A Força D'um Amor (+18)

11 Capítulo X "Relógio Temporal •Troca de Papéis"


Notas iniciais
Muito boa Tarde,
Caro amigo leitor, deixo-vos aqui mais um capítulo, sabem que o dia de publicação é no Domingo, mas não podia esperar.
Até breve,
Beijinhos.

Pedro abraça Lisa e ambos adormecem. Tomás, que por sua vez já está bastante preocupado como seu amigo, quer ir à sua procura, mas algo o detém. O jovem vê ao longe, por cima do mar, um lindo cavalo branco com asas que lhe chama a atenção. Tomás está encantado com a sua beleza, o cavalo tem um dorso feito de uma crina, toda ela em branco. Montada nele vem uma mulher, a mais bela à face da terra. Ela está a olhar para ele, mas passa ao largo e não o vê. Tomás segue atentamente a mulher, os seus olhos brilham de um castanho muito claro.
Lisa desperta do sono e pensa: o que eu estou aqui a fazer? Olha para Pedro e pergunta de si para si: Quem és tu? O que me fizeste? Porquê eu estou nua? Pedro desprende Lisa, esta sai com cuidado, no fundo até sabia quem ele era, mas parecia que estava bêbeda… ou então drogada. Lisa não se lembrava de nada. Consegue soltar-se de Pedro e levanta-se, veste o biquini e aperta o soutien depois enrola o páreo em volta da cintura e dá um nó com a ponta. Põem-na ao ombro e puxa a parte amarela para a frente dando-lhe um nó que una as duas partes, calça os chinelos e começa a andar, afastando-se mais de Pedro.
Lisa anda pela praia, agora deserta apesar de ainda ser de manhã. A jovem não sabia o que estava ali a fazer nem como fora ali parar, ela detestava a praia, o mar, as rochas, a areia. Não conheceu o rapaz que estava a seu lado. Não sabia o que ele significava. Era algo muito estranho.

*


Decidido a ir chamar Pedro, Tomás levanta-se da areia ainda que intrigado, onde estaria Pedro? Porquê ele estava assim preocupado, com ele? O que ele estaria a fazer ali, sentado junto ao mar? Também Tomás não se lembrava de nada, só da noite anterior, da lua brilhante que viu no céu, de sair com Pedro, deste se embriagar, mas daí a vir para uma praia, Tomás não estava a ver a lógica. Se bem que Pedro gostava do mar, da areia, do Sol, do calor. Ainda com algumas dúvidas Tomás foi à procura de Pedro para se ir embora. Levanta-se da areia, e sacode-se. Caminha em direcção às rochas e vem de contra ele uma rapariga. Os dois esbarram-se:
– Ai! – Dizem ao mesmo tempo que se sentam no chão.
– Ei! Tem cuidado por onde andas!
– Eu? Ora essa, é preciso ter lata… tem cuidado tu! Menino do papá…
– O que é que me chamaste? – Indaga Tomás ao aproximar-se da rapariga.
– Menino do papá. – Provoca Lisa.
– Ah! – Tomás leva a mão há testa – Se tu não fosses mulher…
– Que me fazias? – Inquire Lisa. – Batias-me? – Advinha – Não és homem nem és nada… – Conclui ela.
– Repete! – Exclama Tomás muito sério.
– Pois repito… – Começa por dizer – Não és homem nem és nada…
Foi o que bastou, e Tomás deu meia volta e foi-se embora tapando os ouvidos com as duas mãos.
– Oh tu! Volta aqui… – Grita Lisa.
Sem sucesso pois Tomás já ia longe suficiente para que não ouvisse nada do que aquela louca acabava de dizer.

*


Carla está no interior da florista, havia arranjos por todos os lados, baldes meios de água com sacos nos quais estavam as flores, uma tesoura preta em cima do balcão de mármore. Um spray de água para refrescar os ramos. Depois de arranjados, entra uma senhora de idade, que trajava uma mala pequena nas mãos e uns óculos nos olhos, e dirige-se ao balcão:

– O que deseja? – Pergunta Carla.
– Oh minha fi…, fi… filha – as placas batiam umas nas outras – A sua mãezinha?
– D. Olga, a minha mãe está por detrás da senhora. – Informa Carla.
– Ah… Ah! Isto, to, to já, á, á são, ão, ão as s, s cataratas tas, tas… – Volta-se – Oh, Oh Senhora, ra, ra, Eulipia, ia, ia você ê, ê nem em, em sabe be, be o que ue, ue me e, e aconteceu, eu, eu…
– Então Sê Olga, bons olhos a vejam. – Cumprimenta Eulipia – Diga-me cá o que lhe aconteceu?
– Antão tão, tão ná á, á é, que, ue, ue eu, u, u ontem em, em vinha nha, nha a, a, a sair, ir, ir da, a, a caixa, xa, xa e, veio, eio, eio um rapaz, az, az e arrancou-me me, me a mala, la, la e disse-me, me, me que ue, ue era ra, ra um assalto, alto, alto – a Dona Olga esbugalha os olhos – e não ão, ão tive ve, ve mais ais, ais que ue, ue fazer er, er. Foi oi, oi num um, um instante, te, te que ue, ue ele le, le me roubou, ou, ou…
– Pois, D. Olga, de facto isto não se tem respeito por quem é mais velho…- Comenta Carla.
– Ah! Carla la, la o assunto, to, to que me trouxe xe, xe cá á, á tem em, em a ver er, er contigo, go, go… – Pausa a D. Olga faz uma figura seria, altiva depois muda de voz para uma mais calma – O meu eu, eu neto to, to Edgar gar, gar está tá, tá interessado do, do em ti…

– Olha, Carla é um óptimo partido. – Declara Eulipia. – Podem casar, têm a minha permissão. – Conclui.
Carla tem dezasseis anos e, envergonhada atrás do balcão, olha para o chão sem saber o que responder.
– Sim im, im seria ia, ia um prazer, er, er… – Comenta Olga.
– Mãe – repreende Carla.
– Pronto está decidido, no próximo fim-de-semana a Sê Olga vem lanchar connosco e traz o Edgar. Será um prazer enorme recebe-los na minha casinha. – A notícia não agrada nada a Carla. A Dona Olga estava encantada.
– Mãe! O Edgar e a D. Olga devem ter mais do que fazer… – intervém Carla.
– Perfeito, eito, eito nós, ós, ós aceitamos os, os… – decide a dona Olga.

*


Tomás vê a viola de Pedro no chão e corre até ao local, pensando que ele está ali. Quando lá chega, é a desilusão de não o encontrar. De olhos bem abertos e postos no mar, talvez Pedro fosse nadar, olha atrás de si. Vê muitas rochas, as mais pequenas levam às maiores. Tomás, com medo de escorregar e cair na areia em zona acidentada e que o mar o arraste, começa a subir a primeira mais pequena ao pé da viola. Tira os ténis e leva-os ao ombro. A seguir, passa para outra e anda em cima dela, os olhos fechados tacteando com a ponta do pé. Depois passa para uma rocha enorme à sua frente e caminha sobre ela. Há uma fenda, ele deita-se no chão para atravessar e, no meio, a uns cinco metros de altura, entra a água cristalina do mar. Tomás resolve virar-se ao contrário rastejando, de costas para atravessar com sucesso os dez centímetros de rocha perfurada, passando a sua tarefa. Existe outra subida e o jovem, cada vez com mais calor, vê-se obrigado a tirar a camisola de manga curta e pô-la à cintura. A posteriori sobe ainda mais, para uma rocha de grandes dimensões. Cruzando-a com algum receio, Tomás cai e aleija-se no rabo; começa a esfregar e jura por tudo que ao fim de encontrar Pedro, lhe vai bater. Tomás levanta-se, a rocha escalda e ele quase que salta de pé em pé, até chegar à ponta. À sua frente está uma outra rocha de dimensões idênticas, mas mais fria. O jovem sobe a rocha pela parte mais fácil e caminha sobre ela, até à ponta que a liga a uma rocha mais alta. Consegue a todo o custo escalar até ao cume e vê uma escada do outro lado. Assim, sobe mais outra está a uma altura de cinquenta metros do solo, o calor é imenso mas Tomás não desiste, aquele era o passatempo predilecto de Pedro, ele adorava explorar a natureza, Tomás sobe outra rocha de enormes dimensões, caminha sobre ela, até à ponta e falta pouco para alcançar a escada, depois existe outra de pequenas dimensões e Tomás sobe para cima dela uma pequena rocha cai há água e Tomás por curiosidade vai à borda vê as ondas do mar a desfazerem-se em baixo, ele cai em cima da rocha aflito e consegue agatanhar para o centro, Tomás põe-se de pé, e caminha tremulo até à escada e consegue alcançar uma descida, era quase impossível que Pedro estivesse mais para a frente mas Tomás queria ver onde é que aquelas pedras levavam e caminha de pedra em pedra até à última e quase por espanto Pedro está deitado à sombra dessa rocha, a dormir de lado:
– Pedro! Oh Pedro! – Chama Tomás. Era impossível, a voz de Tomás ia para todos os lados menos para o que ele queria.
Tomás tem a ideia de ir ter com o amigo. Pendura-se na rocha, e os pés tocam na areia da praia, Tomás assusta-se e sobe para a rocha, e anda para o outro lado, atravessando de novo a rocha, e pendura-se outra vez pela rocha abaixo, toca nas calças de Pedro, o telemóvel começa a vibrar e Tomás assusta-se e sobe de novo para cima da rocha, e instala-se de novo o problema como é que Tomás iria chegar a Pedro? Tomás perde o medo e desce pela outra parte da rocha, verifica que tem o pé em areia firme e começa a andar. Ainda temendo, cai de costas em cima da areia da praia:
– Auch! Eu sabia, consegui, Uhuh! Viva. – Exclama pondo-se de pé e elevando os braços para o firmamento. Vê o corpo nú de Pedro no chão, a dormir ainda, e aproxima-se dele.
À medida que avança, Tomás vê sangue e teme que Pedro esteja ferido ali, no meio do nada, ou quiçá morto. Pondo esta hipótese em pensamento, aquele, embora não creia, leva a mão à boca de espanto.
Tapa os olhos e aproxima-se do corpo musculado e esbelto de Pedro.
– Pedro, Pedro! – Aproveita e apalpa Pedro. – Ui, que músculos! Ai! Minha nossa… Senhora do poço Eucalipto! – Pedro continua a dormir. – Controla-te Tomás – ralha consigo próprio. – Pedro, Pedro!
– Hum, chato! – Diz, meio ensonado, Pedro. – Que mania, praia, praia… sempre a mesma coisa. – Desperta por fim.
– Vamos embora? – Pergunta Tomás.
– E ela? – Indaga Pedro.
– Ela… – Responde Tomás – Ela quem?
Pedro abre os olhos. Levanta-se com os cotovelos na areia, olha em toda a volta mas não vê mais ninguém. Ergue-se e caminha para o mar, entristecendo-se ao pensar que aquilo foi uma coisa de ocasião.
Nada onda vai, onda vem e sai fora de água. Veste-se mas não fala a Tomás. Seguidamente, caminha praia fora.
– Espera! – Corre atrás dele. – Ai! Ui! – Escaldando-se aqui e ali nos pés.
Pedro já ia bem longe, de olhos pregados no chão da praia, ora esperando por Tomás, ora pensativo:
– Oh Tommy! Queres que te dê colo? – Inquire – Pára de ser bebé… e anda lá. – Brada Pedro. – Tem vergonha. Vá, está quase…
– Só se for para ti… – Vocifera o amigo – quase, quase uma ova. — Resmunga
O mar vem beijar os pés a Pedro, que está sentado numa rocha, de olhos postos no mar, triste porque sabe que fez mal a Lisa. Mas, na sua perspectiva, não tem culpa da sua vida estar num caos, de não falar a s eu pai, de ver aquilo que viu. Na sua cabeça, recorda: “ Uma rua, junto à estação de Entrecampos, um Modelo na esquina, e defronte à câmara Sérgio. Sim, lá estava ele acompanhado por uma mulher magra, alta. Eu ia a passar nos sinais. E o Sérgio beija a mulher. “ Tomás consegue, por fim, alcançar Pedro.
– Então, meu? – Cumprimenta Tomás. – Já cansado?
– Não. – Esquiva Pedro. -É já aqui que é a saída. – A água do mar banha os pés de Tomás e Pedro.
– Ai! Pedro, vou morrer… – Declara Tomás agarrando Pedro – Não me deixes.
– Tomy! Larga-me! – Ordena-lhe Pedro. – Vamos subir a praia! – Pedro levanta-se.
– Pedro! Posso-te pedir um favor? – Pergunta Tomás, timidamente.
– Vá! Diz.
– Vai mais devagar!
–E posso saber como faço isso? – Interroga-o Pedro.
– Dando-me a mão, por exemplo!
– Ok! Já entendi tudo. – Declara Pedro dando em seguida a mão a Tomás.

*


Lisa, por sua vez entra no bairro de luxo, e caminha até à casa amarela com gradeamento branco a toda a volta. Posteriormente lembra-se que não tem chave. Em seguida, dirige-se para a praça Dom Pedro IV, sobe as sete escadas do D. Maria II e entra, dirigindo-se à bilheteira logo à entrada da porta.

– Paulo! – Lisa chama o empregado.

- Paulo! – Lisa chama o empregado.
— Olá Lisa! Que surpresa Lisa? Que surpresa boa, é sempre agradável rever-te. – Paulo sai do balcão onde vende os bilhetes para as revistas que estreiam no teatro – Ai, miúda, dá cá dois beijinhos. – E cumprimenta a Lisa. – Como é que vais?
— Oh, vai-se andando. E tu?
— Eu também estou bem. Então porquê vieste cá? – Pergunta o empregado. – Não me digas que me vais comprar um bilhete para ver a diva Sónia?

Paulo é um rapaz de vinte e quatro anos. Ele organiza as matinés a estrear em cartaz, adora a Lisa e sempre a viu crescer, apesar de esta o detestar.

— Mas vais-me dizer ou não se a minha mãe está cá – interroga-o Lisa sem paciência – ou preferes continuar a engonhar?
— Ah, sempre sensual, esta miúda… – Põe o cotovelo em cima do balcão – a Sónia está lá trás com a Pipa. – Conclui Paulo.
— Obrigada.
Lisa dirige-se para o camarim da mãe. Após de virar para um corredor estreito, encontra uma porta pintada a marrom escuro e com purpurinas espalhadas pela porta toda. Ao centro encontra-se uma estrela amarela com um nome gravado numa placa branca.

“A estrela
Sónia Valentim “


Lisa bate à porta e espera até ouvir a voz de Pipa do outro lado da porta.
— Sim. – Lisa entreabre a porta.
— Olá Pipa, a minha mãe? – Entrando de seguida.
Era um quarto vermelho com uma janela branca. Tinha uma espécie de um roupeiro onde se guarda a indumentária que se utilizou nas peças de teatro. Ao lado, um cabide de metal com vários apliques de visual que cada personagem utilize e, em frente, um espelho com luzes, suspenso em cima de uma secretária com duas cadeiras. Desce-se um degrau e, na outra parte do camarim, existe uma chaise lounge e um sofá. Sónia visualiza Lisa através do espelho.
— Por onde andaste Lisa Maria? – Pergunta Sónia, preocupada.
— Eu detesto que me chames isso – Responde Lisa – E ainda que mal pergunte, o que tens tu a ver com isso?
— Lisa, Lisa, eu ainda, sou a tua mãe… – ralha Sónia.
— O que eu fiz? – Indaga Lisa, inocentemente.
— Lisa! Eu acho que, desta vez, passaste dos limites! – Intervém Pipa.
— Pára de seres a advogada de defesa da minha mãe… Pipa, isso é ridículo. – Refila Lisa – O meu pai foi-se embora e não querem saber dele?
Sónia aflige-se.
— Ai! Oh Lisa, diz ao que vieste e vai embora, por favor! – Pede Pipa – Vá, a Sónia vai entrar daqui a dois minutos.
— Vim buscar a chave de casa, quando sai esqueci-me de a trazer comigo, e pensei que trouxe.

*


Finalmente, os três padres chegaram à casa paroquial. Isaura, a empregada deles, preparava o jantar. O padre Bernardo, que acabou de arrumar o seu trolley, regressa à varanda voltada para a Igreja.
— Há quem tenha medo de viver ao pé dos mortos – declara o padre Filipe.
— Pois, são os melhores vizinhos. – Acrescenta o padre Manuel.
O padre Bernardo chega e o padre Filipe propõe:
— E se nós fôssemos mostrar a freguesia ao Padre Bernardo?
— Ah, vão vocês… – resmunga o Padre Manuel – eu estou mal disposto…
— Não, ou vamos todos ou não vai nenhum… – Declara o Padre Bernardo.
— Mas eu estou tão bem aqui – justifica o Padre Manuel.