A Gárgula

6 Capítulo 6-FINAL


Notas iniciais
bem...nada a acrescentar...Boa leitura!

Escuro. Muito escuro. E um pouco avermelhado no centro. Então Isabel percebe que são suas próprias pálpebras...fica aliviada, está viva, provavelmente desmaiou no meio de um ataque de pânico em seu apartamento. Rolou um pouco na cama...confortável...não. Algo definitivamente está errado, pensou. Tateou o colchão, cheiro de limpeza se desprendendo dos lençóis macios. Muito errado. A sua conhecida e velha cama, dando ênfase a velha, era o oposto disto, soltava um pó fininho por causa da espuma antiga que estava se desfazendo, tinha algumas pontas de mola que insistiam em tentar empalá-la durante o sono e ao se mexer geralmente os lençóis prendiam seus pés já que possuíam vários buracos provocados por traças. Abriu os olhos, é, não era seu apartamento. Era grande, muito grande, e tinha paredes de pedra escura...do teto pendia um enorme castiçal repleto de velas brancas acesas. Virou a cabeça para o lado, o quarto continha também, uma cômoda acoplada a uma penteadeira, que tinha um espelho ovalado e um banquinho com estofado vermelho, de resto tudo mogno...ao lado da cama com dossel, uma mesinha de cabeceira suportava o peso de um vaso cheio de flores murchas. A porta dupla se destranca com um estalido e é aberta lentamente, Isabel observa com assombro o arrastar da base da porta no chão escuro. Ela ouve claramente o som de asas de cimento se recolhendo, suas lembranças brotam novamente e a jovem se encolhe, o pavor sussurrando docemente ao pé de seu ouvido. Ela espera a gárgula. Para sua total surpresa quem adentra o quarto não é a gárgula, é um homem com as asas dela. Ele fecha a porta em silêncio, os cabelos cumpridos e negros feito breu esvoaçam um pouco com o vento leve que invade o recinto. Isabel observa as vestimentas do homem, parece um nobre, roupas de tons escuros e avermelhados. E então ele se vira. É bonito, mas tem olhos amarelos e venenosos. Se aproxima cada vez mais. E mais. E mais. Atravessando o quarto com uma elegância incomparável. Senta na beirada da cama e se debruça sobre Isabel, as asas de pedra se movem um pouco. Acaricia o rosto da jovem e a beija nos lábios, as asas se abrem num rompante e emolduram os dois. Isabel, tem seu medo transformado em paixão num instante, o homem rasga as roupas da moça deixando-a completamente nua, Isabel em todo o seu esplendor alvo e desnudo, ele paira sobre ela, e suas roupas viram pó, como pedra esfarelada, e ele entra no corpo virgem, se move e move, Isabel abre os olhos, ele tem olhos terríveis e ela se amedronta, o efeito da hipnose passando...na verdade o ato doí e ela começa a se desesperar. Ele solta um rugido, as asas estendidas acima dos dois, ela agora pode ver o rosto dele, os dentes! Deus! os dentes! pareciam dentes de tubarão! várias fileiras pontiagudas e brancas. Ele se abaixa e a beija. Isabel tenta gritar mas engasga com o sangue. A dor do beijo é lancinante. Como tentar comer giletes. O sangue começa a escorrer fazendo carinho nas bochechas da menina e tingindo de escarlate os lençóis brancos. Isabel entra em agonia, lembra que ninguém sentirá sua falta, não tinha amigos, não tinha familiares, não tinha namorado, Adamastor iria se virar como sempre e seu chefe iria simplesmente contratar outra funcionária quando ela parasse de aparecer. A dor não parava, ele estava sugando com cada vez mais força e a garota ficava cada vez mais fraca. Antes de falecer, Isabel olha a criatura nos olhos. E ele murmura devolvendo o olhar: Nunca encare o mal, senão ele te encara de volta. E as luzes se apagam. Isabel embebida em sangue sente a vida a abandonar. Está morta.

9 meses depois...apartamento 320.

Olívia conhece seu novo quarto, não é grandes coisa e fede a coisas velhas mas pelo menos o preço do aluguel é baixo, além do mais o apartamento já está mobiliado e ela ganhou até um gatinho abusado...está se sentindo muito cansada, teve que usar as escadas pois segundo o porteiro, eles ainda estavam fazendo um elevador meio que ás pressas, ele parecia nervoso e se enrolou um pouco na explicação, aliais todos os moradores pareciam esconder algo e a olhavam como se ela fosse uma espécie de presa, um sacrifício ou algo bizarro do tipo. Terminou seu copo de refresco e foi para o quarto, estava com cheiro de guardado então ela seguiu até a janela, o vidro estava rachado, do outro lado da rua ela consegue ver uma gárgula horrenda multiplicada em mil por causa da vidraça trincada. A gárgula parece devolver o olhar. Ela se arrepia e além de não abrir a janela, fecha as cortinas, a sombra de um mal presságio flutua á sua volta. Se deita e dorme entretanto antes de cair completamente no reino dos sonhos ela ouve o som de asas batendo.

Fim!

Notas finais
Bem, gente acabou...mas estou pensando em escrever uma nova fic sobre Gnomos...Até a próxima! (:
beijinhos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!