A Filha Do Oceano
36 Fim -Especial de Natal P.O.V Marlyn-
Notas iniciais
Vou narrar isso pra vocês como se fosse uma coisa completamente fácil apesar de não ser.
–-Arrume suas coisas até o entardecer e se retire com os outros campistas que voltarão para suas casas.
Isso soou mais como um "Se manda logo daqui sua inútil!"
Poderia ter sido pior...
Quer dizer... mais ou menos...
Não,pensando bem foi as duas coisas.
Na enfermaria, parecia que eu tinha feito uma invocação ou reencarnado Pã ou seja lá o que que atraiam as ninfas. Pareciam que todos os espíritos da floresta estavam lá me enfiando néctar e ambrosia e eu mesma vi meus ossos entrando em combustão.
Mas tinha outra pessoa lá.
–-E aí estranha?
Quando vi aquele garoto ao lado das ninfas usando um colar de contas e uma camiseta laranja...
Não... não vi...
Eu desmaiei...
Mas eu vi depois que acordei...
–-Jo-jo-sh...
–-Vamos repita comigo: JOOH-XUUH-AAAAH
–-O que você está fazendo aqui?!?--perguntei indignada--Como você está aqui?!?
Ele remexeu seu colar de contas e me mostrou um caduceu meio torto
–-Hermes?--perguntei--Você é um simideus!!!
Minha cara deve ter sido de puro pânico pois ele deu um saldo da beira da cama olhando para os lados.
–-Não grite!--ele virou o rosto para observar os outros campistas feridos--Você ainda está na enfermaria lembre-se disso.
Eram coisas de mais para uma tarde só.
–-Eu soube de tudo o que aconteceu--ele disse--mas eu demorei um pouco para vir... quer dizer você me fez atrasar com aquele seu barquinho idiota sem névoa!
–-Me desculpe...
Ele deu seu sorriso largo e típico. Me lembrei por um momento... Josh tinha uma irmã. Harley. Mais conhecida na escola como fósforo por causa do cabelo vermelho e espetado como uma chama e sua mania compulsiva de colocar fogo nas coisas. Nunca fomos muito próximas, sempre que falávamos umas com as outras era sobre reclamações de ela ter passado esmalte no meu sabonete.
–-E a...--eu ia perguntando, mas ele pareceu ler meus pensamentos
–-A Harley?--ele virou o rosto com desgosto--Hermes também--ele fez uma pausa--Acho que sou a maior decepção do meu pai.
–-Não--disse fazendo um estalo com a língua.
Ele me olhou como se dissesse"Sério?"
–-Sim...--eu disse--Talvez...mas isso não importa agora
–-Eu soube sobre seus pais... e seu pai... isso foi a baita de uma coragem. Mas vai ficar tudo bem. Você vai ficar no acampamento e vamos nos ver todos os verões e...
–-Joshua!
"Ficar no acampamento"
–-Eu não vou ficar...
–-Como assim?--agora a cara de pânico era dele--Para onde você vai?
Dei ombros.
Passeamos e ouvimos os boatos sobre tudo o que eu havia feito. Ouvimos alguns cochichos e dedos apontados. Alguns eram altos demais e eram possíveid de entender como:
"Ela? Expulsa?"
"Sabia que ela não era de muita confiança"
"Qualquer um conseguiria fazer isso! Aposto que ela recebeu uma bênção!"
"Tenho certeza que aquela espada tem a ver com a "Teoria da conspiração das canetas de Percy Jackson"!
A tarde chegou. Os campistas se retiraram e agora sem sua espada e itens, não tinha nada para arrumar.
Conseguiu dar um breve aceno aos novos pombinhos do acampamento mais conhecidos por Percy e Annabeth. Odiava tudo aquilo.
Uma garotinha pequena e loira me chamou a atenção. Era uma campista comum, mas no acampamento ja não haviam muitos campistas tão pequenos, muito menos depois da batalha de Manhattan. Foi a única criança que eu vi.
Me despedi da família de Joshua que logo partiria para a Australia. Harley Me deu um aceno. Joshua me abraçou e Lois, a mãe dos irmãos, Mais parecia que ia me esmagar como se esmaga um besouro com seu abraço de urso.
Um tribunal decidiu para onde minha vida seguiria. Um Juiz com seus cabelos em um topete com muito gel e sua cara de papelão amassado me fez tentar relembrar o passado da minha família.
Eu mesma fiquei um tanto curiosa. Acho que antigamente fiquei me perguntando tanto por meu pai que nunca pensei em avós ou tios.
Um outro membro do tribunal entregou um pedaço de papel que mais lembrava um pergaminho ao cara de papelão.
–-Bem vejamos...Sua mãe não parece ter irmãos e não temos registro de seu pai.
Um outro senhor mais jovem sentado nas arquibancadas de madeira soltou um murmúrio que soou como uma tosse. "safadinha"
Eu me virei para ele emburrada enquanto dava leves risadas. O Juiz cara de papelão continuava a ler o papel com os óculos nas pontas do nariz.
–-Seu avô foi atingido por um raio...
Comecei a pensar mais sobre a vinda de Poseidon para minha árvore genealógica.
–-E me Parece que sua avó...
Ele nem vai terminar a frase, vai me mandar para um orfanato antes de acabar de ler esse pergaminho idiota.
–-Viva...
Essa palavra ecoou em minha mente durante alguns minutos. Tentei repetir a frase pensando que haveria um não antes do viva ou qualquer outra coisa. Mas foi bom. Senti finalmente uma chama de esperança brotando em mim, pensando apennas: Vai ficar tudo bem! ou Você vai esquecer tudo desses últimos meses em tres...dois...
–-Nova York!
Eu parei no tempo? Não podia ser verdade.
–-O-o-o q-que?
–-Ela vive em Nova York! Não muito longe daqui!
Eu me levantei da cadeira gritando e esperneando. Tudo o que eu queria era esquecer o lugar de onde fui rejeitada! Era tudo o que eu queria agora! Mas parece que nunca nada quer cooperar comigo!
No fim das contas o nome dela era Lucille. Uma pessoa bem legal se é que me permite dizer. A conheci no mesmo dia após a cerimônia e ela ter respondido o telefonema dizendo que me aceitaria em sua casa. Me mudei para lá uma semana depois.
Era considerada pelos vizinhos com um parafuso a menos. Vovó Lucy andava com roupas extravagantes e na maioria das vezes cor de rosa o que a fazia parecer Vovó Barbie.
Ela também tinha um certo gingado na hora de andar e falava alto de mais. Tinha cabelos grisalhos e geralmente tingidos por alguma tinta barata. Tinha Grandes òculos de tartaruga e um ódio inevitável dos deuses e de seu marido morto, o qual discutia de vez em quando.
Mas ao longo do tempo começou a amar a avó e aprendeu a conviver mesmo quando chingava as outras pessoas e se autoameaçava a mudar para a Finlandia pelo alto custo de vida em Nova York.
Uma coisa inovadora sobre vovó Lucy : Ela podia ver através da névoa
Uma coisa estranha sobre vovó Lucy : Ela era uma ótima espadachim
Uma coisa medonha sobre vovó Lucy : Ela se autodenominava Mosqueteira Rosa
Eu nunca esqueci o que eu vivi.
E nem do acampamento.
Nem da minha mãe que sofre a cada segundo.
Nem de meu pai.
Dos Cabiros.
Ou de qualquer outra coisa que não seja a humilhação de ter sido irada desse mundo que eu amava.
Mas algumas perguntas ainda rodavam em minha mente.
Muitas perguntas sem respostas.
Acho que com o tempo poderei descobrir tudo o que quero saber.
Mas é o fim...
Ou não.
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