Notas iniciais
Obrigada pelos comentários (que infelizmente não tive tempo de responder) e obrigada também pelos favoritos. Boa leitura!

— Você quer jantar comigo essa noite? — Emma perguntou, enquanto distribuía pequenos beijos pelos ombros de Regina.

— Essa noite?

— Sim, essa noite. Se quiser escolher o restaurante, fique à vontade.

— Emma, essa noite eu não posso — disse ela, acariciando-lhe o rosto gentilmente.

— Não tem problema…marcamos para um outro dia então.

Tentando agir como se a recusa não a tivesse afetado, Emma lhe beijou os lábios com delicadeza, e em seguida, se afastou alguns centímetros para terminar de se vestir.

— Vamos? — Emma falou, estendendo-lhe a mão.

— Ah…eu vou esperar Ruby, preciso falar com ela — disse Regina, acompanhando-a até a sala.

— Está bem. Se mudar de ideia, pode me ligar e saímos essa noite — disse Emma, beijando-lhe os lábios mais uma vez.

E com isso, ela deu meia volta e seguiu porta afora.

No decorrer dos dias, Emma e Regina continuaram com seus encontros no apartamento de Ruby, até que finalmente Regina transferiu seu ninho de amor para o próprio apartamento comprado por ela própria há pouco tempo.

— Nos vemos amanhã no mesmo horário? — Regina perguntou, espalhando beijos pelo rosto e pescoço de Emma.

— Infelizmente não. Amanhã devo me apresentar ao departamento de polícia, esqueceu?

— Ah, é verdade! Estou louca pra te ver usando aquele uniforme de policial — disse ela, esboçando um sorriso sugestivo.

— É mesmo? — ela indagou, envolvendo-lhe a cintura com seus braços.

— Sim…e você fará um “showzinho” para mim!

— Sinto desapontá-la, mas não pretendo trabalhar nas ruas, e portanto, não usarei nenhum uniforme.

— É uma pena! Mas com ou sem uniforme, você me deixa louca! — Regina exclamou, e após um longo beijo de despedida, Emma se foi.

O clima e o relacionamento entre elas estava agradável, embora Emma se mostrasse intrigada com todas as recusas de Regina em relação aos seus convites. Desde que ingressara no departamento de polícia de Boston, Emma não dispunha de tanto tempo como antes, e por esse motivo, seus encontros com Regina haviam se tornado menos frequentes.

— Não acha melhor abrir o jogo com ela de uma vez? — indagou Ruby.

— E o que vou dizer? Que não posso sair às ruas com ela?

— É isso mesmo que você vai dizer porque é a verdade, não? Enquanto você continuar escondendo sua orientação sexual do mundo, é claro.

— Tenho medo que ela não entenda… — murmurou Regina.

— De qualquer forma, é melhor você conversar com ela do que ficar inventando desculpas esfarrapadas cada vez que ela te convida pra sair. Uma hora, ela vai estranhar e será pior.

— Você tem razão…

— E o idiota do Robin?

— Tem me procurado mas eu já dei um basta nisso. Somos apenas amigos.

— Um problema a menos. E Zelena?

— Felizmente essa piranha já foi embora da mansão. Não acredito que depois do que ela fez, você ainda goste dela.

— A gente não manda no coração, Regina.

— Você está precisando é de um novo amor! E vamos encontrá-lo hoje mesmo!

— Vamos?

— Sim! Lembra daquela boate que te falei? A inauguração será hoje!

— Não gosto de boates hétero.

— Não seja boba! É um ambiente refinado, diferente dessas outras boates lotadas de gente promiscua onde certamente você só encontrará mulheres como a minha prima.

— Regina…

— Já está decidido e não aceito recusas!

Olhando para o relógio, Ruby viu que eram vinte e uma em ponto. Regina já deveria ter chegado. Por um instante, ela desejou que sua amiga desistisse daquele compromisso, no entanto, poucos segundos depois, seu telefone celular tocou. Era Regina avisando que havia chegado e permaneceria no carro esperando-a descer.

Tão logo chegaram ao local de destino, as duas percorreram com o olhar os quatro cantos da boate mal iluminada. Um sorriso curioso se formou nos lábios de Regina ao constatar que o ambiente era exatamente como ela havia imaginado.

— Vem, vamos tomar um drinque pra começar — disse Regina, puxando-a em direção ao bar.

Depois de algumas doses de uísque, as duas se arriscaram na pista de dança, embora Ruby não mostrasse o mínimo entusiasmo.

— Dá pra você se animar? Desse jeito ninguém te convidará pra dançar — dizia Regina, enquanto seu olhar percorria a multidão em sua volta.

— Gina, é sério…não dá. Vamos pra casa… — disse ela, esvaziando o copo de uma só vez.

— Está bem…é melhor irmos embora antes que você se embriague e comece a chorar por aquela fulaninha.

Enquanto aguardavam o manobrista aparecer com o carro, Robin deu seu ar de graça e no exato momento em que ele parou para cumprimentar Regina com um beijo, uma viatura da polícia passou em frente ao local e incrédula com a cena que presenciara, Emma pediu para que seu colega parasse o veículo.

— O que houve? — Graham perguntou, enquanto estacionava no acostamento.

Não pode ser ela, pensou Emma. Nervosa, ela passou a mão pelo rosto olhando para o outro lado da rua, em sua direção. Mas era. Era Regina na companhia de Robin e Ruby. A filha do senador que dizia amá-la, mas parecia fazê-lo somente às escondidas.

— Emma… — Graham lhe interrompeu os pensamentos.

— Eu pensei ter visto alguém conhecido, mas me enganei — disse ela, endireitando-se no banco do carro. — Vamos…

[…]

Na manhã seguinte, Regina ligou para Emma, no entanto, não obteve resposta. Algumas mensagens de texto também foram enviadas, mas nenhuma palavra ela recebeu de volta. Sentada sobre sua cama, ela pegou o telefone celular pela décima vez naquela manhã e mais uma vez, Emma não atendeu sua chamada. Havia alguma coisa errada, pensou ela. Mesmo que Emma estivesse trabalhando, já passava de meio dia e a essa hora ela deveria estar em horário de pausa, e de qualquer forma, já deveria ter recebido notícias dela. Podiam haver várias razões para ela ainda não ter retornado suas ligações, mas o lado impaciente do seu cérebro não estava disposto a esperar um só minuto a mais.

— Ruby, você poderia descobrir o endereço de Emma?

— Como é possível que você não saiba o endereço da mulher que vai pra cama com você? — ela indagou, na outra linha.

— Eu não sei, ué! Você pode ou não conseguir isso?

— Sim, eu posso. Agora que ela entrou para o departamento de polícia, fica mais fácil conseguir o endereço com alguns conhecidos.

— Ótimo. Envia-me por mensagem, está bem?

— Está bem, mas…aconteceu alguma coisa?

— Eu espero que não… — dito isso, Regina encerrou a ligação.

Poucos minutos se passaram até que finalmente uma mensagem de texto chegou. Por um instante, Regina pensou se tratar de uma resposta de Emma, mas para sua aflição, era somente o endereço enviado por Ruby.

— Filha, Robin está te esperando no jardim — disse Cora, enquanto Regina descia as escadas.

— Pois continuará esperando porque estou de saída — ela falou.

— Mas Regina…

— Eu não o chamei aqui, mamãe! Tenho um compromisso agora e não posso me atrasar.

— Desde que seu pai permitiu suas saídas sem nenhum segurança, você não para mais em casa! Não acha que anda abusando da sorte?

— Mamãe, por favor.

— Regina, a cada dois minutos uma pessoa é sequestrada nesse país!

— Que exagero, mamãe! Nos falamos mais tarde — dito isso, Regina se retirou.

Poucos minutos se passaram naquela manhã tranquila em Boston, e quando ela se deu conta, o GPS já informava sobre a chegada ao destino desejado. Ao ser reconhecida pelo vigilante do prédio como a filha do senador, Regina não teve qualquer dificuldade para ter acesso ao edifício.

Depois de tocar a campainha duas vezes seguidas, a porta finalmente foi aberta e ela encontrou um conhecido par de olhos verdes, mas infelizmente, não eram os que ela esperava.

— Desculpe…eu devo ter me enganado de apartamento — disse Regina. A confusão nublou sua mente.

— Se está procurando Emma, você não se enganou de apartamento — Mérida falou. — Só lamento dizer que ela não está.

— Obrigada. Eu volto outra hora… — dito isso, Regina se retirou.

Com a confusão fluindo no seu corpo como ondas, Regina levou alguns minutos para se recompor. Atordoada, ela atravessou o pequeno jardim e afundou no banco do seu carro perguntando-se o porquê de Emma não ter lhe contado que dividia o mesmo teto com aquela até então desconhecida para ela. Incapaz de esperar mais, Regina fechou os olhos por uns segundos, respirou fundo e em seguida, deu partida rumo ao departamento de polícia onde Emma começara a trabalhar há pouco tempo.

— Emma, a filha do senador está na sala do delegado procurando você — disse Graham, e sobressaltada, ela se levantou da cadeira.

— Regina está aqui? — ela perguntou, e antes mesmo de receber uma resposta, o delegado Victor adentrou a pequena sala do alojamento.

— Swan, tem “visita” pra você — Victor falou.

— Visita? — Emma indagou, embora já soubesse a respeito.

— A filha do senador — disse ele. — Podem conversar à vontade em minha sala.

— Obrigada, delegado. Com licença.

…

Emma abriu a porta e quase perdeu o fôlego quando se deparou com os brilhantes olhos castanhos de Regina fixados nos seus. Fazia menos de 24 horas que haviam se visto pela última vez e parecia uma eternidade. Com os braços cruzados, os olhos de Regina lhe estudaram da cabeça aos pés e, se Emma não estava enganada, continham algo similar a raiva.

— Porque não atendeu minhas ligações e nem respondeu nenhuma das minhas mensagens? — Regina perguntou, rompendo o silêncio entre elas. — Estava tão ocupada assim com a sua amiguinha? — acrescentou, a voz alta e ameaçadora.

— Amiguinha? Do que está falando? — Emma perguntou, sem se alterar.

— Você e ela dividem o mesmo teto. Porque nunca me disse isso? Quem é aquela garota, Emma?

— Se você tivesse aceitado pelo menos um dos meus convites, saberia que Mérida é como uma irmã para mim! E sim, nós dividimos o mesmo teto e não há problema algum nisso! — ela exclamou, dando um passo a frente, encurralando-a contra a mesa.

— Muito bem…porque não atendeu minhas ligações?

— Imaginei que você passaria o dia se recuperando da noite anterior e por isso, não me dei o trabalho de trazer o telefone celular — ela disse e riu, mas sem o menor indício de diversão.

— Como? — questionou Regina, num misto de choque e confusão.

— Eu vi você lá, em frente a uma casa de show ao lado de Robin e Ruby.

— Emma…não é o que você está pensando…

— Eu não estou pensando nada. Se não queria sair comigo, bastava dizer que não queria e ponto. Não precisava inventar que Ruby estava doente e que faria companhia a ela.

— Se eu menti foi por uma razão que você ainda desconhece, mas que…

— Você ainda está namorando com ele, não é?

Fuzilando-a com os olhos, Regina a agarrou pela nuca e puxou seu rosto deixando-o centímetros do dela, enquanto o nariz roçava um no outro.

— Não, Emma! — ela disse, beijando-lhe os lábios suavemente. — Eu estava indo embora com Ruby quando o encontrei — explicou, afastando-se quando se deu conta de onde estavam. — Emma…nós precisamos conversar, mas aqui não é o lugar adequado.

— Tudo bem…podemos nos encontrar essa noite — disse Emma.

— Te espero em meu apartamento, está bem?

— Está bem — Emma falou, abrindo a porta em seguida. — Te acompanho até a saída — acrescentou, incomodada com os olhares luxuriosos direcionados a Regina.

[…]

O som da campainha chamou a atenção de Regina. Correndo em direção à porta, ela observou através do olho mágico e um sorriso nervoso brotou em seus lábios quando ela viu que se tratava de Emma.

— Oi… — ela disse, esboçando um meio sorriso que não foi retribuído por Emma.

— Oi.

— Está chateada comigo?

— Vá direto ao ponto, Regina. Por que mentiu pra mim? Você tem vergonha de sair comigo?

— Não, Emma…é claro que não. Acontece que…os meus pais não sabem a respeito da minha orientação sexual.

O coração de Emma falhou e seu estômago revirou numa sensação perturbadoramente confusa. Enquanto avaliava o rosto de Regina, ela percebeu que emoções verdadeiras rodopiavam por trás daqueles lindos olhos castanhos, agora, tocados por um misto de tristeza e preocupação.

— Isso quer dizer que…

— Isso quer dizer que não podemos sair juntas em público — ela a interrompeu.

— Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não precisamos fazer demonstrações de carinho em público se é isso que te aflige.

— Não é apenas isso, Emma…você era minha guarda-costas e…

— Ah, então é isso! Se eu fosse uma filhinha de papai não teria problema nenhum pra você sair comigo!

— Emma, por favor…

— Eu amo você, Regina! — Emma exclamou, fitando-a nos olhos. Afastou os cabelos curtos do seu rosto e suas mãos acariciaram os lábios bem esculpidos. — Eu amo você e quero tudo…quero passar minhas noites de mãos dadas com você, quero noites com encontros românticos, quero passeios nos finais de semana, quero ver o pôr do sol com você…eu quero o bom e o ruim, eu quero tudo, Regina.

— Meu amor, eu também te amo e quero tudo isso tanto quanto você — Regina sussurrou, os lábios colados aos de Emma. — Eu te amo e preciso da sua compreensão…por favor, me dê um tempo para conseguir falar com meus pais sobre mim, sobre…

— Tudo bem, eu compreendo — disse ela. — O que me importa é ficar com você, é te amar…mas por favor, não minta pra mim.

— Nunca mais, meu amor…eu prometo…agora vem, faz amor comigo…

Quase sem fôlego, Emma lhe respondeu com um beijo apaixonado pois não tinha dúvidas dos sentimentos de Regina. O toque, as emoções de suas palavras e a sinceridade em seus olhos afastaram qualquer medo que Emma pudesse ter dela, ou de ficar com ela.