A Filha Do Oceano

20 Annabeth e os sete anões -Annabeth-


Aquele tinha sido um bom dia retirando a parte do pesadelo de Marlyn.

Annabeth vagava pelo corredor lendo cada nome escrito em cada porta de Madeira e sua distância das outras portas.

O dia se passava e pela primeira vez,ela foi acompanhada pelos sete Cabiros que os estavam ajudando enquanto Percy e Marlyn insistiram em descansar um pouco.

Eles caminhavam ao lado dela,um por um soltando um bocejo longo e esperando por uma soneca.

Olhou as horas em um relógio de pulso,notando que já estava tarde,mas estava sem sono e sem a menor vontade de voltar ao quarto.

Caminhou pelo corredor.Pareceu andar mais ou menos uns cinqüenta metros até notar que parecia andar em círculos,se virou para os cabiros.

–Sabem o que está acontecendo?-disse em grego

Negaram com a cabeça.

–Bem...Acho melhor continuarmos.

Nunca havia ficado até tão tarde naquele corredor,ele ia escurecendo por si só.Não pareciam mais andar em círculos,mas para um outro lugar.O corredor ia se estreitando e perdendendo a quantidade numerosa de portas,logo,teve que dar a mão aos anões para não se perderem pois a escuridão era total.O corredor se estreitou o suficiente para terem de andar de lado,e,mesmo voltando,ele não se abria de novo.

Caminharam assim por um bom tempo até o corredor se alargar para algo que parecia uma sala vazia e dominada pela escuridão,até que um feixe de luz branca vindo sabe-se lá de onde,iluminando uma bancada comprida e quadrada de Madeira,na qual continha um livro,Annabeth,seguiu até lá,ainda de mãos dadas aos anões, e,por curiosidade,abriu o livro.

Em branco.

Folheou todas as páginas em sépia,fechando e abrindo a enorme capa de couro preto.

Tentou uma última vez sem sucesso e desistindo,fechou o livro.

Letras em um tom de prateado serpentearam o couro,surgindo letras legíveis e bem desenhadas na capa,dizendo:

Não se pode,por curiosidade,ver as coisas como são

Ela olhou intrigada para as letras que se dissolveram como em um passe de mágica da capa.

–O que é...?

Outras letras surgiram entre bronze e prateado rabiscando a capa de couro:

Tente usar as coisas de acordo com a sua função

Continuou encarando o livro com os olhos semicerrados.

Eu sei o que você procura

Ela folheou novamente as páginas,que continuavam em branco,fitou seus sete companheirinhos que pareciam saber ainda menos que ela o que se passava.

Apenas...Apenas procure em mim algo que sou capaz de conter.

Ela respirou fundo,fechando os olhos e com concentração máxima.O que ela mais queria...

Ela abriu o livro que foi encoberto por uma névoa cinzenta,após algum tempo,se dissipou revelando uma imagem.Era...era...

–Isso...-dizia ela olhando para a imagem de uma Manhattan completamente reconstruída,com sua mãe e seu pai e...Luke-foi o que eu vi quando me encontrei com as sereias no mar de monstros...Mas eu não estou procurando por isso!

Mais letras se formaram no ar com finos filetes de névoa demonstrando mais uma caligrafia incrível.

Isso é o que você deseja, e não o que procura...O que procura Annabeth?

Pela primeira vez,as letras demonstraram saber seu nome

Annabeth deixou de lado um pouco o que pensava sobre...tudo.Aquilo era algo que não se tornaria real,e não era o que ela precisava,esfumaçou a névoa com as mãos tornando o ambiente escuro novamente e tomando o livro nas mãos,abriu-o,fazendo escorrer uma névoa,só que negra,iperceptível na escuridão,reconhecida apenas pelo reflexo da luz que iluminava o livro. Annabeth girou a maçaneta entrando em um lugar levemente mais claro,banhado por um rio negro de reflexos cinzentos,e que ao caminhar,levava a uma velha casa,despedaçada e antiga,mas igualmente escura,ao fechar a porta e voltar pRa a sala,se viu em um lugar que não era mais a grande sala escura,mas o final do corredor,ao julgar pela luz,acabara de amanhecer.

A porta continuava ali,só que mais sólida que antes,mais visível que na escuridão e a certeza de Annabeth era maior do que nunca:Encontrara a casa de Estige.