A Filha de Érebo
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Mika e Lucas tentavam a todo custo arrombar a porta de vidro, mas parecia que o vidro fora blindado mil vezes e que as dobradiças foram reforçadas quinhentas vezes
– Quebrar isso é impossível! — disse Lucas se afastando da porta, juntamente com Mika
– Tem algum tipo de magia nisso... — disse Mika chutando a porta — Foi seu pai, não foi? — disse Mika se dirigindo à Mel
Mel deu de ombro em sinal que não sabia, mas na verdade aquilo era mais um obstáculo para eles
– Deixe-me tentar — disse Isaac, sacando sua enorme lança de bronze celestial.
Depois de Lucas e Mika se afastaram mais, ele ergueu a lança acima de sua cabeça, ungiu-a de uma força negra, e desceu-a à toda velocidade, em direção à porta. Ao chocar-se com a lâmina, o vidro da porta rachou em formato circular, em volta da lâmina fincada.
O garoto puxou-a com violência, levou-a à acima da cabeça, ungiu-a com a força negra e fez o mesmo movimento. Repetindo isso somente mais duas vezes, o vidro não agüentou mais e caiu em cacos no chão
Mel ficou olhando os destroços deixados, com indiferença, Alice aplaudiu com relutância, juntamente com Katy. Já Mika, Lucas e Lis aplaudiram e parabenizaram-no com animação.
– Como é possível um magricela sozinho conseguir isso? — sussurrou Alice para Katy, mas Mel conseguiu ouvir — Quer dizer, Lucas e Mika são mais fortes que ele e não conseguiram! Como isso é possível?
– Ele é poderoso — disse Mel passando por elas — Poder vale mais que força, nesses critérios — ela se afastou, deixando Katy e Alice pensativas
A filha de Érebo parou um pouco antes de Isaac, mas a frente de todos
– Vamos. Não temos tempo à perder. Quanto mais rápido terminarmos isso, melhor. — disse ela, depois se virando a ele — Muito bom — murmurou e ele assentiu com a cabeça
Alice e Lucas entraram primeiro no estabelecimento, seguidos de Katy e Mika, Lis e Isaac, e atrás de todos e sozinha, Mel.
O lugar era pequeno. Havia algumas prateleiras velhas espalhadas, um balcão perto da parede do fundo. Em outro canto, o oposto do balcão, havia uma escada em espiral de metal que levava à algum lugar abaixo da loja
– Aonde ta o brilho? — perguntou Katy olhando à sua volta
– Ele desceu a escada à alguns segundos — disse Isaac
– COMO?! E VOCÊ NÃO AVISA?! — gritou Alice
– ALICE! — gritou Lis — Ele ME falou! Eu iria avisa-los, mas a Katy perguntou primeiro!
– AH! PARE DE DEFENDE-LO! ELE PODE MUITO BEM SE DEFENDER SOZINHO!
Lis ia responder, mas Mel interrompeu
– HUGHES! DIGORY! — todos olharam assustados para Mel. Ela nunca havia gritado na frente deles. Ela se acalmou um pouco — Parem! — disse em seu tom normal — Não é hora para isso. Vamos — apontou a escada
A contragosto, Alice desceu pela escada, seguida por Lucas. Algum tempo depois, desceu Katy e Mika. Lis olhou para Mel, confusa, como se agradecesse e ao mesmo tempo pedisse permissão para ir. Ela lançou um pequeno sorriso à Mel, que respondeu assentindo com a cabeça
– MEL?! — ouviram Katy gritar — LIS?! ISAAC?!
Lis e Isaac correram na frente e Mel desceu logo em seguida. Ao chegarem lá, a luta já havia começado
– Oi?! — Mel murmurou olhando um rapaz de uns dezoito anos, pele transparente, cabelos totalmente brancos e olhos opacos. Usava a mesma armadura que os outros lacaios e atacava Alice com uma espada feita de ossos — Nick?! Por que raios a luta começou?!
– Eu não sei! — disse Mika — Foi confuso! Ele simplesmente perguntou quem iria lutar contra ele, Alice se pronunciou, e ele atacou! Nem se preocupou em nos trancar!
– Meus deuses! Ele ficou doido?! Ele não pode simplesmente fazer isso! — disse Lis
– Poder, pode — disse Mel — As regras não proíbem isso. Na verdade, os outros foram "generosos". Sabia que com Nick as coisas seriam mais "sérias"
– E agora? — disse Mika, mas ninguém respondeu pelo fato de Alice ser lançada contra uma parede.
Ela escorregou de costas pela parede, com a boca cheia de sangue, e se jogou no chão. Limpou o sangue com as costas das mãos e correu de volta para o lacaio. Seus olhos brilhavam em fúria
A mesma desferiu um golpe em sua nuca com a adaga, mas o ataque foi aparado pela espada do oponente, que por sua vez, fez um talo no calcanhar de Alice. Ela caiu no chão e deu uma rasteira no lacaio. Ele se desequilibrou um pouco, mas recuperou-se, contra-atacando o braço dela.
Com o corte profundo e com o chute que veio logo em seguida, sua adaga escorregou pelo chão, para longe dela.
Nick começou a dar chutes e socos em Alice, deixando marcas que virariam hematomas na pele branca. Ela se defendia o máximo possível, mas o sangue saia por seu lábio cortado, por seu nariz e pelos cortes distribuídos por todo o corpo.
O lacaio foi derrubando no chão por um corpo jogado contra o dele. Esse brandia um arco e flechas. Lucas começou a atirar flechas rápidas e certeiras no oponente, agora distraído e interessado em acabar com o filho de Apolo.
Conseguindo atravessar o labirinto de flechas de Lucas, que pareciam mais balas sendo disparadas por uma metralhadora, o lacaio atacou. Lucas se defendeu e socou o rosto desprotegido do oponente. Com raiva, o lacaio contra-atacou e usou sua espada para ferir a coxa de Lucas. Do corte saia apenas um pouco de sangue, proporcionando à Lucas uma dor não muito incomoda.
Chutou o peitoral do lacaio e continuou lançando flechas rápidas no oponente.
De repente, uma adaga é fincada nas costas da armadura do oponente. Alice estava em pé, com dificuldade mas em pé, e agora arrastava sua adaga fincada por toda extensão das costas da armadura do lacaio.
Ungindo uma de suas flechas com um poder dourado e brilhante, Lucas apontou-a para o peito do lacaio. A armadura se desfez e caiu em pedaços no chão.
Posicionando outra flecha ungida de poder, Lucas posicionou no peito agora exposto do oponente. Alice, por sua vez, ergueu a adaga, pronta para fincar na nuca do mesmo. Nick começou a rir estéricamente, mas cessou quando localizou Mel
– Princesa! Que prazer em vê-la! Me desculpe, mas não lhe esperei para ver o começou da luta. Sei como gosta de assistir lutar como estas.
– Nick... Não se preocupe, já sabia que seria direto. Pelo jeito, nem fez as apresentações
– Ah! É mesmo! Me esqueci. Olá "Escolhidos", eu sou o Nick. Pronto! O que achou?! — ele sorriu maliciosamente para Mel
A garota fez um sinal a Lucas e Alice. Os dois, juntos, acabaram com o lacaio, fincando uma lança em seu peito e uma adaga em sua nuca. Com o impacto da lança, em um momento era brilho, no outro, um monte de pó
O filho de Apolo correu até Alice e a abraçou, pendendo-a à alguns centímetros do chão. A garota desmaiou logo em seguida
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– Ahn?! — Alice murmurou acordando. Ela estava deitada em seu saco de dormir, atrás do balcão da livraria abandonada.
Lucas cuidava de seus cortes. Ao ver que a garota acordou, sorriu e deu um beijo na testa da mesma. Depois voltou a cuidar dos cortes.
– Aonde estão os outros? — murmurou Alice
– Katy, Mika, Isaac e Lis estão sentados logo atrás desse balcão. Mel está lá fora — respondeu o filho de Apolo, terminando de enfaixar o ultimo corte, o do calcanhar. Ele passou a mão pelo lábio cortado de Alice, e logo em seguida, num hematoma vermelho de sua bochecha — Vão ficar roxos — ele murmurou
– Todos eles? — perguntou ela, colocando a mão em cima da de Lucas
– Provável — respondeu, ela suspirou em desaprovação — Consegue se levantar? — assentiu com a cabeça e começou a se levantar, apoiando-se em Lucas
Os dois andaram até o meio do estabelecimento e se sentaram no círculo em que seus amigos estavam. Todos estavam ali, menos Mel.
– Aonde Mel está? — perguntou Lucas depois de um momento de silêncio — Alice precisa testar sua arma
– Mel está lá fora. Não quis entrar — disse Katy — Já tentei convencer. Eu e Mika quase arrastamos ela para cá. Choveu e ela continuou lá, na chuva
– Ela disse que só vai entrar para ajudar Alice à testar a arma — disse Mika — Alguém já pode ir lá chamar ela
– Vai lá, Isaac — disse Alice — Vai ver vocês tem outro daqueles "ataques" do "eu me lembro" — ela riu um pouco. Dava para ver que Lucas se segurava para não rir
Lis ia responder, mas Isaac a interrompeu
– Boa ideia, Alice. — disse ele se levantando — Vou fazer isso agora — caminhou até a porta e saiu
Ele encontrou Mel sentada na calçada fria e molhada pela chuva que cairá à alguns minutos. As roupas da garota estavam molhadas, como seus cabelos. Mexia em sua corrente e a encarava, como se não existisse mais nada além daquela corrente.
– Alice acordou — murmurou Isaac
– Aham — murmurou a garota encharcada, sem se mover — Ouvi a voz dela
– Não vai entrar?
– Vou — Mel soltou a corrente que bateu contra seu peito, se levantou devagar, sem olhar Isaac — Já estava indo, não precisava vir aqui
– Me pediram
– Aham — ela se virou para ele — Vamos
Os dois entraram na loja, Isaac na frente e Mel atrás. Ele se sentou novamente ao lado de Lis e ela ficou em pé.
– Já comentaram sobre a luta? — perguntou Mel
– Sim — respondeu Katy
– Então vamos testar a arma logo — ela se virou para Alice — Consegue ficar de pé?
– Consigo — ela respondeu se levantando, mas não conseguiu se equilibrar e Lucas teve que segura-la
– Acho que não consegue — disse Lucas — Vem, eu te ajudo a ficar de pé
Os dois ficaram em pé juntos, Alice se apoiando em Lucas.
– Me dê sua mão — disse Mel. Alice estendeu uma mão e ela colocou o anel no dedo do meio. As letras corridas formavam: stiléta
– Stiléta?! — perguntou a filha de Afrodite
– Adaga — disse Mika — Pense em uma adaga — Katy deu uma cotovelada nas costelas de Mika — Aí! O que foi?!
– A Mel é a "princesa" daqui, gênio! — respondeu ela – Não, Katy — disse Mel — Deixe ele me ajudar. Mika, venha aqui — Mika se levantou e parou ao lado de Mel — Faça isso você. Vou estar aqui se precisar. Só quero ver como se sai.
Mika assentiu e pediu novamente à Alice para pensar em uma adaga. Quando fez isso, na mão da garota apareceu a adaga. Ferro estígio e na lâmina um pouco acima do cabo, havia uma pomba.
A filha de Érebo deu a pérola negra à Mika, que colocou a mesma no colar de Alice. Ele explicou em como funcionava para acionar a armadura. Do corpo dela, cresceram placas de ferro estígio, formando uma armadura com uma pomba no peitoral e uma elmo.
Depois de admirar a armadura, Mika a ensinou a desativar.
– E aí? — perguntou Mika à Mel — O que achou?
– Mandou bem — disse Mel, quase que sorrindo — Agora podem descansar
– Não! — disse Alice — Temos que visitar a senhora D. primeiro. Ela nos deixará dormir lá e nos dará comida
Mel, Mika e Isaac se olharam desconfiados. Não achavam aquilo uma boa ideia
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