A Força D'um Amor (+18)
28 Capitulo XXVII - Apenas um Sonho Perfeito.
Notas iniciais
*
As ruas de S. Paulo enchem-se, o trânsito aumenta, as pessoas correm de um lado para o outro para os seus trabalhos e, para deixar os seus filhos nas escolas e assim acelerar até aos seus trabalhos. As paragens de autocarro enchem-se de pessoas que esperam por algum autocarro que entretanto passa e abre as portas segundos após cheio parte em direcção ao seu destino. Os comboios chegam às estações e os passageiros correm para as portas deixando o meio de transporte. E saindo o mais rápido possível das estações. Para assim, apanhar outro transporte ou seguirem a pé nas ruas o trânsito aumenta as buzinadelas, as pessoas amontoam-se nas passadeiras e carregam para mandar parar os carros, olham para o relógio, atendem os telemóveis e caminham apressadamente segurando as suas pastas ou malas.
Por volta das treze horas, uma pessoa de bata branca regressa à sala de espera de um hospital.
– Venham!
Três pessoas sentam-se nas cadeiras em frente ao doutor.
– Ora bem, você sofre de Leucemia. – Dr.ª Teresa Cristina chora. – Vai ter de fazer umas secções de quimioterapia, sabe disso não sabe? – A mulher engole em seco e João dá-lhe a mão.
– Sim, sei sim doutor! Mas diga-me, posso morrer?
– Todos nós vamos morrer um dia, eu não lhe vou dar um prazo. Nem dizer que vai morrer. Hoje em dia, há grandes casos de sucesso, a nível mundial, tem é que fazer o que eu lhe digo.
– Senhor Doutor – intervém o Dr. João – o que se pode fazer num caso como estes? Eu não tenho grande experiência com doenças…
– No decurso do tratamento, as relações sexuais cessam, até porque a Senhora Teresa está mais debilitada.
– Diga-me, por favor, um número, uma estatística no qual nos possamos apoiar?
– Vai tudo correr bem. Não é necessário fazer previsões.
– Eu vou rapar o cabelo? – Pergunta a mulher com a voz fina e fraca. -
Provavelmente sim, para que este não caia no decurso do tratamento… – segue-se um triste e angustiante gemido, um lamento profundo de uma voz. – Não é agora, já, já… oiça…
– Vá então, Teresa acalma-te! Deixa o senhor doutor explicar! – Marlisa põe a mão na cabeça da mãe, como forma de a acalmar
– Desculpe!
– Está desculpada mas quero que ouça. Primeiro, vamos começar por uma batalha de análises para ver que tratamento é preciso aplicar. Mais quero qui comece dentro de algumas semanas.
Dr. Teresa engole o choro, limpa a cara, e apenas profere:
– Já qui tem de serr, qui venha ele. – A voz grossa atrapalha-a, corre algumas lágrimas pela face – quali é o primeiro exami a ser feito? – O Doutor está espantado com a determinação daquela mulher. — Exame de Sangue.
Teresa Cristina tinha pânico a agulhas, mas,
– Para quando?
– Tem de marcar no guiché à entrada.
A paciente está arrasada e muito triste. Mas o mais triste de tudo é fingir que não sabe que não é amada pelo marido, o mais triste, de tudo, é enganar-se a si própria dizendo à sociedade que JP a ama como nunca amou. E agora? Agora que estaria doente, quanto tempo demoraria este casamento? Frio, distante, mais frio que um iceberg no Pacifico.
– Teresa Cristina! – Chama João. Ela, embebida em pensamentos, não ouvia o que se passava. João abana-a, tirando-a do transe.
– Que foi?
– É a tua vez…
Dr.ª Teresa dirige-se ao balcão quase que petrificada, no seu passo calmo mas elegante. Apoia os seus braços no balcão e entrega uma credencial passada pelo médico:
– Bom dia! – Cumprimenta-a uma mulher que lhe sorri.
– Bom dia – responde tristemente – éu quéró márcár éstés èxàmis, com o máxímó di urigencia…
A empregada verifica através do computador uma hora que não haja mais ninguém marcado. Encontra um e pergunta:
– Pode ser pár amanha?
– Pode! Tenho que vir em jejum?
– Tem!
*
Lisa adormece, Pipa dá-lhe um beijinho na testa e deixa-a descansar. A jovem está vestida com um vestido azul numa sala grande onde várias pessoas dançam com os seus pares. Um criado, vestido com um smoking azul e umas calças brancas caminha por entre os pares até ela. Ajoelha-se e dá-lhe a mão, que beija com delicadeza. «Como se chama?»
« Ângela, e você?»
« Luís! Concede-me a honra desta dança?» pergunta ele a sorrir com os olhos brilhantes que a cativavam que a arrancavam.
«Sim vamos dançar!» Responde ela ao olhar para os seus olhos. Era um olhar que a encantava, que reproduzia nela uma paz interior sem fim, que queimava o seu coração, que a fazia saltar de alegria. Um olhar que a seduzia, que a deixava sem palavras. Uns olhos azuis poisavam nela, a cada palmo de pele analisando que a desejavam.
Luís deu a mão à senhora, era uma mão forte mas ao mesmo tempo suave. Os dois caminham para o interior da sala, ele abraça-a pela anca e deixa-a sem respirar. Quase sem notar, ele encosta a sua cara à dela e começam um passo acertado de valsa. Os violinos tocam num compasso, tudo é mágico.
O candeeiro imanava uma luz semelhante à do Sol num dia de Verão. No fim da música, Luís sai da sala com Ângela através de uma varanda da qual se podia ver o céu negro com algumas estrelas. A jovem senta-se num banco de pedra junto ao parapeito e Luís senta-se ao pé dela. Os dois falam:
– Diga-me o que faz?
– Trabalho no campo! – Ele poisa a mão sobre a sua.
– Não parece, tem as mãos tão macias, tão suáveis. – Ele, mais uma vez, ri mostrando os seus dentes brilhantes no meio de um sorriso sincero. À luz da brilhante lua que banha os mais apaixonados corações, ela deita a cabeça sobre o seu ombro.
– Desculpe! Mas há certas coisas que não ficam bem.
– Por isso é que não me beija?
– Sim, mais ao menos assim!
Pedro estava na cama e ferrava os dentes como, se por hipótese, contivesse a acção de beijar Ângela, como se fosse pecado ou se soubesse o que viria a seguir.
– Hoje está uma noite bela, – afirma Luís como forma de afastar as intenções daquela doce mulher de o beijar – não está?– Mas a tentação existente entre ambos é cada vez maior.
Luís começa por se aproximar de Ângela. As respirações descontrolam-se, os lábios vermelhos dela roçam os dele e ambos não resistem. Ele acaricia-lhe a cara, a lua ilumina o escuro da noite. Torna-se claro o salão de baile, ela encostada ao seu peito, com as pernas em cima do banco de pedra, os batimentos cardíacos descompassados, acelerados. Até que, finalmente, os seus lábios provam o gosto dos deles, que sabiam a menta. As línguas tocam-se causando arrepios nas costas.
Germinam as ervas daninhas nos campos, as heras sobem pelas paredes, dentro da sala os candeeiros balançam, as mesas encostadas à parede perdem o equilíbrio. As pessoas, assustadas, correm de um lado para o outro.
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