A Filha Da Magia
5 Capítulo 5 - Buscando meu desaparecido cartão de memória
Notas iniciais
Nico pegou uma pedra lisa.
–Toma, tenta. –ele me disse, entregando a pedra.
Eu a peguei e joguei no lago.
A droga da pedra parecia querer me fazer vergonha, ela não saltitou, afundou na água.
–Eu sou um fracasso. –disse, colocando uma mecha de meu cabelo atrás da minha orelha. –Se eu não consigo fazer nem uma pedra saltitar no lago, como vou conseguir matar monstros?
–Espera... como você sabe que vai matar monstros? –Nico me perguntou.
–Annabeth me contou suas aventuras matando monstros e salvando a humanidade. –eu respondi.
–Ah ta. –ele disse– Mas você não vai matar monstros logo de cara. Você primeiro precisa treinar, e depois Quíron vai te mandar para uma missão. Talvez.
–Tomara que o seu talvez queira dizer não. –eu disse.
Nico deu de ombros.
–Você ainda não sabe quem é seu pai ou mãe olimpiano, não é? –ele me perguntou.
–Na verdade é mãe. Meu pai é mortal.
–Mais uma pilha de deuses excluídos da nossa lista. –ele disse.
–Nossa lista?
–Você não quer saber quem é sua mãe olimpiana? –ele me perguntou.
–Quero.
–Então... se ela ainda não se revelou, o que era para ela fazer no seu aniversário...
–Hoje é meu aniversário! –eu disse, não acredito que havia me esquecido disso.
–Ah então, ainda temos até meia-noite para que ela se revele. –disse Nico.
–Pois é... porque você não come junto com todo mundo no refeitório? –perguntei.
–Eu... comi mais cedo. –ele respondeu.
Assenti devagar.
–Então, quais são seus poderes como filho de Hades? –perguntei.
–Eu posso... não se assuste com o que vou dizer. –ele disse e eu assenti, para que ele continuasse. –Eu posso invocar mortos, esqueletos, viajar nas sombras, literalmente ir ao Mundo Inferior, ou inferno, como você quiser chamar.
–Invocar mortos, viajar nas sombras, ir ao inferno... legal. –disse.
Ele ficou surpreso. Olhou para mim com os olhos arregalados.
–O que foi? –perguntei.
–É que você é a primeira pessoa que não se assusta quando eu falo sobre... o Mundo Inferior.
–Nada mais me assusta agora. Primeiro na minha escola, quase fui morta por uma fúria, depois aqui na entrada do Acampamento, uma dracanae quase me mata...
–Legal. Eu fui transformado num pé de milho, fiquei trancado num jarro sustentado apenas por sementes podres de romãs.
Minha boca formou um “o”.
–Deve ser por isso que você é tão magro. –resmunguei.
–Quê? –ele perguntou.
–Nada não. –eu olhei para ele, seus olhos eram negros, tão negros...
–Porque tá me olhando assim? –ele perguntou.
–Nada não... quer dizer, seus olhos... eles são de um tipo raro, daquele tipo de olho que você não consegue diferenciar a íris da pupila. –eu disse.
–Ah ta... nunca percebi isso. –ele disse.
–Sério?
Ele assentiu.
Era noite, havia mais estrelas no céu do que eu havia visto na minha vida. Bem diferente da cidade grande.
Vi as constelações, uma parecia com a de uma caçadora...
Tocou o sinal.
–Hora do jantar! –ele disse, se levantou, limpou a calça e me ofereceu a mão. Eu aceitei, seu toque era frio. Ele me deu um puxão, me fazendo sair do chão por um momento. Eu escorreguei, ia cair, mas Nico me segurou pela cintura e me puxou para ele. Eu arfei.
–Obrigada. –eu disse– Por não me deixar cair no lago.
–De nada. –disse Nico. Nossos rostos estavam próximos...
Eu me afastei dele, coloquei as mãos nas alças da calça e olhei para baixo.
–Então... –eu disse– vamos comer.
Saímos do lago de canoagem e fomos para o pavilhão do refeitório. Todos olharam para nós, aqueles olhares estranhos... olhares que perguntavam “o que você estava fazendo com ele?” ou algo do tipo.
Annabeth me olhou e me chamou para pegar a comida. Enchi meu prato e me juntei à fila para jogar a comida na fogueira.
Quando foi a minha vez...
–Para todos os deuses. –sussurrei e joguei uma parte da minha comida, que desapareceu totalmente dentro da fogueira. Olhei para o céu e disse: – Ah, não precisa agradecer novamente, Zeus.
Voltei e me sentei à mesa do chalé 11 e comi minha comida.
¨¨¨¨
Depois de comer meu jantar. Olhei para o lado, procurando Nico, mas ele já havia saído...
–Procurando seu namorado? –perguntou Travis, com um sorriso travesso. Os outros filhos de Hermes que estavam na mesa terminando de comer, deram uns sorrisinhos maliciosos para mim.
–Ele não é meu namorado. –corrigi.
–Ela ficou com raiva. –disse Connor, fazendo biquinho.
–Connor! –eu o adverti, meio que com um sorriso no rosto.
–Ela está vermelha! –disse Travis.
–Gente... –eu disse, enquanto o resto do pessoal ria. Não aguentei, ri junto também.
–Com quem será, com quem será, com quem será que Sophie vai casar... –cantou Connor.
–... vai depender, vai depender, vai depender se o Nico vai querer! –Travis terminou a canção.
–Chega... –eu disse, com a barriga doendo de tanto rir– eu não fico mais aqui, tchau pra vocês. –saí da mesa e caminhei pelo Acampamento sem saber para onde eu estava indo.
Eu fui para o chalé 11 e tomei banho. No espelho do banheiro, vi meu rosto. Meus olhos castanhos escuros estavam cansados e meus cabelos também castanhos escuros estavam bagunçados. Troquei de roupa. Piper deixou a mala prontinha, ela colocou roupa, armas, sabonetes... tinha até absorvente!
Coloquei a camisa do Acampamento e um short. Eu ia abrir minha mochila e pegar meu celular, mas Grover o quebrou e o comeu.
Ai, droga!
Lembrei-me que Grover tirou a bateria, o chip e...
O cartão de memória. Era nele que estavam guardadas minhas músicas.
Dobrei a toalha de banho e a guardei em minha mochila, saí correndo com os cabelos molhados ao vento.
Corri observando as placas de direção rapidamente, não havia quase ninguém caminhando pelo Acampamento. Cheguei à Casa Grande, ou pelo menos na área dela.
Fiquei procurando na grama algo preto minúsculo, porque foi lá que Grover derrubou meu cartão de memória. Meu cabelo estava em meus olhos, então fiz um coque com ele molhado no topo da cabeça. Continuei procurando... estava escuro, e eu não tinha lanterna, o que dificultou ainda mais na busca. Eu desejei que houvesse alguma claridade...
Vi algo clareando o chão onde eu estava. Procurei para ver o que era, mas não vi nada. A claridade estava embaixo da minha visão, olhei para baixo e arfei. Não podia ser.
Minha mão estava pegando fogo, mas o fogo não a queimava. Fechei minha mão em um punho e o fogo desapareceu.
Olhei para minha frente. Aquilo foi imaginação minha. Não foi? Não... não foi.
Vi algo minúsculo e preto. Meu cartão de memória. Abaixei-me e o peguei, tomara que não esteja com algum defeito, e tomara que as minhas fotos, vídeos e músicas ainda estejam guardados nele.
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