A noite, depois de tomar sua sopa rala de repolho, Bill sempre ia para o quarto dos quatro avós para ouvir suas histórias, e depois dizer boa-noite. Os velhinhos tinham todos mais de noventa anos. Eram enrugados como uvas passas, magros como esqueletos. O dia inteiro, até Bill aparecer, ficavam amontoados naquela cama, dois de um lado, dois de outro. Sempre com toucas de dormir, para esquentar a cabeça, ficavam o tempo todo cochilando, sem ter nada para fazer. Mas, assim que ouviam a porta abrir e escutavam Bill dizer "Boa noite Vovô José, Vovó Josefina, Vovô Jorge e Vovó Jorgina", os quatro de repente se sentavam, iluminavam os rostos enrugados com sorrisos de alegria, e a conversa começava. Eles adoravam aquele menino. Era a única alegria da vida deles, e passavam o dia esperando a hora daquelas visitas. Muitas vezes o pai e a mãe de Bill também entravam e ficavam encostados na porta, escutando as histórias que os velhos contavam. Assim, todas as noites, por cerca de meia hora, aquele quarto se tornava um lugar feliz, e a família inteira esquecia a fome e a pobreza. Certa noite, ao visitar os avós, Bill perguntou:

- É verdade que a fábrica de chocolate Wonka é a maior do mundo?

-Verdade? — gritaram os quatro de uma vez. — Claro que é verdade! Ora, você não sabia? É umas cinquenta vezes maior do que qualquer outra!

- E o Sr. Wonka é mesmo o fabricante de chocolates mais esperto e inteligente do mundo?

-Meu querido — disse o avô José, erguendo-se no travesseiro — o Sr. Wonka é o fabricante de chocolate mais surpreendente, mais fantástico e mais extraordinário que o mundo jamais viu! todos sabem disso!

-Eu sabia que ele era famoso, e eu sabia que ele era inteligente...

-Inteligente! -Falou o velhinho. — Ele é muito mais que isso! É o mago do chocolate! Ele pode fazer qualquer coisa, qualquer coisa que imaginar. Não é verdade, minha gente? — Os outros três velhinhos balançaram a cabeça devagarinho, para cima e para baixo, e responderam:

-Verdade absoluta! A maior verdade do mundo. E o avô José disse:

- Será que eu nunca lhe contei nada sobre o Sr. Wonka e a fábrica de chocolate?

-Nadinha — respondeu o pequeno Bill.

-Ora bolas! Como fui deixar acontecer uma coisa dessas?

-Então conte agora, Vovô José! Por favor!

-Claro! Sente-se aqui na cama, meu filho, e preste atenção — Vovô José era o mais velho dos quatro avós. Tinha noventa e seis anos, e não é todo mundo que consegue ficar tão velho. Como todas as pessoas muito velhas, ele era delicado, frágil e falava bem pouquinho durante o dia. Mas à noite, quando Bill, seu neto adorado, estava no quarto, era como se ele voltasse a ser jovem. Todo o cansaço ia embora, e ele se tornava esperto e animado como um garoto.

- Puxa, que homem maravilhoso esse Willy Wonka! — Falou avô José — Você sabia, por exemplo, que ele mesmo inventou mais de duzentos tipos de tabletes de chocolate, cada um com um recheio diferente, todos eles mais doces, cremosos e deliciosos do que os produzidos pelas outras fábricas de chocolate?!

-É verdade mesmo! -exclamou a avó Josefina. — E ele os manda para os quatro cantos do mundo! Não é mesmo, Vovô José?

-É, querida, é isso mesmo! E para todos os reis e presidentes do mundo também. Mas ele não fabrica só tabletes de chocolate. Não, minha gente, não! O Sr. Wonka tem invenções realmente fantásticas escondidas na manga, ah, se tem! Você sabia que ele inventou um sorvete de chocolate que continua gelado por horas e horas fora da geladeira? Pode até ficar no sol quente uma manhã inteira sem derreter!

-Mas isso é impossível! — disse Bill, com os olhos estatelados.

-Claro que é impossível! -disse o avô José. — É completamente absurdo! Mas o Sr. Willy Wonka fez isso!

-Certíssimo — concordaram todos, balançando a cabeça. — O Sr. Wonka realmente fez isso — E tem mais — o avô José continuou falando, bem devagarinho para Bill não perder nem uma palavra — o Sr. Willy Wonka faz maria-mole com gosto de violeta, e caramelos que mudam de cor a cada dez segundos enquanto você chupa, e docinhos leves como plumas que se derretem deliciosamente assim que você os põe na boca. Faz chicletes que nunca perdem o gosto, balões de açúcar que você pode soprar até ficarem imensos, e depois espetá-los com um alfinete e chupá-los como balas. Por um método supersecreto, ele faz lindos ovos de passarinho azuis com pintinhas pretas, e quando você põe um deles na boca ele vai diminuindo, diminuindo, até se transformar num minúsculo bebê passarinho cor-de-rosa, pousado na ponta da sua língua. Vovô José fez uma pausa e passou a língua nos lábios. — Só de pensar, minha boca se enche de água — ele disse.

- A minha também — disse Bill — Mas continue, por favor — Enquanto eles falavam, o Sr. e a Sra. Bucket, o pai e a mãe de Bill, entraram devagarinho no quarto, e ficaram perto da porta, escutando.

- Conte a história daquele príncipe indiano maluco — disse a avó Josefina. — O Bill vai gostar.

-O Príncipe Pondicherry? — perguntou o avô José, caindo na gargalhada.

- Completamente maluco! — disse o avô Jorge.

-Mas muito rico — disse a avó Jorgina.

- O que é que ele fez? — perguntou Bill, aflito

- Pois eu vou contar — disse Vovô José.

Continua...

Notas finais
Reviews ? :)