ele agora falaria algo que me deixaria muito desconfortável, porém, ele estava sendo extremamente cauteloso, pois, realmente admirava demais a mim e a Valerie e temia sobremaneira, quebrar a nossa confiança.
Por eu continuar em silencio, porém, mantendo firme, o meu olhar em seus olhos, ele respirou fundo, ponderou, e assim, ele disse:
— Por tudo o que tenho vivido e presenciado junto a vocês Henry, — agora ele me chamava pelo nome. Evidenciando que, estava falando como amigo, e não apenas como o guerreiro Aquiles que eu contratei. – Me perdoe, sinceramente, em tudo o que vou dizer, porque, jamais, a minha, intensão, será invadir a privacidade de vocês, e hoje, eu tenho absoluta certeza, que você sabe, que eu, em hipótese alguma, faria algo para prejudica-los. Muito pelo contrário, eu daria, realmente, a minha vida para defende-los e protege-los. Mas, eu acredito que chegou o tempo de você saber que, toda a minha experiência de vida e também, as minhas vivências como guerreiro, fez-me perceber, observar, e ter convicção de que há algo muito sério, sobre Valerie que vocês guardam, como segredo, a sete chaves.
Bem quando ele pronunciou estas palavras, eu congelei.
Ele me observava atentamente, creio que, experimentando o meu humor e sendo extremamente cauteloso, antes de prosseguir.
Eu sempre soube que Aquiles sabia muitas coisas, que ele possuia muitas experiências.
A maior prova, foram as coisas que ele sempre compartilhou comigo, inclusive sobre Lobisomens. Situações que mais tarde, eu descobri serem verdadeiras, através do que houve na captura de Valerie e na convivência com Will, que me comprovaram isso.
Porém, mesmo sabendo o quanto ele é atento e observador, principalmente, levando em consideração a sua função, eu jamais previ, que ele faria a conexão.
Porém, quando ele conclui as suas palavras, eu compreendo que, para alguém como ele, é óbvio que não passaria despercebido.
— Olha Henry, eu não vou força-lo a falar, jamais. Mesmo por que, eu sei que o que está e sempre esteve em jogo para você, é a segurança de Valerie e a confiança entre vocês dois. Eu sei, que isso envolve um segredo dela. E, eu não colocaria você em maus lençóis com ela, nunca. Porém, eu estou lhe dizendo tudo isso, para que você considere, que todas as minhas experiências, estão a serviço de ajudar vocês, mesmo por que, hoje eu tenho absoluta certeza, que meu destino e o de Irina, está ligado a vocês. Não tenho todas as evidências ainda, do que estou dizendo, porém, eu prometo a você que assim que eu tiver, você será o primeiro a saber. Porém, eu quero e preciso que você saiba, não me escapou a capacidade que ela tem de prever as coisas, a sensibilidade para pressentir o perigo, a preocupação que ela despertou em Will e o seu Clã de protege-la. – E assim, ele conclui, sendo muito discreto, como ele é mesmo, porém, deixando-me ciente de que sabia de algo. – Eu sei Henry, que ela é especial. E, é óbvio, que eu também sei, que você daria a sua vida para protege-la. E, eu já dei inúmeras demonstrações do que direi agora, porém quero dizê-lo olhando em seus olhos, para que jamais duvide: independente de você me pagar ou não para isso, você poderá contar comigo, enquanto eu viver para assegurar a sua proteção, a dela e inclusive dos seus filhos.
E com o que ele disse no desfecho, eu tive a absoluta certeza que ele realmente sabia do que se tratava, e estava selando comigo uma aliança, um compromisso de estar ao meu lado para o que viesse, seja o que fosse, que estivesse reservado em meu futuro com Valerie.
O olhar que eu lhe retribuo agora, é de confirmação e agradecimento, e sei, que ele sabe que, no momento, eu não posso dizer muito, pois, realmente, eu apenas faria isso, com o aval e consciência de Valerie, e como ela ainda está se recuperando, este não é o momento.
Assim, ele conclui:
— Bem.... Eu disse tudo isso para chegar onde quero agora. – Ele respira fundo.... – Eu sei que vocês ainda precisarão de proteção por muito tempo, e realmente, eu quero me manter firme nisto. Porém, eu sei que vocês precisam deste momento de refrigério e privacidade. Sendo assim, proporei que, assim que vocês, viajarem, no outro dia, eu siga viagem para o Reino, com Camelot, mesmo por que eu e ele, recentemente obtivemos evidências, de que, algumas partes do quebra-cabeça, sobre a morte de Irina, se encontra no Reino, e por estar nesta missão, eu não estou tendo a oportunidade e nem ele, de acessá-las. Assim, unindo o útil ao necessário, se você concordar, vou para lá em busca das certezas que eu preciso, e fico por perto para o caso de precisarem. Eu irei me manter sempre em contato e deixarei o caminho livre para que possam me localizar a qualquer momento. E assim que vocês retornarem, eu e Camelot retornamos. O que você acha?
Toda a consideração de Aquiles me fez pensar e pensar muito.
Ele aguardava por uma resposta minha, porém, em seu olhar, me mostrava que sabia que eu tinha muito a ponderar. Assim, ele permaneceu me olhando e esperando com paciência.
Depois de um tempo considerando cada coisa em minha mente sobre suas palavras eu disse:
— Bem, Aquiles.... Primeiro, eu quero te agradecer, por sua lealdade e pelo compromisso que acabou de fazer comigo, e devo dizer que, você está certo em muitas coisas, e você também sabe, que no momento, justamente por Valerie, eu não posso falar muito a respeito. Eu devo lhe comunicar, que quando chegar a hora de conversar com ela sobre isso, eu terei de conta-la ao menos um pouco sobre o que houve a Irina, até mesmo para confirmar o que ela sempre sentiu sobre os nossos destinos estarem ligados e para que ela compreenda por que se tornou tão pessoal para você a morte de Mildrad, por que eu acredito que com o tempo, essa percepção a atingirá. Porém, quero que saiba, aceito a aliança que você está fazendo comigo, visando a nossa proteção, e faço neste momento, uma com você, que estarei à sua disposição, no que eu puder, para te auxiliar no desfecho sobre a morte de Irina.
Ele me olhava, com gratidão agora.
— Eu quero que saiba que, Valerie mesmo antes do coma, sempre soube que, o seu destino estava ligado conosco. – Ele sorri neste momento. – E talvez esse seja um dos motivos por termos nos apegado tanto a você. E, agora respondendo a sua pergunta, sim, acho uma excelente ideia o que propôs sobre estar no Reino no período de nossa lua de mel, porém, mantendo a distância necessária à nossa privacidade, e eu te agradeço imensamente por isso.
Aquiles sorri e diz:
— Obrigado! E quero que saiba que, quando você sentir que for necessário, não me importo que compartilhe com ela. E agora, e vou comunicar ao Camelot, e reestabelecer as coordenadas com os outros para o período em que estivermos fora.
E assim ele sai.
Após a conversa com Aquiles, desviei-me do assunto que tivemos, porque, eu sabia que tudo aquilo consumiria muita energia minha e muito tempo para pensar em muitas coisas, porém, agora, as vésperas do meu casamento, este não era o momento, eu deixaria para lidar com isso depois.
***
Milagrosamente, após todo o percurso árduo e doloroso que eu e Valerie fizemos, encontramo-nos na véspera do nosso casamento...
Hoje, como estamos com tudo adiantado, graças ao tanto que corremos antes, nós tiramos o dia livre para nós.
Eu e Valerie, decidimos passear boa parte da manhã.
Eu dei folga a Aquiles e Camelot, para resolverem algumas coisas e eu e Valerie saímos sozinhos.
Mas, certamente, eu fui, totalmente, armado, na carruagem. Porque, apesar dos nossos inimigos estarem fora de alcance, eu não facilito de forma alguma. Principalmente depois do aparecimento da matilha de lobos, no dia da captura, que querem Valerie para algum propósito macabro.
Em contrapartida, eu fico mais sossegado, pelo fato óbvio, de que, temos Aquiles, que eu sei que onde quer que esteja, tem olhos atentos sobre nós. Ele realmente é excelente no que faz, e tem muito apresso e consideração a nós.
Nós também temos o Will, que acabou se tornando um grande amigo, que compartilha de minha preocupação com a segurança de Valerie, apesar de, se manter a distância. Porém, se precisarmos, sabemos que podemos contar com ele.
Por falar em Will, ele disse que virá ao casamento.
Pensar em Will, me faz lembrar que, Valerie, ainda, não deu nenhum indício de que se lembra de algum episódio da captura. E eu sei, que quando o fizer, terei de deixa-la ciente de que sei do episódio com os lobos.
Valerie e eu, passeamos por boa parte da manhã, e, por fim, decidimos ir para nossa casa na Vila a “Casa do Lago”, aproveitar o terreno, e ver os preparos para o casamento.
Porém, ao inspecionar tudo, enquanto Valerie está no jardim muito feliz, cuidando e admirando as suas rosas. Identifico uma iluminação com problemas na varanda do nosso quarto. Eu digo:
— Amor, eu preciso e vou acertar uma iluminação lá na varanda do nosso quarto, assim que eu terminar, eu volto.
Ela me olha alarmada e diz:
— Henry, tome cuidado, por favor. É muito alto lindo, deixa para alguém ver isto depois.
Ela contesta muito temerosa. Mas, eu insisto:
— Amor, eu não posso fazer isso, porque, a partir do período da tarde a correria começa, e, amanhã cedo, nos casamos. Na parte da tarde, nós viajaremos e o casal que virá para ver a casa, com o objetivo de aluga-la, poderá vir a qualquer momento a partir de domingo, então, eu preciso deixar tudo pronto, pois, não estarei aqui Valerie.
Ela aproxima-se, beija os meus lábios e diz:
— Tudo bem, só tome cuidado amor, precisamos estar atentos, está tudo correndo tão bem, até agora. Como sei que você é extremamente maníaco por ter tudo em ordem, eu não vou insistir para você desistir. E, enquanto você o faz, eu vou preparar a esteira e a toalha com os alimentos para lancharmos quando você descer.
Dou-lhe um sorriso, por constatar, em suas palavras, o quanto ela já me conhece.
Assim, eu beijo os seus lábios, com carinho e digo:
— Acalme-se, meu amor, amanhã a esta hora você será minha esposa, nada vai mudar isto princesa, nosso amor venceu todas as adversidades, confie... E, assim que eu descer, comeremos então...
Ela sorri, beija-me novamente, e, seu beijo tem uma grande pontada de preocupação. Porém, eu não digo nada, por que eu acredito que se eu levantar o assunto, ela não me deixará fazer o que eu preciso.
Eu entro na casa, e sigo em direção à varanda do nosso quarto...
Fico admirado por ver o quanto eu consegui fazer em tão pouco tempo, com o objetivo de dar uma vida melhor e estável a Valerie, minha sogra e minha avó.
O conselho do tio Heitor de aceitar parte da recompensa por capturar Mildrad e os benefícios e licença remunerada pela Guarda, foi muito bem vindo e extremamente sábio, porque me permitiu investir para aumentar muito o nosso patrimônio, e sem passar por aperto financeiro.
Vovó diz, que tanto o papai quanto a mamãe ficariam muito orgulhosos, com tudo o que tenho conquistado.
A própria Valerie diz para mim que tem um orgulho enorme da maneira que eu conduzo e administro as nossas coisas e o nosso futuro.
Esta casa mesmo, ampliará muito as entradas mensais, já que ficará alugada até Valerie decidir vir morar aqui. O que eu creio que demorará muito.
Após algum tempo verificando o problema da luminária, identifico que é um fio interno que está rompido. Acerto-o.
No momento em que coloco a luminária de volta ao seu lugar, e preparo-me para descer, desço um pé em falso, posicionado de uma forma que perco a firmeza ao descer pela escada. Então, o meu pé escorrega, e por estar próximo ao parapeito da terrazza, ele passa direto. E, antes que eu consiga agarrar as mãos, com mais força, para suportar o meu peso, escorrego, e caio do terceiro andar em queda livre...
A adrenalina é enorme, e o meu desespero sobre o que vai ocorrer a Valerie se algo me acontecer, me consome... E saber que ela me pediu cuidado...
Mantenho-me em silêncio, esperando o impacto com o chão, porém enquanto caio, olho em sua direção, ela está tão linda, mas, surpreendentemente no momento em que meu coração se angustia por ela, ela olha em minha direção.
Ao ver o terror em seu olhar pelo que está presenciando, meu peito dói desesperadamente. E é no mesmo instante em que eu sinto o impacto, e instantaneamente algo dentro de mim, parece se romper, e a dor é tão grande que rouba o meu fôlego, no mesmo momento em que eu sinto todo o ar fugir dos meus pulmões pelo impacto...
Tento respirar com dificuldade.
Tudo em mim dói profundamente, cada parte de meu corpo. Principalmente o meu abdômen e suas regiões periféricas.
Minha visão começa a ficar turva, sinto gosto de sangue na boca e tento levar a mão até o meu rosto. Ao fazê-lo, e, com muita dificuldade, passo-a na boca e nariz.
Imediatamente, eu constato que ela volta banhada em sangue e sei que, pela dor e pela quantidade de sangue que flui pelos orifícios da minha face, compreendo que eu estou com uma hemorragia interna.
Sinto o sangue fluir cada vez mais, e tento colocar a cabeça de lado, para não sufocar.
Ouço ao longe o grito desesperado de Valerie se aproximando:
— MEU DEUS! HENRY!
Tento olhá-la, e mesmo com dificuldade, vejo ela correr em minha direção aos prantos, gritando:
— HENRY, AMOR, HENRY!
Ela aproxima-se angustiada, e ajoelha-se ao meu lado e fica desesperada ao ver o meu estado, acredito que, certamente, o fluxo de sangue é maior. Pois, sinto-o fluir com liberdade.
Ela pega um lenço e começa a limpar-me, vira ainda mais o meu rosto, com cuidado, tentando dar espaço para o sangue correr, com medo, creio eu que, eu sufoque. E, ela vai dizendo:
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Henry meu amor, fala comigo. Por favor, príncipe, não me deixa. Preciso de você. “Ah Senhor, cuida dele, não deixe nada de ruim acontecer a ele, eu Te peço”...
Tento falar, mas não consigo, a força me falta, ergo a minha mão e toco o seu rosto e ela chora muito, e diz:
— Amor fala comigo, por favor Henry, o que eu posso fazer lindo?
Começo a tossir tentando falar, mas o sangue dificulta.
Ela põe minha cabeça em seu colo, para que eu a tenha mais alta para evitar sufocar, e aí com esforço eu consigo dizer:
— Ei prin... cesa. Não... Chore. Por Favor, Valerie.
Ela está angustiada, mas, diz:
— Príncipe, não se esforce. Fique quietinho, eu vou tentar fazer algo.
Ela pega a sua capa que está vestindo, enrola, fazendo volume, ergue um pouco mais a minha cabeça e, coloca a capa por baixo para que eu fique com a cabeça erguida.
Em seguida, ela corre até a carruagem e pega algumas coisas e volta correndo, traz a maleta de primeiros socorros e uma adaga. Creio que a adaga é para o caso de ela vir a precisar cortar algo.
Vejo o seu desespero em tentar fazer alguma coisa por mim: ela olha de um lado a outro como se quisesse ajuda, mas, quando percebe que estamos isolados se desespera e diz:
— Henry por favor, meu amor, aguente firme, eu não posso te deixar sozinho.
Sinto a sua mão em meu pulso e ela chora ao senti-lo e sei que é por que deve estar fraco.
Ela acaricia o meu rosto, limpa o sangue o tempo todo, e beija os meus lábios. Mas, eu vejo todo o terror e sofrimento em seu rosto. Valerie está sofrendo muito. E aquilo me despedaça.
Toco o seu rosto com a pouca força que eu tenho e digo:
— Ei minha princesa.... Fica calma... Eu amo... Você!
Ela me olha suplicante e angustiada e o seu choro é muito dolorido.
De repente, o seu olhar desfoca, e ela fica em estado de choque. Quando sai do choque, ela põe rapidamente uma mão na cabeça enquanto faz uma careta de dor, e aperta bastante os olhos quando parece se intensificar.
Ela geme e sei que é de dor, e também sei que é a sua cabeça. Valerie ainda não pode sofrer abalo emocional. Essa consciência me desespera e eu digo...
— Princesa, por favor, vá se cuidar, você não pode se abalar...
— O QUÊ?
Ela diz brava;
— Eu não saio daqui sem você, Henry. Ninguém me tira daqui.
Sinto a minha dor aumentar e minhas forças se esvaírem. E, aproveitando que ainda me resta um pouco de forças, eu agora a olho profundamente, enquanto peço em silêncio:
— “Senhor, por favor cuide de Valerie. Eu não sei o que acontecerá comigo, mas, cuide dela, ela já sofreu tanto. Perdeu tanto. E, se assim aprouver a Ti, me poupe da morte por amor a ela. E cuide dela por mim. Eu sei que o Senhor sabe que, eu amo-a muito Senhor! Em Teu filho, amém!”
Valerie parecendo perceber que eu já estou sem forças e me distanciando, diz:
— Nada disso, nada de me olhar com este olhar Henry, você não vai me deixar amor. Pelo amor de Deus, fica comigo, eu não posso perder você.
Ela dizia apavorada e aos prantos.
E, eu somente consigo dizer:
— Eu amo você amor, cuide-se...
— NÃO HENRY, NÃO VÁ! POR FAVOR, AMO VOCÊ PRÍNCIPE! NÃO ME DEIXE!
E, naquele momento, uma dor enorme irrompe dentro de mim me sufocando, no mesmo instante em que uma grossa e espessa escuridão me envolve, enquanto ouço e vejo ao longe, Valerie chorar desesperadamente me abraçando...
***
POV LOBO PRATEADO
Uma das coisas mais impressionantes na vida de lobo, e que faz muitas agruras valer a pena, é a sensação de liberdade ao correr pela floresta e explorar vários territórios.
Sentir os cheiros variados das flores, da terra, dos arbustos das folhas, das águas, quando estou próximo a alguma fonte.
Meu olfato de lobo nunca me engana, sinto o cheiro do sangue repleto de adrenalina de uma presa diante do seu predador.
Sinto o cheiro do medo, da brisa, de sangue... Cheiro de sangue?
A brisa que passa por mim, traz um cheiro peculiar de sangue humano. A essência é conhecida, mas, eu não consigo, de imediato, decifrar de quem seja. No momento em que eu sinto, o meu companheiro de jornada também o sente, e, nós, nos olhamos e nos comunicamos em pensamentos.
Porém, quando começo a tentar buscar mais detalhes olfativos na fragrância para identificar em minha memória olfativa de quem será o cheiro familiar, uma dor, uma pontada de angustia, irrompe em meu peito, me roubando o ar.
Entretanto, imediatamente, eu identifico que a dor, não é minha, é externa a mim, mas, também é uma dor familiar, acompanhada, por um desejo de morte, com o objetivo de aplacar um profundo sofrimento. O que estou sentindo, é algo tão angustiante que comprime o meu peito.
E, no momento exato que a nota essencial referente ao sofrimento chega, identifico de onde vem a dor: é de Valerie, seu coração está em sofrimento e agonia profunda, como no dia da captura, e, sei que algo não está bem com ela.
Em uma velocidade extrema, eu e o meu companheiro, seguimos em direção ao cheiro e ao instinto, o mais rápido que podemos.
Incrivelmente, com a proximidade do casamento dela com Henry, eu me encontro nas redondezas de Daggorhorn.
Minha mente processa rapidamente as lembranças do dia da captura. E, ao comparar as notas de sofrimentos, daquele dia com as de agora, tão semelhantes, me recordo que ela sofria por acreditar que perderia Henry, e ali também, ela desistiu de viver. E, neste momento exato, me ocorre de quem é o cheiro de sangue: É de Henry...
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