A Filha da Escuridão
15 Capítulo XV
Notas iniciais
P.O.V. Nico
Não demorou muito para chegarmos em Los Angeles. Pelo menos não para mim, que dormi praticamente a viajem toda.
Me recriminei mentalmente por isso, se algo acontecesse eu tinha que estar alerta, ainda mais agora que tinha prometido proteger a Alice. A mesma não parecia muito preocupada com isso e se foi me acordar quando chegamos no nosso destino.
Fiz questão de reclame com ela sobre isso. Não que eu estivesse realmente bravo com ela. Mas fazer o que, eu tinha uma reputação a manter.
Eu já estava estranhando a tranquilidade de como tudo estava se sucedendo. Em todo o trajeto de Nova Iorque até aqui não tinha nos sido atacados nenhuma única vez.
E isso era algo muito esquisito, pois como semideuses, tínhamos uma espécie de ímã para monstros e coisas do tipo.
Ou estávamos com muita sorte ou algo estava errado. Provavelmente a segunda, já que sorte é uma palavra que não existe em nosso dicionário.
Preferi não comentar nada com a Alice, pois era sua primeira missão e não queria deixá-la ainda mais preocupada do que já estava.
Passávamos em frente a um beco, quase chegando ao estúdio M.A.C. (Morto Ao Chegar, caso você não saiba), quando fomos atacados pelas Benevolentes. Ou melhor, Alice foi atacada, elas passaram direto por mim. Eu teria ficado ofendido por elas não me considerarem uma ameaça em potencial, mas sabia que não era esse o motivo delas não terem partido para cima de mim.
As fúrias são servas do meu pai, nenhuma delas jamais ousaria me ferir.
Eu falei que sorte era algo inexistente para os semideuses.
Alice foi lançada para dentro do beco ao ser atacada pelas fúrias, caso em cima de algumas latas de lixo.
Não me pergunte de onde as Benevolentes haviam saído, pois eu não faço ideia. Num segundo não estavam lá e no outro voavam para cima de Alice. Talvez tenham usado a viajem mas sombras, se é que conseguiam fazer isso.
Parei de especular sobre como as gurias tinham aparecido e fui ajudar Alice, que estava sentada no meio do lixo apontando e tentando se defender dos ataques daquelas bruxas com asas de morcego.
Ataquei uma pelas costas, mas ela percebeu que eu estava fazendo e se virou para se defender, com as garras expostas, pronta para me fazer em pedaços.
Mas assim que me viu e percebeu quem era, recuou, tanto pra desviar da minha espada quanto para impedir que suas as garras me ferissem. Quando ela fez isso, acabou se distanciando de Alice, dando espaço suficiente para que eu me posicionasse entre ela e as outras fúrias.
Pelo canto do olhos vi ela se levantar e sacar seu espada.
— Afaste-se da filha de Nix, Nicolas. – sibilou a fúria que eu havia atacado – Estamos aqui em nome de seu pai. Ele quer a garota.
— Não vou entrega-la. Se a quiserem, vão ter que passar por cima de mim.
— Não temos permissão para machuca-lo.
— Mas eu tenho nada que me impeça de machuca-las. – falei pondo um ponto final naquela conversa.
Avancei na benevolente mais próxima, e Alice fez o mesmo.
Consegui causar um dano considerável ao monstro a minha frente. O que foi relativamente fácil, já que não corria o risco de me ferir, muito menos ser morto. Com um pouco de esforço consegui decapitar a fúria, que se desfez em um monte de poeira dourada, sem deixar outro vestígio para trás.
Alice lutava contra as outras duas restantes, mas de alguma forma ela estava diferente. A forma como ela lutava, como se movia, parecia que seus reflexos de semideus, que já eram incríveis, estivessem ampliados cem vezes.
Então eu notei que não eram só seus movimentos, mas seus olhos também tinham mudado. Suas pupilas não passavam de uma simples linha. Como se fossem olhos de um gato.
Parei de admirar a cena quando uma das benevolentes arrancou a espada de Alice. Achei que ela fosse recuar, já que estava desarmada, mas não.
Alice posicionou os braços a frente do corpo, não para se proteger, mas com os braços esticados, as palmas viradas para frente e os dedos levemente flexionados, como se suas unhas fossem garras. O que logo depois percebi ser verdade, suas unhas tinham se alongado e pareciam perfeitamente afiadas.
O restante da cena é meio difícil de explicar, pois aconteceu tudo muito rápido e eu quase não consegui acompanhar. Mas vou tentar explicar da melhor forma que eu puder.
Acredito que você já deve ter visto dois gatos brigando, certo? Pois foi mais ou menos isso que aconteceu.
Ela tenciono os ombros e pulou em cima da fúria mais próxima. Você leu certo ela literalmente pulou na fúria.
Não sei dizer quem ficou mais surpresos, eu ou as benevolentes.
Porém, não perdi tempo e fui pra cima da outra, que ainda estava em estado de choque e rapidamente fiquei minha espada em seu peito.
Ouvi um grito grotesco de dor, e rapidamente me virei, temendo que tivesse sido ela a gritar, mesmo que aquele não fosse seu timbre.
Felizmente o grito não veio dela, e sim da fúria. A benevolente estava com o corpo recoberto por marcas de garras, mas não tinha gritado por cauda disso.
Alice tinha conseguido enfiar suas unhas no peito da fúria, muito provavelmente perfurando o coração, pois a benevolente se desfez em pó dourado.
— ... Alice? – chamei
Então ela piscou e quanto abriu os olhos seus olhos estavam normais. Suspirei aliviado.
— Sim? – ela respondeu
— Você está bem?
— Um pouco confusa, mas sim, estou bem. – ela falou, deixando bem claro que não queria falar sobre isso no momento.
Apanhei sua espada e lhe entreguei, para minha felicidade, suas garras tinham desaparecido.
Seguimos nosso caminho até o estúdio em silêncio.
Ela parecia tentar entender o que tinha acontecido durante nossa luta contra as fúrias.
Assim que retornássemos do Mundo dos Mortos, tentaria ajuda-la. Mas somente depois. No momento tínhamos que ficar na missão.
Foi tudo muito tranquilo, conseguimos chegar ao estúdio M.A.C. sem encontrar com mais nenhum monstro.
Mandei que Caronte nos levasse até o Mundo Inferior. Uma das vantagens de ser filho de Hades, é poder fazer quantas viagens quiser no barco de Caronte sem ter que pagar nada.
Quando encontramos com Cérbero Alice se animou um pouco.
Mesmo ele sendo um cão gigante com três cabeças altamente mortífero, ela disse que ele era fofo e até afagou sua
Digamos que “fofo” não é um adjetivo muito usado para descrever o guardião do Submundo.
— Nico, agora que estamos, o que devemos fazer? – perguntou Alice, já nos nos Campos de Punição
Confesso que não tinha pensado nessa parte.
— Você não parou pra pensar, não é?
— E eu que tenho que pensar em tudo? – virei o rosto para que ela não me visse corado
— Só perguntei porque você tem mais experiência que eu em missões. – ela falou calmamente — Eu tenho um plano.
— Sou todo ouvidos.
— Como você mesmo disse no acampamento, devemos investigar a cena do crime, a casa da minha mãe.
— E você acha mesmo que vai ser tão fácil assim, porque...
— Deixa eu terminar de falar. – ela me interrompeu – Sei muito bem que a última coisa que minha mãe ia querer agora é que você fosse até a casa dela, visto a situação em que nossos pais se encontram. — Ela fez uma breve pausa para se certificar que eu estava entendendo, eu assenti e ela continuou. – Por isso acho que devo fazer isso sozinha. – fiz menção de protestar, mas com um simples gesto ela pediu que eu me calasse, pedido ao qual obedeci – E enquanto isso você vai falar com o seu pai tentar descobrir como, por exemplo, quem iria querer uma guerra entre os dois e porque. Farei o mesmo com minha mãe.
Tinha que admitir, o plano era bom, mas tinha um grave problema, o
— Alice você tem alguma ideia de onde fica o Castelo de Nix? Acho que seria melhor se eu fosse com você. Eu já estive lá.
— Nico, sei muito bem onde fica, sei que é perigoso, mas tem que ser feito. Não sabemos quanto tempo eles ainda vão aguentar ficar sem se atacar, e dessa forma será mais rápido. Temos que resolver esse problema o mais rápido possível.
Suspirei, derrotado. Sabia que ela estava certa, porém a ideia de deixa-la ir sozinha aí Tártaro não me agradava nem um pouco.
Eu já tinha estado lá, sabia o qual horrível era aquele lugar.
— Só me prometa que vai tomar cuidado. – pedi, quase cedendo ao desespero.
— Prometo.
— Nos encontramos na recepção do estúdio, quando acabarmos.
Ela assentiu e então partiu, me deixando com o coração pesado de preocupação.
Mas eu já deveria saber que não poderia ficar o tempo todo com ela. Ela tinha que saber se proteger sozinha, mesmo que isso significasse que eu teria de deixa-la ir ao pior lugar do
Era o certo a se fazer. Mas se era mesmo o certo, porque eu me sentia tão mal?
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