A Galinha Psicocótica

17 De Morte em Morte a Galinha Enche o Papo


Notas iniciais
Mais uma vez, desculpa pela demora. O notebook do titio abelho está morrendo aos pouquinhos; recentemente foi o cooler que arrumou a mala aê e pegou a rural, que desabou. Já tia jaded tá ocupada; ela se divide entre os ofícios de universitária, escritora, artista e psicótica. Fica um pouco complicado postarmos regularmente, mas estamos trabalhando sim na cocosa ♥ Falando nisso, estamos nos aproximando do fim! Qual o segredo entre Prata e Emílio¹? A granja vai, realmente, se instalar no sítio dos Mungunzá? Qual será o destino de Chico Mungunzá e seu filho? Descubra a resposta dessas e de outras perguntas lendo o restante da história de Jessie! Obs.: não espere encontrar aqui a resposta para perguntas como "qual o sentido da minha vida?"

— Minha parceira? — Jessie perguntou espantada, pois esperava ouvir qualquer coisa, menos que tinha uma parceira.

— Sim, minha querida, sou sua parceira e estou aqui para te ajudar. Você quer se livrar dessa granja tanto quanto eu, certo?

— Exatamente, mas como? As *cocó* construções já começaram e não *cocó* temos como fazer nada para matar todos aqui.

— Estou ciente disso.

— Então como faremos? Qual *cocó* seu plano? — Jessie perguntou bastante pensativa, andando na direção da voz.

— Por favor, não se aproxime. Não quero ser identificada e cometer os mesmos erros que você.

Aquilo veio como um baque para Jessie. Ela, realmente, estava cega em sua vingança e não percebera que cometera vários erros, como deixar rastros não humanos de sua atuação nos corpos de suas primeiras vítimas. Reconhecendo seus erros, ela respirou fundo e perguntou:

— Cocomo² posso te chamar, então?

— Chame-me apenas de GPP, sua "Grande Pata Parceira"

"Então...", Jessie começou a pensar, "foram realmente *cocó* os patos...". Ela havia entendido que a morte do capataz fora realmente causada pelos patos; mais especificamente por aquela pata escondida na escuridão, sua GPP. Jessie, intrigada, pergunta:

— Se você é uma pata, então por que está me ajudando?

A rixa entre patos e galinhas começou há muito tempo, com o Pato Pateta. Ele era um pato especial, com problemas mentais, e achava que era um galo, convivendo naturalmente com as galinhas. Um dia, porém, ele bate numa galinha, o que foi o suficiente para causar a ira no galinheiro. Nesse mesmo dia, as galinhas empurram o Pato Pateta do poleiro, que cai no pé do cavalo. Alguns acontecimentos depois, o Pato Pateta, querido pelos seus companheiros patos, virou jantar na casa dos seus donos, motivo de comemoração entre as galinhas. Os patos, no entanto, ficaram ressentidos com aquela festança toda; esse foi o gênese da tal rixa aviária³:

— Você não acha que essa rixa está velha demais? Os tempos são outros e não precisamos nos prender a brigas bobas assim.

—É... você deve *cocó* estar certa... Mas como nos livraremos *cocó* da obra?

— Bem, Jessie, aqui está sendo construída uma granja do Sr. Aviner, certo? Bastamos esperar por ele e nos livrarmos dele. Sem chefe...

— Sem obras... — Jessie completa. — Bom plano.

— Obrigada, mas acho que isso não será suficiente.

— E o que você *cocó* ainda tem em mente?

— Acho que você sabe o que tem que fazer, não é mesmo? Tchau, Jessie, te vejo amanhã.

E da mesma forma que a voz misteriosa aparece ela se cala, deixando de responder os apelos de Jessie por respostas. Mesmo sem saber o restante dos planos da GPP, Jessie sabia o que tinha que fazer agora: esperar Aviner aparecer na obra e matá-lo.

*****

Havia se passado dez dias desde que seu Chico e seu filho, Valdo, foram pra Fortaleza, para pôr as ideias no lugar. Querendo saber se Aviner estava fazendo sua parte no trato, Valdo resolve ligar para ele:

— Arô?

— Alô, quem fala?

— Oi, seu Ávine, é o Valdo aqui.

— Desculpa, não posso falar agora, estou dirigindo.

Aviner e Regina, sua mulher, estavam no carro, para ver como estava o andamento das obras. Ele não queria, de modo algum, falar com aqueles caipiras, pois saberia que eles poriam algum empecilho nas obras, mas, nos pensamentos de Aviner, nada que um cheque mais gordo que ele próprio não calasse a boca dos caipirões.

Jessie ouviu o som do carro de Aviner chegando ao sítio. Tratou de ver quem estava saindo dali e assim que verificou que era aquele caubói fajuto e gordo que havia saído do carro apanhou sua companheira de longa data, a faca que matara Galindo e sua única arma contra os obstáculos em seu caminho. A comoção entre os animais foi geral, pois sabiam que aquele homem estava diretamente ligado com as mortes atrozes que viriam a sofrer: patos, porcos e, principalmente, galinhas enlouqueceram. Exceto por uma galinha. "Hoje será seu *cocó* fim".

Regina e Aviner começaram a andar pelas obras, para ver o estado delas e mandar os pobres peões trabalharem mais, coisa de gente louca por dinheiro. Quando Regina se afastou do seu marido, para ver uma outra parte das obras, Jessie aproveitou para chamar a atenção de Aviner; seu belo corpo galináceo era irresistível entre os galos, que sempre arrastavam asa² para ela, e também entre humanos galívoros:

— Eita, bichona gorda. — falou, salivando, Aviner. — Imagina o tanto de peito que ela vai dar. E essas coxa, meu Pai...

Vendo que Aviner estava completamente enfeitiçado pela sua gostosura, Jessie o leva para dentro da casa, que seria destruída no próximo dia para continuar as obras, o mais afastado possível dos peões. O máximo de discrição era necessário naquele momento, qualquer som seria um chamado desnecessário de atenção e não era aquilo que Jessie queria naquele momento. Ela, então, o leva para o antigo quarto de Emília, que ainda tinha algumas roupas, a cama, o travesseiro e outros panos. "Que *cocó* conveniente! Panos para abafar o *cocó* som!"⁴.

Tendo ciência da quantidade de gordura que aquele homem baixinho e peludo tinha, Jessie correu de um lado para o outro do quarto, a fim de cansar o homem. Depois de muito correr pelo quarto e ficar com o cooper feito², Aviner se cansa e se senta à beira da cama de Emília, que fica ao lado da cômoda.

Enquanto descansa, Aviner começa a olhar os objetos de Emília: ursinhos, maquiagens, perfumes, escovas de cabelo etc. Aproveitando que o homem estava distraído, Jessie empunha sua companheira de homicídios e, por trás, lhe corta a parte da frente da garganta com um único golpe. Gritos quiseram vir, então ela parte para a frente de Aviner e lhe dá uma voadora², com a faca, no rosto, entre os olhos⁵, para derrubá-lo sobre o colchão e abafar qualquer possível grito que aquele rico homem possa soltar.

Aviner estava num estado deplorável, pois perdera muito sangue, já que o primeiro golpe também atingira sua jugular, mas Jessie ainda não estava satisfeita. Ela retirou a faca, que estava firmemente cravada no crânio de Aviner, cobriu seu rosto com lençóis, para não ter perigo algum de ser descoberta, e voltou a cravar a faca no corpo de Aviner, desta vez em seu peito peludo. "Ele disse que *cocó* eu daria muito peito? Vamos *cocó* ver se ele dá também.", Jessie pensava enquanto ia abrindo o tórax daquele homem moribundo já bastante debilitado, fazendo "crec" a cada vez que perfurava sua faca naquele corpanzil.

Depois de deixar o tórax daquele resto de homem completamente aberto, expondo ao ar coração e pulmões enegrecidos, Jessie calmamente retira uma das orelhas de Aviner, como troféu, por não ter sido ouvida em momento algum. Ela, então, vai para a cozinha lavar sua faca, quando escuta gritos desesperados. "Já descobriram meu *cocó* trabalhinho?", pensa Jessie, guardando seu troféu e a faca devidamente lavada. Ela, então, vai em direção ao quarto onde acabara de fazer seu trabalho e, vendo que não havia nenhuma movimentação na casa, resolve sair e ver o que houve:

— Nossa Senhora, a dona Regina! O que te fizeram, muié?

Ouvindo gritos desesperados chamando pelo faqueiro ambulante, Jessie entende que aquele era o plano da GPP. "Grandiosa Pata Parceira... Realmente pensando *cocó* em tudo."

No meio daquele desespero todo, um dos peões resolve ligar para a polícia para informar da morte de sua patroa, aquela galinha não encontrada em granjas. Depois de um tempo, o IML e carros de reportagem chegam ao sítio. Jessie, então, procura um "bom e velho amigo" dar as caras e ele surge, saindo de dentro de um dos camburões. "Olá, Prata", pensa Jessie.

*****

Valdo, mesmo estranhando aquela conversa curta que teve ao telefone com Aviner, resolve não dar muita atenção à chamada e continua a conviver normalmente com seus familiares e seu pai, que está num estado mental bem melhor. No dia seguinte à ligação que fizera, no entanto, ele e seu pai resolvem almoçar vendo o Barra⁶ quando são noticiadas mais duas mortes num sítio bastante familiar na Caucaia:

— Eu num disse, meu fii, esse sítii... ele tá amaldiçuado...

Notas finais
1- Garanto que não é um segredo como o de Brokeback Mountain 2- Ah, os trocadilhos :D~ 3- Para mais detalhes, procurem por "O Pato" no Google. Essa é uma história famosa, virou até música. 4- Tão conveniente quanto aquele kriptoniano em Batman vs. Superman. Que filme foi aquele, alguém me explica? D: 5- Estamos falando de uma Ginsu 2000. Isso é totalmente plausível. 6- "Barra" é como é comumente chamado um programa policial que passa na hora do almoço, Barra Pesada. É meio que uma tradição almoçar assistindo ao Barra. Contador de mortes: 10
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.