Notas iniciais
Olá meus fofos e fofas! cocótica chegando ao clímax e vamos tentar voltar com os capítulos semanais, ainda que sem dia certo por que as aulas estão voltando. Esperamos que estejam gostando :3 e, não custa relembrar: os "erros" de portuga nas falas são 100% propositais (sim, amores, meu coração dói por escrevê-los, mas é preciso)

A perícia considerou a morte do jovem como “acidental”, nada mais: o capataz, que havia sido contratado pelos vizinhos de Chico para ajudar na fazenda (a fim de fornecer parte da mão de obra necessária, já que o pobre homem havia perdido tantos filhos), havia tropeçado enquanto tentava pegar um dos patos e batido a cabeça numa pedra pontiaguda e desmaiado, porém, o azar do pobre homem não terminava ai: seu corpo havia rolado, fazendo-o cair de cara num pequeno córrego¹.

A conclusão da perícia é que a pancada em si não fora suficiente para mata-lo, mas ele morrera afogado em um córrego com pouco mais de 3cm de profundidade. Dessa forma, nenhuma suspeita foi levantada contra o fato de que Emílio pudesse ter sido preso por engano e o real assassino ainda estivesse a solta; o que agradou bastante Jessie, que se deliciava cada vez mais com o estado deplorável físico e mental que Chico se encontrava: o pobre homem, que já mal comia e falava com as pessoas, agora começava a pensar que seu sítio estava amaldiçoado ou coisa parecida e que era hora de vender as terras e se mandar para Fortaleza, para viver junto dos poucos parentes que ainda lhe restavam na cidade grande. Jessie, porém, não gostou nem um pouco da decisão do pobre homem e detestou mais ainda por que sabia que já podia haver um possível comprador interessado: O sr. Aviner, dono de várias granjas no estado. Segundo Aviner, a propriedade era grande o bastante para fazer uma granja exemplar e ainda ter espaço para construir seu novo investimento: a granja faria seus próprios sticks de frango empanado² e ainda teria um local para vender frango assado, sempre fresco.

Jessie detestou aquele desfecho ainda mais, suas companheiras galinhas também não ficaram nada contentes e começaram a se ressentir dela... porém, para a Psicocótica, a granja em si era apenas parte do problema, a outra grande parte era: se Chico fosse para Fortaleza, como ela poderia fazê-lo sofrer? Era chegada a hora de agir, já que não poderia mais tortura-lo com a perda abrupta de seus entes queridos, iria antecipar seu encontro com eles... porém garantiria que sua despedida não seria nada fácil e que sua morte seria de longe, uma das piores. Além de tudo, iria impedir aquela granja de se instalar lá e vitimar mais galinhas inocentes.

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—Olá, boa tarde, vim para ver o Paciente Emílio Mugunzá Pinto- Prata mostrou sua identidade para a recepcionista da clínica, que mal se deu ao trabalho de olhar na cara dele, apenas encarou por um milésimo de segundo a foto no documento e voltou a digitar algo para suas amigas no facebook.

—Só um instante – ela respondeu automaticamente e pegou o telefone – sente-se, por favor. – disse, apontando com o nariz o sofá velho da clínica. Prata respirou fundo e foi sentar-se, enquanto ouvia a atendente ligar para uma possível enfermeira e falar algo sobre preparar uma sala ou coisa pare5cida e, claro, tudo isso sem parar de digitar. Passaram quase vinte minutos até que a atendente se dirigisse a ele novamente, dizendo que ele deveria seguir a enfermeira até onde o paciente estava esperando. Prata andou por alguns corredores de azulejo branco e por alguns locais gradeados cuja vista dava para um terreno aberto onde era possível ver pessoas com roupas hospitalares andando de um lado para o outro com os braços estendidos ao longo do corpo, vagueando como que sem rumo em alguma espécie de sonho distante³. A expressão no rosto de alguns dos internos lhe deu um calafrio e ele decidiu parar de olhar, sempre fora fraco para a psiquiatria.... Depois de quase 3 minutos de caminhada chegaram a uma sala.

—Celular, anéis, colares, cintos, chaves, relógio... o senhor não pode entrar lá com nenhum objeto de metal.4– disse a enfermeira, estendendo para ele um envelope de papelão para que colocasse os pertences. Assim que Prata entregou o envelope a enfermeira, ela o lacrou com um grampeador e disse que ele poderia entrar.

Prata respirou aliviado e entrou na sala: um mundo de azulejos brancos que cheirava a éter e que não tinha nenhuma mobília. Emílio estava parado num canto da sala, olhando para a parede, como se lá houvesse uma janela que só ele conseguia ver, Prata sentiu um aperto no coração “meu deus, meu deus, o que eu ajudei a fazer com este pobre” pensou, respirando fundo.

—Emílio – ele chamou, a voz baixa e calma, tentando não transparecer o nervosismo nem a pena. O garoto se virou lentamente para ele e esboçou um sorriso pequeno e efêmero.

—Ora, é o sinhô seu Prata.

—Vejo que lembra de mim.

—E cumu é que eu pudia havê de isquecê? O sinhô também não acredito nimim.

—É por isso que estou aqui.

—Pá modi num credita nimim de novo?

Prata deu um passo para trás e buscou algo no bolso da calça: era uma pena. Ele viu os olhos de Emílio se esbugalharem e o espanto lhe tomar.

—Não Emílio, agora eu acredito.

Notas finais
1) Sim queridos, é possível morrer assim. Vi uma história parecida no Discovery Channel, nela o homem desmaiava e caia de cara na tigela de água do cachorro... e batia as botas :b 2) Frango empanado: esses sticks que a autora já idolatrou muito são feitos com pintinhos machos jogados num processador ainda vivos (e com penas e tudo). 3) Nunca se perguntaram como é um hospital psiquiátrico? Bem, a pior parte é que é assim mesmo, exceto pelos azulejos brancos ... e muitos deles tem locais abertos onde os internos podem fazer terapia ocupacional também. 4) História verídica também. Objetos que podem ser potencialmente usados como armas são proibidos, objetos de valor também. Alguns, como o Hospital Mental chegam a proibir orações e referências a religião durante as visitas aos interno por isso deixar os internos muito agitados (ah, essa última medida já faz tempo, não sei se eles voltaram atrás).