A Filha Do Oceano - Segunda Temporada
4 Fuga graças à perna torta
Notas iniciais
–-Como assim não posso ir?!
–-Você ouviu muito bem!
–-Mas vovó...
–-Sem "mas vovó" só por que agora quer alguma coisa vai me chamar de vovó?
–-Mas eu sempre te chamo de vovó!
–-Isso é por que eu sou sua avó!
–-É mesmo? Não me diga!
Minha relação avó-neta não era uma das melhores. Mas vovó fazia de tudo para se livrar de mim, então nunca imaginei um momento como esse.
–-Vovó! Essa é uma oportunidade única! Eu achei que talvez eu nunca fosse voltar ao acampamento! Mas olha agora!
–-Marlyn oportunidades únicas são quando você tem o sonho de achar um milhão de dólares no meio de uma boia salva-vidas com estampas de girafa!
–-Mas isso nem sequer faz algum sentido!
–-Acredite, depois que descobre o verdadeiro segredo do manote dos jacarés sem pescoço, muitas coisas começam a fazer sentido!
–-Que diabos é um manote?
Ela me olhou com uma brisa de ignorância por não saber o seignificado de uma palavra que ela inventou.
–-Foi a Lois que encheu sua cabeça, não foi?
–-Lois? A mãe de seus amigos ruivos? Ah! Ela é um amorzinho! Eu tive uma conversa com seu avô.
Era o que eu podia esperar.
–-Vovó... Por favor! Por favor eu tenho que ir!
–-Sinto muito Marlyn, mas quando seu avô diz alguma coisa, deve ser cumprida!
Não sei o que disse depois da conversa pouco antes de voltar para meu quarto. Deve ter soado como "Ugh-biga-cher--AHHHARRR" ou algo do gênero.
Josh abriu a porta pouco depois de eu entrar. Estava com os cadarços desamarrados e o cabelo bagunçado, como se tivesse acabado de participar de uma maratona "correndo pelo mundo".
–-Teve algum sucesso?--Pelas suas feições abatidas e o olhar que lançou para mim, eu ja sabia a resposta.
–-Não--ele resmungou--Minha mãe ainda acha que eu sou o bebê dela ou algo parecido. Isso é uma droga!
–-Awn... é o bebêzinho da mamãe!--não consegui conter a risada.
–-Cala a boca! Isso não é engraçado! Quando ela vai entender que eu ja tenho dezessete? Ou melhor... que eu sou mais velho que a Harley?!
–-Todos sabemos que a Harley tem condições de se virar melhor do que você.
–-Quer parar com isso! Eu sou tipo... o homem da casa!
–-Puxa me desculpe senhor cabra-macho!--talvez o fato de eu ter falado mais grave a última palavra não tenha agradado ele.
–-Quer saber--ele ia dizendo--Nós vamos aparecer lá para aqueles dois sim!
–-Como assim?
–-Nós vamos fugir!
–-Deuses--eu dizia--Joshua está quebrando as regras? Eu faço milagres!
–-Tudo bem eu não estou brincando!--ele soou sério e bravo--Mas como vamos fugir? A única porta que tem teremos que passar por sua avó e minha mãe...Podemos pedir ajuda!
–-A quem? A sua ir... Não! Por favor não meta a Fósforo nessa!
–-Qual é?
–-Me chamar para o que?
Harley abriu a porta tão suave mente que eu não ouvi som algum. Ela mascava chicletes com sua mesma cara sardenta ignorante. Seu cabelo era curto e repicado, como se ela tivesse metido aquele monte alaranjado em um liquidificador e o prendesse com uma bandana.
–-Ahn...nada não.--eu disso não muito convincente, afinal, eu não gostava de Harley, não gostava de sua arrogância e muito menos como agia perto de Josh.
–-Harley, precisamos de você!
–-Hum...--ela disse
–-Temos que ir embora daqui até amanhã cedo...
–-Hum...
–-Será que pode...
–-Hum...
–-Você está me ouvindo? Harley?!
A garota sobressaltou como se acabasse de acordar de devaneio profundo. Eu não tinha a menor ideia se ela tinha escutado alguma coisa.
–-O que foi?
–-Tudo bem vou resumir...Precisamos que você dê um jeito de nos tirar daqui sem a avó da Marlyn e a mamãe saberem que saímos.
–-E...o que eu ganho com isso?
–-Eu arrumo seu quarto por uma... semana!
–-Mais.
–-Um...mês!
–-Mais.
–-Um mês e... um dia.
–-Mais.
–-Um mês e...dois dias.
Eles ficaram fazendo essa jogada até chegar em seis meses e uma tapeçaria persa, seja lá para que aquela garota doentia queira isso.
–-Certo--ela disse ao terminarem e saiu pela porta fechando-a com uma batida forte.
–-O que foi isso?--eu perguntei
Josh ergueu os ombros.
Um grito me fez dar um salto e sair do quarto rapidamente. Eu e o filho de Hermes estavamos histéricos frente a frente à Harley caída no Chão com a perna virada em um ângulo bem estranho.
Vovó e Lois estavam em volta dela, que dava um berro cada vez que tentavam encostar em sua perna.
–-Ah meu deus Harley! O que aconteceu! O que você estava pensando menina? Onde diabos...--e dentre os discursos da mãe, vi uma piscadela de leve passar pelos olhos da menina da perna quebrada e fiquei imaginando se ela realmente tinha quebrado a perna para nos fazer sair ou era mais um de seus truques.
–-Josh--eu sussurrei de leve--Joshua vamos!
–-O que?
–-É a nossa deixa!
Ele pareceu um pouco pensativo. Olhei para o céu da janela. Um sol de meio-dia exato brilhava.
–-Vamos nos atrasar!
Não esperei ele decidir e acabei puxando-o de uma vez logo para fora da casa. Seja lá o que tenha acontecido depois dentro de casa... não estavamos mais lá.
Passamos pelo porteiro debaixo de prédio, chegando à rua.
–-Não acredito no que aconteceu...não trouxemos nada! E a Harley? O que aconteceu lá em cima? Você ao menos se lembra do endereço.
–-Josh eu não sou tão burra quanto você pensa--e tirei do casaco o papel que Pallas havia me dado:
200 East 66o rua — Nova York, NY 10065
–-Bom... eu pra onde fica isso.
Eu não era um mapa, muito menos conheço Nova York tão bem quanto os nativos. Mas tinha uma vaga noção de onde ficava.
–-Me siga!--e assim nós andamos...
Por mais oito horas.
A cidade grande podia ser um lugar lindo, com pessoas "agradáveis" e "educadas"... mas não era fácil de se locomover.
–-Devia estar aqui--eu dizia já de noite--Deuses...será que estamos no endereço certo?
A rua era silenciosa e escura. Isso não podia ser considerado um fato muito bom se ouvisse um motor de carro muchando.
–-Josh--eu suusurrei--você ouviu isso?
Estava escuro, mas não o suficiente para ver a afirmação da sua cabeça.
–-Escuta--eu continuei sussurrando--se estivermos sendo seguidos, vamos correr. E nada mais.
Mais uma afirmação de cabeça.
–-No tres, tudo bem? Um, dois... TRE...!
Ouvimos a acelerção do carro sincronizadamente com a nossa contagem. Não tivemos tempo nem de gritar ao ver o carro subir no meio fio e nos dar um belo de um empurrão que me fez bater com a cabeça.
Senti minha visão ficando turva e as únicas coisas que via eram duas silhuetas nos carregando para dentro do carro. A única luz realmente era do único farol que funcionava do carro.
Talvez fosse pelas vozes ou pelo cabelo prateado refletindo à luz do farol que me fizessem perceber quem era ali.
Isso poderia ser um alívio se você não soubesse quem eram realmente essas "pessoas".
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