A Festa

6 Quem gosta da Cheé?


Cheé estava deitada em sua cama com os olhos vermelhos e cara cheia de lágrimas. Embaixo do seu travesseiro estavam dois papeis dourados.

A campainha da casa tocou. Ela não levantou e continou deitada, fingindo não existir.

Ela escutou a porta se abrir e ainda assim não levantou. Pouco importava a ela se fosse um ladrão. O ladrão poderia matá-la e com isso ela seria mais feliz.

A porta do seu quarto se abriu e ela escutou quieta:

- Cheé?

- Tata? – Cheé se virou – O que faz aqui? – O cabelo de Cheé estava todo bagunçado e sua cara não estava boa. Tata falou delicadamente:

- Vim te chamar pra ir à festa.

- Quê? – Cheé falou se sentando na cama.

- É – Tata se sentou também – Nossa. Você está arrazada. Vamos, levante e lave esse rosto.

- Tata... – Cheé começou a falar enquanto Tata puxava sua mão – Eu...

- Não. Depois a gente vê isso. Levante! Levante!

Cheé se levantou e deu uma olhada pro travesseiro.

- Eu vou... – Cheé falou com a voz rouca

Tata percebeu alguma coisa e falou:

- Posso usar o banheiro antes? – Ché concordou e Tata pôs a bolsa em cima da cama dela.

Quando Tata fechou a porta, Cheé ponhou os dois convites dentro da bolsa e sentou-se na cama.

Alguns segundos depois, Tata saiu e falou:

- Lave esse rosto e depois nós vamos até em casa pra você ponhar uma roupa, ok? Mas ande logo que já são 16h.

- Ok! – e entrou no banheiro. Pelo canto da porta, Cheé viu Tata revirar a bolsa a procura dos dois ingressos dourados.

Cheé jogou água no seu rosto e viu uma coisa pro trás de seus olhos. Uma coisa que não era dela.

Ela saiu do banheiro e viu Tata sentada na cama:

- Oh, está pronta, vamos? – Tata perguntou

- Não, eu não vou Tata – Ché respondeu se sentando na cama.

- Por que não? – Tata olhou pra Ché e segurou a mão dela.

- Não vou Tata. Não tem motivo pra eu ir.

- Claro que tem. E muitos! – Tata respondeu, tentando parecer calma.

- Então diga um! – Ché gritou e começando a chorar – DIGA! Ninguém gosta de mim, lá! Ninguém! NINGUÉM MANDOU CONVITE PRA MIM! – Ché berrou.

- Ché acalma-se. Eu estou aqui pra levar você, vamos.

- CALA A BOCA TAILAINE! VOCÊ SÓ FICA COM ESSE GRUPINHO DE MENINAS MIMADAS E PATRICINHAS! EU NÃO SOU ASSIM! EU NÃO VOU! – Cheé gritou ainda mais.

- Olha aqui Cheé. Se eu vim até aqui é por que...

- VOCÊ NÃO SABE DE NADA! VOCÊ TEM TODOS A SEUS PÉS! EU NÃO TENHO NADA. NADA. NEM AMIGOS! NINGUÉM ME AMA! – e deitou-se na cama e começou a chorar ainda mais.

Tata sentou-se do lado e falou alisando o cabelo dela:

- Claro que amamos você Ché! É claro! Vamos, vamos, por favor! Eu não viria até se não tivesse motivo.

Ché virou-se e começou a falar:

- Você veio até aqui para pe... – mas ela parou e sentou-se na cama – Me perdoa, Tata? Por favor? Por favor?

- Não seja boba, Ché. Vamos. Estamos atrasadas.