A Farewell Song

1 Prólogo: Negação


PROPAGANDA:
Porque estou aderindo à campanha do Luis e recomendando fics (de KH, já que aqui é uma fic de KH) que realmente valem a pena serem lidas. Ao menos, na minha opinião. Sejam felizes caso resolvam lê-las.

1- “Angels in my Life”, por Srta_Syn_FF7:
Foi a primeira fic da Syn que eu li. E confesso, não me arrependi nem um pouco. A história é tudo que a Syn é: envolvente, interessante, altamente divertida. O ritmo da história é habilmente manejado por ela, um feito que eu considero difícil. E é claro, anjos. Axel figura como um anjo nessa obra, e o pior é que parece completamente verossímil este fato. É um romance entre o divino e o carnal que vai sendo construído aos poucos. Vale muito a pena ler essa.
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/39697/Angels_In_My_Life

2- “Arts N Hearts”, por Akane Kittsune:
O que posso dizer? Qualquer um que tenha lido qualquer fic minha sabe que 98% delas têm alguma menção à essa moça. Porque ela é simplesmente incrível. E porque, afinal, ela muito me apresentou ao universo de KH. Enfim, desta vez Akane chega com uma Akuroku cativante desde o primeiro capítulo. Feita de chuva, desencontros e um clima que mistura a leveza do conhecimento e a opressão da melancolia, “Arts” merece ser lida por todos que prezam uma boa história. Impossível se arrepender.
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/30143/Arts_N_Hearts

3- “Between Love and Hate”, por Srta_Syn_FF7:
Uma fic não-finalizada que eu, particularmente, estou acompanhando fanaticamente. Seguindo uma linha semelhante à sua outra história, Syn desta vez nos apresenta Roxas como um anjo e Axel como o demônio, os naturais inimigos destes seres celestes. É uma história que muito mostra a maturidade que ela adquiriu na pausa entre os dois textos, e ainda sim, aquela leveza de escrita que lhe é característica. As citações angélicas e demoníacas são um prato à parte. Totalmente recomendável.
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/44231/Between_Love_And_Hate

4- “Quatro de Copas”, por Hi-chan:
Com uma doçura ímpar na hora de narrar, \"Quatro de Copas\" é o tipo de fic que você não cansa de reler. Tratando sentimentos da forma mais verossímil, breve e cândida possível, a autora nos faz adentrar completamente no universo das emoções de Roxas e Sora, complementares e ao mesmo tempo diferentes, como as cartas. É uma leitura obrigatória aos fãs.
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/35131/Quatro_De_Copas

5- “Do Outro Lado do Espelho”, por Yumesangai:
Para enfim quebrar o ciclo de Akurokus que parece ter se repetido por aqui, esta fic traz como protagonista ninguém menos que Xion. É de uma poesia inacreditável e faz você entrar de cabeça na história, quase como um vício. Jogada em um “outro mundo” sem amparo algum, é impossível não simpatizar completamente com a No. I. A fiction ainda está no seu começo, mas promete ser o tipo de obra que arranca sorrisos e lágrimas na mesma medida.
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/43945/Do_Outro_Lado_Do_Espelho

A FAREWELL SONG
Petit Ange

Prólogo: Negação.

The sun goes down in the twilight
(O sol se põe no crepúsculo)
Now the time we sing along our goodbye
(Agora é hora de cantarmos nosso adeus)

Em que a escuridão é tão diferente da morte?

Acaso só por que um coração bate, ele já não está morto?

A verdade é que adormecer é como morrer aos poucos, todos os dias. E mesmo a própria morte deve ser apenas uma passagem; um dia, irá se acordar, em outro corpo, em outras vidas, mas irá se acordar. Como o adormecer.

Ele sabia que era assim, que era a imutável e perfeita verdade. E, talvez, por isso não gostasse de fechar os olhos.

Ou talvez, fosse porque tivesse passado anos daquele jeito.

Morto. Adormecido. Que chamasse como convinham.

Nenhum morto sente o roçar em sua pele. Mortos não ouvem as vozes dos vivos. Porque mortos estão mortos.

Parece tolo, mas é uma lógica aplicável também a um comatoso. Porque o sono é igual à morte: a escuridão é a mesma. A bênção silenciosa é a mesma. Só a vida no coração é que muda, de fato.

Por isso, ele sabia que era aquilo que acontecia. Sabia porque, ao contrário dos outros, experimentou isso.

Em seu coma, ele não ouviu absolutamente nada.

Lera alguns livros, após seu despertar, onde se dizia que pessoas em longo coma podiam ouvir a voz dos outros, podiam sentir as vibrações ao seu redor. Como bebês no útero.

Era mentira. Porque comatosos e mortos, afinal, eram iguais.

Ele esteve morto por anos. Perfeitamente morto.

Lembrava-se, porém, com uma nostalgia embebida em arrependimento do dia de seu despertar.

Será que, por estar morto, aquilo não era como renascer?...

Porque ele sentia isso dentro de si.

Aquele seu “eu” que existia antes de ter caído em profundo sono não parecia mais existir em lugar nenhum de seu coração. Era como se houvesse sido tragado pelas águas escuras do mar. Em seu lugar, um novo “eu”, um estranho “eu” nascera.

..Devia ser aquela a única diferença que separava mortos de comatosos.

Mortos não podem mais evoluir. Eles entregaram o coração à escuridão reparadora. Não... Comatosos também. Mas os mortos entregam para sempre.

De alguma forma estranha, seu corpo não seguiu seu sono, e ele sentiu que estava diferente.

Esteve tão diferente que não se reconheceu. Era como estar simplesmente vestindo a pele de outra pessoa.

Que mãos eram aquelas? Eram mesmo suas mãos?...

Lembrava-se, com ainda mais nostalgia, de como sentiu-se desamparado ao despertar.

Sim. Se o coma é como estar num útero, então aquele foi o dia de seu nascimento. O dia em que foi brutalmente arrancado do cordão umbilical feito de descanso e silêncio e foi jogado num mundo cheio de luz e sons irreconhecíveis.

Ao contrário de um bebê, porém, ele tinha uma última lembrança.

Ela era feita de estrelas, de um mar incrivelmente salgado e gelado e de vozes gélidas que sussurraram sua morte.

“Nama Hikari”.

...Onde estava sua mãe?

Estava viajando com ela. Estavam num navio, indo para algum lugar, algum lugar que sua mente infantil não conseguia lembrar, e estavam indo exibir suas mais novas criações.

Mas o navio foi pego. Sim. Um grupo de homens vestidos de preto tomaram o navio e...

A lembrança do jovem era feita, além de estrelas e de ondas do mar, de sangue. Sangue balançando de um lado para o outro com o balanço das águas, manchando o convés e a noite outrora imaculados.

E Sora Hikari soube. Soube com o frio que lhe veio à espinha, como se houvesse sido uma vez mais atirado às águas.

Sua mãe não estava ali. Não havia nenhum som, não havia nenhuma familiaridade. Era tudo simplesmente branco e estranho. Devia ser assim que se sentiam os bebês, desamparados, quando saem dos úteros maternos, não?

Ah, não é hora de se perguntar isso. É hora de aceitar a verdade: estava órfão.

Porque se lembrava da mão que perdia o calor, lentamente, como comida esfriando numa janela.

Ao contrário dele, Nama Hikari estava verdadeiramente morta.

Foi uma compreensão muito rápida. Como se, de alguma forma, ele já soubesse disso inconscientemente. Muito rápida e também muito dolorosa.

Mas não tanto quanto aquela que viria a seguir. Aquela de quando ele se levantou, disposto a procurar alguém. Porque sentia que a voz não iria sair; havia algo apertando sua garganta, deixando-o sem ar.

Era como reviver, quase que intimamente, todos aqueles momentos em que, envolto em uma planície feita de águas escuras e de gelo da noite cheia de estrelas, ele sentia seu ar sendo roubado dos pulmões. A respiração fugia, apertava e não queria mais retornar; e, indefeso, Sora Hikari não podia fazer nada diante daquilo, apenas entregar-se ao sono.

Dessa vez, porém, isso não aconteceu. Ele permaneceu muito bem desperto. Mas sabia que iria detestar para sempre a sensação de falta de ar.

Jogando o corpo para frente, ele sentou-se na cama, tocando em sua própria testa. A cabeça girou; provavelmente, do tempo em que ficara desacordado. Precisava de acostumar à consciência de novo.

Piscou, tentando recobrar a visão. E piscou.

E viu alguém sobre sua cama.

Piscou outra vez, certo de que aquilo devia ser ainda sua tontura.

Mas sentiu um peso que ele não havia percebido antes, talvez porque estivesse envolto demais em sua própria confusão.

O peso... De um corpo.

Ele não sabia explicar porque fixou seus olhos naquele corpo. Sabia que não devia olhar. Não era assim tão tolo; sabia muito bem que não devia fazer nada daquilo que estava fazendo.

Mas era um impulso perverso aquele que o forçava a ficar apenas olhando, sem falar, sem se mover... Morto como o outro.

Não conhecia aquele rapaz. Nunca o vira antes.

Era ruivo. Os olhos eram verdes, e mostravam claramente o vazio da morte; era um verde baço e sem nenhum resquício de vida.

Uma voz estranha e invisível gritou para si que aquilo era um cadáver.

Indubitavelmente, um corpo morto.

Mas Sora Hikari não conseguia se mover.

A garganta arranhou, como um pobre coitado que tenta gritar, mas não consegue. Como ele, que tentou respirar, mas não conseguiu.

E, mesmo assim, em algum lugar de si, houve uma estranha tristeza.

Tão imensa quanto o próprio oceano no qual fora jogado um dia. Era uma tristeza tão forte que ele achou que fosse quebrar.

Mas isso não aconteceu.

Tudo o que restou foi aquele corpo, seus olhos gravando como ferro em brasa na carne para sempre aquela visão.

Um quarto branco, um homem caído sob seu corpo, uma voz que nunca abandonou a garganta.

Sora gritou silenciosamente. E aquele era o grito que permeava seus sonhos.

Notas finais
Nota #1: Sim. Eu postei. Sei que vou me arrepender disso até amanhã, mas agora já é tarde... u_u
Nota #2: É realmente aconselhável que você leia "HOUSEKI" antes de ler "FAREWELL". Ela auuda você entender MUITO do que aconteceu por aqui antes dessa cena insólita se desenrolar.
Nota #3: Antes que eu me esqueça: os títulos serão tirados dos Cinco Estágios da Perda. Porque ele ftw. -qq
Nota #4: Eu adoraria encher meus leitorezinhos queridos com papinhos inúteis, mas vamos deixar isso pra próxima.

Fiquem com Ka *cahem* e até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.