A Filha de Érebo
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Viu algo se mover à sua esquerda. À alguns metros, Lucas acordou e olhou Mel, desconfiado. O filho de Apolo se virou para o filho de Nyx. Ele apontou para Mel e moveu os lábios: "Está acordada?". Isaac apenas fez um sinal mostrando que não sabia. Lucas moveu os lábios novamente "Vamos nos aproximar devagar". O outro assentiu e rolou de seu saco de dormir para o chão, como o outro.
Os dois se aproximavam devagar, para não acordar ninguém e nem para assusta-la, caso estivesse acordada.
Quando chegaram mais perto, puderam ver em seu rosto, uma linha roxa. Seus olhos, serrados.
– Mel? — sussurrou Lucas
– O que aconteceu? — murmurou uma voz fraca e famíliar
Lucas sorriu para Isaac, que encarava Mel
– Fique calma, está tudo bem agora — disse Isaac
– É melhor chamarmos os outros — disse Lucas
– É só acordar Katy, que ela acordará os outros — Lucas riu
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– Consegue se levantar? — perguntou Katy à garota sentada no chão, ainda abraçava a outra
– Katy... — murmurou Mel tentando se soltar pela décima vez — Eu só bati a cabeça, não perdi as pernas. Consigo me levantar e andar
A garota soltou a outra e Mel teve a chance de se levantar
– Aqui, Mel — disse Lucas entregando-lhe um cantil com néctar — Beba um pouco
Ela pegou o cantil e deu um gole
– Podemos ir agora, ou você querem fazer um raio-x para ver se não quebrei nada? — disse Mel irônica, ao entregar o cantil a Lucas
A maioria assentiu, então arrumaram suas coisas e se reuniram num circulo. Com a Metaforá em mãos, Lis fechou seus olhos e os levou para longe dali.
Quando a fumaça negra se dissipou, encontravam-se no meio do nada. Exatamente nada. Ali era um pasto verde, bem cuidado e rasteiro. Mais nada. Ao longe, podia-se ver uma casinha. Simples, mas bem convidativa.
– Bom... Aqui é uma mini-fazenda de meu pai. Nos passávamos os fins de semana aqui — disse Lis, sorrindo
Mel chegou perto dela e lhe estendeu um saco de papel
– Vai precisar?
– Acho que sim — murmurou em resposta, pegando o saco e vomitando dentro do mesmo
Assim que a filha de Deméter terminou, começaram a andar pelo local, em direção à simples casinha. Lis ia à frente, conversando com Isaac. Katy, Mika, Alice e Luck iam logo atrás, com Luck fazendo piadas e animando-os. Mel, foi atrás de todos, sozinha e olhando o chão.
Chegaram à pequena casinha, e perceberam que à uns três metros da mesma, havia um celeiro pequeno e vermelho.
– Ali é onde meu pai guarda as sementes, adubo, fertilizante... Tudo — disse Lis apontando para o celeiro — O que acham de entrar — ela agora apontava a casa — e esperar o brilho aparecer e nos guiar?
Mas antes de fazerem qualquer coisa, o colar de Lis brilhou. O brilho se desvencilhou do colar e flutuou em direção à casa. Os sete correram trás do mesmo.
O brilho passou pela pequena varanda que cercava a casa, passou por baixo da porta, subiu as escadas e parou em um dos quartos da casa. Quando os Escolhidos o alcançou, tiveram uma surpresa.
O pequeno quarto estava todo bagunçado e com móveis quebrados. No centro do quarto, havia um homem aparentando trinta anos e que praticava academia, cabelos cinza, olhos opacos, pele transparente. Num canto, estava jogado o corpo de um homem que parecia ter uns trinta anos também, bonito, cabelos castanho claros, curtos, olhos também castanhos caramelizados, pele branca. Estava machucado, e também desacordado.
Os olhos de Lis estavam marejados e olhando fixamente para o homem jogado. Tinha vontade de correr até ele, mas suas pernas não se moviam. Um murmuro fraco saiu de seus lábios, parecendo mais um soluço:
– Pai...
– Olá, Escolhidos — disse o homem à frente deles — Sou Greg, lacaio e ex-"segurança" da princesa Melany.
Luck segurou a risada ao ouvir "ex-segurança". Mel lançou-lhe um olhar reprovador.
– Greg, o que você fez com ele? — disse Mel, com raiva na voz, apontando para o pai de Lis — Não era para nenhum mortal ou familiar dos Escolhidos sair ferido! Estava nas regras!
– Princesa, — respondeu Greg, calmo — nosso querido senhor George Digory estava em um local onde não deveria estar, estragando meus planos. Eu fui treinado para eliminar qualquer um que entre em meu caminho e estrague meus planos. Apenas fiz o que fui preparado à fazer. Mas como também seria violar as regras de seu pai, eu resolvi não matá-lo, apenas machuca-lo gravemente e apaga-lo
– Mas mesmo assim! Você o feriu!
– Não senhorita. Apenas estou seguindo o que foi ensinado à mim.
– Isso é uma violação das regras!
– Seria violação se eu o matasse
– ... Ou o ferisse. Ferir gravemente, é ferir!
– Que seja, mas já está feito. Sem volta — Mel o fuzilou com o olhar — Mas, vamos acabar logo com isso! Não pude matar o pai, mas posso matar a filha. Quem é a senhorita Digory?
– Sou eu — disse Lis, abrindo passagem entre seus amigos, até chegar ao lado de Mel. Seus olhos brilhavam em fúria e sacava sua foice, nem parecia a mesma Lis que estava falando com Isaac minutos antes. — Eu vou acabar com você. Vai me pagar por ter feito isso com meu pai!
Greg examinou a garota por um minuto, para depois explodir em uma gargalhada.
– V-você? — ele disse tentando parar de rir — Acabar comigo? Não faça piadas numa hora dessas, garota.
Lis soltou um grito e atacou. O lacaio desviou da lâmina no ultimo segundo. Ele revidou chutando Lis para longe. Ela se levantou de onde havia caído, e correu de volta para o inimigo.
A luta se mantinha de uma maneira só: Lis atacava, o lacaio desviava, revidava com sua espada ou a lançava para longe, ela se recompunha, atacava novamente. Lis era incansável, mas podia-se ver a força se esvaindo e ela ficando cada vez mais fraca.
Greg a atacava sem dó. Chutava-a, socava-a, fazia talhos por seu corpo. Ele não deixava um ataque sem revidar.
Teve um momento em que o lacaio pegou-a de surpresa e cortou profundamente a coxa da garota. Ela se assustou e fraquejou ao ver o sangue gotejando, deixando a guarda aberta. Greg aproveitou-se do momento e chutou a garota para longe.
Lis caiu em um canto do quarto, deitada, em um baque surdo.
– Isaac — disse Mel se virando para o garoto — Ajude-a — ele assentiu, sacou sua lança e correu para a luta.
O filho de Nyx surpreendeu o adversário, atacando-o por trás e fazendo um grande estrago na armadura, que até aquele momento, só continha arranhões. Gray, furioso, revidou. Mas Isaac foi mais rápido que sua lâmina, desviou e ainda conseguiu acertar novamente a armadura.
Os golpes que o garoto dava eram precisos e poderosos, e ele se movia com rapidez. Já o lacaio, grande e pesado, era lento demais para o garoto.
Duas plantinhas começaram a crescer aos pés de Greg. Cada uma entrou por uma brecha da armadura e começaram a ramificar dentro da mesma. O lacaio não receberá, mas as plantas tomaram conta de todo o espaço entre a armadura e seu corpo.
Os ramos das planta se expandiram. Se expandiam cada vez mais, forçando a armadura. Guando estavam grandes e grossos, os ramos quebraram a armadura, empurrando-a.
Isaac deu o golpe final, fincando a lança no peito do oponente e o transformando em pó.
Ruídos de soluços invadiram o lugar. Ao se virarem, viram Lis, chorando com a cabeça do pai na coxa que não estava machucada e passando as mãos pelo rosto e pelos cabelos do pai.
Começaram a andar até a menina, mas a porta escancarou-se, revelando duas figuras e assustando-os.
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