A Flor De Primavera
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Notas iniciais
e eu não conseguiria se não fosse a ajuda da minha querida Tessah!
então, amore, essa é pra você! espero que goste!
Eu estava sentada na varanda do quarto, observando o dia que nascia lentamente em Porto Real. Os dias ali, eu nunca notara antes, nasciam alaranjados, com as nuvens macias pintadas de um cor-de-rosa floral e a cidade despertava cedo, com o mercado de rua.
Claro que o mercado da capital de Westeros nem se comparava ao mercado com o qual eu me acostumara em Bravos. Os cheiros aqui eram diferentes, os jeitos dos mercadores eram diferentes e Westeros e Essos às vezes pareciam planetas diferentes... Às vezes, eu tinha saudades de Bravos, das coisas que aprendia, das pessoas que conheci... Porto Real parecia tão cinza de pedra perto de Bravos...
Mas eu aprendera a olhar a cidade como olhava o continente, apreciar os detalhes, os contornos, as pessoas... Antes, era meu campo de treinamento e eu queria ser uma Dançarina da Água... Hoje, era o meu reino e eu era sua rainha...
Ser rainha era, como eu podia prever desde o início, bastante tedioso! Os dias eram longos quando eu tinha de receber as damas da Corte e ouvi-las tricotando e bordando histórias sobre seus maridos, noivos, namorados, pretendentes ou amantes... Ocasionalmente, alguma delas se interessava pelas minhas aventuras durante a Guerra Gelada e eu podia sentir novamente a adrenalina em meu sangue... Eram essas histórias que conseguiam me afastar da imagem da rainha que borda, faz reverências, dá lindos sorrisos e bailes, que sabe distinguir os tipos de tecidos e as graças de um vestido... Aquela nunca seria eu... Eu era e sempre seria Arya, a Indomável e era mais feliz assim!
Mas, por mais que eu achasse que não levaria jeito e o povo me rejeitaria como sua rainha, eu começava a olhar meu povo com carinho de uma mãe e me afeiçoar a eles! Sempre que Gendry e eu saíamos dos muros da Fortaleza Vermelha, o povo era extremamente carinhoso conosco e muito acolhedor!
Gendry demonstrara muito jeito para o trono, apesar de depreciar a si mesmo o tempo todo e zombar de como ele ficava parecendo bobo quando tinha de aparecer usando sua coroa... Eu o acompanhava na maior parte das reuniões com o Pequeno Conselho, que se reunia no final de todos os dias, para debater as reformas que estavam sendo feitas pelos Lordes por todos os Sete Reinos e o que ainda precisava ser pensado... Era minha parte preferida do dia e de todos os compromissos de rainha, porque eu me divertia vendo Gendry explodindo com aqueles homens que o julgavam muito inexperiente para governar por ser novo e costumavam estar completamente enganados!
Meu rei era completamente teimoso, principalmente quando acreditava que estava certo e os outros tentavam fazê-lo enxergar as coisas por outro ângulo. Era muito bom que ele se mantivesse firme para que conversasse com aqueles homens de cabeça erguida, como o Rei Gendry Baratheon e não o menino Gendry Waters que nascera na Baixada das Pulgas de uma das escapadelas de Robert, que eu sabia que ele era... Todos precisavam respeitar sua autoridade e suas decisões e ele mais do que ninguém precisava acreditar que ele estava certo.
E não era apenas com seu brilhante desempenho como administrador do reino que meu rei tinha conseguido me surpreender... A cada dia, eu me sentia mais e mais apaixonada pelo marido que eu tinha: atencioso, carinhoso, prestativo e gentil! Era o meu motivo preferido para me sentar ao lado de seu trono e ser rainha dos Sete Reinos! Era o que fazia meus dias valerem à pena!
Era para o reino que ganhava o jeito dele que eu olhava naquele momento cheia de orgulho! Era para o reino que Gendry conseguia reerguer depois daquela guerra devastadora que olhava cheia de admiração! Porque ele fazia tudo aquilo por nós, pela família que começávamos a montar!
Porto Real ainda fazia com que eu me lembrasse muito de meu pai e do que fizeram com ele e desde aquele dia eu tinha decidido que me tornaria o lobo solitário... Mas fora aquela mesma cidade que me dera Gendry, acabando com a minha solidão... E agora meu filho nasceria também naquela cidade...
Eu nunca fui muito feminina, como minha irmã consegue ser... Nem muito ligada à minha mãe... Num primeiro momento, eu entrei mais em pânico sobre não saber como eu seria mãe do que tinha sobre não saber como eu seria rainha... Mas aos poucos o medo foi passando e eu fui me sentindo ainda mais forte por causa do meu bebê! Era um pedacinho do Gendry crescendo dia após dia dentro de mim, assim como o amor que eu sentia por ele! E nosso filho era o maior dos motivos para reconstruirmos o reino e torná-lo um lugar melhor!
Problemas apareciam o tempo todo, se não era dentro da própria Porto Real, era de Dorne até a Muralha, mas os Primeiros Lordes nunca foram tão cooperativos com um rei como vinham sendo com o meu! No começo, eu tinha achado tudo aquilo muito suspeito, mas agora agradecia toda noite e todo dia pela manhã que via minhas desconfianças serem frustradas.
Gendry também ficava com um pé atrás e esse era o principal motivo de suas discussões com o Conselho, mas como Stannis estava sempre ao seu lado sobre ser cauteloso, era o Conselho que mais abaixava a cabeça diante dos dois...
— Já está acordada? – ouvi uma voz vinda de trás de mim que já me fez virar para porta com um sorriso nos lábios.
— Bom dia, Gendry! – ele caminhou até mim e eu me levantei de minha poltrona.
— É... Acho que vai ser bom mesmo – ele segurou meu rosto entre suas mãos e eu fiquei nas pontas dos pés para receber seu beijo. – Vocês dormiram bem? – ele se ajoelhou diante de mim e beijou minha barriga, carinhosamente, me fazendo rir.
— Dormimos sim, papai – eu brinquei. – E acordamos cheios de fome, não é mesmo, filhotinho? – acariciei minha barriga.
— Então, vamos descer para tomarmos café – ele prendeu minha mão entre as suas e nos conduziu para fora do quarto, pelos corredores e escadas, para alcançarmos o andar inferior e seguirmos para o café. – Nós temos um tempo... Antes de eu ter de encarar a multidão ansiosa lá fora... – eu dei risada de seu nervosismo. – Você viu como já tem gente?
— Eu vi sim! – acariciei seu rosto. – Você vai se sair bem! O povo te adora! E aposto como ficarão felizes!
— Tenho certeza de que ficarão muito felizes com nossa notícia – ele puxou a cadeira para que eu me sentasse à mesa, diante do café e eu me servi de chá e pão fresco. – Ficarão felizes que o reino terá um principezinho ou uma princesinha correndo pela Fortaleza Vermelha de novo! Um herdeiro era o que o reino precisava pra ter certeza de que o Inverno acabou e que nós vamos restaurar a paz do reino...
— Acho que é muita pressão para nosso bebezinho, Gendry! – apertei sua mão sobre a minha e ele as levou ate seus lábios.
— Eu concordo com você, meu amor! Eu tenho pensado nisso constantemente. Essa manhã mesmo, estava discutindo sobre isso com Stannis... Sobre como eu pretendo que nossos filhos sejam criados... Ele pareceu concordar... Falávamos longe dos ouvidos do Pequeno Conselho – sua voz soou como a de um garoto que me contava uma traquinagem e eu sorri. – Eu vou cuidar para que nosso filho possa ter uma infância tranquila, não quero que se torne alguém que acha que tem apenas direitos! Pro Conselho, será uma criança criada para subir ao trono, quando eu me for...
Arregalei os olhos e senti o ar me faltar, soltando minha mão da sua.
— Não fale sobre isso com essa naturalidade! – lágrimas brotaram de meus olhos, sem que eu me desse conta e eu nem sabia que reagiria dessa forma com aquele assunto.
Gendry tornou a pegar minha mão nas suas e a beijou, me puxando gentilmente para me sentar sobre seus joelhos e me abraçando carinhosamente.
— Deixe-me reformular – ele disse calmamente, beijando meu ombro, minhas mãos e meu rosto, marcado pelas poucas lágrimas que tinham contornado minhas bochechas. – Depois que eu perder todos os dentes e todos os cabelos, estiver todo enrugado e senil e nós dois preferirmos tomar chá de camomila e ver nossos netos brincando do que essa brincadeira sem graça de ser rei e rainha – eu dei risada. – Mas então... Nós o criaremos para entender que é um príncipe, mas que não é por isso que ele te direito de ser rei! Que um rei tem de ter consciência do que é trabalho duro e do que é merecer aquilo que se ganha! Quero que ele entenda que o povo depende dele... Não quero que um filho meu acabe sendo como Robert... Jon me disse que Aegon foi criado dessa forma e isso me pôs pra pensar muito bem sobre o assunto.
Eu afaguei seus cabelos e puxei seu rosto para unir nossos lábios, apaixonadamente.
— Acho que nós dois faremos bem mais essa tarefa – deitei a cabeça em seu ombro e ele me apertou ainda mais forte em seus braços, acariciando minha barriga.
— Nós sempre formamos uma bela dupla!
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