A Filha Do Oceano - Segunda Temporada
7 Criança cheia de surpresas
Notas iniciais
Após seu discurso, Sr.D continuou seu almoço sem dar satisfações a nós.
Pallas tinha se levantado e caminhado até ele. Ela parecia implorar por trás dos óculos de sol e também... parou.
Agora ela estava agradecendo... agora ela parecia que ia beijar ele... ECA!... agora ela parecia que ia beijar os pés dele... ECAAA!... agora ela parecia extra ordinariamente feliz... e ela estava voltando pra cadeira.
Ela não estava muito longe. Mas não perto o suficiente para conversar.
Depois do almoço, Calvin conseguiu me puxar até o anfiteatro. Sabe-se lá o por que, não consegui ver Josh, Percy ou Annabeth depois de comer, e mesmo que Dionísio não nos tenha mandado para fora imediatamente, continuava preocupada. Mas quando vi no arsenal o elemento principal do "trio parafernalha" dito por Dionísio, não pude deixar de perguntar.
–-O que foi que aconteceu lá, Pallas?--eu a encarei incrédula.
–-Ele deixou que nós ficássemos por aqui até à meia-noite... talvez ele tenha deixado por eu ter inventado uma história de um ogro que acabou quebrando o nosso carro.
–-Mas ogros não existem.
Sua cara foi como se acabasse de descobrir um mundo novo.
–-Oh... Mas tudo bem! Ele deixou nós ficarmos aqui até de noite.
–-Isso é estranho --disse Calvin--Muito estranho...ele não deixaria que nós ficássemos aqui... NUNCA!
–-Pallas--eu comecei--Você disse alguma coisa além disso?
Ela pareceu meio pensativa. Podia ter acabado de conhecê-la, mas sabia que não era uma boa atriz.
–-Hum... Nada! Agora vamos! Temos que conhecer algumas pessoas para irem com a gente!
–-Mas Pallas...
De novo. A mesma criatura de cabelos prateados saiu sem me dar as devidas explicações.
Durante a tarde, não vi Percy ou Annabeth... nem mesmo Joshua. Foi outra pessoa não muito de meu agrado.
Já deviam ser por volta das cinco horas quando uma figura magricela e ruiva veio até mim.
–-Marlyn!--Harley gritou--Marlyn... onde está o Josh?
–-O que... Harley? Não... por favor agora não! Tem que esperar um pouco antes de ir embora!
–-Sinto muito--ela balançou negativamente a cabeça e os cabelos ruivos curtos--Mas eu fiz o que tinha que fazer. Agora a mamãe está ficando maluca com ele.
–-E a minha avó? O que ela fez?
–-Ela? Ah! Ela realmente acha que você é capaz de fazer a missão.
–-Mesmo?
–-NÃO! Ela está no carro com minha mãe. Você acredita bastante nas coisas menina.
–-Tudo bem... pode pedir para ela... não sei... esperar um pouco? Por favor Harley! O destino do mundo depende de você!
–-Hum--ela fez uma cara pensativa--Gostei dessa frase... mas não foi o suficiente.
–-Tudo bem--eu sabia que eu ia me arrepender de fazer essa pergunta--O que você quer?
–-Eu vou com vocês!
–-Humpf... não--isso deve ter soado como um engasgo ou uma convulsão. Ir numa missão com Harley não é igual a ir à padaria ou atravessar a rua. Era mais como se entrasse em uma caixa onde qualquer coisa que encostar vai te machucar gravemente ou deixar seu cabelo azul.
–-Tudo bem então... Vamos, você tem que ir embora!
–-Não! Não! Não!--eu gritei--Não... Vamos me diga... Outra coisa!
–-É isso ou nada—ela cruzou os braços dando seu sorriso largo repleto de covinhas.--Quer dizer... Isso ou temos que ir...AGORA!
Eu ia me arrepender muito disso. Muito mesmo. Minha vida podia não ter o menor sentido, mas qualquer oportunidade me faria enlouquecer se pudesse traze-lá de volta. Eu realmente não tinha a menor idéia do que Pallas pode ter dito ou visto sobre o fim do mundo. Mas Harley não ia me deixar perder a oportunidade de descobrir.
–-Harley...--eu comecei--Nem sabemos se vamos ir. O oráculo tem que nos dar uma missão para irmos... Não posso simplesmente dizer que você vai com a gente!
Ela pareceu pensar. Suas sobrancelhas arqueadas desceram na altura dos olhos e seus lábios se contorceram.
–-Mas se realmente puder ir, eu vou junto.
Novamente. Eu. Vou. Me. Arrepender. Disso.
–-Tudo bem!--isso foi uma meleca. Colocar a pessoa que você mais odeia em uma missão é o pior erro que você imagina ter cometido. Não façam isso em casa... Principalmente se essa pessoa te odiar de volta, como é o caso.
Olhei para o horizonte. O sol estava se pondo. Rachel não poderia demorar muito até o fim do dia para profetizar alguma coisa.
A fósforo tinha ido avisar seu irmão sobre... Sobre tudo! Calvin não parava de caminhar junto à sua companheira Pallas. Percy tinha desaparecido e Annabeth devia estar em seu chalé arquitetando, ou seja, lá como se é feita a conjugação do verbo aprender arquitetura.
Caminhei até a arena de combate. Tinham poucos campistas por lá. Sra.O’Leary estava presa como de costume e abanava seu rabo enquanto latia feliz para os semideuses em treino.
Em sua maioria eram filhos de Ares. Podíamos ver pelo jeito bronco e arrogante do deus. Uma coisa me chamou muito à atenção. Uma pequena menininha. Deveria ter por volta de uns oito ou nove anos. Empunhava uma espada. Tinha cabelos louros mau cortados, um pouco mais longos que os de Harley talvez. Eu nunca a tinha visto, mas ela se virou para mim correndo. Talvez me confundisse com outra pessoa ou...
–-Você é Marlyn Gödert?
Por mais estranho que achasse, concordei com a cabeça.
–-Ah! Que ótimo! Pode pedir para o Quíron conseguir uma missão para mim?
Eu não entendi direito a pergunta da garotinha. Nunca havia visto uma criança tão pequena pelo acampamento, apesar de saber que Annabeth veio parar por aqui bem nova.
–-Para que você precisa de uma missão?--eu perguntei enquanto aqueles redondos olhos castanhos brilhavam.
–-O Sr.D disse que quanto mais deixássemos orgulhosos nossos pais, mais chances teríamos de ser reclamados.
–-Você sabe quem é seu pai?
Ela negou com a cabeça.
–-Nem um deles.
Aquilo soou realmente triste.
–-Acho que já está na hora de Jantar. Você vem?
Ela deu um sorriso largo. E começou a caminhar na minha frente. Por mais preocupada que estivesse em relação à profecia...e à Harley... e à Percy... Eu realmente queria deixar um pouco esses problemas de lado e comer junto à essa criança de oito anos.
–-Ah! Mandaram eu entregar isso para você!
A menininha loira pegou uma caixa que estava logo ao lado de sua espada e me entregou. Eu segurei a caixa com força. Era pesada e fazia barulho quando à chacoalhava.
–-Quem mandou isso?
–-Ah! Foi uma moça!--ela disse parecendo meio confusa--Ela disse que você saberia o que fazer com isso... eu não entendi muito bem o que ela falou. Mas eu acho que tem algo à ver com a missão que eu quero!
–-Por que a caixa que uma moça te entregou teria à ver com uma missão?
–-Porque foi ela quem me deu a idéia de pedir, mas Quíron não me deixou ir até o oráculo...ele acha que eu não sou capaz...
Eu abri a caixa com um pouco de força. A fita adesiva estava desgastada. Ao olhar dentro, meus olhos pareciam o da menininha ao me pedir a missão. Meus barcos. Sabe-se onde eu os esqueci... estavam ali! Pelo menos os que sobraram...Tinham uns quatro encobertos com isopor. Dominus II não estava lá,minha antiga caravela negra.
Com quem essa menina andou falando?
–-Qual é o seu nome?
–-Sou Nell--ela disse enquanto saímos--Sem sobrenome... eu nunca fui adotada... Vamos! Estou com fome!
Cada vez mais estranho...
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