A Feiticeira

21 Matando a saudade


Notas iniciais
Nossa... depois de muito tempo eu resolvi retomar esta história. Fiquei muito tempo parada por problemas pessoais. Então eu peço perdão aos meus leitores! E agradeço àqueles que retomaram a leitura. Beijos, espero que vocês gostem do que vem por aí!

– Olá, meu caro amigo. Como vai? – Disse Alex.

– Vou muito bem, obrigado. E vocês? Como anda o acampamento? O que anda acontecendo? – Respondeu o filho de Hades.

– Bom... a gente não está no Acampamento. E... – Ela analisou o local onde ele estava e finalmente se deu conta de onde Nico se encontrava – Você está no Acampamento Júpiter? Ótimo! Tenho que te pedir uma coisa.

Ele olhou estranho para a garota. Estava tentando entender como ela sabia da existência do Acampamento romano. E se ela não estava no Acampamento Meio-Sangue, onde estavam então? E o que Clare estava fazendo com ela?

– Claro... O que foi?

– Bom... Você tem que prometer que não vai dizer nada a Percy quando ele aparecer. – Nico levantou a sobrancelha como em uma pergunta e Alex pôs-se a explicar toda a situação – Seguinte, Hera, ou Juno, sei lá, teve uma ideia meio bizarra para poder unir os dois acampamentos. Ela sequestrou Percy e pretende levá-lo para aí, e sequestrou Jason com o intuito de levá-lo ao Acampamento Meio-Sangue. Ela acha que trocando os líderes dos acampamentos, os gregos e os romanos apresentem um certo tipo de respeito um pelo outro. Mas tanto Percy quanto Jason vão ter suas memórias apagadas, para "suavizar" o choque de descobrir que existe outro acampamento.

– Pera... Quando o Percy vai chegar aqui? Na boa... que ideia idiota.

Clare soltou uma risada pela resposta de Nico.

– Não sei, Nick. Mas eu concordo que é uma ideia um tanto imperfeita. Os romanos são tradicionais demais, e vai ser difícil deles admitirem a ideia de trabalhar com os gregos, sendo que eles são inimigos há séculos. Acho que seria tão mais fácil simplesmente falar com eles, explicando toda a situação. Toda mesmo! Não deixar nada de fora, mas os deuses adoram complicar tudo.

– Eles gostam de deixar as coisas mais interessantes para eles. – Essas foram as primeiras palavras de Clare desde que Nico fora conectado.

– Nem me fale... – Concordou Nico.

Alex olhou para os dois e, vendo que a situação já havia sido explicada para Nico, ela resolveu deixá-los a sós. Se despediu dos dois e foi conversar com Arthur.

– E aí, Clare, como você está? – Disse Nico com um sorriso torto.

Ela sorriu com o coração, pois estava com tanta saudades dele.

– Estou bem, mas muito cansada. Todo esse treinamento que estou tendo com a Alex está acabando comigo. Mas olha, eu nunca me senti tão bem! Ela é ótima, e tão surpreendente. Mas e você? Alex comentou comigo uma vez que você tinha ido atrás da sua irmã. E aí, no que deu?

– Ah Clare... Ela voltou. Não está mais no Hades. Isso realmente acabou comigo, eu tinha tanta esperança de vê-la de novo, de abraçá-la, de conversar com ela de novo... – O olhar dele ficou distante por um tempo – Mas não foi de todo ruim, sabe? Encontrei uma irmã romana minha. Ela é filha de Pluto, e ela me trata como um irmão. Não é como a Bianca, mas ainda assim é uma ótima garota.

Ela queria que ele estivesse ali em Avalon com ela. Ele estava com o olhar tão triste, e ela queria poder consola-lo.

– Eu... sinto sua falta. – Clare não conseguiu se controlar. Ela queria mesmo era dizer que gostava dele, mas achou que aquele não seria o momento certo.

O rosto de Nico, quase sempre sem cor, ficou com as maças do rosto vermelha com a declaração de Clare.

– Eu sinto também. Sua falta. – Ele estava totalmente envergonhado com a situação. Ele não estava acostumado com aquele sentimento dentro dele. Ele já teve uma queda por alguém antes, mas nunca desse modo – Me pergunto quando poderemos nos ver novamente. Acho que vai demorar até eu poder vê-la, e ter uma conversa calma e descontraída. As coisas estão bem estranhas. Tem muita coisa acontecendo.

— É, eu sei. As coisas que Alex me contou são... Ual! Eu tenho medo, de verdade, do que pode acontecer. Pelo menos eu tenho Alex aqui comigo, que faz com que eu me sinta mais segura. Ela tem tanta confiança naquilo que faz, e parece que ela tem sempre tudo sobre controle.

Nico ficou um pouso intrigado com a declaração de Clare.

— Clare, primeiro: quando a guerra começar, eu vou estar lá, e pode ter certeza de que eu não vou deixar nada acontecer com você. — Clare corou absurdamente ao ouvir isso — Segundo: de onde vem todo esse conhecimento de Alex? Achei que ela fosse nova no Acampamento e que não soubesse muita coisa. Terceiro: Onde vocês estão?

A semideusa parou, considerando a pergunta de Nico. O que era permitido a ela compartilhar com ele? O filho de Hades percebeu a hesitação nela, sabendo que ela escondia algo. Mas resolveu não forçar nada, ainda assim, ele queria saber o que estava acontecendo.

— Olha Clare, você não precisa ser tão receosa comigo. Eu não sei nada sobre Alex, o que eu sei é que ela sabe muito. Bom, eu presumo pelo menos. Afinal, ela sabe dos planos de Hera e sabe da existência dos deuses de outros panteões. Eu também sei bastante coisa sobre isso, eu viajo muito, sabe?

Ela sentiu que podia explicar pelo menos onde estava e o que ela tem feito.

— Bom... você já ouviu falar de Avalon? — Nico, para a surpresa de Clare, assentiu — Então, estamos aqui. Em Avalon. Eu passei uns dias em companhia de minha mãe, enquanto Alex me treinava em magia. Eu não sei se eu poderia falar, mas ela é uma feiticeira. Na verdade, não vi ela conjurar muitos feitiços, ela só me ensinou as coisas até agora.

Nico digeriu a nova informação. Todos sabiam que aquela garota tinha algo estranho e diferente. Agora tudo fez sentido para ele. Bom, quase tudo.

— Por que vocês estão em Avalon? E ela é tipo o que? Sua irmã?

— Não! A mãe dela morreu, Nico. Lembra? — Ele se lembrou então de uma da conversas deles, em que ambos desabafavam sobre seus problemas familiares, e percebeu que ter considerado a ideia de Alex ser filha de Hécate parecia idiotice — E... Minha mãe pediu que nós duas recrutássemos ajuda para a guerra. Alex achou que seria melhor passar por aqui primeiro. Pois Arthur conhece muita gente, e para ele se conectar com os deuses de outros panteões é mais fácil. Os aliados, claro. Parece que depois daqui vamos atrás daqueles que estão espalhados pelo mundo mortal.

— Mas por que vocês? Quer dizer... vocês duas são novas, por que você tem que fazer isso?

— Ah, o Acampamento não tem ideia de onde estamos. Isso aqui é algo meio por fora.

Nico já ia responder quando ele ouviu Hazel chamar seu nome. Ele então se despediu rapidamente de Clare, e cortou a conexão. Clare se viu sozinha no jardim de Arthur, ouvindo apenas o murmúrio ao longe de conversas entre elfos e fadas. Ela tirou o pingente de Alex da fonte, e se dirigiu em direção ao Palácio.

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Assim que Alex saiu do jardim, ela se dirigiu para o gabinete de Arthur, pois queria ter uma conversa com ele. Assim que ela entrou no saguão do palácio, viu que pouca coisa tinha mudado desde a ultima vez em que estivera lá. Antes, havia uma mesa de centro de puro carvalho, com a beirada banhada a ouro. Na mesa sempre havia uma enorme cesta com as mais belas e diversificadas frutas. No canto haviam estátuas reverenciando a todos os mestres, deuses que admirava e amores de sua vida. Suas estátuas eram para ele como fotografias. A maioria deles já estavam mortos, tirando os deuses.

Agora, uma fonte de mármore e prata, tendo no centro a imitação de uma macieira tomava o lugar da mesa de centro. Apenas isso havia mudado. O resto estava igual. Ou quase tudo.

O coração da feiticeira se apertou ao ver uma nova estatua no saguão. Era uma mulher alta, com cabelos longos e ondulados. Ela vestia uma armadura que envolvia perfeitamente cada linha de seu corpo, e se apoiava em uma espada que estava fincada no chão. A mulher era muito bonita, com o rosto magro, e ela estava extremamente relaxada, com o olhar distante, mas ainda assim com uma postura invejável. Era Sapphira. Alex ficou observando a estátua durante um bom tempo.

– Coloquei ela aí quando você estava dormindo. – Disse Arthur chegando por trás dela – Ela estava assim na primeira vez que a vi. Nunca pensei que ela fosse estar nesse hall... Peguei essa lembrança e fiz a estátua. É fácil esculpir usando magia. Sua mãe que me ensinou, você sabe que ela sempre admirou todo tipo de arte.

Alex concordou com o rei, sem desviar os olhos da estátua.

– Arthur, eu preciso pedir um favor. Preciso da localização de alguns Shadowrealms. E de alguns Anciões.

– Claro, venha comigo, eu tenho um mapa que vai ser de grande ajuda para você.

Ele pôs a mão ao redor do ombro de Alex, e a guiou escada acima, até seu gabinete.

Notas finais
Obrigada por ler, deixem Reviews! Beijos!