A Floresta Negra
19 Capítulo 18 -Sacrifício final
Notas iniciais
Os portões do castelo estavam destruídos, seus muros haviam caído completamente. Vários corpos de soldados tanto humanos quanto lobos estavam no chão. Porém a guerra continuava, alguns lutavam ainda fora, outros dentro do castelo:
–Como vamos chegar lá dentro? –Darten pergunta:
–Simples, vamos entrando, se alguém quiser nos matar, é só corta-lo ao meio –Rendel mostra as garras, porem ao olhar Kurayami, percebe algo –você não tem nenhuma arma...
–Não preciso. –ela responde como se fosse a coisa mais natural:
–Como assim “não preciso”? É claro que precisa, estamos em uma guerra!
–Tenho Althair lembra? –ela mostra o colar –e sei me desviar, é só vocês me protegerem até o Selen.
–Achei que íamos impedir do seu Rei ser morto... –Darten a olha:
–Isso também. Vamos logo! –os três saem de seu esconderijo correndo, interceptando qualquer um que se colocava no caminho deles.
Rendel habilmente decepou a cabeça de um guarda humano enquanto chutava outro longe, já Darten arrancou a cabeça de um lobo com as próprias mãos:
–Vocês são macabros demais... –Kurayami comenta, olhando os dois se divertindo com a mutilação:
–Faz tempo que não lutamos, então não reclame! –Rendel corta o peito de outro soldado:
–Já estamos chegando. –Darten avisa, apontando para a porta arrombada.
Os três passam pelos corredores cobertos de sangue e corpos, mas não havia nenhum inimigo:
–Talvez eles estejam todos no grande salão. –Rendel fala –já estamos perto.
De fato, o som de espadas e gritos podia ser ouvido. Mesmo antes de entrar no salão, Kurayami já sabia que Selen estava lá dentro:
–Que bela cena hein. –Rendel assobia ao olhar o salão inteiro, chamando a atenção do Rei lobo:
–Ora ora, quem veio se juntar nesta guerra, o traidor impuro. –o Rei ri –veio implorar misericórdia?
–Até parece! –Rendel pega uma espada do chão –vim acabar com a tua vida, seu filho da puta! –ele fica em posição de ataque:
–Acabem com ele! –o Rei ordena. Endair tenta se avançar em Rendel, porém é impedido por Darten:
–A sua batalha é comigo agora. –Darten saca um machado, onde havia conseguido, não se sabia:
–Acha que tem chances contra mim, assassino? –Endair faz surgir uma espada em chamas:
–Claro! –e os dois partem para o duelo.
Rendel e o Rei chocavam as espadas velozmente, Kurayami não conseguia acompanhar o ritmo deles com o olhar. Ela busca o seu Rei pelo salão e o vê perto de seu trono, lutando contra ninguém menos que Selen:
–Selen! –ela grita, correndo em sua direção. O mesmo se distrai e o Rei o chuta para longe, arrancando um rosnado dele:
–Que merda, mais humanos idiotas para me encher o saco! –Selen olha Kurayami, que fica na sua frente:
–Selen, você está sendo usado por seu pai! Foi enfeitiçado por Endair! –ela fala:
–Do que esta falando humana? –ele cospe a palavra –e quem lhe deu o direito de ter toda essa intimidade comigo?
–Kurayami, não se esqueça que neste momento ele é nosso inimigo... –Althair aparece para ela –vai demorar um pouco para que eu descubra o ponto fraco do feitiço...
Selen saca sua espada e rosna para ela:
–Eu odeio quando não me respondem! –ele se avança nela, que se desvia do ataque:
–Tá maluco? Quer me matar?!
–Essa é a ideia! –ele dá outros ataques, ela consegue se desviar por pouco.
Selen decide dar uma estocada para frente, o ataque seria certeiro no peito de Kurayami, não havia como ela se desviar. Ela fecha os olhos, não havia o que fazer:
–Você não pode desistir agora Kurayami... –a voz de Natasha soa em sua cabeça e sente seu braço direito esquentar. A espada de Selen se choca com algo que parecia ser metal:
–Mas que merda é essa?! –Selen exclama e Kurayami abre os olhos. Seu braço direito estava inteiramente revestido com alguma espécie de metal que ela não sabia dizer o que era, e estava bloqueando a espada de Selen:
–Isso...
–É o meu poder... –Althair se manifesta –você não pode se defender de uma espada de mãos vazias... –uma espada surge na mão dela e seus olhos mudam, estavam iguais ao de Althair:
–Obrigada Althair. –ela sorri, deixando Selen ainda mais furioso:
–Não vá se achando! –ele grita e parte para cima, sendo bloqueado pela espada de Kurayami. Não importava quantos ataques consecutivos ele desse, ela sempre o bloqueava ou com a espada, ou o braço metálico –porque não me ataca?! Está se achando com esse seu bracinho de metal!
–Eu não vou te atacar! Você é meu amigo! –ela grita, bloqueando mais golpes dele:
–Desde quando?!
–Desde que me salvou do Lenhador!
–Lenhador? –por um instante ele recua, aquilo lhe soava familiar:
–É isso. Faça ele se lembrar de quem foi antes, quando lhe conheceu, fale sobre o homem que estava morto na casa de sua avó! –Althair fala –talvez me dê mais tempo para descobrir como quebrar o feitiço ou...
–Acabe quebrando ele. –ela completa:
–Não sei de Lenhador nenhum! –ele ataca mais uma vez, e sendo novamente bloqueado por ela:
–Aquele que você matou alguns dias atrás! Na casa da minha avó! –ela percebe algo –não é a toa que você matou ele!
–Do que está falando?! –ele desfere o golpe e segura desta vez, competindo forças com Kurayami e fazendo os dois ficarem cara a cara:
–Você matou um homem em uma casa na floresta... –ela fala:
–Um homem que se meteu no meu caminho...
–Será mesmo? –ela ri –ou será porque antes você não havia o matado? –como ele não fala nada, ela continua –quando você me salvou dele na casa de minha avó, tentou mata-lo, mas ele fugiu. Não seria coincidência demais tê-lo encontrado lá e o matado? Justamente ele?
Selen não sabia como prosseguir. Ele sentia que havia algo errado consigo desde que acordou em seu quarto, três dias atrás. E agora tudo o que aquela humana falava mexia com ele, tudo aquilo que lhe parecia errado estava começando a se encaixar, a pergunta “e se...” ficava pairando em sua mente:
–Selen! –o chamado do Rei lobo interrompeu o combate dos dois –faça o que tem que ser feito, AGORA!
Sem nem ao menos hesitar, Selen jogou Kurayami para trás com um chute e sai correndo, em direção ao Rei humano. Kurayami entendeu o que ia acontecer.
Selen ia matar o Rei.
–O destino tem muitas linhas... –a voz de Natasha ecoa na mente dela, tudo parecia correr mais devagar no local — com suas próprias mãos, só você pode mudar os destinos traçados. –a conversa com Natasha surge em sua mente — Mas por pior que seja o que terá que fazer, você irá fazer? Estará pronta no momento?
A pergunta pairava, estaria ela pronta para fazer o que fosse necessário?
– Você descobrirá quando estiver frente ao momento que os destinos se colidem.
Num rompante, ela finalmente entende o que Natasha quis dizer com aquilo. O que era necessário para parar tudo aquilo, para parar Selen:
–Obrigado por tudo Althair... –ela fala e corre em direção ao Rei humano e Selen, e o tempo volta a transcorrer normalmente.
Selen estava frente ao Rei, a espada pronta para perfura-lo, iria direto a seu coração.
Mas a espada sequer atinge o seu alvo.
E sim Kurayami:
–O-o que esta fazendo sua louca?! –Selen grita ao ver sua espada perfurar o corpo dela, que estava a sua frente. Gritos daqueles que a acompanharam durante sua jornada gritaram seu nome ao ver a mesma deixando seu corpo cair em cima de Selen, seu queixo em cima do ombro dele –p-porque fez isso?
–Porque... Eu te amo... –ela sussurra, sangue escorre de sua boca e ela cai para trás, a espada sendo retirada de seu corpo. Antes de seu corpo bater ao chão, Selen a segura, o brilho de seus olhos estava retornando aos poucos:
–N-não pode ser... –Rendel olha aquilo pasmo, lágrimas começavam a cair de seu rosto:
–Garota... –Darten interrompeu sua luta e uma expressão triste estava em seu rosto.
Den e Zendal estavam naquele salão, mesmo não tendo sido percebidos por ela antes, mas ao verem quem havia se jogado na frente da espada salvando a vida do Rei, começam a chorar por aquela que sempre lhes alegrava, e agora não iria mais sorrir.
Selen, agora com o feitiço em sua mente quebrado, viu o que havia feito, abraça o corpo de Kurayami:
–Eu... Também te amo... –e um grito de desespero sai de sua garganta.
–O sacrifício final foi feito...
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