A Filha Da Magia
17 Capítulo 17 - A Batalha Final
Notas iniciais
De longe, eu podia ver os gigantes atacando Acampamento Meio-Sangue.
Vi uma forma escura se movimentando como o vento, logo de cara eu pensei que era Clítio. Porque, como disse Clarisse, ele engolia tudo pelo caminho. Era a água que destruía o fogo, e o fogo que evaporava a água. Não vi os outros gigantes por ali.
Piper tentava freneticamente fazer Gaia dormir:
— Você quer... Dormir. — ela dizia. Mas pude perceber que sua mágica de persuasão estava fraca, bem fraca.
— NÃO VAI FUNCIONAR, FILHA DE AFRODITE! — dizia a Mãe-Terra — DESTA VEZ, SUA MÁGICA NÃO VAI FUNCIONAR!
Os venti me largaram a cinquenta centímetros do chão, depois eles voltaram para não-sei-aonde. Eu rolei no chão para amortecer a pequena queda e me levantei. Estava um desastre. A terra estava amolecendo e começando a engolir meus pés, estava tremendo também, dificultando o equilíbrio.
Clítio engolia tudo na escuridão. Árvores eram sugadas para uma escuridão sem fim. Campistas gritavam, pegando espadas e lutando contra lestrigões, empousas e dracanaes. Jason voava no céu, jogando rajadas de vento nos monstros. Annabeth lutava com sua espada, Percy jogava água nas empousas enquanto Leo Valdez jogava bolas de fogo nos lestrigões.
— Hey, Filha da Magia! — disse Valdez — Chegou na hora certa, hein? Vamos, nos ajude a derrotar Gaia pela segunda vez no ano.
E foi aí que cinco empousas vieram de encontro comigo.
Vampiras idiotas, pensei e saquei minha espada. Algumas hesitaram, mas a que pareceu ser a líder do grupinho avançou.
Cortei sua cabeça a fora.
O resto veio de encontro comigo e eu lutei, cortando uma aqui, transformando outra em cinzas, até que uma me agarrou pelas costas e prendeu meus braços. Outra empousa veio e inclinou minha cabeça para o lado, deixando meu pescoço nu.
Eu não podia morrer, não agora. Não quando o mundo precisava de mim.
Quando a empousa mostrou suas presas para fora, ela... Morreu. E poucos segundos depois, a que estava me prendendo também morreu. Virei-me assustada para ver quem era.
Nico di Angelo estava com sua espada de ferro estígio brilhando assustadoramente. Ele sorriu e foi matar um lestrigão.
A terra agora estava engolindo minhas canelas. Tirei meus pés enlameados de lá e comecei a correr para matar Clítio.
O gigante estava se aproximando da área dos chalés.
Eu fiz o máximo que eu podia para correr.
— Hey — eu chamei e Clítio lentamente se virou para mim. Ele era um pouco gigante, e isso o tornava lento. Tentei pensar em um apelido ofensor para ele. — Gigante Feio! Filho do Tártaro! Tartaruga Ambulante! Não, essa não... Hmm, espera aí um pouquinho, tá? — eu perguntei e Clítio ficou ali parado, impassível.
Aceitei aquilo como um sim e me virei, começando a pensar num apelido ofensor.
— Leo! — chamei — Me dá uma ideia de um apelido ofensor para o gigante aqui! — eu apontei o meu polegar para trás.
— Tem certeza... Que essa é a hora certa? — perguntou Leo, enquanto destampava um frasco de fogo grego e jogava num bando de dracanaes.
Dei de ombros e saquei minha faca, enterrando-a no peito de um lestrigão que estava próximo.
— Rápido Leo!
— Ah, ta certo! — ele disse. — Tente... Tartaruga Ambulante.
— Não, não... Esse eu já tentei. — eu falei.
— Hmm... — Leo estalou os dedos — Já, sei. Chame-o de Clitinda do Faroeste!
— Clitinda do Faroeste? — perguntei.
Ele deu de ombros.
— Foi o melhor que eu pude inventar até agora desde Aquaman para o Percy. — ele confessou.
— Ei! — protestou Percy, que não estava muito longe de nós.
Dei de ombros e me virei para o gigante.
— Clitinda do Faroeste! — chamei, e por incrível que pareça, o apelido funcionou. Clítio olhou para mim e eu pude ver a fúria se formando em seu rosto. Ele avançou para mim, desta vez com mais pressa. Eu desviei de sua escuridão e assim eu estava atrás dele, e aí eu me lembrei da dica da Hazel quando eu estivesse lutando com Clítio. Corri e passei por debaixo das suas pernas, sacando minha espada e a enfiando em seus países baixos.
Até eu tive pena do grito que Clítio soltou. Ele arrancou minha espada, saindo icor dourado do lugar onde eu ataquei.
Ouvi barulho de cavalos ao fundo e virei o rosto para ver.
Um bando de centauros selvagens e ciclopes maus chegaram para reforçar o exército de Gaia. Os semideuses do Acampamento Meio-Sangue lutavam como podiam, mas éramos poucos em relação ao tamanho das forças da Mãe-Terra.
Olhar para os reforços de Gaia foi um erro para mim.
Clítio me segurou no ar, e eu surpresa, me debati sem saber o que fazer.
Fogo. Chamei o fogo em minhas mãos e joguei em Clítio, mas ele o engolia como se fosse água.
— Tente um fogo diferente! — disse minha mãe o céu, chegando com o resto dos olimpianos.
Gaia, que estava em pé, deixou sua boca se torcer num “o” deformado. Depois ela transformou o “o” num sorriso maléfico, e fez um movimento de levantar algo com os dois braços.
Todos os gigantes anti-deuses saíram de dentro da terra com um bando de Nascidos da Terra.
Outro tipo de fogo, eu pensei. Fogo grego! Mas é claro, como eu vou conseguir invocar o fogo grego? Bom, não faz mal tentar. Eu pensei num fogo diferente, um fogo que queima tudo até debaixo d’água, que queima até a morte e ainda assim, depois dela. O fogo grego.
Olhei minhas mãos, e lá estava o fogo grego. Lancei-o diretamente nos olhos de Clítio, que me soltou. Caí de costas no chão, e bati a cabeça com força na terra.
Minha visão ficou embaçada, pontinhos negros dançavam nela. “Um sacrifício”, lembrei do verso da profecia.
Vamos lá, me motivei, o mundo precisa de você.
O mundo precisa de mim.
Clítio veio com sua mão fechada me esmagar, mas aí eu me lembrei do meu Valdezcudo. Esfreguei meu relógio e o escudo apareceu, em sua frente esculpido o rosto da Medusa. Clítio se afastou por um instante, mas depois ele voltou a fechar sua mão e vir para cima de mim. Ele socou o escudo uma vez, e eu me lembrei da dica do Leo “Ative o cronômetro na hora da luta”. Eu cliquei no pequeno botãozinho e cabum, raios saltaram do meu Valdezcudo e acertaram Clítio em cheio. Minha mãe, Hécate veio por trás, e queimou Clítio com suas tochas.
O Acampamento Júpiter chegou. Uma garota que eu imaginei ser Reyna estava montada num pégaso negro, os outros semideuses montados em outros pégasos. Vi Hazel e um garoto que imaginei ser Frank Zhang. Eles desceram dos pégasos, que retornaram, voando para o lugar de onde vieram.
Frank Zhang se transformou num elefante e começou a esmagar alguns Nascidos da Terra. Hazel foi matar alguns ciclopes do mal com sua spatha. Vi Tyson em algum lugar com Ella. O ciclope estava pegando alguns centauros selvagens e os jogando para longe gritando:
— Pôneis maus!
A harpia estava pegando algumas pedras e jogando na cabeça de algumas dracanaes.
Virei-me para ver a situação de Clítio.
Pequenos tufos de poeira negra saíam dele enquanto ele se tornava cada vez menor e... Sumiu.
Os semideuses estavam acabando de matar os gigantes com seus pais. Zeus estava com Jason, Poseidon estava com Percy, não vi Hades ali, mas cada vez que Nico matava um monstro, o chão se abria e o engolia.
— NÃO! DE NOVO NÃO! — gritou a Mãe-Terra. Festus a ergueu do chão, não sei por que, mas Jason alcançou voo e segurou Piper, e eles ficaram próximos de Gaia.
Leo Valdez jogava fogo na Mãe-Terra, que se debatia.
— Eu quero que você durma — falava Piper, agora sua magia se tornando mais forte, tão forte que me deu sono também.
— NÃO!
— Durma.
— EU NÃO VOU DORMIR, NÃO VAI SER COMO ANTES, FILHA DE AFRODITE! — disse Gaia.
E por falar em Afrodite, a deusa apareceu em sua biga de guerra.
— Juntas, nós vamos conseguir, filha. — disse a deusa.
E elas gritaram juntas:
— DURMA!
Gaia desapareceu das garras de Festus, se tornando uma areia esbranquiçada e fina. Ela dormiu.
Eu percebi que o Acampamento Meio-Sangue e até Jason estavam com folhas nos ouvidos, para não serem atingidos pela mágica da deusa, e sua filha.
Mas eu não estava com folhas tapando meus ouvidos.
E eu caí no chão, de repente com sono, e dormi.
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