A Fonte

14 Capítulo 14-Anne


Anne e Ed Jr namoravam escondidos pois ninguém na cidade gostava dele. Agora que sua amiga tinha ido para São Paulo, Anne se sentia sozinha e queria ir embora também.

— Ed, vamos embora daqui. Todos os meus amigos já foram, não quero passar a vida toda aqui.

— Ir pra onde boneca.

— Ah, qualquer lugar, me leva.

— E o que vou fazer com uma caipirinha como você?

— Ed, pensei que você me amasse.

— Amar, há,há,há... caipirinha fácil

— PLAFT! Você é um canalha.

— Qual é boneca, você gostou... vem cá que tem mais.

— Me solta!

— Anne, tudo bem aí?

— Quem é esse?

— É o Carl...

— E o que ele quer?

— CARL... não é nada, vá embora.

— Tem certeza Anne, você não quer que eu...

— Não, já disse, não se mete.

— É não ta vendo, é só briguinha de namorados – zombou Ed.

Como ele ainda estava se aproximando, Anne atirou seu sapato nele:

— Já disse, suma daqui seu bocó.

— Há, há, há...isso vai para saia da sua mãe – gritou Ed.

Carl foi, mas ainda olhou várias vezes para trás para ter certeza de que Anne ficaria bem.

Anne abraçou Ed e eles se beijaram. Ficaram rindo muito da cena.

Depois Anne pensou, aquele sapato que atirei no Carl, que estranho, pareceu a melhor coisa que eu fiz na vida.

Ela sabia que não tinha mais ninguém. Apesar de desconfiar quando Julianne brigou com a mãe por causa dela:

— Mas mãe, a Anne é minha melhor amiga, por que ela não pode dormir aqui?

— Já disse que não, não gosto dela e pronto. Maldito seja o dia que seu pai resolveu vir para cá. Existem milhares de cidades no interior, todas tranqüilas e ele quis vir justo para cá. Como é que ele sabia, nem está no mapa?

Mas D. Naira desconfiava. Quando mudaram para cá, seu marido fazia questão de levar Julianne até a escola e participava das reuniões e atividades da escola. Em São Paulo ele nunca tinha feito isso.

Naira era uma mulher bonita e elegante, quando era jovem, queria estudar e se formar. Mas os seus pais diziam que ela devia arrumar um bom marido e formar uma família. Conheceu o pai de Julianne, ele não era muito alto, era moreno e parecia que tinha origem humilde.

Seus pais gostaram dele:

— Ele é rico! Você nunca vai ter problemas na vida.

É verdade, que problema financeiro eles não tinham, mas ela queria que o marido fosse mais carinhoso com ela e nem mesmo quando a filha nasceu, ele parecia querer mudar. Ele sempre estava viajando a serviço, não tinha tempo, era a desculpa dele.

Então surgiu o problema de saúde e ele mudou complemente:

— Vai ver que ele quer aproveitar mais a vida e participar da vida da filha – pensava.

Até o dia que viu Anne.

Ela poderia ser irmã da sua filha! A mesma idade, mesma cor de cabelo, mesmos olhos castanhos. Julianne era mais alta e magra, tinha o rosto de porcelana emoldurado por cabelos longos e com cachos grandes. Ela havia puxado o seu lado da família.

Anne era mais baixa, morena e com cabelos lisos e lembrava muito as sobrinhas do marido. Se você as visse juntas, acharia que havia um parentesco.

Já vira o marido conversando com Anne, sempre sendo simpático com ela. A desconfiança aumentava mas nunca comentou com o marido e nem com a filha. Quando o marido morreu, ela ficou aliviada, agora se dedicaria somente a sua filha.

Anne achava estranho o pai de Ju ser simpático com ela e a mãe virava a cara. No fundinho ela desconfiava pois na escola todos perguntavam se elas eram irmãs.

Agora não havia mais nada e ninguém para ela. Fez as malas mas antes resolveu fazer uma consulta com Maggie.

Maggie ficou com pena desta garota. Ela estava sozinha, era mediana nos estudos, achou que uma ajuda prática seria mais útil do que ajuda mística. Como a menina queria viajar, deu o endereço de uma sobrinha que era comissária de bordo e morava no Rio de Janeiro. A sobrinha dividia o apartamento com mais duas colegas e elas praticamente não paravam em casa. Anne poderia ajudá-las na manutenção do ape e se ela gostasse da profissão, poderia fazer o curso de comissária.

O Rio era muito diferente de uma cidade do interior paulista e Anne adorou. As meninas ensinaram o inglês básico e ela fazia a faxina, lavava e passava a roupa das meninas. Mas ela não ligava, gostava dos uniformes elegantes, dos perfumes e elas viviam com maquiagem. Passavam os dias viajando e sempre arrumavam alguém interessante, era a vida que ela queria.

Ela se tornou uma comissária de bordo e conheceu o marido, um piloto de uma outra empresa. Eles se vêem quando a escala permite, o que ela acha perfeito.