Notas iniciais
oloooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo eu estou tão sozinha...

–-Como assim não posso ir?!

–-Você ouviu muito bem!

–-Mas vovó...

–-Sem "mas vovó" só por que agora quer alguma coisa vai me chamar de vovó?

–-Mas eu sempre te chamo de vovó!

–-Isso é por que eu sou sua avó!

–-É mesmo? Não me diga!

Minha relação avó-neta não era uma das melhores. Mas vovó fazia de tudo para se livrar de mim, então nunca imaginei um momento como esse.

–-Vovó! Essa é uma oportunidade única! Eu achei que talvez eu nunca fosse voltar ao acampamento! Mas olha agora!

–-Marlyn oportunidades únicas são quando você tem o sonho de achar um milhão de dólares no meio de uma boia salva-vidas com estampas de girafa!

–-Mas isso nem sequer faz algum sentido!

–-Acredite, depois que descobre o verdadeiro segredo do manote dos jacarés sem pescoço, muitas coisas começam a fazer sentido!

–-Que diabos é um manote?

Ela me olhou com uma brisa de ignorância por não saber o seignificado de uma palavra que ela inventou.

–-Foi a Lois que encheu sua cabeça, não foi?

–-Lois? A mãe de seus amigos ruivos? Ah! Ela é um amorzinho! Eu tive uma conversa com seu avô.

Era o que eu podia esperar.

–-Vovó... Por favor! Por favor eu tenho que ir!

–-Sinto muito Marlyn, mas quando seu avô diz alguma coisa, deve ser cumprida!

Não sei o que disse depois da conversa pouco antes de voltar para meu quarto. Deve ter soado como "Ugh-biga-cher--AHHHARRR" ou algo do gênero.

Josh abriu a porta pouco depois de eu entrar. Estava com os cadarços desamarrados e o cabelo bagunçado, como se tivesse acabado de participar de uma maratona "correndo pelo mundo".

–-Teve algum sucesso?--Pelas suas feições abatidas e o olhar que lançou para mim, eu ja sabia a resposta.

–-Não--ele resmungou--Minha mãe ainda acha que eu sou o bebê dela ou algo parecido. Isso é uma droga!

–-Awn... é o bebêzinho da mamãe!--não consegui conter a risada.

–-Cala a boca! Isso não é engraçado! Quando ela vai entender que eu ja tenho dezessete? Ou melhor... que eu sou mais velho que a Harley?!

–-Todos sabemos que a Harley tem condições de se virar melhor do que você.

–-Quer parar com isso! Eu sou tipo... o homem da casa!

–-Puxa me desculpe senhor cabra-macho!--talvez o fato de eu ter falado mais grave a última palavra não tenha agradado ele.

–-Quer saber--ele ia dizendo--Nós vamos aparecer lá para aqueles dois sim!

–-Como assim?

–-Nós vamos fugir!

–-Deuses--eu dizia--Joshua está quebrando as regras? Eu faço milagres!

–-Tudo bem eu não estou brincando!--ele soou sério e bravo--Mas como vamos fugir? A única porta que tem teremos que passar por sua avó e minha mãe...Podemos pedir ajuda!

–-A quem? A sua ir... Não! Por favor não meta a Fósforo nessa!

–-Qual é?

–-Me chamar para o que?

Harley abriu a porta tão suave mente que eu não ouvi som algum. Ela mascava chicletes com sua mesma cara sardenta ignorante. Seu cabelo era curto e repicado, como se ela tivesse metido aquele monte alaranjado em um liquidificador e o prendesse com uma bandana.

–-Ahn...nada não.--eu disso não muito convincente, afinal, eu não gostava de Harley, não gostava de sua arrogância e muito menos como agia perto de Josh.

–-Harley, precisamos de você!

–-Hum...--ela disse

–-Temos que ir embora daqui até amanhã cedo...

–-Hum...

–-Será que pode...

–-Hum...

–-Você está me ouvindo? Harley?!

A garota sobressaltou como se acabasse de acordar de devaneio profundo. Eu não tinha a menor ideia se ela tinha escutado alguma coisa.

–-O que foi?

–-Tudo bem vou resumir...Precisamos que você dê um jeito de nos tirar daqui sem a avó da Marlyn e a mamãe saberem que saímos.

–-E...o que eu ganho com isso?

–-Eu arrumo seu quarto por uma... semana!

–-Mais.

–-Um...mês!

–-Mais.

–-Um mês e... um dia.

–-Mais.

–-Um mês e...dois dias.

Eles ficaram fazendo essa jogada até chegar em seis meses e uma tapeçaria persa, seja lá para que aquela garota doentia queira isso.

–-Certo--ela disse ao terminarem e saiu pela porta fechando-a com uma batida forte.

–-O que foi isso?--eu perguntei

Josh ergueu os ombros.

Um grito me fez dar um salto e sair do quarto rapidamente. Eu e o filho de Hermes estavamos histéricos frente a frente à Harley caída no Chão com a perna virada em um ângulo bem estranho.

Vovó e Lois estavam em volta dela, que dava um berro cada vez que tentavam encostar em sua perna.

–-Ah meu deus Harley! O que aconteceu! O que você estava pensando menina? Onde diabos...--e dentre os discursos da mãe, vi uma piscadela de leve passar pelos olhos da menina da perna quebrada e fiquei imaginando se ela realmente tinha quebrado a perna para nos fazer sair ou era mais um de seus truques.

–-Josh--eu sussurrei de leve--Joshua vamos!

–-O que?

–-É a nossa deixa!

Ele pareceu um pouco pensativo. Olhei para o céu da janela. Um sol de meio-dia exato brilhava.

–-Vamos nos atrasar!

Não esperei ele decidir e acabei puxando-o de uma vez logo para fora da casa. Seja lá o que tenha acontecido depois dentro de casa... não estavamos mais lá.

Passamos pelo porteiro debaixo de prédio, chegando à rua.

–-Não acredito no que aconteceu...não trouxemos nada! E a Harley? O que aconteceu lá em cima? Você ao menos se lembra do endereço.

–-Josh eu não sou tão burra quanto você pensa--e tirei do casaco o papel que Pallas havia me dado:

200 East 66o rua — Nova York, NY 10065

–-Bom... eu pra onde fica isso.

Eu não era um mapa, muito menos conheço Nova York tão bem quanto os nativos. Mas tinha uma vaga noção de onde ficava.

–-Me siga!--e assim nós andamos...

Por mais oito horas.

A cidade grande podia ser um lugar lindo, com pessoas "agradáveis" e "educadas"... mas não era fácil de se locomover.

–-Devia estar aqui--eu dizia já de noite--Deuses...será que estamos no endereço certo?

A rua era silenciosa e escura. Isso não podia ser considerado um fato muito bom se ouvisse um motor de carro muchando.

–-Josh--eu suusurrei--você ouviu isso?

Estava escuro, mas não o suficiente para ver a afirmação da sua cabeça.

–-Escuta--eu continuei sussurrando--se estivermos sendo seguidos, vamos correr. E nada mais.

Mais uma afirmação de cabeça.

–-No tres, tudo bem? Um, dois... TRE...!

Ouvimos a acelerção do carro sincronizadamente com a nossa contagem. Não tivemos tempo nem de gritar ao ver o carro subir no meio fio e nos dar um belo de um empurrão que me fez bater com a cabeça.

Senti minha visão ficando turva e as únicas coisas que via eram duas silhuetas nos carregando para dentro do carro. A única luz realmente era do único farol que funcionava do carro.

Talvez fosse pelas vozes ou pelo cabelo prateado refletindo à luz do farol que me fizessem perceber quem era ali.

Isso poderia ser um alívio se você não soubesse quem eram realmente essas "pessoas".

Notas finais
eu inventei a palavra MANOTE não adianta pesquisar no seu dicionário ou no google por que eu já fiz isso pra me certificar de que essa palavra NÃO EXISTE!