XXXIII

ELIZABETH

EMBORA NÃO SOUBESSE A RESPEITO de sua amiga, enquanto Sabrina sonhava com o acampamento Meio-Sangue, Elizabeth sonhava com o Acampamento Júpiter.

Apesar de ser injusto, Elizabeth achou que era melhor ela ter sonhado com o acampamento romano ao invés de Johnathan – primeiro por que estava um caos e quase que completamente destruído. Segundo por que ela viu Theo caminhar de um lado para o outro da principia completamente desesperado – seu rosto vermelho, seus braços cheios de cortes, suas mãos tremendo.

Ele por fim se sentou em uma das cadeiras de pretor, e os galgos metálicos lamberam seus pés como se soubessem que era um momento de aflição. Elizabeth observou a cena confusa – onde estava Catherine? Então realização veio para ela.

Catherine estava morta? Doente? Ferida?

Theo se apoiou em um dos braços da cadeira e respirou profundamente, comandando a si mesmo para se acalmar. Ele olhou para o teto da principia como se pedisse aos lobos para darem força a ele, então um grito veio na direção das portas. Theo gritou de volta, e o menino que havia ajudado elas a entrar no acampamento, David, apareceu diante de Theo.
– Senhor, encontramos algo. – Theo se levantou e pegou o pergaminho das mãos de David. Elizabeth leu pelo ombro dele e quase morreu do coração.

Renda-se ou matarei sua amiga.

Seu acampamento não durará muito tempo de qualquer forma.

Você tem até a meia-noite do dia 21”

Theo parecia que tinha comido um sapo.
– Nós não podemos aceitar, senhor. – disse David. Theo parecia sombrio.
– Eu sei.

Elizabeth abriu seus olhos e murmurou exasperada.
– Catherine.

Aparentemente, Johnathan estava arrastando ela por aí então estava perto o bastante para ouvi-la.
– O que você disse? – ela deu um pulo e ficou um pouco longe dele, então tudo veio em flashes para ela.

Sangue de um semideus infernal para fazer o ritual. Catherine desaparecida. Johnathan tem uma queda por Catherine. Não avisar Johnathan.
– Uh, nada. Onde você estava me levando?
– Hm – disse ele – eu só fiquei caminhando por aí, tentando fugir de alguns ciclopes que apareceram lá. Você é bem pesada, sabia? – ele parecia mortalmente cansado. Elizabeth suspirou exasperada: o garoto foi possuído por um eidolon, então exorcizado e passou a noite toda carregando ela por aí. Devia estar sendo uma noite horrível. E ele nem sabe da Catherine.
– Certo. Vamos sair daqui de uma vez.

Se passou muito tempo, vários monstros e salas diferentes até que Elizabeth encontrasse suas amigas. A linha azul felizmente não tinha se apagado, então Elizabeth pôde seguir o caminho.

Encontrara Sabrina e Suzana no que parecia uma espécie de casa tamanho GG. Os quadros estavam muito no alto, o teto tinha no mínimo 15 metros de altura e os móveis era projetados para alguém de no mínimo 5 metros. Sabrina e Suzana estavam fazendo um lanchinho e ficaram em posição de combate quando eles apareceram. Felizmente não os fatiaram como os sanduíches.

Elizabeth abraçou Suzana e Sabrina, a última em uma abraço mais demorado. Elizabeth desconfiou que Sabrina estivesse com algum problema, mas não disse nada, pois não era seu forte. Os dois semideuses se sentaram junto das garotas.

Elizabeth mal tinha mordido seu sanduíche quando Sabrina a cutucou discretamente.
– O que foi? – ela cochichou.
– Eu tenho que te dizer uma coisa importante.
– Eu também.
– Como a gente se livra deles?
– Eu dou um jeito.

Elizabeth pensou em ambas comendo seus sanduíches quietas e então pegou Sabrina pela mão e se levantou, deixando a névoa para fazer companhia a Suzana e Johnathan. Assim que se distanciaram alguns seguros metros, Sabrina sorriu para Elizabeth.
– Aquilo foi incrível!
– Eu tenho a ginga. – ela disse – Mas agora, o que você queria me dizer?
– O acampamento está com sérios problemas. – disse Sabrina sombriamente – Mas eu tenho boas notícias, já sei onde está o velocino, com Éolo. E ele está do lado da Feiticeira.
– Isso complica as coisas. – disse Elizabeth – Como vamos conseguir a informação?
– Eu acho que esse nunca foi o real motivo da missão. – disse Sabrina – Se você prestar atenção, ninguém nunca nos disse que deveríamos ir a Éolo pela informação. Ao mesmo tempo, você tem um fantasma que é irmão dela e a minha mãe vem falando comigo. Sempre tivemos a informação. Talvez a nossa real missão fosse ir atrás do Velocino o tempo todo.
– É, você deve estar certa. – disse Elizabeth, pensando momentaneamente a respeito de Catherine dizendo para perguntar sobre o traidor – Mas tem algo que eu preciso te dizer. – ela contou a Sabrina a respeito de Samuel e de seu sonho.
– Nós temos que dizer a Johnathan...
– Não! Veja Sabrina, eu tenho uma ideia! Se nós contarmos sobre Catherine a ele, ele vai pirar e vai querer ir atrás dela!
– Mas nós temos que fazer alguma coisa sobre isso!
– Eu sei! Mas só me escute, ok? Ok. Olha, Sam me disse “te vejo no Paraíso” quando estava se esvaindo, e eu não o bani completamente então ele não foi para o tártaro. Isso quer dizer que ele vai tentar usar Catherine para acordar a Feiticeira, mas isso também nos dá a localização de onde elas podem estar.
– Espera! Então mesmo se o acampamento se rendesse, ele mataria Catherine!
– Eles saberiam que os romanos nunca se dariam por vencidos. E para de me interromper! Ok, como eu estava dizendo, isso nos dá a localização de onde a Feiticeira está selada. O paraíso no mundo inferior é o Elísio.
– Mas Elizabeth, Nix nunca selaria uma criminosa no Elísio, ela a selaria nos campos da Punição ou no Tártaro.
– Não, você sabe por que? Por que os seguidores dela foram mandados para os campos da Punição e para o Tártaro e qualquer um pode entrar nesses lugares por que, realmente, quem iria querer ir pra lá? Mas o Elísio é vigiado, apenas os merecedores podem entrar então o selamento estaria mais seguro.
– Wow. – disse Sabrina – Agora vejo por que você sempre ganhava de mim no xadrez. – Elizabeth sorriu.
– Isso não é tudo. Eu não quero contar ao Johnathan a respeito de Catherine por que vocês três serão mais fortes contra Éolo, pois seu palácio é no céu. Já eu, me darei bem nos domínios do meu pai e terei mais chance de sair dali viva com Catherine.
– Eu vejo seu plano agora. – disse Sabrina – Muito inteligente.
– E além do mais, os últimos versos da profecia eram “A feiticeira e o fantasma na escuridão a esperar”. Eu acho que não queria dizer a Feiticeira, e sim uma feiticeira. Eu, pois uso o poder da névoa. O fantasma é Evan e a “escuridão” deve querer dizer dentro dos portões de Érebo, pois Érebo em português é escuridão.
– Elizabeth eu acho que você é a filha de Atena. Não eu. – Elizabeth revirou os olhos.
– Eu só sou um pouco mais criativa. Então, como vamos por o plano em ação?
– Me deixe pensar. – disse Sabrina – Você acha que poderia fazer uma projeção de si mesma para nos acompanhar?
– Não. Não estou nesse nível.
– Ok. Podemos dizer que você vai indo para o mundo inferior para prevenir que ela não se levante, já que deve ser meio-dia e alguma coisa do dia 21. – Elizabeth levantou uma sobrancelha.
– Mas como...
– O tempo é incerto no Labirinto, lembra Elizabeth? Temos que contar com a pior das hipóteses para estarmos prevenidas para tudo.
– Ok. Mas não daria, Johnathan sabe que é necessário sangue de semideus para acordá-la e acharia melhor eu ficar aqui para prevenir que ela me use.
– Sim, isso é verdade. – então Sabrina levantou uma sobrancelha – Poderia ser um acidente!
– Ahm, oque?
– Poderíamos fazer assim: Éolo certamente vai querer nos jogar de uma altura ou nos fazer voar com o vento, então quando ele tentar, deixe! Quando estiver longe o bastante para que não a vejamos, viaje nas sombras para o mundo inferior e ponha o plano pra funcionar!
– E se ele não tentar me jogar longe?
– Ué, se jogue você mesma!
– Suzana vai ficar preocupada.
– Eu aviso ela que você gosta de viver perigosamente. – Sabrina piscou e começou a dar uma de suas risadas do mal. Elizabeth revirou os olhos e sorriu.
– Ótimo. Agora, como faremos isso?
– Temos que sair do Labirinto. Minha mãe mencionou algo sobre você saber o caminho, isso é verdade? – Elizabeth sorriu.
– Eu tenho uma ideia melhor e mais rápida.