A Filha Da Magia
13 Capítulo 13 - Philadelphia
Notas iniciais
Capítulo 13 – Philadelphia
Chegamos à Philadelphia meia-noite em ponto.
Nós achamos um cantinho para dormir e... Bom, dormimos.
No outro dia, acordei com Nico mexendo em meu braço levemente.
— Acorde. — ele disse.
Eu esfreguei meus olhos e bocejei, ainda estava escuro.
— O quê...? — perguntei, me levantando.
— Chegamos à Philadelphia, — disse Nico — mas daqui para Pittsburg são 97h.
Eu mal ouvi o que ele disse depois de “97h”.
— Então quer dizer que, iremos caminhar até Pittsburg, e isso irá demorar... — eu calculei mentalmente — quatro dias e uma hora de caminhada. — eu não parecia acreditar no que estava dizendo.
Nico assentiu.
— Eu não posso viajar nas sombras toda hora, isso me mataria. Então teremos que ir caminhando, quando chegarmos à Pittsburg, eu prometo que viajaremos nas sombras até Columbus. — ele disse.
— Você não precisa prometer, — eu disse — confio em você.
Nico me encarou com seus olhos negros intimidantes e misteriosos. Eu consegui apenas o encarar por mais cinco segundos, depois desviei o olhar.
Nico continuou me encarando, ele aproximou seu rosto do meu. Ele segurou meu queixo e o levantou, me fazendo olhar para ele. Nico aproximou sua boca da minha...
A terra estremeceu. Eu me desequilibrei junto com Nico e caí no solo.
— Vocês não perdem por esperar! — disse Gaia, a Mãe Terra. A terra parou de tremer, e Nico me ajudou a levantar.
Eu franzi a testa.
— Você está bem? — Nico perguntou preocupado.
— Sim, estou. — respondi.
Nico arfou.
— Vamos começar a caminhada.
Seguimos pela Market St. O sol começava a nascer a leste, dando um leve contraste arroxeado no céu.
Continuamos a caminhar, passamos pela Anar News, onde eu quis muito parar para comprar uma roupa — tentações adolescentes —, passamos pela Starbucks, atravessamos a rua e passamos pelo PNC Bank. O sol já estava na metade do horizonte, despertando com uma criança que não quer acordar de um sono. Em frente ao PNC Bank estava o Radian Group Inc.
— Ahn... Sophie. — disse Nico, enquanto andávamos.
— O quê? — perguntei.
— Antes de Gaia fazer a terra tremer, eu ia fazer uma coisa com você. — ele disse.
Eu sorri internamente, sim, eu sabia o que ele iria fazer comigo.
— Eu ia te beijar. — ele confirmou o que eu já sabia.
Ficamos um tempo em silêncio e eu resolvi arriscar:
— E qual o problema nisso? — perguntei, enquanto do lado da Radian Grou Inc, estava a Warner Brothers Studio Store.
Nico pareceu ficar atrapalhado.
— E-eu, — ele gaguejou — eu pensei que você bateria na minha cara se eu tentasse te beijar.
Eu sorri.
— Você me beijou pela primeira vez e eu não te bati, então, porque eu faria isso na segunda? — perguntei, olhando para ele, enquanto passávamos pela J.P. Morgan Private Bank.
— É que na primeira vez que o fiz, foi para salvar sua vida. — ele argumentou.
— Mas não havia deixado de ter sido um beijo. — eu repliquei.
Nico calou-se. Passamos pela IBM, e chegamos à The UPS Store.
— Aqui está a lojinha de Hermes — disse Nico. Ele aproximou sua boca da minha orelha e cochichou. — Coisas roubadas.
Eu arqueei minhas sobrancelhas em entendimento.
Continuamos caminhando até que o sol havia aparecido completamente no horizonte.
— Que horas são? — perguntei a Nico, com preguiça de abrir minha mochila e pegar o meu celular.
Nico levantou uma sobrancelha.
— Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome...
— Não! — eu exclamei, rindo — Eu estava me referindo ao horário, não a uma oração.
— Ah, sim. — disse Nico, ele abriu sua mochila e pegou seu celular — São 6h05 da manhã.
— Isso quer dizer que você me acordou... — eu comecei a calcular mentalmente.
Nico foi mais rápido:
— 5h56 da manhã.
Eu grunhi.
Continuamos caminhando, os carros, aos poucos começavam a passear na rua, soltando suas fumaças negras que subiam e se misturavam ao ambiente. As pessoas também começavam a aparecer aos poucos, prontas para um dia inteiro e cansativo de trabalho. Algumas nos estranhavam e nos olhavam torto, de cima a baixo, de banda...
Atravessamos a rua e passamos pela Sonesta Philadelphia Downtown.
Continuamos a andar, estávamos em silêncio. Acho que eu fiz errado em perguntar a Nico qual o problema dele me beijar.
Será que eu fiz certo em fazer aquela pergunta, ou era para eu simplesmente ficar calada?
Eu pensei que Nico havia ficado com raiva de mim.
Mas não, estava tudo normal mesmo.
Sabe, não é todo dia que você conhece um garoto e no dia seguinte ele já te beija tentando salvar sua vida. Mas foi assim que aconteceu comigo, e eu não sei se fico surpresa ou arrasada. Mas, enfim...
Ficamos em silêncio por mais algum tempo. Até agora, graças aos deuses, nenhum monstro.
Passamos pela T-Mobile Philadelphia. Uau, aqui havia muitas lojas. Muitas lojas mesmo. Continuamos andando, deveria ser o quê... 6h15? Ah, não. Faltaria muito tempo para chegar o fim do dia. Passamos por um enorme estacionamento, que logo cedo, estava completamente lotado. Caminhamos pela calçada da Children’s Literacy Iniciative. Passamos pela Pindler & Pindler...
Caminhamos mais um pouco e depois atravessamos a rua. Chegamos numa calçada onde havia uma barra de proteção, eu olhei o que havia embaixo: duas trilhas de trem, uma para a ida, e a outra para a volta. Ao lado havia o lago, mar, o que quer que seja. Olhe para trás, havia a mesma coisa na outra calçada. O lago brilhava, refletindo a luminosidade do sol, que estava um pouco mais acima da linha do horizonte. Era uma bela vista.
Continuamos a caminhar pela Market St até que a parte do lago acabou, atravessamos a rua pela faixa de pedestres e continuamos a caminhar, eu estava um pouco cansada, parecia que a Market St não iria acabar nunca!
Caminhamos até um viaduto enorme de uma trilha de trem que se estendia por cima de nossas cabeças, atravessando a rua.
— Sophie, se eu tentasse te beijar agora, você me bateria?
Eu tencionei por um momento, mas não hesitei em dizer:
— Não.
— Então... Você não me bateria?
Eu neguei com a cabeça.
Nico me levou até um lugar debaixo do viaduto, onde ninguém poderia nos ver. Absolutamente ninguém.
Nico me encostou à parede e segurou meu rosto com as duas mãos. Eu fiquei parada, sem saber o que fazer.
Nico di Angelo aproximou sua boca da minha e me beijou.
A terra não tremeu, mas minhas pernas sim.
Por fim, Nico mordeu levemente meu lábio inferior antes de separar sua boca da minha.
Espera... Qual é meu nome mesmo?
Nico começou a rir. Eu aos poucos percebi como estava meu rosto, eu estava formando um “o” surpreso com a boca.
Ele acariciou meu rosto.
— Vamos Sophie. Vamos continuar a caminhar — disse Nico, voltando a andar.
Eu fiquei ali por mais dois segundos, depois comecei a andar atrás dele.
Passamos por um estacionamento da Santander, seu chão estava completamente rachado, pareciam raízes de árvores. Ou teias de aranhas...
Caminhamos mais um pouco e depois atravessamos a rua para ver a estátua de Mario the Magnificent, depois continuamos a caminhar.
Já era meio-dia quando a Market St acabou. Quer dizer, ela quase acabou. Era meio-dia quando chegamos a uma parte onde Market St fazia divisa com a Powelton Ave. Fizemos uma parada para almoçar.
— Graças aos deuses. — eu disse. Havíamos caminhado sem parar desde cedo, sem parar para tomar café da manhã, apenas parando para Nico me beijar e ver a estátua de Mario the Magnificent, depois disso, nenhuma parada. Eu estava morrendo de sede. Abri minha mochila e peguei uma garrafa de água, estava quente. Ninguém merece beber água quente. Mas... Espera, se eu podia invocar o fogo, porque não o gelo?
Eu segurei minha garrafinha de água e pensei no gelo. Concentrei-me.
Quando abri os olhos, minha garrafinha estava coberta por uma fina camada de gelo. Eu a abri e bebi.
Quando guardei minha garrafinha, Nico já havia bebido a dele e estava olhando para mim.
— Que tal comermos? — ele perguntou.
— Ótima oferta. — eu disse. Peguei os mantimentos e os abri. Deuses... Ali só tinha pão misto e alguns sanduíches extras que Deméter nos havia presenteado. Eu não os havia reparado ali. Mas ainda bem que havia algo a mais para comermos. Eu entreguei dois mistos ao Nico e fiquei com dois mistos.
Comemos.
Depois descansamos. E quando deu uma hora da tarde, saímos novamente em caminhada.
Já estávamos caminhando fazia cinco minutos, quando Nico ficou alerta.
— Monstros. — ele disse. Pegou o frasco de perfume e nos perfumou. — Deve funcionar até o fim do dia... Eu acho.
Continuamos caminhando. Passamos pela Stan’s Tires, e chegamos debaixo de outro viaduto. Nico rapidamente segurou meu queixo e me deu um selinho, fui pega de surpresa.
— É impressão minha ou você está gostando dessa historia de beijo?
Nico riu.
— Não é impressão sua.
Eu sorri internamente. Internamente. Mas quando eu vi o túnel que nos esperava à frente, meu sorriso interno murchou.
Era um túnel escuro.
— Vamos, teremos que passar por aqui. — Nico verificou. — Não sinto nenhum cheiro de morte, é seguro.
Dei de ombros e andei ao lado de Nico para dentro do túnel.
A temperatura lá havia esfriado uns cinco graus. Refrescante em compensação ao calor que estava lá fora. Eu não conseguia ver nada, mas Nico foi me guiando, dizendo se o caminho estava plano ou não. O túnel parecia não ter fim, até que eu vi a luz.
A luz no fim do túnel.
A luz atingiu meus olhos, eu pisquei para me acostumar. Havia um pequeno campo ao lado, com poucas árvores e a Public Assistance – Nursing Home ao fundo.
Continuamos caminhando por mais quinze minutos.
— A Market St parece não acabar nunca. — resmungou Nico.
Eu concordei.
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