A Gárgula

1 Capítulo 1


Em Veneza meia noite Alice andava por andar, parou em frente a uma construção abandonada tão vazia que dava depressão, era enorme em beira d'água...sem saber o porquê ficou parada ali, quem olhasse ao longe vendo tanta perfeição em pose tão estática seria capaz de dar por uma estátua, não qualquer estátua mais a estátua de uma deusa da beleza mas esse detalhe não convém. Alice subiu o olhar, subiu mais ainda, alcançou o topo da mansão, lá uma Gárgula horrorosa estava a encarar.

Aos seus pés no reflexo da mansão que se estendia pelas águas escuras e misteriosas de Veneza a imagem da gárgula ganhou vida urrando sem som e provocando ondulações na margem ...daí alçou vôo pela miragem do céu noturno, quando num rasante emergiu se tornando real. Transmutou... um autêntico nobre de cabelos cumpridos e negros em vestes finas vermelhas entretanto portador de grandiosas e terríveis asas de gárgula, agarrou Alice pelos quadris e mergulhou de volta aos seus aposentos no espelho d'água. Submergiram para não voltarem mais à superfície.