— Podemos dormir juntas essa noite — Regina sugeriu, enquanto distribuía beijos pelos ombros de Emma. — Você quer?

— Claro que eu quero… — Emma respondeu, virando-se para observá-la. Com seus cílios obscenamente longos, ela encarou os olhos castanhos fixos nos seus.

— Porque está me olhando assim? — indagou Regina.

— Eu achava que sempre seria uma paixonite…nunca imaginei que iríamos passar qualquer tempo significativo juntas.

— Eu fui uma idiota com você, não fui?

— Sim, você foi.

— Mas em minha defesa, esclareço que estava com medo de sentir por você o que estou sentindo agora.

— E o que você está sentindo agora? — Emma perguntou, estudando-lhe o rosto com uma expressão suave.

— Estou sentindo a maior das felicidades…estou sentindo um amor que jamais senti antes por alguém.

— E isso é bom?

— É assustador…mas é muito bom… — Regina murmurou, deslizando a mão espalmada pelo abdômen dela.

Emma fechou os olhos diante daquele toque. Seu coração batia tão forte no peito que quase lhe roubava o ar. De repente, seus olhos se abriram e uma careta de dor e prazer se formou em seu rosto quando as unhas de Regina provocaram pequenos arranhões em sua barriga.

— Estou com vontade de marcar seu corpo inteiro… — ela disse, arrastando sua língua sobre as marcas vermelhas que suas unhas acabaram de provocar. — Quero suas carícias bruscas marcando o meu corpo também — acrescentou, mordiscando-lhe a pele pálida.

— Eu… — Emma balbuciou, incapaz de formular uma só palavra.

— Eu gosto de pensar em você me tocando com força…a propósito, você deveria usar um uniforme da polícia.

— E posso saber por quê?

— Porque finalmente realizaria uma das minhas fantasias — ela confessou.

— Quer dizer que você tem fantasias, senhorita Mills?

— Oh, sim…Muitas! E não vejo a hora de realizá-las com você.

[…]

— Onde está Regina? — Henry perguntou, sentando-se à mesa ao lado de Cora.

— Avisou que dormirá no apartamento de Ruby — disse ela, e a expressão suave de seu rosto desapareceu subitamente.

— Regina vem passando mais tempo com essa moça do que em casa. Nem ao ateliê ela tem ido — ele murmurou.

— Sei que está intrigado por saber o que Ruby é, mas elas são apenas amigas…amigas de longa data — Cora interveio.

— Ainda assim. Já aceitei essa profissão estúpida que ela escolheu, mas não pretendo tolerar nenhum tipo de desvio de comportamento! — dito isso, ele se retirou da mesa.

Trancado no escritório da mansão, Henry tentou desviar seus pensamentos para o próximo comitê de conferência, mas o simples fato de imaginar sua filha envolvida amorosamente com uma outra mulher lhe tirava o sossego. Ruby, era sem dúvida, uma pessoa de bem, educada e de ótima situação financeira, entretanto, nem todas as qualidades do mundo o faria aceitá-la como “companheira” de Regina. Atormentado por suas próprias suposições, ele discou o número de sua filha, mas ela não atendeu.

— Sidney?

— Senhor senador. A que devo a honra dessa ligação?

— Preciso dos seus serviços e da sua total discrição…

[…]

A luz do sol que atravessava as pequenas brechas da persiana mal fechada despertou Regina de uma das melhores noites de sono que tivera nas últimas semanas. Sentando-se na cama, ela puxou as cobertas emaranhadas para junto do peito, enquanto se encostava na cabeceira. Ainda sonolenta, seus olhos percorreram o quarto à procura de Emma, e como não a encontrou, ela fez menção de levantar, mas deteve-se no exato momento em que a porta se abriu e os olhos verdes que lhe enfeitiçaram desde o primeiro encontro, cruzaram com os seus.

— Pensei que tivesse ido embora — ela falou, apertando as cobertas junto ao peito.

— E perder a oportunidade de olhar esse rostinho lindo assim que acorda? Nunca — disse Emma, aproximando-se em passos lentos.

Mordendo o lábio, visivelmente constrangida, Regina sorriu timidamente.

— Onde estava?

— Preparando nosso café da manhã. Está com fome?

— Um pouco… Eu preciso me vestir…

— Vista-se.

— Na sua frente?

— Se bem me lembro, eu já te vi sem roupa mais de uma vez. Por que está com vergonha?

— Não estou com vergonha.

— Você é linda — disse Emma, sentando-se ao seu lado.

Colocando a mão sob o queixo dela, Emma lhe puxou o rosto com toda gentileza para perto do seu. Roçou seus lábios nos dela de maneira suave e apaixonada. Em seguida, beijou-lhe o pescoço, deslizou a boca pelo ombro deixando seus dentes roçarem pela pele macia.

— Emma… — Regina murmurou, quase desabando sob aquela carícia.

Uma de suas mãos se fecharam nos cabelos loiros presos num rabo de cavalo, enquanto a outra segurava as cobertas contra o peito. Percebendo que ela tentava esconder o corpo nu, Emma lhe afastou a mão, fazendo o cobertor cair de seus seios.

Sem qualquer cerimônia, Emma começou a massagear os seios expostos. Seus lábios tomaram os dela, dessa vez, num beijo intenso.

— Você me deixa louca… — Emma sussurrou, e ao fazer menção de retirar a própria roupa, Regina a interrompeu.

— Nem pense nisso, senhorita insaciável! — ela exclamou, voltando a cobrir sua nudez. — Preciso de um banho e de um ótimo café por enquanto — acrescentou, num tom divertido.

— Muito bem…vou terminar o café então. Não demore — disse Emma, e após um beijo rápido, ela se retirou.

Após o banho e uma vez vestida, Regina se dirigiu até a sala onde Emma a esperava. O verão estava prestes a acabar e com o sol descendo no horizonte, elas tomaram o café da manhã na varanda. Fechando os olhos por alguns instantes, Emma tentou se agarrar àquele momento, mas seus pensamentos eram atormentados por algo que ela não estava acostumada a sentir: medo.

Em geral, Emma não tinha medo de nada, mas agora, sentia-se submetida por essa sensação desde que Regina confessara seu receio em tornar o relacionamento delas público. Emma estava segura e disposta a sacrificar qualquer coisa para que ficassem juntas, mas não sabia se Regina seria capaz de fazer o mesmo.

— No que está pensando? — Regina perguntou.

— Estou pensando se você não aceitaria jantar comigo essa noite — disse Emma, captando imediatamente a mudança em seu comportamento.

— Emma, já falamos sobre isso e…

— Não é em nenhum lugar público. É no meu apartamento, quer dizer, no apartamento da minha amiga.

— Não sei se é uma boa ideia…

— Ir para o apartamento da sua amiga Ruby é uma boa ideia, mas para o apartamento da minha amiga não é?

— Por que está exaltada? Está chateada?

— Não estou chateada. Só não acho justo que as coisas sejam sempre do seu jeito.

— Desculpa, meu amor — disse Regina, tomando-lhe o rosto em suas mãos. — Jantaremos juntas essa noite, e se você quiser, podemos dormir juntas também.

O toque reconfortante acalmou os pensamentos de Emma, e soltando a respiração, ela sorriu de maneira singela.

— E seus pais?

— Eu me entendo com eles…

Passava de meio dia quando Regina finalmente chegou à casa de seus pais. Cora estava acomodada no enorme sofá, entretida com uma revista, enquanto Henry, havia se retirado para o seu escritório.

— Mamãe, bom dia — disse ela, beijando-lhe o rosto.

— Boa tarde você quer dizer — Cora respondeu, devolvendo o cumprimento. — Seu pai não está muito satisfeito com suas “saídas” ao lado de Ruby.

— Eu sinto muito, mas não deixarei de ser amiga dela por causa da insatisfação de papai. A propósito, ele já saiu?

— Não, está no escritório conversando com Robin.

— Robin? Mas…

— Filha, que bom que chegou — disse Henry, aproximando-se em passos largos. — Te liguei ontem e você não atendeu, fiquei preocupado.

— Meu celular estava no silencioso, papai — disse ela, cumprimentando-o com um beijo. — Como vai, Robin? — ela perguntou, direcionando seu olhar a ele.

— Ainda esperando sua ligação…

— Cora, vamos deixá-los a sós.

…

— E então? Você ficou de me ligar e até hoje nada — Robin falou.

— Robin, eu vou direto ao ponto — ela falou, suspirando em seguida. — O que houve entre você e eu acabou.

— Mas não houve nada entre nós. Você me enrolou esse tempo todo.

— Tudo bem…eu vou me corrigir. Não houve e nem haverá nada entre nós porque eu não sinto nada por você.

— Você tem alguém, Regina?

— Não acho que isso seja relevante.

— O que eu posso fazer para ter o seu amor? Eu faço qualquer coisa…

— Não quero que faça nada porque não há o que se fazer. Então por favor, não me procure mais — dito isso, Regina se levantou e subiu para o seu quarto, deixando-o desconsertado para trás.

Depois de alguns minutos perdida em pensamentos, Regina trocou de roupa, retocou a maquiagem e se preparava para sair quando Henry a deteve.

— Para onde está indo? — ele perguntou.

— Para o meu ateliê, papai.

— Desde quando você leva bagagens para o seu ateliê?

— Acontece que dormirei essa noite no apartamento de Ruby e…

— De jeito nenhum! — ele a interrompeu. — Você passa mais tempo com essa moça do que na sua própria casa! Quase não tem ido ao ateliê porque sua vida agora se resume a passar 24 horas com uma…sapatão! — acrescentou, num tom exaltado, usando aquela designação pejorativa atribuída às lésbicas.

— Henry! — Cora o repreendeu.

— Sou maior de idade e passo 24 horas com quem eu bem entender! — Regina rebateu.

— Não enquanto viver sob o meu teto e à minha custa!

— Henry, por favor! — Cora mais uma vez interveio.

— Não vivo à sua custa porque tenho meu trabalho e meu próprio dinheiro! E quanto a viver sob o seu teto, não se preocupe, hoje mesmo irei embora daqui! — Regina exclamou, e ao fazer menção de se retirar, Henry lhe segurou o braço.

— Perdão, filha…perdão — disse ele, suspirando em seguida. — Eu só estou preocupado com você. Por favor, me perdoe.

— Não há razão para se preocupar. Ruby é minha amiga, não é nenhuma delinquente e…

— Estão falando de vocês duas e por isso eu me alterei.

— Falando de nós duas? Quem?

— Ontem um amigo praticamente afirmou que você tinha um relacionamento com uma outra mulher. E como todo pai, eu não gostei do que ele disse porque não é essa vida que eu quero para minha filha…minha única filha.

Engolindo em seco, Regina cambaleou para trás. Ela sabia que tinha que tomar muito cuidado. A ausência de uma resposta rápida pareceu confirmar aquilo que Henry falava, e temendo que a situação se agravasse, Cora quebrou o silêncio.

— São apenas boatos, Henry — disse ela. — Estão se aproveitando da orientação sexual de Ruby para denegrir a reputação de nossa filha.

— Ruby e eu somos apenas amigas, papai. Nada além disso. Agora se me dão licença, eu preciso sair — dito isso, Regina se retirou.

Em passos lentos, Henry se aproximou do sofá e ainda nervoso por aquela discussão, ele sentou sobre o estofado. Até aquele dado momento não tivera notícias do seu amigo detetive que contratara para seguir os passos de sua filha, e apesar da ansiedade, ele não desejava aquela visita.

[…]

— Oi… — disse Regina, tão logo a porta fora aberta.

— Oi, entra — disse Emma, claramente surpresa. — Pensei que você só viria a noite — acrescentou, fechando a porta atrás de si.

— Se estiver ocupada eu volto mais tarde.

— Não, não estou ocupada. É que você disse que iria para o seu ateliê essa tarde.

— Esse era o plano…mas discuti com papai e perdi a concentração.

— Quer conversar sobre isso? — Emma perguntou, envolvendo-lhe a cintura com seus braços.

— Não…quero matar a saudade que estou de você…

— Não tem nem três horas que nos encontramos e já está com saudade, senhorita Mills? — Emma indagou, num tom brincalhão e malicioso.

— Vai me dizer que não está com saudade também…

— É claro que estou. Com muita saudade… — Emma disse, deslizando carinhosamente suas mãos pela cintura dela. — Sinto falta do seu corpo no meu a todo instante — acrescentou, umedecendo os lábios ao mesmo tempo em que lhe apertava a cintura com mais força.

— Faça amor comigo, Emma…agora.

Antes de receber qualquer palavra por parte de Emma, Regina atirou os braços em volta do pescoço dela e a puxou para sua boca. Um desejo incontrolável e sufocante pairou entre elas como todas as vezes em que fizeram amor, tornando o beijo igualmente feroz e possessivo de ambas as partes. Com os lábios ainda colados aos dela, Emma a tomou nos braços carregando-a até o quarto. Aos tropeços, Emma não se incomodou em derrubar seu notebook no chão para acomodar Regina sobre a mesa.

— Eu te amo…te amo, Regina… — rosnou Emma, posicionando-se entre as pernas dela, a mão mergulhando debaixo da saia.

— Assim…me possua, me faça sua… — Regina murmurou, arfando de prazer quando teve a calcinha arrancada do seu corpo.

Emma lhe cobriu a carne quente com a mão e segundos depois, deslizou dois dedos para dentro dela, enquanto o polegar fazia círculos no seu clitóris. Com a respiração pesada e os dedos entrando e saindo de Regina, Emma quase gozou com seus arquejos, e enlouquecida de tesão, ela a beijou outra vez.

Puxando-a para a beirada da mesa sem que os dedos cessassem a deliciosa investida em seu sexo, Emma se colocou de joelhos e dessa vez sua boca substituiu os dedos.

Ao primeiro toque dos lábios de Emma em sua intimidade, Regina arqueou as costas. Uma das suas mãos se agarrava à borda da mesa, enquanto a outra massageava os próprios seios.

— Não pare, Emma....por favor, não pare... — ela pediu, arfando, mexendo os quadris de encontro à sua boca.

A rouquidão de sua voz pareceu destruir o que restava do autocontrole de Emma, lançando-a numa exaltação violenta, incitando-a a invadi-la com seus dedos rápida e furiosamente. Alucinada, Regina ergueu o corpo e puxou o rosto dela na direção do seu sexo molhado. Em resposta, Emma gemeu e o som profundo e erótico ressoou de encontro à carne sensível de Regina, levando-a ao limite do prazer, onde seu corpo foi sacudido num violento orgasmo.

Poucos segundos se passaram até que Regina recuperasse o fôlego. Com o sabor viciante dela em sua língua, Emma a puxou para um beijo enquanto a conduzia até a cama.

— Não! — exclamou Regina, ao se dar conta de que Emma pretendia deitá-la no leito. — Agora é minha vez de te dar prazer — ela disse, desfazendo o laço da calça moletom que Emma usava.

Havia convicção em seu tom de voz e a exigência que contornavam suas palavras, fizeram o sexo de Emma latejar de desejo.