A Filha do Dono
1 A vida no deserto
Notas iniciais
Ela arrumava sua tenda com muita delicadeza.
Dentro dela, ela ajeitava com cobertores e almofadas bem bonitas e macias, vasos com flores e alguns incensos para perfumar o local.
Quando estava quase terminando seu pai entrou.
– Como está filha? — Perguntou.
– Eu estou bem papai — Respondeu Mônica.
– As industrias estão cada vez querendo mais e mais petróleo não é demais?
– É sim.
– Você parece triste minha princesa, o que houve? — Perguntou se sentando ao lado dela.
– Ah papai, eu gostaria de sair daqui um pouco, poder viajar pra fora, conhecer lugares de verdade e não tossir com esse monte de areia que entra no meu nariz.
– Bom, o seu aniversario é semana quer vem, o seu presente é querer viajar?
– Pai, eu gostaria mais do que viajar, quem sabe nós poderíamos nos mudar daqui.
– Nos mudar? E como fica a minha empresa filha? Isso que nos sustenta, sem ela somos o que?
– Sem ela eu não sei, mas com ela somos nada.
Mônica se levantou e saiu de sua tenda para tomar um ar.
Seu pai não queria discussões e tinha um assunto pra resolver então avisou que ia sair, pegou seu camelo e sumiu nas areias.
Assim que Mônica viu que seu pai sumiu de vista, entrou correndo em sua tenda e pegou algo debaixo das cobertas.
– O que é isso? — Ela pegou o objeto examinando-o.
– Oi Mônica — Disse uma garota de longos cabelos castanhos entrando em sua tenda.
– Oi Marina — Mônica escondeu o objeto rapidamente.
– O que está fazendo?
– Nada.
– Então vamos para a tenda da Maria, você esqueceu que a gente ia lá hoje?
– É mesmo, vamos.
Elas saíram da tenda e foram para a tenda de Maria Mello.
Enquanto isso...
– Mas eu juro que se me der mais uma semana, míseros sete dias, eu arrumo o dinheiro pra você — Disse Cebolácio.
– Não Cebola, eu já te dei muito tempo, eu não quero mais saber de aladainha, eu quero o meu dinheiro agora- Disse um rapaz que usava um grande capuz preto e cheirava um pouco mal.
– Mas senhor, olha eu juro pra você se me der mais sete dias...
– Nada de sete, eu te dou só um dia e esse dia é hoje, se não conseguir meu dinheiro até o final desse dia eu mando a minha gangue atrás de você seu filho da puta.
– Certo, eu verei o que posso fazer.
– Eu só lhe digo uma coisa, se esse dinheiro não aparecer aqui hoje, eu te mato, com minhas próprias mãos.
– Certo, eu já vou.
Cebolácio saiu dali nervoso com aquelas ameaças.
Ele tinha dinheiro de sobra e podia muito bem pagar a dívida que tinha, mas o problema é que ele não queria tirar um mísero centavo de sua riqueza para dar aos outros, a única pessoa que aproveitava desse dinheiro era sua filha Mônica, que podia gastar ele com o que quisesse.
Ele voltou pra casa pensando no que iria fazer pra resolver aquilo sem ter que gastar o seu dinheiro.
Quando chegou na sua tenda e viu que Mônica não estava, levantou os panos que estavam forrados no chão e abriu uma espécie de porta no chão, onde havia vários caixas empilhadas, baús e notas de dinheiro espalhadas.
Ele com um pouco de dificuldade, pegou uma caixa e abriu se deparando com centenas de notas de cem e cinquenta reais.
Ele olhou ela por alguns segundos e as guardou de volta.
– Eu não vou dar o meu dinheiro para aquele desgraçado — Disse Cebolácio — Sei que eu estou devendo uma grana pra ele mas se ele pensa que eu vou pagar está muito enganado.
– Olá Cebolácio — Disse Lina entrando na tenda.
– Lina, o que está fazendo aqui?
– Eu vi que sua filha não estava então resolvi entrar. Como está indo seu negócio?
– Ótimo, não tem nenhum problema com ele.
– Então vamos comemorar com um vinho seco.
– Claro.
Eles abriram um vinho e colocaram em duas taças de mármore e ficaram ali bebendo e jogando conversa fora.
Quando perceberam, já havia anoitecido e Cebolácio se lembrou do que o cara tinha dito á ele.
Lina se despediu e foi embora antes que a filha de Cebolácio chegasse, e ele ficou sentado na cama pensando no que iria fazer para resolver aquele problema.
– E se eu...fosse embora?
Continua...
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