A Filha Original
41 Epílogo
Notas iniciais
Elijah
Oitenta anos. Esses foram meus longos anos de vida.
Assim como foi dito, Katherine nunca mais apareceu, mas de alguma forma eu sempre sentia sua presença junto a mim, seja em uma sombra, na lua ou em um de seus desenhos. Infelizmente, Petros morreu aos setenta e cinco anos, deixando-me sozinho no mundo por cinco tortuosos e longos anos. Quando minha vez finalmente chegou, eu não podia estar mais feliz, morri vítima de um infarto em uma tarde chuvosa, minhas últimas palavras foram “Até que enfim” e, pela primeira vez em anos me senti livre.
Depois de todo o julgamento lá no submundo, recebi minha sentença: O Elísio. Cara, eu não poderia ter recebido presente melhor.
Assim que pisei no longo gramado do tão sonhado lugar, lembrei-me de tudo o que me aconteceu de bom na vida, me esqueci de todos os problemas, dores e coisas ruins que passei, foi como uma onda enorme que levou tudo para longe de mim, me senti tão leve eu poderia alçar voo.
E então eu a vi.
Como se ainda tivesse no auge de seus treze anos, Katherine vestia a túnica grega negra que ia até seus joelhos, nos pés trazia um All star e uma tiara de louros dourados enfeitavam seus cabelos que estavam presos em uma trança. ”Deuses, por que tão linda?” Pensei.
Depois de todos os anos, a pessoa que eu mais queria estava ali na minha frente, sorrindo para mim. Após segundos de choque, ouvi sua melodiosa voz (da qual eu nunca havia me esquecido)
– Elijah, eu te esperei todos esses anos, vai mesmo ficar ai parado feito uma estátua? – Ela indagou
Corri a seu encontro e a abracei, era estranho sentir seu corpo junto ao meu novamente (principalmente porque estávamos mortos) , senti lágrimas de alegria em meus olhos e percebi que eu com o corpo de quando era jovem.
– Kat, eu consegui, voltei pra você. – Falei
Como resposta, ela levantou a cabeça e me deu um beijo nos lábios.
De alguma forma, eu soube que tudo ficaria bem, agora nada de ruim poderia acontecer.
Katherine
Ver Elijah sofrendo por anos não foi muito legal. Infelizmente, nem eu sabia a data de sua morte, já que são as parcas que decidem isso. Quando enfim o dia chegou, tive que conter a felicidade (eu sei é estranho desejar a morte do outro).
Sobre o que disse de Perséfone não ter se vingado: Esqueça! Pois logo que voltei da visita a Elijah, ela praguejou em dez línguas diferentes (sim, foi tão ruim quanto parece). Nico visitou os reinos de Hades algumas vezes, quando me via acenava ou mandava um jóia para mim. No geral, viver no Elísio era bacana, ainda mais por ver minha mãe a toda a hora.
Minha mãe. Vê-la era perfeito, como se cada dia eu renascesse, quando cheguei ao Elísio foi como se minha vida tivesse sido apagada, de forma que só sobrassem as poucas coisas boas que tive. Ela cuidou de mim, me abraçou e me fez recuperar a sensação de ser amada incondicionalmente (como só uma mãe ou um pai pode amar alguém).
Quando Elijah adentrou no Elísio..,Uau. Me senti completa novamente, achei que ele fosse correr e gritar o meu nome, mas a criatura ficou parada, como uma estátua, desse modo fui obrigada a tomar uma atitude drástica, quem sabe assim a pessoa se ligava que eu estava ali.
Nesse momento, minha mãe,Lara (a filha de Hipnos que se sacrificou no táratro) Petros ,Elijah e eu estamos rindo, como se nada mais importasse. Ver todas as pessoas que amo reunidas e saber que nada pode estragar isso me faz muito feliz.
De fato, eu estava morta, mas nunca me senti tão viva.
Fim
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