A Filha De Hermes
3 Mergulhando Leo Valdez no lago de canoagem
Notas iniciais
Quando saí da enfermaria, pensei que iria ver um Acampamento de Verão, mas o que eu vi não era um Acampamento de Verão.
A enfermaria ficava do lado de uma casa grande e azul. Perto da enfermaria havia uma quadra de vôlei. Havia um monumento grego grande e com cobertura, dentro dele tinha uma mesa grande que continha vários pincéis, vasos enfeitados e aventais. E em volta da mesa tinha vários cavaletes, telas e várias outras coisas de pintura. Atrás de mim, havia uma colina enorme e no topo dela tinha um grande pinheiro, maior que os outros que já vi na vida. Até aí, tudo bem, pra mim ainda parecia um acampamento normal. Mas o problema, é que nesse pinheiro grande tinha um dragão enroscado nos galhos. Dragão. E num galho, perto da cauda do dragão, tinha um cobertor dourado e brilhante, que talvez estivesse lá pra aquecer o dragão. Mas quando eu forcei mais a vista, percebi que não era um cobertor. Era uma lã dourada.
–Um Velocino de Ouro? Vocês tem um Velocino de Ouro? – perguntei para Leo, perplexa.
–Não é um Velocino de Ouro. É O Velocino de Ouro. O autêntico, pois é. – Leo respondeu, com tom orgulhoso.
–C-como? Tipo assim, o verdadeiro? – perguntei/gaguejei surpresa.
Leo assentiu.
–E nós temos aquele dragão só pra proteger o Velocino.
Tentei parecer séria, calma e confiante. Mas não dava muito certo quando havia um dragão enroscado num grande pinheiro protegendo O Velocino de Ouro. Eu devia estar com uma cara engraçada, pois Leo riu.
–Faz alguns anos que o Velocino está aqui... Quando o acampamento sofria de tristeza, pois eu ainda não estava aqui.
–Você é sempre tão exibido e irritante? – perguntei, olhando pra ele.
–Não, às vezes sou mais. – Leo respondeu, ainda encarando o dragão. Ele olhou pra mim e esfregou a mão na outra. – Vamos continuar com o passeio turístico?
–Vamos lá, galã de quinta categoria.
Leo fez uma careta pra mim e continuou me guiando pelo Acampamento. Quanto mais a gente andava, mais eu percebia que aquilo, realmente, não era um acampamento normal. [N/Autora: é claro que não é normal, é um acampamento para semideuses U_U]
Havia um rio dividindo o Acampamento. E esse rio alargava e dava lugar para um lago, que tinha muitas canoas com várias crianças andando nelas, ou seria canoando nelas? Sei lá.
Do lado leste do rio, Leo me mostrou a Casa Grande (que era aquela grande casa azul), a quadra de vôlei, o Anfiteatro, que tinha alguns jovens sentados nas arquibancadas ouvindo uma menina loira e alta dando aula ou sei lá o que, mostrou também o Artes e Ofícios (que era aquele monumento grego com coisas de pinturas)e a parede de escalada, que tinha uma menina escalando. Eu pensei que era apenas uma parede de escalada, mas quando a menina escalou até o meio da parede, começou a cair lava. Eu gritei.
–AQUELA MENINA VAI SER FRITA!
–Vai nada, Lily é uma ótima escaladora. – Leo disse, calmo.
–A PAREDE ESTÁ TREMENDO! E TEM LAVA SAINDO DELA!
–Ué, nós somos semideuses. Não basta saber escalar, tem que aprender a escalar com terremoto e lava também.
–Não vou escalar essa parede nem morta. – eu disse, com os olhos arregalados encarando a Lily terminando de escalar a parede, sem nenhum problema.
Ele riu.
–Tudo bem, vamos continuar.
Leo me levou para o lago de canoagem, pra me mostrar o outro lado do Acampamento. Quando chegamos lá, olhei para a água e vi uma menina sentada no fundo do lago, de pernas cruzadas acenando pra mim. Acenei de volta, assustada e em transe.
–O que essa menina está fazendo no fundo do lago? – eu perguntei para Leo, ainda acenando para a garota.
–Ah, ela é uma Náiade, uma ninfa das águas. Ela respira em baixo da água, obviamente. Não se preocupe. – ele me ajudou a subir na canoa, logo que me sentei na canoa, ele estendeu um remo para mim. Fiz uma careta pra ele – o que é? Você vai ter que ajudar a remar, Lia. Nem vem com essa cara.
Eu peguei o remo, lembrando de uma vez, em um passeio com a escola, que eu andei de canoa com um menino e eu me desequilibrei e acabei virando a canoa. Sem querer. E o garoto acabou batendo a cabeça com força numa pedra do fundo do lago.
–Tudo bem? – Leo perguntou.
–Ahm, sim. Então... vamos lá remar. Uhu. – eu disse, sem animação alguma.
E com esse último comentário, mal começamos a remar e eu virei a canoa. E sim, eu e o Leo caímos no lago.
Eu abri os olhos de baixo d’água e vi Náiades ajudando Leo a voltar pra margem. Decidi que não precisava da ajuda de ninguém pra nadar até o topo, e fui nadando pra cima. Era bem fundo pra um lago normal, mas tudo bem.
Meu primeiro dia no Acampamento e já derrubo um garoto num lago? Mais um lugar para ser expulsa.
Quando cheguei a margem, vi que Leo estava olhando para a água, provavelmente me procurando.
–Cadê ela, cadê? Santo Hefesto, ela não pode ter se afogado! Não, não, não...
Andei calmamente até ele.
–Oi, Leo. – eu disse, cutucando as costas dele. Leo gritou.
–PELOS DEUSES! QUE SUSTO, CARA! – disse, colocando a mão no peito e ficando com uma cara de que viu fantasma.
–Não tenho culpa se você não me viu!
–“Ah, Leo. Desculpa por derrubar você da canoa e quase ter nos afogado, sinto muito por ter quase ter te matado do coração e você é muito lindo” – ele disse, numa irritante e idiota imitação da minha voz.
–Cala a boca. – eu disse.
–Que ótimo pedido de desculpas.
–DESCULPA! – gritei – tá bom assim?
–Falta dizer que eu sou lindo. – disse, me cutucando com o cotovelo e piscando.
–Já disse que você é irritante? – eu perguntei, com os braços cruzados.
–Sim, disse também que eu sou exibido e que tenho um cabelo legal. Sabe o que falta?
–Falar que você é lindo? – encarei ele, xingando-o em vários nomes mentalmente.
–Aham.
–Não, obrigada. – respondi, rapidamente — Que tal continuar a me mostrar o Acampamento?
Leo bufou.
–Vamos lá.
Ele andou, batendo os pés. Fiz uma careta e fui andando até Leo.
Fiquei boquiaberta quando vi os chalés. E a única coisa que consegui dizer foi:
–Uau.
Os chalés eram distribuídos em um O, numa área equivalente a um campo de futebol (mais ou menos). Havia um chalé, maior do que outros, que parecia uma grande caixa de mármore branco, com colunas pesadas na frente. As portas pareciam feitas de bronze. Por um momento, pensei ter visto um raio atravessando o chalé.
Do lado direito dele, havia um chalé que, depois do chalé com raios, era o maior de todos. É feito de mármore branco, com colunas delicadas e encimada com romãs e flores. Nas paredes, tinha desenhos de pavões.
Do lado esquerdo dos chalés, tinha um chalé comprido e baixo. As paredes são feitas de pedras azuladas e rústicas, com várias colchas e corais coladas nelas. Tinha cheiro de mar. Não sei o que isso significa, mas tem. Tinha outro chalé, mal-pintando de vermelho, com o telhado forrado de arame farpado e com uma cabeça de javali empalhada acima da porta. Era pintado com espadas, escudos e lanças no mármore escuro. De longe eu senti o cheiro ruim dele. O outro chalé era feito de ouro sólido, se eu olhasse por mais 5 segundos, poderia até ficar cega. Nas paredes, tinha desenhos de algumas notas musicais. Tinha outro chalé bem simples, feito de madeira e pintado de marrom claro, com várias chaminés. Podia ouvir barulho martelos e parafusadeiras vindo dele. Havia um chalé que é o mais simples de todos. Feito de madeira e nem era pintando. Em cima da porta tinha um caduceu, e eu podia ouvir muitas risadas vindo dele. E tinha outro chalé, com cor de vinho escuro. Tinha desenhos de vinhas e uvas nele.
Do lado direito dos chalés, depois do chalé com romãs, havia um chalé feito de mármore escuro e um pouco marrom, com tomateiros nas paredes e várias plantas em volta dele. Tinha uma cobertura feita de grama de verdade. Do lado, um chalé feito de mármore cinza e polido, ornado com colunas torcidas em tranças. Acima da porta, tinha uma coruja desenhada. Depois desse, tinha um chalé feito de prata pura (pelo menos eu acho), com colunas de mármore branco na frente. Nas paredes ao lado da porta central, tinha desenhos de animais selvagens – cervos, ursos e tal – e uma floresta. Acima da porta, um arco com flecha e no centro uma lua minguante. E o outro chalé era o mais cheio de frufrus de todos. Era feito de mármore azul celeste, com duas colunas brancas bem polidas e na frente das colunas havia uma escultura de um cisne. Nas paredes tinha desenhos delicados cheio de frufrus que eu nem sei explicar, o chalé cheirava bem até demais.
E, pra completar o círculo, havia um chalé de mármore sólido e preto. E o resto eu não sei explicar. Tinha um que parecia um arco íris ambulante, outro que parecia uma floricultura, um que me dava sono só de olhar etc
No meio da área dos chalés, tinha uma fogueira enorme, fontes, vasos de flores e estátuas. Havia uma estátua de uma mulher usando armadura, segurando um escudo e uma lança, no ombro dela tinha uma coruja. Outra estátua de uma mulher belíssima, com cabelos longos voando ao vento usando uma túnica grega.
E havia uma outra estátua que me chamou atenção. Um homem segurando um caduceu, usando elmo com duas asas dos lados, usava uma túnica grega e um par de sandálias com asas.
Não sei o que eu pensei pra ter ido à direção dessa estátua. É como se meus membros tivessem vontade própria, mas de alguma forma, eu sabia que essa estátua era importante pra mim, e muito familiar. Fiquei encarando o cara do caduceu, tentando obrigar a minha mente a se lembrar dele, e do por que me parecia tão familiar.
Várias lembranças me atingiram, muito de repente, como se jogassem tijolos feitos de memórias na minha cara. Minha cabeça começou a doer.
–Tudo bem? – Leo perguntou, com a mão no meu ombro.
Eu ia responder que não, mas ouvi a voz de alguém atrás da gente.
–Hermes é bem bonito, né? Deve ser por isso que eu sou tão lindo.
Será que todos os meninos desse acampamento são exibidos? Ninguém merece.
Eu me virei, e vi dois meninos com cabelos castanhos encaracolados, sorrisos maliciosos, orelhas pontudas e olhos castanhos claros. Com uma feição de garoto idiota/palhaço que vai te irritar muito.
–Eu sou mais bonito que você, cara. A gente já discutiu isso. – o garoto mais alto disse. O outro fez uma careta pro mais alto, depois se virou pra mim.
–Nova aqui? – disse ele, beijando minha mão. Ergui uma sobrancelha. — Sou Connor Stoll, e esse babaca, Travis, é meu irmão.
–Desculpe, mas seu nome é Corno? – perguntei.
–O quê? Não!
Travis começou a gargalhar.
–CORNO? ADOREI!
–EU NÃO SOU CORNO!
–É verdade. Nem namorada tem pra ser chifrado.
–Como se você tivesse, idiota. – Connor respondeu, batendo no ombro do irmão. Depois virou-se pra mim. – meu nome é C-O-N-N-O-R, beleza? Nada de Corno.
Travis soltou uma risadinha, mas Connor o encarou com seriedade.
–Ahm... nós somos filhos de Hermes, o bonitão aqui. – Travis disse, dando tapinhas no pé da estátua.
–Puxando o saco do pai, Travis? Coisa feia. – Leo disse, sorrindo.
–Não estou mentindo. Meu pai é um galã, puxei dele essa beleza toda. – Travis respondeu, apontando pra si.
Leo riu forçadamente.
–Tá certo, agora, se me dão licença, tenho de terminar de mostrar o Acampamento pra Srta. Manson.
–Seu nome é Manson? – Connor disse.
–Não, cara. Meu sobrenome é Manson, o nome é Adália. Mas que se dane, me chamem de Ady ou Lia.
–Certo. Então, eu e o meu irmão babaca vamos pegar peças nos campistas. Até mais.
Dito isso, eles correram pro chalé do caduceu.
–Eles nem ligaram por estarmos todos molhados. – eu falei.
–É quase normal os campistas aparecem encharcados.
–As pessoas caem na lagoa com frequência aqui e nem ligam?
Leo sorriu.
–Bem vinda ao Acampamento Meio Sangue.
–Muito bem vinda, alias. – eu respondi sendo muitíssimo irônica.
–Continuando... Esses são os chalés. Quando você for reclamada, vai ter que ficar no chalé de acordo com seu pai ou mãe olimpiano. – Leo disse.
–Ah, poxa. Eu não posso escolher não? – reclamei, batendo o pé. – eu queria ficar com aquele com cheiro do mar.
–O Chalé de Poseidon? – Leo hesitou – seria estranho, você filha de Poseidon. Irmã do Percy. – Leo estremeceu – não quero nem pensar nisso.
–Nah. Que saco... tá legal, e os outros chalés?
–Ah... Do lado esquerdo, os chalés dos deuses. Do lado direito, os chalés das deusas. Aquele grandão ali, o maior de todos, é o chalé de Zeus, depois, Poseidon, Ares, Apolo, meu pai Hefesto, Dionísio e Hades. O outro, o chalé com romãs, é o chalé de Hera, depois, Deméter, Atena, Ártemis e Afrodite. Desde a guerra contra os titãs, que aconteceu a pouco de 2 anos, acrescentaram mais chalés, para os deuses menores e para Hades. Temos o chalé de Íris, Hipnos, Nêmesis, Niké, Hebe, Tique, Hécate, Perséfone e Éolo. Alguns chalés são honorários, tipo o chalé de Hera e Ártemis. Ártemis jurou virgindade eterna, por isso não tem filhos e Hera só tem filhos com Zeus, embora Zeus não tenha só filhos com Hera. – um trovão surgiu no céu – Quer saber? Deixa pra lá. Enfim...
–Ártemis é a deusa da caça, certo? Seria legal ser filha dela. – eu disse, e um outro trovão surgiu no céu.
–Não, não é legal. E pelo jeito Ártemis não gostou disso. – Leo falou, olhando pro céu preocupado.
–E se meu pai ou minha mãe não me reclamar ainda hoje? Onde eu vou dormir? No meio do mato? Com o dragão?
–No chalé de Hermes, já que ele é deus dos viajantes, o chalé recebe todos que ainda não foram reclamados, mas desde a guerra contra os titãs, por causa do Percy, os deuses geralmente reclamam seus filhos no primeiro dia no Acampamento.
–O que aconteceu nessa tal guerra? Você estava nela?
–Não, eu cheguei em Dezembro do ano retrasado. A guerra contra os titãs acabou alguns meses antes de eu chegar no Acampamento, e começou, sei lá quando. E o que aconteceu nela? Só o titã Cronos tentando renascer e acabar com os deuses, mas acabou sendo morto por um bando de adolescentes com TDAH e dislexia. – ele disse, olhando pro céu. Provavelmente pensando se ia aparecer algum trovão.
O clima pareceu ficar mais tenso depois disso.
–Então.... que daora. – eu disse, quebrando o gelo.
Leo parou de olhar para o céu e olhou pra mim.
–Vamos?
–A-hã.
Depois da área dos chalés, Leo me mostrou a arena, que era basicamente um coliseu de Roma em miniatura, com várias colunas gregas ao invés de paredes. Dentro, havia alvos para arco e flecha, bonecos-alvos e um cachorro gigante mordendo um escudo de madeira. Percy Jackson dava aula de esgrima pra alguns campistas, lutando contra um garoto. Percy era ótimo, desviava, atacava, girava, defendia e tudo mais.
O cachorro gigante farejou o ar, olhou pra nós e veio correndo na direção de Leo. Eu desviei rápido, antes que o cachorro me esmagasse junto á ele.
–Caramba, que cachorro grande. – eu disse, sem mais nenhuma expressão.
–Sra. O’Leary! Chega, garota! – Leo gritou, ou tentou, já que o cachorro não parava de lamber a cara dele.
Depois que Leo conseguiu tirar a Sra O’Leary de cima dele e reclamou por eu não ter o ajudado, me levou até as forjas, que era uma coisa parecida com o Artes e Ofícios, só que muito mais sujo. Nas forjas tinha vários martelos, moldes para espadas, bigornas, entre outras coisas normais que tem em forjas. Leo falou que era as forjas era o melhor lugar do acampamento, eu discordei. Depois ele começou a falar um monte de baboseiras sobre o trabalho nas forjas, de como eles fazem armas e tal.
Quando eu pedi pra ele parar de falar, saímos da forja e fomos até o campo de morangos, que era um enorme campo de morango, dãh. Sentados na grama, tinham uns garotos metade bode e metade homem tocando flautas de bambu, o que fazia os morangueiros se agitarem e crescerem. Leo falou que os morangos que pagam as construções do acampamento. Tipo, eles vendem os morangos. Não o que você provavelmente pensou. Que estranho...
Depois, ele me levou para o arsenal. Lá tinha várias armas, espadas, lanças, arcos, aljavas, facas, adagas, escudos, armaduras entre outros. Leo disse pra eu escolher uma arma, e ficar com ela.
–As armas são feitas de bronze celestial, que pode matar os monstros, ferir semideuses etc. Bronze celestial não machuca os mortais. – ele explicou.
Eu assenti. Dei uma olhada nas armas e espadas, e o que me chamou atenção foi um Arco. Peguei-o e estiquei a corda.
–Gostei desse.
Leo sorriu pra mim.
–Bela escolha.
Eu dei mais uma olhada nas espadas. Segurei uma de 98 cm, que eu mal conseguia erguer. Outra que tinha o peso ideal, mas o punhal não encaixava na minha mão.
Leo pegou uma espada, de 75 cm e esticou pra mim.
–Acho que essa vai servir bem pra você.
E realmente, serviu. Ela tinha o peso ideal e o punhal encaixava perfeitamente na minha mão. Só faltava saber usar.
–A maioria dessas armas que tem no Arsenal são relíquias. Foram usadas por gregos famosos, deuses e tal. Provavelmente essa espada também já foi usada por alguém famoso, só que eu não sei dizer quem. Pra mim não importa quem as usa.
–Posso ficar com essa espada e o arco? – perguntei.
Leo pegou o arco que eu escolhi e uma aljava e me entregou.
–Á vontade, moça. – ele me mostrou uma bainha — E pegue essa bainha para guardar a espada.
Eu peguei a espada e coloquei-a na bainha. Coloquei a aljava nas costas e segurei o arco. Armada e perigosa, pensei.
O quê? Nada a ver...
Ok, continuando. Depois que saímos do Arsenal, vi um bosque enorme, escuro, com vários tipos de árvore. Eu quis imediatamente ir nesse bosque, só que Leo falou que lá é cheio de monstros e tudo mais. E disse também que eu não deveria ir lá sozinha, sendo nova no Acampamento e não sabendo usar armas. Me senti ofendida, mas era verdade.
Depois que eu reclamei por ser injusto, Leo me levou para os estábulos.
Eu pensei que lá ia ter cavalos normais. Mas depois de eu ter visto garotos bodes, meninas que respiram em baixo da água, paredes de escaladas que soltam lava e cachorros gigantes, eu deveria saber que não iam ter simplesmente cavalos, e sim cavalos com asas.
–Ai caramba. – eu disse, perplexa, encarando um cavalo totalmente negro. O cavalo relinchou.
Havia uns 6 cavalos com asas no estábulo. Um branco, outro marrom com manchas pretas, outro preto com crina branca, um branco com manchas marrons e o outro marrom, com crina branca e cascos cor de rosa. Isso mesmo. Cor de rosa.
–São pégasos. Esse garanhão aqui – Leo disse, passando a mão no focinho do pégaso negro – é o Blackjack, o pégaso do Percy.
–Ele tem um PÉGASO? – perguntei, surpresa.
–A-hã. Só não de muitos torrões de açúcar pro Blackjack, ele fica, digamos que, meio agitado.
Blackjack relinchou, provavelmente reclamando. Resolvi ser bondosa com o pobre pégaso.
Passei por Leo, peguei um torrão de açúcar e dei para Blackjack. Ele começou a bater os cascos, balançar a cabeça e, resumindo, ficou agitado. Virei para trás e percebi que Leo olhava pra mim, com cara de retardado.
–O que foi? – perguntei, franzindo a testa. Percebi que ele olhava acima da minha cabeça.
Olhei para cima e vi um caduceu brilhante, flutuando na minha cabeça.
–AH! O QUE DIABOS É ISSO? – perguntei/gritei.
Comecei a balançar a cabeça, pra ver se o caduceu desaparecia, mas é claro que não desapareceu.
–Parece que você é filha de Hermes, Ady. – Leo falou, ainda olhando para o caduceu brilhante.
Espera. Parou a fita. Minha tia dizia que meu pai se chamava Hermeto Éllines, que por mera coincidência é muito parecido com Hermes. Será que ela sabia que o cunhado dela, na verdade era um deus?
Maldita tia Maya, por que não tinha me dito antes?
–Eu preciso ir pra casa. – eu falei.
–O quê? Como assim? – ele olhou pra mim, assustado.
–Preciso ir pra casa falar com a minha tia, explicar o que aconteceu e pegar minhas coisas. Eu volto pra cá.
Leo franziu a testa.
–Podemos falar com ela via mensagem de íris.
–Via de mensagem de quê? – perguntei, tentando processar o que ele tinha acabado de dizer.
–É tipo uma mensagem que se passa por um arco íris. É simples, fácil e rápido. Nós fazemos um arco íris, jogamos um dracma nele...
–Um o quê?
–Dracma. E depois, é só dizer com quem você quer falar e o arco íris vai mostrar essa pessoa. – ele terminou.
–Mas eu preciso buscar minhas coisas!
–A gente fala com Quíron depois. Agora, que tal ir escolhendo sua cama do Chalé de Hermes? – ele disse, andando até a saída do estábulo. Eu o segui.
–Do que adianta escolher uma cama sem meus pertences?
–Oras, você não sair hoje do Acampamento pra ir à sua casa. Já é tarde. Talvez amanhã você vá, isso se Quíron deixar.
Fiz uma careta. De qualquer forma, se deixassem ou não, eu ia pra casa. Mas é claro que eu iria voltar pro Acampamento. Aqui eu fiz alguns amigos, não muitos. Mas tinha certeza que a medida que o tempo passasse, iria me sentir mais em casa, mais aceita nesse Acampamento, do que lá em Nova York, na escola para Delinquentes.
E claro, eu ia trazer meu velho amigo junto.
Notas finais
E eu fiz a descrição do acampamento de acordo com esse mapa: http://bit.ly/Y8r8MM que aparece no Guia Definitivo, e essa também http://bit.ly/10Dfw3X e com a ajuda da internet. :B
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