A Fantástica Fábrica De Chocolate - TH
4 O Sr. Wonka e o príncipe indiano.
O príncipe Pondicherry escreveu uma carta para o Sr. Willy Wonka, pedindo para ele ir à Índia, construir um palácio colossal, inteirinho de chocolate — disse o Vovô José.
-E o Sr. Wonka construiu, vovô?
-Claro. E era um palácio lindo! Tinha cem aposentos, todos construídos de chocolate branco ou escuro! Os tijolos eram de chocolate, o cimento também era de chocolate, as janelas eram de chocolate, e todas as paredes e tetos eram feitos de chocolate, assim como os tapetes, os quadros, os móveis e as camas. E quando a gente abria as torneiras do banheiro delas escorria chocolate quente. Vovô José prosseguiu:
- Ao terminar a construção do palácio, o Sr. Wonka disse para o príncipe Pondicherry: "Uma coisa eu vou avisar, o palácio não vai durar muito tempo, portanto é melhor o senhor começar a comê-lo desde já." Mas o príncipe exclamou: "Que absurdo! Não vou comer meu palácio. Não vou dar nem uma mordidinha nas escadarias, nem uma lambidinha nas paredes! Eu vou morar nele!" Mas, claro, o Sr. Wonka estava certo, porque logo veio um dia de sol muito quente, o palácio inteiro começou a derreter e a penetrar devagarinho no chão. O príncipe doido, que estava tirando um soneca na sala, acordou e se viu nadando num lago marrom e grudento de chocolate.
O pequeno Bill ficou sentado na beirada da cama, olhando fixamente para o avô. Seu rosto brilhava, e dava até para ver o branco de seus olhos arregalados.
-Isso é verdade mesmo? -ele perguntou — ou vocês estão caçoando de mim?—
-É verdade! — Falaram os quatro velhinhos ao mesmo tempo.
-Claro que é verdade! Pode perguntar para quem você quiser!
-E tem mais — disse o avô José, inclinando-se para mais perto de Bill, baixando a voz, até se transformar num cochicho.
-De lá... ninguém... sai...
-Como assim? -perguntou Bill.
-E... lá... ninguém... entra...
-Lá onde? — gritou Bill.
-Na fábrica do Sr. Wonka, claro!
-De quem você está falando, vovô?
-De empregados, Bill.
-Empregados?
-Em todas as fábricas -disse Vovô José — há empregados circulando dentro e fora dos portões dia e noite... menos na Wonka. Você já viu uma única pessoa entrando naquele lugar, ou saindo dele?
O pequeno Bill olhou os velhinhos, um por um. Eram todos risonhos e amigos, mas então estavam muito sérios. Não havia sinal de piada ou gozação.
-Então? Você já viu? — perguntou o avô José.
-Eu... eu não sei, Vovô — gaguejou Bill — sempre que passo pela fábrica os portões parecem estar trancados.
-Exatamente — disse Vovô José.
-Mas deve ter gente trabalhando...
-Gente não, Bill. Pelo menos não gente comum.
-Então, quem? -Falou Bill
-Ahá... É isso aí... Mais uma esperteza do Sr. Willy Wonka.
-Bill, meu filho — a Sra. Bucket chamou da porta. — Está na hora de ir para a cama. Por hoje chega.
-Mas, mamãe, eu preciso saber...
-Amanhã, filho...
-Está certo — disse o avô José.- Amanhã à noite eu conto o resto.
Continua...
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