A Filha de Érebo
28 Capítulo 28
Notas iniciais
A adrenalina no corpo corria cada vez mais a cada passo que dava naquele interminável corredor. Não sabia se faltavam muitos ou poucos passos para chegar ao seu inimigo.
Todos já haviam derrotado seus oponentes: Katy derrotou o Leão de Nemeia, Mika derrotou um cão infernal, Lucas derrotou o Minotauro, Alice um ciclope, e agora estava esperando a mensagem de Lis, avisando seu sucesso contra a Senhora D.
Se ele não conseguisse derrotar o seu oponente, o esforço de seus amigos seria em vão. Seu colar brilho fraco, mas logo parou. Era o aviso de Lis, ela havia conseguido.
De repente, a lembrança de minutos atrás lhe veio a cabeça:
– É. Parece que chegou minha vez — disse Lis, passando a mão na parede que tampava a passagem
– É — respondeu o filho de Nyx ao seu lado
– Isaac, você consegue continuar sozinho?
– Consigo
– Ótimo — ela sorriu e pegou a mão do garoto a sua frente — Você vai se dar bem, vai vence-lo
A garota encaminhou a outra mão para a lateral do pescoço do garoto e começou a massagear a área com o polegar, enquanto olhava fixamente para seus olhos
– Lis... — murmurou Isaac
A filha de Deméter murmura algo inaudível para o garoto, fica na ponta dos pés e rela seus lábios. Ao ver que o filho de Nyx não teve nenhuma reação, escorregou a mão para a nuca e o puxou de encontro aos seus lábios.
Foi um beijo demorado e calmo. Só foi rompido por um bater de palmas repetitivo e irritante
– Aah, que lindos! — disse a mulher cobra de cabelos brancos — A senhorita Mel ficaria muito feliz com essa cena, muito mesmo. Mas já que ela não pode ver, me contento em matá-los
O garoto sai de seus devaneios e olha o chão, suspirando longamente. "A senhorita Mel ficaria muito feliz com essa cena, muito mesmo" — a voz da mulher cobra ecoava em sua cabeça. Passou a mão por seu rosto e afastou um pouco o cabelo inutilmente, porque o mesmo logo voltou para o lugar de antes. Estava cansado.
"Onde será que Mel esta?" — pergunta a si mesmo. Estava preocupado com a filha de Érebo, na ultima visão ela estava péssima e muito fraca.
Ao olhar para frente novamente, pode ver algo bloqueando a sua passagem à alguns poucos metros: uma grande porta de ferro. Respira fundo assim que para em frente a porta e se prepara para o que o espera.
Ao empurrar sem muito esforço a porta, a primeira coisa que vê é uma escadaria no fim da sala, e no topo havia um trono. Tudo era bonito e de mármore. O local era meio escuro e parecia que acima do trono havia um holofote, por uma luz mais forte destaca-lo.
– I-Isaac? — ele ouviu uma voz rouca ecoar fraca pelo local
– Mel?! — ao se virar para a direção da voz, a esquerda da escadaria, viu a garota jogada no chão, de joelhos e a cabeça pendida
– Isaac — ela tentou erguer a cabeça e sorrir, mas foi em vão.
O filho de Nyx correu até a garota jogada e percebeu as grossas correntes que lhe prendiam os pulsos, os tornozelos, a cintura e o pescoço. Estava com o corpo todo ferido e marcas roxas marcavam a pele. As roupas não passavam de trapos pretos. A costumeira jaqueta não estava protegendo seu corpo, e os costumeiros tênis não protegiam mais seus pés.
– Mel? — o de olhos negros pegou a cabeça da garota entre as mãos e o ergueu delicadamente até ter a visão completa do rosto machucado e sujo, os olhos roxos estavam acizentados, os lábios rachados e secos — Mel? O que fizeram com você?
– Eu... Eu não... — ela tentou falar mas puxou seu rosto das mãos de Isaac e começou a tossir
Para tentar ajudar a garota, ele tirou a bolsa das costas e tentou achar o seu cantil. Enquanto isso, a filha de Érebo tentou falar, mas de sua garganta saiam palavras falhas e tosses descontroladas.
– Aqui Mel — ele apoiou seu rosto numa mão e o posicionou bem para evitar engasgos — Tome — ela abriu um pouco da boca e Isaac encostou o cantil recém encontrado nos lábios da garota, deixando o líquido descer por sua garganta. Quando achou que já estava bom, guardou-o novamente — Melhor?
– Uhum — murmurou a garota, mas ele sabia que aquele néctar não resolveria tudo, estava muito ferida
– Vai dar tudo certo, está bem? Você vai ficar bem... — ele murmurou, tentando limpar um pouco o rosto da garota e colocar os fios de cabelos atrás das orelhas com as mãos
– É tão triste vê-la assim, não é? — disse uma terceira voz mais grave
Isaac se virou e teve a visão de algo totalmente diferente do que esperava. Um jovem de aproximadamente 21 anos, loiro, olhos mel, usando roupas comuns (jaqueta azul, blusa cinza, calça jeans e tênis de corrida). Soltou delicadamente o rosto da garota e se levantou, ficando de frente para o recém chegado
– Olá, Isaac Osbourne — sorriu o desconhecido
– Quem é você? — questionou Isaac entre os dentes. O outro soltou uma risada
– Eu? Eu sou Aaron Fallax, — esse fez uma referência ao falar seu nome — semideus cujo o corpo está sendo usado pelo grandioso deus primordial dos Céus — ele sorriu orgulhoso, mas o sorriso se desfez e ele começou a examinar Isaac com os olhos — Chega de apresentações, — sua voz agora estava mais grossa e diferente — vamos acabar logo com isso!
Num rápido movimento, puxou a grande espada de lâmina azulada e dubla de seu cinto, e apareceu uma armadura de algum material desconhecido em seu corpo. Um segundo depois, Isaac também já estava armado com sua lança e sua armadura já estava no corpo.
– Pelo menos você sabe se armar garoto — a voz de Aaron continuava diferente e uma risada saiu de seus lábios — Vamos ver quanto a luta
E assim, o deus primordial dos céus atacou
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