Notas iniciais
Caramba há quanto tempo eu não mexo nessa história! Mas recuperei meu login e estou de volta!

Eu derramava lágrimas quentes que se contrapunham ao frio cortante da noite de Nova Iorque.

Aquilo me rasgava,o ar faltava e meus sentidos iam e vinham,mas eu sabia que aquilo era o melhor pra nós,o melhor pra Percy. Tinha que ser.

Voei por horas até sentir que Pégaso estava batendo as asas pesadamente e precisava de uma pausa nessa viagem sem destino.Descemos na areia fina de uma praia deserta que não tinha placas por perto mas era o suficiente pra que tivessem trabalho se resolvessem me procurar.

Olhei pro mar calmo sem nenhuma ondulação a minha frente e tomei cuidado pra nao tocar a água que ia e vinha na borda da areia.

Caminhei por longas horas dando voltas,chorando até não ter mais lágrimas pra caírem pelo rosto.

— Um dia eu espero que seu filho me perdoe,que entenda que o que eu fiz foi por amor ,que o que eu fiz vai poupá-lo de todo o sofrimento que essa loucura traria a ele.

O mar se agitou levemrnte,tristonho como se me convidasse a entrar.

—Perdão meu tio,eu não posso cair na armadilha de entrar na água e Percy saber que eu estou aqui.Se puder,eu peço que você fale com ele,que peça que ele me esqueça e o faça entender que o sacrifício não valia a pena.

Voltei pra areia fofa andando ao lado de Pégaso sentindo o peso do vazio encher meu peito e caminhei até um pequeno Porto com barcos atracados. Aquilo serviria por enquanto.

Apoiei-me num barquinho atracado na areia e Pégaso se deitou ao meu lado me dando um pouco de seu calor.Aquela seria uma longa noite.

Percy POV

—Annie!Amor volta!Annie! Alguém faça alguma coisa!

Eu berrava aos quatro ventos caído no chão mas ninguém fazia nada.Não havia o que fazer.

Annice que tinha me jurado seu amor tinha me abandonado no Olimpo com Grover e sua criada pra nunca mais voltar e tudo doía tanto que eu não sabia o que fazer.

—Filho de meu irmão,se minha filha não tem interesse em você não há razão pra testá-lo não é verdade?O tempo decidirá,mas até lá não há razão pra que permaneça aqui.

Grover me puxou pelos ombros acompanhado de Jennifer que só chorava silenciosamente até chegarmos em casa.

Eu não senti a viagem, não vi o caminho e nem ouvi nada do que me foi dito.

Eu perdi

Nada tinha mais sentido ou sabor,minha mente se agarrava ao cheiro,aos olhos dela,ao sorriso lindo e ao corpo,mas acabava me jogando pra realidade quando eu a via sair voando pra longe de mim.

Quando cheguei em casa minha mãe se apavorou quando me viu e percebeu que eu estava fora de sintonia.Suas perguntas não faziam sentido,seu toque era tão distante por causa da dor que eu não tinha rumo o bastante pra responder.

Dias se passaram até eu comecar a falar,mas tudo me lembrava Annie e me fazia ter uma crise de choro horrível simplesmente por ver raios no céu.

Grover me levou de volta pro acampamento e tudo aquilatar ia fora do lugar,com um buraco em cada canto,que só ela poderia preencher.

—Cara,eu vou avisar aos outros que nós chegamos,vai descansar ta legal? Eu cuido de tudo. -Grover me disse enquanto ia pro alojamento dos treinadores.

Assenti e caminhei no automático até entrar na minha cabana.

Ali era o pior lugar pra se estar.

A cama,as cadeiras,tudo,tudo tinha o cheiro dela,tudo estava impregnado de memórias dela.

Corri até achar o rio e me jogar na água fria tentando aplacar o fogo que queimava meu peito.

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O sol raiou e eu despertei com Pégaso jogando sua crina no meu rosto.

—Oi grandalhão,como vai hoje?

Seis semanas tinham se passado e eu tinha feito amizade com o velho pescador que me encontrou dormindo apoiada no seu barquinho.

Expliquei que tinha sido expulsa de casa por meu pai ser um bebado violento e ele apiedado de mim me ofereceu trabalho na lanchonete de sua esposa e uma pequena cabana pra dormir.

A rotina era essa.

Acorda,come,trabalha,come,dorme.

Comer não acontecia sempre,dormir menos ainda,mas pelo menos eu estava bem.Era a mentira que eu contava diariamente em frente ao pequeno espelho quebrado que ganhei de Finnian,o velho barqueiro.

Eu passava as noites olhando o mar da janela,chegando perto da areia mas nunca entrava na água.

Não podia,aquele era o trato que eu tinha feito comigo mesma pra tudo ficar bem.

Pégaso eu mandei de volta ao acampamento depois de muita insistência e sei que ele foi.

Nunca mais senti a chuva cair sobre mim e nem invoquei os raios que eu precisava pra sobreviver.

Eu existia,via os dias passarem como sombras um após o outro e era apenas isso do que eu precisava.Era isso a que eu teria direito se queria Percy longe daquela profecia e dos pesadelos.

Até aquele dia.

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Percy POV

O acampamento tinha me mandado explorar uma pequena ilha na costa oeste dizendo que havia um item no mar dali que era valioso e eu tinha que resgatar.

Grover e Annabeth vieram comigo sem muitas palavras,ela a contragosto como sempre depois de...ela ter ido embora.

—Vamos lá cara,vamos a praia curtir o sol,ver umas gatinhas e cumprir uma missão.Vai ser bom pra você.

Grover tagarelava tanto quanto possível,eu assentia mas não me importava com as palavras. Eu só queria aquilo terminado.

Até eu ouvir o estralo e sentir os cinco dedos de Annabeth estampados no meu rosto.

—Ai chega dessa merda!Você está ai feito um zumbi por alguém que nem lembra da sua existência,que está irrastreável há meses e você não pode fazer nada sobre isso.Voce nem consegue falar da Annice e trata isso feito um tópico secreto.Sua vida é maior do que uma garota com quem você passou alguns meses.

Eu olhei pra ela,finalmente sentindo algo.

Ódio

As palavras dela queimavam na minha cabeça enquanto eu corria deles.

Até sentir.

Ou melhor, senti-la.

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Eu estava na minha cabana no dia de folga olhando o mar e a espuma branca das ondas quando aconteceu.

Uma crianca brincando com água até a cintura foi engolida por uma onda em questão de segundos.

Os pais gritavam desesperados e mergulhavam sem sucesso em busca da criança.

Corri sem pensar e me joguei suplicando no coração que eu encontrasse a criança viva nesse mundo de água.

Encontrei

Ali,boiando no meio da água o corpinho começava a ficar azulado enquanto eu o puxava pra fora.

Depois de muito lutar contra as ondas e contra a correnteza eu cheguei a praia com a criança gelada em meus braços.

Respiração boca a boca,massagem cardíaca,chacoalhar,chamar,gritar,nada trazia esse menino de volta.

A não ser que...

Rezei pra funcionar.Eletrizei as pontas dos dedos e dei um tapa no peito do menino sentindo a corrente percorrer seu corpo e água jorrar pela pequena boca.

Ah merda

Água

Um sentimento conhecido tomou conta do meu coração que batia feito tambor.

Ele estava ali.

Em desespero eu me levantei e saí em disparada até a cabana pegando meus pertences e correndo pra fora o mais rápido que podia.

Atravessei as avenidas ainda encharcada sem nem prestar atenção ao meu redor.

O baque foi tão grande que eu caí por cima de alguém.

Tarde demais.

Meu grito de desespero ficou engolido enquanto eu me perdia naqueles olhos de mar.

Percy estava ali.

Notas finais
Nossa há quanto tempo eu não escrevo @-@ Mas agora eu voltei com criatividade e vontade de digitar