A Força D'um Amor (+18)

22 Capítulo XXI A introspecção – dividas com o passado


– Bom dia, meus amores.– Cumprimenta a mulher – então dormiram bem?

– Bom dia ma mãe! Eu dormi muito bem.

– É e acordou com as pilhas recarregadas. – Afirma Dr. João – e tu?

– Também meu amor! Sabia que eu te amo? – Pergunta Dr. Teresa dando um beijo a Dr. João.

– Esse seu pai, vou – lhe contar… – Teresa fala para Mar.

– É assim. Papai, eu estou eléctrica.

– Pois o problema é exactamente esse, com tanta electricidade tenho medo que dês um choque. – Declara Dr. João ao se levantar.

– Já vai? – Pergunta Dr. Teresa estranhando o marido.

– Vou, tenho que ir à praia.

– Espere vai fazer o quê à praia?

– Como assim, vou apanhar sol, nadar no mar – pronuncia o advogado – preciso de estar sozinho. – Confessa por fim. – Por quê?

– Nada não, só não se esqueça que hoje temos que ir às compras.

– Eu não me esqueci aliás como sempre, só que sinto saudades do mar.

– Hum. – Confirma Dr. Teresa. Dr. João sai de casa, e caminha pelas ruas de São Paulo, passa a avenida e vislumbra a praia, desce a rua até à entrada da areia descalça as suas havaianas pretas e pega – as à mão caminha pela areia cheia de pessoas caminha pela escaldante areia da praia de São Paulo até ao mar. Dr. João sentasse numa rocha que ali estava, como que por magia as recordações de seu passado voltam à sua cabeça.

“ Porquê me fazes isto? “ pergunta Dr. João “sabes que eu agora estou casado não posso, nem nunca poderei” diz tristemente. “Sim eu sei que aquilo que deixei para trás é demasiado importante para ser esquecido, assim mas podes não me fazer lembrar a toda a hora, hum…”

Ele despe-se e corre para o Mar, entra, nada quer deixar ali toda a dor e toda a angustia que estava a sentir naquele momento a agua acolhe-o e quase o tira fora, mas João nada para se esquecer há muito que não precisava de ir para o mar, mas agora seria diferente, até porque as recordações não paravam de emergir, mas as recordações do seu passado não param de o fazer sentir de alguma maneira culpado. A cada braçada, a cada pontapé que dá na água ele lembrasse do que deixou para trás, mais sensivelmente há catorze.

beijam-Um passado, muito distante em que ele convida uma linda mulher para jantar os dois vão para um restaurante num hotel. Ela sempre com medo que seu marido apareça. O jantar está agradável, a linda mulher sorri, bebendo mais um pouco de vinho, ao fim os dois dançam, se e ela acaba por passar a noite com João que ainda estudava Direito.

– Amo-te, João! – Repetia ela sem parar.

No quarto com cortinados vermelhos e brancos, uma cama redonda no meio com a colcha vermelha, João beija-a e despe-a, deitando-a na cama apalpa as pernas acaricia-as por debaixo do vestido preto da mulher. Os incessantes beijos percorrem o corpo todo daquela mulher.

Ele sai do mar veste-se e senta-se numa rocha pequena que ali estava, agarra as pernas para si.

– Chega! Isto tem de acabar… – Diz em fúria Dr. João – não é justo que isto continue assim, a Teresa não merece ser traída desta forma. – Dr. João revoltasse e agarra na cabeça com as duas mãos – O que é que tu queres, tens que sair de uma vez por todas da minha cabeça, magoaste-me demais. E agora, ainda me magoas.

O Mar agitasse as ondas formam-se gigantes e desfazem-se nas rochas, o vento levanta Dr. João assiste a uma fúria, uma revolta do mar que o próprio não conhece.

– Podes berrar, não te tenho medo. – Declara Dr. João que limpa a cara – não sou mais aquele miúdo a quem tu fascinavas capaz de ver o mar como seu maior amigo. Que estava sempre aqui a observar-te, a olhar para ti, tu não prestas, és falso, mentiroso e traiçoeiro. – Exalta-se – prometeste-me tudo e eu por ti, tudo perdi.

O dia escurece repentinamente, corre vento, as ondas agitam-se, as pessoas saiem a correr do mar para a areia o mais longe possível do mar, o céu rasga em relâmpago, as aguas criam remoinho. Ouve-se uma voz que brada vindo das profundezas do oceano.

“Eu nunca te abandonei, tu é que te afastaste de mim, João.” Brada a voz vinda das profundidades do oceano.

Enraivecido mas mais calmo Dr. João levantasse, limpa os olhos e pega nas suas havaianas, todos os que estão na praia o olham acusando-o de alguma maneira. Ele olha para a areia que lhe enlaça nos pés, e segue o caminho beira-mar, as pegadas ficam na areia. O advogado vem desgostoso, com os olhos banhados em lágrimas, parece engolir o choro. E caminha praia fora por entre as filas das pessoas. Que enchem a praia, o calor é abrasador o mar irritado, quase ao sair da praia, num café que há ali perto, um jovem do sexo masculino que trajava uns calções beges, alto e com corpo musculado, muito negro devido aos dias que passa na praia, com os seus amigos, abeira-se dele.

– Boa tarde, doutor como é que está?

– Ah! Olá Atenor. Vai-se indo. E tu?

– Eu tôu bém – responde o rapaz.

– Diz o que queres, ou vais-me dizer que me viste e por isso me vieste cumprimentar?

– Mais ao menos isso, sim.

– Mas…

–Mais eu quéro sáber se süa filhá tem falado alguma coisa de mim?

– Não, mais porquê?

– Doutor, você é qui mi podia ajüdar, isto claro si não si importar? O Senhor poderia fala de mim à Mar. – pede o rapaz um pouco embaraçado.

– Não eu não me meto nisso.

Dr. João circunda Atenor e prossegue caminho, até à passadeira, o jovem fica na praia, e corre atrás do pai de Marlisa.

– Mais senhor ajude-me! Ele anda cada vez mais rápido que pode, entra no seu condomínio chama o elevador que vem logo, traz duas senhoras de idade que o cumprimentam.

– Bom dia!

– Viva. – Sorri o Doutor e auxilia as mulheres para saírem.

Entra pela porta que se mantém aberta, por dentro o espaço minúsculo mas confortável era todo coberto a espelhos tinha o chão com uma placa e prime o botão 7º andar onde vive. Fecha as portas e começa a subir, Dr. João pensa mais uma vez no que se passou agora na praia. A sua conversa com Atenor. Ora, Atenor era um rapaz branco, que morava perto da praia, tinha dezasseis anos, provinha de uma família humilde estudioso empenhado em ser alguém na vida, andava no sexto ano, e muito envergonhado para dizer aquilo que disse sabe-se lá o que passou. Quando o elevador pára no sétimo andar, Dr. João abre a porta do seu apartamento. E entra, encontra a sua filha na sala de jantar.

– Filha! – Diz dando-lhe um beijinho na cara – Estás aqui, e sem fazer nada?

– Não é assim que o pai gosta?

– É! A Su está cá?

Sulamita Carneiro é a empregada doméstica interna da casa de Doutora Teresa, sempre olhou pela menina como lhe chama. E agora pela menina Marlisa. Sempre cumpre com as ordens do Doutor João, para ela aquilo que o senhor Doutor disser está dito e não volta atrás, trabalha para ele há sete anos, tendo-lhe a maior estima e consideração.

– Sim, papai é um tédio.

– Porquê?

– Não me deixa fazer nada.

– E acho bem. Já eram horas de te pôr uns travões.

– Mais papai! Eu não sou criança não… – cruza os braços em sinal de amuo.

– Ah ok! Vou tomar banho. – Anuncia ele.

– Papai o que faço? – Pergunta Marlisa.

– Podes ver televisão. – Ordena João ao se encaminhar para a casa de banho.

Entra no quarto, ia para a casa de banho, quando se depara com um interrogatório da parte da Dr. Teresa.

– Já em casa? – Pergunta-lhe Dr. Teresa que estaria a ler o seu livro, sentada na poltrona do seu quarto junto à janela – Costuma demorar mais no mar? – Muda a página do livro – ainda pensa nela?

– Que te interessa isso agora? – Indaga Dr. João mais próximo da casa de banho – Já não troco o nome quando estou contigo; aprendi a amar-te… há noite é contigo que durmo.

– Não é suficiente, diga ao menos como ela se chama? – Questiona a delicada mulher.

– Porquê queres saber? – Retoma a sua marcha.

– Curiosidade, nada mais… – Fecha o livro. E olha nos olhos do marido. – João, João… acho que está a fugir.

– Posso tomar um banho?

– Antes responda-me, ou acha que eu me contento só com metade de si.

– Não é metade. – Retorque Dr. João – eu dou-lhe tudo aquilo que tenho, dei-lhe a minha filha, tudo.

– Só quero que saiba que eu o amo. Mas que não tou nada feliz quando você também não está. – Declara a arquitecta – vá lá tomar banho. Há tarde vamos às compras.

– Ok.

Dr. João entra na casa de banho, em seguida despe-se ao passo que a Dr.ª Teresa Cristina fecha a porta do quarto, arruma o livro em cima da mesa-de-cabeceira e entra na casa de banho a água corre no corpo do Dr. João, a mulher bate na marquise que vedava o polivã, Dr. João abre a porta.