A Filha da Escuridão
7 Capitulo VII
Notas iniciais
P.O.V. Nico
Acordei assustado, que barulho foi aquele? Parecia uma espécie de rugido.
Pulei para fora da cama e espiei pela janela.
Vi vários campistas correndo feito louco pelo acampamento.
— O que está acontecendo? — perguntei a
Thomas, um filho Ares, que estava passando já com uma lança em punho
— Ouvimos um rugido, e parece que veio de dentro do acampamento! — respondeu ele — Você tem alguma ideia do que pode ser, Nico?
— Não, mas estou indo aí ajudar a caça — lo.
Eu de fato não sabia o era, mas de repente me veio uma possibilidade do que ele tinha vindo fazer.
Ele veio atrás da Alice.
Me vesti apressadamente e sai em disparada para o chalé de Nix.
Chegando lá eu praticamente arrombe a porta, já esperando ver Alice lutando contra um monstro.
Mas não.
Ela estava arrumando calmamente a sua cama.
Será que ela não tinha ouvido o rugido? Duvido muito.
— Você está bem? –perguntei serio
— Eu estou, por que? – ela respondeu confusa
— Quer dizer que você não ouviu o rugido? – arquei uma de minhas sobrancelhas, era simplesmente impossível que ela não tivesse ouvido
— Ah! Isso. – respondeu – Sim eu ouvi, por que?
Acho que ela ainda não percebeu a gravidade de se ter um monstro dentro do acampamento.
— Bom, todo o acampamento está tentando encontrar o dono do rugido. – eu guardei minha espada e cruzei os braços
— Ah, não se preocupe com isso. – falou enquanto terminava de arrumar sua cama
— E eu posso saber porque eu não devo me preocupar com isso? –perguntei sarcástico
— Porque eu sei que o dono do rugido não faria nada contra o acampamento. – Alice respondeu de forma indiferente
— E quem seria o dono? –perguntei ironicamente
Ela apontou para os pés da estátua de Nix, demorou um pouco mas eu consegui vê.
Era um enorme leão, provavelmente do mesmo tamanha de um Leão da Nemia, totalmente negro.
— Uau! Quem é esse? – perguntei surpreso
— Nico, esse é Aslan. Aslan esse é Nico. – ela nos apresentou
— O Aslan não era um gato? – perguntei com a sobrancelha arqueada
— Você acertou quando disse que ele podia ser um protetor enviado pela minha mãe, bem ele é. – Alice disse enquanto colocava a espada no cinto
— Legal. – disse indiferente – Onde conseguiu essa espada?
— Presente da minha mãe. – ela respondeu
— Posso ver?
— Claro. – ela me estregou sua espada
Eu analisei a espada por uns instantes e então falei:
— É de ferro Estígio, como a minha. –Alice fez uma baita cara de desentendida e então eu continuei – armas podem ser feitas de bronze celestial, ouro imperial ou de ferro Estígio. Os dois primeiros são os mais usados.
— Legal. – ela disse depois que eu lhe devolvi a espada
Acabamos ficando sem assunto durante algum tempo, até que eu perguntei:
— Então você já está indo para o Pavilhão de jantar?
— Sim e não! — Fiz uma cara de quem não entendeu nada – Eu não sei onde fica nada, então eu ainda ia ter que procura-lo.
— Eles não te mostraram nada ontem?
— Não.
— Então acho que vou ter que fazer isso eu mesmo. – suspirei tentando parecer cansado, embora estivesse feliz em fazer isso– Venha.
Ela me seguiu até o lado de fora do seu chalé, mas antes de fechar a porta ela olhou para trás e perguntou:
— Você vem? – Aslan fez um som, meio que um miado de leão sei lá, acho que ela era como Percy é com os cavalos, só que com leões — Tudo bem. – ela fechou a porta
— Você pode falar com o seu leão? – perguntei só para confirmar
— Sim, com ele e com todos os felinos. – ela respondeu — O gato é o animal sagrado da minha mãe.
— Eu tenho um amigo que fala com os cavalos. – falei
— Legal.
Antes de irmos para o refeitório eu mostrei à Alice boa parte do acampamento, como: o lago de canoagem, o campo de morangos, o arsenal, a forja, a arena, a enfermaria, os estábulos, a parede de escalada, a casa grande e por último o Pavilhão de jantar.
— Cada chalé tem a sua mesa, — expliquei – antes de comer você tem que queimar na fogueira parte da sua comida para os deuses e os copos são mágicos, basta dizer o que quer e ele se enche sozinho.
Assim que terminei de lhe explicar, dei as costas e fui embora, mas antes que fosse muito longe eu a ouvi falar:
— Obrigada, Nico, por me mostrar o acampamento e por se preocupar comigo quando ouviu o rugido de Aslan.
— Não foi nada. – disse indiferente, mas sabia que estava corado – Até mais.
— Ate. Ah, Nico, você sabe qual é a minha mesa?
Procurei sua mesa por uns instantes e então falei:
— É aquela ali.
— Obrigada de novo. – agradeceu
— De nada. – e fui para minha mesa
Comi meu café da manhã tranquilamente, dando de vez em quando uma pequena olhada para a Alice. Ela estava linda hoje.
Vi Quíron falando com ela, mas não achei que fosse nada de muito importante, provavelmente só estava lhe explicando algumas regras do acampamento.
Depois do café eu tinha aula de arco e flecha com o chalé de Apolo, mas como eu era uma completa negação com a arma eu nem me dava ao trabalho de ir as aulas, atitude que irritava muito o Will.
Voltei para o meu chalé para dormir mais um pouco, afinal eu não tinha nada melhor pra fazer mesmo.
Talvez mais tarde eu fosse para o treino de esgrima com o Percy e o Jason, mas só talvez.
Acabei que nem consegui dormir e quando olhei para o relógio vi que o treino de esgrima começaria em pouco tempo, por isso eu revolvi ir.
Cheguei na arena, mas ainda não tinha ninguém.
Eu estava afiando a minha espada quando eu vi alguém entrar.
Era a Alice.
O que ela estava fazendo aqui?
— O que está fazendo aqui? – perguntei
Notei que ela me procurava com os olhos.
— Eu tenho aula de esgrima agora, mas onde está o restante do pessoal que devia estar aqui? – respondeu sentando ao meu lado
— A aula de esgrima é mais um treino do que uma aula, nem sequer tem um professor. – disse indiferente – Os chalés usam esse tempo para treinar e ensinar os novos campistas.
— Hum... – falou
— Mas como você foi reclamada antes mesmo de chegar ao acampamento e não tem mais ninguém no seu chalé eu receio que você não tenha a mínima noção de como usar uma espada, certo?
— Certo. –Alice respondeu envergonhada
— E como nem o Percy nem o Jason chegaram ainda acho que eu que terei que te ensinar. – falei já me levantando
— Você não é obrigado a nada. – disse ela – E além do mais eu acho que estou me tornando um fardo pra você.
— Você não é um fardo. – murmurei torcendo para que ela não ouvisse
Se fosse outra pessoa eu provavelmente estaria concordando, mas com a Alice era diferente, por incrível que pareça eu estava gostando de sua companhia.
— Quem são Jason e Percy? – ela perguntou, aparentemente não tinha ouvido o meu comentário, e isso era bom
— Dois amigos meus, Percy é aquele que fala com os cavalos – falei com indiferença — Vem eu vou te ensinar a manejar uma espada.
— Ok. – ela se levantou — Nessa aula só tem nos dois e eles? – perguntou
— Sim. – respondi – Quíron deve ter nos colocado todos juntos pois somos os únicos em nossos chalés.
— Então você também está sozinho no seu chalé?
— Sim, quero dizer, eu tenho uma irmã, mas ela é romana. – ele respondeu
— Ah! –pude e que ela ainda não entendia muito bem essa coisa dos deuses terem duas personalidades, mas deixei isso para lá outra hora eu a explicaria
Eu a ensinei o básico da esgrima e ela foi muito bem, para uma primeira vez, claro. Tinha reflexos de um gato, isso provavelmente era pelo fato do gato ser o animal sagrado de sua mãe.
Pouco tempo depois Jason e Percy entram na arena.
—Ei Nico, foi mal ai pelo atraso! É que o Sr. D pediu para eu e o Jason... – falou Percy – Ei você é a campista nova, né? –ele diz assim que vê a Alice
— Sou eu mesma. – ela desvia de um dos meu golpes – Alice Von Schwarz, prazer.
— Eu sou Percy Jackson, o prazer é todo meu. Ele se apresentou
— E eu me chamo Jason Grace. – disse Jason — Von Schwarz, né? É Alemão?
— É sim. – demos uma pausa, seria maldade continuarmos treinando enquanto eles se conheciam — Eu nasci na Alemanha.
— Legal. – falou Jason
Continuamos o treinamento, mas invés de ser só comigo, ela revezava entre treinar com o Percy e com o Jason. Isso me incomodou um pouco, mas não falei nada.
Depois do treino Jason e Percy foram embora, deixando eu e Alice sozinhos na arena.
— Qual a sua próxima aula? – perguntei sentado na arquibancada
— Eu tenho que ir para a parede de escalada. – ela respondeu olhando o seu horário
— Boa sorte. – eu ri
— É tão ruim assim? – ela perguntou
— É, é bem ruim sim. – respondi
— Bom, é melhor eu ir e acabar logo com isso, então. – ela suspirou
—Você vai se sair bem, tenho certeza. – incentivei, mesmo que meu tom indicasse que era uma brincadeira, eu tinha certeza de que ela se sairia bem – Bem, pelo menos eu acho que você não vai demorar muito na enfermaria.
— Valeu pelo apoio. – ela disse sarcástica
— De nada. – falei com um pequeno sorriso
Ela saiu da arena e foi para a parede de escalada.
Deitei-me na arquibancada para descansar um pouco, mas eu não imaginava que fosse cair no sono.
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Acordei algum tempo depois como estava com fome resolvi ir até o chalé de Hermes para comprar alguma besteira, mesmo que os preços fossem um roubo.
Eu estava passando pela Parede de Escalada quando vi que uma enorme multidão se reunia em torno dela.
Olhei lá para cima e quase não acreditei no que eu vi.
A Alice estava lá em cima!!!
O que aquela doida estava fazendo lá em cima???
Eu a observava quando de repente lava começou a cair bem ao seu lado. Por um instante meu coração parou. Alice ia cair, eu até já conseguia ver a cena. Mas seus reflexos de gato as salvaram, ela conseguiu escapar a tempo.
Eu a vi escalar os últimos metros, ao chagar ao topo ela desabou, porem foi logo aparada por uma garota loira. Ao seu lado estava um imenso leão negro, logo percebi que o leão era Aslan.
Uma outra garota terminou de escalar, acho a garota que era a Clarisse, não tinha certeza pois de longe não conseguia ver.
Alice e a loira montaram em Aslan e desceram a Parede de Escalada.
Quando eles terminaram de descer eu vi que a loira era na verdade a Annabeth.
Praticamente corri até elas, mas foi um pouco complicado por causa da grande quantidade de gente.
Ao chegar mais perto percebi que Alice estava desacordada nas costas de Aslan, esse simples fato fez meu coração ficar apertado, será que ela estava bem?
— Annabeth! — chamei
— O que foi, Nico? – ela perguntou – Fale rápido, pois tenho que levar essa garota a enfermaria.
—Eu vou com você até a enfermaria, quero saber se a Alice está bem.
Annie provavelmente deve ter ficado surpresa com a minha a importância que eu dei garota, pois não é normal que eu demonstre tanta preocupação com alguém, principalmente por alguém que eu mal conheço.
— Eu acredito que ela esteja bem. – Annabeth sorriu – Mas por via das dúvidas é melhor nós a levarmos até o Will.
Andamos em silencio e apressadamente até a enfermaria, mesmo que seu desmaio fosse pelo cansaço, ela ainda tinha a queimadura causada pela lava em seu braço.
Quando chegamos na enfermaria Annabeth explicou rapidamente a Will o que tinha acontecido, e ele de forma ágil se pôs a cuidar de seus ferimentos.
Annie teve que sair antes que Will voltasse com notícias de Alice, mas eu permaneci na enfermaria, estava muito preocupado com ela.
Will apareceu pouco tempo depois.
— E então como ela está, Will? – disse de forma preocupada
—Não se preocupe, Nico, Ela está bem. – ele sorriu tentando me acalmar, o que não funcionou – Alice está descansando agora, escalar aquela parede foi demais para ela, que, ainda por cima, não tinha nenhum preparo físico. E a queimadura em seu braço não foi tão grave, eu enfaixei, mas com um pouco de néctar e ambrosia ele ficara bom logo. — Isso sim me acalmou. – Mas não acho que ela vá acordar antes do sol se por. Por isso não tem nenhuma necessidade que você fique aqui, pode voltar as suas atividades. Eu cuidarei bem dela.
Ponderei suas palavras, eu não queria deixa-la, mas Will tinha razão, não tinha nenhum motivo para que eu ficasse ali.
— Will, tem algum problema se eu ficar? – perguntei – Não quero deixa-la sozinha.
Ele sorriu com minhas palavras.
— Por mim está tudo bem, mas você tem certeza de que deseja ficar?
—Sim, eu sou uma das poucas pessoas que ela conhece.
— Então está bem. – ele disse – Siga-me, eu vou te levar até ela.
Segui Will até onde Alice se encontrava, ela estava dormindo tranquilamente, não parecia sentir dor, mas seu braço direito estava enfaixado. Aslan estava deitado ao lado de sua cama, como se, assim como eu, estivesse se assegurando de que ela estava bem.
— Aqui está ela. — disse Will – Vou deixá-los sozinhos.
Eu assenti.
Sentei-me em uma poltrona que tinha ao lado de sua cama e fiquei esperando que ela acordasse.
Sabia que isso provavelmente demoraria, mas não seria tão ruim, pelo menos, eu poderia comtemplar sua bela face enquanto ela descansava.
Mesmo que a conhecesse a pouco tempo já me importava demais com ela, e para mim esse sentimento era muito estranho e novo. De certa forma esse sentimento era aterrorizante, mas ao mesmo tem bom e me fazia querer estar sempre perto dela.
Será que é isso que chamam de amor? Não, isso não é possível, afinal, acabamos de nos conhecer, porem eu posso afirmar que gosto dela, e gosto o suficiente para me importar com ela, me importar de verdade com ela.
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